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História Feelings - Capítulo 5


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Notas do Autor


Olá! Cheguei mais cedo hoje hehe
Gente, esquece esse negócio de horário, ok? Vai ser todo sábado sim, só não terá uma hora fixa.
Hoje vamos a visão do Natsu! Escrevi essa capítulo em um tapa, estava animada demais com ele e espero que vocês aproveitem e entrem a fundo no coraçãozinho desse ser tão preciso.
Boa leitura!

Capítulo 5 - Sentimento Temeroso


P.O.V NATSU

Desde criança, conheço a dor da perda. Sei como é ter alguém em um dia e perde-la no outro, como se nunca tivesse existido. Essa dor se assemelha a um vazio, junto com a sensação de abandono e angustia mesclada com um frio no peito e a vontade de chorar. Mesmo depois de saber toda a verdade sobre o sumiço de Igneel, ainda é difícil esquecer essa dor. Prometo a mim mesmo várias vezes que não vou deixar com as pessoas mais importantes pra mim, sumam de repente, e se sumirem, farei de tudo para acha-los. Os anos se passaram e eu novamente senti essa dor algumas vezes, quando achei que Erza tivesse morrido na torre do Paraíso, quando pensei que Gray tivesse ido para o lado sombrio e abandonado seus laços com a Fairy Tail. Todos esses momentos foram angustiantes, e me fizeram pensar que perderia meus amigos para sempre. Eu consigo esconder bem esse medo por trás de um sorriso caloroso, e um altruísmo grande mesmo nos momentos mais difíceis.

A nossa última luta foi com o Império Alvarez, sabíamos que algumas coisas poderiam ser perdidas e que a probabilidade de conhecermos o real desespero era alta, mas ainda sim não desistimos. Toda a descoberta sobre a origem do livro E.N.D, Zeref como meu irmão e ainda Acnologia, foi demais para todos, mas principalmente para mim. Senti-me ganhando e perdendo várias coisas ao mesmo tempo, e por alguns momentos, não sabia mais o que eu era e nem a qual lugar pertencia. Devo muito aos meus companheiros, não apenas da Fairy Tail, mas também de outras guildas, separados não conseguiríamos nada disso e a batalha estaria perdida.

Não me lembro de muitas coisas dessa batalha, mas uma cena ainda está viva na minha mente, a luta contra Dimaria. Lembro-me de eu e Lucy sermos capturados por ela, ainda estava desacordado, apenas ela e Lucy estavam conscientes. Recordo-me como se fosse ontem, de algo explodindo dentro de mim ao ouvir a voz de Lucy, de sentir seu cheiro e toda a sua presença. Quando acordei, vi apenas Dimaria do outro lado da parede e Lucy caída no chão. Seus olhos estavam cobertos de sangue, e mesmo eu a chamando desesperadamente, ela não me ouviu. Estava tão atordoado pelo momento, que nem ao menos reparei se ela estava respirando ou não, aquela cena me levou apenas uma conclusão: Lucy estava morta.

Senti meu corpo inteiro tremer e meus olhos derramarem as mais grossas lágrimas. Isso não podia ser real, minha Lucy não poderia ter morrido, não poderia. O que aconteceu depois veio como um borrão na minha mente. Lembro-me de encontrar Gray, lutar com ele e depois ver Erza. Mesmo parecendo totalmente inconsciente dos meus atos, eu estava sofrendo. Senti como se meu coração tivesse sido arrancado e pisoteado naquele momento, o sentimento de perder Lucy foi o pior que já senti em toda a minha vida. Mesmo depois de estar mais controlado, aquela dor estava ali me lembrando que eu não a protegi, que por minha culpa Lucy estava morta. Minhas emoções começaram a se misturar tão forte dentro de mim, que apenas cai. Cai no chão totalmente derrotado por meus próprios sentimentos. Qual era o sentido de tudo? Essa luta valeu a morte de Lucy? Nada vale isso, Lucy é única e para mim, é tudo. Pouco tempo antes de eu apagar completamente, ouço sua voz. Pensei que fosse alucinação, que estaria morrendo e me encontrando com ela. Fiquei feliz, mesmo fora desse mundo eu ainda poderia estar com Lucy, viver para sempre do seu lado, como um desejo que eu não entendo, mas quero. Todos os meus pensamentos e constatações foram embora quando senti braços finos e quentes me rodeando, era Lucy. Não preciso olhar e nem ouvir sua voz, era ela, eu sabia disso. Sua presença é tão constante em minha vida que mesmo não a olhando, ouvindo sua voz ou sentindo seu cheiro, eu sabia que era ela. Acompanhada de Happy, os dois me envolveram em um abraço terno e quente, antes de eu apagar novamente.

