História Feito à Três - Capítulo 1


Escrita por:

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Categorias EXO
Personagens D.O, Kai, Sehun
Tags Kaisoo, Sekai, Sekaisoo, Sesoo, Sookai
Visualizações 2.606
Palavras 10.859
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus amores. Como estão?
Faz algumas semanas que não posto nada e agora cá estou eu com um threesome poliamor sekaisoo, não preciso dizer mais nada, né? Quem me segue lá no twitter sabe que o plot foi doado pela Helen e eu fiquei muito, muito feliz em escrever.
Espero que vocês se apaixonem pelos personagens da mesma forma que eu me apaixonei.

Capa feita por @ humpexo
Betado pela belíssima @ DulceVeiga

Capítulo 1 - 1. Nós


 

 

Era de se esperar que não demoraria nada para que aquela maldita máquina pré-histórica viesse a dar problema. Mas tinha que acontecer justo naquele momento? Estava organizando uma infinidade de projetos importantes e não sabia nem o que seria capaz de fazer se perdesse todo o trabalho que tão minuciosamente tinha feito até aquele momento. Mas que grandíssima merda, xingou, e num acesso de raiva chutou a mesa, só para se arrepender logo em seguida quando uma dor no dedão do pé se alastrou pelo resto do corpo. Junmyeon, o colega de mesa, franziu as sobrancelhas em uma clara expressão de repreensão e Kim Jongin precisou lutar contra o ímpeto de mandar que ele fosse se foder por ficar bisbilhotando.

Tentando recobrar o autocontrole, voltou a ligar o computador e foi recepcionado pela imagem do Windows inicializando. Por longos e intermináveis minutos. No entanto, o computador não saía daquela tela nem com a reza braba que Jongin começou a fazer em pensamento. Por favor, Deus, por favor, realmente seria uma pessoa melhor se obtivesse algum sucesso em ligar aquela velharia… Com seus conhecimentos precários de tecnologia, tentou ligar mais uma vez, chutou a fonte de alimentação e então sentou na cadeira e massageou demoradamente as têmporas, o suor já começando a molhar a camiseta social abotoada até o pescoço.

Pensou que não havia como piorar, no entanto foi surpreendido novamente pela vida assim que o chefe — em um terno caro feito sob medida e sapatos tão lustrosos que cegariam um desavisado — apareceu no campo de visão com uma xícara de chá e a mesma cara frequente de poucos amigos.

— Você já me enviou os arquivos por e-mail? — Kyungsoo perguntou baixo. Ele era um homem discreto e quase nunca levantava a voz, talvez por isso fosse tão intimidador. Jongin sentiu uma gota de suor descendo pelo pescoço e se perdendo na gola da camiseta. — É pra hoje, Kim.

— Eu sei, senhor. Tive alguns probleminhas com o computador, sabe… Mas já estou resolvendo. Vou enviar os arquivos em quinze minutos. — Por sorte, a voz saiu com muito mais confiança do que sentia realmente. Era impossível que conseguisse enviar os arquivos para o e-mail do chefe em menos de 2 horas caso houvesse perdido os arquivos já previamente organizados, mas não queria parecer um desastre na frente do homem que pagava seu salário há 2 anos. — Desculpa por… Hm, atrasar?

Kyungsoo olhou para Jongin quase que indiscretamente, os olhos sérios e centrados, antes de assentir com a cabeça duas únicas vezes.

— Você precisa aprender a gerir melhor seu tempo, Kim. — Kyungsoo pontuou e acertou firme e forte na autoconfiança de Jongin. — Não é a primeira vez que você atrasa ou se atrapalha com coisas simples. Não quero começar a ser mais incisivo com… — Kyungsoo fez uma pausa, aparentemente pensando na melhor palavra para usar naquele momento. — ...com as punições.

— Sim, senhor. — A voz de Jongin foi quase um sussurro ininteligível.

Só voltou a sentar na cadeira quando viu Kyungsoo se afastar e sumir dentro da própria sala, e o estômago se remexeu desconfortável porque iria detestar decepcionar o chefe. Sabia que era um pouco atrapalhado no trabalho — e apesar de ter melhorado muito com o passar do tempo, ainda acabava tendo, sim, alguns probleminhas para gerir o tempo e conseguir cumprir suas obrigações nas 8 horas diárias de sua jornada de trabalho. Estava cansado de levar trabalho para casa, e igualmente cansado de levar advertências verbais não muito sutis. Até o momento, não havia recebido nada além de avisos, mas não demoraria até que o chefe imprimisse uma punição formal e, quem sabe, culminasse numa belíssima justa causa por ser um completo desastre no ambiente corporativo.

— Procura o garoto do TI de uma vez, Jongin. Esse problema não vai resolver sozinho só com a força do pensamento. — Junmyeon revirou os olhos e apontou com a cabeça para o telefone em cima da mesa. — É o ramal 4, abre um chamado e procura o Baekhyun.

— Ai, que inferno… Eu vou ser demitido. — Jongin resmungou, prestes a puxar o telefone do gancho quando sentiu uma presença às suas costas e se virou na cadeira giratória, temendo encontrar o chefe fungando em seu pescoço. No entanto, era só Oh Sehun bisbilhotando a tela do computador com seus olhinhos perspicazes.

— Problemas por aí? — Sehun perguntou, apoiando o copo de café na mesa. — Isso vive acontecendo na minha máquina, já passou da hora de trocar essas velharias… Quer uma ajudinha?

— Por favor! — Soou um pouco veemente demais no pedido, mas estava desesperado. — Nunca aconteceu comigo e eu preciso entregar uns documentos pro senhor Do em… — olhou o relógio no pulso — 12 minutos.

— Sai daí, garoto. — Sehun ocupou a cadeira macia de Jongin e os dedos longos e afilados se moveram precisos e rápidos no teclado, abrindo telas azuis em comandos que o moreno nem sabia que existiam. Em outras circunstâncias, teria até admirado a rapidez e a experiência que Sehun demonstrava, mas não parava de olhar para o relógio no pulso. Os quinze minutos estavam se extinguindo e, se demorasse um pouquinho mais, teria que aparecer na sala do chefe com o rabo entre as pernas e anunciar mais uma vez o próprio fracasso em cumprir as ordens dele. — Molezinha… — Sehun clicou uma última vez no enter e a máquina começou a inicializar. — Prontinho.

— Ah, graças a Deus… — Ocupou o próprio lugar na poltrona outra vez assim que o desktop apareceu e imediatamente abriu o e-mail, o coração aliviado quando percebeu que estava tudo guardado nos rascunhos. — Porra, nem sei como te agradecer. Você salvou meu emprego, cara.

— Que nada. — Sehun encostou o quadril na mesa de Jongin e o moreno não deu muita atenção, já que estava finalizando o anexo de alguns arquivos no e-mail. — É só me pagar uma cerveja depois do expediente que tá tudo zerado.

Jongin riu com um meneio de cabeça. Nunca tinha conversado diretamente com Sehun, exceto saudações educadas quando se encontravam nos elevadores ou nos corredores da empresa, ou quando se esbarravam em alguma festa de negócios. Ele parecia um cara legal e estava constantemente pensando mesmo que precisava começar a fazer algumas amizades, porque não era saudável viver só de trabalho.

— Não lembro a última vez que tomei uma cerveja depois do expediente… — Jongin suspirou aliviado assim que enviou todos os arquivos para o chefe e finalmente encostou as costas no estofado da cadeira, se permitindo respirar. Caramba, tinha escapado por um triz daquela vez.

— O Kyungsoo é um carrasco, né?

— Ele só gosta de estar no controle de tudo. — Coçou preguiçosamente os olhos e pensou no quanto o chefe era controlador em todos os aspectos, sem deixar de perceber que Oh Sehun tinha chamado o senhor Do pelo primeiro nome. — Eu não tenho muito do que reclamar.

— Ele pega um pouco mais pesado com o Jongin do que com o resto de nós. — Junmyeon, que nem tinha sido chamado na conversa, opinou para Sehun. — Mas é porque ele… funciona melhor quando é pressionado.

Jongin ficou constrangido com o comentário. Não era de hoje que Junmyeon era inconveniente, mas não queria parecer grosso ou pretensioso — e, bom, não era como se fosse mentira. O chefe Do realmente acabava pegando um pouco mais pesado com Jongin do que com os outros, mas isso acontecia porque o moreno era aquele que mais apanhava para conseguir fazer as coisas direito. Apesar do pulso firme, Do Kyungsoo nunca era abusivo ou humilhava os funcionários — no máximo advertia verbalmente em tom baixo para que ninguém mais ouvisse, por mais que suas orelhas vermelhas denunciassem para todo o escritório quando recebia alguma bronca.

