História Férias de primavera - Momentos de descoberta. - Capítulo 28


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Categorias Kuroko no Basuke
Tags Aokaga, Aokagakuro, Aokuro, Kagakuro, Políamor, Romance, Yaoi
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Palavras 5.112
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Fantasia, Festa, Ficção Adolescente, Harem, Hentai, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey you!!
Esse capítulo é grande, intenso e cheio de sentimentos.
Espero que vocês gostem!

ENJOY IT!

Capítulo 28 - Perdas.


Fanfic / Fanfiction Férias de primavera - Momentos de descoberta. - Capítulo 28 - Perdas.

*Kagami Taiga part*

- Calma.. - disse levando um copo de água com açúcar para o Aomine desolado no sofá - Por favor, calma..

- Eu não consigo acreditar - disse ele entre os soluços ignorando o copo de água e com as duas mãos no rosto - eu....não....acredito!!!!

Sentei do lado dele mantendo o copo em uma das mãos e a outra eu passei pelas costas dele fazendo um carinho com os dedos. 

Não havia palavras que pudessem confortar o Aomine naquele momento e eu não era a pessoa mais ideal para isso. 

Para meu alívio, Kuroko entrou pela porta trazendo a cartela de remédio que ele tinha ido comprar. Aomine estava tendo  uma recaída, não estava conseguindo respirar, já tinha vomitado duas vezes e não conseguia parar de chorar.

Kuroko sentou do lado dele no sofá, sussurrou algo para ele enquanto fazia levemente um carinho em sua cabeça, fazendo com que ele estendesse o pescoço para cima pegando o remédio da mão dele e a água da minha. 

Eu levantei e coloquei o copo na pia enquanto olhava de longe o Kuroko o abraçar no meu lugar, dizendo coisas e tentando o confortar da melhor maneira que ele conseguia.

Depois daquele drama na parte da tarde com o Kuroko, Aomine e eu quebrando a cama e nos sentindo felizes por finalmente termos feito o que tanto queríamos, eu não esperava que ia me sentir tão grato pelo Kuroko ter vindo às pressas me ajudar com o que aconteceu duas horas depois... Uma ligação para o Aomine que mudaria todo seu estado de espírito de calmo, tranquilo e confiante para total desespero. 

A mãe dele começou a ligar incontáveis vezes do qual ele não quis atender, eu acabei pegando o telefone dele na quinta ligação e quando eu atendi era a voz de um homem me dizendo que o pai do Daiki havia tido um ataque cardíaco, tinha passado a manha inteira no hospital e tinha acabado de morrer. O velório ia ser naquela mesma noite na casa da família Aomine. 

Daiki tinha ficado bravo que eu tinha atendido o telefone dele e me trancado no banheiro para que ele não tirasse o telefone da minha mão. Quando eu sai do banheiro, ele parou de me xingar quando eu o abracei forte pedindo desculpas e dando a notícia para ele da maneira mais cautelosa que eu consegui. 

Ele começou a tremer e pedindo para que eu repetisse.. as pernas dele começaram a cambalear e ele começou a vomitar pela casa, se apoiando nas paredes e gritando que eu estava mentindo.. eu tentei segura-lo para que não caísse no chão, mas ele estava desmoronando pela primeira vez depois de um ano, depois do soco do pai dele, depois de ser expulso de casa e rejeitado pela própria mãe, ele estava tendo a sua pior crise. Tentando da melhor maneira que conseguia lidar com a morte do seu pai.

Ligar para o Kuroko pedindo ajuda foi depois que o Aomine se trancou no quarto e começou a derrubar tudo que conseguia... tive que arrombar a porta, quando consegui entrar, ele estava jogando a cômoda no chão, chutando a cama quebrada e jogando tudo que podia nas paredes. 

Eu tive que segura-lo com força e enquanto eu tentava acalma-lo, ele me deu um empurrão e se trancou no banheiro... eu não tinha palavras para aquele momento, eu nunca perdi ninguém na vida.. liguei para o Kuroko pedindo ajuda, já que ele havia perdido seu próprio pai ainda quando pequeno, ele apareceu em casa o mais rápido que pôde e começou a bater na porta pedindo por favor para que ele abrisse, sentou no pé da porta e ficou ouvindo Aomine chorar do lado de dentro. O Aomine abriu a porta violentamente fazendo com que o Kuroko quase caísse, mas rapidamente ele se levantou e abraçou o Daiki o mais forte que pôde fazendo com que as pernas do Aomine se sucumbisse e ele começasse a chorar até faltar o ar.

Kuroko se ofereceu a ir comprar o remédio depois que o colocamos sentado no sofá.. e agora estamos aqui, esperando que ele tente se manter calmo para que possamos levá-lo até o velório.

