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História Fatal Promise (Meanie;Minwoo) - Capítulo 2


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Notas do Autor


Oi galera, quase que esse capitulo não sai hoje (rindo de nervoso). Ele já estava pronto já faz algum tempo, mas aconteceu algumas coisas que fez com que não revisasse 100% dele e fiz tudo agora nas pressas. Foi um capitulo muito divertido de escrever, espero que vocês gostem da primeira aparição do Mingyu tentei deixar bem dinâmica. Boa leitura :)

Capítulo 2 - Mentira


Fanfic / Fanfiction Fatal Promise (Meanie;Minwoo) - Capítulo 2 - Mentira

❧ Kim Mingyu ☙ 

“Assim como uma gota de veneno compromete um balde inteiro, também a mentira, por menor que seja, estraga toda a nossa vida.” - Mahatma Gandhi.  

A vida de Kim Mingyu não poderia ser pior e mais sem graça do que já era.  

As tão sonhadas férias não eram suficientes para deixa-lo renovado. Anos e anos trabalhando como investigador na polícia de Seul e nas horas vagas como detetive particular sem parar pela adrenalina do serviço, sugaram muito sua vida.  

Delegacias, apesar de serem legais e agitadas — não tanto quanto filmes e séries mostravam — tinham um odor péssimo de suor, medo e vergonha, não necessariamente nessa ordem. 

— Bom dia investigador Mingyu — disse uma policial qualquer que estava na recepção.  

— Bom dia para quem? — respondeu frio e sem paciência. 

Não se sentia assim frustrado somente pelo trabalho e sim pelo seu recente — não tão recente assim, por já se fazerem quase um ano — divorcio. Talvez tivesse focado tanto na sua vida profissional para esquecer o lixo que é da sua vida pessoal. 

Nunca amou amorosamente sua ex mulher Soojin, como ela também nunca o amou. Aliás, Mingyu nunca amou ninguém na sua vida, desconfiava que esse tal sentimento de fato existisse. 

Não estava mal por ter acabado aquele casamento de fachada, e sim pelo o que as outras pessoas iriam falar dele, principalmente sua família.  

— Olha aí, o investigador Mingyu voltou de férias. Será que ele já superou o divórcio? — dois policiais de fofoca estavam carregando caixas cheias de papelada.  

Mingyu sentiu que estavam falando sobre si, e como um ato maldoso — não tanto assim na sua visão, sendo que eles deveriam estar cuidando da sua própria vida ao invés da sua — passou por eles e chutou as caixas, criando uma cena espetacular de papeis voando para todos os lados.  

Na época da proposta da relação falsa, foi uma ótima decisão para ambos os lados. Mingyu e Soojin eram melhores amigos e jovens LGBTQI+ não assumidos com famílias completamente conservadoras e preconceituosas.  

Começou como um namoro falso de 8 anos, até as famílias começarem a insistir tanto mais tanto que ficaram noivos durante dois anos até que finalmente casaram. Os dois lados se beneficiaram, um encobria o outo e estava tudo ótimo.  

Aliviam seus desejos sexuais separadamente; Mingyu com sua mão amiga e vídeos, Soojin indo em baladas secretas e aplicativos de namoro. Se sentia sexualmente frustrado e reprimido? Com certeza, mas se aliviaria de que outra forma? Tinha muitos desejos e fetiches sexuais, porém possuía muito mais medo de ser descoberto. 

Viveram que relativamente bem o casamento mesmo com a cobrança das famílias por bebes durante 5 anos, isso até Soojin se apaixonar pela atual namorada Shuhua e decidir acabar com o casamento falso deles.  

A notícia se espalhou rápido: ‘‘A delegada See Soojin troca seu marido um moreno bonitão por uma mulher chinesa igualmente linda.’’  Bom, Mingyu estava inflando seu ego pensando nessa frase ao se igualar a Shuhua, afinal era a unica coisa que restava. Todos em seu trabalho e família da Soojin sabiam que foi largado por outra pessoa, por uma mulher.

— Você está de volta Mingyu, senti saudades — disse Woozi, um dos outros policiais investigadores da polícia e também seu rival.  

— Infelizmente, por mim não olhava nunca mais para sua cara — Mingyu continuou andando a passos largos, sendo seguido por Woozi que estava bebendo seu café com um sorriso zombeteiro.  