— Enfim… — Pigarreou para limpar a garganta e lançou um olhar de esguelha para Junmyeon. — Vamos nos encontrar lá embaixo no fim do expediente, Sehun.

— Fechado. — Sehun voltou a segurar o café até então abandonado em cima da mesa de Jongin e se encaminhou para a saída da sala. — Até depois.

Jongin até iria responder, no entanto o som anunciando um novo e-mail apareceu no canto da tela e gelou ao perceber que o remetente era o chefe.

 

Minha sala. Agora.

 

Com pernas trêmulas, levantou e tentou ajeitar os cabelos enquanto caminhava na direção do escritório individual do chefe. Bateu timidamente na porta antes de ouvir um “entre” na voz grossa de Kyungsoo, e tentou fingir que não estava temendo uma repreensão por ter entregado o trabalho fora do prazo. Estava com os olhos baixos quando parou em frente à mesa dele.

— Sim, senhor?

— Você revisou os documentos? — Kyungsoo perguntou, tirando o óculos de descanso e esfregando a ponte do nariz como se estivesse muito estressado. Jongin gelou ao perceber que a resposta para aquela pergunta era negativa. Não tinha revisado os documentos antes de enviar e sabia que uma bronca estava por vir, mas ficou mudo. — Onde que anda a sua cabeça ultimamente, Kim?

— Desculpa, senhor, eu vou revisar tudo agora mesmo e envio ainda hoje os arquivos.

— Não. Deixa pra lá, eu faço isso… — Jongin não conseguiu olhar para o chefe. Novamente estava fazendo alguma coisa errada e Kyungsoo até que era muito controlado. Qualquer outra pessoa estaria acompanhando-o diretamente até o setor de Recursos Humanos para que pudesse assinar a demissão. — Andei pensando e vou te relocar de setor.

— O quê? — Finalmente olhou para o chefe, os lábios grossos entreabertos pela surpresa. — Por quê? Eu sei que tenho estado um pouco disperso ultimamente, mas, senhor…

Um pouco é pegar leve, Kim. Tenho a sensação que algumas questões pessoais possam estar interferindo no seu trabalho. Vou colocar Junmyeon como meu assistente e te transferir para auxiliar o meu irmão. — Kyungsoo se ergueu da cadeira e deu a volta na mesa. Mesmo sendo notavelmente mais alto, Jongin sempre se sentia pequeno na frente do chefe. Ergueu os olhos na direção dele, tentando não demonstrar o quanto aquela notícia tinha sido como um soco direto no estômago. — Você entendeu?

— Entendi, mas… o senhor tem certeza disso? — Sentiu como se estivesse agindo como uma criança. — Quero que o senhor continue sendo meu chefe.

— Você sabe quem manda nesta empresa. — Kyungsoo tinha uma voz tão grossa que era difícil não acabar sucumbindo à qualquer um de seus desejos. Abaixou os olhos e assentiu com a cabeça, mesmo discordando do que tinha sido decidido. O chefe ameaçou dizer mais alguma coisa enquanto o olhava, mas então fez um gesto com a mão para dispensá-lo. — Aproveite o resto do dia para limpar sua mesa, já deixei Kyungmin avisado.

— Certo… — A voz não passou de um sussurro quando deixou a sala.

Para completar o constrangimento, enquanto limpava todas as coisas em cima da mesa e as enfiava cuidadosamente em uma caixa de papelão, Junmyeon olhou de esguelha, sem conseguir disfarçar a curiosidade. Jongin travou o maxilar e fingiu que nada estava acontecendo, mesmo que o pescoço e as orelhas estivessem pegando fogo. Que vergonha…

— O mercado de trabalho não tá fácil hoje em dia, né? —Junmyeon pontuou, quase como se estivesse limpando o terreno. — O senhor Do não é de aceitar falhas…

— É. — Jongin disse. Estava se perguntando se valia a pena assinar uma justa causa só pelo prazer de quebrar o nariz do colega de trabalho com um soco bem dado no meio da fuça. Antes que pudesse dar vazão aos pensamentos assassinos, saiu da sala carregando a caixa e tentou apertar o botão do elevador com o cotovelo. — Você é um merda, Jongin, claro que o chefe ia cansar das suas burradas…

Baekhyun, o carinha do TI, apertou o botão do elevador enquanto Jongin quase deixava a caixa cair no chão com seu conjunto precioso de canetas novinhas — nem usava direito já que quase tudo era feito no computador, mas gostava de tê-las por perto porque eram bonitas e coloridas. Realmente fazia jus à sua orientação sexual.

— Foda, né? — Baekhyun disse, apontando para a caixa com um meneio de cabeça. — Quer uma ajuda aí?

— Não precisa, valeu. E, ah, eu não fui mandado embora. É só mudança de setor.

— Tô sabendo, cara. O chefinho mandou eu te acompanhar pra configurar sua máquina nova.

— Ah. — Fez Jongin, amuado. Aparentemente o senhor Do estava mesmo convicto da decisão que tinha tomado e as chances de convencê-lo do contrário seriam quase zero. — Foda.

— É… foda.

Eles desceram no andar onde ficava o setor de Do Kyungmin e Jongin sempre ficava meio estranho em lugares novos. Coincidentemente, era o andar onde o cara que tinha consertado seu computador trabalhava e ele estava digitando alguma coisa furiosamente no teclado novinho cheio de luzes. Jongin ficou ainda mais constrangido por aparecer lá de supetão.

— E aí, Oh? — O carinha do TI tocou os cabelos escuros de Sehun. — Qual a boa de hoje?

— Sexta-feira, cara, dia de maldade. — Sehun disse e os olhos foram parar imediatamente em Jongin, logo em seguida descendo para a caixa que ele estava carregando grudada no peito como uma armadura. — Dia ruim?

— Fui relocado. — Murmurou, quase sem voz. — Foda, né?

Sehun riu e se encostou melhor na cadeira.

— Kyungsoo pega mesmo pesado com você.

Novamente, percebeu, ele estava chamando o chefe pelo primeiro nome.

— Ele só faz o que acha que é melhor para a empresa. — Jongin andou até a mesa que já estava ocupada por Baekhyun e, enquanto ele fazia as configurações, começou a organizar as coisas.

Quase todo mundo tinha um porta-retratos em cima da mesa, e Jongin gostava de se sentir um pouco mais parecido com os outros, então arriscou levar uma de suas fotos preferidas para colocar em cima da mesa. Era a foto que mais gostava no mundo: uma foto de si mesmo deitado de bruços na cama, enrolado em lençóis brancos e macios, um solzinho preguiçoso entrando pelas cortinas. Todos que viam costumavam rir e elogiar a autoestima de Jongin, mas o moreno a mantinha lá mais pelo fotógrafo do que pelo fotografado. Tinha sido uma noite incrível.

— Foto bonita. — Baekhyun elogiou.

— Obrigado.

— Eu e o Jongin vamos beber depois do trabalho… — Sehun falou, talvez um pouco alto demais considerando que Kyungmin estava no escritório ao lado. Não queria fazer parecer para o chefe que era dado a farras com o pessoal do trabalho logo no primeiro dia que aparecia por lá depois de ser rejeitado por Kyungsoo. — Tá a fim de ir junto?

— Bem que eu queria… — Baekhyun estalou os dedos e bocejou. — Eu sou estagiário, tenho aula à noite.

— Eu sempre esqueço que você mal saiu das fraldas ainda… — Sehun piscou um dos olhos. — E você tem quantos anos, moreno? Não quero dar álcool pra um menor de idade.

— Vinte… — Jongin demorou algum tempo até perceber que a pergunta tinha sido direcionada à ele. — Mas já entrei de férias na faculdade.  

— Não pegou exame em nenhuma matéria? — Baekhyun quis saber e Jongin negou com a cabeça. — Caramba, meus parabéns. Eu peguei exame em todas, cê acredita?

Rindo, Jongin se sentiu um pouco menos pior. Era muito inteligente — inteligente acima da média, como todos frisavam com frequência — mas era um pouco distraído e desastrado, o que acabava sobrepujando as partes realmente boas. Talvez por sua inteligência ainda estivesse dentro da empresa, mesmo sendo tão novinho.

— Caramba, tô me sentindo velho… — Sehun mexeu em alguma coisa no computador e a impressora começou a trabalhar. — Mas pelo menos já estou formado com mérito e honra.

— Meu sonho… Não aguento mais ter que deixar de fazer sexo porque preciso estudar. — O carinha do TI choramingou e Jongin ficou meio chocado por ele estar falando algo daquele tipo no trabalho. As paredes eram finas. — Sinceramente, o que nós não fazemos por um diploma?

