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História Feliz aniversário? - Capítulo 1


Escrita por: e tobens


Notas do Autor


oioi! cá estamos de novo. sinceramente, eu sou >muito< fraca por kid!au, então quando eu vi esse plot eu soube que tinha que explorar ele da melhor maneira possível. obrigada a @bbytae por ter me dado essa chance! não tenho muita certeza de que consegui, dessa vez, mas espero ter ao menos atingido as suas expectativas!
obrigada ao @angelsbyun pela capa incrível e a @ziggyeol pela betagem, também! espero não ter dado muito trabalho à vocês!!
de qualquer forma, é isso. boa leitura~

Capítulo 1 - Super heróis e tortas de limão



 

#1 - Super-heróis e tortas de limão

 

Baekhyun se achava um garoto relativamente legal. 

Não costumava pensar muito em si mesmo, mas sabia que não era uma pessoa desagradável. Nunca era egoísta e sempre dividia seus lanchinhos, até mesmo quando estava morrendo de fome, e sempre fazia questão de conversar com todo mundo da sua sala para que ninguém se sentisse sozinho ou deixado de fora. Isso é algo legal de se fazer, não é? Conversar e fazer amigos eram coisas sobre as quais Baekhyun se sentia confiante, então quando convidou toda a sua turma para sua festinha de aniversário, tinha praticamente certeza de que todos compareceriam. 

Uma hora havia se passado desde a hora marcada para a festa. Além de sua mãe, seu cachorro, o Pitoco, e o próprio Baekhyun, nenhum dos convidados havia chegado. Nenhumzinho. Nem Jongdae, que Baekhyun tinha como melhor amigo desde que se entendia por gente. Nem Taeyeon, a menina gentil que sempre emprestava canetinhas para Baekhyun nas aulas de artes e ria de todas as piadas sem graça que ele fazia.

Tudo bem, Baekhyun sabia que podia ser irritante de vez em quando. Ele era bem barulhento e não suportava o silêncio, principalmente em momentos tensos ou desconfortáveis, e tinha um hábito terrível de se meter onde não era chamado quando achava que alguém precisava de ajuda - mas todo mundo tem defeitos! E Baekhyun achava que talvez as qualidades que tinha - quer dizer, ele tinha que ter alguma, não é? - pudessem superar esse lado insuportável que vez ou outra ele se deixava mostrar.

Mas não havia ninguém ali no seu aniversário. Nada de presentes, risadinhas ou chapéus de festa combinando, nada de brincadeiras e de gritos para bater na pinhata. Apenas silêncio, e talvez o silêncio fosse resposta mais do que suficiente.

— Meu bem… — sua mãe chamou da porta de casa. Baekhyun estava de costas para ela, sentado na calçada defronte ao portão do quintal, mas percebeu pelo seu tom de voz que ela estava preocupada. Talvez triste, assim como ele. Baekhyun não a respondeu, mas mesmo assim ela continuou. — Por que você não entra e come um pouco? Não é melhor esperar pelos seus amiguinhos dentro de casa? Você vai pegar um resfriado se ficar aí fora por muito tempo…

“Eles não vêm”, Baekhyun quis responder, mas não queria entristecer sua mãe ainda mais, então apenas ficou quieto. Negou com a cabeça algumas vezes e esperou que ela saísse. Ela sempre percebia quando havia algo de errado e Baekhyun sabia que estava sendo óbvio, mas não queria companhia naquele momento.

— Tá tudo bem, mãe. — mentiu. — Eu quero ficar aqui fora mais um pouco. Depois eu entro pra comer alguma coisa. Obrigado.

Se sua mãe ainda estava incerta, ela não se pronunciou. Ouviu-a murmurar em concordância e então voltar para dentro de casa em passos arrastados, e Baekhyun só se deixou chorar quando teve absoluta certeza de que estava sozinho. Foram poucas lágrimas, nem teve de apertar os olhos para que elas saíssem. Talvez fosse coisa de criança chorar no próprio aniversário, mas estava chateado demais para se importar se parecia mais um bebezinho do que um garoto de recém-completos 11 anos de idade. 

Era injusto. Pelo menos achava que sim. Tudo bem que talvez fosse chato - era o único motivo que encontrara para absolutamente todos os seus coleguinhas coletivamente ignorarem sua festa de aniversário -, mas eles deviam ter pensado em como se sentiria. Como olharia para eles quando fosse para a escola na semana seguinte? Poxa, se até Jongdae lhe deixara de lado… Então devia ter algo de muito errado consigo. Jongdae sempre ia nas festinhas de todo mundo, até das pessoas de quem desgostava.

E pensando bem, será que fizera algo de errado? Talvez tivesse sido chegado demais. Mamãe dizia, às vezes, que pessoas muito chegadas podem ser invasivas de vez em quando. Ela também dizia que não era sua culpa que isso acontecesse, que era apenas seu jeito de fazer amigos, mas se seus coleguinhas não pensavam assim, de que adiantava? Baekhyun encostou o queixo entre seus joelhos e respirou fundo.

Para ser sincero, estava se sentindo muito perdido. Não sabia outro jeito de fazer amigos além daquele. Era da sua natureza, só chegar e se fazer em casa perto de todo mundo. Talvez ele fosse realmente uma pessoa ruim. Tinha que parar de pensar nisso senão acabaria chorando mais e não queria que sua mãe percebesse.

