1. Spirit Fanfics >
  2. Felicidade tem nome e sobrenome >
  3. Um dia de cansaço e pizza

História Felicidade tem nome e sobrenome - Capítulo 1


Escrita por: e GoldenRabbit


Notas do Autor


Espero que gostem do meu bebê! Sei que chamo todas minhas fics de bebê, mas é que sempre são meus nenéns!

Enfim, escrevi com muito carinho, projetando tudo que eu considero legal de fazer com um pai.

Capítulo 1 - Um dia de cansaço e pizza


Estar envolvido na vida de Taehyun realmente não estava em meus planos, mas sua mãe sempre foi uma mulher incrivelmente especial pra mim, Yoonji sempre foi uma ótima namorada e eu não poderia estar menos feliz ao lado dela.

Mas, aquele bebê de dois anos tem um pai, mesmo que eu preferisse que Yoonji tivesse o feito com o dedo, seu pai biológico estava bem ali, reclamando sobre "o namorado garotão" de uma mulher que, em sua visão retrógrada, deveria se dar o respeito por ser mãe solteira. E tipo, Yoonji não é mãe solteira, tudo bem que agora ela não é mais casada, mas dizer que o estado civil dela implica em algo sobre a criação de seu filho é realmente coisa de idiota.

E eu achei por muito tempo que o pai de Taehyun, Kim Namjoon, fosse um tremendo babaca nojento. Quer dizer, eu gostaria que, ao menos, Namjoon fosse babaca, porque assim eu poderia me convencer de que faço um melhor trabalho com o menino, mas isso ele também não é. Taehyun passa os fins de semana na casa de seu pai, pois ele é um homem ocupado demais para ficar mais dias com o próprio filho, e Taehyun nunca voltou pra mim e sua mãe reproduzindo nada ruim ou pejorativo.

Na verdade, descobri esses dias que até mesmo Yoonji e Namjoon me concederam guarda provisória de Taehyun caso eles estivessem fora. Nunca me senti tão pai dele como naquela terça em que discuti com Yoonji por ela estar, mais uma vez, na casa de seu ex. Minha namorada não ficou nada chocada por meu ataque de pelanca, só me mostrou o papel assinado por ambos os pais me passando guarda provisória.

E é exatamente isso que eu estou fazendo neste momento. Amanhã é aniversário de nosso amado Taehyun, e Yoonji insistiu de ir com Namjoon ver os preparativos finais de sua festa na praia. Claro, eu gostaria de ir com Namjoon e deixar Yoonji com Taehyun, mas ela queria tanto ir fazer isso que eu só aceitei.

Suspirando por, mais uma vez, me sentir incluso na família de meu… filho… levanto do sofá, pronto pra ir em busca do garotinho de, agora, dez anos.

Procuro-o no seu quarto — desde que dei um PlayStation 5, ele não sai de dentro do cômodo —, mas Taehyun não estava lá. Vou direto para meu quarto e de Yoonji, onde a encontro sozinha penteando seus cabelos lisos, já vestida pra sair e ficar o dia todo no litoral.

Sorrio com a visão bela e delicada dela em sua ação, percebendo um belo sorriso brotar em seus lábios ao me notar na porta.

— O que foi? — pergunta ela, colocando uma tiara preta no cabelo.

— ‘Tô procurando o Taehyun — respondo-a com a voz serena. De certa forma, tudo isso em que vivo me traz paz. Digo, eu nunca imaginei que conseguiria algo sério com alguém devido ao meu histórico de fracassos no amor, por isso também, nunca achei que fosse ter filhos. Bem, tecnicamente, Taehyun não é meu, mas eu o amo tanto que me esqueço disso. Deixa de ser algo gritante em nossa rotina e passa a ser apenas um mero detalhe insignificante.

— ‘Tá com Namjoon, lá na varanda. — E ela se levanta graciosamente da cadeira de sua penteadeira, indo direto para a bolsa, checando todas as suas coisas. Estou começando a suspeitar que Yoonji só queria um motivo para ir pra praia.

