1. Spirit Fanfics >
  2. Feel Love's Embrace >
  3. Travessão

História Feel Love's Embrace - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Música: Calabouço - Scatolove

Capítulo 2 - Travessão


POV's Samantha Lambertini

-É impressão minha ou eu vi a Claris... Lica? – Tina entrava no quarto parou na metade do percurso encarando a menina de forma atônita.

-Ti-tina? –Heloísa arregalou os olhos e sorrindo de forma que seus olhos se fecharam, as bochechas corando de um jeito adorável – Caramba, quanto tempo!

-Meu Deus! –Tina se aproximou e as duas se abraçaram meio sem jeito – Faz uns dois anos? Onde tava, garota?

-Eu fui para casa dos meus avós na Europa – contou coçando a nuca, o agito dos cabelos fez com que o perfume da menina se espalhasse ao seu redor. Suave e amadeirado ao mesmo tempo.  – Passei um tempo por lá e me transferi pra cá esse ano, tava com saudade daqui.

-Europa? – Tina parecia interessada, o ombro se apoiando na parede – Que maneiro, o MB tá cursando Administração aqui, cê lembra dele?

-Sério? O MB? Claro que lembro! – a menina pareceu se animar – Pensei que ele ia assumir a profissão de herdeiro – eu ri e Heloísa sorriu na minha direção – É sério!

-Isso é bem a cara dele – concordou Tina abrindo um pequeno sorriso, ela então se virou pra mim erguendo as sobrancelhas – Aquela era a Clarissa saindo muito brava daqui?

-Infelizmente – respondi dando de ombros, Tina me olhou mais atentamente – Bom, eu vou lá me despedir da minha mãe. Fica a vontade, Heloísa.

-Pode ser só Lica – pediu exibindo outro sorriso cheio de dentes e olhos fechados – Por favor.

Sorri para a menina e passei por Tina fazendo batendo nossas mãos em um high-five. Os corredores agora tinham uma grande quantidade de pessoas e, para minha sorte, nenhum sinal de Clarissa. Encontrei um ou outro conhecido e cumprimentei brevemente apressando o passo até o térreo, minha mãe deveria ter estranhado a minha demora.

Engano meu.

Os meninos e Keyla separavam as suas malas e ela estava em uma conversa animada com uma mulher alta de cabelos castanhos curtos e um homem mediano de cabelos grisalhos. A mulher era linda e cheia de classe, embora tivesse muita simplicidade na composição de roupas que ela usava.

-Ai, Marta, eu realmente não esperava te encontrar aqui... – ela falava animadamente enquanto eu me aproximava com as sobrancelhas erguidas, sorriu pra mim – Marta, Luís, essa daqui é a minha filha, Samantha.

A mulher se virou pra mim enviando o seu melhor sorriso. O rosto era cheio de traços firmes como os de uma modelo, o pescoço esbelto, o sorriso afetuoso e os olhos carinhosos na minha direção. O homem ao lado dela também sorriu para mim, simpaticamente.

-Oi, tudo bem? – estiquei a minha mão na direção dela assim que parei ao lado de minha mãe – Samantha Lambertini.

-Que prazer conhecer a filha de uma amiga de tão longa data – a mulher tinha um aperto de uma rainha, ela voltou os olhos para minha mãe – Marina, que menina linda, você e Clara devem estar muito orgulhosa da mulher que ela esta se tornando.

-Estamos sim, Marta – a minha mãe falou me envolvendo num meio abraço – Embora eu amasse que ela seguisse minha carreira na fotografia, resolveu que ia fazer letras e não teve jeito. Teimosa igual à mãe.

-Eu também levo zero jeito de restauração, pelo menos tentei de tudo – confessei sorrindo – Letras eu pelo menos posso fazer trabalhos voluntários com as crianças.

-Minha filha também se transferiu pra cá, segundo ano de Contabilidade – comentou Luís com um sorriso orgulhoso – Sinceramente, não sei como ela gosta tanto de números assim.

-Se você tem interesse com o voluntariado na área de educação, pode visitar a minha ONG com o Luís se quiser é claro – convidou Marta e eu acenei positivamente com a cabeça, aquilo era interessante - Minha filha vai cursar artes plásticas aqui, se ela souber que sou amiga de longa data da grande fotografa Marina e nunca disse nada pra ela vai resultar uma briga em casa.

-Resolvamos isso – sugeriu minha mãe animada – Um jantar lá em casa, no primeiro feriado prolongado das meninas, vai ser um prazer pra nós recebermos vocês.

-Vai ser legal mesmo – sorri e me virei pra minha mãe – Eu só vim me despedir, ainda tenho que desfazer as malas.

