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História Feel Love's Embrace - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Ponto e vírgula


POV's Samantha Lambertini

-Bem, parece que vai levar uma eternidade até eu ver a minha filha de novo – começou minha mãe assim que a garçonete deixou nossos pedidos sobre a mesa, um pão na chapa pra mim e pão de queijo recheado acompanhado de um café para ela – Foi tudo tão rápido, parece que não aproveitamos nada juntas.

Estávamos sentadas em uma das mesinhas de madeira do lado de fora da cafeteria Doce Amargo, dentro do campus da minha faculdade. Fazia uma agradável manhã de sexta-feira, o céu era azul claro e uma brisa fresca cruzava o ar, assistíamos o movimento de carros e pedestres pelas ruas e calçadas estreitas. As árvores e arbustos haviam sido aparados e as flores nos jardins pareciam recém-regadas.

-Não seja dramática, mãe, logo eu vou estar de volta – sorri antes de dar uma mordida no meu pão, delicioso – Eu sei que sou sua filha preferida.

-Não seja convencida – mandou antes de morder seu pão de queijo, seus olhos sorriram divertidos – Você é a minha única filha, não é como se eu tivesse muitas opções em relação a isso, mas, pensando bem, nós podemos adotar a Ritinha.

-Hahaha, muito engraçado, mãe – revirei os olhos e dei outra mordida no meu pão.

-Filha, você tem certeza que está bem em voltar para cá? – questionou tomando um gole do café, seus olhos me estudaram sérios – Era algo que eu e sua mãe estávamos conversando. Se quiser eu falo com a diretoria, tenho alguns amigos aqui no conselho e...

Desde que o meu relacionamento com Clarissa havia chegado ao fim, eu tinha estagnado no estagio de negação pra as coisas que envolviam sair do conforto do meu quarto/alojamento por um tempo e todo mundo ficou preocupado comigo.

Eu estava um pouco melancólica e ressentida com as belíssimas palavras que eu lia sobre o amor dentro dos livros. Elas já não faziam mais tanto sentido como antes, entende? E eu não queria que fizessem. Não com Clarissa. Ainda me lembrava do episódio do primeiro final de semana pós-termino, Tina entrou com tudo dentro do meu quarto e gritou: “você tem que superar a bad, ela eu garanto que já superou”, naquela manhã eu tinha dado graças a deus que Katharine tivesse passado a noite com o MB. Rita, também minha amiga de infância, não tinha escondido sua felicidade, já que alegava que Clarissa não era a pessoa certa para mim desde que colocara os olhos nela.

-Mãe, tá tudo bem – assegurei esticando a mão para pegar a dela, ela carinhosamente entrelaçou nossos dedos – Eu estou bem, Clarissa não vai me incomodar.

Depois de três meses sem me procurar? Acho que não a veria até a formatura, mãe.

-Olha, você que eu nunca gostei muito dela – comentou me fazendo erguer as sobrancelhas, isso era novidade – O que? Filha, se uma coisa que você herdou de mim foi o dedo podre – ela riu alto me fazendo rir - Sua mãe foi sorte na minha vida.

-Mesmo assim, mãe, já faz três meses que a gente não se fala e ou se vê – falei, ela suspirou estreitando seus olhos para mim – Ela me evita tanto quanto eu a evito, tudo bem? Foi um término maduro.

-Maduro? -repetiu com sarcasmo - Não acho que ela saiba o que é ser madura.

-Mãe - repreendi fazendo um sorriso surgir em seu rosto.

 -Às vezes esqueço que você já está tão crescida - ela esticou a mão e apertou minha bochecha.

-Assim você me magoa, mãe – atirei uma casquinha do meu pão na direção dela – Você me ama, eu sei.

-Claro que amo, peste – minha mãe sorriu mostrando todos os dentes – Eu e sua mãe te amamos mais que tudo nesse mundo, por isso nos preocupamos.

-Assim você vai me fazer chorar antes de tirarmos as malas do carro – reclamei sentindo meus olhos pinicarem – Não tá na hora ainda, dona Marina.

-Você tem razão, ainda não está na hora – ela suspirou e olhou para o relógio – Come logo esse pão, ainda quero ver se encontro a Tina e Keyla pra dar um beijo nelas e ainda tem a sua mãe tá me esperando em casa, desidratada de tanto chorar.

Acatei minha deliciosa ordem e terminei de comer rápido enquanto minha mãe falava alguma fofoca nova do estúdio. Era sempre assim, o nosso ritual. Minha mãe, Clara, não conseguia nos acompanhar nos inícios do ano letivo, pois era uma choradeira sem fim nossa quando juntas. Então, sempre nos sentávamos nas mesinhas do lado de fora do café e repassávamos as ultimas fofocas da família para que eu não me perdesse nos próximos quatro, cinco meses. Depois de pagar a conta, pegamos minhas malas no carro e fomos andando pela calçada de cimento até o meu alojamento.