— Oi. — uma voz gentil sobrepôs seus pensamentos. Baekhyun lentamente abriu os olhos marejados (nem percebera que havia os fechado) e encontrou um par de tênis surrados parados à sua frente, esperando que respondesse. Não ergueu o rosto de imediato. Sempre ficava vermelho como um pimentão quando chorava e, quem quer que fosse, não o conhecia suficiente para que deixasse vê-lo chorando. — Você tá chorando?

Baekhyun negou rapidamente com a cabeça, apesar de ser óbvio que estava mentindo. Assistiu os tênis surrados impacientemente baterem no concreto da calçada enquanto o silêncio preencheu o espaço entre eles. Queria que o dono da voz fosse embora, mas não queria ser rude. Já cometera erros demais de uma só vez.

— Não precisa mentir. — ele disse, e Baekhyun fechou os olhos outra vez, frustrado. — Sabe, eu vi você chorando. Do final da rua. E aí eu quis falar com você, porque não é legal ficar sozinho quando se tá triste. Então, se você quiser falar sobre isso…

Baekhyun ergueu os olhos apenas para encontrar os outros arregalados e brilhantes, transbordando coisas as quais Baekhyun sequer conseguia nomear. O garoto parecia ser mais alto que si alguns bons centímetros e usava roupas largas demais para seu corpo magro; o cabelo castanho ondulado estava crescido o suficiente para que as pontas espiassem por detrás das orelhas avantajadas e, prestando bem atenção, Baekhyun conseguia ver sardas quase imperceptíveis se espalhando pelas bochechas levemente pintadas de rosa. Sentia que o conhecia de algum lugar, por mais que não se lembrasse de onde.

— Quem é você? — perguntou baixinho. O garoto abriu um sorriso amarelo e coçou a nuca. 

— Meu nome é Chanyeol. Eu moro naquela casa do fim da rua. — ele disse. — Eu tava só passeando de bicicleta, mas aí eu vi você e… É. Eu quis ajudar.

Baekhyun não soube exatamente o que responder, por alguns instantes. Normalmente ele era aquele a começar as interações porque era mais fácil ditar o ritmo da conversa, então não estava acostumado a ter alguém lhe chamando daquele jeito. Devia se apresentar? Sendo bem sincero, a última coisa que queria agora era ter um garoto estranho espalhando por aí que Baekhyun era um bebê chorão, mas ele não parecia ser rude e, pelo jeito como franzia o rosto, podia se dizer que estava até preocupado. 

Baekhyun pigarreou e se afastou um pouco na calçada, dando espaço para que o garoto sentasse.

— Meu nome é Baekhyun. — murmurou. O rosto de Chanyeol se acendeu, subitamente, quando ele se sentou ao seu lado. Ele cheirava a lavanda e chocolate branco e Baekhyun não sabia se o cheiro era enjoativo ou agradável.

— Baekhyun… Posso te chamar de Baek? — Chanyeol sorriu. Baekhyun sentiu seu rosto esquentar até as orelhas, mas assentiu, de qualquer forma, porque algo em si tinha certeza de que ele chamaria mesmo se negasse. — Tudo bem, Baek! Por que você tava chorando? Aconteceu algo ruim? Eu sou muito bom em ouvir, então você pode me dizer tudo e eu vou ficar caladinho se você me pedir!

— Não foi nada demais. É bem idiota.

— Não é idiota se te fez chorar — Chanyeol insistiu, e por um momento Baekhyun sentiu como se pudesse realmente confiar nele. Talvez fosse a voz gentil ou o jeito como ele tinha ruguinhas e sardas nos cantos dos olhos que só apareciam quando ele sorria. 

Baekhyun limpou a garganta antes de continuar.

— Hoje é meu aniversário. — disse, baixando seu tom de voz. — Eu ia fazer uma festinha hoje, de 10h, e convidei todos os meus amigos. Eu não sei se é porque eu sou chato ou porque eles tinham muita coisa pra fazer, mas é… Ninguém veio. E eu não sou chorão, eu juro, eu já tenho onze anos, mas foi bem chato, sabe? É meu aniversário e eu achei que, sei lá… Seria divertido passar um tempinho com todo mundo. Mas talvez só fosse ser divertido pra mim. Não sei. Eu só fiquei muito, muito chateado.

Chanyeol não respondeu de imediato e Baekhyun enterrou o rosto entre seus joelhos, sentindo-se pior do que estava antes do garoto aparecer.

— Eu sei que é idiota e é coisa de criancinha, mas…

— Caramba. — ele finalmente disse, parecendo genuinamente aborrecido. — Foi muito chato da parte deles. É seu aniversário, poxa. Mesmo que alguém não goste de você por alguma razão idiota, é muito chato faltar o aniversário de alguém de propósito, muito mesmo. Você não devia ficar triste por isso. Eles que deviam se sentir mal, porque eles que tão fazendo a coisa errada. 

Baekhyun ergueu a cabeça rapidamente, os olhos arregalados.

— Você acha? 

— Tenho certeza — Chanyeol disse, empurrando-o de leve com o ombro. — Eu sou mais velho que você, então confia no que eu tô falando.

— Você é mais velho? — Baekhyun questionou, erguendo uma sobrancelha. 

— Só um ano, mas mesmo assim!

— Não parece. Você tem cara de criança.

— Ei! — Chanyeol choramingou, e Baekhyun pensou com uma risada mesmo que estava começando a gostar do jeito bobão que aquele garoto tinha. — Ninguém te ensinou a ter respeito pelos mais velhos? Eu posso te ensinar muitas coisas, sabia?

