História Fast-Food Next Door - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Suga
Tags Bts, Fast Food, Sugamin, Suji, Yoonmin
Visualizações 701
Palavras 7.270
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OI GENTEFJSIWIAIAIQIA
primeiro mt obrigada ao meu escravo nezu pela capa amo tu
e depois EU PERDI DE NOVO SIM OK ME JULGA mas dessa vez nao foi aposta e sim jogo KKKKKKKKKKKJ A MAIS AZARADA
enfim, eu tava com esse plot na toca fazia mo tempao e a nicole sempre me incentivava a continuar ele. entao, nada melhor do que terminar ele e dar a fanfic de presente pra ela como ela pediu KKKKKKKKKKKKKKKJ AMO VOCE FADINHA COLINHA
queria deixar claro que eu literalmente tava lendo aquelas materias bestinhas de revista adolescente do tipo "como conheci meu namorado'' e afins quando achei uma perola e eu nao me segurei, tive que escrever KKKKKKKK NAO EH MINHA CULPA SE EU VEJO YOONMIN EM TUDO BELEZA
ahh boa leitura, perdoem qualquer errinho e nos vemos la embaixooo

Capítulo 1 - Capítulo Único: quetumechupe.


 Hoje era só mais um dia cansativo, no meu horário de trabalho cansativo e no emprego mais cansativo do mundo. Às vezes eu paro para pensar na minha vida e percebo que eu devia ter aceitado a proposta dos meus pais quando eles quiseram me mandar para uma universidade cara e bem conhecida e esse era só mais um dos mil arrependimentos que eu tinha. Porque a minha vida é assim: Cheia de regrets, tristeza e óleo de cozinha.

 Sim, óleo de cozinha. Se eu tivesse mostrado o dedo do meio para as minhas paranoias antes e terminado a faculdade, agora eu poderia ser um médico ou um advogado bem-sucedido ao invés de estar trabalhando num fast-food.

 E eu sempre fui assim mesmo, ficava olhando para a parede vermelha cheia de detalhes em amarelo e carinhas felizes estampadas do estabelecimento enquanto pensava na minha vida atrás daquele balcão que continuava gasto mesmo depois de ter sido restaurado várias vezes. Também já levei vários sermões do meu chefe gordo e furioso por estar nas nuvens no meu horário de trabalho e deixar os clientes famintos esperando. Eu juro que tentava mudar, mas chegava a ser quase impossível começar a sonhar com a vida dos sonhos quando a sua vida no momento estava, literalmente, um pão mofado.

 Sweet dreams are made of this.

 Acontece que, no meio de músicas tristes que frisavam meu sofrimento e falta de ânimo para a vida, memes sem graça que me faziam rir do mesmo jeito e os dias de semana corridos, trabalhar ali ainda tinha seu lado bom. E com lado bom eu não me refiro apenas ao fato de que eu conseguia me esgueirar até a cozinha de vez em quando para roubar umas fatias de queijo cheddar, mas sim ao meu colega de trabalho. O cara que fica no balcão comigo — quase — todos os dias, ele falando da sua vida de merda pra mim e eu da minha pra ele, revezando quem estava na vez de atender as pessoas que não paravam de brotar na frente do balcão.

 É esse cara que me faz sentir um pouco mais de vontade de viver e ignorar o fato de que eu ainda era tão jovem e já estava tão destruído. No auge dos meus dezoito anos, eu já trabalhava no pior lugar do mundo e tinha fortes dores na coluna. Acontece que Yoongi também pensava do mesmo jeito que eu e nós compartilhávamos das mesmas dores de gente velha, o que não me deixava totalmente para baixo. Sabe como é, né? É aquele ditado. Muito melhor se foder com um amigo do que se foder sozinho.

 Eu estava agora calculando o pedido de uma mãe completamente deprimida que segurava a mão do seu filhinho animado até demais no computador. Ela tinha olheiras e desespero no rosto e eu tive vontade de sair do balcão para ir lá dar um abraço apertado nela, coitada. Eu sabia bem como era ter que lidar com crianças por causa dos meus priminhos que mais pareciam capetinhos. Eu entreguei a maquininha do cartão para a moça perturbada e virei o rosto para o lado enquanto ela digitava a sua senha, assim soltando a mão do menino.

 A criança me olhou. Eu olhei pra criança. Durante aqueles poucos momentos, eu pude jurar que senti aquela criança olhar no fundo da minha alma e ver meus pecados de tão intenso que era o seu olhar. Só que aquele momento assustador não durou muito, porque a nota fiscal já estava saindo da maquininha e eu entreguei a segunda via para a sua mãe. Quando os dois saíram do restaurante, eu fui obrigado a botar a mão no balcão e ficar respirando fundo por cinco minutos direto de tão nervoso que tinha ficado.

 — Você e esse seu medo de criança. — disse Yoongi com um tom de deboche na voz, organizando os pedidos no quadro perto da cozinha para que os cozinheiros não ficassem mais confusos do que já deviam estar. Hoje em dia, as pessoas queriam provar coisas novas e eu entendia isso. Só não conseguia aceitar o fato de que nós tínhamos tantas coisas não só novas como também nojentas naquele cardápio e que as pessoas estavam dispostas para provar.

 — Não é medo, — respondi. — é trauma. Eu já te contei aquela história de quando o meu primo me jogou um ventilador nas costas mais de mil vezes.

 — Isso aí é frescura, Park Jimin.

 — Cala a boca, seu babacão.