O vento soprava meus cabelos para trás e eu ria dos comentários divertidos da minha mãe. Eu sabia que elas estavam preocupadas com o término do meu relacionamento, mas eu já tinha superado aquela altura. O que eu precisava era um recomeço.

Eu me sentia completa e pronta recomeçar.

-Tia Marina!-Keyla surgiu como um furacão na nossa frente – Que saudade!

-Keyla, minha flor! – minha mãe sorriu abraçando minha amiga – Você está maravilhosa, meu deus!

Engataram numa conversa sobre a lanchonete do pai de Keyla e logo Tina chegava com MB, Tato e Ellen. Jota, Juca e Anderson apareceram logo depois estacionando a minivan no meio fio, descarregando toda a bagagem dos meninos.

A verdade é que eu estava bem feliz de ter que voltar para a minha rotina de estudos e trabalhos. Se tudo o que precisava era recomeçar, que fosse com as pessoas que me amavam ao meu redor.

Pensando nisso carreguei minhas malas para cima com Tina e Ellen, deixando minha mãe em uma conversa animada com os meninos e Keyla. Tina logo dividiu as suas próprias malas entre mim e Ellen, alegando que éramos as melhores pessoas do mundo e que ficaria em divida eterna conosco. Embora eu estivesse rindo dos exageros dela, com certeza cobraria aquela exploração amigável mais tarde.

-E como foram as suas férias? - perguntou Tina arrastando a sua maior mala alojamento acima – Sua mãe tá maravilhosa, menina, que pele é aquela!

-Foram legais, fiquei um tempo na casa da minha avó e minha mãe tentou me ensinar algumas coisas de restauração, sai com Rita – ajeitei minha bolsa que escorregava para fora do ombro – Comecei aquele livro que você me recomendou, Ellen. Muito bom por sinal, obrigada!

-Eu sabia que cê ia gostar. – ela sacudiu os cabelos cacheados animadamente – Você já chegou naquela parte do...

-Não sabia que a iniciação a literatura começava hoje, não tinha nada no cronograma de aulas. –alfinetou Tina alcançando nosso andar, Ellen revirou os olhos – Acho que se tivesse mais um lance de escadas eu moraria no corredor.

Voltar ao alojamento era como estar em casa depois de uma temporada fora. O corrimão gasto com os pisos antiquados ainda não combinava com as paredes creme desbotado, mas só se você encarar por muito tempo. Eram simples quatro portas de madeira escura, uma de frente pra outra, com uma grande janela antiga com vista para o jardim da biblioteca do campus.

Caminhei até a minha porta, segunda ao lado direito da janela, e olhei para a minha placa de identificação.

200.

S. Lambertini.

H. Gutierrez.

-Hum... Meninas? –chamei a atenção de Ellen e Tina – Trocaram a menina do meu alojamento. Katharine saiu?

-Sério? – Tina abandonou as malas no corredor e pulou para o meu lado, curiosa, os olhos avaliaram o nome da garota como se fosse à coisa mais interessante do universo – Esse nome não me é estranho...

-Acho que esse ano começaram as especificas da K1, ela teve que ficar na área da saúde no lado norte – comentou Ellen destrancando a porta ao lado da minha.

-Tina, eu sei que você tenta bastante, mas – bati a mão no bolso pescando a chave dentro dele, sorri divertida para ela – Você não pode conhecer todo mundo do campus.

Ellen riu e Tina revirou os olhos pegando a sua mala da minha mão, resmungando que o nome era familiar para ela, encaixei a chave e destranquei a porta rapidamente. O quarto continuava como eu havia deixado quando voltei para a casa. As paredes creme, os adesivos no frigobar, os copos organizados na pia e o guarda-roupa ao lado da porta. O meu lado do quarto continuava com meus livros nas prateleiras e os diversos cadernos empilhados na cabeceira da cama, o meu quadro de anotações abarrotado de folhas fixadas por pequenos alfinetes, minhas anotações organizadas sobre a bancada de estudos no fundo do quarto. Larguei minhas malas sobre a cama e abri a janela ao lado da pia, deixando que o ar circulasse dentro do quarto.

Eu ouvia as vozes de mais gente entrando e começando a subir para seus quartos e Tina e Ellen discutindo animadamente sobre uma banda nova no quarto ao lado do meu.

-Toc-toc... – tem vozes que parecem um soco no estomago – Posso entrar?

E lá estava Clarissa, parada sobre o arco da porta entreaberta. Bronzeada e com mais luzes loiras, vestindo um short de cintura alta e uma blusa de alcinhas verde clara. Ela estava com um pequeno sorriso na minha direção, mas, seus olhos estavam duros.

-Clarissa. – meu tom de voz vacilou, não esperava que fosse me procurar depois de três meses – Precisa de alguma coisa?

-Eu só vim saber como foram as suas férias. – respondeu simplesmente, ainda parada no arco da porta – Vi uma foto sua com Rita...