-Tudo bem, querida, eu também preciso ir ou sua mãe vai ficar preocupada – ela me puxou pra um abraço apertado e cheio de beijos, grunhi envergonha com tanta demonstração pública de afeto – Eu te amo, fica bem, qualquer coisa você liga que venho correndo.

-Te amo também – assegurei dando um beijo estalado em seu rosto, me virei pra Marta e Luís com um sorriso – Foi um prazer conhecer vocês.

Keyla logo me interceptou no meio do caminho para ajuda-la com as suas malas e novamente eu me arrastava com uma mala muito pesada escada acima. MB anunciou que rolaria uma festa de boas vindas dentro do galpão só com os mais chegados, me fazendo sorrir.

-Samantinha, não tem erro – garantiu com um sorriso divertido – Só me deixa correr pra minha deusa Katharine agora, tchau gatas.

-MB não tem jeito mesmo –Tato falou rindo – Levou o dobro de advertências ano passado e continua com essas festas.

-MB é doido, mas é nosso amigo – falou Jota enquanto equilibrava uma mala no ombro - Juca, isso aqui tá pesado hein...

Keyla e eu deixamos os meninos pra trás e voltamos pra dentro do alojamento sofrendo com o transito de pessoas nas escadas. Pra nossa sorte Benê já estava no dormitório e nos ajudou assim que alcançamos o topo da escada.

-E ai, Benê, Gutinho já chegou também?- Perguntei me sentando na cama de Key.

-Sim, ele veio com o Gabriel esse ano e foram direto para o dormitório arrumar as coisas – contou organizando as coisas que o furacão Keyla bagunçava.

-Que bom – falei sorrindo, Keyla tinha desaparecido dentro do banheiro com uma bolsa de maquiagem – Bom, a gente se vê na festa do MB.

Sai fechando a porta e cruzando o corredor para ir para o meu próprio quarto.

-Te juro! – a voz de Heloísa saiu abafada pela risada de Tina – lembra da Clara? Ela se transferiu pra cá também.

-Ai, que maneiro, Lica – falou Tina assim que atravessei a porta, as duas estavam jogadas na antiga cama de Katherine – Cê vai curtir muito a galera.

-MB deixou claro: festinha no galpão hoje – anunciei enquanto entrava, Tina bateu palmas animada, me virei pra Heloísa – Isso é uma intimação.

-Partiu balada? – a menina experimentou me lançando um sorriso largo e cheio de dentes.

É fácil falar que não quer ver tanta terra em mim, ficam me olhando do canto do olho mas ninguém joga flor em mim

-Bom, meninas, eu vou precisar arrumar as minhas coisas – anunciou Tina se levantando – Seja bem-vinda, qualquer coisa me gritem, aqui do lado.

Tina saiu e Heloísa começou a revirar as suas coisas sem saber muito que fazer. Ela parecia perdida enquanto tirava as camisetas e calças de dentro da mala, jogou uns tênis no chão e continuou tirando um monte de pinceis e estojos com lápis. Ela precisava que alguém a salvasse do próprio caos que estava criando.

Tão difícil se aceitar quando seus espinhos só furam você, alguém me diz que vai

-Cê precisa de ajuda? – perguntei, enquanto colocava algumas roupas minhas dentro do guarda-roupa. Ele era pequeno e eu conseguia dividir com K1, acho que Heloísa seria moleza – Pode pegar as duas gavetas de baixo e a gente divide os cabides.

-Cê pode me salvar? – concordou amassando um monte de camisetas na mão, soltei uma risada – Eu sei que sou péssima.

Me salvar, me encantar, restaurar a fé no mundo, entrei e não consigo mais sair do calabouço

-Posso te ajudar a dobrar? – tentei apontando com o queixo pras camisetas – Vai caber mais, não vai precisar ficar passando se estiver amassada.

-Tá bom, você tem razão – pareceu considerar e sorriu de lado, ela tinha um sorriso bonito – Então, Samantha, como é a vida aqui?

- Olha, não tem o que reclamar – respondi suavemente, ela abandonou as camisetas e prestou atenção em mim – A academia fica aberta até as oito da noite, a biblioteca até as nove, o refeitório abre as seis e fecha as nove, mas tem a cafeteria que tá quase sempre aberta, as aulas começam as oito em ponto, se você gostar de piscina tem as aquecidas e as normais – ela ainda continuava me encarando com a cabeça meio inclinada, como se eu fosse muito interessante – Do que você quer saber?

Não sei em que ponto meu escudo quebrou, a gente é vulnerável debaixo dessa pele e osso, difícil acreditar quando se sabe que o remédio é placebo

-As pessoas são legais? Existe gente babaca? – Heloísa sacudiu a cabeça, como se tivesse uma brilhante ideia – Eles têm bolinho de creme?