Os colegas de trabalho o zoavam pelas costas, já a família See o defenderam — mal eles sabem o quão gay ele era — e cortoram laços com Soojin, que pareceu não se importar muito depois de mudar sua mentalidade ao longo desses anos e de se aceitar melhor.  

Por sorte, sua família que vivia em Busan não tinha tanto contato assim com a de Soojin ainda não descobrindo da separação deles. Não sabia por quanto tempo iria conseguir esconder esse fato deles, mas certamente empurraria com a barriga o máximo possível. 

— Como vai a cicatrização? — perguntou Woozi após bebericar seu café ainda o seguindo como uma sombra. 

— O que?  

— Você saiu de férias para curar a cirurgia da retirada dos chifres que Soojin pós em você, certo?  

Não pensou duas vezes antes de lançar um olhar assassino para Woozi e esbarrar de proposito nele, fazendo-o derrubar o café quente nele mesmo.  

Filho da puta! Sabe que posso te prender por desacato a autoridade?! 

— Você late muito e não tem coragem. E se você fizer isso, eu conto seu segredinho para todo mundo, lembre-se disso — Mingyu mantinha o olhar assassino para ele, terminando o contato visual com uma piscadinha e seguindo seu caminho.  

Sua ameaça pareceu surtir efeito na hora, fazendo Woozi mudar a sua postura e ficar acanhado perante a si. Gostava dessa sensação de poder, era bom porque ninguém tinha coragem o suficiente para encara-lo. Ninguém não, somente Soojin, porque essa sim sabia amedrontar qualquer pessoa quando queria tanto que se tornou delegada.  

Mingyu chegou no escritório da sua ex-mulher Soojin, que era também sua chefe, e sentou na poltrona de uma forma desleixada enquanto ela procurava um arquivo do primeiro caso depois que suas férias acabaram. Soojin praticamente ignorou sua presença até encontrar o que estava buscando. 

— Achei — Soojin jogou o arquivo na grande mesa de mármore do escritório, capturando a atenção de Mingyu. 

Começou a ler o arquivo com atenção, ficando atento na descrição do sujeito.  

— O Grande empresário Cho Wooseok — Mingyu abriu um sorriso ao ler o nome do investigado. Era um grande caso, iria ganhar muita fama, prestigio e dinheiro se conseguisse pega-lo.  

— Ele mesmo.  

— Vamos investiga-lo por?  

— Corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e outras coisas. Talvez esteja envolvido com prostituição e tráfico humano também — Soojin girou o pescoço tentando se livrar da tensão do trabalho, deixando algumas mechas avermelhadas do seu cabelo caírem sobre seu rosto. 

— Uau, que currículo — um peixe grande, deve ser difícil captura-lo, pensou Mingyu.  

— Vai ter um evento da nova esposa dele daqui a dois dias. É sobre arte abstrata e futurística, quero que você vá nele e tente se informar de algo suspeito — Soojin apontou para a nova identidade que vinha no anexo, junto com um currículo falso de um banqueiro famoso, ambos com a foto de Mingyu. — Se passe por Lee Hui, seja cuidadoso, não levante suspeitas.  

— Tudo bem — Mingyu guardou as folhas e o restante do arquivo na sua maleta preta. — Como vão as coisas com Shuhua? 

— Não devo satisfações para meu ex marido falso e intrometido — brincou, sorrindo amarelo. — Mas estão ótimas, melhor impossível, se é que você me entende — Soojin piscou de uma forma insinuativa, deixando Mingyu sem graça que despistou estar envergonhado revirando os olhos.  

— Vou te deixar trabalhando, chefona e vou começar fazer minhas pesquisas sobre Cho Wooseok — Mingyu levantou e andou em direção da porta, sendo impedido de sair por Soojin. — O que foi?  

— Primeiro não me chame de chefona é supey gay, segundo como você está? Como foram as férias? Finalmente pegou algum homem?  

Não devo satisfações para minha ex mulher falsa e intrometida — repetiu Mingyu com uma voz fina, zombando de Soojin.  

— É sério, como vão as coisas?  

Estava tão mal assim? Estava na cara que era um virjão encubado? Um covarde por não encarar a realidade de frente e camuflá-la com uma mentira para tudo e todos? 

— Paradas, estagnadas e mortas como sempre.  

