História Fascinado por você - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai, Lay
Tags Baekyeol, Chanbaek, Menção Kaisoo, Top!baekhyun
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Palavras 5.319
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi, amores, como vão? espero que bem!
se tem uma coisa que eu adoro é escrever algo inspirado em algum filme, então eu assisti you've got mail (mensagem pra você) pela quarta vez e só enxerguei uma ficzinha marota com chanbaek
espero que gostem, sim? até logo! <3
ps: e assistam o filme!!!

Capítulo 1 - Único


@LOEY: você não acha isso muito solitário? conversar com alguém virtualmente e sentir que ele é a pessoa que mais pode confiar mesmo que você nunca tenha visto essa pessoa? isso é muito solitário...

@NYBU: solitário? por favor... você tem que se sentir agradecido por ter alguém em quem confiar, não? mesmo que seja virtualmente, mas tá valendo

além do mais, dizer que essa situação é solitária, me deixa deprimido. isso significa que eu sou inútil?

@LOEY: é claro que não! meu Deus... jamais pense isso, ok? quer dizer, você nem pode. eu vivo conversando com você e dizendo o quanto você é legal e faz essa minha vida pacata ficar ao menos 1% divertida... então, @nybu, você não é inútil. e nem a nossa amizade

@NYBU: ...viu? você nem sabe o meu nome, e eu nem sei o seu. isso parece inútil

@LOEY: ...isso tá me deixando deprimido. e eu tenho que ir. o trabalho me espera...

@NYBU: fugindo do assunto, senhor @loey? ok... o que eu posso fazer? apenas suspirar dramaticamente e esperar você voltar

se bem que... o trabalho também me espera

eu. odeio. segunda-feira

@LOEY: boa sorte no projeto novo, mesmo que eu não saiba o que seja... espero que não esteja criando uma máfia e que vá matar pessoas

tchau!

Baekhyun deu uma risada alta e bonita enquanto lia aquela mensagem. O tal @loey parecia tão carismático, simpático e todos os adjetivos que existiam. No sentido bom, é claro. Tinha tanta vontade de conhecer aquele rapaz por quem conversava através da tela de um notebook/celular, mas sabia (os dois sabiam) que aquela relação era boa. Não sabiam nomes, não sabiam nada pessoal um do outro, apenas as trocas de mensagens eram necessárias para uma relação até que amorosa surgisse.

Bem, então estava na hora. Era segunda-feira, e Baekhyun precisava trabalhar, porque Byun Baekhyun estava inaugurando uma livraria. Uma livraria maior, mais nova, mais legal, mais tudo. Ok, ele sabia que inaugurar seu projeto novo em uma rua onde havia uma biblioteca infantil era até que errado, mas desde quando Baekhyun se importava com alguma coisa além da sua aparência impecável, o qual era aquele conjunto de cabelos pretos bem penteados e os ternos que o deixavam com uma imagem cafajeste e de homem sério ao mesmo tempo? Era difícil decifrar quem era Byun Baekhyun. Para alguns, era o cara que só sabia pensar em trabalho e lucros, para outros, o cara solitário que morava sozinho com o cachorro, e para um tal amigo virtual, Baekhyun tinha um senso de humor maravilhoso, era extrovertido, e tudo de bom – insira aqui todos os adjetivos bons que existem.

 

 

Chanyeol estava tão sorridente andando pelas ruas de Seul que suas bochechas doíam. Seu rosto até estava quente pela vergonha. A vergonha de ter alguém o tratando com carinho todos os dias, e até o mimando um pouco, fazendo Park Chanyeol, aquele adulto de quase dois metros de altura, se sentir uma criança amada. E de fato, ele estava sendo, porque todo dia, através de mensagens, Chanyeol sentia que nascia um tiquinho de amor entre aquela amizade virtual. Não importava se nunca tinham se visto pessoalmente, não importava se não sabiam quem era o outro, não importava nada. Chanyeol gostava do que tinha com o @nybu. E estava tudo bem por enquanto. A amizade virtual era boa demais para apressar as coisas.

Ao entrar na sua própria biblioteca onde trabalhava e tinha conseguido construir e inaugurar com a ajuda de dois amigos, suspirou todo animado. Ele adorava começar a segunda-feira conversando por mensagem com um certo rapazinho.