 — Ah, babacão? Teu cu na minha mão.

 Era briga de rimas que ele queria? Era briga de rimas que ele ia ter. Nem que isso significasse levar outra advertência por falar palavrões em horário de trabalho. Olhei para os dois lados; Como não tinha nenhum cliente entrando e nem terminando de comer, tomei a liberdade de respondê-lo de forma infantil.

 — Teu cu é aeroporto, meu pau é o avião.

 — Teu cu é a garagem, meu pau é o caminhão. — Yoongi disse na lata, como se estivesse esperando que eu tomasse a iniciativa. Esse é dos meus.

 — Teu cu é o mar, meu pau é o tubarão.

 — Sem nexo, Jimin, sem nexo.

 — Teu cu é espelho, meu pau é reflexo.

 — Teu cu é o moonwalk, meu pau é o Michael Jackson.

 — Mas Michael Jackson já morreu.

 — Teu cu é a Julieta, meu pau é o Romeu.

 — Caralho, nada a ver. — reclamei.

 — Se teu cu piscar, meu pau vai acender.

 — Teu cu é a Globo, meu pau é SBT.

 — Ah, vai tomar no cu. — Yoongi pareceu ter ficado sem argumentos para usar. — Não quero mais brincar, não.

 — Meu pau é a manteiga, seu cu é o pão.

 Nós só ficamos nos olhando por alguns segundos até começarmos a rir. Apesar de tudo — o fracasso social que nós dois éramos —, a gente não perdia uma chance de fazer graça do nosso sofrimento. Porque nós dois éramos pessoas tristes que sabiam que estavam na bosta, mas se recusavam a deixar a tristeza vencer e tentavam descontrair com piadinhas imorais e sem graça.

 No final a gente acabava percebendo que a tristeza tinha sim tomado conta de nós. Mas, porém, contudo, entretanto e todavia, não era por isso que deixaríamos uma boa chance dessas passar.

 Já se passava um pouco das três da tarde, o que significava que eu estaria livre dali a algumas horas. O meu expediente variava muito; Às vezes eu fico na parte da manhã, às vezes durante a madrugada e às vezes na parte da tarde, como hoje. E esse horário da tarde era o menos querido entre todos os funcionários, porque a quantidade de pessoas preguiçosas demais ou sem tempo para fazer almoço era surpreendente, ainda mais nos dias de semana. Era uma coisa que chegava a dar medo e eu, com minha essência antissocial de ser, faltava morrer de agonia ao ver aquele bolo de gente se espremendo entre as paredes coloridas para conseguir comida.

 O tempo passou quase que voando de tão rápido, mas acho que era porque Yoongi vinha falar comigo sempre que eu acabava de receber o dinheiro de algum cliente. Nós ficávamos conversando e rindo juntos nessas pausas, esperando que outros clientes chegassem no balcão. Para ser sincero, eu gostava bastante da companhia dele — tirando nos dias em que a minha alma era tomada pela depressão e ele tentava me animar de todas as maneiras possível do jeito exagerado dele, mas o efeito acabava sendo contrário. Só que todo mundo tem esses dias ruins, onde você só quer ficar no silêncio do seu quarto, pensando. Acontece que eu não posso ir pro meu quarto confortável e aconchegante nesses certos dias, então qualquer coisa que não fosse o meu chefe chegando pra dizer que eu ia ser liberado mais cedo ou um milhão na minha conta só me deixava ainda mais e mais puto.

 Quando Taehyung — o garoto que ia cobrir meu lugar no caixa — chegou, eu me senti como se estivesse pulando do inferno e indo direto para o céu. Bati meu ponto, peguei minhas coisas e dei tchau para Yoongi. Ele pingou um pouco da água que estava bebendo em cada olho e fingiu chorar enquanto eu andava dramaticamente até a porta de vidro deslizante. Ele esticava o braço na minha direção, um tentando alcançar o outro. Eu bati as costas na porta sem querer por estar distraído e Yoongi riu de lá mesmo, ainda esticando a mão para mim. Acenei para ele e saí.

 Enfiei o uniforme na minha mochila e a ajeitei nas minhas costas, tomando o rumo de casa. Trabalhar no centro da cidade não era ruim só porque tinha muita gente, mas também porque não parava um segundo. Era desde manhã até de madrugada, sempre movimentado, sempre iluminado, sempre cheio de vida. Eu me sentia um intruso ali como um ganso no meio de patinhos.

 Fiquei confuso com o meu próprio pensamento e fui dali até em casa pensando na diferença entre gansos e patos.

               

 — Oppa! — fui recebido da maneira mais carinhosa possível, com a minha irmã mais nova correndo até mim como se fosse uma criatura proveniente do inferno, babando ódio e seus olhos refletindo destruição. Tive vontade de virar e sair correndo na mesma hora que ela bateu os olhos em mim, como se pudesse me queimar vivo. — Você pegou o meu secador de novo?

 Abortar missão.

 Só deu tempo de apertar a alça da mochila e passar por Yongsun feito um raio, correndo até o meu quarto como se não houvesse amanhã. Como boa irmã perseguidora que é, a menina deu um grito de fúria e subiu as escadas correndo atrás de mim numa velocidade quase impossível para o ser humano e botou o pé na fresta da porta antes que eu conseguisse me trancar lá dentro.

