História Fear (Longfic - Jungkook) - Capítulo 10


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Demônio, Jungkook, Medo, Suspense
Visualizações 407
Palavras 4.314
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLAR MEUS CHUCHUZINHOS <3

É o seguinte, eu ia postar ontem mas houve alguns imprevistos, mas agora cá estou eu pra fazer vocês chorarem um pouco, eu acho, talvez kkkkkrindodenervosokkkkkkjkkk
Pra falar a verdade eu estou um pouco insegura quanto a esse capítulo, mas ele é necessário, então aguentem um pouco ai porque as coisas vão melhorar e.e
Aliás, a partir de agora vai acontecer algumas passagens de tempo, para as coisas andarem um pouco mais rápido e tals~~

A música de hoje, é a música tema da Holly, então peço que vocês por favor, ESCUTEM!
Pode ser durante o capítulo todo, mas eu recomendo só durante a conversa de Holly e Jungkook, mas enfim, vocês que sabem~

Boa leitura <3

Capítulo 10 - Um lado da moeda


Fanfic / Fanfiction Fear (Longfic - Jungkook) - Capítulo 10 - Um lado da moeda

(Notas iniciais e finais, por favor!)

 

 

              Holly

 

            “O outro corpo encontrado foi identificado como sendo de Eric Reynolds, dono da empresa sede de exportações de Sherwood e principal sócio nas campanhas de Bernard Miller para prefeito…”

 

    Havia acontecido de novo. Jeon tinha feito de novo. Suspirei me encolhendo no sofá, enquanto via a notícia passando em quase todos os canais locais. O corpo tinha sido encontrado hoje de manhã, mas declararam o horário da morte sendo durante a madrugada.

    Eric trabalha com meu pai desde sempre, ou no caso, trabalhava. Eu lembro de tê-lo visto algumas vezes durante campanhas passadas em que eu ajudei, e agora ele era o segundo, que estava naquela sala de reuniões, a ser morto. Mais um e começaria a chegar nos pais dos meus amigos, e em seguida no meu próprio pai, e eu ainda estava sem saber o que fazer, estava adiando a conversa sobre Clarice. No fundo eu estou com medo de saber a verdade.

 

-Holly? – escutei a voz de Mary e virei a cabeça em direção a entrada da sala para olhá-la - Seus amigos estão aqui!

-Amigos? – franzi o cenho.

-Abigail e Namjoon.

-Ah tudo bem, diz pra eles virem aqui!

 

    A governanta assentiu com a cabeça e saiu. Nos últimos dias nossas conversas tem sido de poucas palavras e poucas frases, isso quando eu apenas não acenava com a cabeça. Sentia que se eu mantivesse um diálogo fosse falar o que não devia na hora errada. O que acabaria por piorar a situação, se é que isso é possível.

 

-O que vocês dois estão fazendo aqui? – perguntei assim que os vi entrar na sala.

-Precisamos de um motivo pra visitar nossa amiga agora é? – Abigail arqueou uma sobrancelha.

-Em um sábado a tarde, sim! – os encarei segurando a risada.

 

    Biga revirou os olhos e se jogou em uma das poltronas, largando sua mochila ao lado. Namjoon me olhou sorrindo com a boca fechada, ele parecia um pouco desconfortável.

    Ontem na escola quase não nos falamos por conta do que aconteceu na quinta feira. Eu até tentei, mas ele parecia me evitar, ou evitar em falar o motivo de ter agido daquela maneira. Sentia que ele estava me escondendo alguma coisa.

 

-É o seguinte... – Biga levantou o tronco da poltrona e me encarou – Precisamos da sua ajuda.

-Sabia que vocês não viriam até aqui em um sábado a tarde sem avisar, se não quisessem alguma coisa! – soltei um riso pelo nariz enquanto balançava a cabeça e me ajeitava no sofá.

-E ainda ter que ver você descabelada e de pijama! – a garota riu e eu fiz uma careta.

-Tá legal, o que querem? – questionei.

 

    Abigail encarou o coreano que estava sentado ao seu lado esperando que ele falasse, mas quando viu que isso não ia acontecer, suspirou e me encarou.

 

-É sobre o baile de máscaras, ele vai se fechado só para os alunos! – indagou minha amiga.