— Me diga, Chanyeol, – Jongin começou a falar, assim que Chanyeol apareceu na calçada da biblioteca para abrir o lugar – quem em sã consciência começa uma segunda-feira de manhã com um sorriso no rosto e olhos brilhantes? Ah! A não ser que alguém esteja apaixonado... – Jongin sorriu ladino, do jeito que sempre fazia quando estava pronto para zoar com o seu próprio chefe e amigo.

— Desculpa te decepcionar, Jongin, mas você está errado.

Ah, mas Chanyeol tentou ao máximo não sorrir mais e se concentrar em arrumar as coisas na biblioteca, mesmo que sua cabeça só existisse uma coisa naquela manhã: mensagens.

— E então? – Jongin disse novamente, enquanto abria as cortinas brancas daquele lugar com um ar infantil, claro, porque era uma biblioteca para crianças – Como andam as mensagens com o arroba virtual? Vão se encontrar quando?

Chanyeol se apoiou no balcão, colocou a mão no queixo e olhou o nada, pensando...

— Pra ser sincero, eu não sei se quero isso agora. Ele parece ser bastante ocupado com o trabalho, sabe?

— E o que ele faz?

— Não faço a mínima ideia.

Jongin olhou Chanyeol, e então se aproximou.

— Que amizade é essa que vocês não sabem nada um do outro?

— Essa é a graça da coisa, Jongin. Trocar mensagens com um estranho nem é tão assustador, dependendo do caso. Quer dizer, a gente tá nisso há quase seis meses, nós dois confiamos um no outro, essas coisas... E tá tudo bem assim pra mim, e tenho certeza que pra ele também.

Chanyeol tinha a cabeça no lugar. Apesar do jeitinho bobo e ingênuo, sabia muito bem ser maduro quando tinha que ser, e se ele sentia que podia confiar no @nybu, tudo bem.

Umas horinhas depois, Kyungsoo entrou na biblioteca todo afobado, com as bochechas vermelhas e os cabelos vermelhos bagunçados. Jongin o olhou todo bobo, faltando até babar, porque Kyungsoo era lindo demais, mesmo que o moreno nunca dissesse aquilo em voz alta.

Quem nunca guardou aquela paixão marota para si mesmo, né?

— Venham cá, os dois!

E os dois foram. Andaram, e chegaram. Pararam na rua de trás, onde aquele lugar enorme estava quase pronto, com a construção no fim.

Chanyeol sentiu o coração apertar. Sabia que alguma coisa inauguraria ali, mas não imaginava que seria um concorrente. Sua biblioteca infantil era boa, e Chanyeol claramente nunca se imaginaria sem o seu trabalho e sem conviver com as crianças que iam sempre lá. Só em pensar que aquela livraria nova e maior, – que chamava mais atenção – e que provavelmente ofuscaria sua biblioteca pequena na esquina, o deixava furioso.

E sabia muito bem de quem era a culpa.

— O Byun parece poderoso. – Kyungsoo comentou. Chanyeol fechou os olhos com o comentário.

— Vai ficar tudo bem, certo, Chanyeol? – Jongin sussurrou, mesmo que sentisse uma energia meio negativa – As pessoas gostam da nossa biblioteca, não é? A gente não vai falir porque...

— Vamos voltar.

Chanyeol foi andando na frente. Seu dia tinha ficado ruim de repente. Precisava conversar com quem o deixava melhor.

— O que você acha que vai acontecer? – Kyungsoo sussurrou ao lado de Jongin, com os dois andando atrás do mais alto lá na frente, abraçado no casaco jeans pelo frio e com a cabeça baixa.

— Não sei, Soo...

Ninguém sabia.

 

 

@LOEY: já se sentiu derrotado? pisado? humilhado? é assim que eu me sinto hoje

@NYBU: hoje de manhã você parecia bem. foi a saudade que fez isso com você? eu estou aqui agora

Chanyeol riu pequeno, mesmo que ainda se sentisse tristinho.

Se ele ao menos pudesse receber um abraço apertado e um “vai ficar tudo bem”...

@LOEY: tô com uns problemas no trabalho. já... já sentiu como se estivesse perto de falir? de perder tudo?

@NYBU: pra ser sincero, eu causo isso nas pessoas. eu sou um monstro, você deveria se afastar de mim...

@LOEY: para de brincadeira...

@NYBU: desculpa...

mas então, o que aconteceu?

@LOEY: não deveríamos contar nada pessoal um do outro...

@NYBU: só quero ajudar. pode falar. não vou procurar por você e te sequestrar, eu prometo

Chanyeol sabia que estava encrencado toda vez que sorria bobo e seu coração disparava com aquelas brincadeiras do outro, mas ignorava e focava na amizade.