 — Park Jimin! — ela gritava com toda a raiva que tinha em seus um e sessenta e três de altura, reforçando a nossa catastrófica relação irmã-irmão, socando a minha porta com força demais para o seu porte. Eu devia ter metido um dedo na conversa que ela teve com mamãe para colocar ela no karatê, porque eu sempre duvidei que ela planejava usar suas habilidades contra mim. E foi isso mesmo que aconteceu.

 Eu já estava com medo do jeito violento que ela empurrava e batia na minha porta, como se quisesse derrubar a pobre coitada. Quando eu desisti de lutar — em outras palavras, quando meu corpinho sedentário se cansou de fazer esforço físico segurando aquela maçaneta —, apenas deixei que ela entrasse logo e me encurralasse na parede, autoritária, com o secador de cabelos numa mão enquanto apertava o punho da outra, se segurando para não me dar um murro na cara.

 Se bem que eu merecia mesmo. Ela sempre deixava bem claro que eu não podia meter a mão nas coisas dela e mesmo assim eu ia lá e pegava escondido. — Desculpa! Desculpa! — gritei em total desespero, tomado pelo pavor. Isso pareceu acalmá-la e até a fez rir, amenizando a sua alma assassina.

 — Calma, eu não vou te bater. — ela parou de apontar o secador na minha cabeça como se fosse uma arma e se afastou, me dando a liberdade para soltar o ar que estava preso nos meus pulmões. — Eu só não gosto quando você pega minhas coisas sem pedir.

 — Desculpa. — minha voz falhou, pois eu ainda estava nervoso. Eu sou cardíaco, não tenho mais coração pra aguentar esses surtos da minha irmã, não. — É que eu não gosto de deixar o cabelo secar normal. Me dá agonia.

 — Então peça. — Yongsun arranjou uma solução rapidamente, sempre com uma resposta para tudo na ponta da língua. — É bem mais fácil do que entrar escondido no meu quarto pra roubar meu secador, oppa. Além disso... — ela apontou para as marcas de pasta de dente que eu tinha deixado no secador. — que tipo de pessoa escova os dentes e acaba com a pasta nos dedos? Você escova os dentes com a mão?

 — Eu tava com pressa. — tentei me defender.

 — Lave as suas mãos. — decretou, indo até a minha porta e não poupando drama ao se virar e me olhar nos olhos antes de sair. — E vá tomar um banho. Você fede a hambúrguer.

 Meus mais sinceros carai borracha.

 Eu juro que tenho mais medo da minha irmã quando ela está realmente zangada do que tudo que existe no mundo. Ela pode ser a coisa mais adorável, simpática e fofa do mundo quando quer, do mesmo jeito que pode se transformar numa enviada de Satã para atazanar a sua vida e fazer dela um filme de terror se você falar algo que a deixe com raiva. E às vezes eu chegava a pensar que a minha vida morando na mesma casa que ela já era um filme de terror por si só. Um filme de terror bem ruim e que não tinha aquele final feliz onde os personagens destroem o monstro e sobrevivem, por sinal.

 Apesar de tudo, eu amava a minha irmã. Mesmo ela tendo a fúria de mil bonecos quadrados ao tentar quebrar um bloco de diamante com picareta da madeira convertida dentro de uma adolescente de quinze anos, eu amava ela.

 Então eu resolvi ouvir ela e ir tomar um banho. Apesar da minha vontade ser me jogar na minha cama e passar a noite acordado com a companhia das minhas paranoias, eu tinha que admitir que eu estava mesmo cheirando a hambúrguer.

 Tirei o meu uniforme da mochila e a deixei jogada ao pé da cama, correndo para o banheiro que eu tinha dentro do meu quarto. Era grande o bastante se considerar que ele foi feito só para mim, só que tinha vezes que eu me sentia dentro de um ovo. Não era nem pequeno nem grande, o que me deixava com agonia, porque cada extremidade tinha um tamanho diferente. Mas estava tudo bem, porque a cerâmica era bonita. Botei o uniforme sujo no cesto de roupas junto aos outros, fazendo uma nota mental para mim mesmo falando que devia lavar aquela bolota de roupa suja logo.

 Acabei demorando mais do que planejei no banho. É que aquela água quentinha estava tão boa e eu tive um dia tão horroroso que eu não resisti ficar ali por tanto tempo até minha mãe chegar e esmurrar minha porta falando que eu ia acabar com toda a água do mundo.

 Eu, hein. Tive que esvaziar a banheira e sair, porque nós tínhamos regras naquela casa. E essas regras consistiam em “enquanto você morar debaixo do meu teto, vai seguir as minhas ordens”. Portanto, eu não podia ter regalias de gente rica do tipo ficar uma hora dentro da banheira.

 E também era por isso que eu estava economizando o meu salário de merda para fugir de casa. Hehe.

 Meu pai tinha viajado há uns dias por causa do trabalho, então nós jantávamos apenas a três. Minha irmã sempre com seus fones de ouvido, minha mãe sempre achando algum motivo novo para reclamar — acho que foi dela que eu herdei — e eu lá, de paisagem, comendo quieto.  Não por estar deslocado ou sem assunto e sim porque estava cansado demais para fazer outra coisa que não fosse levar o garfo do meu prato até a boca.

 Depois de alguns sermões e palavras de carinho — respectivamente —, todos demos boa noite e cada um foi para o seu devido quarto. Eu nem pensei em pegar meu telefone para ouvir música nem fazer qualquer outra coisa, apenas o pluguei no carregador e capotei com a cara no colchão.

 De longe, a minha cama era um dos motivos que me salvavam da depressão.

