História Feel Again - Capítulo 3


Escrita por: e amberheardr

Postado
Categorias Agents of S.H.I.E.L.D.
Personagens Bobbi Morse, Grant Ward, Jemma Simmons, Lance Hunter, Leo Fitz, Melinda May, Personagens Originais, Phillip Coulson, Skye
Tags Agentes, Amanda Seyfried, Drama, Inumanos, Marvel, Poderes, Romance, Universo Alternativo
Visualizações 20
Palavras 8.751
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 3 - Provando que existe um coração.


Fanfic / Fanfiction Feel Again - Capítulo 3 - Provando que existe um coração.


Fitz se virou de frente para Blair que se aproximava de forma cautelosa dele, parando há muitos poucos metros de distância dele. Os olhos azuis do engenheiro a fitavam com certa confusão, como se ele não soubesse distinguir ou entender o que ela estava falando. Passou as mãos por seu rosto, em sentido aos cabelos claros, os bagunçando de forma um tanto fofa aos olhos dela. A respiração dele estava um pouco alterada, mas seus olhos o traiam, se desviando para o lado, como se realmente houvesse alguém ali com ele.

_ Eu.... Eu... não sei do que você... está falando. _ Admitiu depois de quase um minuto tentando se manter focado na assistente social.

_ Fitz, quem sou eu? _ A loira questionou de forma tranquila. O fio de instabilidade dele era tão fino, que a qualquer momento ele poderia surtar.

_ Você é... _ Ele pareceu confuso, mas ao mesmo tempo lutava internamente para fazer seu cérebro processar aquela questão. _ Você é a... Eu sei quem você é. Droga! _ Gritou, agitando as mãos com certa ansiedade. _ Droga, droga. Vamos, Jemma... Me ajude.

A Becker observou a cena atentamente, começando a entender os motivos de Fitz estar vendo a bioquímica ao seu lado. Ela funcionava como seu subconsciente, lhe dando as respostas que seu cérebro ainda não era capaz de processar sozinho. Com certeza ele estava vivendo baseado em lembranças passadas. E a melhor forma do consciente dele conseguir acessa - lo era plantando a imagem de sua melhor amiga diante de seus olhos. - Ela se aproximou lentamente dele, Fitz se movia de forma agitada, estava irritado consigo mesmo por não conseguir se recordar dela. E Blair queria ajuda-lo, estava tão empenhada em ajuda-lo que ela nem ao menos pensou em suas ações. Quando, enfim, quebrou a distância entre eles e agarrou o rosto de Fitz entre suas mãos, fazendo com que os olhos dele voltassem a se encontrar com os dela.

A respiração dele era rápida e pesada, mas seus olhos se focaram aos dela. Não tendo outra escolha, já que ela prendia seu rosto entre as pequenas mãos.

_ Fitz, eu sou a Blair.

_ Isso... _ Um longo suspiro escapou de seus lábios e ele rapidamente pareceu se acalmar. _ Blair Becker, a... assistente social que... Esta me ajudando. Eu... Eu sabia quem você era. _ A voz dele se abaixou alguns palmos, e ele ficou completamente estático diante da aproximação de ambos.

Blair esboçou um pequeno sorriso, que por um segundo pareceu ter sido o momento perfeito. Já que Fitz parecia completamente estável. Mas o engenheiro maneou a cabeça para os lados, agarrou os pulsos dela e afastou suas mãos de seu rosto como se não quisesse ser tocado. Deu passos para longe dela e se virou para o carro da loira estacionado logo ao lado.

_ Me leve pra casa... Por favor. _ Pediu com certa exitação, como se estivesse se esforçando para não ser grosseiro com ela.

Blair levou alguns segundos para processar o que tinha acabado de acontecer, mas antes que Fitz se irritasse com a lerdeza dela. Pescou as chaves dentro de sua bolsa e seguiu para o carro, ela destravou as portas e o loiro entrou no banco do carona, conforme ela se acomodava ao do motorista. Jogou sua bolsa no banco de trás e ligou o carro, dando a partida para sair do estacionamento e alcançar as avenidas da cidade de Washington.

O caminho de volta para o prédio de Fitz, foi completamente silencioso. Nenhum dos dois se atreveu a dizer nada, e a forma como Blair observava o engenheiro mexer as mãos e os lábios. Indicava que ele estava nervoso novamente. Ela se sentia péssima com aquilo, em não conseguir ajudar ele por completo. Se ao menos soubesse aonde Jemma estava, ela iria atrás da bioquímica e a faria se encontrar com Fitz, algo que para ela parecia ser de muita utilidade naquele momento.

Assim que parou o carro em frente ao prédio, ela desligou e retirou a chave e se inclinou para pegar sua bolsa.

_ Aonde vai? _ Fitz a encarou, fazendo com que a mesma parasse seu gesto pela metade.

_ Vou subir com você.

_ Não.... Eu... Eu quero ficar sozinho. _ Blair pensou em protestar, mas ele a impediu completando a frase. _ Por favor.

Ela se surpreendeu com as palavras gentis dele. Mesmo suspeitando que poderia ser Jemma falando na mente dele novamente.

_ Isso é você ou...

_ Sou eu. _ Garantiu, tirando o cinto e já abrindo a porta. _ Até amanhã, Blair.

Ela apenas acenou de volta pra ele, o vendo fechar a porta e seguir em direção ao prédio. Quis insistir para ficar, mas sabia que não seria uma ótima opção. Renderia apenas brigas e ele ficaria mais nervoso do que já parecia estar. Mesmo demonstrando certo controle de si mesmo.

 

Olhou pra frente e observou a rua com pouco movimento de veículos. Batia seus dedos de forma frenética no volante conforme pensava em uma maneira de ajudar o engenheiro.

 

Blair ouviu seu celular tocar antes que pudesse religar o veículo. Se inclinou para trás para pegar sua bolsa, enfiando a mão dentro dela e levando alguns segundos para encontrar o aparelho em meio a toda a bagunça presente ali. Observou novamente o nome "Boss" na tela, parecia até que ela estava sendo vigiada. Pois, ele sabia o exato momento para ligar pra ela. Mas aquele não era um bom momento, ela estava se sentindo completamente inutil com seu trabalho.

 

Observou a tela se apagar, demonstrando que a ligação havia ido direto para a caixa postal. Chegou a sentir um pouco de alívio, que durou um segundo, já que seu celular voltou a tocar e desta vez ela teve de atender contra sua vontade.

 

_ Pode falar, Coulson. _ Forçou seu tom de voz para não demonstrar toda sua chateação.

 

_ As coisas ainda estão ruins com o Fitz?

 

Por mais que aquilo tivesse sido uma pergunta. Ela tinha quase certeza de que o diretor da Shield sabia bem a resposta.