— É só um ano, não exagera, Chanyeol. — brincou. — No máximo você pode me ensinar como empinar a bicicleta e amarrar o cadarço do tênis sem cantar a música do coelhinho. Não consigo pensar em mais nada além disso.

— Ah, é mesmo? — Chanyeol bradou e se levantou com um pulo, erguendo um de seus punhos como se fosse um herói de quadrinhos. — Então se prepare, porque, além de ser seu tutor, eu vou te dar o melhor aniversário de todos os aniversários do mundo hoje mesmo!

— E eu duvido que você consiga! — Baekhyun desafiou, divertindo-se com o jeito como os olhos de Chanyeol soltaram faíscas.

— Meus planos nunca falham, jovem aprendiz. — ele rebateu com um meio sorriso e pôs ambas as mãos na cintura, confiante. — Mas seu aniversário, suas regras. Qual é o nosso primeiro passo?

Baekhyun olhou ao redor por alguns instantes antes de respondê-lo.

— Então, eu não tinha muita coisa pra fazer hoje além da festa, mas isso significa que a gente tem docinhos. Tem docinhos demais pra eu comer sozinho, então… Se você quiser, sei lá. Dividir?

Baekhyun podia jurar que os olhos de Chanyeol brilharam como se ele de fato fosse um personagem de quadrinhos.

— Com certeza! 

— Ah. Tudo bem, então. Eu vou só avisar pra... — Baekhyun pigarreou e se voltou para a porta dos fundos. — Mãe! A gente tem visita.

— Visita? Visita de onde? — sua mãe indagou, espiando pela janela da cozinha com o rosto franzido. Quando viu Chanyeol, contudo, ela instantaneamente sorriu, parecendo menos preocupada do que estava quando viera falar consigo mais cedo. — Ah, olá, eu acho. É seu amigo, Baekhyun?

Chanyeol assentiu antes que Baekhyun pudesse respondê-la. Quer dizer, havia-o conhecido há menos de dez minutos, mas Chanyeol parecia ser chegado assim como ele, então não era de se espantar que ele se considerasse seu amigo. O pensamento fez as bochechas de Baekhyun esquentarem.

— É. Tipo isso.

— Prazer, é…

— Chanyeol, tia! — Chanyeol se curvou para cumprimentá-la, seu sorriso tão largo que quase não cabia em seu rosto. — Eu moro no final da rua. Eu vi que o Baek tava sozinho e quando ele me disse que era aniversário dele, eu fiquei bem incomodado, porque nunca é legal passar o aniversário sozinho, então eu me auto convidei pra dividir os docinhos da festa com ele hoje! Se ele comesse tudo sozinho ia dar uma dor de barriga enorme e eu juro que não sou intolerante a lactose e posso comer todos os tipos de doce-

— Tudo bem, tudo bem. — sua mãe o interrompeu com uma risadinha. Baekhyun também estava tentando se acostumar com aqueles momentos aleatórios em que Chanyeol falava mais rápido do que pensava. — Não tem problema, Chanyeol. Bem vindo à festinha. Obrigada por fazer companhia pra gente. Qual seu tipo de doce favorito?

O rosto de Chanyeol se acendeu com a pergunta e antes que Baekhyun pudesse avisar a mãe de que aquela era uma péssima ideia, ele já estava incessantemente tagarelando sobre os tipos de doce que seu pai gostava de preparar, caminhando lado a lado com sua mãe em direção à mesa de doces. Baekhyun respirou fundo.

Se festas de aniversário fracassadas atraíam garotos entupidos de energia, nunca chegaria a saber. Sua única opção, naquele momento, era deixar que Chanyeol lhe guiasse com aquele sorriso irritantemente brilhante, e aquela nem parecia uma ideia tão horrível, para ser sincero.

Para tudo se tem uma primeira vez, não é?

[...]

Acabaram com metade da mesinha de doces em questão de minutos. Apenas metade, contudo, sua mãe interviu no meio do caminho, dizendo que, se comessem o restante, acabariam tendo uma dor de barriga independentemente de estarem dividindo as quantidades. 

Baekhyun descobriu que o doce favorito de Chanyeol era o beijinho, exatamente aquele o qual ele menos gostava. Deixou que ele comesse quase todos os beijinhos que haviam na mesa, enquanto Chanyeol lhe deixou com todas as uvinhas surpresa. Era mais divertido dividir com ele do que com Jongdae, já que Jongdae gostava dos mesmos docinhos que Baekhyun e era horrível perder pra ele no jokenpô. 

Estavam deitados lado a lado na grama do quintal, esperando que os docinhos parassem de fazer peso em seus estômagos. Baekhyun sentia que explodiria apenas de ver as embalagens coloridas de brigadeiro em cima da mesa. Chanyeol, que não parava de resmungar, também não parecia estar nada melhor do que ele. 

— Acho que tô morrendo. — Baekhyun murmurou. Chanyeol resmungou em resposta. — Não quero levantar. Vou passar a tarde dormindo na grama.

— Fora de cogitação. Então, agora que a gente já comeu os docinhos — Chanyeol começou a falar, e Baekhyun não sabia se aquilo era um sinal bom ou ruim. — Tem alguma coisa que você queira fazer? Ainda são uma da tarde, então a gente tem um tempão até o seu aniversário acabar. 

Baekhyun pensou por alguns instantes, mas nenhuma ideia realmente legal lhe veio à cabeça. Normalmente era muito bom com ideias, mas parte sua ainda estava chateada com o que havia acontecido mais cedo e era difícil ouvir seu lado criativo quando seu quintal parecia mais vazio do que o comum.