— Duvido que você esteja deixando tantas mulheres assim na mão, Byun. — Por longos segundos, Jongin sentiu o coração falhando uma batida ao ter certeza que tinham sido flagrados por Kyungsoo. Ele apareceu na sala, os cabelos meio bagunçados, os primeiros botões da camisa social abertos. — Até porque com certeza não tem uma fila delas te esperando na porta da empresa.

Baekhyun corou um pouco e revirou os olhos, e foi quando o chefe riu que Jongin percebeu que aquele não era Kyungsoo, e sim Kyungmin, o irmão gêmeo. O chefe jamais iria conversar tão abertamente com os funcionários daquele jeito — e, principalmente, não iria rir daquele jeito.

— Puxa, chefe… — Baekhyun lamentou.

— E você deve ser Kim Jongin… — Kyungmin falou e Jongin assentiu com a cabeça, olhando para os próprios pés. Havia alguma coisa nos Do que fazia com que ele se sentisse pequeno, mesmo sendo um homem maior do que os gêmeos. — Fique à vontade e… Hm, tente não quebrar nada.

— Sim, senhor. — Enquanto concordava, ficou se perguntando se sua fama estava mesmo se espalhando pela empresa e concluiu que, bom, era provável. Principalmente tendo um colega fofoqueiro como Kim Junmyeon.

— O senhor Kyungmin é muito mais tranquilo… — A voz de Sehun voltou a preencher a sala assim que o chefe pegou as folhas impressas na impressora e voltou para a própria sala. Jongin não pôde deixar de perceber que agora ele tinha usado um termo mais formal para se referir ao outro chefe.

— É o que dizem…

Permaneceu o resto do dia calado, pensando em como as coisas poderiam mudar tão rápido. Naquela manhã chegou no trabalho pontualmente às 07h pensando que seria só mais um dia normal, e agora estava sentado num ambiente novo sob a supervisão do irmão daquele que até algumas horas era seu chefe. Se soubesse que as coisas mudariam daquela maneira, com certeza teria pensado duas vezes antes de levantar da cama. Pelo menos tinha combinado de sair para beber com Sehun — e só Deus e o próprio Jongin sabiam o quanto precisava pra porra de uma noitada  daquelas.

Os dois desceram o elevador juntos e deixaram as bolsas no carro de Sehun, optando por andar até o barzinho na esquina porque com certeza não haveria vaga para  estacionar em plena noite de sexta-feira.

— Mas por que o Kyungsoo te botou pra correr?

— Não foi bem botar pra correr. — Corrigiu Jongin, achando o termo um pouco depreciativo. — Foi mais como dar uma ordem educada.

Sehun riu e enfiou as mãozonas dentro da calça jeans, olhando Jongin pelo canto de olho.

— Dizem que você é protegido do chefe.

— Eu? — Foi a vez de Jongin soltar uma risada. — Sou tão protegido que na primeira oportunidade, como você disse, ele me botou pra correr. Ah, aposto que é o Junmyeon que inventa uma merda dessas…

— Acho que ele não acreditava no seu potencial pra ser assistente de um homem como o Kyungsoo.

Um homem como o Kyungsoo. Lá estava novamente Sehun falando do chefe como se os dois fossem velhos amigos e era estranho para um caralho ouvir alguém falando o nome dele daquele jeito.

— De qualquer forma, agora ele conseguiu me substituir. — Um sentimento amargo subiu pela garganta assim que lembrou que o seu cargo seria ocupado pelo colega fofoqueiro. — Mas já aviso que qualquer assunto relacionado a trabalho vai estar terminantemente proibido assim que a gente entrar no bar, entendido?

— Entendido, capitão.

E Sehun realmente manteve a palavra quando se sentaram em uma mesa encostada à parede e pediram cervejas e uma porção gorda de batata frita com bacon. Com os dedos engordurados e já na quarta cerveja da noite, Jongin começou a realmente olhar para Sehun. Percebeu como era meio que charmoso o queixo torto dele, e gostava da curvinha que os lábios dele faziam, como se sempre estivesse querendo rir de alguma coisa que só ele sabia. Os cabelos, agora bagunçados e caindo no rosto, eram como uma espécie de charme a mais. E ele sentava na cadeira como um homem rico faria, uma espécie de classe de quem tinha algum pé na realeza. Ele parecia um homem caro com as mangas da camisa social dobradas nos cotovelos, os primeiros botões abertos, a gravata já escondida no bolso da calça.

Costumava manter a própria sexualidade fora de pauta em praticamente todas as interações sociais, simplesmente porque viviam em uma sociedade preconceituosa e não queria parecer mais deslocado do que já era. No entanto, enquanto Sehun ria de alguma coisa, Jongin sentiu-se subitamente atraído por ele de uma maneira que não se sentia há algum tempo. Bom, tinha vinte anos e só transara com um homem em toda vida, então, sim, era um tanto quanto inexperiente e não fazia ideia de como flertar.

— Nesse mesmo dia, o meu amigo Minseok me ligou e perguntou se eu tava bem. Aí eu falei que tava dirigindo pro trabalho e comentei que o tempo tava feio pra caralho, e ele: mas tá um sol da porra, Sehun. E eu falei, não, mano, não tá, olha essa neblina. Cheguei no escritório e a neblina tava lá dentro também e eu comecei a pensar que tinha alguma coisa muito errada acontecendo. Passei o dia inteiro sem enxergar direito e quando cheguei em casa adivinha só…

— O quê? — Antes do desfecho da história, Jongin já estava sorrindo.

— Eu tinha colocado sabonete líquido nas minhas lentes de contato ao invés de soro fisiológico quando cheguei bêbado em casa.

Jongin desabou numa risada e quase derrubou a cerveja na mesa.

— Sério? E como que você não ficou cego, cara?

— Não fiquei cego, mas enxerguei embaçado por uma semana e ainda tive que jogar minhas lentes novinhas fora… — Sehun era bom em contar histórias, e Jongin nunca imaginou que ele pudesse ser assim tão divertido. Estava com os olhos brilhando e sabia disso, mas poderia culpar a bebida que estava deixando-o imprudente.

— Você deve ser um bêbado engraçado… — Jongin não conseguia parar de sorrir. — Eu quase nunca saio pra beber, queria ter umas histórias dessas pra contar.

— Então o que faz no seu tempo livre?

— Ah… nada tão excêntrico quanto confundir sabonete líquido com soro fisiológico. Desde que comecei a trabalhar não lembro qual a última vez que não acabei levando coisas do escritório pra terminar em casa…

— Você tá tocando no tópico proibido! —Advertiu. — Trabalho tá vetado, lembra, capitão?

— Oh, desculpa…

— Me fala mais de você, moreno.

Jongin não gostava de falar muito de si mesmo, porque sempre que precisava fazer isso lembrava o quanto era desinteressante e chato, muito diferente de Sehun que, até aquele momento, tinha parecido um cara incrível e cheio de feitos para contar — a maioria deles engraçados e meio incríveis.

— Bom… tô na faculdade com as melhores notas da turma. Quando tinha doze anos venci uma olimpíada de matemática e sai no jornal local da cidade como O Gênio de Bucheon, e minha mãe recortou e colocou num quadro na sala de visitas. Eu… hm, atualmente moro sozinho num apartamento de sala e cozinha porque fica mais perto do trabalho, e minha única companhia é meu gato.

— Uau! O Gênio de Bucheon, é?

— Foda, né? — Jongin abaixou os olhos para a própria caneca de cerveja e bebeu um gole demorado para ter o que fazer com as mãos. — Acho que esse foi o ponto alto da minha vida.

— Nenhuma namorada? — Sehun estava com um meio sorriso nos lábios.

— Ah… nenhum namorado. — Jongin murmurou baixo em resposta, as orelhas quentes de vergonha por estar falando que era gay assim, na cara dura, para um cara com o qual nem tinha intimidade o suficiente.

— E tá procurando por alguém?

— Não no momento, acho que não funciono lá muito bem pra relacionamentos.

— E por que você acha isso?

Sehun não tinha feito grandes comentários sobre a orientação sexual de Jongin e o moreno estava realmente grato a ele por isso. Lambeu o lábio inferior com a pergunta e abaixou os olhos para as próprias mãos, de repente muito constrangido para encarar o outro nos olhos.

— Eu sou um pouco… não sei como usar a palavra certa, mas eu sou meio carente emocionalmente e tenho medo de acabar me tornando um estorvo pra alguém, e sem falar que não tenho uma autoestima lá das melhores…

Sehun assentiu com a cabeça e Jongin quase o ouviu falando um foda, né? por entre lábios entreabertos. No entanto, ele pareceu compreender o que o moreno queria dizer. Sentiu-se mal por ter feito com que um clima pesado se instalasse entre os dois e quis tão desesperadamente voltar ao clima gostoso que havia antes entre eles que, sem pensar direito, segurou a mão de Sehun que estava em cima da mesa com um sorriso que tentou soar convincente.