— Você precisa sair mais Mingyu, aproveitar enquanto ainda pode. Você é novo ainda, tem 34 anos já é um homem feito. A vida é muito curta para você viver na sombra da sua família e obedecer para sempre seus desejos. Quando acabar esse caso vou te arrastar a ir em uma balada comigo e Shua, você querendo ou não.  

— Vou pensar no seu caso — Mingyu sorriu contido, que para Soojin tomou aquilo como um sim, finalmente dando espaço para que ele abrisse a porta e saísse da sala.  

Que se foda sua vida sem graça e monótona, tinha um peixe grande para pegar e essa era a única coisa que importa.  

❧ Jeon Wonwoo ☙ 

Tic Tac, Tic Tac, Tic Tac.  

O barulho do relógio soava alto na cozinha, enquanto Wonwoo cortava legumes para o jantar. De acordo com Jisoo, pelo horário em seu marido saia do trabalho, ele estava sempre atrasado para chegar em casa. Jun costumava chegar em casa às 20h e não pegava tanto engarrafamento assim para chegar tão tarde. 

 Se Junhui sai do trabalho às 17h, o que ele fazia nas horas que ficava fora? Ou melhor, com quem ele estava?  

Wonwoo foi tirado de seus pensamentos sobre o atraso do marido pelo seu filho Chan. 

— Pai? — chamou Dino, com um pedido mudo para que Wonwoo se aproximasse da mesa de jantar onde o menino se encontrava. 

— Sim? — caminhou até ele e o encarou ainda um pouco desnorteado. Chan mostrou 5 desenhos que fez para o aniversário de casamento deles. — Que lindos! Então quer dizer que você terminou? Não era para ser surpresa para mim também? 

— Você ia descobrir de qualquer jeito, é impossível esconder algo de você papai, mas de Jun não — Chan riu e exibiu um desenho de cada vez. — Qual você acha que é o melhor?  

— Hm... — Wonwoo analisou atentamente cada desenho, ficando surpreso com o que encontrava.  

Quando que seu bebezinho que desenhava palitinhos, formas geométricas disformes e não conseguia colorir direito figuras ilustrativas se tornou tão bom em desenhos? 

— Eles são todos horríveis, eu sei. Eu tenho muito que melhor ainda — murmurou, cabisbaixo. 

— Quê? Claro que não, filho. Você desenha muito bem, estou impressionado com o seu talento. Eu acho que esse aqui é o melhor — Wonwoo cutucou um desenho com coração rosado com bordas vermelhas e com o seu rosto e de Junhui nas pontas e Chan no centro, deixando espaço no final da folha para uma frase.  

A frase dizia:  

‘‘Mesmo tendo vontade de vomitar quando vejo casais se beijando, meu coração (as vezes) fica bem quentinho quando os vejo fazendo isso. Feliz aniversário de casamento meus papais, amo vocês mil milhões de Chan.’’  

Wonwoo não teve nem tempo de se emocionar por seu querido filho esboçar um sorriso orgulhoso nos lábios, chamando sua atenção. 

— Isso! Que bom que escolheu o melhor, eu só perguntei qual você gostava por educação, ia ser esse de qualquer jeito — Chan tinha o poder de tirar toda aflição de Wonwoo e substituir por felicidade, e foi exatamente isso que ele fez agora arrancando uma risada divertida sua. 

 — Estou muito orgulhoso de você, filho — comentou, pegando seu celular no bolso e tirando uma foto do desenho para guardar na memória.  

Click. 

Foi o último som antes do barulho da porta de entrada se fazer presente.  

— Papai Jun chegou — Chan pegou seus desenhos velozmente e escondeu-o junto ao seu estojo.   

— Wonwoo, Dino, cheguei — anunciou Junhui, em um alto tom de voz, enquanto caminhava até a mesa de jantar aonde sua família estava. — Olha o que eu comprei para nós bebermos, amor — ele mostrou uma safra de vinho da Purple Sunflower, uma das marcas mais caras e cobiçadas da Coreia e internacionalmente o que a tornava uma safra rara de se encontrar. — Fazia um bom tempo que não provávamos um bom vinho, então fiz questão de compra-lo. É uma edição limitada.  

— Dino, por favor suba as escadas e vá fazer seu dever de casa — Wonwoo ignorou a boa vontade súbita do marido, sendo atendido pelo filho que subiu as escadas levando os seus desenhos e lápis de colorir junto e foi para seu quarto sem remediar.  

É realmente estava acontecendo algo com seu marido, alguma coisa horrível. Wonwoo sentia isso em seus ossos. 

