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História Feliz aniversário, Izuku! - Capítulo 1


Escrita por: Ynra

Notas do Autor


Atrasada, mas cheguei. Não podia deixar essa data passar em branco. Como eu queria ter tido mais uns minutinhos. 😅

PARABÉNS ESMERALDINHA, Kacchan e nós te amamos. 😍

Boa leitura! 😘

Capítulo 1 - Feliz aniversário, Izuku!


Quanto tempo faz? Tinha esquecido, ou quem sabe, parado de contar a muito tempo. Não fazia sentido, na verdade, nunca fez sentido. Deixei um pequeno sorriso enfeitar os lábios, me permiti sentir a primeira lágrima escorrer. Engraçado. Sem ser desejada ou recebendo uma mísera permissão, ela veio. Invasora, se fez presente como a chuva do lado de fora. 

Era um dia comum, mas ao contrário do resto da semana, estava caindo o mundo lá fora. Acordei de madrugada com o vento soprando minhas janelas. Me levantei para me certificar que não havia água entrando pelas frestas. Mesmo com sono e querendo voltar a dormir, me obriguei a ir tomar um banho, para aproveitar ao máximo o dia que, de certa forma, não me faria diferença alguma.

Peguei meu celular antes que qualquer notificação aparecesse, conferindo duas vezes se os dados móveis estavam desligados. Eu não queria saber de nada, talvez mais tarde até o desligue.

Na tela marcavam exatas 6 horas da manhã, arrumei minha cama lembrando que podia pegar o ônibus das 6:15h. O Café que vende aquela torta, estaria aberto às 7 horas, e eu poderia fazer o final do caminho até lá, a pé. A chuva? Pois é, eu não levaria uma sombrinha.

Primeiro local da minha lista: O café Bom amigo.

Quando subi no ônibus não estava mais escuro, mas o sol ainda não nascera, e para minha sorte, talvez azar, quando cheguei ao ponto que iria descer, a chuva deu um tempo. 

O primeiro raio de sol alcançou meus olhos, estava fraco e não era quente. Caminhei as 2 quadras, o mais devagar que podia. A brisa fria da manhã trouxe o aroma do pó de café de alguma residência e foi então que senti fome. Fome para comer em específico aquela torta, tinha que ser ela, hoje tinha que ser ela.

Bom dia! cumprimentou a moça, quando me aproximei do balcão para observar se tinha o que eu queria.

Bom dia. Abaixei para olhar o espaço onde ficavam os salgados. Vou querer uma fatia da torta de frango e palmito pedi, voltando a olhá-la. E um Mocha.

Certo, fique a vontade, logo levarei seu pedido.

Assenti e fui para uma das mesas, ao lado oposto da entrada. As janelas baixas me permitiram olhar para a rua, acompanhando os primeiros transeuntes. Sem contar que me mantinha fora da vista dos novos clientes.

Eu estava sozinho no estabelecimento e os únicos sons eram da moça trabalhando, preparando meu pedido e da chuva que voltou a lavar o chão.

A menina de cabelos castanhos Uraraka  que eu já tinha visto várias vezes, das tantas outras vezes que vem aqui, me trouxe a tão esperada torta salgada. O vapor quente alcançou meu nariz quando me aproximei para inalar seu aroma. Era como eu lembrava. Como lembraria.

Meu dia não seria movido a pressas e urgências, eu tinha o dia de folga, então aonde quer que eu quisesse ir, podia ir com todo tempo do mundo.

Quando me levantei para pagar, o Café já estava movimentado. Pessoas conversando como seria seu dia, outras comentando que já estavam atrasadas, ou simplesmente se limitavam a esperar o pedido ser embalado e sair logo em seguida. Assim que levantei o cartão para pagar, a senhorita Ochako gesticulou com as mãos negativamente, dizendo que meu pedido já estava pago. A olhei com a sobrancelha arqueada, confuso, pois tinha certeza que não tinha pagado nada.

Tinha um papel aqui no balcão com o número da sua mesa e o dinheiro ela disse sorrindo.