 

 Eu quase tropeçava nos meus próprios pés de tanta pressa e não conseguia parar de pensar no quão ridículo eu devia estar parecendo ao correr com a mochila nas costas. Eu tinha acordado tarde e não deu tempo de fazer mais nada além de tomar o banho mais rápido da minha vida, vestir meu uniforme e sair correndo na rua como se não houvesse amanhã. Eu tinha esquecido completamente de que o meu horário hoje era de manhã e acabei nem dando bola para o despertador tocando. Maldito fast-food vinte e quatro horas.

 Ao avistar a logo chamativa e colorida da lanchonete de longe, apressei o passo e entrei pela porta da frente, desviando rapidamente das mesas espalhadas sem muitos clientes. Adentrei o balcão e dei um olá para Hoseok, o garoto que já havia chegado. Avancei no corredor e entrei na sala dos funcionários, jogando minha mochila em uma das cadeiras daquela sala apertadíssima que mais parecia um depósito depois de catar meu celular. Olhei para o meu reflexo na tela, ajeitando o meu cabelo de uma forma mais apresentável, já que ele estava todo bagunçado e suado devido ao fato de eu ter corrido até aqui. O dia mal havia começado e eu já estava fedendo. Eca.

 Depois de alguns minutos criando coragem para ficar horas em pé com intervalos de cinco minutos entre cada uma delas, eu dei um tapa fraco na minha cara para me passar confiança e saí da sala, fechando a porta. O corredor até o balcão pareceu maior do que nunca, o que me deu vontade de cair de joelhos no chão e ir me arrastando até lá.

 Hoje era um dia onde eu estava especialmente afundado em tédio — talvez porque qualquer resquício de força de vontade que eu pudesse cogitar ter já tinha sido gasto antes mesmo de eu acordar direito. Arrastei os pés pelo corredor, quase me jogando em cima do balcão assim que o avistei. Hoseok me olhou, meio curioso, meio preocupado.

 — Jimin-ah, você parece bem pra baixo hoje.

 Ah, vá. É mesmo?

 — É, acho que sim — tentei parecer educado e sorri meio triste pra ele. Afinal, ninguém além Min Yoongi precisava ser consumido pelo meu pessimismo. Muito menos de manhã cedo.

 — Por quê? — como explicar que eu era um adolescente depressivo que odiava a maior parte das pessoas que conhecia e que não via a hora de cair um meteoro bem na minha cara por obra do destino?

 Olhei para baixo enquanto pensava para tentar encontrar um jeito de explicar pra ele sem deixá-lo com medo ou fazer ele sair correndo gritando. E bem, não encontrei. Tive que recorrer a uma mentirinha do bem.

 — Meu gato morreu.

 E eu nem gato tinha.

 — Sério? — a cara de tristeza dele era legítima e eu me senti tão culpado como nunca na minha vida. Coitado, será que eu conto? — Eu sinto muito. Vocês deviam ser bons amigos.

 Hoseok tentava me consolar por causa de uma tristeza falsa e tudo o que eu conseguia pensar era: Eu tenho alergia a gato. Eu era o pior mentiroso de todos.

 — Como ele era?

 — Ele? Hã... ele era... ah, normal, sabe? — por que ele precisava de tantas informações? Será que as pessoas não conseguem notar que perguntas me deixam nervoso (e ainda mais quando estou mentindo)? — Era meio alaranjado, meio preguiçoso e comia demais. Mas eu amava ele mesmo assim.

  Meu Deus, eu acabei de descrever o Garfield para o menino.

 Hoseok ficou me consolando por mais um tempo até eu falar que estava tudo bem e que ia ficar bem. Custou pra ele acreditar, mas acho que resolveu aceitar minhas palavras no final. Acontece que agora eu me sentia ainda mais bolado, porque tinha acabado com o dia de alguém que não era Min Yoongi e isso era ruim.

 Nós dois ficamos quietos. Hoseok atendia os poucos clientes que iam chegando um por um e eu botava os pedidos no quadro da parede. A minha lamúria só não era maior do que a dos dois únicos cozinheiros que estavam disponíveis hoje e eu dava essa liberdade a eles. Primeiro tinha Seokjin que, apesar de amar cozinhar, odiava acordar cedo. E depois tinha Hyejin, que não gostava nem de acordar cedo e nem de cozinhar, quem dirá de acordar cedo para cozinhar. Ela sempre fazia as coisas meio que por obrigação e o fato curioso era que nem por isso a comida dela era ruim. Os dois conversavam entre suspiros de desgosto, Seokjin lavando os pratos sujos na pia e Hyejin fritando hambúrgueres no fogão.

 Às vezes, eu parava para pensar. Será que as pessoas que vinham comer aqui tinham uma noção de quanta merda a gente vive ou fala? Porque, bem, eu não consigo me controlar ao imaginar como é a vida de cada pessoa que aparece na minha frente. Porém, não me prendia muito a conceitos pré-definidos sem antes conhecer essas pessoas; Só acho divertido tentar imaginar como elas vivem ou como enxergam o mundo.

 

 

 — E então, você vai? — limitei-me a dar um suspiro cansado quando Yoongi começou a me encher de perguntas. Semana passada, os funcionários fizeram uma reunião idiota para decidir um dia onde todos estariam livres para irmos beber juntos e não pararam de falar no assunto desde então. Eu estava cercado por inúteis.

 — Eu não.

 — Por quê?