 

_ É.. _ Balbuciou um pouco sem graça. - Fitz é difícil, mas não é impossível.

 

_ Eu sei que esta fazendo seu melhor. _ Houve um breve silêncio, antes dele recomeçar. _ Preciso de você aqui na base, agora.

 

_ Sério? _ Ela arqueou uma sobrancelha. Sentindo uma alegria interna com aquilo. Havia estado na base apenas uma vez, mas havia sido o suficiente para ficar completamente fascinada pelo local.

 

_ Preciso que você de uma olhada em alguém. Já adiantou que ele é pior que o Fitz. _ Coulson pareceu sorrir do outro lado da linha.

 

_ Ninguém é pior que o Fitz _ Ela rebateu, finalizando a ligação logo em seguida.


Deu a partida no carro e seguiu em direção a base. Ligou o rádio e por alguns instantes tentou esquecer a existência de Fitz, e o fato de Coulson mencionar alguém pior que ele para que ela ajudasse. Isso realmente seria possível? Fitz era estressado, sempre de mal humor e ainda se achava superior às outras pessoas por conta de seu alto Qi, tudo bem que ele tinha total razão em se achar superior. Ele era inteligente demais e isso era admiravel. Blair até pensou em admira-lo, talvez ela até tivesse feito isso algumas vezes, mas o humor dele e a forma como a tratava. Sempre fazia com que ela desistisse de sentir qualquer tipo de admiração pessoal e passasse a sentir raiva dele.

Ainda achava um milagre ela estar conseguindo aguenta-lo por tanto tempo. Qualquer pessoa normal já teria desistido e o largado sozinho. Mas pensar no fato de que a única pessoa que sempre estava com ele o havia deixado, a fazia se sentir completamente mal em abandona-lo. Mesmo que ele demonstrasse que não precisava dela, ela sabia que precisava. Que ele sempre precisaria de alguem que o entendesse.

Mesmo que ela não fosse bem essa pessoa.

Assim que parou o carro em frente de uma das novas bases secretas da Shield. A primeira pessoa que viu, foi Coulson. Estava com óculos escuros por conta do sol daquela tarde e uma feição seria. A mesma feição de quando Blair o conheceu há alguns meses atrás. Ele parecia um pouco perturbado com os últimos acontecimentos, com certeza, a queda da Shield não era algo ao qual o deixava confortável. E ela se esforçava para não tocar no assunto, mesmo que tivesse diversas perguntas para fazer. Como qualquer outra pessoa dos Estados Unidos que começava a duvidar sobre a organização denominada Shield.

_ Boa tarde, chefe. _ Ela fez uma leve continência de marinheiro, esboçando um largo sorriso. Que não surtiu o mesmo efeito em seu superior, a deixando um tanto que desconcertada. _ Droga. _ Bateu com a mão em sua própria testa pelos seus deslizes. Se esquecendo completamente de que as pessoas costumavam trabalhar de forma mais seria. Ajeitou sua postura e recomeçou. _ Então... O senhor está bem?

_ Mediante as circunstâncias. _ Foi a única frase dele, conforme dava as costas pra ela. _ Me acompanhe, Srta. Decker.

Ela apenas obedeceu, não se atrevendo a dizer mais nada. Seguiu Coulson para dentro da base, reparando que ele a encaminhava por um caminho completamente diferente do habitual. Portas e mais portas que pareciam ser o caminho mais secreto para leva-la até o escritório dele. Como se não quisesse que ninguém a visse ali naquele momento.

Começou a se perguntar o quão secreto e perigoso era o próximo que ela ajudaria? Talvez estivesse em uma prisão de segurança máxima? Deveria ser um segredo grande demais para que nem ela mesma pudesse ser vista nas redondezas.

Odiava ter de ficar calada, e sua garganta estava começando a coçar para ela encher o superior de perguntas ali mesmo pelo caminho. Mas tinha um certo receio dele se irritar facilmente com ela e a despedir. Não queria perder aquele emprego, era seu sonho. Desde que soube que Jemma havia entrado para a Shield, ela também passou a desejar a mesma coisa. Não por ciúmes da amiga, mas por ser algo de muita importância. E se ela como uma mera assistente social estava ali, sabia que tinha seu valor. E não o queria perder de nenhuma maneira.

Coulson abriu a última porta e deu passagem para que a mulher entrasse na frente. Revelando seu escritório que estava um pouco bagunçado, repleto de pastas e pilhas de papéis espalhados entre as quatro ou cinco mesas que haviam ali. Ele caminhou até uma delas e pegou uma pasta grossa que se destacava entre as outras. Entregando para a assistente social que apenas leu o nome na capa.

Grant Ward

_ Quem é ele? _ Questionou com certa precaução. Já tinha ouvido Fitz falar dele, mas sabia apenas que ele fora o responsável pelo acidente do engenheiro e da bioquímica.

_ Tudo o que precisa saber sobre ele, está nessa pasta. Leia, e logo eu a levarei até ele.

As ordens de Coulson foram claras e bem explícitas para ela. O diretor a instruiu que se sentasse em qualquer lugar que desejasse. E a deixou sozinha com a pasta, para que lê -se todos os arquivos que haviam nela.

Blair respirou fundo e se sentou, abrindo a capa para começar a ler a primeira página. Realmente aquele homem deveria ser muito pior que o Fitz.

***

 


Depois de ler a enorme pasta aonde continha todas as informações que a Shield havia obtido de Ward. Blair não sabia se ficava completamente chocada e horrorizada, ou se ela sentia pena. Sua formação indicava que ela deveria se comportar de forma completamente indiferente mediante aquela situação. Mas ela era humana, sentia uma certa repulsa por um psicopata daquele porte. Mas também sabia que ele era humano e o quão havia sofrido durante uma boa parte de sua vida. Não poderia julga - lo apenas pelo conteúdo de uma pasta.

 

Ela teria de avalia - lo pessoalmente.

 

E era por isso que ela havia sido chamada para o Bunker. Assim que terminou de ler o conteúdo da pasta, Coulson a instruiu sobre seu mais novo trabalho.

 

Depois de lhe entregar uma escuta, gravador, monitor de batimentos cardíacos e um revólver para caso de emergência. Ele a levou até os fundos da base, aonde uma enorme porta de aço indicava o local aonde ele se encontrava preso.

 

Ela admitia que sentia um certo medo, nunca havia encarado alguém daquele nível e a segurança que fora estabelecida para ela, lhe deixava muito mais desconfortável.

 

_ Esta pronta? _ Coulson a questionou depois de pararem em frente a porta.

 

_ Não. _ Ela admitiu com certo receio.

 

_ Você vai ficar bem. É como aquele velho ditado. Pra tudo tem uma primeira vez.