Bem, claro que deveria ter algo no meio desse interesse repentino depois de três meses. Rita e Clarissa não passavam pela mesma porta sem que houvesse discussões e brigas. Elas não se suportavam ao ponto de Rita ter ameaçado atropela-la com o seu carro em uma discussão que ela começou no dia que minha amiga veio me visitar e eu ter perdido a noção de tempo conversando no Doce Amargo com ela. Clarissa fez um escândalo por ciúmes digno de novela e Rita não deixou barato, partindo para cima dela. Duas noites depois descobri a traição dela e terminamos. Era final de outubro e eu me voluntariei para trabalhar na organização da biblioteca, foi a melhor coisa para superar toda aquela situação.

-Entendi. – resmunguei me segurando para não revirar os olhos – Foram muito boas, obrigada pela preocupação.

-Aposto que ela ficou bem feliz com o nosso tempo, né? – insinuou me fazendo erguer a sobrancelhas, descrente – Ela sempre te quis pra ela, mesmo.

-Clarissa, nós terminamos, não tem essa de tempo. – frisei começando a ficar irritada com a menina, quem ela era pra insinuar alguma coisa? – Não reviva aquela discussão, acabou.

-Sam, me desculpa, eu fui uma completa idiota. – ela deu dois passos pra dentro do quarto, as mãos estendidas de forma suplicante – Eu mudei, me deixa te provar isso.

-Não tem o que provar. – fui firme – Não posso confiar em alguém que me traiu.

-O que foi que aquela garota colocou na sua cabeça? – reclamou aumentando o tom de voz, visivelmente irritada – Deve ter enchido de...

-Rita é minha amiga. – aprumei os ombros e apontei o dedo na direção dela, sentia meu rosto começando a ficar quente – Ao contrário de você, ela nunca me traiu. Não ouse falar dela nesse tom.

-Eu não acredito que você vai acabar com algo tão bonito, Samantha. – esbravejou me fazendo encolher ligeiramente, o jeito que ela falava me encheu com uma sensação ruim – A gente se amava tanto...

-Eu te amava, Clarissa. – esclareci com raiva, todo meu corpo se recusando a continuar ouvindo a voz dela – Agora, me de licença, essa conversa acabou em outubro e não tem mais porque dela existir.

-Samantha, eu não vou desistir de você. – anunciou se aproximando e segurando meu pulso, o tom era determinado – Eu te...

-Atrapalho algo? – questionou uma voz rouca desconhecida, foi o suficiente para fazer Clarissa perder o foco e eu soltar meu pulso num solavanco.

No limite do arco da porta, uma garota alta usando calças escuras e um par de coturnos surrados. Ela carregava duas malas e uma mochila grande nas costas e tinha o cenho franzido na direção de Clarissa com a mão ainda perdida no ar. A franjinha cobria a testa e cabelos escuros eram ligeiramente desfiados um pouco acima dos ombros, pálida, com os olhos escuros fixos na garota loira a minha frente, os lábios formavam uma linha firme e o nariz estava franzido. Tinha uma jaqueta de couro jogada sobre uma das malas e usava uma camiseta azul marinho para completar o conjunto.

-Não, não. –respondi rápido demais sob o olhar irritado de Clarissa – Já tínhamos terminado nosso assunto.

-Não tínhamos não. –rebateu Clarissa olhando brevemente para a garota – Vamos conversar em outro lugar, Sam...

-Essa garota está incomodando você? – a menina empurrou as malas para destravar a porta, ela estava claramente desconfortável com o jeito que Clarissa se movia dentro do quarto.

-Não mais. –respondi, a loira apertou os lábios a contragosto – Você já pode ir.

-Samantha...

-Você não ouviu? – sua voz foi dura e clara, os olhos escuros dela se estreitaram na direção de Clarissa – Saia daqui.

-Não acabou ainda. – garantiu antes de lançar um olhar entre eu e a garota e se virar e sair pisando duro.

Sacudi a cabeça e fechei os olhos, pedindo que para que aquilo tivesse sido um pesadelo. No entanto, quando abri os olhos à estranha olhava na minha direção com os olhos atentos e suaves. Ela havia descido a mochila pelos ombros e colocado no chão.

-Você está bem? – perguntou dando um passo incerto na minha direção – Aquela garota te fez alguma coisa?

-Era só um engano. – garanti dando de ombros, abri um sorriso me sentindo sem graça – Obrigada por me tirar dessa.

-Tudo bem, no ponto que cheguei, achei que teria que ir à delegacia logo no primeiro dia. – comentou mantendo um tom divertido me fazendo sorrir mais – Fiquei preocupada que ela já tivesse feito algo a você.

-Obrigada, de verdade, e a propósito não pude me apresentar – estendi a mão na sua direção oferecendo um sorriso - Samantha Lambertini.

-Gutierrez. – falou envolvendo sua mão pálida e delicada na minha – Heloísa Gutierrez, acho que, sua colega de quarto.

"O fim é a oportunidade do recomeço".



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