— Não sei — desistiu, levando as mãos ao rosto. Chanyeol murmurou ao seu lado em concordância. Quando não houve outra resposta, Baekhyun deduziu que o garoto estava pensando. — Sabe, não precisa fazer isso. Meu aniversário nem é tão importante-

— Já sei! — Chanyeol o interrompeu, sentando tão rápido que Baekhyun se questionou como ele não havia ficado tonto. — Eu acabei de formular o plano perfeito para você ter o melhor aniversário do mundo. Não esquenta, eu sou ótimo com planos: eles são minha especialidade. Eu juro que não vou te desapontar!

— Um plano? Tão rápido assim?

Chanyeol piscou um dos olhos para si e abriu seu melhor sorriso convencido. Baekhyun ainda não entendia como ele conseguia ter tantos sorrisos diferentes, mas aquela não era uma coisa necessariamente ruim. 

— Eu disse que sou bom com planos, não disse? — ele se levantou e lhe estendeu a mão para que o acompanhasse. Baekhyun segurou-a, incerto, mas o jeito como seu coração falhou uma batida era o suficiente para indicar o quanto estava empolgado. — Ok, vamos do começo. Sua mãe te deixa sair pra passear? Eu queria te levar pro parque daqui do bairro. Não é tão longe, mas também não é tão perto, e a gente não devia ir sem permissão de um adulto, principalmente porque você é mais novo do que eu e…

— Ei! Você só é um ano mais velho, cabeça oca! — Baekhyun retrucou e cruzou os braços no peito, fechando a cara. — Para de agir como se a gente tivesse cinco anos de diferença. Você parece um vovô falando. 

Chanyeol estirou a língua em resposta e Baekhyun tentou - ele realmente tentou -, mas não conseguiu conter a risada que lhe escapou da garganta. 

— A gente pode perguntar pra minha mãe. Mas não tem muita coisa pra fazer no parque, né? — Baekhyun deu de ombros. — Só tem brinquedo de criança. Normalmente eu gosto de brincar com o Pitoco, mas ele tá velhinho demais pra passear assim, do nada. Não vai ser meio chato?

Chanyeol apenas o encarou, indignado, como se Baekhyun tivesse falado a coisa mais audaciosa entre todas as coisas super audaciosas do mundo.

— Ah, meu jovem Baek… Existem tantas coisas sobre o mundo que você ainda tem que aprender…

— Você tá fazendo aquilo de novo! Falando que nem um vovô!

— Então, a partir de hoje, você vai ser meu aprendiz! — Chanyeol ditou, bagunçando o cabelo de Baekhyun com as mãos sujas de chocolate. Baekhyun guinchou e o empurrou com uma risada, disparando para dentro de casa com Chanyeol em seus calcanhares.

— Mãe! — exclamou enquanto rapidamente calçava seus tênis, mal olhando sua mãe no rosto de tanta pressa. — Eu e o Chanyeol vamos no parque! 

— No parque? — ela indagou, parecendo genuinamente surpresa. — Tudo bem, então. Mas voltem antes das três, certo? Não é legal ficar fora no pôr do sol e tudo é perigoso quando anoitece.

— Pode deixar, senhora B! — Chanyeol acrescentou, ofegante, ao seu lado, parecendo ainda mais empolgado do que antes. Ele apertou Baekhyun pelo ombro antes de disparar porta afora, em direção à sua bicicleta. — Vem, Baek! Eu sei um atalho pro parque que vai pelo rio e tem muitas lojinhas de salgadinho legais pelo caminho. Tem algumas que dão salgadinho de graça pros aniversariantes e eu acho que a gente pode usar isso ao nosso favor. Eu sempre passo lá no meu aniversário- 

— Ele tem bastante energia. — sua mãe comentou antes que Baekhyun pudesse segui-lo. Ele respirou fundo e assentiu, tonto por tentar se acostumar com o ritmo daquele garoto que mal conhecera. — Eu fico feliz, meu bem. É bom ter esse tipo de gente por perto, às vezes. A energia dele contagia. E ele apareceu no momento certo, não foi?

— Foi — Baekhyun divagou. Tentou não passear com os olhos pela mesa de doces quase vazia de seu aniversário. Chanyeol conseguira distraí-lo, mas não o suficiente para que não se sentisse sozinho quando lembrava de sua festinha. — Como um super-herói.

— Como um super-herói — sua mãe repetiu. Baekhyun não entendeu muito bem o sorriso que ela lhe mostrou, mas ainda era melhor do que o olhar triste que ficara preso em suas costas por grande parte do dia. — Agora vai lá. Ele tá esperando por você.

Chanyeol continuava tagarelando quando finalmente o alcançou. Baekhyun não sabia como o tópico de conversa fora de lojas de salgadinho para os melhores filmes da Marvel, mas não tentou discutir, de qualquer forma. Parte sua acabou aprendendo que, em um diálogo com Chanyeol, o melhor a se fazer era apenas seguir com o fluxo.

Desceram ladeira abaixo juntos na bicicleta de Chanyeol e foi tão empolgante quanto aterrorizante. A risada de Chanyeol ecoou pelas ruas vazias de seu bairro, contrastando com os gritos nervosos de Baekhyun quando achava que iam cair e sair deslizando no asfalto.

Sentia como se pudesse voar.

[...]