-E o que eu tenho a ver com isso? – estreitei os olhos não sabendo onde ela queria chegar com isso.

-Vai ser um saco se for só com os alunos, então pensamos se você não conversaria com a diretora pra ela abrir pra comunidade!

-Comunidade? – levantei uma sobrancelha – E por que eu que tenho que falar com a diretora? A ideia nem foi minha.

-Porque você é filha do prefeito, dificilmente ela vai recusar um pedido seu! – Biga falou como se fosse óbvio.

-E nossos colegas de escola estão de acordo com isso? – questionei. Caso não estivessem, só seria mais um motivo pra ficarem destilando veneno contra mim.

-Eles foram os primeiros a reclamarem! – fez cara de tédio – É sério Holly, por favor, faz isso pelo gente! – ela juntou as mãos na frente do peito e olhou Namjoon de lado - O gato comeu tua língua, criatura? – bateu na perna dele.

-Acho que seria uma boa ideia se você conversasse com a diretora! – ele me olhou.

 

    Ponderei por alguns minutos. Se eu conversasse com a diretora provavelmente me arrependeria depois, e se não conversasse me arrependeria também, então acho que não tinha muita escolha.

 

-Tudo bem! – disse por fim fazendo Abigail bater palminhas.

-Agora vamos discutir as pautas que você vai conversar com a senhora Johnson! – ela abriu a mochila e tirou de lá algumas folhas.

-Pautas? – estreitei os olhos – Sabia que estava fácil demais! – bufei.

-Anda logo, senta aqui! – ela bateu no tapete ao seu lado em frente a mesinha de centro – E desliga essa televisão, to começando a achar que aquela história de serial killer é verdade. Vocês viram? Disseram que o corpo foi encontrado do mesmo jeito que o outro!

-Vamos parar de falar disso, ou melhor, nem começar a falar! – Namjoon cortou o assunto se sentando no chão enquanto me olhava de relance.

 

    Me sentei no chão com eles, mas quase não conseguia entender o que Abigail falava, meus pensamentos se resumiam apenas em uma pessoa: Jeon.

 

                                   [...]

 

“Porque você é descendente daquele que causou meu sofrimento.”

 

    Eu passei o resto do final de semana todo e o começo da semana, até hoje, quarta-feira, remoendo a conversa que tive com Jeon. Ele não apareceu mais pra mim, e mesmo assim não estava conseguindo dormir, mas era por minha culpa, estava pensando demais.

    Suspirei abaixando os pés de cima da mesa deixando-os pendurados e balançando.

 

“Você me tem”

 

    Eu ainda podia ouvir claramente sua voz me dizendo isso, causando uma agitação estranha dentro de mim que me fazia querer rir e gritar ao mesmo tempo. Explodir em uma sensação boa.

    Suspirei novamente e senti uma bolinha de papel bater na minha cabeça. Passei a mão no local atingido olhando ao redor tentando descobrir quem tinha jogado.

 

-Desculpa, estava irritando Taehyung e a bolinha acabou desviando o caminho! – Jimin parou do meu lado pegando a bolinha de cima da mesa.

-Taehyung já nasceu irritado! – fiz careta fazendo o coreano rir.

-Realmente, mas esses últimos dias ele está quase insuportável! – indagou.

-Assim como Abigail! – constatei também.

-Exato! Ela se empolga com esse negócio de organização da decoração e acaba dando ordens pra todo mundo, e Taehyung odeia receber ordens, ainda mais dela! – Jimin fez uma cara engraçada.

-Mas vamos combinar, eu que conheço Abigail desde sempre estou querendo esganar ela! – soltei a respiração pelo nariz – Acredita que ela fez pautas sobre o que eu deveria conversar com a diretora? – fiz cara de indignada.

-Acredito! – riu fazendo seus olhos quase sumirem – Mas pelo menos deu certo, né? A diretora liberou a entrada de não alunos, e acho que daqui a dois dias essa festa vai bombar.

-Ainda bem que deu certo, caso contrário Biga teria me esganado e esganado a diretora também!

-Por falar nisso... – Jimin se afastou indo até uma mesa que estava cheia de papéis e pegou uma pasta – Abigail disse que era pra você levar isso pra diretora assinar, pra poder dar início a venda das entradas!