 

_ Eu não gosto de primeiras vezes. A minha mesmo, foi terrível. _ Balançou a cabeça ao se lembrar de seu primeiro namorado. Mas, logo ela paralisou ao perceber a gafe que havia soltado. _ Me desculpe, senhor. Eu... Eu costumo falar muita merda quando estou nervosa.

 

A feição do diretor foi quase indecifrável. Até ele soltar uma pequena risada e pousar a mão sobre o ombro dela, como uma pequena forma de apoio.

 

_ Esta tudo bem. Boa sorte, Blair. _ Ao terminar a frase, ele abriu a porta e indicou que ela entrasse.

 

Assim que ela deu seus primeiros passos para dentro da sala, a porta foi fechada logo atrás dela. O barulho das ferrugens a fez saltar sobre o lugar, sentindo seu coração disparar como nunca na vida.

 

Ela estava sobre a parte superior das escadas. Agarrou o corrimão e respirou fundo, tentando colocar em sua cabeça que aquele seria apenas mais um homem normal com quem ela iria apenas conversar e tentar entende - lo antes de realmente saber se ele merecia ou queria ajuda. Mas por precaução e em um gesto completamente involuntário, ela levou uma das mãos para suas costas, aonde no còs de sua calça, se encontrava o pequeno revólver carregado que ela havia recebido de Coulson. O metal da arma contra seus dedos a fez relaxar por um breve momento. A fazendo finalmente tomar um pouco de coragem e descer os degraus.

 

Conforme ela descia, já podia ter a clara visão de uma pequena cela, protegida por uma parede transparente, o que parecia ser de vidro inicialmente. Mas Blair reparou nas hastes de metal que emitiam eletricidade a cada milésimo de segundos. Era uma parede de vidro protegida por descargas elétricas. E aquilo parecia ficar cada vez mais assustador, se ela não tivesse acabado de reparar no homem sentado dentro do local.

 

Ele era alto, os cabelos estavam bem volumosos e a barba precisava ser feita. Mas, ela não podia negar que ele era bonito. Ele realmente parecia ser o tipo de homem que se desse uma piscada, qualquer mulher cairia diante aos pés dele. E ela mesma se arriscaria a dizer que seria uma dessas mulheres.

 

Assim que ela alcançou o piso, os olhos dele se encontraram com os dela em um misto de curiosidade e deboche.

 

_ Olá motivo das minhas terríveis dores de cabeça! _ Ela soltou conforme se aproximava. Por um instante perdendo todo o medo que sentiu ao atravessar a porta.

 

Ele arqueou a sobrancelha em confusão e se levantou, exibindo sua altura e porte atlético por debaixo das roupas largas. Caminhou para perto da parede de vidro, mantendo uma certa distância dela, conforme avaliava a mulher de cima abaixo.

 

_ Quem é você?

 

_ Meu nome é Blair Becker. Sou assistente social e vim aqui para conversar com você, Ward. Como vai?

 

_ Preso. _ Indicou a cela como se ela não estivesse vendo com clareza a situação dele.

 

Blair não conseguiu evitar de revirar os olhos com a resposta dele. "Alguém pior que o Fitz". - Essa frase já começava a martelar em sua cabeça, a deixando irritada por se lembrar do loiro.

 

Ela olhou ao redor e enxergou uma cadeira no canto da sala escura. Caminhou até a mesma e a arrastou para o centro, se sentando bem de frente para Ward, conforme os olhos escuros dele a fitavam como se ele fosse um felino prestes a atacar.

 

Mas por sorte, o medo dela já havia se dissipado por completo.

 

_ Eu sei o que você fez ao Fitz, a grande mentira que criou para entrar pra Shield. Acredite, desde o seu último incidente, eu estou tendo muito trabalho.

 

_ Você esta com o Fitz? Que fofo. Acredito que ele já deve ter feito de mim, o próprio diabo.

 

_ Não com essas palavras. _ Confirmou, esboçando um meio sorriso. _ Então, eu estou aqui para ouvir da sua boca se você realmente não é o diabo.

 

Ele balançou a cabeça para os lados e caminhou para trás, voltando a se sentar na pequena cama ao canto da cela.

 

_ Eu não queria matar FitzSimmons. _ Ele Confessou, fazendo com que Blair levasse alguns segundos para entender que aqueles nomes eram as junções dos sobrenomes de Leopold e Jemma. _ Eu queria salvar eles, e eu salvei. Mas teve consequências.


Blair se calou por alguns segundos com aquela nova informação, uma parte dela dizia que aquilo poderia ser uma grande mentira. Mas quais eram as probabilidades de também ser verdade? O problema era que ela não conseguia ler o olhar dele, e ele não tinha gestos ou qualquer tique que entregasse suas reais intenções. E considerando a experiência que ela já tinha. Poderia considera - lo um psicopata.

Ela respirou fundo e cruzou uma perna sobre a outra, balançando a superior demonstrando seu nervosismo.

_ Bom, vamos esquecer esse assunto por agora. Eu não vim aqui falar sobre o Fitz, vim para falar sobre você.

_ O que exatamente quer saber?

_ Sua infância. _ Ela disparou de uma vez só. Observando a face calma e indiferente dele se tornar uma expressão mais dura. _ Todos têm um ponto fraco, Ward. E o seu é a sua infância.

_ Eu não quero falar sobre isso.

_ Ótimo. Então, é sobre isso mesmo que iremos falar.

Os olhos dele a fuzilaram com puro ódio, ela conhecia a infância dele e tudo o que o mesmo havia passado. E sabia que mexer com o ponto fraco de alguem, era o começo para descobrir o que esse alguém realmente era. E Grant Ward tinha um passado carregado de segredos e o motivo real para ele ter se tornado uma agente da Hidra.

_ Eu não vou falar nada para vocês.

_ Mas... _ Ela não viu argumentos diante daquilo. Ele tinha total consciência de que ela estava grampiada e a conversa deles não seria privada. _ Tudo bem, vamos tornar isso uma consulta psicológica. _ Blair se levantou, retirando inicialmente o ponto em sua orelha. Mas antes de tal ato, ainda pode ouvir a voz de repreensão de Coulson, indicando que ela não fizesse aquilo. Ela até mesmo tinha se esquecido que ele estava escutando tudo o que eles falavam, até ela ouvir a voz de seu superior. Jogou o pequeno ponto de escuta no chão. Retirou até mesmo seu monitor de batimentos cardíacos e por fim, o revólver. Chutando todos os objetos para longe dela, erguendo as mãos no ar e demonstrando estar limpa. _ Viu? Agora ninguém vai ouvir o que vamos conversar aqui. Confie em mim, Grant.

O homem se levantou novamente de sua cama e caminhou com passos bem ensaiados para perto da parede de vidro que os separava. Esboçando um largo sorriso carregado de convicção e deboche.