@LOEY: concorrência... acho que é isso

Baekhyun abriu um sorriso de canto, malvado como gostava de ser. Ele era inteligente no ramo de trabalho, e se seu amigo estava com problemas naquilo que mais entendia, é claro que iria dar uma ajudinha.

@NYBU: você tem que cortar essa concorrência

@LOEY: como? eu não sou malvado que nem você

@NYBU: eu sei, e é por isso que eu vou te ajudar. aprenda a ser malvado comigo e você não vai mais ter problemas no trabalho

 

 

E Chanyeol seguiu os tais conselhos. Uns dias depois, criou coragem e foi até a livraria nova do Baekhyun, deixando Jongin e Kyungsoo sozinhos na biblioteca – algo perigoso, já que Chanyeol sabia muito bem da tensão sexual que havia entre os amigos. Não se importava se houvesse um beijo dos dois, por tanto que não fosse na frente das crianças e nem na sua frente, estava tudo numa boa.

Se encolheu no casaco jeans, passou a mão pelo cabelo castanho e deu uns passos mais rápidos, parando em frente ao lugar que já estava começando a odiar, isso porque nem tinha conhecido o dono daquilo.

Quando entrou, até que sentiu uma invejinha. O lugar era enorme, com milhares de livros, lanchonete, pessoas trabalhando com um sorriso no rosto, adultos comprando e até crianças. Chanyeol fechou a cara. Tudo bem roubar sua imagem, mas as crianças também? Era sacanagem.

Chanyeol tinha que ser malvado. Era aquilo. Andou até onde alguém estava sendo atendido e chegou de mansinho, como quem não queria nada.

— Você tem o autor Kyung Sook?

— Temos sim, deixe-me ver aqui... – o atendente olhou a prateleira, logo pegando o livro no alto e entregando à mulher simpática.

Depois de ouvir o preço, Chanyeol viu a oportunidade de ser malvado.

— Cacete! Você vai pagar isso por um livro? Eu sei um lugar ótimo com um preço ótimo! Eu levo você lá, vamos!

— Ei, ei! O que está fazendo?

Chanyeol revirou os olhos, e até se sentiria assustado, mas a adrenalina era legal e ser malvado estava sendo divertido. Abençoado seja o @nybu.

O grandão estreitou os olhos e viu o nome do atendente. Zhang Yixing.

— Salvando o mundo.

— Eu devo chamar o chefe ou você vai embora sozinho?

— Uau! Vocês não têm nenhum segurança? Tem que chamar o chefe?

— Qual é o problema, Yixing?

Baekhyun então chegou, com um terno azul escuro, fazendo Yixing explicar o que estava acontecendo.

Chanyeol não abaixou a cabeça por um momento. Estava sendo encarado pelos olhos estreitos de Baekhyun, mas aquilo não o incomodava.

— Tudo bem, Yixing, você pode ir...

O atendente fez uma reverência e deixou os dois sozinhos.

— Por que está fazendo isso?

— Saiba que ela só foi a minha primeira vítima! – e lá estava Chanyeol apontando o dedo para Baekhyun, que fez uma careta engraçada como se aquilo fosse irritá-lo.

— Tá... Já terminou o que tinha que fazer?

— Como assim? Não está com raiva?

— Por que estaria? Por que você roubou um cliente meu? – Baekhyun sorriu irônico, o que fez Chanyeol se sentir meio inferior – Por favor... Como é o seu nome mesmo? – esperou uma resposta, e Chanyeol com um bico, respondeu, e Baekhyun continuou – Park Chanyeol, eu tenho clientes, sabia? Muito mais do que você imagina, meu bem. Um só não vai fazer falta.

Chanyeol sentiu aquela sensação de quando viu aquela livraria ser construída. Perda e inferioridade.

 

 

@LOEY: eu odeio aquele lugar, odeio o dono dele, odeio tudo o que vem dali. só não odeio livros porque eu trabalho com eles, mas quem ele pensa que é? me encarar como se... argh! por que eu não consigo ser malvado? me responde!

Baekhyun até achou graça, riu e estranhou por um momento. Parecia sua situação. Não tinha ido com a cara de alguém também, mas aquilo não importava no momento.

De qualquer forma, não entendia sobre o que seu amigo virtual estava falando... Sabia que era sobre o trabalho, mas o que exatamente? Queria saber mais daquele de quem conversava, mas será que seria muito invasivo?

