1. Spirit Fanfics >
  2. Father (Malec) >
  3. Um Ponto de Vista Diferente

História Father (Malec) - Capítulo 13


Escrita por: BaneStan_88

Capítulo 13 - Um Ponto de Vista Diferente


Fanfic / Fanfiction Father (Malec) - Capítulo 13 - Um Ponto de Vista Diferente

Assim que botou os pés no último degrau da escada, Alec já pôde ouvir o barulho vindo do apartamento da irmã, que estava com a porta entreaberta.

 Desde que Max era bebê, foi acostumado a passar bastante tempo com a família e os amigos do pai. Sempre que ele precisava ficar algumas horas fora de casa, resolvendo assuntos pessoais, ou até mesmo apenas curtindo um momento de lazer consigo mesmo, sabia que podia contar com seus pais, Izzy, Simon, Jace e Clary para tomarem conta do seu filho. E essa ajuda era muito valiosa e bem vinda, ainda mais considerando que Alec era um pai solteiro e tinha que dar conta de tudo sozinho.

 Naquela tarde, ele havia ido se encontrar com uma cliente e comprar alguns ingredientes especiais em uma loja do outro lado da cidade, então pediu que Isabelle e Simon buscassem o sobrinho na escola e ficassem com ele até o início da noite.

 Alec caminhou até a porta e se recostou no batente, sem ser notado, admirando a cena que se passava na sala da irmã com um sorriso nos lábios: Simon e Max estavam atirados sobre o tapete bege e peludo em frente ao sofá. O garotinho tentava, aos risos, se desvencilhar das mãos hábeis do tio, que não parava de lhe fazer cócegas pelo corpo todo.

 — Meninos, vocês estão fazendo muito barulho! Desse jeito vão acabar acordando o Thomas! – ralhou Izzy, vindo da cozinha e segurando uma bandeja nas mãos.

 Max encolheu os ombros, fazendo uma careta diante da bronca da tia.

 — Desculpe, tia Izzy. – disse, enquanto Simon passava os dedos sobre os lábios, como se fechasse um zíper.

 Isabelle pousou a bandeja sobre o tampo da mesa de centro. Ao erguer os olhos e vê-lo parado ali, observando o filho e o cunhado brincarem, a irmã sorriu.

 — Ah, veja só quem chegou! Entre, estou servindo um lanche nesse exato momento.

 Ela voltou para a cozinha e Max se desvencilhou do tio, depois veio correndo em sua direção.

 — Papai, papai! Me salva do monstro fazedor de cócegas! – falou, aos risos, enquanto abraçava as suas pernas.

 Alec se agachou, pegando o filho no colo e o abraçando com força. Então caminhou até o sofá e se sentou, ainda segurando o menino. Simon fingiu uma expressão ofendida.

 — Monstro? Puxa, eu achava que tinha ficado bonito com essa roupa. – provocou, passando as mãos sobre o couro da jaqueta preta que vestia.

 — Eu estava brincando, tio. Você está bonitão. – garantiu Max.

 — Meu marido vai se apresentar um em bar hoje à noite. – explicou Izzy, enquanto erguia a jarra de suco e enchia os copos que trouxe da cozinha. – E não deveria ter caprichado tanto no visual, considerando que sua doce esposa não vai estar presente.

 — Não precisa se preocupar, amor. Você sabe que eu só tenho olhos para você. – garantiu Simon.

 Izzy franziu os lábios.

 — É bom mesmo. – disse, em tom de alerta, mas depois começou a rir.

 Max olhou para os sanduíches sobre a bandeja com interesse e perguntou:

 — Posso pegar um, tia?

 Antes que ela respondesse, Alec soltou o filho no chão e alertou:

 — Você estava brincando até agora. Precisa lavar as mãos antes de comer, amorzinho.

 Então o garotinho saiu correndo apressado para o banheiro. Isabelle terminou de encher os copos e questionou:

 — E vocês? Não vão comer?

 — Eu já fiz um lanche na rua. Mas aceito um suco, obrigado. – respondeu Alec, pegando um dos copos.

 — Eu fico nervoso demais antes de me apresentar e não consigo comer nada. – contou o cunhado, também apanhando um suco.

 Izzy deu de ombros.

 — Bem, que seja. Sobra mais para nós, não é docinho? – perguntou para Max, que vinha voltando do banheiro.

 — Com certeza, tia. – afirmou o menino, pegando um dos sanduíches e o levando à boca. – Hhhmm... Queijo e presunto, meu favorito!

 Ela sorriu e passou a mão no cabelo do sobrinho.

