História Feel the Dance - Capítulo 1


Escrita por: e whitesnow3

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Kim Namjoon (RM), Park Jimin (Jimin)
Tags Dança, Deficiencia, Jimin, Jimin Center, Mcproject, Minjoon, Namjoon, Whitesnow3
Visualizações 56
Palavras 1.515
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Científica, Fluffy, LGBT, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Baseados em fatos reais, inspirado totalmente na bailarina Lin Ching Lan. Pesquisem sobre ela, porquê Lin Ching é uma ícone guerreira. Espero que tenham gostado da estória escrita!

Capítulo 1 - Esse é o primeiro passo.


Desde que conheci Jimin, ele sempre batalhou por aquilo que queria. Sempre teve que dar mais duro que qualquer bailarino daquela escola – mesmo não pertencendo àquele grupo. Estava sempre se esforçando, passando através de grandes dificuldades como se elas fossem algo simples.. Mas eu sabia que não era. Eu sabia, porque eu o ouvia chorar. Eu sentia que por trás daquele sorriso que trazia tanta leveza, tinha um menino suportando o mundo em suas costas. Tentando o erguer e mostrar que tudo aquilo ainda não era o suficiente para fazê-lo desistir.

Desde o princípio, nada foi fácil. Treinos longos e pesados, uma perfeição cada vez mais difícil de alcançar, passos cada vez mais desafiadores e tudo o que continuava dando forças para ele era sua paixão pela música.

Um dia, perguntei como ele fazia para dançar tão bem. "Sinta a dança", esse era o primeiro passo. Mas nada se comparava à ver Jimin sentir a melodia. Era algo mágico. Cada timing, cada giro, cada pirueta. Tudo perfeito. Cada gesto e expressão, ele sentia a música. Ele era a música.

Mesmo com tudo que um bailarino precisava, o garoto de fios escuros era rejeitado em todas as escolas de dança. As de perto e as de longe. Fomos em muitas. Cada vez mais decepções, cada vez mais Jimin precisava de um aumento de força e paixão, para não se dar por vencido, e eu continuava ao seu lado, mês após mês, ano após ano. Dois anos de: "infelizmente, o sr. Park não está apto à esta instituição."

Eu nunca poderia o proteger do que o mundo iria fazê-lo encarar. Mas poderia segurar sua mão e olhar em seus olhos, depois, preparar mais curativos, água e toalhas.

Em uma das noites, ele finalmente deitou no chão, ofegante. Ele se deu uma pausa. Seu olhar me chamava. Me levantei e fui até o garoto, seu rosto com uma camada grossa de suor, respiração forte. Estava esgotado. Tentou levantar o antebraço, mas antes de conseguir chegar na metade do percurso a região pendeu de encontro ao chão. Ele estava realmente acabado.

"Vou buscar mais água." Vi sua cabeça se mexer, em negação. Me abaixei. 

"Você vai ser um grande bailarino. O maior que já conheci." 

Recebi um sorriso. Deitei ao seu lado, ele precisava daquele momento. Cruzei nossos dedinhos. Após cinco minutos a respiração dele já estava bem calma. Quando me atrevi a observá-lo, Jimin dormia tranquilamente. Ele mantinha um sorriso, parecia relaxado. Me senti mais importante do que deveria. Depois de me aproximar, tirei aqueles fios teimosos daquela testa corada, assim como o resto de seu rosto, devido ao esforço. Park era realmente a pessoa mais admirável do mundo. Eu o amava. Esperava que ele me amasse também, e torci fortemente para que o mais novo não colocasse na cabeça que aquele pedido de namoro ocorreu por qualquer outro motivo que não fosse por sua personalidade incrível e o coração maior que o mundo.

Fomos até uma escola bem renomada de Seul. Jimin explicou que queria uma pequena para iniciar, assim se acostumava aos poucos com o contato com outros bailarinos. Até porquê, sempre ensaiava na sala de dança da escola. A professora de lá foi a primeira à o rejeitar. Ele praticou bastante naquele local. Por um tempo ficou sozinho, depois, tinha-me como espectador. Não tinha muito interesse em manter uma conversa com outra pessoa e, infelizmente, também tinha o quesito de grandes escolas de dança terem grandes babacas estudando lá. Eu, Kim Namjoon, estava totalmente inseguro com a possibilidade de Jimin ser tratado mal, por uma infinidade de motivos. Mesmo assim, apoiava qualquer chance que ele pudesse ter.

Quando chegamos, não demorou muito para cochichos extremamente desconfortáveis rolarem. O menor agarrou meu braço, numa tentativa de se encolher e, ao mesmo tempo, se sentir seguro por ter meu toque. Lancei um olhar cortante para três bailarinos que estavam cochichando entre si e rindo, enquanto olhavam para meu namorado. Acabei fazendo eles se afastarem, o que, sem dúvida nenhuma, me fez ficar um pouco mais confiante. Até que eu poderia proteger Jimin de algumas coisas. De algumas pessoas. Segurei sua mão, cruzando nossos dedos. Estava tudo bem. Tudo iria ficar bem. Transmiti isso com toda a força possível para o mais baixo.

