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História Feito açúcar - Capítulo 3


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Notas do Autor


Não creio que tô atualizando essa fic =O

Capítulo 3 - Encantamento


Jimin ainda não acreditava que estava bem de frente com aquele que tinha sido, no dia anterior, a sua grande inspiração. O quão sortuda uma pessoa precisa ser para ter uma chance como aquela? 

— Bem... Seria de bom tom você se apresentar também, não?  

Seokjin comentou, sorrindo. Foi somente ao escutar isso que Jimin percebeu que provavelmente já deveria estar olhando de forma constrangedora para o homem, por tanto tempo que a situação poderia ser considerada estranha.  

— Perdão, eu... — Levantou-se, fazendo uma reverência para o outro. — Park Jimin. Eu me chamo Park Jimin.  

— Muito prazer, Park Jimin. — Sorriu um pouco mais, notando as bochechas totalmente vermelhas do menor. — Eu fico, de verdade, muito contente que tenha se dado ao trabalho de pedir para me agradecer pessoalmente, é um toque bastante delicado. — Pegou uma cadeira, a puxando. — Posso? 

— Claro, claro que pode.  

Jimin respondeu mais rápido que o pensamento, vendo o homem aumentar o sorriso para si em resposta. Naquele momento, já não tinha urgência alguma de ir para a praça, respirar um pouco melhor, aproveitar para alimentar um tico a sua criatividade que fora despertado um dia antes. Não fazia o menor sentido seguir essa linha de raciocínio, uma vez que a sua mais recente fonte de inspiração estava ali, bem na sua frente, com toda a sua plenitude e perfeição.  

— Perdoe-me se eu pareço um pouco exagerado ao pedir para me sentar, é que, veja bem, esse tipo de situação acontece muito pouco. — Cruzou as pernas de um jeito leve, num movimento lento e quase coreografado. — Lógico, não é incomum saber que a comida foi elogiada, é receber o elogio pessoalmente que faz a coisa diferenciada.  

— A comida estava mesmo muito boa, não tinha como ser diferente.  

— Muito obrigado, outra vez. Eu gostaria de ter vindo antes, mas meus afazeres na cozinha não me permitiram. — Apoiou as costas no encosto da cadeira, sem jamais deixar o sorriso abandonar seus lábios. — Se não estiver com pressa, eu adoraria poder lhe oferecer algo em gratidão ao seu gesto generoso.  

— Por quê? Pelo elogio? Ah, não precisa! — Moveu a cabeça em sinal negativo. —Não é nada demais, não precisa tudo isso. Sério.  

— Por favor, me deixe ser grato da maneira adequada.  

O pedido era baixo, jovial, quase manhoso, e Jimin acabou concordando, sem força de vontade alguma para dizer não a um sujeito tão bonito que agia de maneira extremamente gentil.  

— Isso é ótimo! O que você gostaria? Uma sobremesa, uma fruta, um digestivo, de repente? 

— Não sei... — Olhou para seu copo de chá, vazio, esquecido sobre a mesa. — O que o senhor sugere? 

— Senhor? — Ergueu as sobrancelhas, forçando contrariedade. — Tem alguém mais velho que nós dois aqui? — Virou a cabeça para os lados, como se procurasse alguém. — Eu não vejo ninguém. 

Tornou a se virar para Jimin, sorrindo amplo, e Jimin não pôde se furtar uma pequena risada diante daquilo.  

— Vamos lá, quantos anos você tem? Não deve ser tão mais novo que eu assim, certo? 

— Eu tenho vinte e um. 

— Ah, vinte e um! Não faz o menor sentido me chamar de senhor, eu tenho só vinte e seis! — Bateu as mãos. — Mas vamos pedir algo, não é mesmo? — Chamou a atendente, que veio sem demora até o patrão. — Gosta de sorvete de mochi, Park Jimin?  

— Sorvete de mochi? — Passou a mão no rosto, delicadamente. — Eu nunca provei na verdade. 

— Então vai provar agora! Traz um daqueles sorvetes de mochi com morango pra gente, por favor? — Disse à garçonete, que lhe respondeu com presteza. — Espero que goste de morangos.  

— Eu gosto sim, ainda mais quando são bem doces.  

— É do tipo que aprecia coisas adocicadas? 

— Acho que sim. 

— Então eu escolhi certo! Tenho certeza absoluta de que vai gostar! 

Enquanto a jovem atendente ia dentro do estabelecimento para pegar a sobremesa, Seokjin puxava alguma conversa corriqueira com Jimin, tentando ser agradável, mostrando o quão grato estava pelo elogio recebido. Jimin achava aquela atitude um tanto quanto exagerada, mas não podia negar que estava gostando; ver Seokjin falar tão próximo de si era a desculpa perfeita para memorizar, bem de pertinho, cada detalhe incrível e bem lapidado de seu rosto. A sua pele radiante, de aparência tão macia, e os cabelos escuros, brilhantes e visivelmente hidratados, balançando na brisa. Os seus olhos um tanto graúdos, de íris amendoadas, e os cílios compridos, tão diferentes dos cílios orientais... As bolsinhas delicadas abaixo dos olhos, tão fofas, e o nariz suave, com mínimas sardas clarinhas próximas a ele. O arco do cupido pronunciado, sustentado por lábios corados e volumosos, tão convidativos e charmosos... Até mesmo o “bigode chinês”, bem fininho, quase imperceptível, que se formava em seu rosto era um detalhe lindo. 