@LOEY: ME RESPONDE!!!!!!!!!!

Chanyeol só faltou quebrar o teclado do notebook. A cama estava confortável e a meia esquentava seus pés, mas mesmo confortável, se sentia nervoso e ansioso. As coisas estavam começando a dar errado. Seu coração que não respeitava suas escolhas e seu trabalho.

@NYBU: calma... eu estou pensando...

E Chanyeol esperou, mexendo numa mexa de cabelo, impaciente.

@NYBU: o que você acha de nos encontrarmos? cansei de trocar mensagens

e quero te conhecer

você também não quer me conhecer?

O coração de Chanyeol batia? Ele achava que não.

Conhecer o @nybu? Mas já? Certo, estavam conversando por seis meses, mas... Mas... Mas... Bem...

O que Chanyeol fez? Fechou o notebook e foi dormir.

 

 

Apesar do pedido repentino do amigo virtual, Chanyeol não perdeu o foco em destruir a sua concorrência.

Lá estava ele novamente, na livraria, fazendo a cabeça de outro cliente, dessa vez de uma idosa, o que estava sendo bem fácil.

— A senhora tem netos, não tem? Sabe, eu conheço um lugar. Não, escuta só! Um lugar que parece mágico, onde tem todo tipo de livro infantil que você pode comprar e até ler na hora para o seu netinho! Isso não é maravilhoso? Aqui... – começou a sussurrar – Cá entre nós, hein? Os livros são caros e sem graça. Vai por mim, o lugar que eu te indicar vai salvar a vida dos seus netos!

Chanyeol se sentiu realmente salvando o mundo com todas aquelas chantagens. Não era mentira e nem errado, ele só estava salvando o seu negócio.

— Não acredito que você ainda está aqui, Chanyeol... O que houve? O movimento da sua biblioteca diminuiu e você veio aqui sentir como é estar em um lugar cheio?

Chanyeol não sabia bem o que era aquilo. Byun Baekhyun era chato demais, mas era um homem arrumado e bonito, principalmente quando dava um sorriso simpático ou até mesmo irônico. Se pelo menos o @nybu estivesse ali para lhe ajudar a ser malvado e encarar Baekhyun...

— Só estou salvando o meu negócio. – cruzou os braços, empinou o nariz e até se deixou sorrir de canto, mesmo que ainda se sentisse um bobo.

— Sei... E está adiantando?

Chanyeol fez uma careta.

— Eu vou voltar.

Baekhyun encarou Chanyeol indo embora, até achando graça da situação. Estava começando a ser divertido ver o seu concorrente falir numa facilidade incrível.

 

 

@NYBU: você não é o único que está com problemas no trabalho, sabia? tem alguém fazendo eu perder a cabeça, só não sei se é do jeito bom ou ruim

@LOEY: como assim?

@NYBU: é que... é divertido irritar a tal pessoa, e essa pessoa é uma graça, eu tenho que admitir, mas acho que estou começando a me sentir culpado

Chanyeol pensou um pouco. Estava ficando cada vez mais difícil conversar com o @nybu, pois as conversas ficavam sem sentido já que os dois não queriam falar nada pessoal.

Chanyeol queria quebrar aquela barreira, mas como? Um encontro? Era uma boa ideia, mas e o medo? E se ficasse decepcionado? Seu amigo virtual parecia incrível, não suportaria a ideia de ter uma decepção e perdê-lo...

@NYBU: você ainda está seguindo os meus conselhos? seja malvado!

@LOEY: é difícil, mas estou indo bem

@NYBU: a vida não é fácil, você sabe. nós sabemos

E Chanyeol sabia muito bem daquilo. Que não estava sendo fácil e que não iria acabar tão cedo.

 

 

Se Chanyeol conseguiu chantagear todo tipo de gente até a sua biblioteca? Claro que sim.

Se o movimento da biblioteca aumentou? É óbvio.

Se a livraria de Byun Baekhyun foi a baixo? Hum...

Chanyeol sabia que não teria jeito. Sua biblioteca infantil foi bem durante alguns dias, mas depois, Baekhyun pareceu se irritar com as brincadeiras de Chanyeol, lançando uma grande publicidade para que sua livraria tivesse mais visibilidade.

Chanyeol, definitivamente, estava se sentindo um perdedor.

E não havia coisa melhor do que receber algumas mensagens e mimos enquanto estava se sentindo um lixo.