— E você, alguma namorada? — Perguntou.

— Ah, só algumas fodas casuais… Acho que eu também fujo um pouco de relacionamentos por enquanto.

— Pelos mesmos motivos?

— Não, acho que pelos motivos contrários… Eu sou muito independente e isso acaba assustando as pessoas. Acho namoro um negócio tão… clichê.

Sehun não afastou a mão, o que seria de se esperar de um homem heterossexual. Ao invés disso, ele virou a palma da mão para cima e deslizou lentamente a pontinha dos dígitos por entre os espaços da mão de Jongin, fazendo com que um arrepio gostoso subisse pela boca do estômago. Ficou vermelho na mesma hora e tentou esconder quando usou a mão livre para dar um novo gole na cerveja que começava a esquentar em cima da mesa. Logo em seguida, sentiu medo de estar interpretando algum sinal errado.

— Não posso discordar de você. — A cabeça de Jongin estava leve como uma folha de papel quando respondeu, mordendo o lábio inferior para tentar esconder um sorriso. — É melhor manter mesmo as coisas no casual.

Sehun apertou seus dedos e, devagar, afastou a mão. Ele chamou novamente uma das atendentes e pediu mais uma cerveja para ambos.

— Você ainda tem que dirigir de volta… — Jongin lembrou sob a névoa alcoólica. — Pega leve.

— Tá bom, mamãe. — Mesmo com a afirmativa, ele voltou a beber assim que as cervejas geladinhas pousaram na mesa como virgens. Jongin, que tinha prometido que aquela seria a última da noite, também deu um gole demorado e era incrível como álcool tinha um gosto melhor depois de bêbado. — E você ainda precisa pegar a sua bolsa no meu carro…

— Leva pra mim na segunda. — Jongin estava com o crachá de identificação, a carteira e o celular no bolso da calça, as coisas que realmente importavam. — Eu moro aqui do lado e acho que não aguento uma caminhada até o estacionamento do trabalho sem dar de cara no chão.  

— Espertinho… Esse meu serviço de motoboy vai ter um preço, viu?

Jongin riu de novo — nossa, ele não conseguia parar! — e assentiu com a cabeça, a ideia de chamar Sehun para dormir em seu apartamento soando perigosa e letal em seus ouvidos. Mas, se convidasse, talvez mostrasse segundas ou terceiras intenções, mesmo que estivesse só tentando ser prestativo ao impedi-lo de dirigir levemente embriagado. E, bom, não saberia como reagir se fosse rejeitado. A autoestima de Jongin já andava maltratada o suficiente depois de ser botado para correr pelo chefe. E, merda, estava pensando de novo no trabalho…

No fim, resistiu à vontade de chamá-lo para dividir sua cama queen e os dois saíram do barzinho quando o lugar estava começando a lotar de verdade, beirando às duas da manhã.

— Você é divertido. — Jongin achou as palavras patéticas assim que elas deixaram seus lábios. — Eu não lembro qual a última vez que ri tanto assim, sério.

— Você também é, Kim Jongin. — Havia perigo brilhando nos olhos dele assim que eles alcançaram a faixa onde Jongin iria atravessar para chegar no próprio apartamento. Sehun, quase preguiçosamente, olhou para a boca de Jongin e lambeu o próprio lábio inferior. Era o tipo de flerte barato que fazia o sangue ferver. — Vou roubar sua bolsa e levar tudo o que tem de valor.

— Só uma camiseta e alguns band-aids do super-homem. — Jongin desejou que Sehun o beijasse, mas ele permaneceu parado e o sinal verde abriu. — Até segunda?

— Até, moreno.


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Jongin, depois de um banho demorado, já conseguia sentir a embriaguez abandonando seu corpo. Álcool costumava durar tão pouco assim? Não fazia ideia, mas secou os cabelos com uma toalha branca e deitou nu em seu colchão macio e limpinho cheirando a lavanda — tinha tirado do varal cedinho naquela manhã, antes de trabalhar. Tinha conseguido manter o chefe longe de seus pensamentos muito bem até aquele momento, usando álcool e Oh Sehun e suas conversas engraçadas como armadura, mas agora estava pensando no senhor Do, na expressão séria em seu rosto quando anunciou que ele seria relocado de setor por questões pessoais interferindo no trabalho. Mordeu o lábio inferior e puxou o celular, que até o momento estava pousado no criado mudo, e procurou os contatos até encontrar o número que procurava. Mesmo depois de todos aqueles meses, ainda sentia como se ter o número dele no celular fosse como possuir um bilhete premiado da loteria.

Hesitou por meio segundo antes de clicar no ícone verde de ligar e pressionou o celular contra a bochecha. Céus, era tão tarde… Mas não conseguiria relaxar sem ouvir a voz grave dele antes de dormir.

— Alô?

O estômago de Jongin repuxou assim que ouviu a voz séria. Percebeu que eram quase três horas da manhã.

— O-oi… — Murmurou, quase um sussurro. — Eu… eu acordei o senhor?

Kyungsoo demorou alguns segundos para responder e a respiração de Jongin ficou pesada.

— Não. Eu não estava dormindo… O que deseja, Jongin?

— Queria falar com o senhor.

— Às… duas e cinquenta e seis da manhã?

— Sim. — Jongin mordeu o lábio inferior e fechou os olhos, mesmo que o quarto já estivesse completamente escuro.  — Quero saber se fiz alguma coisa errada.

— Você acha que fez alguma coisa errada? — Kyungsoo perguntou lentamente, a voz sussurrada e macia que causou arrepios na pele de Jongin.

— Eu acho que não fiz nada certo. — A voz ia ficando gradativamente mais baixa. — Não quero ficar longe do senhor…

— Eu falei pra você… — O chefe suspirou do outro lado da linha. Queria saber como ele estava naquele momento. No escritório de seu apartamento? Usando um pijama? Ainda vestindo as roupas sociais do dia a dia no escritório? — Assuntos pessoais andam interferindo no seu desempenho no trabalho. Fiz para o seu bem.

 — Ou seja, eu fiz algo errado.  — Sentiu a garganta apertando e pegou para si mesmo a culpa. Sabia que não andava desempenhando bem seu trabalho, mas a ideia de não ver o chefe todos os dias era apavorante. — Eu tô com saudade do senhor.

Novamente, Kyungsoo demorou para responder. Jongin se encolheu embaixo dos lençóis e apertou com força o telefone contra a bochecha, tentando normalizar a respiração.

— Já disse que não precisa me chamar desse jeito quando não estamos no escritório. — A voz de Kyungsoo agora era menos incisiva. — Está com saudade?

— Sim… — Suspirou contido. — Será que o senhor pode falar comigo? Quero ouvir a sua voz… Só um pouco.

— Onde você tá, Jongin?

— Em casa.

— Em que lugar da casa?

— Na cama. — A voz soou tão baixa que temeu que o chefe não ouvisse.

— Você tá vestindo o quê?

— Nada. — Soprou, sentindo a própria nudez esfregando o lençol. — E o senhor?

— As mesmas roupas da manhã… Exceto os sapatos e o terno.

— Hm… — Agora conseguiria mentalizá-lo melhor. — Isso me faz… pensar…

Kyungsoo riu do outro lado, um riso rouco e grave. O corpo ficou inteirinho tenso.

— Pensar que tipo de coisas, Jongin?

— Gosto do seu cheiro no fim do dia. — Jongin deitou de bruços no colchão, o corpo ficando quente. — Queria que o senhor me colocasse no seu colo.

— E o que você pretende fazer no meu colo?

— Ah, senhor… — As orelhas de Jongin ficaram vermelhas e apertou com mais força o celular, sem saber em que momento aquela ereção esfregando o colchão aconteceu. — Tudo o que quiser.

— De você eu quero muitas coisas, Jongin. — O chefe fez uma pausa antes de continuar. — Me ligou quase três da manhã pra me deixar de pau duro?

— Eu consegui? — Lambeu os lábios com a língua. — O senhor… ?

— Sim. — A voz de Kyungsoo era quase uma carícia. — Você é um garoto mau, Jongin.

— Eu sou?

— Sim, você é. — A voz do chefe era cada vez mais firme e intensa. — Sabe disso… E sabe o que eu faço quando você se comporta desse jeito.

— Por favor… — Jongin se esfregou na cama e gemeu com o atrito da ereção contra o colchão macio. Espremeu as pálpebras, a respiração difícil. — Gosto quando o senhor bate na minha bunda.

Kyungsoo riu, grave e rouco. Ele era tão masculino… Gostava de como ele sempre olhava sério quando estava prestes a tocar em Jongin. Gostava de como ele sempre sabia falar a coisa certa. Sentia-se pequeno perto dele e gostava disso.