Há alguns anos atrás, saber que Taehyun estava com seu pai biológico poderia me deixar um pouco intimidado por ele, com medo de que, de repente, Taehyun se desse conta de que eu não sou tão bom quanto seu pai Namjoon. No entanto, isso nunca aconteceu, e Taehyun me deu tantos momentos bons de amor genuíno e puro que eu simplesmente não consigo mais sentir esse tipo de coisa. Na verdade, me sinto bem por saber que Taehyun convive com seus pais devidamente presentes em sua vida. Isso me deixa mais feliz do que se eu fosse seu pai em todo o tempo.

Chegando na porta da varanda, fico encostado na madeira da porta, observando a interação deles há distância pra não atrapalhar o que quer que seja. Namjoon está sentado, virado em minha direção e, muito provavelmente, já me notou aqui. Taehyun, de costas, conta sobre algo engraçado que aconteceu em sua escola. Eu já sei pois moro com ele, então não me importo de ouvir a história de como uma coleguinha caiu no chão por causa de uma poça.

— Nossa, filho, e essa menina se machucou? — pergunta Namjoon, realmente entretido na conversa com o garoto. Eu poderia dizer que isso tudo é fingimento, mas Namjoon é um homem que se envolve fácil com as coisas, ele, mesmo que sem perceber, embarca em todas as conversas e brincadeiras com seu filho. E isso é muito lindo.

— Sim, papai, se ela tivesse se machucado, eu não estaria rindo. Não tanto. — E dessa vez quem ri é Namjoon pela sinceridade de Taehyun.

Fato curioso: o garoto, quando mais novo, queria diferenciar seus dois papais, então ele decidiu que seria uma boa ideia chamar a mim de “pai” e Namjoon de “papai”. Não sei qual é o seu critério de escolha, mas é fofo quando estamos conversando os três e Taehyun se confunde nos próprios apelidos.

— Então sua amiga está bem? Posso rir dela? — volta a perguntar, com a mão na frente da boca, tentando não rir alto e disfarçar.

— Sim papai, pode rir! — Sua risada estridente de criança então se mistura com a mais rouca do pai, que realmente se diverte falando com ele.

— Ah, Taehyun, quase ia me esquecendo. — Namjoon se abaixa, abrindo sua maleta de trabalho. Ele anda com isso pra todo lado, é onde guarda o notebook, caso ocorra emergências grandes demais. — Esse é seu presente de aniversário.

Entrega ao garoto um pacote de tamanho mediano, do qual não faço a menor ideia de como coube dentro daquela pasta. Coisas da vida, né, não podemos questionar.

— Não pode abrir ainda! — exclama Namjoon, segurando as pequenas mãos de nosso filho para que não abra o pacote. — Eu estou te dando hoje porque não sei se conseguirei vir amanhã, mas quero fique fechado. Aí, se eu vier, podemos abrir juntos.

— Mas, por que você não vem? — Posso sentir o peso da tristeza de Taehyun daqui, e minha vontade é de ir lá e lhe abraçar para que não se sinta assim. Mas, Namjoon é mais rápido que eu.

— Não, meu bem, é que eu tenho trabalho de manhã, apenas. Vou fazer de tudo para chegar a tempo da sua festa, mas se não der certo, eu venho depois, sem problemas — fala ele, tentando arrumar o que tinha feito antes. Discretamente, Namjoon suspende seu olhar em minha direção, piscando um olho, e é assim que eu sei que tudo isso não passa de uma artimanha.

Talvez Yoonji esteja ciente disso, ela mesma pode ter dado a ideia, não duvido nada. Yoonji é muito meticulosa quando quer. Isso pode até me assustar, mas eu não ‘tô dizendo que acontece, ok?

— Promete que não vai abrir hoje? — pede Namjoon, com a voz mansa novamente.

— Prometo, papai, vou te esperar pra abrir o presente comigo. — Taehyun suspende sua mãozinha pequena de criança, esticando o dedo mindinho, rapidamente seguido pelo outro pai, que o envolve no seu, dez vezes maior.

— O que estão fazendo aí? — Aproveito essa "deixa" deles para entrar na varanda, como quem não quer nada, sentando numa cadeira vazia ao lado de Taehyun.