_ Você é louca.

_ É... Eu ando ouvindo muito isso ultimamente. _ Balançou os ombros voltando a se sentar. _ Agora, me diga tudo o que eu quero saber.

***


Na manhã seguinte, Blair percebeu que seu dia tinha tudo para dar errado. Inicialmente por ela acordar cedo demais sentindo uma terrível cólica. Ficou duas horas na cama refletindo se valia a pena se levantar para ir ao apartamento de Fitz, ela com certeza não estava com seus nervos estáveis aquele dia para aguenta-lo lhe ofendendo de todas as formas e palavras que ela nem ao menos conhecia. Mas por fim, sabia que era seu emprego e era sexta feira, ela teria o fim de semana inteiro para descansar longe do loiro. E na semana seguinte, eles iriam para o bunker, talvez se Fitz estivesse perto de amigos, ele soubesse lidar melhor com seus problemas.

Se levantou contra a vontade e tomou um longo banho. O dia havia amanhecido muito mais frio que o normal, derivado de uma garoa que caia insistentemente. Ela se agasalhou, com calça jeans, bata, um bolero e um par de botas sem saltos.

Teve preguiça de preparar o café da manhã. Então, pensou que poderia comprar algo durante o trajeto até o apartamento de Fitz. Mas como previsto, sua manhã já começou a dar tudo errado.

O elevador de seu prédio havia quebrado e ela teve de descer dezesseis vãos de escadas até a garagem subterrânea. E mesmo tendo tomado alguns remédios, a cólica ainda persistia em lhe incomodar. Dando a ela um humor nada agradável.

Entrou em seu carro e colocou a chave na ignição, falhando miseravelmente ao constatar que o motor de seu carro havia congelado por conta do frio. Insistiu mais algumas vezes, o carro nem se quer tremia ou fazia algum estalo indicando que ela pudesse ter alguma chance de esquenta-lo.

_ Ah, compra esse carro. Ele é maravilhoso e você nunca vai ter problemas com o motor congelado. Pois, ele está acostumado com qualquer clima. _ Blair começou a falar sozinha, tentando de forma inutil imitar a Voz do vendedor da concessionária. Mas parecia mais com uma voz de nojo, desprezo e deboche. _ Uma ova que é pra qualquer clima. _ Saiu do carro e bateu a porta com força o bastante para descontar um terço da sua raiva.

Deu alguns passos em direção a saída da garagem, mas ouviu seu celular tocar. O pegou na bagunça de sua bolsa e revirou os olhos ao ver o nome de seu noivo na tela. Não estava com paciência para falar com ele, as vezes até se perguntava: O que estava fazendo com ele, se não o amava?

Ela permitiu que um longo suspiro escapasse de seus lábios antes de finalmente atender a ligação.

_ Oi Julian. _ Tentou forçar seu melhor tom de ânimo. Considerando que ela estava a ponto de explodir em estresse.

_ Olá querida. Como você está? _ O tom de voz alegre do outro lado era espontâneo. O que fez a loira revirar os olhos e sentir a culpa lhe acertar por estar iludindo ele.

_ Estou bem... E você?

_ Muito bem. Eu não tenho plantão hoje. Então, pensei de sairmos, fazermos alguma coisa. Ou eu posso ir para o seu apartamento e a gente assiste um filme juntos.

_ Parece legal. _ Os olhos dela lacrimejaram. Como aquele homem tão perfeito e fofo não conseguia ter a atenção dela? _ Droga! _ Sussurrou para si mesma, passando a ponta dos dedos sobre seus olhos que ameaçavam deixar escorrer algumas lágrimas. Sua TPM estava começando a corroe-la por dentro. _ Eu estou saindo para ir ver o Fitz, levarei ele na fisioterapia e ficarei um pouco por lá. Ontem eu o deixei muito nervoso, preciso me redimir. Não sei que horas chegarei em casa, mas eu te ligo.

Houve um pequeno silêncio do outro lado e um suspiro pesado. Ela podia imaginar a cara de decepção dele naquele momento e isso a estava torturando.

_ As vezes eu sinto um pouco de ciúmes. _ Ele Confessou, acompanhado por um riso. Blair não pode deixar de revirar os olhos novamente. Ciúmes do Fitz? Ela nunca ficaria com ele, nunca mesmo. E tinha total certeza disso. _ É mais uma inveja, ele tem toda a sua atenção. Mas eu admito que isso é mais culpa minha, eu deveria abrir mão do hospital. Pelo menos um pouco e passar mais tempo com você.

Por favor, não! - A mente dela gritou.

_ Não precisa, Julian. Olha, eu vou fazer de tudo para estar em casa hoje a noite. E teremos uma ótima noite. E eu estou livre esse fim de semana, posso te perseguir pelo hospital. _ Ela sorriu, foi um sorriso forçado como se ele realmente pudesse vê-la naquele momento.

_ Tudo bem, amor. Nos vemos mais tarde. Tenha um bom dia. Eu te amo.

_ Eu também... _ Foi a única coisa que ela conseguiu sussurrar antes de desligar.

Ela teve vontade de arremessar seu celular do outro lado do estacionamento e começar a gritar o mais alto que podia. Estava se sentindo um ser humano horrível, e o fato de seu noivo ser a pessoa mais encantadora e perfeita a deixava com mais peso na consciência. Por que ela não tinha tido coragem de rejeitar o pedido de casamento dele? Se odiava tanto por isso, e agora não tinha mais volta. Ela não tinha coragem de terminar com ele, de dizer que não o amava.

Enfiou o celular de volta na bolsa e passou as mãos por seu rosto, afastando as lágrimas solitárias que começaram a escorrer sem querer. Tomou um longo fôlego e voltou a caminhar para fora do estacionamento. Rezando para que seu dia não fosse tão ruim como ela imaginava.

***

 

_ Fitz eu espero que você tenha morrido e que esse seja um grande motivo para você não me atender. _ Blair brandou sem muito humor, finalizando a ligação depois de deixar uma mensagem para a caixa postal dele.

Ergueu a cabeça e flagrou os olhos do senhor taxista, coberto por lentes escuras de seus óculos de grau.  Ela se sentiu completamente constrangida,  ao perceber que seu tom de voz no telefone havia sido alto demais. E com certeza o motorista deveria estar pensando que ela era uma alma sem coração,  ou até mesmo uma pessoa completamente perturbada. 

Mas se ela ainda não era perturbada,  estava começando a ficar.

Ainda sentia as pontadas logo abaixo de sua barriga, seus olhos vez ou outra lacrimejaram por conta da maldita TPM que a deixava extremamente sensível. 