...

A família Aomine não queriam seguir tradições de manter o corpo uma última noite em casa, pois o pai dele sempre dizia que isso era sinistro demais. Depois do Kuroko conseguir acalmar o Daiki com carinho e palavras confortantes, eu insisti para que ele nos acompanhasse até o velório e após ele ir se trocar na sua casa, ele voltou de terno para que pudéssemos ir juntos. No meio da bagunça do nosso quarto, achei dois ternos e após nos trocarmos ficamos esperando o Kuroko chegar, Aomine se mantinha com as mãos no rosto até o interfone tocar.

Seguimos todos até o local de cremação e deixamos que o Aomine junto com seus irmãos e mãe se despedissem, nos mantendo um pouco distantes. Seus irmãos choravam tanto quanto Daiki, mas a mãe dele, a mãe dele parecia a pior dos quatro.

Havia ali muitos parentes e amigos que também se despediram, em uma linda homenagem da mãe do Daiki, eles finalmente cremaram o corpo. Os três irmãos abraçavam a mãe que não conseguia se conter de tanto chorar.

A cremação acabou tarde, o irmão mais velho do Daiki, Takashi, pediu para que Kuroko e eu os acompanhasse até a casa deles.

Todos estavam em silêncio quando entramos na casa, Daiki se mantinha abraçado a mãe, e da melhor maneira que podia, tentava se manter calmo.

Ao entrar na casa deles e sermos direcionados até a sala, em cima da lareira colocaram as cinzas do pai deles como lugar provisório, pois a intenção seria jogar no lugar favorito do pai deles, na pequena fazenda onde eles moravam no passado. Fomos surpreendidos com varias cestas de comidas e saquês que as pessoas haviam mandado como forma de conforto para aquela família que estava passando por um momento tão triste.

Michi, o irmão do meio do Daiki, começou a nos servir. Ele parecia o mais calmo se comparado com os demais, arrumou a sala para que todos pudessem de acomodar de joelhos em volta de uma mesa no centro e comer.

O silêncio foi quebrado pelos agradecimentos da mãe do Aomine por termos cuidado e o levado até ali.

- E também - continuou ela limpado as lágrimas secas dos olhos inchados e pegando na mão do Daiki - Me perdoa, filho? Eu... eu nunca...

- Tudo bem mãe - disse ele abrindo um meio sorriso trêmulo - tudo bem.

- E me perdoa - disse ela agora olhando para os outros dois filhos - eu nunca quis... eu e o pai de vocês conversamos tanto nesses últimos dias e ... nos arrependemos tanto de tantas coisas... as últimas palavras dele.. foi para que eu reunisse nossa família de volta e.. - ela começou a chorar novamente fazendo com que os três fossem abraçá-la enquanto diziam que ela não tinha que se preocupar, estava tudo resolvido.

- E você - disse ela olhando para o Kuroko - me desculpa.. aquele dia eu gritei coisas horríveis.. eu.. 

- Não se preocupe, está tudo bem - Kuroko abriu um sorriso cheio de empatia e conforto fazendo com que ela se aproximasse ainda mais dele em busca de suas mãos - Eu quero que você continue fazendo o Daiki feliz.. se isso que ele quer e você que ele ama.. eu espero que vocês saibam que tem a minha bênção.

A mãe do Aomine não sabia das coisas que estavam realmente acontecendo naquele momento, coitada, nem teria como já que nem a gente sabia. Eu busquei o olhar do Aomine do outro lado do sofá que estava extremamente triste e cansado, mas ele me abriu um sorriso de lado como se tivesse acabado de ter uma ideia.

- Mãe - disse ele com uma voz rouca já que tinha passado horas chorando sem parar - Kagami é meu namorado também.

A mãe dele olhou para ele com a boca aberta e lentamente olhou para mim como se finalmente tivesse me notado, o olhar dela se dirigiu também para o Kuroko como se estivesse tentando calcular que de fato éramos três pessoas.

Os dois irmãos do Aomine, que também tinham aspectos de cansados e tristes, acompanharam os olhares de sua mãe.

O silêncio constrangedor se espalhou pela sala.

Eu não sabia onde me enfiar naquele momento, eu nunca na vida ia esperar que o Aomine iria soltar aquilo daquela forma. Ainda mais porque nem era uma verdade.

- Entendo filho - disse ele tentando parecer confortável - Se é isso que você quer... eu espero então que vocês dois possam colocar juízo na cabeça do meu menino. 

Ela lançou um sorriso amigável para nós dois e abraçou o Aomine com toda sua força.

Depois de algumas recordações sobre seu marido e filhos, Aomine a levou até o o quarto junto com seus irmãos.