— Pai, o papai me deu meu presente de aniversário! Olha como é bonito o papel — fala o pequeno, me mostrando uma pequena caixa. O embrulho fora mal colocado, o que me leva a crer que foi o próprio Namjoon quem o fez. Tem fita adesiva demais de um lado, com um montinho de papel verde limão do lado de baixo e um laço de fita vermelha, que na verdade tá parecendo um laço de sapato. Sim, bem tosco, mas autêntico.

E eu sei que Namjoon deu o melhor de si nesse presente, o bom é que Taehyun ama qualquer coisa que damos à ele.

— Então vamos abrir? — pergunto, mesmo sabendo de toda a situação. Namjoon sorri divertido olhando na minha direção, o olhar cúmplice.

— Ainda não posso abrir. — Entretanto, Taehyung não presta atenção em mim realmente, ele está olhando seu presente com extremo interesse. — O que será que é? — indaga, aproximando a caixinha do ouvido, sacudindo de um lado pro outro, tentando descobrir o que é só pelo som.

— Pode tentar descobrir o que é, mas não abre, ‘tá? — pede Namjoon, afagando os cabelos de Taehyun.

— Vamos embora, Namjoon. — Me viro para a porta, encontrando Yoonji colocando um óculos de sol exageradamente grande e rosa na cabeça. Acho que desistiu da tiara.

— Vamos! — Apressadamente, Namjoon se levanta da mesa, quase a derrubando, mas felizmente eu e ele seguramos. 

— Onde vocês vão? — Taehyun pergunta, largando o embrulho que seu pai lhe deu. O garoto olha em minha direção um tanto desconfiado, e eu, sem ter muito o que fazer, sorrio tentando o tranquilizar.

— Temos que resolver umas coisas sobre a sua escola, filho, por isso o papai Namjoon vai comigo — fala Yoonji, arrumando alguma coisa que não sei o que é no cabelo.

— Ah — murmura Taehyun, finalmente entendendo o que se passa por aqui. Mal sabe ele a tramóia que estamos fazendo. Rio internamente, enquanto Yoonji acena em sua direção e sai pela porta da varanda.

Tão carinhosa quanto um coice de mula. Não estou dizendo que ela é péssima mãe, só que não é muito dela ser tão carinhosa e grudenta. Tenho certeza que se o Taehyun se assumisse, se ele tiver algo que assumir, ela vai respondê-lo com "e eu com isso?", enquanto eu e Namjoon choramos copiosamente.

— Até amanhã, filho. — Namjoon ainda dá um beijo na cabeça cabeluda de nosso pequeno, bagunçando sua cabeleira com a mão. 

Eu e Taehyun prendemos o olhar um ao outro, contando os segundos até ouvirmos o som da porta da frente, seguido do barulho de motor. Pouco tempo depois, o carro preto de Namjoon aparece pela rua, sendo avistado por nós, que estamos basicamente na lateral da casa.

— Você ‘tá pensando no que eu ‘tô pensando? — pergunto, só pra ter certeza de minhas atitudes seguintes.

— Liberou geral! — grita ele, me assustando completamente quando sai correndo, deixando seu presente largado em cima da mesa de qualquer jeito.

Sorrindo, sigo o garoto até o lado de dentro, o encontrando com o pote de balas que Yoonji insiste em "esconder", comendo algumas minhocas de caramelo. 

— Não come demais, senão estraga o almoço — peço-lhe, mesmo que eu também chegue ao seu lado e pegue algumas balas de limão.

— O que vai ser de almoço? — É como muita dificuldade que eu consigo lhe entender, já que tem um monte de balas na boca.

Acho que sou um péssimo pai e influência.

— Sei lá. — Pego mais uma bala, de morango, colocando-a na boca, junto com outra de limão. — O que você quer comer hoje? 

Taehyun me olha com aquela carinha de quem sabe que pode pedir qualquer coisa — ou quase — que eu vou atender.

— Pizza! — exclama, prolongando os "a" da palavra, correndo até outro cômodo da casa.