E para piorar tudo, estava presa dentro de um táxi no meio de um enorme congestionamento.  Nunca em toda a sua vida,  ela havia visto algo parecido com aquilo. Talvez por ter passado uma boa parte de sua vida morando Verona e congestionamento não ser o tipo de frescura pelo qual os Italianos passavam.

Ela desviou os olhos do retrovisor e encarou o celular em sua mão.  Começando a se arrepender pela menagem que tinha deixado a Fitz,  não que ele não merecesse,  mas ela estava estressada e ele não atendia a suas ligações,  o que a irritava mais ainda.

Mas consequentemente, ela começava a se sentir culpada. O loiro estava muito nervoso no dia anterior e a culpa havia sido dela. Se não tivesse deixado sua curiosidade lhe guiar ao invadir a privacidade do celular dele, ou acusa-lo de estar vendo Jemma como um projeto de sua mente. Ele não teria ficado tão irritado com ela, e possivelmente estaria atendendo as ligações. 

Mas e se tivesse acontecido algo com ele? Se ele tivesse surtado e se machucado? Ou pior, se tivesse cometido suicídio? 

Céus. Ela não queria nem imaginar aquela segunda hipótese. 

E o medo de que realmente tivesse acontecido algo com ele, a fez discar o número novamente.  Um pouco mais nervosa do que antes.

Chamou... Chamou... Até cair na caixa postal de novo.

A irritação tomou conta de Blair, que teve de respirar fundo para não xingar o engenheiro,  antes de deixar uma nova mensagem. 

_ Oi Fitz. É a Blair.... De novo. Olha, eu só gostaria de pedir desculpas pela mensagem anterior. Eu estava irritada. Mas isso não é desculpa para eu desejar que estivesse morto. Só queria dizer para que ignore a primeira mensagem e que por favor, esteja vivo. Eu vou chegar logo. 

E por fim ela desligou, sentindo um suor em sua testa. Estava se sentindo completamente sufocada dentro daquele carro, mesmo que as janelas estivessem abertas e entrasse uma brisa gelada pelo veículo. 

_ Você me lembra a minha mulher. _ Blair piscou algumas vezes,  voltando a olhar para o retrovisor e encontrar novamente os óculos de lentes escuras do senhor.  _ Primeiro ela liga dizendo que deseja que eu morra e depois me liga dizendo que me ama.

_ Mas eu não amo ele.  _ A loira disparou rápido demais.  O que fez o senhor arquear as sobrancelhas grisalhas, assim como a cor de seus cabelos. _ Ele é... É apenas um cara que eu estou ajudando.

_ Você costuma desejar que as pessoas que ajuda, morram?

_ Não. É que ele me irritou. 

_ Minha esposa também me tratava assim quando éramos jovens, e estou há 40 anos casado com essa mulher,  o amor é sempre tão complicado.  _ Ele sorriu,  se inclinando sobre o banco para finalmente olhar diretamente para Blair.  Havia um enorme sorriso simpático em seu rosto por debaixo do bigode branco, o que a fez sorrir de volta para ele.

_ Acredite,  senhor. Não tem a mínima possibilidade de eu me envolver com ele. _ Esclareceu,  um tanto quanto impaciente com aquele assunto. O velhinho simpático apenas maneou a cabeça em concordância,  voltando encarar o trânsito parado logo a frente deles. Becker encarou o celular em sua mão e depois observou a nuca grisalha do motorista. _Acha que isso ainda vai demorar? 

_ Você com certeza não é daqui. _ Ele deu uma pequena risada. _ Congestionamentos assim, costumam durar horas.

_ Horas? _ A loira observou a tela de seu celular,  09:45. Ela estava quarenta e cinco minutos atrasada.  Fitz iria perder a fisioterapia.  _ Eu estou atrasada. 

_ Bom, então eu sugiro que vá andando. Por que não vamos a lugar nenhum com esse engarrafamento.  _ Ele se virou para observa-la mais uma vez.

Blair chegou a cogitar na idéia,  faltavam apenas mais cinco quarteirões.  Se ela andasse com bastante pressa, poderia chegar bem rápido e Fitz ainda teria algum tempo com a médica  - Mas realmente aquele não era o seu dia.  Mal havia completado seus pensamentos,  quando gotas fortes e pesadas bateram contra o vidro da frente e começaram a molha-la por conta das janelas abertas. O motorista apertou o botão automático e todas se fecharam, e a loira apenas pode observar a chuva torrencial embaçar sua visão,  devido a toda água que caia.

_ Que maravilha.  _ Suspirou, encolhendo-se contra o banco.

Ela queria muito encontrar Fitz naquele momento, saber se ele realmente estava bem. A culpa estava lhe consumindo e sua mente fértil criava diversas situações as quais ela se limitava a crer.  Não queria de jeito nenhum encontra-lo em um estado ruim e saber que a culpa havia sido dela.

_ Eu vou ligar o rádio,  se não se importar.  _ O senhor avisou, já ligando o velho aparelho do carro sem ao menos esperar por uma resposta.

Uma música calma e irreconhecível para ela,  ecoou pelo veículo. Por um instante a distraindo,  e ela quase tinha certeza de que o motorista parecia ler seus pensamentos e saber o que ela precisava naquele momento. Não conseguiu agradece - lo com palavras, mas esboçou um sorriso gentil ao qual ele pode ver pelo retrovisor. A música estava em um volume que a impedia de escutar a forte chuva do lado de fora, ou até mesmo os diversos carros buzinando ao mesmo tempo. Fechou os olhos e se permitiu relaxar, forçando sua mente a imaginar coisas boas e alegres.

Já havia se passado três horas quando, enfim, os carros começaram a se locomover e rapidamente o fluxo se normalizou.  Assim como a chuva também havia passado. Parecia até que o dia realmente estava contra ela,  como se não fosse o dia certo para ela se encontrar com Fitz.  Mas a falta de contato dele a fez ficar cada segundo mais aflita. 

Tanto, que assim que o táxi parou em frente ao prédio do engenheiro.  Blair saltou rapidamente de dentro do veículo,  e tirou a primeira nota maior de sua carteira, entregando ao taxista.

_ Pode ficar com o troco. _ Sorriu para ele,  recebendo um sorriso em troca.

_ Boa sorte com o rapaz que está ajudando. _ Ele acenou para ela e deu a partida. 

Eu irei precisar. - Ela pensou conforme girava sobre seus calcanhares e seguia para as escadarias da entrada do prédio.  Parando no meio do caminho ao observar um loiro vestido em um cardigã escuro se aproximar dela. Tinha o semblante sério e os olhos claramente demonstravam uma certa decepção,  ele mal havia aberto a boca.  E ela já se sentia enxotada da-li.  Mas a alegria em ver que ele estava bem, a deixou tranquila demais para que se chateasse com os olhares superiores dele. 