Chanyeol falava muito. Muito, sobre muitas coisas diferentes. Baekhyun sempre se considerara enérgico, mas Chanyeol parecia ter uma corrente contínua e imparável de pensamento que chegava a ser infernalmente difícil de acompanhar, às vezes. Até mesmo para alguém como ele.

Se Baekhyun comentasse sobre o tempo, Chanyeol tinha muitas coisas a acrescentar depois dele, como o formato das nuvens no céu ou como os trovões funcionavam durante as tempestades.

Quando Baekhyun espirrava ou tossia, Chanyeol parecia ter um catálogo de curiosidades improváveis sobre os dois, como a velocidade máxima de um espirro, ou o que acontecia em seus pulmões para provocar a tosse.

Quando Baekhyun perguntava sobre seus gostos, Chanyeol listava todos os seus hobbys e caramba, Baekhyun sequer sabia ser humanamente possível alguém ter mais de 10 hobbys praticados simultâneamente, mas nada era realmente impossível para um garoto como ele. 

Baekhyun gostava disso: de nada ser impossível. Gostava de como Chanyeol parecia invencível e intocável, como se não pudesse ser derrotado por nenhum monstro no mundo. (Exceto por insetos, mas Baekhyun entendia; eles eram como os chefões mais difíceis dos seus jogos de videogame favoritos.)

Gostava de pensar nele como um super-herói. Ser amigo de um super-herói parecia a coisa mais legal do mundo, sinceramente. E passar seu aniversário com um super-herói soava mais legal ainda. Jongdae com certeza ficaria com inveja.

Quando estava ao lado de Chanyeol, Baekhyun sentia como se pudesse ser invencível, também. Como um super-herói.

[...]

Baekhyun descobriu, naquela tarde, que haviam muitas coisas para se fazer no parque além de brincar nos balanços e passear com seu cachorro. Chanyeol o ensinou a escalar árvores e coletar frutinhas silvestres, e lhe mostrou a diferença entre aquelas comestíveis e as que lhe dariam uma baita dor de barriga depois. Eles fizeram super castelos de areia com latas de refrigerante achadas no lixo e um pouco de água do lago e Baekhyun não hesitou em apontar que os castelos deles haviam ficado mil vezes melhores do que os das criancinhas com baldes e pás e aquelas ferramentas chiques de brinquedo.

— Não importam as ferramentas quando você tem talento de verdade — Chanyeol ditou, e Baekhyun riu alto porque tinha certeza de que fazer castelos de areia bonitos não se encaixava como um talento. — Você sabe que eu tô certo, Baek! 

Antes de irem embora, Chanyeol fez um bolo de areia com direito a cobertura de folhas e onze velas de gravetos finos, e eles cantaram parabéns no meio das criancinhas pequenas e seus baldinhos do Super-Homem. Algumas delas até cantaram junto com eles e deram bolotas de areia para Baekhyun como presente de aniversário. Foi quase como fazer uma festa, de certa forma.

— Mas não é uma festa sem docinhos. — Baekhyun murmurou, contudo, sentindo-se deprimido apesar de ter comido grande parte dos docinhos de sua festa mais cedo. Chanyeol o encarou como se estivesse pensando em uma solução, então Baekhyun esperou. De alguma forma, Chanyeol sempre tinha uma solução.

— Docinhos prontos são muito caros, mas… — ele sorriu, esperançoso. — Acho que tenho dinheiro o suficiente pra comprar picolé. Tudo bem por você?

Baekhyun não admitiu, mas a sugestão bateu como asas de borboleta em seu estômago.

Jogou alguma das bolotas em Chanyeol no caminho até a barraquinha, só de brincadeira. O ataque engatilhou uma guerra de bolotas de areia extremamente desleixada, e tiveram que parar antes que acabassem acertando uma criança ou uma das velhinhas que calmamente caminhavam com seus sorrisos sem dentes e suas bengalas.

Baekhyun não precisava de presentes de verdade quando tinha momentos como aquele, que queria que durassem para sempre.

[...]

O sabor favorito de picolé de Chanyeol era limão. Baekhyun anotou essa informação no cantinho de sua mente, porque sua mãe amava comprar limões para fazer suco e ele vira uma receita incrível de torta de limão na internet uma vez. A ideia acendeu uma lâmpada na sua cabeça.

— Chanyeol — chamou-o, interrompendo o discurso que o garoto fazia sobre as mil e uma utilidades de um palito de picolé. — Você gosta de torta de limão?

Chanyeol franziu o rosto. 

— Gosto. Por quê?

— Quer fazer uma? — Baekhyun perguntou, sem conseguir conter seu sorriso esperançoso. — Sabe, a mamãe faz a melhor torta de limão do mundo. E já que você não gosta de bolo de chocolate e… só tem a gente na minha festa, eu…

Baekhyun sentiu os olhos marejarem outra vez e desviou o olhar para seu picolé de morango, que já pingava na calçada do parque e por pouco não sujava seus tênis. Passear com Chanyeol estava enchendo sua cabeça de coisas boas, mas ainda estava bastante chateado. Não era legal se sentir sozinho daquele jeito, como se ninguém gostasse de você e você não pertencesse a lugar nenhum. Droga. Não queria chorar de novo.

Antes que seus pensamentos se tornassem uma nuvem pesada, Baekhyun sentiu Chanyeol lhe puxando pelo braço, e suas pernas se moveram antes que pudesse perguntar para onde estavam indo. Chanyeol sorria - e Baekhyun achava que as ruguinhas e sardinhas que ele tinha no canto dos olhos o faziam parecer mais novo do que si - e gritava algo sobre serem os melhores “fazedores de torta” da história e, apesar de não saberem nem ligar o fogão direito, Baekhyun deixou de se importar com tudo, por um instante.