Resolvi não acompanhá-lo até a máquina de guloseimas, visando dar certa independência ao menino que estava tentando "se soltar" mais. Prestei atenção na melodia que tocava. Era alta, bonita, e livre. Observei o piso, era de madeira. Suspirei aliviado. O alívio durou muito pouco, houve um certo agrupamento de pessoas ao redor da máquina e, antes que meu cérebro processasse o que estava acontecendo, meus pés me guiaram até lá. Com uma corrida um pouco desnecessária, já que não tinha tanta distância assim do local onde eu estava. Mesmo assim, era urgente. Entrei no meio, protegendo o garoto de fios escuros, que estava com o olhar perdido e dolorido.

"Calma, o que aconteceu?" E antes de conseguir receber a resposta, levei um empurrão por trás. Não fui muito para a frente, mas virei com rapidez, sem querer demonstrar que estava nervoso. Jimin iria acabar se agitando. Ouvi um garoto berrar que "esse garoto estranho" estava atrapalhando. Perguntei como, e recebi uma interpretação ridícula e preconceituosa. Meu pequeno só não conseguiu fazer a máquina destravar, enquanto o item escolhido não queria descer. Jimin saiu correndo, deduzi que ele tinha assistido aquele ato repugnante. Tinham pessoas segurando o riso, mas não tive como falar nada, só fui atrás de quem me interessava.

Dentro daquele banheiro haviam fungados e soluços. Mesmo o abraçando, ele não conseguiu parar. Tentava recuperar o fôlego – falhando, por soluçar mais –, ainda chorando com intensidade. Estava enterrado em mim, parecia querer sumir pela força que me abraçava. Respiramos fundo juntos, segurei aquelas mãozinhas, olhei aquele rostinho e dei um selar demorado. Quando separei os lábios, foquei com rapidez em seu olhar. Aquela era uma de nossas linguagens. 

"Você não 'tá sozinho." Expliquei.

"Eu só... senti como se eu não fosse nada. Como se Park Jimin não existisse. Como se eu, como pessoa, não existisse." Desabafou, me olhando atentamente, mesmo que com um olhar triste.

"Mas você existe, e é incrível. Você merece o mundo." Ajeitei os fios dele. "Eu te amo muito. Agora vai lá e mostra o que você tem. Tudo o que você tem."

Ele afirmou com a cabeça. Dei um último beijo, agora, em sua testa. O assisti sair do banheiro. Observei sua tatuagem atrás do ouvido. Era um alto-falante no silencioso. Talvez aquele rapaz não tinha visto.

Jimin era surdo.

Ele virou, sorrindo e limpando resíduos de lágrimas.

"Mesmo que se sinta vazio." Gesticulou, como sempre fazia.

"Não se jogue fora." Devolvi, esperando a continuação.

"Cruze nossos dedinhos." Sorriu mais largo ainda.

"E prometa agora." Sorri, orgulhoso da nossa curta declaração que foi inventada à certo tempo.

Fui até o backstage.

— Eu não perderia a audição dele se fosse vocês. — Informei, fingindo não me importar se eles iam ou não assistir, mas quando todos foram assistir aparentemente bem curiosos. Sorri largo.

A audição começou. Meu cérebro separou um espaço para admirá-lo e, ao mesmo tempo, lembrar de tudo que presenciei que poderia desencorajá-lo; como os próprios pais sem expectativa nenhuma de que ele tivesse um emprego que pagasse bem, muito menos que ele conseguisse virar bailarino. Sua mãe sempre o desencorajou, dizendo ser impossível, que era melhor ele estudar bastante e trabalhar em alguma lojinha. Seu pai, além de achar essa ideia imprópria e falha, ameaçava o próprio filho dizendo que se ele começasse a fazer as aulas, era para esquecer que tinha um progenitor. Aquele homem só queria ser pai de um empresário famoso. Os colegas de classe o excluíam, as professoras não gostavam de ter aulas de libras e, além de tudo, não tinha realmente uma estrutura convidativa para que ele pudesse ao menos tentar ter ânimo e se enturmar. Dificuldades extremamente cansativas e que o fortaleceram de alguma forma. Observei atentamente os dedinhos dele começarem a batucar na coxa alheia, quase que involuntariamente. Passou o tênis pelo piso de madeira, dançando exatamente quando a batida começou. Era livre, era lindo, era ele. Cada vibração, cada tom, tudo era expressado em seu corpo. O estilo de Park sempre foi único. Seguia um pouco freestyle, mas com grande toque contemporâneo. Tinha a alma de uma borboleta. Quando estava no palco, eu mesmo podia ver e sentir que ele era tão livre quanto qualquer outro bailarino que se entrega a música. Era algo extraordinário. Leve, mas forte. Belo, mas ao mesmo tempo feroz.

Sei que enquanto o garoto dançava, ele se recordava do dia em que percebeu que podia sentir as batidas da música. Foi mágico. Ele tinha como dançar, mesmo sem escutar. Seu alto senso de toque desenvolvido pela ausência de audição, juntamente com o piso de madeira, conseguia fazê-lo ter esse grande poder. Com certeza era o bailarino mais formidável que eu conhecia.

 

E, depois daquela audição, seria o bailarino mais formidável que o mundo conheceria.


Notas Finais


design: @UmaMiniArmy | betagem: @hawskyle


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...