Sem notar a indiferença do marido, Junhui colocou na bancada da cozinha americana o vinho abrindo-o, logo em seguida pegando duas taças e derramando o liquido com cuidado nelas.  

Jun ofereceu a primeira taça para Wonwoo, percebendo finalmente que algo estava de errado quando seu marido a segurou com uma expressão indecifrável em sua face.  

— Você está atrasado — soltou Wonwoo simplesmente, quase como um sopro.  

Não poderia acusa-lo de adultério ou ter uma crise de ciúmes do nada, não era do seu feitio, então essa era a única das coisas que tinha certeza, que Wen Junhui estava atrasado.  

— Como assim? eu não estou tão atrasado. Esse é mais ou menos o horário em que chego em casa sempre — Junhui defendeu-se, apontando para as horas no relógio que marcava 20:05h.  

— Hm... — Wonwoo ignorou a mentira de seu marido, encarando-o brevemente aborrecido. 

Sentiu o gosto amargo vinho na boca, Jun definitivamente tinha um péssimo gosto para vinhos. Ou isso só refletia o seu próprio coração sentia agora, amargurado demais com todas as suas desconfianças. 

— Ei, o que aconteceu? Fiz alguma coisa errada? — perguntou, analisando as feições de Wonwoo, sem entender o motivo do silêncio sufocante entre eles. — O que temos para jantar? 

— Uma sopa de legumes. Sei que não combina com vinho, mas é o que tem para hoje — respondeu Wonwoo, seco. Não querendo mais guardar seus pensamentos só para si, perguntou de forma despretensiosa: — Encontrei Kim Jisoo hoje.  

— Quem? — indaga Jun falsamente, após bebericar um gole do vinho.  

Como ele conseguia ser tão mentiroso? 

— Sua secretária que já está com você há um ano — respondeu, tão amargo quanto o vinho que Junhui trouxera. — Por que você não me contou sobre isso?  

— Eu não te contei isso? Eu pensei que eu tinha dito, tem certeza que não falei nada sobre? Como você disse, já faz um ano, as vezes você estava distraído de mais com seu trabalho e esqueceu. 

Existia essa pequena probabilidade, mas será que eu esqueci que ele me contou isso? Isso não é um pequeno detalhe que ficaria em branco para mim. 

— Sobre essa viagem de negócios, também a fizeram juntos? — Wonwoo não conseguiu controlar as milhares de perguntas que vinham em sua mente. Nunca tinha sido ciumento ou inseguro em seu relacionamento, contudo ele conseguiu mudar seu próprio comportamento em um maldito dia.  

— Claro, Jisoo tem experiência no mundo da moda e das celebridades, além de ser uma ótima assistente e ter vários contatos. Ela é boa no que faz — Junhui deu um longo gole na taça, mas acabou deixando derrubar uma parte do líquido na bancada e ignorou a sujeira como se fosse nada. — Os investidores novos da revista estavam irredutíveis. Eu tive que conversar por horas com eles no hotel e sem a ajuda dela acho que não conseguiria.  

Agoniado com a sujeira na bancada da sua cozinha, Wonwoo pegou um pedaço de papel toalha e foi limpar a sujeira que o marido fizera.  

— Nessa viagem de negócios, você bebeu alguma coisa? — Wonwoo se referia a bebidas alcoólicas. O efeito do álcool no corpo deixava as pessoas mais corajosas e impulsivas, o que poderia levar muito bem seu marido fiel trai-lo.  

— Eu tive que fazer isso, para desestressar e o todos na reunião brindaram no final — Jun terminou de beber o vinho e deixou a taça na bancada.   

—  Isso quer dizer Jisoo também bebeu?  

— Claro, ela estava na reunião e brindou conosco — Jun sentiu o aroma da comida na panela, indicando que já estava pronta e foi apagar o fogo. Tentando aliviar a sessão de perguntas que seu marido fazia, perguntou: — Acho que a janta já está pronta, posso chamar Dino para comer?  

— Pode, mas antes, por favor, vá lavar as mãos.  

— Ok. Perdão — Junhui lavou as mãos na pia da cozinha e subiu as escadas para chamar seu filho para o jantar.  

Cada segundo daquela conversa deixou Wonwoo mais desconfiado. Tinha certeza de que algo de errado aconteceu, certeza absoluta. Não iria medir esforços para descobrir o que se passava com Jun.  