 — E por que você acha que preparei esse? Até tirei a casca, porque sei que não gosta.

 Ele cutucou a perna da irmã com a ponta do sapato. Depois provocou:

 — Olha lá, hein? Desse jeito você vai deixar o meu filho mimado.

 — Como se você já não fizesse todas essas coisas para o menino. – retrucou Isabelle, mostrando a língua para o irmão.

 Izzy mal tinha terminado de comer seu sanduíche, quando o choro irritado de Thomas ecoou pelo apartamento.

 — O bebê acordou. – disse ela, já se levantando. – Vou ver do que meu filhote precisa.

 — Eu vou junto! – anunciou Max, também ficando de pé.

 Isabelle assentiu e os dois saíram em direção ao quarto. Deu para escutar da sala quando a tia o alertou:

 — Pode ser que eu tenha que trocar a fralda dele. Você tem certeza de que quer ir junto mesmo?

 — Sim. Eu viro de costas e cubro o nariz com a barra da camiseta. – respondeu o menino, fazendo com que Alec e Simon rissem.

 Assim que ouviram o barulho da porta do quarto sendo aberta e fechada novamente, o cunhado se aproximou, deslizando para o seu lado do sofá.

 -— Eu queria falar com você, mas tinha que esperar até estarmos sozinhos. – disse, em um tom de voz tão baixo que era quase um sussurro. – Como sabe, o aniversário da Izzy está chegando. E, como Thomas ainda é bastante pequenininho e precisa de muitos cuidados, ela não quis fazer nenhum tipo de comemoração. Mas eu estou pensando em preparar uma festa surpresa para a minha esposa. Uma coisa pequena, só a nossa família, além do Jace e da Clary. Você me ajudaria com isso?

 — Claro que ajudo. – afirmou ele. – Pode contar comigo, sim.

 Simon sorriu e deu alguns tapinhas no seu ombro.

 — Obrigado, Alec. Eu apareço no seu apartamento em alguma tarde dessa semana, para a gente combinar tudo direito, certo?

 — Certo. Vou ficar te esperando.

 Os dois voltaram a bebericar seus sucos, em silêncio. O cunhado parecia estar criando coragem para falar algo, mas alguns minutos se passaram até que finalmente dissesse:

 — Izzy me contou sobre o pai do Max ter aparecido.

 Ele suspirou, largando o copo vazio sobre a bandeja.

 — Por favor, não fique bravo com a sua irmã. – Simon se apressou em pedir. – Ela acabou deixando escapar sem querer.

 Alec sacudiu a cabeça.

 — Não, tudo bem. Eu sei que posso confiar em você. – afirmou. – Além do mais, não é algo que dê para esconder por muito tempo. Max gostou do cara e logo vai acabar falando dele para as pessoas. Já contei para o Jace e aos meus pais também.

 — E como Maryse e Robert reagiram?

 Ele soltou mais um suspiro.

 — Não muito bem. Quer dizer, os dois ficaram preocupados, com medo que o homem tente recuperar a guarda do menino. Mas eu falei que Magnus jura não ter nenhuma intenção de fazer isso e prometi ficar atento. Caso ache que é necessário, entro em contato com um advogado. – Alec olhou para o rosto de Simon. – Mas e quanto a você? Todo mundo já deu sua opinião sobre o assunto. O que você acha dessa história toda?

 Foi a vez do outro suspirar.

 — Eu acho que Max é um menino de muita sorte. – disse, o deixando surpreso. – Quer dizer, tantas crianças perdem ou são abandonadas pelos seus pais, enquanto meu sobrinho tem dois homens querendo assumir esse papel, cuidar dele e amá-lo.

 Alec sabia que o cunhado havia ficado órfão de pai quando ainda era muito pequeno e por isso conseguia compreender bem o que estava dizendo. Talvez Simon tivesse razão e, no fim das contas, tudo que estava acontecendo seria bom para o seu filho. Afinal, ter mais uma pessoa disposta a dar amor e carinho para o menino não podia ser algo tão ruim assim.

 — Eu ainda não tinha pensado na situação por esse lado. – admitiu ele. – Mas é um bom ponto de vista.

 Simon deu um sorriso suave.

 — Quando ficar preocupado ou com medo, tente se lembrar disso.

 Alec assentiu, retribuindo o sorriso. Nesse momento, Izzy voltou para a sala, seguida por Max.

 — Ufa! Finalmente consegui fazer Thomas voltar a dormir. Até parece que esse bebê nasceu com uma bateria eterna, é sempre um trabalho para fazê-lo pegar no sono!

 Seu cunhado se levantou e largou o suco pela metade sobre a bandeja.