Não entendi, mas simplesmente aceitei a gentileza de quem quer que fosse. Por fim, ao ver que a chuva havia dado uma trégua novamente, decidi tomar meu rumo.

Segundo local da minha lista: a praça do lago.

Decidi que mataria minha manhã naquela praça. Era um local agradável e fazia algum tempo que eu sequer passava nas proximidades. Minha intenção era sentar embaixo de alguma das árvores mais a beira do lago, mas devido a chuva, eu teria, no mínimo, a oportunidade de sentar em um dos bancos, secando-o um pouco com a barra do meu casaco. 

Observando as copas das árvores, essas frondosas e verdinhas, caminhei em volta do lago duas vezes. O local tinha uma faixa asfaltada, para que ciclistas e pedestres pudessem usufruir do passeio, sem se incomodar com grama e terra. Outro detalhe, eram os bancos de madeira espalhado em vários lugares da praça, ao redor do lago.

Era bobo pensar que parecia que a natureza estava sorrindo. Toda vez que o vento batia, as folhas dançavam exibidas, algumas alçando voo e soltando gotinhas pelo ar.  

Ao fim da segunda volta, tive certeza que voltaria a chover, quando senti gotas grossas tocarem minha pele. Do nada soltei uma risada, não pude contê-la quando vi um papelão dobrado, encostado contra o tronco da árvore a minha frente. Olhei para os lados e não vi ninguém, e eu tinha certeza que não tinha ninguém por ali. Não era o lugar mais frequentado daqui. Costuma ser bem vazio por ser mais afastado e silencioso. Não tinha espaço para correr; desejo das crianças, e nem vendedores com suas pipocas e bombons. Ali dava para sentar e apenas apreciar a água quase cristalina, e tranquila do lago. Aqui também era o espaço dos amantes me aproximei do papelão , eles se escondem da vista dos olhos alheios para dar uns amassos. 

Olhei mais uma vez à minha volta; ninguém. Estendi o item, curiosamente seco, sobre a grama e me sentei. Inspirei o cheirinho do gramado molhado e me recordei da última vez que vim aqui. Se não me engano, eu também já dei uns beijos neste refúgio. Me lembro como se fosse neste instante. As mãos em minha cintura, apertando firme não tardando em subir por baixo do tecido até meus mamilos. Os beijos molhados em meu pescoço, o peso do corpo alheio sobre o meu. Às vezes interrompendo o ósculo intenso para respirar, ou simplesmente olhar para os lados e ter certeza que não havia ninguém passando. Eu poderia estar vestido, mas com certeza me sentiria nu se fosse pego em um ato tão sem vergonha em um lugar público. 

Me movi para frente e deixei as pernas mais para fora do papelão. Eu sou baixinho, se eu me ajeitar melhor, consigo até deitar neste retângulo. Alguns segundos antes de fechar os olhos, reparei que voltou a garoar, mas era algo fino e até bonito. As gotículas eram pequenas demais para cair em linha reta, então, acabavam rodopiando no ar, sumindo sem realmente tocar o chão.

Acordei com o som de uma risada infantil. Dois rapazes com uma menina, passaram a poucos metros de mim. Um pouco incomodado com a claridade do sol de meio dia, tentei observar melhor aquela cena. Finalmente acostumado com a luz, consegui reconhecer o casal: Mirio e Tamaki. Eles adotaram a pequena Eri ano passado, ela era a filha de seus sonhos. Nós costumávamos vir juntos aqui, mas isso faz um tempo e agora eles só tem olhos para a filha. Eu não julgo. Se eu pudesse, também passaria todos os segundos possíveis, com a pessoa que amo.

Após dobrar meu assento improvisado e deixá-lo onde o encontrei, caminhei de volta para a civilização e ao ouvir meu estômago roncar, lembrei de outro detalhe: o terceiro local da minha lista.