                     ❧ ღ ☙ 

— Wonwoo! — soltou sua vizinha, melhor amiga e mãe biológica de Chan, Jeon Miyeon, correndo animadamente até ele com um sorriso grande nos lábios, dando um abraço desajeitado nele. — Como está Dino? 

— Muito bem, esse não o motivo por eu estar aqui. Hoje pro jantar preparei uma sopa de legumes, como você e seu marido chegaram hoje de viagem, então imaginei que estivessem cansados para cozinhar — Wonwoo entregou o pote de sopa nas mãos de Miyeon.  

— Obrigada, não precisava! Venha entre, vamos fofocar um pouco — Miyeon puxo-o para dentro de sua casa, levando-o para sua cozinha. Ela abriu o pote e provou um pouco da sopa e disse: — Hm! Nossa, você cozinha tão bem. Será que existe algo que você não consegue fazer? 

— Onde está Vernon? — Wonwoo aceitou elogio um pouco envergonhado e sentou na mesa da cozinha. Ele estava se referindo ao marido de Miyeon, Chwe Hansol, mais conhecido como Vernon, que trabalhava como contador de diversas celebridades, inclusive de Jun.  

— Ele está compensando o trabalho pela nossa viagem romântica de férias, então deve chegar mais tarde.  

— Hm! Como foi a viagem? — perguntou, curioso e animado.  

— Tokyo estava incrível, tem ótimas vistas, lojas e restaurantes. Impressionante que apesar da tecnologia eles preservaram muito bem a sua cultura. Pode não parecer, mas é uma cidade bem romântica. 

— Tokyo? Você não disse que estava na Ilha Jejum?  

— Ah, claro. Desculpa, me confundi com outra viagem que fizemos. Você quer beber alguma coisa? — perguntou Miyeon, tentando disfarçar sua mentira, ao se sentar na mesa da sala junto a Wonwoo. 

— Não obrigado Yeon, só vim para te entregar a sopa mesmo, acho que é melhor eu ir — Com mais atenção e sendo quase que um ato involuntário, Wonwoo reparou na tonalidade da cor de Miyeon. Por acaso, parecia ser a mesma cor do fio que encontrara. — Essa cor de cabelo está na moda hoje em dia? Comecei a repara-la recentemente e vejo muitas pessoas com ela. 

Miyeon passou as mãos no cabelo levemente sem graça, dizendo: 

— Ah... Você conhece Mercedes, certo? Ela se tornou famosa desde que atuou no remake coreano de La casa de papel e virou uma atriz de sucesso. Desde que ela pintou o cabelo dessa cor, muitas pessoas a copiaram. É um tom charmoso, então resolvi também pintar o meu.  

Wonwoo continuou analisando seu cabelo e seu comprimento que vinha até a altura dos peitos, até outra coisa chamar sua atenção. Miyeon pegou um protetor labial da bolsa que estava em cima da mesa e começou a passar pelos seus lábios. Parecia ser da mesma marca e cor do protetor que encontrará no sobretudo de Junhui.  

— Como você acha que deve ser a vida desse tipo de celebridades como a Mercedes? Festas, dinheiro, poder, sexo, deve ser ótimo, não? — comentou Miyeon, terminando de passar o protetor labial, deixando-o na mesa.  

Wonwoo estava ficando extremamente desconfortável e com sua cabeça fervendo.  

Miyeon não faria isso comigo, ou faria? Ela é a minha melhor amiga, não posso desconfiar dela também. Mas ela possivelmente tem um filho com meu marido e eles tem longos anos de amizade, será que esses fatores de alguma forma despertaram os sentimentos dela por ele?  

— Por que está me encarando assim? Como estão as coisas com Jun? — a pergunta de Miyeon fez Wonwoo voltar a realidade.  

— O que você quer dizer? Por que você está perguntando isso de repente? Aconteceu alguma coisa que não estou sabendo? — Wonwoo bombardeou Miyeon com questionamentos sem dar o mínimo de espaço de tempo para ela responder algum deles. 

Um clima denso e pesado surgiu na cozinha ou era só impressão a sua impressão. Miyeon pareceu um pouco aflita antes de começar a responder suas perguntas de forma cautelosa. 

— Não estou querendo dizer nada. Soube que ele fez uma viagem de negócios para garantir novos investidores para revista, só isso. 