— Quer que eu te conte um segredo? — Jongin assentiu com a cabeça antes de perceber que ele não poderia ver. — Eu também gosto de como a sua bunda pula na minha mão toda vez que eu te dou um tapa.

Tremeu e sentiu uma guinada no pau, expelindo pré-gozo o suficiente para que a cama ficasse molhada. Gemeu tão manhoso que as bochechas queimaram, vergonha e tesão nas mesmas proporções.

— Quer que eu te conte outro segredo? — Kyungsoo continuou. — Já coloquei meu pau pra fora das roupas.

A boca de Jongin encheu de saliva.

— Queria estar aí… — Jongin lambeu o lábio inferior e se esfregou no colchão. — Com o seu pau na minha boca.

— Ah, se você tivesse alguma noção do quanto amo os seus boquetes… Você chupa um pau como ninguém. — Jongin amou o elogio e sentiu tanta vontade de estar com Kyungsoo que agarrou o lençol da cama com a mão livre na intenção de reprimir a frustração.

— Só o seu, senhor… Eu amo, amo o seu pau. Quero tanto ele na minha boca de novo, vou te chupar tão gostoso…

— Você é sempre muito dedicado, Jongin…

— Ah… — Queria sentir o peso do corpo de Kyungsoo em cima do seu naquela cama. Queria sentir os lábios dele deslizando pela nuca, beijando seu corpo inteiro. — O senhor não pode vir aqui?

A respiração do chefe se tornou ruidosa do outro lado da linha.

— São três horas da manhã.

— Eu sei, mas… — Tentou não soar como uma criança mimada, mas falhou. — Tô com tanta saudade.

— Tenho que terminar alguns relatórios, Jongin. Você me interrompeu…

A repreensão suave não foi o suficiente para acalmar o corpo febril e excitado de Jongin, que soltou um gemido arrastado e se esfregou contra o colchão mais uma vez.

— Senhor… — A voz dele era arrastada quando chamou pelo outro. — Posso me tocar? Quero que você escute.

— Você não precisa da minha permissão, Jongin.

— Gosto quando você me dá ordens. — Confessou, enfiando a mão entre o colchão e sua barriga para envolver o pau duro entre os dedos. Tremeu inteiro e grunhiu, os olhos revirando por baixo das pálpebras em um arrepio intenso. — Molhei minha cama inteira…

— Segura seu pau com força, do jeito que eu faço, e bate uma bem gostosa…

— Sim… — Jongin moveu a mão de cima para baixo. Teria um orgasmo vergonhosamente rápido e sabia disso, estava com tesão acumulada até o talo. — Quero o senhor me pegando por trás, enfiando a língua em mim…

— Quero comer você, garoto... — A voz de Kyungsoo estava grave, grave do jeito que ficava quando ele estava perto de gozar. O abdômen de Jongin repuxou violentamente com aquela confissão.

Não conseguiu articular uma resposta quando a mão começou a se mover de cima para baixo, esfregando a glande com força e gemendo alto o suficiente para acordar o vizinho, que deu um soco na parede fina. Tudo se apagou em sua mente quando gozou abundante, sujando os lençóis, a mão e o abdômen, chamando por Kyungsoo tão manhoso que sentiria vergonha no dia seguinte.

O outro não fazia um show quando gozava, diferente do moreno. O chefe respirava mais fundo e se contraía inteiro — fechando os olhos, conseguia até imaginar a cena. Saber que era capaz de deixar Kyungsoo duro até hoje era estranho e incrível, como estar constantemente prestes a emergir da água após passar muito tempo submerso.

— Você gozou? — Jongin perguntou, mole e ofegante em cima da cama.

— Muito. — Kyungsoo respondeu. — Você sempre me faz gozar bastante.

Jongin fechou os olhos e respirou fundo, feliz como nada no mundo após entender aquilo como um elogio. Agora que o corpo estava satisfeito, a letargia começava a chegar sorrateira por seus músculos cansados. Lambeu os lábios e se jogou no lado limpo do colchão.

— Precisa voltar para os relatórios?

— Preciso.

— Tudo bem… boa noite.

— Boa noite, Jongin.


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Destruído em cima da cama, com o suor orvalhando o corpo e o cheiro de sexo impregnado na pele, Sehun tentou buscar em pensamento o porquê andava tentando dar um tempo com o homem que agora estava no banheiro. Preguiçosamente, olhou as notificações do celular antes de levantar, testando as pernas para ter certeza que elas não estavam trêmulas o suficiente para fazê-lo cair. Parecia um adolescente ficando de pernas bambas por um carinha bonito… E subitamente lembrou-se porque andava querendo dar um tempo com o outro homem: estava começando a se envolver demais.

Do Kyungsoo estava parado em frente ao espelho grande daquele motel caro que insistia em pagar nos encontros dos dois. Era praticidade pura, sexo gostoso do jeito que os dois procuravam, e nenhum deles queria mais do que o outro estava disposto a dar. Era estranho pensar que um homem daqueles pudesse fazer com que Sehun esquecesse uma vida inteira de preferências, já que ele parecia tão inofensivo à primeira vista. Como se lesse os pensamentos de Sehun, o homem olhou-o pelo reflexo do espelho enquanto passava a lâmina de barbear pela maçã perfeita do rosto.

— Você agora anda punindo seus funcionários? — Aquela era uma pergunta que andava querendo fazer todas as vezes que pensava nos olhos inocentes de Jongin, mas antes estava ocupado demais beijando Kyungsoo para se lembrar.

— Punindo?

— É. — Ainda sem roupa, andou até o box e ligou a ducha para experimentar a temperatura da água antes de se enfiar embaixo dela. Suspirou, os músculos retesando. Queria transar de novo com Kyungsoo, mas sabia que ele estava atrasado para um jantar de negócios. — O carinha moreno.

— Não estou punindo Kim Jongin. Ele só é muito distraído e eu preciso de alguém mais centrado porque trabalho não é brincadeira ou passatempo.

— Entendi. — Riu, porque Kyungsoo era prático de um jeito meio frio. Era uma das coisas que mais gostava nele. — Tá mais relaxado agora?

Kyungsoo era o tipo que procurava explicitamente por sexo apenas quando estava mesmo precisando. De forma geral, era Sehun quem marcava os encontros. Era uma forma do chefe deixar claro que aqueles encontros não eram ordens dadas, mas sim um interesse mútuo, deixando-o ditar o ritmo, dando as brechas necessárias para explicitar o interesse, mas sem pressionar nada. Se algum dia não quisessem mais, as coisas continuariam exatamente iguais. Mas, se dependesse de Sehun, não iria acabar tão cedo. Gostava do sexo — e talvez de outras partes daquele relacionamento também.

— Não muito. — Kyungsoo limpou o queixo e passou as mãos no rosto para ter certeza que não havia mais a aspereza da barba ameaçando despontar. Em seguida, ainda de roupão, virou para encarar Sehun pelo vidro do box. — Poderia transar com você a noite inteira.

— Você deveria. — Sentiu o abdômen repuxar com a confissão. — Eu gostaria muito se acontecesse.

Kyungsoo olhou intensamente para Sehun, como se realmente considerasse a proposta. O fato de saber que ele estava ponderando perder algum evento importante para foder com Sehun até que os dois perdessem a consciência foi o suficiente para fazer com que abrisse um sorriso de lado, dando a entender que valeria a pena. O corpo estava começando a reagir.

— Não me provoca. — Foi um sussurro perigoso, o que apenas aumentou ainda mais o sorriso de Sehun quando desligou o chuveiro e pegou um dos roupões fornecidos pelo motel.

Nunca tinha transado com um homem rico antes, mas se precisasse opinar arriscaria dizendo que seria uma experiência ruim. Homens ricos deveriam ser, em hipótese, prepotentes, egocêntricos e pouco se importariam com o prazer do parceiro. Quando percebeu que Kyungsoo fazia o tipo ativo e nunca o passivo, ponderou se uma foda ruim valeria a pena só para matar a curiosidade. Arriscou que sim e se surpreendeu com o que conseguiu: o melhor sexo de seus vinte e oito anos bem vividos.

Kyungsoo sabia separar muito bem a vida pessoal da vida profissional, o que era a melhor parte. Sem dramas desnecessários para os dois lados. Sehun quem dera a ideia de se encontrarem apenas em motéis, principalmente porque não abria as portas de sua casa para fodas casuais. O lar era sagrado, regra número 1. No entanto, ao mesmo tempo, estava percebendo que sentia-se bem até demais na presença do chefe. Gostava de tudo nele, o que era perigoso além de níveis aceitáveis. Estava começando a se envolver.

