História Feche a porta quando sair - Capítulo 27


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Alcoolismo, Boysxboys, Coroa, Coroação, Drama, Gay, Homofobia, Homossexualidade, Lgbt, Preconceito, Principe, Romancegay, Violencia, Yaoi
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Palavras 1.383
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 27 - O desastre que minha vida se tornou


Os dias se arrastavam e falar com Ian parecia ser a coisa mais impossível do mundo, ainda mais agora que a Mel inventou de querer dormir no meu quarto, embora ela estivesse no de hóspedes com todo o conforto que precisava.

— Noah — sussurrou, chegando mais perto de mim, pude notar que estava seminua e isso me incomodou um pouco. — O que você acha da gente...? — ela se interrompeu com uma risadinha que apenas garotas conseguiam dar e mordeu o lábio, sedenta por alguma coisa que não consegui identificar de imediato.

Sim, eu era muito lerdo mesmo.

— O que? — questionei com a minha inocência ainda intacta.

— Você sabe — ela riu de novo e só entendi o que ela queria dizer quando apertou a minha bunda de leve quando me abraçou.

Senti meu rosto ficar vermelho, além de querer mentalmente que ela tirasse a mão dali porque era a coisa mais desconfortável do mundo, sem falar do que aquele mero ato me remetia.

As mãos da minha mãe, me abraçando discretamente enquanto sussurrava um doloroso eu te amo em meu ouvido como se fosse nosso segredo. Não queria que ela e nem ninguém me tocasse, não era certo.

Se nem com Ian eu me sentia confortável o bastante, quem dirá com uma mulher que eu mal conhecia.

Quando seus dedos entraram em contato com a minha pele, me senti violado, como se eu estivesse fazendo algo impuro, sujo. Eu queria me livrar dessa sensação, que costumava me invadir quando minha mãe entrava sorrateiramente em meu quarto, com seus brinquedinhos que não faziam nada além de me machucar.

Suas curvas não me chamavam mais a atenção, embora fossem salientes e bem definidas, assim como os seios que mal cabiam no sutiã. Tive certeza de que qualquer homem ficaria excitado com aquilo, porém eu só consegui sentir aflição em ver aqueles dois balões quase saltarem da blusa apertada.

Ela colocou a mão no interior da minha coxa e subiu até encontrar o meu membro e apertá-lo de leve, me deixando nauseado.

Olhei para baixo discretamente, tentando forçar qualquer reação dele, entretanto nada aconteceu, nem uma leve ereção, apenas o nojo e o ranço dentro de mim ao me ver naquela situação constrangedora.

Poderia até pensar que eu estava com defeito ou algo assim, mas lá no fundo eu não sabia que não. Com Ian era muito fácil ficar excitado, chegava a ser natural e um tanto constrangedor, era tão ridículo que um espirro dele provavelmente me excitaria também.

Depois de ficar um tempo encarando a Mel, que procurava qualquer reação minha, forcei um sorriso colocando a minha máscara de ‘‘está tudo bem’’ e deixando de lado todo o repúdio que eu sentia ao lado dela.

E como se eu finalmente me rendesse, eu a satisfiz, mesmo me sentindo podre por dentro, confuso, inerte e totalmente insatisfeito.

 

                                                 *************

Esperei ela sair para começar a chorar.

Enterrei a cabeça no travesseiro para sufocar o grito que dei nele em meio às lágrimas, e corri para o banheiro para me lavar e tentar esfregar cada resíduo dela.

Olhei-me no espelho por alguns segundos e vi aquele garoto pálido e com os hematomas da briga já cicatrizados. Tive vontade de cuspir nele, pisar ou bater tão forte quanto Igor o fez. Como eu pude fazer isso comigo mesmo?

O pior de tudo era que eu não tinha a bebida para esquecer aquelas cenas, elas ficariam cravadas na minha memória para sempre.

Fui em direção ao chuveiro ignorando a banheira ao lado e me encolhi no Box sentindo vergonha e pena de mim mesmo.

Então aquilo era transar?

O medo, a repulsa, a culpa... Tudo isso fazia parte daquele tabu que muitos almejavam e aplaudiam de pé? Aquilo era sexo? Aquilo era prazer?

Não senti nada além de nojo, além da vontade de esquecer cada detalhe que certamente iria me assombrar para o resto da minha vida.