 — Bom, primeiro porque nem beber eu bebo. Depois que eu estou cansado. Depois que nem a pau que eu vou sair de casa para ver um Taehyung bêbado chorando no ombro do Hoseok por causa daquele namoro dele que não deu certo. Pensa num garoto azarado com relacionamento, meu Deus do céu. Se ele já não para de reclamar quando está sóbrio, imagine bêbado. Muito obrigado, mas eu passo.

 Yoongi e eu estávamos na sala dos funcionários, eu ajeitando as coisas na minha mochila para ir embora e ele sentado numa das cadeiras enquanto me observava. Yoongi tinha acabado de chegar, então de primeira eu fiquei feliz por poder falar com ele um pouco. Só que, assim que ele abriu a boca, eu me arrependi de ter ficado feliz. É só que eu odiava quando os outros tentavam me convencer a fazer uma coisa que eu realmente não queria fazer.

 — Primeiro que você pode tomar um suco. Depois que nós só vamos sair mais tarde, você tem tempo para dormir. E depois que você pode simplesmente dar um tapa nele para ele parar de falar. Por que você não quer ir, Jimin? — eu estava me segurando para não perder a paciência e começar a gritar com ele ali mesmo por ele ter achado soluções para todas as desculpas esfarrapadas que eu dei. Bem que eu disse que ele podia ser bem chato, né?

 — Eu já te disse. — fechei o zíper da minha mochila e levantei do chão, ajeitando-a nas minhas costas. Olhei para Yoongi. — Eu estou cansado.

 — Escuta, estamos todos cansados. — começou. — Quer dizer, nós trabalhamos num fast-food, pelo amor de-

 — Não! — interrompi antes que ele terminasse a frase. — Você não entende, Yoongi. Eu estou exausto! E você não sabe o que é estar exausto, você não sabe o que é brigar com a sua própria mente todo santo dia da sua vida para tentar achar alguma razão para sair da cama de manhã! — eu estava vermelho de raiva. Tive medo de começar a chorar de tão nervoso. — Eu não vou sair de casa hoje.

 — Jimin... — Yoongi tinha preocupação na voz. Isso me prendeu por algum motivo, impedindo-me de sair dali batendo os pés com raiva. Ele deu dois tapinhas na cadeira ao seu lado e, mesmo contra a minha vontade, eu fui me sentar nela. Ele se virou de frente para mim e segurou a minha mão. Eu não tinha coragem de olhar ele nos olhos. — Escuta, eu sei o que é estar exausto, tá? Sei, sim. Eu sei bem como é que você se sente e é exatamente por isso que eu quero que você saia. Distrair a sua mente, descontrair, se divertir um pouco. — ''É bem difícil se divertir quando você não quer se divertir'', pensei. — Ficar em casa acaba com você, já pensou nisso? Se distrair um pouco pode ajudar.

 — Mas... — comprimi os lábios para impedir que alguma lágrima caísse. Conseguia sentir meus olhos marejados: Eu odiava falar sobre sentimentos. E não dependia de mim. Eu não tinha culpa de ser daquele jeito. Eu quis dizer para ele.

 — Sem mas. — falou, compreensivo. — Está tudo bem se você não quiser ir. Só que, se você não for, eu também não vou.

 — Yoongi, você não precisa abrir mão disso por minha causa.

 — Você está certo. Eu não preciso. — ele suspirou e sorriu. — Mas eu quero. Não é a mesma coisa sem você.

 Eu não conseguir segurar um sorriso. Eram poucas as vezes em que o Yoongi deixava as suas piadinhas ácidas de lado e me dava apoio emocional de verdade, mas eu tinha a impressão de gostar mais dele a cada vez que isso acontecia.

 — Além disso, acho que eu também não ia conseguir aguentar o Taehyung. Você sabe que quando ele começa a falar ele não para mais.

 Nós dois começamos a rir baixinho. Uma das outras mil coisas que eu gostava em Yoongi era que ele nunca deixava uma atmosfera pesada dominar por muito tempo.

 — Olha, vamos fazer assim. — ele deu um tapinha na minha mão. — Por que você não fica aqui ou dá uma volta por aí até o meu turno acabar? Daí, ao invés de ir com eles, a gente pode ir lá pra casa.

 — No seu apartamento? — funguei, limpando a única e última lágrima que tinha saído do meu olho marejado. — Só nós dois?

 — É. — Yoongi deu de ombros. — Pode ficar tranquilo, eu não vou te morder. E você sabe onde é, não sabe?

 Juro que quase senti meu coração dando um pulo de tanto nervoso que eu senti. Quero dizer, Yoongi e eu éramos próximos demais e eu até já tinha ido na casa dele outras vezes, só que a ideia de ficar sozinho com ele sem cheiro de queijo derretido nem clientes chatos para me encher o saco parecia incrível demais para realmente existir.

 — Sei.

 — Legal. — Yoongi me deu um beijinho na testa e me puxou para um abraço. — Eu posso te dar as minhas chaves, aí você não precisa ficar vadiando sem rumo por aí até o meu turno acabar.

 — Você confia tanto em mim a ponto de realizar esse feito? — sorri quando Yoongi sorriu e já puxou as suas chaves do bolso. — É. Acho que você não é tão idiota quanto eu achava.

 — Espera. — Yoongi olhou na minha cara. — Você me acha idiota?

 — Eu nunca disse isso. — falei, tomando as chaves dele e pegando as minhas coisas antes de sair correndo da sala dos funcionários.

 

 — Qual é a diferença entre pato e ganso?