 — Bem, tenho que ir. Preciso chegar cedo ao bar e montar minha aparelhagem antes da apresentação. Tchau, amor. – disse, beijando a bochecha de Isabelle.

 — Tchau, querido. Você deve chegar tarde, então não esqueça de levar a sua cópia da chave.

 Simon, que já estava pegando seu teclado no canto da sala, bateu no bolso da jaqueta.

 — Já está aqui. Tchau Max, tchau Alec.

 — Tchau, Simon. Quebre uma perna. – disse ele.

 Max arregalou os olhos.

 — Papai! Por que você está pedindo para o tio Simon quebrar uma perna? – perguntou, chocado e fazendo os adultos rirem.

 Foi Izzy quem explicou o significado da expressão.

 — É só jeito de falar, docinho. Quando alguém vai fazer uma apresentação, dizer “quebre uma perna” é uma forma de desejar boa sorte.

 O menino pareceu aliviado.

 — Ah, tá. Que susto! Então... Quebre uma perna, tio.

 — Obrigado, amigão. – respondeu Simon, já com a mão na maçaneta da porta e acenando para todos, antes de sair.

 Alec também se levantou.

 — Bem, acho que está na hora de nós irmos para casa. Você já ficou tempo demais na casa da sua tia e eu ainda tenho que preparar o jantar.

 Max assentiu, antes de dizer:

 — Então vou buscar a minha mochila. Está lá no quarto da tia Izzy.

 Assim que o sobrinho sumiu de vista no corredor, a irmã se aproximou e perguntou, falando baixo:

 — Como vão as coisas? Deu tudo certo durante o segundo encontro com Magnus, no parque?

 — Sim. Correu tudo bem, foi até uma tarde agradável. Max continua gostando muito dele, mas acho que não desconfia de nada.

 — Que bom. – respondeu ela, colocando a mão sobre o seu ombro. – Se acontecer qualquer coisa que te preocupe, não deixe de vir falar comigo, certo?

 — Pode deixar. – garantiu Alec, sorrindo para a irmã. No fundo, ele sabia que sempre podia contar com os amigos e a família.

 O garotinho voltou, já com a mochila nas costas.

 — Pronto, papai. Podemos ir embora.

 Isabelle fingiu uma expressão magoada.

 — Nossa, mas assim até parece que você não vê a hora de sair da minha casa.

 Max se aproximou da tia, abraçando a cintura dela.

 — Não é isso, tia. É que eu não moro aqui, né?

 Ela riu.

 — Tudo bem, querido. Eu estou só brincando. Mas você pode voltar sempre que quiser, viu? Meu sobrinho favorito é mais do que bem vindo na minha casa. E meu irmão também. – completou, olhando na sua direção.

 — Eu sei disso, Izzy. – afirmou ele, se aproximando e dando um abraço na irmã. – Ando ocupado demais, preciso vir visitar vocês três mais vezes.

 — Ainda bem que você admite. – provocou ela.

 Alec segurou a mão do filho, deu mais um beijo em Izzy e saiu de lá.

 Enquanto dirigia para casa, resolveu fazer uma proposta para Max.

 — Eu estava pensando em a gente sair juntos no próximo sábado. Que tal irmos ao parque de diversões?

 O menino ficou imediatamente animado com a ideia.

 — Vamos! Faz um tempão que a gente não vai ao parque. Podemos chamar o tio Magnus?

 Não foi possível deixar de sentir uma pontinha de frustração. Alec havia pensado em desfrutar de um momento pai e filho, somente ele e Max. Não estava nos seus planos incluir Magnus no passeio.

 Ele não queria decepcionar o garotinho, então, com muita delicadeza, tentou argumentar.

 — Eu tinha imaginado fazer um programa em família, só eu e você. A gente não tem feito nada desse tipo ultimamente, que inclua só nós dois. Podemos chama-lo no nosso próximo passeio.

 Olhando pelo retrovisor, Alec viu que o filho havia ficado um pouco desgostoso com a ideia, mas no final o menino acabou concordando.

 — Tudo bem. Na próxima a gente chama o tio Magnus, então.

 Ele assentiu, sorrindo para o menino. Ainda que, bem lá no fundo, tenha se sentido um pouco culpado por isso, não podia negar ter ficado satisfeito e aliviado com a resposta de Max.

 

                                                                 **

 

 Em pé, parado bem no meio do quarto/sala do seu novo apartamento, Magnus deixava os olhos vagarem pelo cômodo, enquanto tentava imaginar uma forma não muito cara de deixa-lo mais aconchegante e familiar.