Claro que poderia ter sido pior, no lugar da Mel poderia ter sido a minha mãe e aí sim eu estaria muito traumatizado. Uma das coisas nas quais eu era muito bom graças ao álcool era esquecer tudo o que a minha mãe fez comigo. Claro que eu ainda tinha fragmentos da minha infância ou algo mais recente, mas não passavam de coisas nas quais eu era muito competente em aprisionar em uma caixa lacrada a sete chaves o mais fundo possível dentro de mim, tão fundo que eu jamais poderia encontrar, nem mesmo se eu procurasse e era isso que eu ia tentar fazer com que aconteceu essa noite.

Porém o meu grande medo é que por algum motivo eu encontre as malditas chaves.

 

                                                               ***

— Ian — parecia ser a milésima vez que eu falava aquilo, e novamente ele não deu sinais de que iria me ouvir, era como se eu não existisse ou estivesse invisível.

Nada, nenhuma reação e nenhum movimento. O meu adorado motorista continuava apoiado no carro preto com os braços cruzados e fitando o vazio por trás da máscara que era aqueles óculos escuros.

— Me escuta — supliquei e quando ergui a mão para tocá-lo, ouvi ao longe o grito de Catarina e logo me afastei do Ian, que continuou na mesma posição sem mover um músculo sequer.

— Príncipe! — chamou, ofegante pela correria. — O rei está procurando o senhor.

Sem dúvida ela notou o clima pesado entre nós, mas para o meu alívio, não comentou nada a respeito.

— Já estou a caminho, Catarina — foi a deixa para que ela se retirasse, mas ela não o fez. Continuou ali parada olhando de mim para Ian. — Se apresse, Catarina.

— Mas é urgente, senhor. É sobre o casamento.

Ian finalmente se moveu assim que ouviu, apertou os lábios que tremiam violentamente e abaixou a cabeça, fitando a grama que precisava ser aparada com urgência.

— Droga! — esbravejei, desistindo de tentar falar com ele e machucá-lo sempre que eu tentava.

Virei-me em direção ao palácio, me sentindo derrotado por ser um covarde e ter desistido tão facilmente por causa de uma empregada incompetente. Ainda perguntam por que eu não gosto dela, além de fazer tudo errado aparece nos momentos mais inoportunos.

A única coisa que permitiu que eu me afastasse dele foi a promessa mental de que tentaria de novo no dia seguinte.

 

                                                        **********     

Subi as escadas com pressa, admirado pela Mel ter me deixado em paz o dia inteiro e não estar perambulando pelos corredores a minha procura.

Achei que Alejandro estivesse no salão das reuniões, mas o mesmo estava vazio, assim como a biblioteca e quase todos os cômodos da casa, que só eram preenchidos pelos seguranças, que para mim não passavam de parte da mobília.

Quase desistindo, decidi ir até o quarto dele, embora já soubesse que ele não estaria lá. Passei pelos vasos de cerâmica caríssimos que não tinham nenhum propósito, o tapete vermelho que a meu ver estava um pouco empoeirado e os quadros metodicamente enfileirados com as caras horríveis dos meus ancestrais estampadas neles.

Finalmente me encontrei no vasto corredor cujas luzes acendiam conforme eu o adentrava. Explorei a escuridão temporária até chegar ao quarto dos meus pais. Minha mãe não estava lá porque ela saia cedo para o meu alívio, então as chances de eu dar de cara com ela eram quase nulas.

Bati na porta umas duas vezes e ninguém respondeu. Como a minha paciência era mínima, girei a maçaneta dourada e empurrei a porta destrancada dando de cara com uma das cenas mais horripilantes da minha vida.

— Noah? — Meu pai gritou, mais surpreso do que qualquer outra coisa, enquanto tentava esconder seu membro com o cobertor a tempo.

Não era o fato de ele estar pelado que me deixava em estado de choque, mas sim a sua companheira que nem se deu ao trabalho de esconder os enormes seios, já que eu já tinha os visto na noite anterior.

Melanie sacudiu os cabelos vermelhos enquanto seu rosto ficava da mesma cor. Palavras não descreviam o nojo de senti ao ver aquilo.

Então no fim das contas eu estava certo, eles de fato tinham um caso.

E isso foi o que bastou para que eu empurrasse ainda mais a porta para que quem passasse soubesse daquela pouca vergonha e corri o mais rápido que consegui a fim de me livrar do desastre que a minha vida tinha se tornado. 

 

   



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