 — Você realmente quer que eu responda essa pergunta? — Yoongi deu risada da minha cara de dúvida simplesmente por ter sido a primeira coisa que eu falei assim que ele passou pela porta e entrou no apartamento.

 — Sim. — observei enquanto ele deixava as suas coisas no cantinho da sala e passava direto para o banheiro.

 — Eu vou pensar e depois eu te falo.

 Uns minutos depois, Yoongi apareceu todo cheirosinho e vestido do meu lado no sofá e eu quase não percebi por estar distraído. Será que admitir que eu tinha ficado sentado quietinho e deslocado assistindo televisão enquanto esperava pelo Yoongi por todo o tempo que ele esteve fora ia fazer ele rir? Isso eu não sei, mas eu sei que eu não queria que ele me achasse ainda mais inútil e ia guardar essa informação bonita só para mim.

 — E aí? Pensou?

 — Sim. Eu pensei muito e cheguei à conclusão de que eles são diferentes sim.

 — Qual a diferença? — não podia ser. Eu não conseguia admitir que Yoongi arranjou uma resposta para isso mais rápido do que eu.

 — Pato começa com P e ganso começa com G.

 Yoongi riu quando eu fechei a cara e olhei para ele sem expressão. — Ata.

 — Desculpa. Eu não sei a diferença. — Yoongi continuou rindo e me puxou para perto dele, assim fazendo a minha carranca se desfazer e eu acabei rindo junto com ele. Mas contra a minha vontade. Eu realmente tinha esperanças de conseguir uma resposta. — O que você está vendo?

 — Nem eu sei mais. — confessei, voltando a minha atenção à televisão e me aconchegando perto dele. — Eu comecei vendo um filme de comédia que era até legalzinho e depois começou um de romance, só que depois do primeiro comercial depois que esses filmes acabaram eu me desconcentrei e fiquei só olhando para o móvel da televisão.

 É. E olha que o meu plano inicial era deixar essa informação só na minha mente.

 Yoongi riu do meu fracasso. — Pelo menos você não revirou as minhas coisas que nem a minha mãe.

 — Sua mãe faz isso quando ela vem aqui? — perguntei, me recordando das vezes em que conversamos sobre família e eu descobri que Yoongi morava sozinho.

 — Faz. Eu lembro da última vez que eu dei minhas chaves para ela e quando eu cheguei ela estava fazendo uma faxina na minha geladeira.

 — Insano. — nós dois começamos a rir.

 Depois disso, a gente só ficou assistindo televisão juntos. Eu não sabia que horas eram, deviam ser quatro da tarde. Eu até cheguei a me perguntar se Yoongi realmente preferia ficar em casa comigo plantado na frente da televisão ao invés de sair e beber com os nossos amigos, porque não me parecia uma boa troca. Só que ele não parecia entediado.

 — Hyung. — chamei-o depois de poucos minutos. Eu já estava a tanto tempo naquele sofá que ele devia estar com a marca da minha bunda e os meus olhos estavam doendo de tanto tempo que eu fiquei no pé da televisão. Eu queria fazer outra coisa, qualquer coisa que não fosse ficar ainda mais sedentário do que eu já era.

 — Oi, Jimin.

 — Isso é chato. Vamos fazer outra coisa.

 — O que você quer fazer?

 — Não sei, qualquer coisa que você ache mais divertido do que ficar vendo televisão comigo.

 — Por que você acha que eu não estou gostando?

 — E você está?

 Yoongi ficou calado por um tempo. Me afastei dele e encarei o seu rosto, observando enquanto ele encarava o chão por alguns segundos antes de olhar para mim.

 — Eu preciso te dizer algo.

 — Você não respondeu minha pergunta.

 — O que eu tenho para falar já deve servir de justificativa.

 — Fala, então.

 — ...Eu gosto de ti.

 Fiquei confuso por uns segundos. — Ué, Yoongi. Eu gosto de ti também.

 — Não. — riu de nervoso. — Não, você não entendeu. Eu gosto de ti. Gosto mesmo.

 — Yoongi, eu não ‘tô te entendendo. — senti meu coração disparar. — Você gosta de mim? Tipo, sério mesmo? — ri de nervoso quando ele assentiu com a cabeça. — Nossa, você devia ir conhecer mais gente.

 — Para de se rebaixar assim. — disse, sincero. Yoongi levou a mão até o meu rosto e me manteve no lugar quando eu tentei desviar o olhar de vergonha. — Você é incrível, Jimin. Você só não consegue reconhecer isso.

 — E você é doidinho.

 — Eu não. — Yoongi sorriu e me beijou na bochecha. — Eu sei que você não se acha lá essas coisas, mas acredite em mim quando eu digo que você é sim, é até muito mais do que isso. Acho que eu podia ficar o dia todo falando de tudo o que gosto em ti só para fazer você perceber que você é especial.

 — ‘Tá, mas... — tentei desviar de assunto. Eu já estava começando a ficar envergonhado com todos aqueles elogios. Quero dizer, eu realmente não me achava muito especial, mas do jeito que Yoongi falava eu estava de repente pensando em mudar essa opinião que eu tinha de mim mesmo. — Ai, meu Deus. Você me chamou aqui para fazer eu morrer de ataque cardíaco, é? Seu pilantra. Desde quando você se sente assim?

 — Não sei. — riu baixinho. — Acho que fazem umas semanas.

 — Semanas? — foi impossível esconder a surpresa na minha voz. — Yoongi, por que você não me disse isso antes?

