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História Feel Love's Embrace - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Dois pontos


POV's Samantha Lambertini

Era segunda-feira finalmente e eu estava muito ansiosa para o começo das aulas. Já Lica, parecia presa no próprio fuso horário. O final de semana tinha sido muito divertido, havíamos passado maior parte do tempo juntas conversando e nos conhecendo melhor. Ela tentava me explicar algumas coisas sobre cores primárias e me ensinou a desenhar algumas coisas, mesmo com meus traços tortos e inconstantes ela me incentivou, mas eu desistia muito rápido porque era péssima naquilo. Ela tinha se dado incrivelmente bem com a nossa turma e todo mundo já gostava dela, era como viver em um episodio de Friends versão estendida.

-Eu acho que a Lica seria o Chandler, ela é cheia das piadinhas – comentou Tina no sábado de noite enquanto assistíamos o seriado. Estávamos reunidas no meu quarto, Keyla, Tina e Ellen empoleiradas na cama de Lica. Benê, Lica e eu sentadas na minha própria cama.

-Samantha é a própria Mônica, competitiva e até que cozinha bem – soltou Keyla como quem não quer nada, seus olhos estavam fixos na TV – Podem se casar e chamar o Tato pra fazer a comida, Benê, Guto e Tina pra música, MB e Ellen pra organizar, Gabriel pra decoração e Juca e Jota pra... Convidados né.

-E você? –Lica quis saber, ela estava sorrindo.

-Eu, claro, irei vestir as donzelas – vangloriou-se enfiando um monte de pipoca na boca.

-Vocês estão falando muito, não da pra ouvir o que eles estão dizendo – reclamou Benê.

-Desculpa Benê, não vamos mais te atrapalhar – cochichei pra ela.

O episodio continuava rolando e senti Lica se mexer inquieta do meu lado.

-Que foi, Lica? – sussurrei atraindo sua atenção – Tá ruim pra você?

-Não, tá ótimo – ela sorriu na minha direção – casaria comigo?

-Que pergunta é essa, Lica?

-É uma pergunta. Casaria ou não?

-Eu não te conheço direito.

-Mas vai conhecer – afirmou abrindo um sorriso mais largo que o primeiro – Casaria?

Ela inclinou a cabeça para me encarar, eu suspirei, ficava tão fofa quando fazia aquilo.

-80% de chance.

-Ótimo – declarou, satisfeita, passando o braço ao redor dos meus ombros – Os outros 20% eu corro atrás.

 

Ainda era cedo demais, quase seis e meia, mas eu já tinha tomado meu banho e me vestido enquanto Lica continuava dormindo com um braço jogado para fora da cama e os cabelos totalmente bagunçados. Era uma cena adorável de se ver. A boca dela parecia curvada em sorriso suave e eu senti vontade de fazer um carinho nos cabelos dela.

Peguei minha carteira e sai para comprar o café da manhã para tomarmos. Do lado de fora do corredor encontrei Benê se alongando com uma roupa de correr.

-Bom dia, Benê – falei em baixo – Tudo bem?

-Bom dia, Sam – respondeu conferindo o relógio – Tudo sim e você?

-Tudo, escuta, cê quer alguma coisa da cafeteria? – perguntei quando começamos a descer as escadas – Eu tô indo lá.

-Você não vai tomar café com a gente hoje? – quis saber me olhando – Por quê?

-Eu vou comprar café pra mim e pra Lica – respondi abrindo a porta para que ela passasse – Ela tá meio que no fuso horário Lica ainda.

Fazia uma manhã incrivelmente bonita do lado de fora. Céu azul e uma brisa fresca atravessam o campus, ótimo para uma caminhada.

-Sabe o que percebi, Sam – começou Benê descendo os degraus do prédio – Desde que a Lica apareceu você tem sorrido mais.

-Você acha?

-Eu não minto – respondeu e começou a dar pulinhos na calçada se aquecendo – Bom, eu vou correr, nos vemos na hora do almoço?

-Na hora do almoço – garanti.

Caminhei para o lado oposto ao que ela ia com aquela constatação martelando na minha cabeça. Benê era ótima em analise de pessoas, não tinha como discutir com ela naquele quesito e, bom, ela me conhecia há um bom tempo. Porém, ela poderia estar errada, não poderia?

-Samantha, que felicidade! – Dona Rô, a dona do Doce Amargo, uma senhora gorducha e bem ruiva, estava com sempre de avental e um sorriso – Como foram as férias, minha querida?