O restaurante Som e Sabor, era uma mistura de simples e refinado. Tinha uma quantidade variada de refeições e seu diferencial: música ao vivo. Momo o abriu em parceria com Kyoka. Elas eram apenas amigas, mas assim como o restaurante e sua clientela, o sentimento delas cresceu. Elas são oficialmente um casal e quando deixaram isso claro, passaram por momentos complicados e tristes, com o restaurante. Um dia chegaram para abri-lo e a fachada do lugar estava pichada. Minis discursos de ódio em relação a sexualidade delas. Mas assim como existem pessoas escrotas para ofender, também existem pessoas gentis para dar o apoio e forças para passar por esses momentos. Nós tínhamos sido algumas dessas pessoas. Não demorou muito para o Som e Sabor voltar a bombar, e hoje em dia está na lista de uns dos restaurantes mais visitados da cidade.

Quando eu estava me servindo, aproveitei para ver quais sobremesas estavam sendo servidas, e tinha plena certeza que o mousse de morango estaria entre elas. Minha boca tinha chegado a salivar, pensando nele, mas para minha tristeza, não estava lá.

A comida era ótima e eu realmente estava apreciando, entretanto, o meu foco aqui era a sobremesa. Eu sempre ganhava esse mimo e o queria degustar hoje.

Não me demorei na refeição. Meia hora depois já estava levantando a mão para o garçom, que prontamente me atendeu. Ele foi buscar a maquininha para o pagamento e voltou sem muita demora, me fazendo arquear uma sobrancelha, surpreso pelo que trazia na outra mão.

Senhor, hoje não tivemos mousse de morango entre as sobremesas, mas pediram para lhe entregar essa aqui. 

Ah, obrigado Kirishima agradeci, ainda em dúvida se era esse seu nome. Se eu não estava errado, ele era namorado de Kaminari, um velho amigo da faculdade.

Disponha. Ele me deu um sorriso e devolveu o meu cartão. 

Parado em frente a calçada, com um sorriso discreto, abri o pequeno pote com o conteúdo que estava quase me fazendo babar. Momo lembrou que sempre pego isso? Que gentileza da parte dela. 

Agora eu só tinha um lugar para ir. O quarto local da minha lista: o parque de diversão.

Voltei para casa a fim de tomar um banho e trocar de roupa. Foi só por o pé para dentro, que voltou a chover. Parei na porta e olhei para a rua. A chuva voltou com força e não era como se eu estivesse preocupado com isso. Talvez até a hora que eu fosse sair, parasse de chover. Quem eu queria enganar? Eu já dei muita sorte por hoje e duvido que isso vá se prolongar até o fim da noite.

Antes de ter ido tomar banho, arrumei meu guarda-roupa. Quando eu estava procurando algo para vestir, me incomodei por não achar nada que me agradasse. Não havia nada de especial em ir ao parque, era só um capricho, mas eu sentia a necessidade de, pelo menos lá, estar bem arrumado.

Meu alarme tocou avisando que eram 19 horas, apaguei as luzes e saí, decidi que esperaria pelo carro do aplicativo do lado de fora. Eu tinha um motivo para isso. 

Olhando para o céu, eu me perguntava quem era o anjo que estava segurando as gotas teimosas, impedindo que eu me molhasse hoje.

Eu andei pelo parque, olhando os outros se divertindo nos brinquedos, acompanhados e felizes. Realmente era agradável estar aqui, me lembrava de bons momentos.

Depois de um tempo eu comecei a me sentir triste e decidi encerrar minha noite, mas antes de ir embora, passaria na roda gigante. Ao menos lá, eu tinha que ir.

Quando chegou a minha vez de entrar no brinquedo, as pessoas começaram a olhar para o céu, agora ele estava quase limpo, dando uma visão perfeita das estrelas, e além delas, o negro infinito era pintado pelos colorido dos fogos de artifícios.

Hoje é alguma data especial? Alguém perguntou atrás de mim.

Não. Hoje não é uma data especial, não havia motivos para aquelas explosões de cores no céu, pensei, entrando no brinquedo, tendo certeza que subiria sozinho, mas logo que sentei, ouvi alguém entrar em seguida. Não fiz questão de olhar, não pretendia conversar, eu só queria... relembrar.

Senti saudade.