 — Você sabe, eu estava com medo de você aceitar mal ou parar de falar comigo. Sei lá, me bateu um desespero quando eu percebi que estava começando a reparar demais em você e pensei que você fosse se afastar de mim se eu te contasse e...

 — Tu ‘anda assistindo muitos filmes. — ri, interrompendo a sua fala. — Eu nunca faria isso, Hyung.

 — Nem todo mundo aceita bem quando o seu amigo chega e do nada fala que tem sonhado com vocês se beijando.

 — ...Você tem sonhado que a gente se beija?

 Yoongi pareceu ter se tocado do que tinha acabado de falar. — Merda.

 — Olha, ‘tá tudo bem, ok? Tudo bem. Eu aceito os seus sentimentos. — tentei parecer calmo, mas era difícil, já que por dentro eu estava quase explodindo. Todas as coisas que eu sentia por Yoongi estavam colidindo umas nas outras e eu estava confuso demais com toda aquela informação. — Eu só quero que você deixe eu confirmar uma coisa. — falei baixinho, aproximando o meu rosto devagar do rosto de Yoongi. Ele recuou uma vez, mas depois não se mexeu. Nossos narizes se encostaram.

 — O quê? — sua voz saiu trêmula.

 — Se o meu coração fica acelerado perto de você.

 — Olha, — começou, suspirando. — o seu eu já não sei, mas eu sinto como se estivesse prestes a morrer aqui, então me faz o favor de confirmar isso logo.

 Eu não tive escolhas senão rir do seu desespero. — Tudo bem. Já confirmei.

 — E aí?

 — Descubra você mesmo.

 Peguei a mão de Yoongi e a levei até o lado esquerdo do meu peito, já que ele pareceu estar confuso e sem saber direito o que fazer. Respirei fundo enquanto observava ele fechar os olhos para se focar nos meus batimentos.

 — ...Nossa.

 — É. — nós dois demos risada. — Eu acho que... acho que existe uma chance de eu gostar de ti também.

 A gente se encarou e naquela hora eu não estava nem ligando se nós éramos amigos próximos, se eu tinha que trabalhar no dia seguinte ou se eu podia soar desesperado demais. Naquela hora eu só deixei tudo de lado para prestar atenção no Yoongi. E senti uma vontade colossal de beijar ele. Senti mais vontade de beijar ele do que já senti de beijar outra pessoa na vida inteira.

 Ele pareceu ler a minha mente e voltou a posicionar a sua mão no meu rosto, fazendo um carinho na minha bochecha. Eu não sabia qual seria a nossa relação depois daquilo mas, para ser sincero, eu também não estava ligando muito naquele momento. É que os olhos dele pareceram muito mais merecedores de atenção do que o dia de amanhã e eu me perdi completamente neles.

 Foi tudo tão rápido que eu quase não consegui processar. Em um momento nós estávamos lado a lado no sofá conversando sobre sentimentos e no outro eu estava no colo do Yoongi, os meus braços abraçando o seu pescoço e os dele a minha cintura, as respirações pesadas e as roupas de repente parecendo desconfortáveis demais. Os seus dentes puxavam o meu lábio inferior com tanta força que eu quase sentia o gosto de sangue enquanto retribuía a dor arranhando os seus ombros e puxava os seus cabelos, sentindo ele grunhir contra a minha boca. E assim revezávamos, mordendo e recebendo mordidas, distribuindo e recebendo arranhões e puxões e eu até arrisco dizer que quem nos visse na rua agora pensaria que tínhamos acabado de sair de uma briga.

 — Você devia se ver agora. — murmurou baixinho, se separando dos meus lábios e passando a deixar apenas beijinhos suaves no meu rosto.

 — Por quê?

 — As suas bochechas estão tão vermelhinhas.

 — Cala essa boca.

 — É muito fofo.

 — Cala essa boca.

 — Fofo demais, até. Dá vontade de apertar. — ele estava realmente falando que eu ficava fofo todo vermelho depois de praticamente ter me beijando até me deixar sem ar? Eu devia estar parecendo qualquer coisa, menos fofo. E como ele não parava mesmo que eu pedisse educadamente, estava na hora de partir para medidas de emergência.

 — Vai se foder.

 

 

 Eu estava praticamente jogado no balcão enquanto me afogava nas minhas mágoas. Hoje estava um tédio absurdo pelo simples motivo de que era o dia de folga do Yoongi e eu tinha pego especialmente o turno da tarde, que por acaso estava tão quente que quando saí de casa fiquei com medo de ser atacado por algum demoniozinho — do jeito que estava quente, a única explicação plausível era de que tivessem aberto as portas do Inferno. Ou seja, eu estava entediado, suando até a morte e com saudades.

 O dia que Yoongi tinha folga era diferente do meu, o que me dava um tédio horroroso só por saber que provavelmente não ia ver ele por dois dias. Quarta e quinta costumavam ser os dias mais tediosos da minha semana e eu não estava nem brincando. Quero dizer, esse tédio e desânimo que eu sentia já faziam até parte da minha rotina, só que especialmente nesses dois dias eles eram particularmente bem piores.

 E foi exatamente por causa disso que eu quase virei do avesso quando eu vi Yoongi passando pela porta com roupas relaxadas e entrando na fila como se fosse só mais um cliente normal. Respirei fundo, tentando não deixar transparecer o fato de que eu tinha pensando no dia anterior o tempo todo e que o meu coração começou a acelerar só de ver ele.

 — Oi. — disse na maior inocência, apoiando os braços no balcão a tombando a cabeça para o lado. Revirei os olhos.