-Foram ótimas, obrigada por perguntar – sorri suavemente pra ela – Como a senhora está?

-Estou bem, obrigada por perguntar – ela tinha uma risada de avó – Como posso te ajudar?

-Queria um suco grande de laranja pra levar e você tem bolinho de creme? – perguntei olhando para a vitrine – Queria três.

-Lá dentro, eu volto já – falou se afastando rapidamente e entrou na cozinha.

Me distrai olhando para a variedade de bolos e tortas na vitrine, que não notei uma garota ruiva de avental se aproximar de mim pelo outro lado do balcão.

-Posso te oferecer um?  – quis saber a menina. Ela era um pouco mais velha que eu, deveria ter uns 25 anos, seu sorriso era largo e cheio de sardas espalhadas pelo nariz. Tinha uma forma atlética, com braços definidos e ombros um pouco largos – Por conta da casa.

Ela estava flertando comigo?

-Oh, não, obrigada – sorri envergonhada – Eu já fiz o meu pedido.

-Eu insisto – argumentou inclinando a cabeça ligeiramente.

Com certeza estava.

-Aqui está, Samantha – Dona Rô voltou com um pacote em mãos – Caprichei pra você.

-Obrigada, Dona Rô – agradeci pegando o pacote – Quanto te devo?

-Pode ver isso pra mim, querida? – perguntou para a menina ruiva, ela sorriu – Essa é minha neta, Samantha, Eliza.

-Claro, vó – Eliza continuava sorrindo para mim – Pode vir aqui no caixa?

-Até mais dona Rô – acenei para ela que me retribuiu brevemente enquanto.

-Três bolinhos de creme e um suco grande, 15 reais – contabilizou olhando para a tela do computador, pesquei uma nota de dez e uma de cinto e estendi para ela – Muito obrigada, Samantha, espero te ver de novo.

Sorri sem graça e sai da cafeteria sentindo minhas bochechas queimarem.

Era só o primeiro dia de aula.

 

-Sammy? – a voz rouca e sonolenta de Lica veio do pequeno corredor do banheiro e ela logo apareceu com uma cara amassada coçando os olhos – Acordei agora e você não estava na cama...

-Bom dia, fuso-Lica – brinquei fazendo com que ela abrisse um sorriso preguiçoso, coloquei o pacote sobre a nossa bancada de estudos – Eu fui buscar um café especial pra você, para o seu primeiro dia.

-E eu mereço tudo isso? – perguntou se aproximando de mim, Lica passou o braço ao redor da minha cintura e enfiou no nariz no meu cabelo antes de dar um beijo no alto da minha cabeça, ronronou – Oi, Sammy.

Se alguma das meninas entrasse no quarto diria que era uma cena de casal.

-Oi, Lica – sorri involuntariamente sentindo seu braço se apertar ao meu redor –Hoje vou pagar minha divida.

-Que divida? – murmurou com a boca contra o meu cabelo, aquilo me causou um arrepio na espinha – Seu cabelo é tão cheiroso, Sammy.

-Isso se chama lavar – comentei me desvencilhando do seu abraço, ela ainda sorria – Vamos tomar café.

Sentamos-nos nas nossas cadeiras e Lica pegou dois copos sobre a pia para tomarmos o suco e abriu um sorriso enorme quando viu o bolinho coberto de creme.

-Você é a melhor pessoa do mundo, Sammy – falou se lambuzando com o creme, sorri para a cena – Não deixe Tina ouvir isso.

Desde que a Lica apareceu você tem sorrido mais.

A fala de Benê voltou como um soco no rosto e o meu sorriso morreu. Desviei o olhar para o meu próprio bolinho e respirei fundo, Lica continuava falando de alguma coisa que eu não já não prestava atenção.

-... eu peguei e disse “Clara, você tem que entender, se você vomita na montanha-russa ela não é pra você” – finalizou rindo.

-Ei, eu preciso ir – anunciei enquanto me levantava, Lica me olhou sem entender o riso se dissipando no ar – Pode ficar com o outro bolinho, você consegue achar seu prédio?

-Sammy, tudo bem? – Lica me olhou preocupada enquanto eu me movia até a porta – Você parece meio ansiosa e ainda não é cedo?

-Não, tudo bem! – garanti forçando um sorriso, ela não parecia muito convencida – Te encontro no almoço?

-Claro, mas...

Antes que Lica pudesse falar mais alguma coisa eu puxei a minha bolsa do gancho e pendurei no ombro.

-Até depois, Lica.

Então, eu corri.