O barulho da porta sendo destrancada quebrou com a tensão no ar a qual estava entre eles. Miyeon se afastou da mesa e andou até porta, ao mesmo tempo em que Wonwoo pegou o protetor para analisar melhor, confirmando sua teoria que era da mesma marca AfterHeart, cor e sabor. Mais que merda! 

— Você chegou em casa cedo, querido. Pensei que ia ficar até mais tarde no trabalho. 

— Sim — respondeu Vernon, secamente. 

— Querido, Wonwoo está aqui.  

Eles retornaram para a cozinha, segundos antes de Wonwoo colocar de volta na mesa o protetor labial de Miyeon.  

— Ei, Won! — disse Vernon alegre, como se estivesse mais feliz em vê-lo do que a própria mulher.   

— Oi Vernon. Você deve estar tão cansado, esse seu trabalho como contador é bem difícil.  

— Realmente, mas amo números e eu necessito trabalhar muito para sustentar nosso padrão de vida. Eu não tenho alguém em casa tão completo como você para me ajudar.  

Wonwoo riu levemente com o comentário do homem, enquanto Miyeon pareceu se incomodar com ele.  

— Won nos trouxe uma deliciosa sopa de legumes — Miyeon preferiu ignorar a indireta do marido. Afinal, casamentos funcionavam assim, era melhor fingir que nada aconteceu do que começar uma briga.  

— Uau, mal posso esperar para experimentá-los — Vernon foi até a bancada da cozinha analisar o alimento, verificando que parecia uma delícia. — Um dos melhores clínicos gerais de Seul que consegue arranjar tempo e disposição para cozinhar bem. Junhui é um homem de sorte.  

— Wonwoo também é um homem de sorte. Seu marido é muito atencioso, carinhoso e prestativo com homens e mulheres. Ele não é, Won? — perguntou Miyeon, irritando-se com a quantidade de elogios que seu marido dava ao seu melhor amigo. 

— Realmente, Jun é um profissional quando se trata de cortejar pessoas — retrucou Vernon para aliviar o clima entre ele e sua esposa. Ele lançando um lançar cúmplice para Miyeon, o qual foi correspondido, fazendo-os rir de algo que parecia uma piada interna deles.  

Algo naquela risada incomodou e muito Wonwoo, sentindo quase como se ele fosse o motivo dela. 

— Desculpe, acho que já deu minha hora. Vocês parecem estar cansados, não quero mais incomodar. Eu acho melhor voltar para minha casa agora — anunciou Wonwoo, levantando da mesa abruptamente.  

— Você já está saindo? Deixa que eu te levo até a porta — Miyeon levantou, com um sorriso contido nos lábios.  

— Não precisa me levar até a porta, eu sei muito bem caminho, obrigado — respondeu, tentando não soar rude com sua fala. Wonwoo não queria descontar seu mal humor na melhor amiga e em seu marido, embora quase fosse inevitável.  

Antes de sair da cozinha e ir até a porta, Wonwoo acenou para Vernon que retribuiu o ato sorrindo. Sentindo que algo estava errado, Miyeon mesmo assim o acompanhou até a porta da casa, dizendo quando o viu atravessa-la:  

— Boa noite, Won.  

— Boa noite. 

                     ❧ ღ ☙ 

Depois de um jantar com sua família fingindo que estava tudo certo, Wonwoo estava arrumando a cama para finalmente dormir enquanto seu marido estava tomando banho. Terminou de forrar a cama quando avistou o celular do marido carregando na cabeceira da cama. 

Eu devo ou não devo fazer isso? Isso é errado, imoral, sujo. Tentava se frear mentalmente com sua ética, porém foi inevitável não cair na tentação. 

 Discretamente, ele pegou o celular, destravou-o e começou a procurar por pistas que confirmasse sua teoria de que Junhui estava o traindo.  

Wonwoo olhou as chamadas telefônicas, brevemente as mensagens no Kakaotalk, não encontrando nada suspeito. Ainda decidido em encontrar algo, foi para galeria do marido, que somente tinha fotos dele e da família. Quando estava prestes a desistir, o celular vibrou com uma mensagem nova.  

''Esperamos que você visite novamente senhor em outra noite agradável. Obrigado pela preferência. — Motel Firewok.'' 

Antes que seu marido saísse do quarto, ele apagou o histórico de buscas e deixou o celular no mesmo lugar que havia encontrado. 