Kim Seokjin era, em todos os aspectos, um homem incrivelmente lindo. E Jimin não poderia estar mais encantado. Muito mais encantado do que ficara quando o viu à distância. O que, em sua mente, era algo natural. A beleza daquele chef era artística, sem tirar nem pôr. 

Quando a sobremesa chegou, Seokjin fez questão de deixar claro que era por conta da casa, e após ela ser servida, explicou o processo de criação da mesma. Explicou que não era uma receita original sua, mas que tinha conseguido dar um toque especial, que a fazia diversa das demais receitas mais populares. Afirmou que o procedimento de fabricação do sorvete era cem por cento artesanal, e que se tivesse que apontar um único defeito no doce, seria a incapacidade de fazê-los milimetricamente idênticos, uma vez que seu trabalho era manual. Disse, ainda, que estava trabalhando na possibilidade de fazer algo semelhante ao sorvete de mochi, mas com algum sabor que pudesse ser agridoce, e outro salgado, como maneiras de inovar ainda mais na sua arte, além de impressionar e influenciar muito mais pessoas.  

— Cozinhar é como pintar, fazer esculturas, escrever poemas, sabe? — Dizia, empolgado. — Culinária é uma arte. E minha intenção como artista é torná-la bela e acessível a qualquer pessoa. Por isso me utilizo da cozinha tradicional, comum, com toques mais elaborados. Uma comida não precisa ser só uma comida, mas ainda precisa cumprir seu papel de alimentar, certo? 

E Jimin concordava. Não via, exatamente, a conexão entre arte e comida que Seokjin delineava, mas podia entender a vibe do que ele dizia, conseguia se relacionar com a paixão que ele demonstrava. Jimin também era um artista, afinal; ele também gostava de exaltar a beleza e lhe dar formas. De uma maneira diferente da de Seokjin, claro, com lápis e papel, porém, ainda assim, com a mesma intensidade, com o mesmo desejo e dedicação.  

A bem da verdade, Jimin concordaria com qualquer coisa que Seokjin dissesse. Desde que ele falasse com sua voz bem imposta, com tanta simpatia e carisma, por aqueles lábios avantajados impossíveis de não serem admirados, Jimin iria concordar com absolutamente qualquer coisa dita.  

A despedida aconteceu antes que o sorvete de mochi com morangos acabasse. Alegando que precisava trabalhar, Seokjin deixou a mesa, e Jimin achou engraçado o motivo, tendo em vista que ele tinha ficado ali tempo o bastante para se dizer que, na verdade, não deveria estar tão ocupado assim. Não que Jimin tivesse achado ruim, nada nem perto disso; apenas engraçado. E foi achando engraçado que se recordou que ele também tinha um trabalho para dar conta. Não tinha a menor intenção de dar conta dele, os esquemas que arrumara já definiam isso, porém, a lembrança lhe ocorreu, lhe fazendo relembrar da própria vida, e das coisas que tinha planejado fazer naquela tarde.  

Com o sorvete terminado, fez de tudo para pagar à jovem atendente o valor correspondente, ao que ela se recusou com veemência, uma vez que a sobremesa tinha sido presente de seu patrão para o cliente. Reconhecendo que tinha perdido a batalha, recolheu suas notas de volta à carteira, pegando suas coisas e atravessando a rua outra vez, indo diretamente para a praça.  

Caminhou um pouco, olhando ao redor, procurando um bom lugar onde pudesse se sentar e ficar a sós consigo mesmo, no máximo de silêncio que fosse possível, para que sua criatividade pudesse fluir em plenitude, sem empecilhos de nenhuma espécie.  

Enquanto procurava o local perfeito, ficava rememorando o rosto magnífico do home com o qual acabara de conversar, retraçando na mente todos os seus pequenos detalhes, a fim de que nada fosse esquecido. Jimin ficava pensando em como seria delicioso desenhar aquele sujeito, podendo olhar diretamente para ele, ao invés de puxar as características de memória.  

Seokjin... Seokjin de quê? Nem se lembrava. E nem se importava. Só queria saber de retratar toda a perfeição do homem em várias folhas de papel, um desenho diferente do outro, a pose posterior diversa da anterior, em cenários variados, roupas e luzes... Só de pensar nisso sentia o estômago formigar, de ansiedade e pressa. Tinha que retratar Seokjin de todas as formas que fossem possíveis. Seus apelos artísticos precisavam disso. 