Revirando os olhos, sigo o som de bagunça pelo local. Sempre que estamos sozinhos em momentos assim, Taehyun pede pizza, ou pergunta se podemos comer cereal e doces de almoço. Como eu já disse que não pra segunda opção umas vinte vezes, ele acaba por pedir mais pizza que qualquer coisa.

O encontro revirando sua caixa enorme de brinquedos, procurando alguma coisa para que possa usar de exemplo — ou inspiração, não sei — pra alguma brincadeira maluca, que com certeza me envolve.

— Pai, você quer o Pat Pirata, ou a Barbie? — Mostra-me os dois bonecos, a Barbie usando uma roupinha de médica. Mas, não se preocupem, conservadores, essa é apenas uma boneca que a prima de Yoonji deixou aqui. Deram uma nova a ela, então Taehyun ficou com essa.

— Acho que eu quero o Pat hoje. — Me aproximo dele, pegando o boneco de pirata na mão, esperando que as engrenagens da cabeça de Taehyun funcionem pra juntar os bonecos numa brincadeira bem doida.

— O Pat vai ser um pirata bonzinho, aí ele e a amiga dele vão pra uma corrida na lua. — Como é? Eu adoro a forma como ele simplesmente pega coisas aleatórias de seu quarto, juntando numa história completamente inesperada.

Acho incrivelmente fantástica essa forma das crianças pensarem, me lembra quando eu era menor, com uns dez anos, formulando aventuras de super heróis e agentes secretos.

Sorrindo, me junto a ele, dando tudo de mim pra fazer como que a história seja ainda mais doida do que o seu começo.

— Oh não! Barbie, as minas de queijo estão sendo invadidas, pegue sua arma de leite, eu vou chamar reforços — digo, forçando minha voz pra parecer como as dos piratas de desenhos. Só não vou fazer aquele "argh" esquisito.

Pego um secador de cabelo pequeno de plástico, jogando na direção de Taehyun. O objeto cai ao lado dele, mas a criança faz com que a boneca pegue do chão e "corra" até um aglomerado de legos coloridos.

Eu, obviamente, procuro por outros bonecos pelo quarto, encontrando o Superman, a Mulher Maravilha, alguns bonecos aleatórios do Max Steel;

— Nós viemos ajudar! — Balançando um dos brinquedos, ajudo Taehyun a desmontar todo o lego.


[...]


Ao final da brincadeira — a Barbie se casou com um Max Steel, e descobrimos que ela na verdade era um super herói que muda de forma, chamado Metamorfo; o Pat era um vilão, foi ele que chamou os exércitos para roubar queijo; e o Batman é apaixonado pelo Superman, não sei de onde o Taehyun tirou isso — nos encontramos deitados no chão, o menino escovando os cabelos da boneca em sua mão, usando uma escovinha rosa.

— Pai, vamos jogar videogame? — questiona despretensiosamente, ainda na ação pacífica dele.

— Vamos. — Levanto do chão, já que Taehyun nem se mexe, procurando pelos controles do console. Estranhamente, estão em cima da mesa de estudos, o que me faz questionar se ele realmente estuda, mas esse não é o momento de confrontá-lo.

— Que jogo você vai botar? — pergunta ele, sentando no chão e puxando algumas almofadas da cama. Espero que Yoonji não veja isso no chão.

— Bora colocar um de luta? — Procuro alguns jogos bons, mesmo sabendo que fui eu quem o encheu de jogos.

— Ah, não! Pai, você é muito competitivo — reclama, vindo para perto de mim. — Eu quero esse.

— Mário? — pergunto meio abismado. Achei que Taehyun gostasse de porradaria, pelo visto não.

— É muito legal — fala ele, não me dando tempo de resposta, indo direto ao jogo e colocando a mídia lá.

Deixo que o garoto faça essa parte chata de botar o jogo, me sentando numa das almofadas do chão, pegando o controle do player 1.

— Não, eu quero ser o play 1! — grita Taehyun, me surpreendendo pois eu não imaginava esse tipo de reação agora. 

— Mas, eu peguei o controle primeiro — digo, segurando um pouco mais forte o controle em mãos.

— Mas, não é justo! Você sempre é o play 1. — O som característico do Mario já saindo pelos alto-falantes da TV.