— Você ainda tem quantos minutos? — Sehun perguntou quase como quem não quer nada, o sorriso ainda pendendo nos lábios. — Posso te dar algo no qual pensar durante esse seu jantar de negócios.

— Tenho… — Ele olhou para o rolex no pulso e franziu demoradamente as sobrancelhas. — Vinte minutos.

O nó do roupão de Kyungsoo estava frouxo e não foi difícil desfazê-lo, já se ajoelhando no chão em seguida. Olhou o chefe de baixo e recebeu um carinho nos cabelos pelas mãos firmes de dedos que em seguida envolveram os fios, sem impor pressão.

— Não vou ter tempo pra tomar outro banho. — Kyungsoo afagou os fios macios. — Você vai ter que engolir tudo.  

Sehun deixou a bochecha resvalar pela barriga do outro e riu, sem conseguir evitar, antes de colocar o pau dele na boca sem nem ao menos pensar. Mesmo ainda sem uma ereção, chupou e manteve um aperto gostoso ao redor, sentindo o cheiro de sabonete desprendendo da pele. Kyungsoo soltou o ar por entre os lábios e os dedos se tornaram mais firmes ao redor de seu cabelo. Gostava de sentir o pau crescendo aos poucos na boca, ganhando forma e volume ao mesmo tempo em que os lábios trabalhavam de cima para baixo sem um ritmo certo.

Chupar Kyungsoo era sempre bom para caralho, do jeito que dar prazer a alguém deve ser. Não hesitou antes de engolir tudo quando a respiração do chefe se tornou mais ruidosa, o abdômen nu contraindo quase violentamente quando gozou. Infelizmente, por causa do orgasmo recente, não foi o suficiente para satisfazer os desejinhos sujos e indecentes de Sehun.

— Precisamos marcar de novo. — Kyungsoo ainda estava com a respiração alterada quando Sehun se ergueu do chão. Quase nunca pagava boquetes de joelho porque era desconfortável e doía as articulações, mas ele valia o esforço. — Logo.

— É só me avisar quando.

Enquanto Kyungsoo vestia as roupas, Sehun aproveitou para escovar os dentes. Olhou-se no espelho e percebeu que não havia nada em seu corpo que pudesse denunciar uma boa foda — talvez, no máximo, seu sorriso. Não eram dados a marcas durante o sexo, e essa era uma regra implícita entre os dois — apesar de que, uma ou duas vezes, Kyungsoo acabou perdendo um pouco o controle e deixou roxos em sua bunda que duraram dias.

Eles saíram juntos do quarto e pegaram o elevador. Sehun estava vestindo camiseta branca e jeans, destoando das roupas caras e sociais de Kyungsoo. Ele estava com as mãos no bolso da calça, olhando o visor do elevador que lentamente ia brilhando a cada mudança de andar.

— Você tá estressado com alguma coisa. — Sehun falou quando deixaram o elevador e caminharam para o estacionamento. — Dá pra ver na sua cara.

— Problemas… — Kyungsoo massageou a ponte do nariz. — Problemas por todos os lados.

— No trabalho?

— Também… Kyungmin é um irresponsável que prefere sair por aí gastando nosso dinheiro sem pensar nas consequências e, quando tá no escritório, fica bebendo café e olhando pela cobertura.

— Minha ética profissional me proíbe de falar mal do meu chefe. Mas ele bebe chá, senhor Do. — Sehun piscou um dos olhos. — Se quiser conversar, sabe meu número.

Kyungsoo ergueu uma sobrancelha porque ambos sabiam que era impossível que em algum momento o chefe chamasse Sehun para conversar sobre os problemas pessoais, mas não importava. Estava sorrindo quando entrou no próprio carro e a primeira coisa que viu assim que olhou pelo espelho foi o reflexo da bolsa de Kim Jongin no banco de trás, o que fez com que automaticamente pensasse no moreno. Ele era um garoto interessante, no fim das contas. Era atraente o suficiente para chamar a atenção de qualquer um, e gostava da inocência bondosa que ele transparecia.

Afastou os pensamentos e ligou o carro.


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Segunda era sempre dor de cabeça e gritaria no trabalho. Por algum motivo, Kyungmin sempre estava disposto a trabalhar no primeiro dia da semana, então ele tirava o couro de todos e gritava ordens dentro da própria sala. Ninguém se importava em obedecer sem discutir — na quarta-feira o chefe já teria desistido desse negócio de trabalhar enquanto erguia as pernas numa cadeira e bebia um chá de camomila fumegante. Mas claro que Jongin não conhecia a rotina extravagante do novo chefe e Sehun quase se sentiu culpado pela risada quando o primeiro grito de Kyungmin reverberou pela sala do escritório e Jongin, que estava dando um gole no café, derrubou tudo quando pulou de susto na cadeira.

— O que aconteceu? — Os olhos escuros estavam perdidos.

— Sehun, onde que você enfiou a merda daquele papel das contas a pagar?

— Coloquei na sua mesa, chefe. — Sehun disse calmamente enquanto Jongin tentava limpar a bagunça antes que o chefe visse a mesa toda molhada de café. — Também deixei o de contas a receber.

— Hum. — Kyungmin saiu da própria sala para falar alguma coisa com Sooyeon numa mesa mais afastada e voltou em seguida com um meio sorriso no canto da boca. — E você, garoto? Já quebrou alguma coisa?

— E-eu… n-não, senhor, eu… — Jongin ficou vermelho e parecia prestes a explodir.

Kyungmin riu de um jeito quase amigável.

— É só uma brincadeira. — Explicou o chefe numa voz suave. — Pode voltar a… — Ele olhou para a mesa molhada de café de Jongin e pigarreou. — Fazer seja lá o que você tá fazendo. E vocês não perturbem o menino novo, fui claro?

— Sim, senhor. — Os funcionários gritaram em uníssono antes de voltarem para os próprios trabalhos e o chefe se enfiou novamente no escritório.

Tudo ficou silencioso, exceto pelo barulho das teclas dos computadores. Sehun já tinha adiantado todo o trabalho e agora estava com tempo ocioso. Não aguentava mais jogar paciência enquanto fingia trabalhar, então resolveu escorregar as rodinhas da cadeira até a mesa do moreno, que até o momento só tinha murmurado um tímido bom dia.

 — Se adaptando bem? — Sehun apoiou um dos braços na mesa já seca.

— Acho que sim… — Jongin passou as mãos pelos cabelos e ele estava fedendo a café. — Como que podem ser tão diferentes…?

— Quem?

— Os gêmeos.

— Ah… — Sehun assentiu com a cabeça e olhou o perfil de Jongin, vendo como ele tinha uma mandíbula perfeito para distribuir beijos. — É, são bem diferentes mesmo.

— Kyungsoo jamais levantaria a voz, tipo, nunca mesmo. Ele também não é muito dado a piadas. É tão estranho! — Jongin afundou o rosto nas mãos. — Não sei como agir perto dele.

— De qual dos dois?

— Do Kyungmin.

Jongin parecia perdido e Sehun suspirou antes de se ajeitar melhor na cadeira. Colocou uma das mãos na coxa do moreno e tentou passar alguma tranquilidade.

— Ele é muito mais fácil de lidar do que o outro irmão, não precisa se preocupar. Qualquer dúvida ou problema, só me procura que eu te ajudo a resolver. Mudanças sempre são complicadas.

— Vou acabar fazendo alguma merda aqui também e então vou ser convidado a comparecer no RH pra assinar minha demissão, é só questão de tempo. Aposto que o senhor Do só está esperando um deslize pra me botar no olho da rua.

— Você é O Gênio de Bucheon, lembra? — Ameaçou um sorriso na direção de Jongin e bagunçou os cabelos dele. — Não vai ser difícil conseguir um trabalho, mesmo que eu duvide que você seja mandado embora.

— Obrigado, cara. Aliás… você trouxe minha bolsa?

— Trouxe, só não garanto que o band-aid do super-homem vai estar lá.

Jongin sorriu e, nossa, Sehun ficou um pouco impressionado. Percebeu que ele tinha um sorriso bonito. Bonito o suficiente para fazê-lo ficar encarando por longos segundos, até pigarrear e coçar a nuca ao perceber o que estava fazendo. Voltou a colocar uma das mãos nas coxas do moreno e ele olhou o exato ponto onde os corpos se tocavam, mas não fez qualquer comentário ou apresentou objeção. Não poderia estar errado quanto aos sinais que recebeu — os olhares, a mão dele em cima da sua na mesa quando foram para o barzinho — e, porra, queria dar uns beijos naquele garoto. Talvez, se desse sorte, gostaria de transar com ele. Por uma noite inteira, sem pausas.