-Claro, a parte mais difícil fica pra mim! – suspirei de maneira dramática.

 

    Pulei de cima da mesa pegando a pasta das mãos de Jimin e sai do refeitório onde estava sendo confeccionadas algumas das decorações. Comecei a caminhar pelos corredores silenciosos, algumas salas ainda estavam tendo aula.

    Subi dois lances de escadas e comecei a ir em direção a sala da diretora, parei em frente a porta pronta pra bater quando escutei vozes dentro da sala.

 

-Bernard é manipulador, eu não duvido nada ele ter manipulado a Holly! – era a voz do Namjoon?

-Se descobrirem sobre as alterações nos livros de história é capaz de Bernard nos deixar sozinhos nessa enrascada! – a senhora Johnson parecia agitada.

-Eu deixei Bernard tomar o controle das coisas uma vez, se ele quebrar nosso acordo a coisa vai ficar feia pra todo mundo! – uma voz mais grossa bradou – Qualquer novidade você me avisa Namjoon.

-Tudo bem pai!

 

Pai?

    Namjoon estava dentro daquela sala com o pai e a diretora discutindo sobre o que eu tinha falado pra ele? Então quer dizer que ele sabia da verdade!

    A porta foi aberta de uma vez fazendo com que eu me assustasse. Namjoon me olhou com os olhos arregalados junto com o pai dele logo atrás.

 

-Holly!? – ele exclamou.

-Namjoon… oi! – forcei um sorriso – Senhor Kim! – acenei com a cabeça.

-Holly, tudo bem? – o homem me olhou e sorriu de maneira normal.

-Ah sim! – sorri de volta – Desculpa, eu preciso conversar com a senhora Johnson sobre o início das vendas das entradas para o baile!

-Ah claro, pode entrar! – senhor Kim saiu saiu da sala me dando espaço pra entrar.

-Obrigada!

 

    Agradeci entrando na sala e olhei de relance pro Namjoon que me encarava de maneira estranha. A porta foi fechada e eu me voltei pra diretora tentando me concentrar no que eu tinha pra falar.

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    Apertei a fotografia entre as mãos enquanto andava de um lado para o outro no quarto. Eu não fazia ideia de como iria iniciar essa conversa, mas eu precisava. Namjoon estava agindo de maneira estranha, ainda mais depois daquela conversa que escutei na sala da diretora, então não podia adiar mais esse momento.

    Sai do quarto andando em passos cautelosos até a cozinha a procura de Mary. Ela estava virada de costas pra entrada enquanto limpava a pia. Respirei fundo pensando seriamente em desistir de falar alguma coisa, mas quando dei um passo pra trás com a ideia de sair dali, a governanta se virou me olhando.

 

-Ah Holly! – ela sorriu – O que está fazendo aqui? Está com fome? Você não saiu do quarto desde que chegou da escola.

-Na verdade, eu estava querendo falar com você Mary... - meio hesitante eu entrei na cozinha indo em direção ao balcão onde a governanta estava.

-Conversar comigo? Aconteceu alguma coisa? – ela se aproximou com uma expressão preocupada passando uma das mãos no meu rosto.

 

    Respirei fundo novamente. O mais fundo que eu podia, e coloquei a fotografia em cima do balcão. Mary a pegou e no mesmo momento seu rosto empalideceu e seus ombros caíram fazendo-a perder a compostura. Com a boca entreaberta eu podia ouvir sua respiração desregulada.

 

-O-onde você conseguiu i-isso? – seu olhar se alternava entre a fotografia e eu.

-Você teve uma filha Mary? – perguntei logo de uma vez.

 

    A mulher puxou uma das cadeiras e se sentou enquanto apertava a foto entre os dedos, seus olhos começaram a brilhar. Estavam marejados, quase fazendo com que eu me arrependesse de ter perguntado.

 

-Sim. – ela respondeu fungando – Há muito tempo atrás, você não era nem nascida!

-E o que aconteceu com ela? – questionei puxando uma cadeira pra me sentar de frente pra ela.

-Ela morreu…

-Ela foi assassinada! – a voz grave do meu pai rompeu o ambiente.