@LOEY: eu acho que vou desistir. não tem jeito

@NYBU: não posso te ajudar se não me contar o que anda acontecendo... ainda é o trabalho, certo?

@LOEY: certo

eu... vou desistir. estou falindo, sabe? e é melhor eu desistir sozinho do que alguém vir falar na minha cara que eu tenho que desistir

@NYBU: não seja assim, meu bem

fale comigo, tem certeza que quer fazer isso? não tem mais saída?

@LOEY: eu estou decidido...

@NYBU: e quando vai decidir se quer me ver ou não, hum?

Chanyeol sorriu meio pequenininho, todo bobo com aquela atenção. Se sentia nervoso só em pensar em se encontrar com aquele cara das mensagens. Podia-se dizer que estava até meio apaixonado. Apaixonado por alguém que não sabia quem era. Além de perdedor, ele se sentia um otário.

@LOEY: vou dormir

@NYBU: não me enrole, senhor Loey... eu só queria te abraçar e dizer que vai ficar tudo bem, sabe? não é como se eu fosse uma pessoa malvada de verdade. sou só em relação ao meu trabalho, hehe

e lembre-se, se você for desistir (o que eu acho uma ideia louca da sua cabeça), logo você arruma outro trabalho, sim?

estou aqui com você, sabe disso

Chanyeol tinha um sorriso gigante, todo feliz com aquele carinho que sempre recebia.

Torcia muito para que o tal do @nybu fosse realmente alguém, e não só uma criação perfeita da sua imaginação.

 

 

— Você não se sente culpado, Baekhyun? Quer dizer... Aquela biblioteca está lá há anos... Enquanto nós estamos aqui há menos de três meses. Nós colocamos ela a baixo sem dó!

— Yixing, não fomos nós que fizemos aquilo. Foram as pessoas. O que queria que eu fizesse? Esquecesse do meu novo projeto só por pena? Você é um atendente, mas quem sabe no futuro seja um chefe como eu? Precisa aprender muito comigo.

— Não quero ser malvado igual a você, Baek...

— Essa magoou, Yixing. – Baekhyun levou à mão ao peito, fazendo a sua atuação perfeita – Magoou de verdade.

— E como anda a relação com o carinha virtual?

Sabe, Baekhyun ficava tanto na livraria, que acabou fazendo amizade com aquele atendente simpático, vez ou outra comentando da sua vida.

— Está indo bem. Tento me encontrar com ele, mas acho que ele tem medo.

— E é pra ter, não é? Capaz de vocês se encontrarem e você demitir o coitado.

— Essa é a imagem que tem de mim, Yixing? – olhou o atendente nos olhos, o deixando tímido como sempre fazia quando penetrava seu olhar sério em alguém – Acha que eu sou um monstro?

— Quase isso.

Baekhyun tinha que concordar, e aquilo não era lá muito legal, mas o que poderia fazer? Ele se importava com alguma coisa? Bem, se importava com o @loey, mas e se trocasse os papéis? Se Chanyeol fosse o @loey, Baekhyun tinha aberto uma livraria em frente à sua biblioteca só para se achar o superior e ganhar os clientes do bairro?

Era difícil, e Baekhyun até se sentiu culpado demais. Precisava dar um jeito naquela situação.

— Ei, Baekhyun...

— Hum?

— Soube agora. A biblioteca... Ela... Fechou mesmo. Acho que você ganhou, afinal.

Definitivamente, Baekhyun se achou a pior pessoa do mundo.

 

 

@NYBU: eu sou um monstro, não tenho mais dúvidas. fiz algo que eu não devia ter feito sem pensar nas consequências...

@LOEY: a gente sempre comete erros, é normal

quer falar sobre?

@NYBU: deixa quieto... é só... um sentimento de culpa

Chanyeol estava todo encolhido na cama gigante de casal que tinha, só com o celular clareando o quarto.

Com toda aquela situação, fechando sua biblioteca – pegando Jongin e Kyungsoo aos beijos no banheiro e se sentindo o maior solitário – e seu amigo virtual triste, Chanyeol soube que precisava fazer algo a respeito.

@LOEY: acho que devemos nos encontrar

 

 

— Tem certeza disso, Chanyeol? Cara, sério. E se ele for um... Assassino?

— Escuta ele, Chanyeol.

— Para de defender o seu namoradinho, Kyungsoo, eu sei me cuidar.