Essas lembranças ainda machucam, dois anos depois ainda fazem o mesmo estrago que foi nesse dia. Eu quase perdi a Lucy, na verdade, por alguns momentos tive a certeza que a tinha perdido. Novamente senti a dor da perda, aquela que eu já disse reviver alguns momentos, mas nenhuma tão forte quanto essa. Fui fraco e Lucy se machucou por minha causa, mesmo dando tudo de si para que eu acordasse, usando seu próprio corpo para me esquentar, ainda sim, não pude protegê-la. Não tem como a culpa não me corroer ao lembrar-me desse dia, a dor e vontade de chorar vem sempre com esse pensamento, mas tento não deixar com que ele domine totalmente meu corpo. Ainda posso fazer algo no presente, ainda posso continuar protegendo Lucy e dando tudo de mim para que ela fique segura a onde quer que ela vá.

De dois anos para cá sinto como se tivesse exagerado com ela, mesmo que a mesma não tenha dito diretamente sobre isso, ainda sim eu sinto. Vejo como Lucy fica nervosa e um tanto tímida com essa aproximação, e entendo o porquê disso. Penso que é normal essa reação, tendo em vista que eu não lhe expliquei nada do porque da minha atitude e não pretendo fazer isso. A verdade é que não sei como eu deveria falar para Lucy, talvez algo como, “Então Lucy, eu me aproximei de você por medo de perdê-la novamente, e prometo te proteger com a minha vida para sempre”. Essa é a verdade, mas não uma que eu possa contar para ela, tenho medo da sua reação. Consigo imagina-la surtando por conta disso e me dizendo algumas coisas confortantes e um pouco sinceras demais para o meu próprio bem estar, por isso, o silêncio está sendo meu melhor amigo esses anos.

Temo acordar e não ver mais Lucy ao meu lado , então, não estou arrependido dessa aproximação, sei que estou com as melhores intenções, quero apenas o seu bem. Mas eu deveria imaginar que essa aproximação traria algumas consequências para nossa relação, e eu não estou sabendo lidar com isso. Lucy e eu nos conhecemos já tem bastante tempo, e logo nos tornamos amigos, melhores amigos. Todo o carinho que temos um com o outro é normal para o carinho de amigos, mesmo Gajeel dizendo ao contrário, então o modo como nos tratamos não deveria mudar, mas mudou. Estou tentando ver onde eu errei nessa aproximação, em que momento Lucy começou a se envergonhar e se afastar cada vez que eu me aproximo. Quero saber por que eu quero ficar tão perto dela, agora sem a intenção de apenas protege-la, mas também de poder ficar ao seu lado, sorrir com ela. Outra coisa que me deixa confuso é o seu sorriso, nunca fui de reparar nessas coisas, mas agora, quando ela sorri, meu coração acelera. Ele realmente acelera, como se eu tivesse corrido por vários quilômetros, ou tivesse lutado até cair. Não estou sabendo lidar com isso, então prefiro pensar que é uma reação normal a uma aproximação de amigos.

Tenho tido algumas conversas com Gajeel, nada diretamente relacionado à Lucy, mas sim a ele e Levy. Não sei se deveria, mas é normal para mim ele estar falando algo de casal sobre os dois e eu relacionar isso a mim e Lucy. Em minha defesa, Gajeel fala algumas coisas que realmente fazemos, falamos ou que penso em relação a ela. Jogo toda essa bagunça em cima dele, se não fosse por essas conversas, eu não ficaria esse misto de confusão, ignorando esses sentimentos estranhos e tentando me convencer de que nada mudou, ainda somos os mesmos. Mesclo minhas emoções quando estou perto dela, e acredito estar fazendo um ótimo trabalho. Fico feliz por ter uma boa audição e ouvir o coração de Lucy acelerado com a minha aproximação, agradeço por saber que ela não tem essa mesma habilidade para ouvir o meu, batendo igual ou tão mais rápido que o dela.