— Eu pego o controle primeiro sempre? — me defendo em tom de pergunta, completamente possesso em relação ao play 1. A verdade é que ser o um ou dois não fazem mais muita diferença, porque falsificar esses controles de jogo é bem mais difícil, mas a rivalidade pelo "jogador 1" na tela reina dentro do ser de qualquer um.

— Isso é injusto demais, eu sempre coloco o jogo na TV. — Emburrado, Taehyun cruza os braços e faz biquinho, nem parece que é comportado e todas essas coisas que as avós gostam de se gabar para as outras avós. — Deixa eu ser o play 1 — pede ele, prolongando o "um" num bico fofo que me faz dar risada de si.

— Ah, não! — exclamo, puxando o controle de seu alcance, não deixando que pegue de minhas mãos calejadas de tanto jogar. Não estou fazendo por querer 100% esse controle, é mais por rivalidade que qualquer coisa. Eu gosto de todo o tipo de competição, seja um jogo ou não.

— Pai! — grita ele novamente quando eu deito no chão, protegendo o pedaço de plástico com o corpo.

E eu esperava qualquer coisa de Taehyun: que ele fosse pular em mim, que tentasse arrancar o controle dos meus dedos por baixo da minha barriga, qualquer coisa… menos cosquinhas!

Eu sou extremamente sensível nas laterais do meu corpo, e Taehyun sabe disso, pois seus dedos pequenos de criança vão direto nessa região, puxando minha camisa com uma mão e fazendo cócegas com a outra. Eu simplesmente me contorço inteiro, numas posições que eu nem sabia ter elasticidade suficiente pra elas, mas parece que sim. Felizmente, não dura muito tempo, pois meu filho puxa o controle, que incomodava minhas costelas.

Recuperando o fôlego ainda no chão, vejo Taehyun todo afobado, colocando as configurações do jogo o mais rápido possível para que não dê tempo de eu pegar o controle de volta. Não vou mentir que isso deixa meu coração um pouco triste, mas é só um lado. O outro fica até bem feliz por deixar Taehyun contente. Essa deve ser a maior prova de amor de um pai pra um filho: o deixar jogar com o controle um, mesmo que ele seja o original e que, muito provavelmente, o filho ou filha quebre esse controle.

Pego o controle dois, constatando o óbvio, que ele pesa exatamente a mesma coisa que o outro. E sim, brigamos por motivo nenhum, apenas porque sim.

Completamente concentrados na tela da televisão, eu e Taehyun jogamos juntos — ele de Mário e eu te Luigi, eca — nas fases de cooperação para chegar na princesa.

Não falamos absolutamente nada, apenas concentrando nossos esforços máximos para mostrar que somos melhores que o coleguinha. Eu, querendo mostrar que sou o devido merecedor do player 1, e Taehyun, aparentemente, vislumbrado com as coisas que tem que fazer, mas eu sei que não é isso. Ele ‘tá mesmo é querendo se provar melhor que eu, pra sempre pegar o controle um.

Nós só pausamos o jogo quando meu celular toca uma melodia meio natalina. Eu nem sabia que ele tinha algum toque, eu nunca mexi nisso depois que coloquei no silencioso, três anos atrás quando o comprei. Mas, sendo uma ligação de Yoonji, eu não demoro muito a entender que ela, provavelmente, aumentou o som do meu aparelho só pra não haver desculpas e ela comer meu couro.

— Alô? — digo, como em toda ligação que recebo, esperando por um resposta dela.

— Jungkook? — respondo com um som afirmativo vindo da garganta, imaginando ela concordar com a cabeça do outro lado da linha. — Nós vamos demorar ainda aqui. Deu muito atraso com a galera da comida, o Namjoon ‘tá falando no telefone com alguém da doceria agora.

— Tudo bem. Não se preocupe com a gente, estamos nos divertindo — falo sob o olhar atento e curioso de Taehyun, ainda sentadinho com o controle em mãos.