_ Fitz... _ Ela caminhou para perto dele,  com clara empolgação na voz ao constatar que ele se encontrava perfeitamente bem.  _ Me desculpe,  eu me atrasei.  Te deixei mensagens na caixa postal,  sugiro que escute apenas a segunda.

_ Eu ouvi todas.  _ Confessou com seu tipico mal humor.

Ela sentiu suas bochechas esquentarem com aquela constatação.  Ele havia escutado ela desejar que ele estivesse morto. Como ela esperava que ele a tratasse bem depois de uma mensagem como aquela? 

_ Olha eu...

_ O que está fazendo aqui? _ Ele a cortou,  antes que a mesma pudesse formular uma desculpa. 

_ Hoje ainda é sexta, meu horário é o dia todo com você.  Aonde estava? 

_ Na fisioterapia... Como você não... _ Ele olhou para cima ao constatar que havia esquecido a palavra, observando o céu nublado e chuvoso como se ele fosse acalma-lo e lhe dar a resposta certa.  _ Eu fui sozinho. _ Respondeu por fim.

_ Tudo bem. Olha,  eu prometo que isso não vai mais acontecer. 

_ É o que eu espero.  _ Ele voltou a  andar, passando por ela e seguindo para dentro do enorme prédio. 

_ Paciência,  Blair.  _ Ela balbuciou para si mesma, conforme começava a segui-lo para dentro do local.

Os dois subiram as escadas em silêncio,  por mais que ela estivesse louca para barra-lo ali mesmo nos degraus e lhe encher de perguntas ou até mesmo empurra-lo da-li de cima por sua ignorância e falta de educação.  Até chegou a cogitar na hipótese,  se uma nova pancada na cabeça o faria voltar a ser o que era antes. O pior que poderia acontecer,  era se ele ficasse pior do que já estava.

Balançou a cabeça afastando essas idéias malucas e continuou a subir as escadas,  começando a sentir novamente as pontadas abaixo de sua barriga,  o que a fez parar por um segundo na escada e respirar fundo.  Ela não deveria estar ali,  deveria estar em casa deitada embaixo de seus cobertores.  E provavelmente Julian levaria chocolates para ela e a mimaria o resto da noite. Não parecia ser uma má idéia,  mesmo considerando que ela não estava afim de ver seu noivo.

Assim que entraram no apartamento de Fitz, ela reparou no quão frio se encontrava do lado de fora, já que ali dentro estava quente o bastante para ela se sentir aconchegada e até mesmo notar o alívio de sua cólica.  A ponta de seus dedos ainda estavam geladas, mas nada que pudesse incomoda-la.  Fechou a porta atrás de si, e observou o loiro caminhar pela sala até se atirar no sofá,  jogando a cabeça sobre o encosto e respirando de forma profunda. 

_ Por que você não me atendeu ou me mandou uma mensagem? _ Ela recomeçou,  caminhando pelo cômodo e jogando sua bolsa sobre a poltrona disponível.  Sua mão automaticamente foi para a altura da cintura.

_ Você queria que eu... Moresse... Não?  _ Ele rebateu,  sem nem ao menos se dar ao esforço de encara-la. 

_ Eu disse aquilo da boca pra fora, porque eu estava irritada com você.  Mas eu estava preocupada, achei que tivesse acontecido alguma coisa. Não custava ter me ligado de volta,  nem que fosse para me mandar ir à merda. 

_ Eu não queria falar com... Você. 

Blair tomou um longo fôlego, batendo um de seus pés freneticamente no chão.  Deixando claro sua impaciência com ele.

_ Sabe, meu trabalho não é só ficar te visitando, é você melhorar e falar comigo também, não adianta de nada querer me ignorar porque quanto menos eu relato sobre como você está,  mais tempo eles me mandam ficar com você. _ Despejou de uma vez, finalmente atraindo o olhar dele para ela, lhe dando coragem para prosseguir.  _ Você precisa falar comigo, Fitz.

Ele a observou atentamente,  primeiro com um olhar enraivecido, depois como se achasse que ela fosse louca.  E por fim voltou a ignora-la como se não tivesse escutado nada do que ela havia dito.

Você não vai matar ele.

Não vai matar ele. 

Não vai...

Era isso que sua mente processava conforme ela respirava fundo diversas vezes para tentar se manter o mais calma possível.  Sabia que ele estava tentando tira-la do sério de propósito,  para que ela fosse embora e o deixasse em paz.  Mas ele havia escolhido um péssimo dia para fazer isso. Mal sabia ele, que ela também estava afim de irrita-lo e ia enferniza-lo o resto do dia.

Que vencesse o melhor. 

_ Eu vou fazer o almoço.  _ Blair avisou já caminhando na direção da já conhecida cozinha. 

_ Não estou com fome. _ Ele resmungou em um tom de voz alto o bastante para que ela pudesse ouvi-lo. 

_ Mas eu estou. _ A loira afirmou,  já caminhando até a geladeira.

Não havia tomado café da manhã,  seu estomago roncava tanto que ela não conseguia encontrar uma concentração para preparar um almoço mais digno. Aproveitou que tinha queijo na geladeira, e macarrão na dispensa. Era simples, rápido e gostoso.

Tirou seu celular do bolso de sua calça e o pousou sobre o balcão,  depois de selecionar "aleatório" em sua playlist.  Música iria deixa-la mais relaxada, mas pelo visto não relaxava ao engenheiro que ela ainda pode ouvir rosnar como se não suportasse a voz maravilhosa de katy Perry ecoando por todo o apartamento. 

Blair não se importou.  Ela apenas se concentrou em preparar o que comer.

Assim que o macarrão com queijo ficou pronto,  ela nem precisou chamar por Fitz.  Ele surgiu na porta antes que ela pensasse em formular o nome dele em seus lábios,  se sentou em uma das quatro cadeiras espalhadas envolta da mesa e se serviu em silêncio.  Ela o observou atentamente,  se servindo logo em seguida. O viu comer e nem ao menos demonstrar alguma feição de que havia gostado ou não,  o que por dentro a corroeu.  Ele conseguia ser irritante até quando estava calado.
 

***

Blair estava sentada na mesma mesa do almoço,  Fitz estava em pé mexendo em uma peça que parecia mais com o motor de um carro.  Ela não se atreveu a perguntar inicialmente,  Fitz ainda não estava falando com ela. Apenas balbuciava pequenas palavras que as vezes ela nem mesmo entendia. 

Perguntou se ele ainda estava vendo Jemma, mas não obteve uma resposta. Mas ela descobriu por si mesma, quando o ouviu discutindo no quarto sobre não conseguir se lembrar aonde havia deixado sua caixa de ferramentas.  Ele chamou pelo nome da bioquímica umas duas vezes, mas depois se calou.  E esse foi o momento do dia em que Blair mais pode ouvir a voz dele,  mesmo que não fosse direcionada a ela. 