Sinto-me inseguro com relação a esses novos sentimentos, sei que Gajeel ou Gray poderiam me explicar melhor sobre eles, mas ainda sim, tenho medo. Depois dessa descoberta vem o que? Como ficamos e agimos? Não é tão fácil sair de uma rotina confortável e entrar em algo completamente novo, ainda não estou preparado para isso. Preciso preservar minha relação com Lucy no agora, como amigos que se entendem e se ajudam sempre dispostos a fazer qualquer coisa para que o outro fique bem. Meu coração aquece ao constatar que minhas preocupações com Lucy, são as mesmas que as dela comigo, é um companheirismo mutuo. Ainda não entendo esses novos sentimentos, mas os de agora, vou guardar como meu bem mais precioso.

[...]

Já é de manhã quando volto para casa, já se tornou rotina dormir a maioria das vezes com Lucy, e como não quero constrange-la de nenhuma maneira, apenas saio antes que ela acorde. Normalmente sempre levanto antes dela, passo um tempo admirando seu rosto sereno dormindo, gosto de vê-la relaxada e sem preocupações. Já tem algumas semanas que noto Lucy mais inquieta que o normal e isso me deixa preocupado, mas não quero falar nada por enquanto, espero que um dia ela possa compartilhar comigo suas aflições, ficarei feliz em ouvi-la. No momento meu maior desafio é lidar com um gatinho azul raivoso, que parece estar doido para enfiar suas garrinhas em mim.

— Onde você estava Natsu?! – pergunta Happy raivoso

— Err...por ai – respondo vago

— Por ai não é uma resposta convincente! Poxa, eu fiquei preocupado com você – fala chateado – Chego e não te vejo em casa, e olha que quando eu cheguei ainda estava escurecendo.

— Tive que dar uma saída, me desculpe não ter avisado – sorri sem graça

— Quase fui à casa de Lucy, mas estava com tanto sono que só dormi.

Esse é o momento que eu falaria para Happy que sim, eu estava na casa de Lucy e ele levaria numa boa, sempre acabamos por lá de qualquer maneira. Só que essa vez não foi como as outras, e tenho medo de não controlar minhas emoções o suficientes para mostrar a ele que dormi lá como das outras vezes, mesmo sentindo que teve algo a mais.

— De qualquer forma, estou aqui e com sono – digo bocejando

— Vai dormir de novo?

— Apenas por alguns minutos, daqui a pouco vou para guilda – digo na me deitando

— Eu já vou indo, combinei de encontrar com Charle, vai ficar por ai mesmo? – pergunta já levantando asas e saindo

Apenas resmungo em concordância, ouvindo a porta abrir e logo fechar. Deito de barriga para cima e encaro o teto pouco atrativo. É normal meus pensamentos serem direcionados a Lucy constantemente, ainda mais em um local silencioso e teto sem graça, ela aparece sorrateiramente de maneira rápida. Não reclamo por isso, gosto de pensar nela, lembrar do seu cheiro, do seu rosto, corpo e tudo que faz a Lucy ser ela mesma. Lembro-me de falar para Anna, a antepassada de Lucy, que confiei e me senti confortável perto dela desde o inicio, mesmo não sabendo quem era só por ela ter o cheiro de Lucy. Não entendi muito bem o que aquilo poderia significar, ainda mais depois de confirmar que eu gostava sim da Anna-sensei e compara-la a Lucy de modo automático, aquela reação de Gajeel e a vergonha de Lucy foi no mínimo estranha, mas não me interessei em perguntar na época.

Viro para o lado para tentar dormir, meus sonos só são completos quando durmo com Lucy, ela me acalma e conforta de uma maneira que não entendo, mas funciona perfeitamente bem. Infelizmente acordo muito mais cedo que o normal, apenas procurando levantar antes dela, e continuo com sono. Quero descansar meus pensamentos para enfim, poder dormir mais um pouco. Gosto de passar todo tempo possível na guilda, então, se eu demorar muito a dormir, vou perder o resto do meu dia aqui, a ultima coisa que eu quero é que isso aconteça. Infelizmente não dá para forçar um descanso, tenho que respirar fundo e deixar que minha mente se encarregue do resto.

Ali, na minha casa, tenho um pequeno descanso. Minha mente ainda parecia trabalhar na imagem de Lucy, pois mesmo dormindo, senti como se ela tivesse ali do meu lado, valando meu sono e invadindo os meus pensamentos, da forma mais linda e única que apenas ela tem.

 

 

 


Notas Finais


Se está lendo essa nota, agradeço por chegar até aqui!
Meu perfil no twitter para surtos e o que vocês quiserem : https://twitter.com/LiaBacci
Se alimentem, bebam água e só saiam de necessário.
Até sábado que vem *-*


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