— Isso eu sei. Quero saber se vocês já almoçaram. — Mas, que pergunta é essa? Ainda nem são dez da manhã. Tiro o telefone do ouvido só pra ter certeza, arregalando os olhos ao ver o número quinze diante de mim. Eu nem vi o tempo passar, e Taehyun, esse comilão, hoje nem reclamou de fome. — Pelo silêncio, vou admitir que vocês estavam jogando videogame até agora e nem viram o tempo passar, então você vai pedir pizza e o Taehyun vai ficar com a alimentação desregulada de novo. — Apesar do tom reprovatório, consigo sentir um sorriso se forçando a aparecer em sua face delicada.

Yoonji pode se fingir de brava o quanto quiser, mas a verdade é que ela ama ver os "dois maiores amores de sua vida" se divertindo. Saber que ficamos horas criando boas lembranças juntos é, com certeza, uma boa notícia pra ela.

— Mas, era isso que eu ia fazer mesmo! — a informo, deixando com que minha voz seja tomada pela grande alegria que sinto agora.

— Tudo bem, Jungkook, mas vê se tenta dar o jantar na hora — resmunga em seu incrível papel de mãe rabugenta. Infelizmente, não consigo a responder, pois Namjoon aparece ao fundo da ligação, reclamando e gritando coisas que eu não consigo entender muito bem. — Não, Namjoon, a gente quer o bolo! O bolo, homem! — Mais alguns momentos de pura agonia por não entender uma palavra de Namjoon e: — Me dá esse telefone aqui... alô. — E nossa ligação é interrompida aí.

— Era a mamãe? — Taehyun chama minha atenção de volta pra ele, o menino se encontra no mesmíssimo lugar de antes, fazendo o mesmo nada, o que me deixa um pouco preocupado. Normalmente, ele já teria sumido da casa.

— Era Yoonji, ela mandou a gente comer — digo, colocando meu celular em cima da cama dele para me levantar.

— Pizza! — grita Taehyun, sumindo de minha vista, tava demorando.

O menino deve ter ido na cozinha pegar os folhetos de pizzaria na gaveta do lado das facas.

Espera aí, facas? Melhor eu ir lá ver isso.

Praticamente corro em direção à cozinha da casa, encontrando o guri sentado no chão, alguns folhetos coloridos em seu colo e no chão, nenhuma faca e tudo sob controle. Me aproximo, percebendo ele lendo um papel azul, formando as palavras com a boca. Isso é tão bonitinho! Ele faz as maiores caras e bocas do mundo lendo coisas como azeitona e gorgonzola. É tão fofo, eu morro de amores.

— Já sabe qual vai ser? — indago, pegando o telefone rosa que Yoonji manteu do design original da casa. É bem fofo e prático ter um telefone na bancada da cozinha.

— Hoje eu quero de — pausa pra ele ler de novo o nome do sabor que deseja, e eu tenho que dizer que suas sobrancelhas franzidas é uma graça. — queijo ca-catupiry e calabresa — completa com o olhar feliz por ter conseguido.

— Ta bom. — Tomo o folheto de suas mãos pequenas, ligando pra pizzaria, porque o próprio Taehyun pediria se soubesse os dados a passar.

Observo o menino arrumar os restantes dos papéis no chão pra guardar dentro da gaveta de onde os tirou. E eu posso dizer com muito orgulho que eu, Jeon Jungkook, ajudei nessas pequenas coisas sobre ele. É realmente bom saber que suas sementes de aprendizado dão frutos, e Taehyun arrumando uma gaveta é, pra mim, muito gratificante. Porque eu e Yoonji tivemos que encher o saco dele até que o garoto entendesse que sua casa não é um chiqueiro e todas essas coisas aí.

— Pedi, agora é só esperar — chamo sua atenção, colocando o fone de volta no gancho.

— Vai demorar? — pergunta ele, pulando de animação até o banco onde estou sentado, com medo de que ele me derrube daqui, seguro em suas costas, o impedindo de ir muito alto.

— Em quarenta minutos, mais ou menos. — Calculo, olhando o relógio do kumamon na parede, eu nem sei quando eu aprendi a olhar hora em relógio analógico.