E não foi só Kyungsoo que ficou todo tímido com o termo “namoradinho”. Jongin queria enfiar sua cara em um buraco. Namorados? Como assim? Tinha sido só um beijo, né? Bem... Um namoro não seria uma má ideia...

— Eu vou lá. – Chanyeol disse, confiante e arrumando o casaco preto. Fazia tanto frio naquele mês de julho, que não tinha quase ninguém na rua.

Chanyeol olhou os amigos pela última vez e entrou na cafeteria, sentindo o coração bater rápido e as mãos suarem. Não queria mesmo se decepcionar com o @nybu...

E sua noite até que seria perfeita, se não tivesse avistado Baekhyun sentado em uma das mesas, encarando a xícara de café, parecendo pensativo.

Chanyeol congelou. Falaria com ele e o provocaria, sendo malvado? Ou apenas seguia seu caminho e sentava em algum lugar?

De qualquer forma, era tarde demais, porque os olhos felinos de Baekhyun já estavam cravados em Chanyeol, que continuou o encarando.

Chanyeol então se aproximou, dando uma observada melhor em Baekhyun e no seu terno preto – como sempre, usando ternos.

— O que está fazendo? Me seguindo?

Chanyeol riu.

— Me poupe.

— É sério. O que está fazendo aqui, Chanyeol?

O maior deu de ombros.

— Achei que a cafeteria fosse pública...

Baekhyun não respondeu. Fez uma careta e continuou a encarar Chanyeol. Ele até que era bonitinho, não? Com aquele cabelo de uma cor mel e as roupas simples... Uma pena ser tão chato.

— Está sozinho? – Chanyeol perguntou.

— Não é da sua conta.

— Não adianta mesmo tentar ser amigável com você, não é, Baekhyun?

— Por que quer isso, Chanyeol? Eu fiz você falir, não fiz?

— Ao contrário de você, eu não sou uma pessoa malvada, Baekhyun. Consigo perdoar as pessoas.

Pessoa malvada? Baekhyun já tinha tido aquela conversa com alguém, não tinha?

— O que veio fazer aqui? – Baekhyun questionou, um pouco mais interessado em bater um papo com Chanyeol – Pode sentar se quiser, mas não fique por muito tempo.

E Chanyeol, meio acanhado, se sentou.

— Vim encontrar alguém.

— Ah, é? Eu também.

Chanyeol mexeu a cabeça, como se dissesse que entendeu.

Então, pedidos de café foram feitos e os minutos foram passando, enquanto Chanyeol sempre fazia questão de dizer que perdeu sua felicidade por conta do plano mirabolante de Baekhyun, deixando o carinha de terno bem culpado, mas sempre com um sorriso irônico no rosto.

— Você tem uma cara de malvado, Baekhyun, meu Deus! Esse seu sorriso irônico, o cabelo quase cobrindo os olhos e... Nossa.

— Eu sou bonito, não sou?

— Realmente!

— Sou mesmo?

— Nos seus sonhos.

— Como você é chato, Chanyeol... Aprendeu a ser malvado comigo?

— Aprendi com outra pessoa.

Baekhyun estava começando a se identificar. Aquela conversa era muito familiar para si.

— Outra pessoa? – ficou sério, encarando Chanyeol.

— É. – encarou o outro também – É um amigo que eu tenho, ele me diz que eu preciso ser malvado e enfrentar os problemas. Como se eu conseguisse...

Baekhyun olhou o nada por um momento. Queria saber mais do assunto, mas por algum motivo, estava se tremendo de medo.

— Quem é esse amigo, Chanyeol?

— Não sei muito dele. Conversamos por mensagem, sabe? Foi ele quem vim encontrar, mas pelo visto...

Baekhyun não conseguia falar nada. Sua garganta doía e ele queria chorar. Park Chanyeol não podia ser o @loey, certo? Sem chance.

— C-Chanyeol...

— Que foi? Está se sentindo bem? Está meio vermelho e suando!

Baekhyun engoliu seco e afrouxou a gravata. Tinha que perguntar.

— Você... Meu Deus, você é o Loey?

O raciocínio de Chanyeol parou, e a voz saiu quase sussurrada.

— O que?

Baekhyun estava desesperado. Chanyeol não era seu amigo virtual por quem estava meio – muito – apaixonado era? Sem chance. Impossível. Chanyeol era um pé no saco e tão bonito e gentil e bobo e... Droga.

Saiu correndo, e Chanyeol foi atrás, é claro.