 

    Me levantei novamente encarando os dois. Mary olhava pro meu pai como se não soubesse o que dizer, e em seguida abaixou a cabeça.

 

-Isso é verdade Mary? – encarei a governanta.

-E por que não seria Holly? – meu pai se intrometeu novamente.

-Desculpa papai... – o olhei e logo voltei o olhar pra mulher sentada – Mas eu perguntei pra Mary!

-Sim... – a voz dela saiu baixa enquanto seus olhos encaravam meu pai – Ela foi… foi assassinada. Foi tirada de mim ainda muito nova! – começou a chorar.

-Por que eu nunca fiquei sabendo disso? – questionei.

-Porque isso não é da nossa conta, Holly. É um assunto da família dela! – a voz grossa e um tanto ignorante do meu pai respondeu.

-Nós somos a família dela! – minha voz saiu mais alta do que eu pretendia – Aliás, por que nunca me contou também, que mamãe perdeu um filho antes de conseguir me ter? – o encarei.

-Como você ficou sabendo disso? – ele se aproximou fazendo com que eu recuasse.

-Quem matou Clarice, Mary? – ignorei papai que continuava me encarando e me virei pra Mary.

-Como sabe o nome dela, Holly? – me olhou um pouco assustada com as lágrimas já secas no rosto, mas os olhos brilhando ainda.

-Eu disse que iria descobrir o que tinha acontecido nessa cidade, e agora estou dando a chance de vocês me falarem a verdade! – minha voz se elevou de novo – Eu sei que tudo tem a ver com Clarice!

-Holly, calma! Eu sei que você ainda está um pouco chateada com a nossa briga semana passada, e todo esse estresse do último ano escolar, e agora esses assassinatos…

-Estresse? – gritei – Vocês não fazem ideia do que eu tenho passado, do que tem me assombrado, tudo por culpa de algo que vocês fizeram!

-Do que nós fizemos? – papai se aproximou – Filha, por favor se acalma!

-Vocês sabem quem cometeu esses assassinatos? – soltei uma risada debochada e os dois ficaram em silêncio – Tentem pensar em alguém que vocês fizeram mal no passado!

-Do que você está falando? – senti suas mãos grandes apertando meus braços.

-Jeon! – gritei me afastando – É dele que estou falando. Do filho do dono daquele haras!

 

    Vi papai levantar olhar por cima do meu ombro, em direção a Mary que estava atrás de mim. Sua expressão mudou completamente quando ele ouviu aquele sobrenome.

 

-Por favor, senta aqui e vamos conversar sobre isso com calma, sim? – ele puxou a cadeira pra mim. Me aproximei devagar e me sentei – Como você ficou sabendo dessa história?

-Então quer dizer que é verdade? – o encarei vendo-o respirar fundo e se sentar de frente pra mim.

-Lembra que eu te falei que não queria aproximação com aquela família? – perguntou e eu assenti – Foi porque anos atrás, o filho daquele homem fez uma crueldade com Clarice, filha de Mary!

-Isso é verdade? – encarei Mary que, antes de me responder olhou meu pai rapidamente, e depois apenas concordou com a cabeça.

-Jeon comandava tudo aqui na região quando minha família se mudou pra cá, mas ele não era digno disso, Jungkook mentia sobre sua amizade com Clarice. Ele se aproximou dela com outras intenções! – continuou.

-Jungkook? Esse é o nome do filho do senhor Jeon? – perguntei e meu pai concordou.

 

Eu estou de volta, e que o julgamento comece” – J.J.K.

 

    Então aquelas iniciais é do nome dele? Jeon Jungkook.

 

-Por que ele me disse que eu sou descendente de quem causou sofrimento nele? Por que Clarice não tinha medo dele, se ele queria fazer mal a ela? – sentia minha respiração acelerando enquanto meus pensamentos iam a mil – Eu vi, aquele dia. Ele saiu apenas pra brincar com ela!

-Do que você está falando Holly? – repetiu a pergunta de minutos atrás – Escuta filha, esse garoto só parecia ser uma boa pessoa, mas não era. Um dia Clarice saiu dizendo que ia brincar com ele, e nunca mais voltou. Perguntamos a ele onde ela estava, ele não soube responder, e ainda estava com a roupa suja de sangue.