— Dá pra ver dois episódios de doze pra sempre! — exclama ele, correndo até o sofá e pegando o controle da TV pra botar no seu desenho. — Vem, pai! Assiste comigo.

Não vou mentir que essa é uma das minhas partes favoritas: ficar sentado e fazer nada pelas próximas horas, comer algo, e voltar ao nada. Pode parecer extremamente ridículo, mas você já trocou energias com alguém? Trocou sensações, emoções, ou até mesmo te pareceu que seus pensamentos estavam conectados? Estou falando disso, dessa parte tão boa que compartilhamos com as pessoas que gostamos.

Sem demora, deito no sofá, colocando minha cabeça na perna de Taehyun, porque assim que eu me sentar, ele vai fazer isso comigo. É tipo uma troca de favores. O desenho já está sendo reproduzido em nossa TV, e eu não poderia escolher melhor lugar pra ficar que não fosse esse, deitado todo torto num sofá velho e pequeno, com meu filho servindo de travesseiro, apesar dele se mexer bastante com sua energia de criança. A Yoonji ama falar que eu me pareço muito com Taehyun nesse quesito, que eu fui ligado na tomada, só por ser mais novo. É até verdade, mas eu me cansei no meio de nossas brincadeiras de hoje e quero dormir. Só que ninguém sabe as coisas que podem acontecer se eu cair no sono e Taehyun ficar acordado. Ter uma meia supervisão é melhor que supervisão nenhuma.

Quando saio de suas pernas e me sento com os pés em cima da mesinha da sala, a primeira coisa que o garoto faz é atirar uma almofada de panda na minha perna e se deitar nela com tudo, fazendo minha coxa doer, mas eu sobrevivo. Eu sabia que isso ia acontecer, e ainda colocou almofada, que menino abusado!

Continuo encarando a televisão como se eu estivesse realmente vendo algo do que se passa, quando tudo em que estou concentrado é fazer carinho nos cabelos de Taehyun, e rir quando ele ri de alguma piada.

— É do Rico! — ouvimos uma voz masculina chamar da porta, batendo na madeira logo em seguida.

— Vou lá — digo ao tirar a cabeça dele de minhas pernas e me levantar. Felizmente, eu tinha dinheiro na carteira e foi bem mais fácil na hora de pagar. O entregador me dá a caixa característica de pizza do Rico's, o recibo e sai.

Ao voltar para o sofá, Taehyun está todo felizinho por, finalmente, poder comer algo depois de tantas horas. Deixo a caixa em cima da mesma mesinha onde coloquei meus pés, tomando cuidado pra não deixar cair, já que Taehyun decidiu ver pelos meus braços e se pendura neles.

Esse menino ‘tá ficando pesado!

— Lembra o que a Yoonji disse sobre comer no sofá? — pergunto antes dele meter a mão com tudo na comida, podia até se queimar.

— A mãe falou pra comer de prato, com o paninho e tomando cuidado pra não sujar — responde-me, mas seus olhos se encontram nas deliciosas fatias triangulares dentro da caixa. Bicho além de tudo, ainda é safado.

— Vamos pegar os pratos. — Ando na frente, mas não demora nem dois segundos pra ele aparecer correndo na minha frente. Hoje, nós vamos almoçar pizza nos pratos pequenos de café da manhã, que são os que estão no escorredor há horas, e beber suco de manga que sobrou de ontem.

Mas, sabe, eu mentiria se falasse que essa não é a melhor refeição da minha vida. Todas as que tenho ao lado de meu pequeno filho são excepcionais. Eu sei que todos os pais devem falar a mesmíssima coisa, mas é porque nós estamos cercados do melhor sentimento do mundo: amor. Amor puro, ingênuo e completamente despretensioso. Tão lindo quanto a própria lua e as estrelas.

Na verdade, isso é muito brega, e eu duvido que alguém me entenda… então vamos dizer apenas que ter uma criança pra poder chamar de sua é o melhor presente do mundo.


Notas Finais


Gostaria de agradecer ao trabalho de @jiminstrip pela betagem. Achei seu user super conceitual e tendência!
E também, minha capa fofa, por @daisylly Obrigado!! Ficou bem melhor do que imaginei


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...