 

No almoço estávamos todos sentados na cumprida mesa cinza do refeitório. Tina e Ellen discutiam alguma coisa sobre eletrostática e Benê falava com Guto sobre música clássica. MB e Tato debatiam os planos para abrir o restaurante deles, Anderson e Keyla conversavam sobre as tendências do momento enquanto Juca e Jota programavam alguma coisa nos notebooks. Eu estava com a cara enfiada no meu exemplar surrado de Uma aprendizagem ou livro dos prazeres, de Clarice Lispector, a quem eu sempre recorria quando precisava refletir sobre a vida. Era um dos meus livros favoritos no mundo.

O maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho. É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma.

-A mais premente necessidade de um ser humano era tornar-se um ser humano – Lica se jogou na cadeira ao meu lado carregando sua bandeja de comida, um prato de lasanha bem servido e um refrigerante, seu cabelo estava uma bagunça e ela tinha um sorriso lindo nos lábios.

-O quê? – perguntei piscando rapidamente.

-Cadê o seu almoço? – ela ergueu as sobrancelhas para o espaço vazio a minha frente – Você mal tomou café da manhã.

-Tô sem fome – respondi dando de ombros enquanto os seus olhos me estudavam cautelosamente – O que você disse?

-É uma citação do livro – falou antes de cortar e levar um pedaço de lasanha na boca, apontou com o queixo na direção do meu livro – Lóri está falando de Ulisses, coragem e fé. Ela tinha medo de cair no abismo e segurava-se nele que funcionava de duas maneiras: ao mesmo tempo em que a segurava, a empurrava para um abismo. Ela tinha meio que um medo de morrer, ou morrer no próprio sentimento? Eu não me lembro, faz tanto tempo que li – Lica engoliu outro pedaço de lasanha e então me lançou um olhar profundo – Não sei do que ela tem tanto medo, você nunca vai saber se não enfrentar o que sente, não é?

Eu a encarei com as sobrancelhas erguidas, minha cabeça girando rápido de mais. Lica conhecia o meu livro favorito e o recitava com a facilidade de quem está lendo o jornal no café da manhã. Seu rosto estava tranquilo e ela me devorava em silencio com seus olhos escuros, o meu coração errou a batida.

Nota de uma observadora à distância:

Existe uma lenda japonesa que diz que existem duas pessoas estão ligadas pelo fio vermelho do destino, de acordo, os deuses amarram uma corda vermelha invisível nos tornozelos dos homens e mulheres que estão predestinados a ser alma gêmea. Não se pode fugir do destino.

-Desse jeito, Samantha vai te pedir em casamento – falou Tina, despretensiosamente, muito interessada na nossa conversa, foi o suficiente para puxar o fio que me prendia a Lica – Esse livro é o preferido dela.

-É verdade, da pra ver como está gasto nas bordas – constatou Ellen ao se intrometer, um sorriso pintando em seus lábios – Acho que ela lê isso mais que o dicionário.

-Sério, Sammy? –Lica sorria suavemente, tinha molho no canto da sua boca – Se você quiser conversar sobre o livro mais tarde, vou adorar.

Eu estava calada, segurando com força o livro entre os dedos, Tina e Ellen pareciam estar na expectativa de que eu falasse algo que comprovasse alguma de suas teorias. Desviei os olhos para a mesa cinza, o mundo girava lentamente, respirei fundo.

-Sammy, você está bem? –Lica envolveu o meu joelho com a mão, levantei meus olhos pra encontrar seu olhar atencioso e preocupado – Fala comigo, por favor.

-Hum... – pigarreei e me levantei com rapidez exagerada, sua mão ficou suspensa no ar – Lembrei que preciso entregar um livro, vence hoje o prazo da biblioteca.

-Livro? – ela ergueu seu olhar, tinha uma expressão desconfiada – Quer que eu te acompanhe...

-Imagina, Lica, tudo bem – lancei um olhar rápido para Tina e Ellen que balançavam a cabeça negativamente, Lica parecia confusa – Eu só... Te vejo de noite!

Pela segunda vez em menos de vinte quatro horas, eu sai correndo.

Era só o primeiro dia.


Notas Finais


olá, quarenteners, tudo bom com vocês? lavando a mão com água e sabão por 20 segundos? olha, tem tempo de cantar um trecho de pagode e free of virius.

peço aqui uma gentileza de vocês: comentem musicas que vocês acreditam que combinem com os capítulos pois preciso renovar meu repertório. é isso.

FIQUEM EM CASA E LAVEM AS MÃOS!


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