-Não. Não. Não! – balancei a cabeça de olhos fechados sentindo as lágrimas caírem – Eu vi papai. Eu vi o quanto ele gostava daquela garotinha!

-Eu sei que é difícil de acreditar, mas é verdade! – respirou fundo – Todos na cidade sabiam da amizade de Jungkook e Clarice, e ficaram revoltados quando souberam o que ele fez. Eles vieram até mim, e depois fomos até o garoto e fizemos justiça.

-Justiça? – perguntei desacreditada – Matar ele era fazer justiça? E onde estavam as autoridades naquela época? A polícia?

-Ele matou uma criança Holly, e fez sabe-se lá o que mais! – meu pai levantou a voz – Sherwood sempre foi uma cidade independente, naquele tempo os moradores mandavam e quem tivesse mais poder sobre o bordo também.

-Você sabia que ele está de volta? – o encarei.

-Ele quem? – questionou um pouco irritado.

-Jungkook! – exclamei, e senti um arrepio subindo pelo meu corpo. Era a primeira vez que eu pronunciava seu nome – Quem você acha que está matando essas pessoas? Todos que estavam envolvidos nessa confusão que aconteceu.

-Filha, você está imaginando coisas. Você ainda está tendo aqueles pesadelos? Está conseguindo dormir? – perguntou como se estivesse preocupado.

-Uma coisa que não se encaixa nisso é, por que vocês alteraram os livros de história? – no mesmo momento papai arregalou os olhos – Tudo aconteceu de forma mais grave do que parece. Por que, se Jungkook era realmente culpado, esconder das outras pessoas? De mim? Céus, isso aconteceu na minha família! – sentia as lágrimas escorrendo pela minha bochecha.

-Eu não queria que você se sentisse culpada por algo que aconteceu anos atrás. Que você carregasse o peso disso! – ele veio atrás de mim quando me levantei da cadeira – Mas estamos bem agora, vivemos bem. Tudo já passou!

-Meio tarde pra se preocupar com isso, não? – ri sem humor – Tudo voltou pra me assombrar. Jungkook, voltou pra me assombrar, tudo porque vocês resolveram fazer justiça com as próprias mãos. – comecei a ir em direção a porta da cozinha.

-Holly, espera!

-Não! – me virei pra ele – Mesmo que isso tudo que você me contou seja verdade, você me mentiu pra mim. E você também, Mary. – a olhei.

-Eu sinto muito Holly! – ela se levantou vindo até mim – Sinto muito, eu não queria… só estava fazendo…

-Mary! – meu pai se aproximou colocando a mão no ombro da governanta como se a repreendesse.

 

    Balancei a cabeça negativamente encarando os dois. Subi as escadas correndo em direção ao meu quarto, e assim que entrei, me joguei na cama e chorei. Chorei colocando pra fora tudo que estava sufocando dentro de mim. Sentia meu peito doer.

    Deitei em posição fetal apertando o travesseiro contra meu rosto e gritei, minha vontade agora era de dormir e depois acordar e ver que isso tudo não aconteceu.

.

.

.

.

    Acordei assustada depois de ter um pesadelo. Olhei o relógio na mesinha de cabeceira e ele marcava três da manhã. Me mexi vendo que estava na mesma posição de quando deitei chorando. Respirei fundo passando as mãos pelo rosto.

    Tirei os lençóis de cima de mim e desci da cama. Assim que pisei na cerâmica senti um calafrio subir pela minha coluna, e não era por causa do piso gelado. Eu sabia que ele estava aqui. Fazia alguns dias que não tinha essa sensação. Dos seus olhos sobre mim.

 

-É tão bom sentir o medo que você ainda exala, bonequinha. Mesmo depois de tanto tempo. – senti sua risada bater na parte de trás do meu pescoço.

 

    Recuei me virando de frente e finalmente o vi. Ele estava ali, como sempre, com as mesmas roupas. Forte, imponente e decido a brincar com a minha mente. Seus olhos negros pareciam que carregavam a mais intensa escuridão. Senti um aperto no peito.

 

-Você... – fechei os olhos respirando fundo.

-Sentiu minha falta? – o vi sorrir com o canto da boca, de relance.