Wonwoo podia se aproveitar daquela situação para uma coisa: descobrir que raios seu marido fazia naquele motel.  

                     ❧ ღ ☙ 

— Pera', deixa ver se eu estou entendendo tudo. Você foi até o Motel Firework de madrugada? E você até chegou a procurar algo suspeito no celular dele? Esse exagero todo só por causa de um fio de cabelo? — perguntou Joshua chocado, após Wonwoo ter explicado suas desconfianças em relação ao seu marido e o que ele fez depois de ler a mensagem no celular de Jun.   

— Sabe o que o Motel disse? Que não pode revelar nada sobre os clientes, nem o horário que chegaram nem que saíram, nem se estava com um homem ou com uma mulher. Mas não é só pelo fio de cabelo que estou desconfiado. O cachecol estava com um cheiro diferente também e encontrei uma droga de protetor labial e ele nunca foi de usar isso. Você tem que entender que não estou exagerando, Josh. Por que ele não me contou sobre sua nova secretária por um ano inteiro? — Wonwoo bebericou seu café forte sem açúcar, depois colocou-o na mesinha da sala de descanso médicos da clínica. A cafeína o ajudava a refletir melhor sobre as coisas, no entanto, dessa vez, não estava surtindo tanto efeito assim. — Não é estranho tudo isso?  

— Sinceramente, não acho que Jun escondeu isso de você. Ele provavelmente não achou que fosse grande coisa para te contar. Ou talvez você tenha esquecido que ele te contou, afinal você anda bem distraído recentemente.  

Wonwoo bufou frustrado antes de dizer:  

— Exatamente, mas tudo devido a essas desconfianças — Wonwoo bebeu um pouco de café, para confidenciar mais uma insegurança sua. — Eu também estou incomodado com o fato de que a secretária dele é divorciada.  

— Won?! Você não acha está tendo um pensamento muito preconceituoso e malicioso? Justo você amigo, não estou te reconhecendo. Nem todas as mulheres divorciadas têm um caso com homens bissexuais casados — repreendeu Joshua. 

— Ai, eu sei muito bem disso. Ela me contou que Jun sempre saí do trabalho às 17h, mas ele chega em casa somente por volta das 20h. Por que ele mentiu para mim? E o que ele faz durante essas três horas livres?  

— Jun pode ir contatar artistas para entrevistas na revista ou para reuniões nesse meio tempo. E esse não é o horário em que secretária pega o filho na escola? Às vezes ela diz isso porque ele a libera mais cedo para pega-lo.  

— Aliás, estou um pouco incomodado com Miyeon também — confidenciou.  

— Minha nossa... — Joshua chocado, termina de bebe seu capuccino e deixa a xícara na mesinha da sala. — Você ainda suspeita da sua vizinha, que é nada mais nada menos que a sua melhor amiga que é tem aquele marido gostoso do Vernon?  

— Josh! Mais respeito aos maridos dos outros!  

—  Não posso evitar, ele é gostoso demais, fazer o que.  

— Parando para pensar agora... Não é estranho que o Jun não mantenha o celular bloqueado? É como se ele quisesse que eu visse que ele não tinha nada a esconder. Você acha que ele sabe que eu desconfio dele?  

— Won, você está me preocupando. Você não está surtando como a Taylor Swift no clipe de Blank Space. Sabe disso, certo?  

— Nossa, você não acha uma comparação exagerada?  

— Sinceramente, não acho. Você parece que dormiu pouco, está com emoção à flor da pele.  

— Espero que você esteja certo.  

— Durma um pouco e não trabalhe demais. Estou realmente preocupado com você — Joshua levantou-se do sofá encarando Wonwoo. — Eu acho que é cansativo viver com um marido bonitão e famoso. Estamos nos nossos 35 anos, mas Jun mesmo tendo nossa idade aparenta estar nos 25. Entendo as suas desconfianças, mas acho que elas estão erradas. Agora preciso voltar ao trabalho, até depois.  

Após seu comentário, Joshua saiu da sala, deixando Wonwoo só com seus pensamentos. Quando voltou a trabalhar, fez consultas desatento e um pouco desleixado, sem conseguir parar de pensar em seu marido.  

Ao olhar para o relógio às 16:30h, Woonwo ainda estava em meio a uma consulta médica, porém tratou de acelera-la o mais rápido possível para que pudesse sair mais cedo. Verificou na recepção antes de sair se tinha mais algum paciente, mas para a sua sorte não tinha, ou seja, podia sair mais cedo se alegasse que estava cansado e foi exatamente isso que fez.  