 — O que você vai querer? — apontei para o cardápio eletrônico que ficava pendurado em cima do balcão. Yoongi queria brincar? Eu brincaria junto.

 — Na verdade, eu queria te fazer uma pergunta.

 Suspirei. — Faz, então.

 — Neném, você gosta de maionese ou prefere queeutechupe?

 Eu juro que reuni todas as minhas forças e fiquei só olhando direto na cara sorridente dele, pelo simples motivo de que eu me recusava a rir daquela cantada horrível que ele me jogou. Bati no meu próprio rosto em decepção e depois voltei a falar. — ‘Tá, mas é sério. Você não pode ficar aqui se não for comer nada.

 — Então acho que eu vou só tomar alguma coisa. O que você sugere?

 — Vergonha na cara. — resmunguei sozinho e baixo para que ele não ouvisse. — Sei lá, suco.

 — Eu quero suco de maracujá, então.

 — ‘Tá. Suco. — repeti, puxando o meu bloquinho e anotando, fazendo o meu possível para tratar Yoongi como se ele fosse um cliente normal. — Quer mais alguma coisa?

 — Sim. Quero te pedir algo.

 — Yoongi, qual é a sua? — perdi a minha paciência. — Você vem aqui na sua folga, no meu horário de trabalho, me atrapalha a pensar e ainda fica com gracinha? Fala logo o que você quer antes que eu fique com raiva e te enxote daqui.

 — Você quer namorar comigo?

 Eu me gelei todo e arrisco dizer que senti as minhas pernas dando uns tremeliques debaixo do balcão.

 — ...Quê?

 — Você. Quer. Namorar. Comigo? — Yoongi repetiu pausadamente, tirando um pedaço de papel alumínio amassado em forma de anel do bolso.

 — Yoongi, você... — a raiva que eu estava sentindo sumiu e eu comecei a rir daquela situação, a minha risada se misturando com aqueles malditos batimentos cardíacos que resolveram disparar exatamente naquele momento. — você realmente está me pedindo em namoro... com um anel de alumínio?

 — Estou. — ele riu junto. — Não sei, é que eu não consegui parar de pensar em você. Quando você foi embora ontem, eu dormi pensando em você e até sonhei que a gente se beijava de novo. E hoje de manhã eu também estava pensando em você. Não consegui me concentrar em absolutamente nada, o meu pensamento sempre acabava em você de algum jeito, Jimin. Foi aí que eu percebi que não dava mais para aguentar aquilo e vim aqui para matar a saudade de você e te pedir em namoro logo. Acontece eu não queria que fosse só um “e aí, vamo fechá?”, só que eu também não estava com saco para ir numa loja atrás de anel. Então a gente improvisa, né? O que importa é a intenção. Eu sei que pode parecer estranho, mas é normal para mim porque eu sou estranho. Você também é. Podíamos ser estranhos juntos.

 — Céus. — a esse ponto eu já não sabia mais se ria dele ou de mim por estar tão nervoso por causa daquilo. — Você é tão idiota. Eu nem sei por que estou contigo.

 — Você “está” comigo?

 — Sim. A gente “está”. — falei e peguei o anel de alumínio da sua mão, moldando-o em volta do meu dedo por conta própria. — Eu aceito sim namorar com você, Hyung.

 Depois disso, como não tinha muita gente dentro da lanchonete por causa do horário, Yoongi me puxou para um beijo rápido e eu quase pulei por cima do balcão para retribuir e voar direto nele. Ele tão era incrível a ponto me fazer aceitar um pedido de namoro com um anel de papel alumínio bem no meio do meu horário de trabalho e eu já não sabia mais se isso era bom ou muito, muito idiota. Talvez ele usasse esse dom que ele tinha de ser incrível para me convencer a fazer outras coisas idiotas em situações futuras. Ah, mas quem liga? Nós éramos dois idiotas, mesmo. Clique aqui e encontre bobocas apaixonados no fast-food mais próximo.

 E agora nós não éramos só Jimin e Yoongi, os melhores amigos babacas gordurosos. Agora, nós também éramos Jimin e Yoongi, os apaixonados babacas gordurosos. Não mudava muita coisa, eu acho. Só que, pelo menos, agora eu não precisava mais ficar envergonhado quando sentia vontade de beijar ele. Risos.

 Essa história de como começamos a namorar ou de como nos conhecemos era uma coisa tão única. Quero dizer, eu duvido você achar uma pessoa na rua que encontrou o amor da vida dela trabalhando num fast-food e foi pedida em namoro com um anel de papel alumínio. Acho que isso seria um artigo legal para aquelas colunas do tipo “como conheci meu namorado” ou “histórias de amor comoventes” de revistas adolescentes.

 — Eu só quero te pedir mais uma última coisa.

 — O quê?

  Yoongi sorriu. — Quer dividir um suco comigo?

 E eu só sorri de volta, sentindo a minha cara esquentando e o meu coração acelerando. É, eu vou ser obrigado a admitir. Talvez a minha vida de pão mofado não seja tão ruim assim e talvez, só talvez... talvez trabalhar ali não fosse um total pesadelo.

 — Quero.


Notas Finais


bem foi isto
espero que quem leu até aqui gostou heheh ♥
talvez eu faça um extra?? algum dia?? bom tem uns 80% de chance mas aqueles 20% eh que me compromete ne pessoal
mas enfim
até a proximaaaa s2 http://sassypotatoss.tumblr.com


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