-Isso é real ou é mais um daqueles sonhos? – perguntei sem encará-lo. Por algum motivo eu não conseguia fazer isso agora.

-Olhe para mim doce Holly! – me chamou – Você consegue me sentir? – ele se aproximou me fazendo fechar os olhos.

 

    Eu não iria cair nessa, não de novo.

    Senti sua mão gélida tocar meu queixo me forçando a levantar a cabeça.

 

-Abra os olhos! – sussurrou.

 

    Um formigamento começou onde sua mão tocava minha pele. Senti sua respiração começar a bater contra minha boca. Ele estava próximo. Muito próximo.

    Escutei sua risada baixa, se divertindo me vendo naquela situação, com medo. Seu nariz tocou de leve o meu, quase como uma carícia. Todo o ar que ele soltava se espalhava em meu rosto, aos poucos eu ia sentindo seu nariz percorrendo toda essa área, e por último, subitamente, ele passou a língua em cima dos meus lábios fechados deixando o local úmido.

 

-Tão doce! – sussurrou.

 

    Sua risada outra vez ecoou me fazendo encolher no lugar. Novamente juntou seus lábios gélidos aos meus, de forma bruta, pesada e quase excitante. De maneira que eu abrisse a boca ele mordeu meu lábio inferior e sua língua foi de encontro a minha, apressada.

    Meu corpo foi sendo empurrado e deitado sobre a cama, suas mãos me apertavam e vagavam por debaixo das minhas roupas, como se eu o pertencesse. O beijo ia ficando cada vez mais molhado, chupões, mordidas iam se alternando entre os movimentos tão precisos e necessitados.

    Me atrevi a levar as mãos até seu pescoço acariciando o local sentindo alguns fios de seus cabelos escuros, enquanto alguns suspiros saiam por entre meus lábios de forma involuntária, enquanto sua boca descia para meu pescoço.

 

-Jungkook... – minha voz saiu quase inaudível, em um sussurro. E só percebi o que tinha feito quando parei de sentir seu contato.

-Você finalmente descobriu meu nome... – sua voz saiu igual a minha seguida de uma risada e logo senti meu lábio inferior ser puxado por seus dentes – Vamos Holly, abra os olhos e sussurre meu nome me olhando!

 

    Eu inconscientemente abri.

 

 -Boa garota! – seus olhos negros carregando toda a escuridão da noite me encararam de volta enquanto um sorriso ladino dançava em seus lábios.

 

    Eu não conseguia desviar. O peso do seu corpo contra o meu, tão próximo que podia sentir seus músculos por baixo das roupas.

    Me atrevi novamente a levar uma de minhas mãos, dessa vez até seu rosto, e lhe fiz um afago singelo, carinhoso. Como um lampejo, seus olhos voltaram a sua cor normal, que quase chegavam a brilhar, um sorriso surgiu nos cantos da minha boca, feliz por presenciar isso.

    Mas da mesma maneira como apareceu, a cor natural sumiu quando ele viu que eu sorria, e quase num pulo Jungkook se levantou da cama passando as mãos pelos cabelos e respirando de forma irritada. Como se ele não devesse ter tido esse vacilo.

    Após alguns segundos, como um raio ele voltou a se aproximar, uma expressão tão sombria que fez parecer que meu sangue havia parado de circular pelo corpo, fazendo todo aquele contato de minutos atrás parecer que nunca tinha acontecido.

    Jungkook veio se aproximando com um sorriso perverso nos lábios, fazendo minha respiração ficar presa na garganta. Parecia que toda a maldade existente recaía sobre ele no momento, e que toda essa maldade seria direcionada a mim. Somente a mim.

 

-Eu perguntei... – limpei a garganta criando coragem pra falar – Eu perguntei sobre Clarice, hoje, para Mary

-Perguntou? – ele riu – E o que te contaram? Aposto que não foi a verdade.

 

    Quanto mais eu encarava seus olhos negros, mais eu me sentia como se estivesse caindo em um abismo sem fim. Mas eu não conseguia desviar. Era mais um de seus joguinhos. Eu sabia disso. E foi assim que eu comecei a sentir todo seu desespero e agonia. Tudo que ele sentiu quando foi assassinado. Tudo que ele dizia ter sofrido.