Chanyeol era corajoso, que nem um super-herói. Ele estava fazendo todas aquelas coisas legais por si e não estava pedindo nada em troca. Baekhyun achava ele um cara incrível, ajudando só por ajudar, só porque o coração dele era tão grande quanto o sorriso que vivia lhe mostrando. 

Chanyeol era corajoso, e Baekhyun era um bebê chorão que estava fazendo birra no próprio aniversário. Baekhyun queria ser corajoso, também.

Ele se deixou gargalhar junto a Chanyeol enquanto corriam de volta para casa.

[...]

O plano da torta correu surpreendentemente bem. Baekhyun não sabia se isso era bom. Havia sido fácil demais para que não se preocupasse. 

Sua mãe ajudou-os com a base de biscoito e um pouco da cobertura de limão, mas deixou-os fazer grande parte do trabalho sozinhos, para que aprendessem. Não era difícil como esperava que seria - e, mais surpreendentemente ainda, Chanyeol realmente sabia como colocar uma torta no fogão. Aparentemente, os pais dele trabalhavam com cozinha. Baekhyun achava que isso só o deixava ainda mais legal. 

— Tudo bem, acho que está tudo pronto. — a mãe de Baekhyun cantarolou enquanto ajustava a temperatura do forno. Baekhyun e Chanyeol se espremiam atrás dela, igualmente empolgados para espiar o doce pelo vidro fosco. — Agora é só a gente esperar.

— Quanto tempo? — Baekhyun perguntou, salivando. Sua mãe riu e bagunçou seu cabelo e Baekhyun se sentiu feliz por fazê-la sorrir de novo.

— Uma hora, eu acho. Deve ficar pronta por volta das 18h. — ela tirou as luvas de algodão e colocou na ilha da cozinha, lançando aos dois garotos um olhar brincalhão. — Enquanto isso, por que vocês não voltam para o parque? Voltem mais ou menos nesse horário. Vai ser chato ficar por aqui esperando.

Chanyeol, que parecia não conseguir comprimir sua empolgação dentro de seu corpo desproporcionalmente longo, se apressou em acrescentar:

— Tem um jogo muito legal que eu ganhei no meu aniversário do ano passado que eu tenho certeza que você vai gostar, Baek! Sério, é muito legal: tem monstros e astronautas e super-heróis super fortes e, nossa, no modo multiplayer, dá até pra gente…

— A gente tá indo, mãe! — Baekhyun empurrou o amigo (quer dizer, podia chamá-lo de amigo, não podia? Estavam passando seu aniversário juntos, de qualquer forma) pelos ombros enquanto ele ainda tagarelava. O sorriso que sua mãe esboçou tirou de sua barriga aquele peso chato que continuava lhe botando para baixo. — Até mais tarde!

O jogo era realmente legal, Baekhyun descobriu. Ele ganhou duas das três rodadas que jogara contra Chanyeol e riu enquanto ele resmungava sobre ser injusto Baekhyun ser tão bom tendo acabado de aprender a jogar. 

Na primeira das rodadas, Chanyeol teve que gritar o nome de sua vizinha três vezes como prenda. Na segunda, ele deixou Baekhyun desenhar de canetinha em suas costas. Baekhyun não queria ser mau, então apenas desenhou o personagem com o qual Chanyeol jogara no jogo com orelhas de burro e uma cauda. Gostou tanto do jogo que Chanyeol deixou-o levá-lo para casa. 

Começaram o caminho de volta para a casa de Baekhyun quando o sol começou a se pôr, e a lembrança de sua festinha fracassada não deixava Baekhyun triste como antes. Para ser sincero, não conseguia pensar em um jeito melhor de ter comemorado seu aniversário naquele dia. 

Chanyeol realmente era um super-herói, afinal.

[...]

Havia um jeito melhor de comemorar seu aniversário, no fim das contas.

Baekhyun quase não percebeu a barulheira no quintal de sua casa quando ele e Chanyeol finalmente chegaram. A primeira coisa que percebeu, na verdade, foi que sua mãe não estava em lugar nenhum, e a torta de limão ainda estava assando dentro do forno. Chanyeol disparou para o quintal antes que Baekhyun pudesse até mesmo processar os tênis desconhecidos na porta da frente e o zumbido anormal de múrmurios em algum lugar da casa.

(Subitamente, Baekhyun sentiu muito, muito medo. Quando era pequeno, ele tinha essa teoria de que morava em uma casa assombrada, e que no pôr do sol os espíritos voltavam dos seus trabalhos e esperavam a oportunidade perfeita para asssustá-lo e-)

Demorou alguns segundos para que a gritaria se transformasse em palavras dentro de seu cérebro. Surpresa? Havia ouvido direito? Baekhyun lentamente abriu os olhos que sequer sabia que havia fechado - caramba, ele era realmente medroso -, e teve que engolir o bolo que se formou em sua garganta quando viu todos os seus coleguinhas amontoados no quintal, segurando doces e presentes e sorrindo como se já fosse verão. 

Caramba, estava todo mundo lá. Até Jongdae e Taeyeon!

— Feliz aniversário, benzinho! — sua mãe exclamou e lhe segurou pelas bochechas, enxugando as lágrimas que Baekhyun nem sabia que havia derramado. — Foi tudo um mal entendido! Eu errei o horário da festinha no seu convite e quando percebi e quis te contar, você já tinha encontrado o Chanyeol e parecia tão, tão feliz. Então eu organizei uma super festa surpresa de última hora!