Na calçada, com Baekhyun se afastando, Chanyeol resolveu gritar:

— Você é quem eu tô pensando que é? 

Baekhyun parou os passos e olhou Chanyeol, olhou Chanyeol e seus olhinhos marejados. Tinha sido maior que uma decepção.

— Você não pode ser a mesma pessoa, Baekhyun.

E Baekhyun não se importava mais.

— Desculpa pela decepção.

 

 

O sábado foi um dia para se refletir.

Chanyeol estava todo esparramado em sua cama, com seu pijama folgado e as meias nos pés, podendo jurar que sua existência não era mais válida depois de falir e perder a sua querida biblioteca infantil, por alguém que usava ternos e era bonito, por alguém que detestava, por alguém que considerava seu amigo virtual...

Chanyeol estava confuso. E triste. Baekhyun não parecia ser de jeito nenhum aquelas duas pessoas. Aquela onde era alguém amoroso e brincalhão, e aquela onde só sabia passar por cima de todo o mundo.

E sinceramente, Chanyeol se perguntava por qual personalidade ele estava apaixonado.

E Baekhyun? Baekhyun só sabia se lamentar e ouvir de Yixing o quanto aquela situação precisava ser resolvida.

Os dois estavam na livraria, com Baekhyun perambulando pelas prateleiras enquanto Yixing arrumava alguns livros.

— Eu ainda não acredito no que aconteceu.

Yixing apenas ouvia.

— Como isso é possível, Yixing? – colocou as mãos na cintura e mordeu o lábio inferior, bastante pensativo – O Loey que eu conheci na internet é alguém tão carismático, e fofo, e... – suspirou, e Yixing jurou que aquele suspiro era de alguém apaixonado – Enquanto o Chanyeol... Chanyeol estava roubando os meus clientes, Yixing! Vinha aqui na livraria na maior cara de pau e... Tsc! Impossível ser a mesma pessoa. Eu me recuso a acreditar.

— Baekhyun, se põe no lugar do Chanyeol. A biblioteca dele era antiga, e do nada você abre uma livraria nova e melhor perto da dele. E de propósito, porque você sabia que isso seria uma boa concorrência.

— É trabalho, Yixing. Simplesmente. Nada pessoal.

— Nada pessoal? Tem certeza? Não é o que parece agora. Me diga, com quem você vai falar primeiro? Com o Chanyeol ou com o Loey?

 

 

@NYBU: chanyeol...

nossa, é estranho te chamar pelo nome por aqui

por que antes eu não fazia ideia de quem você era

e agora eu sei

e isso é estranho

mas não é ruim

por favor, me responda

vamos resolver essa situação

Chanyeol encarou a mensagem pelo notebook e fez uma careta. Deveria responder? Porque sinceramente, Baekhyun não merecia, mas o @nybu, talvez merecesse...

@LOEY: que é?

@NYBU: está tudo bem? não tentou se matar porque faliu, certo?

@LOEY: para de brincar com essas coisas

nunca estive tão bem, se quer saber

@NYBU: tem certeza?

@LOEY: não

você acabou com a minha vida

e ainda assim eu não consigo te odiar

por que você é assim?

ridículo

a imagem que eu tenho é apenas do @nybu, e não do byun baekhyun

@NYBU: eu sou a mesma pessoa, meu bem

e sério, eu quero resolver isso

me desculpar

essas coisas

vamos marcar um encontro de verdade dessa vez?

@LOEY: não tô afim de sair de casa

ainda mais pra ver a sua cara

@NYBU: não seja por isso

@LOEY: o que quer dizer com isso?

baekhyun...

byun baekhyun!

aish

 

 

Chanyeol jurou que seu coração tinha parado de bater – algo já rotineiro – quando ouviu a campainha do apartamento tocar.

Baekhyun foi o primeiro a aparecer na sua mente, mas ele não seria tão cara de pau em aparecer lá, certo?

Errado.

Chanyeol reuniu forças e esqueceu-se um pouquinho da preguiça, colocou os pés no chão e levantou-se da cama do jeito que estava. Com os cabelos bagunçados e o rosto amassado.

Quando abriu a porta, disse a primeira coisa que veio à mente:

— Eu disse que não quero ver a sua cara, Baekhyun.

E Baekhyun deu aquele sorrisinho de canto que gostava de dar quando queria brincar com alguém.

— Não quer ver esse rostinho lindo? É um desperdício.