— Tudo bem, acho que ainda tenho alguns da Hello Kitty em algum lugar lá de casa…

— Você é fofo. — Sehun apoiou um dos braços na mesa e o queixo nas mãos. — Mas já deve ter ouvido isso milhões de vezes.

— Na verdade, não… — Jongin abaixou o rosto e mexeu na caneta que estava em cima de sua mesa, como se só quisesse fingir estar fazendo alguma coisa. — Obrigado?

— É só a verdade, moreno…

Sehun resolveu se afastar quando Kyungmin gritou mais alguma coisa dentro da sala, fazendo o moreno se sobressaltar mais uma vez pelo susto. Infelizmente, hora de trabalhar.


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No fim do expediente, Sehun já estava com os olhos pesados e a parte de trás do pescoço doendo por passar tanto tempo debruçado no computador. E estava chovendo tão forte que era como se o teto do estacionamento fosse despencar em cima das cabeças. Jongin estava com ele para buscar a mochila e Sehun abriu a porta do passageiro antes de girar no próprio eixo e encarar o moreno.

— Vai pra casa como?

— A pé. — Jongin franziu demoradamente as sobrancelhas. — Por quê?

— Tá chovendo pra caralho, entra aí que eu te dou uma carona.

— Não precisa, eu moro a 10 minutos daqui…  — O moreno afundou as mãos no bolso da calça social. — Mas obrigado por... sabe, a gentileza.

— Entra logo, antes de chegar em casa você já se molhou inteiro e é caminho pra mim, de qualquer forma. — Sehun abriu a porta do passageiro e ocupou o banco do motorista logo em seguida, debruçando o corpo para enfiar no bolso o ticket do estacionamento do motel em que estava com Kyungsoo dois dias atrás, já que ele estava dando sopa no porta-moedas. Estava querendo dar uns beijos em Jongin e não seria bom ter a prova de uma foda recente à vista. — Até que não foi tão ruim assim o primeiro dia, né?

Jongin se acomodou no banco do passageiro e colocou o cinto. Os olhos espertos de Sehun captaram muito bem o leve tremor das mãos morenas e saber que ele estava nervoso trouxe um sorrisinho no canto da boca. Não iria pressionar nada, mas queria deixar claro que estava interessado.

— Acho que não vai ser tão difícil assim me adaptar, o senhor Kyungmin é muito mais fácil de lidar.

— Ele gosta de uma farra... — Sehun riu enquanto descia a rampa do estacionamento. — E gosta de flertar com as mulheres do escritório também.

— A Sooyeon? — Jongin riu e se acomodou melhor no banco, parecendo um pouco menos retraído. — Eu bem que suspeitava de alguma coisa entre os dois e olha que eu sou conhecido por ser distraído...

— Errado ele não tá, temos que aproveitar as oportunidades. — Olhou para Jongin ao deixar as palavras deslizarem pela língua, o sorriso de canto ainda presente no rosto. — Não acha?

— Sim... — Jongin manteve o contato visual, mesmo que as orelhas dele estivessem um pouco vermelhas, único sinal de que estava ciente do que Sehun insinuava. — Vira à direita...

Sehun voltou a atenção para o trânsito e percebeu que o caminho para a casa de Jongin seria muito mais rápido do que gostaria. Ele morava muito perto do escritório, o que tornava o tempo dos dois quase escasso dentro daquele carro. Mordeu o lábio inferior quando fez uma curva e diminuiu a velocidade, dirigindo bem devagar pela rua do prédio onde o moreno morava.

— Já tem algum plano pra esse fim de semana? — Sehun quis saber, brincando com os dedos no volante.

— Por enquanto não.

— Quem sabe não podemos ir beber de novo?

— Por mim tudo bem... Quer dizer, preciso aproveitar que tô de férias na faculdade.

O sorriso de Sehun cresceu quando parou em frente ao apartamento do moreno, virando para pegar a mochila no banco de trás. Olhou Jongin abrindo a porta e experimentou uma vontade louca de puxá-lo de volta, grudar a boca naqueles lábios cheios e gostosos. Ele tinha uma boca feita para beijar.

— Então tá... — Lambeu os lábios com a língua. — Até amanhã.

— Obrigado pela carona e por todo o resto. — Jongin parecia um pouco afogueado enquanto, ainda no carro, manteve a porta aberta prestes a descer. Ele olhou fixamente para Sehun, os lábios ligeiramente separados, encarando-o como se estivesse tomando coragem para alguma coisa. Porém, balançou a cabeça e abaixou os olhos antes de saltar para fora. — Até amanhã.

Jongin bateu a porta do carro e correu até a portaria do prédio com a mochila na cabeça para se molhar o menos possível na chuva. Sehun observou-o ainda estacionado no mesmo lugar e suspirou, apoiando a cabeça no estofado macio do carro, fechando os dedos com força no volante.

Jongin era gostoso e inocente demais para o próprio bem. Porra.


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Jongin saiu do banheiro com uma camiseta grande demais — uma das camisetas que Chanyeol, seu colega da faculdade, esqueceu em sua casa e nunca mais buscou. Secou os cabelos com o secador porque era muito suscetível a resfriados e a mãe tinha o hábito de falar ininterruptamente que ele jamais deveria dormir com a cabeça molhada. Escovou os dentes, confirmou se todas as janelas estavam bem fechadas, guardou o resto do jantar na geladeira e só então se permitiu andar até o quarto. Porém, antes que pudesse alcançar o fim do corredor, a campainha tocou.

O coração de Jongin saltou no peito. A primeira pessoa que passou pela cabeça foi Sehun. E se ele… caramba, e se ele tivesse subido para reivindicar aquele bendito beijo que o moreno quase tinha se permitido dar na boca dele? Com o coração saltando no peito, arrumou os cabelos, puxou um pouco a camiseta para baixo na intenção de esconder a cueca e abriu a porta. Porém, não era Sehun.

— Senhor…? — Jongin murmurou e Kyungsoo entrou sem pedir permissão, fechando a porta atrás de si. Em seguida, se aproximou dois passos e grudou os corpos, fazendo o moreno tremer e as pálpebras tremularem visivelmente. — O que…

— Você não disse que estava com saudade? — Kyungsoo perguntou, todo sério. Os olhos dele perscrutaram os de Jongin e o moreno não conseguiu resistir a vontade de abaixar o rosto para grudar as bocas, recebendo um beijo molhado e intenso o suficiente para que todo o ar sumisse dos pulmões. Precisou buscar apoio na mesa na qual o chefe o encostou para não correr o risco de desabar. Ainda não tinha se acostumado com as reações que o outro arrancava de seu corpo. — Pensei em resolver esse problema agora que tive um tempo livre… Não queria te dar só uma foda rápida no fim de semana, sei que você gosta de sexo caprichado e lento.

Jongin piscou os olhos demoradamente na direção do homem, os lábios ainda entreabertos e os olhos brilhantes de vontade. Assentiu com a cabeça, as pálpebras tremendo outra vez assim que os dedos experientes de Kyungsoo alisaram seu quadril coberto pela camiseta. Ele ainda estava usando terno, as roupas sociais do dia a dia, e amava o cheiro gasto de perfume que desprendia das roupas e da pele do chefe ao final de um dia de trabalho. Mordeu o lábio inferior quando o pescoço foi beijado uma única vez, eriçando a pele, fazendo os músculos contraírem. Era vergonhosamente fácil para ele arrancar reações de Jongin — e Jongin gostava que ele soubesse o quanto queria tudo aquilo, porque as reações, muitas vezes exageradas do corpo, pareciam deixá-lo ainda mais exultante.

— Senhor… — Jongin deixou que os dedos deslizassem pelos braços fortes de Kyungsoo, ainda um tanto hesitantes. Sentia um pouco de receio de tocar nele, mesmo quando estavam sozinhos. O chefe nunca tinha impedido ou mostrado desagrado algum com os toques, mas para o moreno era como tocar algo quase celestial e, às vezes, não se sentia digno. — Ah, eu amo tanto quando me visita de surpresa…

— Você gosta? — Kyungsoo empurrou Jongin com mais força em cima da mesa de jantar e deslizou as mãos pesadas pelas coxas nuas, puxando-o para que o moreno sentasse em cima dela. — Você me ligou tão cheio de tesão que eu não conseguiria ficar em paz antes de aparecer aqui. Você não costuma ser tão safado assim quando estamos cara a cara… O que aconteceu?

As orelhas de Jongin queimaram de vergonha, mas acabou perdendo a voz na garganta quando os lábios de Kyungsoo voltaram a trabalhar por toda a extensão de seu pescoço, mordendo e provando a pele ao alcance, deslizando a língua pelo pomo de adão pronunciado por baixo da pele. Jongin apoiou uma das mãos na mesa e só o fato do chefe usar as próprias pernas para separar seus joelhos era o suficiente para fazê-lo sentir o abdômen repuxando de tesão. Separou as coxas, bem obediente, e Kyungsoo se encaixou entre elas na mesma hora.