Baekhyun não sabia se devia chorar, agradecer ou rir da situação. Estava tão sem controle dos seus sentimentos que, em algum momento, começou a fazer uma mistura estranha dos três ao mesmo tempo. Seus amigos lhe rodearam com abraços sem graça e pequenos pedidos de desculpa, e Baekhyun realmente queria dizer a cada um deles que estava tudo bem, mas estava se sentindo aliviado demais para formular palavras que realmente fizessem sentido.

— Eu até achei estranho, mas a mamãe não me deixou reclamar — Jongdae explicou. O sorriso de Jongdae era muito gentil, como se ele lhe desse um abraço de urso mesmo sem realmente se encostarem. — E quando a tia disse que tinha se confundido e você não sabia, eu só consegui pensar no quão triste você devia ter ficado. Mas o orelhas apareceu no momento certo, né? Que nem um super-herói! 

Baekhyun assentiu rapidamente e procurou Chanyeol com os olhos, franzindo o rosto ao perceber que ele não estava em lugar nenhum. Taeyeon se aproximara de si e assinalara com as mãos algo que Baekhyun sabia significar “me desculpe”. Não era bom com linguagem de sinais ainda, mas vinha aprendendo sozinho para poder conversar com ela mais facilmente. Tentou confortá-la com um sorriso.

— Tudo bem. Você ter vindo já me deixa muito, muito feliz! 

Taeyeon sorriu-o de volta e assinalou outra coisa. Dessa vez Baekhyun não entendeu, mas conseguiu ler as palavras na boca dela: “Da próxima vez, eu vou chegar na festa mais cedo do que você”. Baekhyun se sentiu feliz por ter uma próxima vez. 

— Já sei! Vamos brincar de alguma coisa! — Kyungsoo, um de seus colegas de turma, sugeriu. O quintal novamente foi preenchido por dezenas de sugestões de brincadeiras. Baekhyun já estava acostumado com a barulheira de sua sala, mas era diferente quando todos estavam perguntando o que achava ou qual era sua opinião. Ele levantou a mão bem alto, como fazia na sala para pedir para falar.

— Tem muita gente pra brincar de pega-pega. A gente devia brincar de uma coisa que faça menos bagunça. Não sei se vocês sabem, mas quem vai ter que limpar tudo no final vai ser eu! — Jongdae murmurou um “Chato.” quase inaudível, mas que não impediu Baekhyun de chutá-lo na canela. — Todo mundo gosta de Máfia, não é?

A barulheira subitamente voltou, porque todo mundo queria ser o Deus que controlava o jogo inteiro. Baekhyun respirou fundo. Caramba, era muito difícil ser o aniversariante. Aparentemente todas as decisões tinham que ser feitas por ele, por algum motivo. E Chanyeol não estava nem por perto para ajudá-lo.

— Eu pedi primeiro!

— Não, eu que pedi!

— Você sempre vai primeiro, Sehun! Não é justo!

— Eu sou o mais novo. É sempre justo.

— Eu acho que o Baek tem que decidir — Jongdae interviu, dando uma luz para a situação. — Já que ele é o aniversariante, sabe?

Baekhyun não queria decidir nada. Ele respirou fundo outra vez. 

— Eu acho que isso não muda nada-

— Baek! — sua mãe chamou da porta da cozinha. Quase que desesperado, Baekhyun se voltou para ela, louco para dar o pé daquela confusão. — Você pode me ajudar com a torta, rapidinho? Não consigo tirar ela sozinha. 

Por um instante, Baekhyun hesitou em segui-la. Não soava muito como uma verdade. Sua mãe fazia tortas o tempo todo, então tinha certeza de que ela sabia como tirar uma torta do forno sozinha. Talvez, contudo, ela quisesse ajuda por ser uma torta que ele lhe ajudara a fazer, mas mesmo assim, não conseguia ficar empolgado. 

Não a fizera sozinho. Chanyeol também merecia tirar a torta do forno. Se ele ao menos estivesse ali…

— Eu preciso ir, mas- Por que vocês não decidem com uma competição de comida? O primeiro a comer dois pedaços de bolo e quatro brigadeiros escolhe a ordem de quem vai ser o Deus. O Jongdae vai ser o juíz. Valendo!

— Mas eu não quero ser o juíz, Baek! Não é justo! Ei, vocês só podem começar quando eu disser! Não vale! 

Sua mãe estava arrumando o balcão da cozinha quando chegou até lá. Baekhyun olhou ao redor e ergueu uma sobrancelha ao perceber que a torta de limão ainda estava no forno, e que sua mãe não estava procurando as luvas de algodão que usava quando ia assar doces. Ele a encarou por alguns segundos, esperando uma resposta.

— Ele pediu pra eu te chamar. — ela sorriu e apontou com a cabeça para um canto próximo à porta da cozinha. — Conversa com ele? Talvez você precise ser o super-herói, dessa vez.

— Um super-herói? — Baekhyun indagou, olhando para o lugar que sua mãe sinalizara. Seus olhos se arregalaram assim que o avistou.

Chanyeol estava encostado na divisória entre a sala de estar e a cozinha, apertando sua camiseta do Homem de Ferro com força o suficiente para que os nós de seus dedos esbranquiçassem. Baekhyun se aproximou dele em passos rápidos. Estava aliviado por vê-lo ali. Significava que ele não havia se cansado de si e ido embora.