— Quer saber o que é desperdício? Seu tempo aqui. Vai embora. Não tenho mais trabalho pra você planejar destruir.

Uau, Baekhyun se sentiu um monstro ali mesmo.

— Eu vim pedir desculpas. Posso entrar?

E Chanyeol se derreteu todinho, sabe, porque Baekhyun era bonito demais, ainda mais quando usava ternos azuis, e aquele cabelo preto, e o sorriso, e os olhos pidões...

— Faz o que você quiser, só não faz eu perder a paciência.

Chanyeol então voltou ao quarto e se jogou na cama. Baekhyun o seguiu, admirando o apartamento bonito que o outro tinha. No quarto, Baekhyun sentou na cama e encarou Chanyeol, com uma carinha emburrada de sono.

— O que significa o ser username?

— Que?

— Loey. O que significa?

— É o final do meu nome de trás pra frente.

Baekhyun riu.

— Que criativo, não?

— Ah, é? E o que significa Nybu? Horrível, pra falar a verdade.

— É o nome Byun embaralhado. Você disse que achou maneiro, nem vem, Chanyeol!

— Achei maneiro quando não sabia quem era por trás dele.

— Eu te magoei tanto assim, Chanyeol? Quer dizer, eu estou arrependido, sabe... – Baekhyun se aproximou mais um pouquinho, passando o braço pela cintura de Chanyeol sem vergonha de estar tão perto do outro – Eu... Não sabia que você era... O Loey. Se eu soubesse, não teria feito. Você sabe, eu sou malvado, menos com você.

Chanyeol se derreteu ali mesmo, com os olhos de Baekhyun vidrados em si e aquele sorrisinho que fazia seu pau se animar um pouquinho. Baekhyun era muito sexy, não podia negar.

— Você vai conseguir voltar ao topo. – Baek sussurrou. Sussurrou porque estava tão perto de Chanyeol que quase não precisava abrir a boca para falar – Chanyeol, conversando com você por mensagem, você nem tinha ideia de como eu queria ver o seu rosto... E te tocar... E te sentir...

Baekhyun foi se aproximando, fazendo um carinho na bochecha de Chanyeol, passando o polegar pelo lábio vermelhinho... Ai, ai, Chanyeol era lindo demais, fofo demais, carismático demais... Baekhyun estava todo apaixonadinho pelo Loey, e vendo que ele era tão bonito como Chanyeol, aquela paixãozinha só aumentou.

Um beijo lento começou com Baekhyun deixando Chanyeol quente sem esforços. O carinha de terno era sensual sem mover um dedo, fala sério. Só com a língua enfiada dentro da boca de Chanyeol já o deixava com o corpo fervendo, querendo tirar a roupa e fazer sexo.

Mas o beijo estava de bom tamanho. Os dois nunca gostavam de apressar as coisas, mesmo que naquele momento, Baekhyun quase subisse no colo de Chanyeol e aumentasse a intensidade do beijo, fazendo ele puxar os cabelos bonitos de Baekhyun e gemer baixinho com o prazer das línguas se tocando.

Chanyeol se levantou da cama todo afobado, abaixando a blusa do pijama tentando ao máximo não mostrar a Baekhyun o quanto o desejava. Sabe, ele tinha feito o cara falir, precisava se mostrar superior, e não vulnerável.

— Para de me olhar assim, Baekhyun.

— Assim? – o desgraçado (palavras de Chanyeol) afrouxou a gravata e continuou com aquele sorrisinho de canto, deixando à mostra a boca molhada e vermelhinha. Chanyeol iria enlouquecer, ele podia sentir.

— Já se desculpou, já pode ir.

Baekhyun se levantou e andou devagarinho até o maior, achando graça do desespero de Chanyeol. Qual era o problema em sentir desejo, Baekhyun se perguntava.

— Engraçado, Chanyeol. Muito engraçado, que quando conversávamos por mensagem, você vivia dizendo que não iria sair de perto de mim assim que me visse. – aproximou-se mais um tiquinho e agarrou a cintura de Chanyeol, fazendo Chanyeol soltar a respiração quente que prendia pelo nervosismo – Por que está fugindo, meu bem? Não vou ser malvado com você. Sabe que pode confiar em mim.

E Chanyeol sabia muito bem que podia, por isso, se abaixou um pouquinho, agarrou a nuca de Baekhyun e o beijou novamente.

Era hora de trocar uns beijos e carinhos com aquele carinha sensual de terno, nada de mensagens. Não mais.



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