A loira estava mais quieta por não se sentir tão bem quanto achou que pudesse estar.  A cólica ainda lhe incomodava, e agora não era apenas ela.  Também haviam seus hormônios que se encontravam perturbando-a. E o silêncio que Fitz havia imposto sobre eles,  a deixava completamente sufocada, começando a sentir um nó se formar em sua garganta.

_ Você quer ajuda? _ Ela finalmente tomou coragem para perguntar.

_ O que você entende sobre engenharia mecânica?  _ Como sempre não a encarou enquanto pronunciava a pergunta. 

_ Nada...

_ Então... Apenas fique... quieta. _ Ele suspirou enquanto lutava com um parafuso ao qual não conseguia desrosquear.

Blair apoiou os cotovelos sobre a mesa e apenas observou em silêncio mais uma vez.

Mas Fitz parecia começar a esquentar a cabeça, conforme forçava a chave de fenda contra o parafuso,  inutilmente sentindo suas mãos tremerem conforme ele errava o encaixe da chave.

_ Fitz,  eu acho que você está girando para o lado errado. _ Ela se inclinou para frente, usando o tom de voz mais manso para tentar explicar o erro para ele.

Ele suspirou de forma pesada, agora tentando girar a chave para o outro lado, mas seus dedos não pareciam tão firmes ao redor da chave que sempre escorregava de sua mão,  e fugia de cima do parafuso.  O deixando mais nervoso,  tanto que seu rosto começava a ficar vermelho e sua respiração um tanto mais acelerada que o normal. 

Blair se levantou,  um pouco cambaleante pela dor que sentia e o enjôo que começava a tomar conta de seu estomago. Se aproximou do engenheiro,  estendendo a mão para pegar a chave e tentar ela mesma.

_ Deixa eu te ajudar. _ Seu tom de voz foi baixo e manso, mas a resposta que ela recebeu foi o oposto de tudo o que ela poderia passar para Fitz naquele momento. 

_ Não se aproxime. _ Ele rosnou jogando a chave sobre a mesa e se afastando de qualquer tipo de contato que pudesse vir a ter com ela. 

_ Eu só quero ajudar,  Fitz.  _ Ela insistiu. 

_ Com o que? _ A voz dele parecia trêmula,  assim como os músculos de seu corpo.  _ Você não sabe o que fazer... Não... Não são palavras que vão girar esse.... Esse parafuso.  Não toque nisso,  você não tem.... Não... Não tem capacidade de fazer isso. _ Conforme falava, sua voz subia mais um palmo,  já que as palavras se perdiam em sua cabeça e ele mal conseguia formular uma frase direito. 

_ Você esta me ofendendo,  Fitz. 

_ Isso deveria ser uma... realidade para você.  Não conseguiu nem se quer me... Me ajudar. Por que... acha que vai conseguir fazer um trabalho desses?

_ Fitz... _ Ela o chamou, sentindo novamente o nò em sua garganta. Maldita TPM.  _ Eu não quero brigar com você. 

_ Mas eu estou cansado... Cansado de... Você! _ Ele gritou,  levando as mãos a cabeça como se pressionar os dedos na tempora fosse aliviar qualquer dor que ele estivesse sentindo. _ Chega... Eu não quero você aqui..  Eu não suporto ouvir você falar... Você me atrapalha... É inútil.  Não perca seu tempo com essa... Com essa porcaria... Que você chama de terapia de ajuda. Você acha que está me ajudando? você só está aqui pra me estragar mais ainda... desiste disso e para de encher meu saco.

Assim que ele se calou,  Blair não conseguiu pensar em nenhuma resposta afiada. Ela não conseguiu pensar em nada naquele momento a não ser em todas as palavras que havia acabado de escutar.

Seus lábios tremeram de forma involuntária,  conforme o nò em sua garganta ameaçava querer sair por seus olhos que ja queimavam por conta das lágrimas.  Ela fechou os olhos e respirou fundo, repetiu isso duas vezes seguidas antes de finalmente voltar a observar o loiro a sua frente.

_ Certo! _ Foi a única coisa que escapou de seus lábios trêmulos. 

Ela nem se quer olhou para o rosto dele,  não quando finalmente uma lágrimas escorreu pelo seu e ela abaixou a cabeça.  Passando por Fitz para sair da cozinha,  caminhando em passos largos até a sala. Pegou sua bolsa sobre a mesma poltrona que havia jogado mais cedo e saiu do apartamento praticamente correndo,  batendo a porta com força logo atrás de si. 

Ao alcançar o topo das escadas,  ela soluçou.  E o resto das lágrimas escorreram por seu rosto sem que ela se importasse com nada.  Desceu os degraus rapidamente,  queria gritar e as lágrimas queimavam contra sua pele,  sua cabeça dava pontadas. As lágrimas não escorriam com força o bastante, haviam muitas para sair de uma vez só.  E em um determinado momento ela teve que parar, se escorando no corrimão e levando uma das mãos a boca para abafar o soluço alto que escapou de sua garganta.

Tomou um longo fôlego e terminou de descer os degraus, correndo para fora do enorme prédio e sentindo a forte chuva gelada que caia sobre ela.  Os pingos grossos e insistentes molharam seu rosto, se perdendo por entre as lágrimas.  Seus braços foram ao redor de seu corpo,  tentando inutilmente se aquecer,  mas suas roupas ficaram molhadas rápido demais devido a forte chuva.

Ela tropeçou pela calçada, se prostando no meio fio para estender um dos braços e esperar que um dos táxis que passavam; parassem. Mas a chuva estava tão forte  que provavelmente os motoristas não a estivessem vendo no meio de tanta água. 

_ Hey! _ Ela gritou com a voz rouca, balançando os braços com certa agitação, mas nenhum veículo parou.

Por fim, ela desistiu. Sentindo o líquido quente em meio a água gelada escorrer por seu rosto mais uma vez. As malditas lágrimas que ela não conseguia controlar.  Soluçou alto mais uma vez, e levou as duas mãos para o rosto, tentando afastar de seus olhos as lágrimas e a água da chuva.

Seu corpo já começava a tremer por conta da temperatura baixa daquela noite, se misturando a torrente chuva de verão em Washington.  Ela estava congelando.

_ Blair! _ Jurou ouvir seu nome, mas pensou que pudesse ser fruto de sua imaginação.  Antes de ouvir novamente alguém lhe gritar.  _ Blair! 

Ela virou a cabeça por sobre o ombro e observou a última figura que esperava ver naquela noite. Fitz estava parado ainda nos degraus,  descendo eles devagar, conforme segurava um guarda chuva sobre sua cabeça.