Avistou, enfim, um banco que lhe pareceu ideal, e se adiantou até ele, ligeiro, louco para chegar. Sentou-se sem muito cuidado, dando uma olhada geral, em cada espaço próximo a si, em cada feixe de luz, na movimentação, em tudo, até se convencer de que tinha tomado a melhor decisão. Ali, escorou-se no tronco da árvore que cobria o banco, pegou sua pasta, retirou todos os seus materiais, e num piscar de olhos, já estava iniciando seus esboços. 

Num bloco de papel próprio para desenho começou a rabiscar, usando lápis preto, sem pensar muito, apenas fazendo contornos, para aquecer as mãos, alimentar o cérebro e atiçar a memória. Tão logo se sentiu pronto, destacou a folha usada do bloco, a dobrando em duas partes e dispondo dentro de sua pasta, para evitar jogar lixo no chão. Após, se valendo de um pedaço de papel novinho em folha, fitou o espaço em branco e soube exatamente o que iria fazer. Iria reproduzir, em cada folha, uma parte do rosto de Seokjin.  

Começou com os olhos. Desenhou detalhadamente o contorno deles, com todas as suas peculiaridades. Deslizando o lápis, sem precisar parar um só segundo, fez o contorno de um deles, a bolsinha abaixo, os cílios mais alongados que o normal, as nuances da íris castanha. Em seguida criou a perspectiva de uma parte da testa, e também de onde ficaria a orelha, e então foi mais para perto do olho em si, recriando a forma de sua sobrancelha, quase negra e um bocado grossa, com muito cuidado e atenção para ser fiel à imagem que tinha na memória. 

Iniciou, então, na folha de papel logo abaixo, o esboço do que seria o início do nariz. Fez os traços daquele nariz bem feito e um pouquinho arredondado na ponta, criando um jogo de luz e sombra em alguns pontos, dando profundidade à gravura, como se pudesse, assim, criar uma espécie de relevo, que emprestasse mais realidade aos seus riscos. Lembrando de ter visto algumas poucas sardas ali, as desenhou também, imprimindo leveza no toque do grafite no papel, para que não parecessem mais fortes do que de fato eram.  

Satisfeito até então, resolveu não mais descer pelo rosto, mas regressar ao topo, para os cabelos. Esquadrinhou a parte superior da testa, em tamanho perfeito, e passou a jogar fios de cabelo por cima com o lápis, buscando ao máximo alcançar o tom natural dos cabelos de Seokjin. Enquanto desenhava, imaginava o homem tomando brisa no rosto, com os cabelos balançando quando isso acontecia, exatamente como tinha sido no restaurante. Com esmero e talento, conseguiu empregar essa sensação de movimento no desenho. Sorriu com o resultado. 

Por fim, partiu para o pedaço mais belo e chamativo: a boca. De posse de outra folha, fez a silhueta do queixo, e desenhou o sorriso que tinha na memória, um sorriso de lábios fartos e e naturalmente tingidos. Corrigiu o que precisava, e ficou olhando para a boca no papel, a imaginando toda pintada, nas cores certas. Ficou pensando nos tons que iria usar para fazer justiça aos finos sulcos, às marquinhas, ao arco do cupido mais espetacular que já tinha visto.  

Com tudo pronto, destacou folha por folha, cuidadosamente, para que nenhum dos desenhos saísse maculado. Verificou, um por um, bem de perto, conferindo os detalhes, aprovando a maioria, e fazendo notas mentais sobre um ou outro que precisaria retocar. Pensou nas cores que usaria, em como iria conseguir dar o tom exato da pele, dos lábios e dos olhos, para que parecesse, verdadeiramente, um retrato. Seokjin não merecia menos que isso. 

Tendo definido os próximos passos, deu o seu melhor para que todos os papéis ficassem dispostos sobre o banco, como se montasse um quebra-cabeças, e ao perceber que já tinha ficado no máximo que conseguiria, passou a encarar tudo aquilo, extasiado.  

Seokjin era encantador, e seu encanto era arrebatador. Passava-lhe na mente que poderia estar sendo um exagero, um drama de artista, mas quanto mais admirava as gravuras, mais se certificava de que Seokjin tinha uma beleza irreal, surreal, jamais antes vista em um ser humano.  

Sorria feito bobo para as figuras quando a primeira gota de água caiu sobre uma das folhas, borrando de leve o cantinho da boca de Seokjin, a deixando fora de eixo. Olhou para cima, e algumas outras gotas atingiram seu rosto. Desesperado, regressou o olhar para os desenhos, vendo que alguns deles estavam sendo atingidos por mais pingos d’água, e tratou de recolher tudo bem rápido, enfiando com o cuidado que poderia empregar tudo dentro da sua pasta. Correndo, saiu dali, percebendo que fora do abrigo da árvore, a chuva estava ainda pior. Tinha se concentrado tanto em sua tarefa que não tinha notado o tempo ficando carregado, formando a precipitação que agora o alcançava.  

Enquanto corria na chuva em busca de uma proteção para o corpo e para a pasta, ia pensando que, tão logo pudesse chegar em casa, refaria cada desenho daquele, para que nada pudesse existir que atrapalhasse, em algum plano, a beleza encantadora de Seokjin. 


Notas Finais


Obrigada a quem leu! Até o próximo!


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