 Quando era casado, a esposa era a responsável por toda a decoração da casa em que viviam, no centro de Londres. Camille vinha de uma família rica, então dinheiro não era problema e ela podia explorar todo seu gosto refinado sem maiores preocupações.

 Ele nunca se importou com o fato e gostava bastante das escolhas dela. Aquele lugar era o seu lar e Magnus conseguia se sentir confortável e relaxado lá, apesar dos desentendimentos constantes que vivia tendo com a mulher.

 Depois do golpe que Camille lhe deu, o privando de conviver com o filho, ele deixou de se importar com essas coisas. Morava em um apartamento minúsculo e mal conservado, com pouquíssimos móveis, todos de segunda mão, e sem nenhuma decoração especial. Tudo que importava para Magnus a partir daí era encontrar seu menino.

 Mas agora, finalmente tinha o encontrado. E podia voltar a viver, a pensar em si mesmo e se preocupar com coisas banais. Sem planos de deixar Nova York em um futuro próximo, ele sabia que iria passar bastante tempo dentro daquele apartamento e queria que fosse um local aconchegante. Quem sabe, um dia poderia até trazer Max para almoçar ali?

 Magnus já havia ajeitado e guardado todos os seus poucos pertences. Na noite anterior, pegou a caixa de madeira talhada em que guardava todas as cinco cartas que tinha escrito para o filho: uma para cada aniversário dele. Enquanto relia a última, não conseguiu evitar que lágrimas escorressem pelas suas bochechas.

 

 “ Querido filho,

 

 Hoje você está fazendo aniversário. E, pelo quinto ano seguinte, eu não posso estar por perto para te dar os parabéns. Mas nunca perco as esperanças de que seja possível fazer isso no ano que vem.

 Às vezes me pego pensando como vai ser quando finalmente nos encontrarmos. Será que você vai gostar de mim? Será que vai entender que não pude te ver crescer, que fui impedido de acompanhar o seu desenvolvimento? Ou vai ficar bravo e se sentir abandonado? Essas são perguntas que não tenho como responder agora. Só vou saber como será sua reação quando finalmente te encontrar.

 Outra coisa que me pergunto é: como você está? Será que está sendo bem tratado? Recebe os cuidados que toda criança precisa, carinho, atenção e, o mais importante de tudo, amor? Espero que sim. Não consigo nem imaginar o contrário: a dor de pensar que você esteja sendo negligenciado é grande demais para que eu possa suportar.

 Já que eu não pude te amar e proteger, espero do fundo do meu coração que outra pessoa esteja fazendo essas coisas por mim nesse momento. E serei eternamente grato a ela ou ele por isso.

 Saiba que, ainda que de longe, estou te enviando todo o meu amor e desejo tudo de melhor que a vida possa te dar. Feliz aniversário, meu menino. O papai te ama, mesmo à distância.

 

 Com amor, Magnus.”

 

 Ele continuava guardando essas cartas porque acreditava que, um dia, iria entrega-las ao filho. Assim, Max saberia o quanto sempre foi amado pelo pai biológico, ainda que não se conhecessem pessoalmente.

 Magnus apanhou o celular do bolso da calça e checou a tela mais uma vez, mesmo que soubesse muito bem que o aparelho não tinha emitido nenhum ruído que indicasse a chegada de alguma mensagem. Era sexta feira e ele estava ansioso, se perguntando se Alec marcaria mais um encontro para aquele fim de semana.

 Tentou se convencer de que ficaria bem caso isso não acontecesse, só que no fundo sabia que iria se sentir um pouco frustrado. Mas era preciso admitir que o outro já tinha concedido muito ao permitir que visse o menino em dois fins de semana seguidos.

 Continuou olhando para as paredes ao redor, tentando se concentrar e ter uma boa ideia para fazer com que aquele apartamento minúsculo parecesse um lar de verdade. Depois de quinze minutos, ao pegar mais uma vez o celular do bolso em um gesto automático e olhar para o wallpaper do aparelho, finalmente soube o que fazer.

 Caminhando até o lado da cama, Magnus pegou sua carteira de cima do criado mudo, sua jaqueta do gancho atrás da porta e depois deixou o apartamento. Iria até uma loja de revelação, onde mandaria imprimir e emoldurar a foto que Alexander lhe mandou de Max, fantasiado de Homem de Ferro e pronto para o Halloween.

 Então, quando voltasse para casa, a penduraria na parede do quarto. Assim, sempre que olhasse em volta, veria algo que com certeza o faria abrir um sorriso e sentir que estava exatamente onde deveria estar.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...