Eu travei ao ouvir aquela voz. Não podia ser. Não tinha como. Ele devia estar do outro lado do mundo, preso a uma maldita empresa.

Kacchan? Virei-me. Meu coração estava na minha boca, eu quase senti lágrimas em meus olhos. O que… O que faz aqui? 

Agora as lágrimas realmente não puderam ser contidas. Ele estava lindo, uma camisa social e calça jeans, e em suas mãos, uma pequena caixa perfeitamente embrulhada.

Eu não perderia seu aniversário por nada disse, depositando a caixa em minhas mãos. — Abre.

O embrulho foi fácil de abrir, o loiro ajudou, e por algumas vezes, pude sentir seus dedos nos meus.

Ele é muito fofo falei, erguendo a pelúcia de leão.

Ele não foi o único o encarei confuso, tentando parar meu choro. Gostou do mousse?

Você?

Sim sorriu. Eu podia morrer feliz, apreciando aquele sorriso.

 Então, a torta salgada…

Sim. Eu deixei paga. Meus presentes começaram a serem entregues logo de manhã.

O papelão no…

Também Ambos rimos. Eu ainda choroso, mas rindo. E meu presente final é isso. Apontou para o céu.

Os fogos. Então foi você. Afinal, não havia nenhuma data especial para terem fogos hoje.

Havia sim. Hoje é uma data especial. E eu vim só para isso.

— Mas… E seu trabalho? Você não devia largar tudo e viajar no meio da semana. Ele se aproximou colocando a mão em meu rosto. Você vai ter que voltar, vai me deixar de novo falei entre soluços, já sabendo que minha alegria duraria, no máximo, apenas aquela noite. 

Não, não vou. Eu voltei por você, Izuku, e porra nenhuma vai me tirar daqui. Nunca mais saio do seu lado. Não existe vida sem acordar olhando para você. Não existe vida sem sentir seu beijo antes de ir trabalhar. Não existe vida sem ouvir você perguntar aonde estão as chaves do carro. Não existe vida se ao chegar em casa,  não ouvir sua voz me dizendo bem vindo. Não existe vida sem dormir aquecido pelo calor do seu corpo. O mundo poderia explodir e se refazer e eu ainda voltaria para o seu lado. Você poderia me mandar embora, me insultar e dizer que não quer mais me ver, e eu ainda estaria por perto, mesmo que te observando de longe, evitando passar a noite em claro, me questionando se você está bem. E não importa que o universo diga que somos opostos e que não durariamos muito tempo junto, eu mandaria o universo para o inferno, e continuaria ao seu lado por todo o tempo que tivéssemos disponível. Mas, se um dia, o que sentimos, por alguma desgraça do destino, deixar de existir, eu teimosamente, ainda continuaria te amando.

As lágrimas já escorriam a muito tempo, meu rosto devia estar vermelho pelo choro e pelas palavras dele. O que foi isso? Uma confissão? Ele disse que continuaria me amando? Ou melhor, ele já me ama? Ele nunca disse isso. Na verdade, nunca disse muito sobre seus sentimentos. Katsuki, o que está dizendo?

Senti uma de suas mãos contra minha bochecha, ele esfregou o polegar sob meu olho e mostrou em seus lábios um sorriso. Aquele sorriso provocador e sarrista que tanto gosta de exibir para mim. Ele se aproximou, colando nossos corpos, encostando nossos narizes em um contato carinhoso. Sentir a respiração dele em minha pele era tão nostálgico. Eram tantas memórias de dias que ele apenas me abraçou pelos trás e apoiou o queixo em meu ombro, apenas para sentir o perfume em meu pescoço, mesmo que às vezes fossem apenas o aroma do sabonete após o banho.

Os fogos ainda brilhavam no céu, eu podia ouvi-los, e talvez os estivesse assistindo, mas estava ocupado, sendo beijado pelo amor da minha vida. E sem descolar muito nossos lábios, ele disse:


Feliz aniversário, Izuku!




Notas Finais


Eu queria ter postado no dia, to triste por isso, mas feliz por ao menos ter tentado. Fic de agradinho para nosso verdinho. 🤗


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