_ O que está fazendo aqui? _ Ela questionou,  sentindo seus dentes começarem a bater um contra o outro por conta do frio.

_ Esta chovendo muito...

Ela deixou um riso de escárnio escapar de seus lábios ao ouvir as palavras dele. 

_ Não me diga. _ O sarcasmo foi ácido,  assim como as lágrimas que ela mal conseguia controlar.

Fitz revirou os olhos com as palavras dela,  mas não poderia desistir ali.  Terminou de descer os degraus e caminhou na direção dela,  com uma insistência que ela desconhecia.

_ É melhor você entrar, ou vai ficar... doente.

_ Eu não vou entrar. _ Rebateu batendo contra o pé no chão,  espirrando alguns pingos de água na calça dele.

_ Não seja teimosa. 

_ E você não seja insistente.  Eu não vou voltar lá pra dentro. Pra que? Pra você continuar me ofendendo? Eu sei bem quando não sou bem vinda em um lugar,  Fitz. E eu não vou mais te incomodar com a minha pessoa,  não precisa se preocupar com isso. Agora volta lá pra dentro do seu apartamento quentinho e esquece que eu existo. 

Ele suspirou,  coçando a nuca com a mão livre.  Ainda mantendo firme o guarda chuva sobre a sua cabeça.

_ Me desculpa... _ Ele soltou com pesar.  O que atraiu a total atenção de Becker, que o fitou nos olhos, esperando ver algum vestígio de mentira ou algo forçado naquele pedido. _ Eu não... Não devia ter falar com você daquela forma... Agi como um... Um... Um idiota. Por favor,  Blair.  Me perdoa e  saia dessa chuva. Não vou me perdoar se você ficar doente.

Ela piscou algumas vezes,  se sentindo completamente confusa com as palavras dele.  Começava até imaginar que pudesse estar delirando por conta de toda a chuva que lhe molhava,  esfriando seu corpo quente. Mas ele realmente estava diante dos olhos dela,  com uma expressão de preocupação que ela nunca tinha visto antes.

_ Eu estou delirando?  _ A pergunta foi mais para si mesma. Ela balançou a cabeça e o peso de seus cabelos molhados, desfez o coque que ela havia feito mais cedo, agora permitindo que as mechas loiras caíssem sobre seus ombros.

_ Vamos logo,  Blair.  Eu já pedi desculpa. Não me faça... ter que carrega-la.  _ O tom de voz mais áspero foi o bastante para fazê-la acreditar que não era uma invenção de sua mente.

Já sem paciência, Fitz agarrou o braço dela e a puxou para perto dele. Para que enfim,  ela estivesse embaixo do guarda chuva. Um espaço muito pequeno que fez o corpo pequeno,  gelado e molhado dela,  se chocar contra o seco e quente dele. As temperaturas diferentes, fizeram com que um choque percorresse por todo seu corpo,  algo que a deixou completamente arrepiada até os fios de cabelos molhados em sua nuca. Ela ergueu a cabeça para encontrar os olhos azuis dele,  tão indecifráveis quanto sua expressão. - Ela não soube se ele também sentiu o mesmo choque, mas se havia sentido soube disfarçar muito bem. A segurando com mais força para puxa-la para dentro do antigo prédio.

Ela tropeçava em seus próprios pés,  conforme ele a puxava para subir as escadas que há poucos minutos ela havia acabado de descer aos prontos. E agora se sentia muito mais pesada do que antes, sua cabeça até mesmo começava a girar e suas pernas falhavam entre alguns degraus. Por sorte,  Fitz não estava se importando se ela estava molhada.  Tanto que desceu um dos braços ao redor da cintura dela,  lhe ajudando a subir o resto dos degraus,  com uma calma e paciência que ela realmente não conseguia acreditar. Achava que estava delirando,  que poderia estar com febre e aquele não era Fitz,  poderia ser qualquer pessoa no mundo. Menos o Fitz que ela conhecia.

Ele abriu a porta do apartamento,  jogando o guarda chuva sobre o tapete de entrada. Não perguntou e nem disse nada. Ele apenas agarrou a bolsa da mão dela,  jogando no chão,  e em seguida, levando as mãos para o bolero dela . Puxando rapidamente por seus braços,  para que ela se livrasse da roupa molhada. 

_ O que está fazendo? _ Ela questionou com a voz um pouco baixa. 

_ Você precisa tirar essas roupas antes que pegue um... resfriado. Vá para o banheiro... Tome um banho quente... Vou achar algo para.... vestir. _ A voz dele ficou trêmula,  como se ele começasse a ficar nervoso novamente.  Mas desta vez não parecia estar com raiva,  suas bochechas estavam vermelhas e ela se tocou que ele estava com vergonha daquela situação.

Ela esboçou um meio sorriso, e saiu cambaleante para o banheiro. Já dentro do cômodo,  retirou todas as suas roupas,  com certa dificuldade em retirar a calça jeans colada ao corpo.  Chutou as botas e quando finalmente ficou nua. Caminhou para debaixo do box, girando o registro do chuveiro que permitiu a água quente cair sobre o corpo quase congelado dela.

A tremedeira em seu corpo foi passando aos poucos, conforme a água lhe aquecia. 

Tomou um banho rápido e se enrolou em uma das toalhas limpas disponíveis sobre a pia. Lembrou de sua bolsa,  aonde ela costumava deixar calcinhas e absorventes reservas quando precisava.  - Abriu a porta e observou o pequeno corredor vazio.

_ Fitz. _ O chamou com o timbre de voz ainda rouco pelo choro.

_ Estou aqui. _ Ele saiu de dentro de seu quarto,  parando estático no corredor ao ve-la apenas enrolada em uma toalha. Ele se encontrava vestido em uma nova roupa, uma calça de moletom e uma camisa branca com mangas curtas.  Destacando seus ombros largos e músculos que Blair nem ao menos imaginava que ele tivesse. A camisa parecia apertada,  marcando o peitoral dele.  Não era muito forte,  mas também não era um  magrelo sem músculos. Ele tinha tudo muito bem distribuído.  _ Você esta bem?

A voz dele a fez voltar a realidade.

Balançou a cabeça rapidamente,  afastando aqueles malditos pensamentos que ela mesma desconhecia. Só poderia estar começando a delirar. 

_ Han... Poderia pegar minha bolsa,  por favor? 

Ele apenas saiu rapidamente para a sala, voltando em poucos segundos com a bolsa dela em mãos. Ainda estava molhada,  mas ela sabia que o interior se encontrava seca.

_ Achei uma camisa para você.  Algo seco para usar. 

_ Obrigada. _ Blair pegou a bolsa e o moletom azul marinho. Esboçando um pequeno sorriso antes de voltar para dentro do banheiro e se trancar lá novamente.



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