— É que faz tanto tempo… — Choramingou Jongin, a voz saindo como lufadas de ar por entre os lábios entreabertos. O corpo estava pegando fogo, de dentro para fora. Sentia que a qualquer momento seria incinerado vivo por aquele homem e nem ao menos reclamaria por isso. — O senhor não gostou…?

— Claro que eu gostei, Jongin… — Kyungsoo afastou a boca do pescoço maltratado e eles se encararam nos olhos. Ele sabia que Jongin gostava de ser dominado na cama, e era exatamente por isso que o moreno estava esperando, as íris brilhando em expectativa, o peito subindo e descendo com a força da respiração. — Você me confessou algumas coisas, mas não sei se lembro muito bem de tudo.

— Eu… e-eu falei, sim. — Jongin pressionou as coxas nas laterais do quadril de Kyungsoo, todo ansioso. — Gosto de tudo o que faz comigo.  Tudo.

— Sabe que pode me tocar, não sabe? — Kyungsoo perguntou ao olhar para as mãos trêmulas de Jongin em cima da mesa, que se remexiam como se quisessem tocá-lo. — Sem precisar pedir.

— Sim... — A voz de Jongin era baixa. — Mas gosto quando o senhor me diz o que quer.

— Lembro de você ter dito algo assim pra mim no telefone… — O chefe olhou para Jongin com uma expressão séria, do mesmo jeito que olhava todas as vezes. Tremia sob aquele olhar e não conseguia disfarçar o quanto gostava. — Vira a bunda pra mim. Agora.

Kyungsoo se afastou das coxas entreabertas de Jongin após a ordem e desabotoou os primeiros botões da camiseta social antes de tirar o terno e largá-lo na cadeira ao lado da mesa. Jongin, ainda sob o choque abrupto daquela ordem reverberando pelos músculos tensos, observou em silêncio o chefe subindo as mangas até a altura do cotovelo de uma maneira tão masculina e séria que o corpo tremeu mais uma vez.

Respirando acelerado, deslizou os pés para o chão e virou de costas para Kyungsoo na mesma hora, o rosto queimando, as orelhas pegando fogo. Subiu a camiseta de dormir o suficiente para deixar a bunda para fora, presa no tecido fino da boxer, e empinou a bunda assim que buscou apoio na mesa. Não estava esperando, por isso levou um susto quando o traseiro foi acertada em cheio por um tapa. Conseguiu sentir a pele saltar, assim como Kyungsoo tinha dito que gostava de ver, e gemeu tão arrastado e manhoso que precisou esconder o rosto em um dos braços. Empinou de novo, louco por mais um tapa, e ouviu o chefe ofegar atrás de seu corpo. Recebeu o segundo tapa e se contraiu, o pau babando dentro da boxer.

— Você disse que gosta quando eu bato na sua bunda? — Kyungsoo quis saber no terceiro tapa. A pele de Jongin estava queimando, tão gostoso. Queria que ele abaixasse a boxer, que tocasse diretamente, que o fizesse implorar por mais. — Fala pra mim, Jongin....

— Eu g-gosto… — A voz era uma lamúria. — Por favor, senhor…

— O que mais você disse?

Jongin estava com os olhos pesando, fechados no escuro do apartamento, e mordeu o lábio inferior quando lembrou de todas as coisas que tinha dito, tomado pelo tesão e pelo fato de não estarem se olhando nos olhos. Não imaginava que ele fosse trazer o assunto à tona, mas nunca haviam transado por telefone antes.

— Disse que quero chupar seu pau. — Confessou.

— Eu sei que quer, Jongin... — Kyungsoo beijou seus ombros. — Mas antes eu vou beijar sua bunda inteirinha, do jeito que você merece.

— Ah… — Os olhos queimaram e a boca encheu de saliva. — Qualquer coisa, só toca em mim, por favor…

Não protestou quando a roupa íntima foi puxada para baixo; na verdade, fez questão de empinar bem o quadril para que a visão ficasse ao dispor de Kyungsoo, pois sabia que ele gostava de seu traseiro. Demorou muitas transas para que conseguisse se sentir confiante com aquela parte do corpo, mas o chefe demonstrava uma adoração tão especial por sua bunda que, bem lentamente, começou a gostar dela também.  E agora fazia questão de exibi-la da maneira que o outro quisesse. Mordeu o lábio inferior e jogou a cabeça para trás assim que as mãos decididas tocaram suas nádegas, o estômago repuxando quando ele separou as bandas e se ajoelhou atrás de seu corpo trêmulo. Ficou na pontinha dos pés, procurando apoio com as mãos na mesa, as panturrilhas contraídas em ansiedade. Achava aquele tipo de beijo algo incrivelmente íntimo — o mais íntimo que já chegara de outra pessoa — e talvez por isso gostasse tanto.

— Gostoso… — O chefe murmurou antes de beijar uma das nádegas, emendando com mordidas e chupões. Jongin se transformou em um emaranhado de gemidos e ofegos altos, enquanto ele não parava de trabalhar com a boca de um lado para o outro, deslizando a pontinha dos dedos pelo interior de suas coxas, causando tantos arrepios que tudo se tornava névoa em frente aos olhos cheios de desejo do moreno. O chefe o deixava no limite antes de envolver seu pau nos dedos, e a ereção pendia molhada e inchada entre as pernas, totalmente ignorada, vertendo tanto pré-gozo que já havia uma poça em cima da mesa. Seria constrangedor se não fosse tão gostoso. — Empina mais pra mim, vai.

Jongin empinou e foi agraciado pelas mãos envolvendo sua bunda com força, separando as bandas com vontade. Estava ameaçando olhar por cima do ombro quando foi surpreendido pelo rosto de Kyungsoo se enterrando entre suas nádegas, beijando a entradinha contraída e sensível. O moreno arranhou a mesa, os lábios explodindo com gemidos altos, pedidos ofegantes e manhosos por mais. Ele estava gemendo pelo chefe assim que sentiu a língua pressionando a entrada, lambendo e chupando. Um  novo tapa estatelou com força em sua bunda e o pau dele repuxou, se contraindo e pingando em cima da mesa.

— Por que você não tá rebolando na minha cara ainda? — A voz de Kyungsoo estava agressiva e rouca, apertando com força as nádegas do garoto. — Anda, mostra o que você quer.

Jongin estava se controlando até aquele momento, só aguardando a ordem do chefe. Soltou um suspiro aliviado com a ordem e nem pensou direito quando empurrou o corpo para trás, querendo que o rosto dele se enterrasse com mais força no meio de sua bunda. Grunhiu, arranhou a madeira da mesa, e recebeu um rosnado de volta assim que a boca dele trabalhou com ainda mais vontade, a língua entrando em Jongin mais forte. Não estava mais pensando, era tudo o que Kyungsoo quisesse que ele fosse. Um homem daqueles com o rosto enterrado em sua bunda… Céus, era muito mais do poderia aguentar.

Não fez objeção alguma quando o pau finalmente foi tocado em um aperto firme pelos dedos experientes do chefe. Em estado de excitação profunda, quase inconsciente, murmurou um som de apreciação e Kyungsoo só precisou bombar a ereção três exatas vezes para que Jongin tremesse inteiro e começasse a gozar abundante em cima da mesa.

— Você gozou tanto… — Kyungsoo se ergueu e beijou o pescoço de Jongin, que estava destruído, quase sem conseguir manter o corpo em pé. — Vem, vou tomar um banho e nós vamos terminar isso. Me espera deitado na cama.

Jongin assentiu com a cabeça, ainda sem conseguir se mexer direito. Recebeu um afago nos cabelos suados e fechou os olhos, murmurando um som baixo de apreciação e deixando a cabeça tombar na direção daquele carinho, em busca de mais contato.

— Sim… — Jongin concordou e olhou para a bagunça que tinha feito na própria mesa.

— Só vou…

— Pra cama. Agora. De bruços. Sem roupa. Deixa que eu limpo a bagunça.

Jongin até pensou em negar, mas estava sem forças e o abdômen repuxou em excitação assim que ouviu o pedido, sabendo que naquela noite não conseguiria dormir.

E, para ser sincero, não importava.

Tudo o que queria era estar nos braços dele.

 


Notas Finais


E então?????? Ai, eu sou apaixonadíssima nesse Jongin todo manhoso... Ele é um personagem intenso, que se entrega demais, e eu espero conseguir trabalhar bem essa parte da personalidade dele. Com o passar dos capítulos vamos ver melhor esse desenvolvimento.

Espero que tenham gostado.
See ya, @flaskbaek


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