— Você sumiu do nada, seu bobão! — Baekhyun exclamou ao alcançá-lo, segurando-o pelas bochechas sardentas. — Eu ia te apresentar pro Jongdae, mas aí você não tava mais lá. O que aconteceu? Eu juro que ele é legal, se é isso que tá te deixando chateado. Sério, ele parece meio convencido, mas ele ama gatinhos e sempre pergunta se tem algo me deixando triste.

— Não era ele. Tipo… Só ele. — Chanyeol pigarreou e desviou os olhos para os próprios pés. Baekhyun franziu o rosto. — Era… todo mundo, eu acho. Muita gente. Eu não- Eu não tenho tantos amigos assim e tinha muita gente. E eu não tô acostumado, acho. E eu não quero estragar sua festinha, sério, mas eu entrei no quintal sem querer quando tava procurando sua mãe e tinha muita gente e todo mundo olhou pra mim, e aí eu fiquei bem nervoso e me escondi no banheiro porque sabia que você ia ficar animado demais e não queria estragar o clima, sabe? E também-

— Chanyeol, seu bobão. — Baekhyun chamou-o. Chanyeol fez bico com o apelido, parecendo aborrecido por um momento, mas os olhos dele lembravam Baekhyun de um cachorrinho perdido no meio da chuva. — Não tem problema ficar nervoso. Eu fico muito nervoso quando tem muita gente, também. Muito mesmo! Mas todo mundo que tá ali é meu amigo, então eu confio neles. E você confia em mim, não confia? 

Chanyeol assentiu rapidamente, como se tivesse medo de que Baekhyun desconfiasse do contrário. Baekhyun tentou sorrir como ele sorria,  brilhante e quente, porque era aquele tipo de sorriso que o deixava tranquilo quando estava preocupado.

— Se você confia em mim, pode confiar neles também, porque eu confio muito, muito neles. Tenta pensar assim. Se for muito difícil, a gente pode tentar fazer algo diferente. — ele deu de ombros e segurou o amigo pelos braços cheios de band-aids. — Eu confio em você, também. Que você pode fazer tudo se tentar de verdade! Que nem um super-herói! 

Chanyeol arregalou os olhos. Se apertasse bem os olhos, Baekhyun podia vê-lo lentamente ruborizando até as orelhas.

— Um super-herói? 

Baekhyun assentiu.

— Você não disse que fazia super planos que sempre davam certo? E durante todo o dia, você fez exatamente isso. Então você é um super herói. — Baekhyun deu de ombros outra vez, subitamente se sentindo envergonhado. — Você meio que salvou meu aniversário de ser um completo fiasco. Então… Pelo menos pra mim…

Quando Chanyeol o abraçou, Baekhyun sentiu a alegria vibrar em cada cantinho de seu corpo. A diferença de tamanho quase não era perceptível daquele jeito, quando Chanyeol se curvava o suficiente para deitar a cabeça em seu ombro e tinha os braços longos presos ao seu pescoço firmemente, e o pensamento fez Baekhyun rir contra os tufos de cabelo castanho cacheados que faziam cócegas em seu rosto. 

— Sabe, às vezes você que parece ser o mais novo entre a gente. 

— Não é culpa minha se você parece um vovô rabugento que odeia abraços.

— Eu não odeio abraços! — Baekhyun cutucou-o na cintura. — Se eu odiasse, eu não ia deixar você me abraçar agora, bebezão. 

 

— A gente vai brincar de Máfia agora. — Baekhyun comentou quando finalmente se afastaram. — Eu deixei o pessoal decidindo quem ia ser o Deus, mas eu acho que seria legal se você brincasse com a gente. É sempre divertido brincar com todo mundo. 

Chanyeol apertou os lábios por alguns instantes, pensando. Baekhyun deixou-o pensar, porque não queria que Chanyeol se sentisse forçado a fazer algo que não queria. Era difícil se acostumar com ambientes desconhecidos e até mesmo super-heróis precisam de um tempinho para se adaptarem, às vezes.

Baekhyun não conseguiu conter sua felicidade quando Chanyeol hesitantemente assentiu. 

— A gente pode criar um novo super plano — ele timidamente sugeriu, coçando a pele atrás de suas orelhas ruborizadas. — Um plano incluindo todo mundo.

— Vou deixar essa parte com você. Seus planos sempre são melhores que os meus.

— Não é verdade! — Chanyeol insistiu e cutucou seu nariz. — O plano da torta foi seu, e tudo deu certo, não deu? A gente conseguiu fazer tudo direitinho.

— É, meninos… Acho que temos um problema. 

A mãe de Baekhyun segurava a forma com a torta de limão com um sorriso sem graça. Ou o que era pra ser a torta de limão, na verdade. A cobertura havia transbordado pelos cantos e estava queimada nas bordas, o verde cremoso misturado com tons de amarelo queimado e migalhas de biscoito estraçalhadas. Baekhyun e Chanyeol se entreolharam.

— Bom...

— Uma parte do plano deu errado.

Chanyeol pegou um pouco do chantilly no dedo indicador e melou a ponta de nariz de Baekhyun com um sorrisinho otimista.

— Feliz aniversário, mesmo assim?

A felicidade encheu seu peito como tomar sorvete de morango em um dia quente de verão e Baekhyun esperou que Chanyeol ficasse consigo por aquele e todos os verões que viessem pela frente - porque todos os aniversários seriam os melhores do mundo se tivesse um super-herói ao seu lado.

 

 

 


Notas Finais




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