Correu pelo estacionamento, ligou o carro e saiu apressado do hospital, parando minutos depois em frente ao pequeno prédio comercial que era sede da revista do Junhui. Wonwoo checou o horário novamente, era 16:55h e tratou de ligar para Miyeon que costumava passar tempo com seu filho Chan nesse horário.  

— Desculpe te ligar agora, Miyeon. Eu ainda estou na clínica, acho que hoje vai ser um longo dia de trabalho. Dino pode ficar com você depois da aula de piano? — mentiu Wonwoo, ao mesmo tempo em que começou a ver seu marido Junhui descer pelas escadas do prédio pela janela transparente. Então ele realmente saia às 17h, pensou o homem.  

 Tudo bem, ele pode ficar o tempo que você precisar, estamos vendo Friends. Não tenha pressa. 

— Ah? Sério? Que legal, muito obrigado. Até mais tarde — Wonwoo desligou a chamada enquanto via Jun entrar no New Corolla branco dele da ultima geração. 

 Deu partida no carro quando viu que Junhui começou a sair com o carro, seguindo-o discretamente com seu coração acelerado no peito.  

Vamos ver aonde você passa o dia por 3 horas, Wen Junhui. 

Ficou seguindo discretamente de longe por 4 quarteirões até Jun parar com o carro em um prédio de repente, o qual de longe não Wonwoo não conseguia identificar se era um comercial o residencial.  

Filho de uma puta. 

Wonwoo sentia um misto de sentimentos que migravam de raiva, desespero, insegurança e tristeza profunda com lagrimas incessantes enchendo seus olhos e escorrendo por suas bochechas.  

Foi aí que decidiu acelerar o seu carro o máximo que podia para pega-lo no flagra na hora, até que, acidentalmente, Wonwoo colidiu na traseira do Jeep Renegade Preto a sua frente.  

Merda, só faltava essa.  

Antes de sair do carro, Wonwoo secou suas lágrimas e se certificou de que estava perfeitamente bem e aparentemente a pessoa do carro da frente também estava, pois ela bateu forte a porta do carro e já se encaminhava em sua direção aparentando ter meia dúzia de xingamentos entalados na garganta.   

Uau. Era um homem, e que homem. Não parecia nem um ser humano normal, estava mais para um Deus grego, era uma das pessoas mais bonitas que já vira na vida.  

Era um homem tão alto e terrivelmente belo, aparentava estar na faixa dos 30 anos, tinha uma pele bronzeada beijada pelo sol e com cabelos lisos pretos com gel. Usava uma regata preta com estampa de alguma banda de rock que não conhecia, deixando os músculos morenos e fortes em evidência. Colar de prata, bermuda jeans escura justa adornando suas cochas fartas e bem definidas enquanto deixava saliente sua panturrilha bem trabalhada, botas de coturno igualmente escuras completavam seu visual. 

Ele andava furioso, mas de um jeito descolado. Retirou os óculos escuros que cobriam seus olhos jogando-os no chão como se não fosse nada demais.  

O contato visual foi estabelecido pela primeira vez conforme o moço se aproximava, conseguindo arrepiar os pelos atrás da nuca de Wonwoo. O homem tinha um olhar sufocante, arrebatador, destemido e sexy, um nariz anguloso e simétrico, uma boca levemente carnuda rosada em forma de coração.  

Seu rosto não tinha nenhum defeito, nenhuma marca de expressão e nenhuma ruga, mesmo sua expressão de enraivecido ter tomado conta de sua bela face. 

Se tudo que via não bastasse para acerta-lo em cheio e fazer seu coração disparar a mil, sua colônia masculina forte e cara de canela distorcia ainda mais seus sentidos e sua sanidade mental. 

Estavam frente a frente. Esperava um xingamento; um não, vários. Aguardava até um soco na cara ou um chute no saco. Afinal, Wonwoo tinha batido em seu carro, mas tudo que escapou dos lábios atraentes do moreno, o qual tinha expressão confusa na face, foi: 

— Doutor? 


Notas Finais


O que acharam? Wonwoo surtado? Jun traiu mesmo? Mingyu o rei da estória ? (sim) Espero que tenham gostado, vou tentar atualizar próximo sábado, até a próxima.

Meu twitter: https://twitter.com/last_narcissus


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