 

-O que… o que é isso? – coloquei as mãos ao lado da cabeça me encolhendo na cama.

-O que eles te contaram, Holly? – repetiu a pergunta.

-Que você matou Clarice, que você não era a pessoa que parecia ser, que sua família não era digna de ter o poder que tinha! – minha voz saiu baixa, e eu segurava a vontade de chorar. Escutei sua risada reverberar pelo quarto.

-Isso o que você está sentindo agora bonequinha, isso o que você está vendo que é a verdade! – escutei sua risada ecoar novamente – Você acreditou neles?

-Por favor, faz isso parar! – me encolhi sentada na cama. Eu podia escutar seus gritos dentro da minha cabeça enquanto observava de longe a crueldade feita a ele. Ou eu achava que estava vendo isso. Não sabia se era real.

-Eu te fiz uma pergunta Holly, me responda!

-Chega! – comecei a sentir as lágrimas molhando meu rosto. Me levantei da cama atordoada – Eu não vou mais deixar você fazer isso comigo!

-Fazer o que? – perguntou com ironia.

-Me manipular dessa maneira, brincar comigo! – respirei fundo tentando conter as lágrimas – Eu não vou ser mais seu brinquedinho, eu não vou ser mais essa garota obediente com medo. Não vou!

-Eu só estou te dando a verdade Holly, sem mim você nunca saberia o que aconteceu! – se aproximou alguns passos.

-Não saberia e não precisaria estar passando por isso, caramba, eu não confio mais no meu próprio pai, aquele que deveria me proteger! – senti as lágrimas voltarem a cair e as minhas mãos tremerem – E também não confio em você!

-O quê? – Jungkook parou no lugar me encarando de uma forma quase surpresa – Holly você não…

-Eu não acredito em você! – indaguei o encarando.

-Você não pode fazer isso comigo, você precisa acreditar em mim! – voltou a se aproximar.

-Não se aproxime de mim! – recuei alguns passos - Eu sei que se eu te sentir perto, sentir o seu toque eu vou vacilar, e eu não posso fazer isso. Eu estou cansada, quero ter paz de novo!

-Por que você… por que você não…

-Por que eu não acredito em você? – perguntei de maneira desacreditada passando as mãos nas bochechas enxugando as lágrimas – Olha o jeito que você agiu minutos atrás. Toda essa escuridão que você carrega, parecia que ia descontar em mim. Eu não mereço isso! – funguei – Eu não consigo acreditar que você foi uma pessoa boa depois de toda a maldade que você me fez sentir, mesmo você tendo me mostrado aquilo, aquele sonho, porque eu não sei se foi real!

-Holly, o que você vai fazer? – me encarou.

-Vai embora. – minha voz saiu num sussurro.

-Não faz isso Holly, por favor…

 

    Seus olhos, assim como antes, voltaram a cor normal. Brilhantes. Mas dessa vez parecia ser por conta das lágrimas. Ali, naquele momento, eu pude ver aquele Jungkook dos meus sonhos, só que agora ele parecia desolado, sozinho, atordoado. Vi uma lágrima escorrer do canto do seu olho e senti meu peito, meu coração doer. Mas eu não podia vacilar agora. Não como já vacilei antes. Não podia cair no seu jogo novamente.

 

-Vai embora, Jungkook. – repeti novamente.

 

    Vi sua imagem ir desaparecendo aos poucos enquanto seus olhos me encaravam de maneira quase suplicante, pedindo pra que eu retirasse o disse.

    Balancei a cabeça negativamente enquanto voltava a chorar de maneira tão forte que comecei a soluçar. Voltei correndo pra cama, abraçando e apertando os lençóis e travesseiros tentando descontar toda a dor que eu estava sentindo.

 


Notas Finais


Link da música -> https://www.youtube.com/watch?v=x3MzvLAJSkk

Estou nervosa KKKKKKKKKKKK
Confesso que fiquei bem triste e talvez tenha escorrido algumas lágrimas aqui, mas como eu disse, é necessário pra dar continuidade na história :´)

Já sabem, né? Se leu até aqui e gostou, deixe um comentário me contando o que achou <3
Até o próximo <3


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