-Sempre existe gente babaca, Heloísa – respondi sorrindo, ela deu de ombros – Sabe que eu nunca reparei nisso? Se tiver um bolinho de creme, ele vai ser seu. Por minha conta.

-É Lica, tudo bem? – falou se levantando num pulo esfregando as mãos e sorrindo – Como posso te ajudar? Antes que você pense que estou me aproveitando de você...

 

Foi fácil passar o tempo com Lica, como ela preferia ser chamada. Ela não era difícil ou muito temperamental, tínhamos muitas coisas em comum e passamos a maior parte do tempo discutindo sobre tudo e nada. Ela gostava de bandas que ninguém conhecia e tinha uma coleção enorme de camisetas sujas de tinta, as artes plásticas tinham e seus ossos, também uma mala repleta de livros e seus próprios materiais de pintura. Ensinei como dobrar camisetas e como organizar para caber mais nos cabides, ela disse que eu era espetacular no final da nossa arrumação. Quando ficamos livres ela me mostrou o seu acervo de musicas no notebook e eu mostrei a minha pasta de livros em pdf, ela caiu na gargalhada e me perguntou como eu conseguia ler tudo aquilo. Falou um pouco sobre a sua vida, família, amigos que tinha deixado aqui e na Europa e eu sobre a minha família, amigos e ela foi cuidadosa em não trazer perguntas sobre relacionamento.  A gente se deu tão bem logo de cara, como se fosse uma vida toda juntas, ou outras vidas. Sabe aquela sensação de que você deveria ter conhecido aquela pessoa a vida inteira? Quando eu olhava para Lica, tinha essa sensação.

O que era, no mínimo, estranho. Visto que ela era minha colega de quarto.

-Por que decidiu voltar, Lica? – perguntei curiosa quando ela saia do banheiro agitando os cabelos recém-lavados, ela ergueu as sobrancelhas – Digo, é a Europa, eu acho que qualquer estudante de artes plásticas adoraria ficar lá.

-Sentia falta da minha família – confessou se sentando na ponta da sua cama, ela brincava com a ponta da toalha – Da minha mãe e da minha irmã, até do marido da minha mãe eu senti – ela sorriu para mim – Além do mais tem hora que nós precisamos transformar algumas coisas, minha arte precisava de vida e inspiração novas.

-Então, você cruzou o oceano, só pra encontrar uma musa? – perguntei divertida fazendo com que ela soltasse uma gargalhada sonora, eu gostei muito do som – Serei a sua e lhe pouparei trabalho de perder tempo procurando.

-Seria um prazer pra mim – ela sorriu com os olhos estreitos na minha direção enquanto calçava os tênis – Garantia de inspiração 24h por dia.

A atmosfera ficou mais densa e eu pigarreei desviando o olhar. Batidas rápidas na porta e logo a cabeça de Tina e Keyla entravam no quarto, animadas. Lica se deu bem com as meninas logo de cara, os meninos também, logo nos misturamos enquanto íamos até o galpão para mais umas boas vindas.

-Sua colega de quarto é uma gata, hein – começou Ellen quando Lica ia à frente com Guto, Gabriel, Benê e Keyla, Tina começou a rir do meu lado – Se eu fosse você investia.

-Você conhece a regra número 1 do manual de convivência da Samantha, Ellen? – questionou Tina com um sorriso largo, revirei os olhos – Não se envolver com a colega de quarto.

-Que bobeira é essa, Samantha? –Ellen riu da minha cara, sacudi o cabelo – Cê tem um manual de convivência?

-Regras que eu sigo para que haja paz – esclareci dando de ombros, Tina ria alto – Para de rir, Cristina!

-Você sabe que isso é bobeira, né? –Insistiu a de cabelos cacheados, encarei seu rosto através do poste de iluminação – Se for pra acontecer, vai acontecer.

-Nada vai acontecer – garanti – Agora vamos pra festa.

Não que Lica não fosse bonita. Se beleza fosse realmente um problema, ela não teria. Ela era linda, podia ser até uma modelo com um jeito mais invocado. Eu podia visualizar ela em um comercial da Harley, sem duvidas. E ela tinha uma certeza na voz, uma segurança em certos assuntos que poderia se passar facilmente por uma professora PhD de férias. Fora a marra e a criatividade para bobeiras que existia no seu vocabulário. Mas, eu sequer a conhecia, né? Era só o primeiro dia dela e, embora, fosse fofa e divertida eu não sabia o que esperar.

-Chegamos – anunciou Keyla animadamente, eu podia ouvir a musica alta – Bem-vinda às boas-vindas, Lica.

-Partiu balada? – perguntou animada me lançando um sorriso.

Partiu, Lica.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...