Kuroko e eu começamos a recolher a mesa e em seguida fomos lavar a louça. Assim como eu, ele parecia extremamente desconfortável com as palavras do Aomine, mas era um momento delicado demais para demonstrar se importar.

Durante todo o processo de limpeza, nós dois trocamos uma ou duas palavras de “por favor” e “obrigado”, mas evitávamos nos olhar. Daiki sabia das minhas frustrações e apesar de eu entender a tristeza dele, eu não conseguia entender o porque ele estava atropelando todos os meus sentimentos com aquela mentira que nem eu ou Kuroko tivemos coragem de desmentir.

Ao voltarmos para a sala, Takashi nos desejou boa noite e se retirou para seu próprio quarto.

Michi também saiu do quarto dos seus pais, só que diferente do seu irmão mais velho que tinha ido dormir, ele colocou saquê nos copos e serviu eu e o Kuroko que estávamos sentados um em cada ponta do sofá, e sentou de frente para nós dois como se estivesse avaliando aquele comportamento.

Aomine foi o último a sair do quarto da sua mãe fechando a porta lentamente.

- Ela dormiu - ele se sentou entre nós dois depois de pegar um copo bem cheio de saquê - acho que ela vai conseguir descansar um pouco.

- Daiki - disse o Kuroko olhando para o copo na mão dele - Você tomou remédio, não é muito bom beber...

- Tudo bem - disse ele abrindo um sorriso tímido - Hoje eu vou abrir uma exceção.

- Só não exagere - eu disse segurando a mão dele e vendo como ele parecia mais tranquilo por estar na sua própria casa - não queremos ter que te carregar depois.

- Pode deixar, Taiga - disse ele se virando-se para mim e apertando a minha mão carinhosamente.

- Uau - disse Michi do sofá oposto - nunca ia imaginar você sendo gay Dai 

- Nem eu - respondeu Aomine bebericando seu copo com um longo e doloroso suspiro - acredite.

- Sabe - disse Michi relaxando as costas ainda mais no sofá - Eu também sou.

- QUE? - disse Aomine com as sobrancelhas levantadas - como eu nunca soube disso? 

- Papai proibiu - respondeu o outro como se tivesse fazendo uma confissão - não queria que eu te influenciasse.

- Claro - respondeu o Aomine amargamente - eu sempre quis saber o motivo da briga de vocês.

- Pois é.. papai era duro na queda - disse enquanto dava outros longos goles

- Eu sempre tive na minha cabeça que um dia todo mundo se resolvendo e ele me dizendo que eu poderia voltar - assumiu Aomine - mas agora... - ele levou a mão até o peito - Agora eu só vai ficar na imaginação.

- Não se preocupe Daí - respondeu Michi dando um sorriso - Minha última conversa com ele, ele parecia mais calmo 

- Calmo? - perguntou Aomine curioso 

- Sim - disse ele - Depois que me questionou se eu não te contei nada sobre eu ser gay, ele parecia mais calmo de alguma forma.. conformado ou algo assim.

Michi não era nada parecido com o Daiki, era baixo, tinha os cabelos escuros e a pele clara. Seus olhos eram extremamente negros e sua feição transbordava sempre um leve sorriso simpático.

- Entendo - disse Aomine olhando para os próprios pés.

- Agora me diz Daí - disse o irmão dele abrindo um largo sorriso - Como eu não tenho nenhum namorado e você tem dois?

- É uma longa história - Aomine olhou para mim e para o Kuroko com um ar de satisfação de que nós dois não poderíamos negar - eles têm me ajudado muito a lidar com tudo..

- Fico feliz que você tenha encontrado pessoas legais para isso - o irmão dele se levantou e serviu mais saquê para o Daiki, já que eu e o Kuroko não estávamos nem conseguindo terminar o primeiro copo - provavelmente papai ia transformar seu quarto em um lugar da bagunça como o meu, caso descobrisse isso 

- Provável - disse o Aomine - ele ia me odiar pra sempre.

- Odiar não Daiki - repreendeu Michi - papai nunca odiou a gente por contrariar o que ele queria, ele só se sentia ameaçado com coisas que ele não entendia.. não se culpe pelo que aconteceu, foi terrível e trágico.. mas você não estava errado em ser verdadeiro, inclusive, esse sempre foi uma das lições do papai “Se não conseguir ter as suas próprias convicções, você não é um homem de verdade” - o irmão dele disse imitando a voz do pai deles, o que fizeram os dois caírem na gargalhada.

A madrugada ia chegando cada vez mais rápido enquanto os dois acabavam com a segunda e terceira garrafa de saquê, assim como eu, Kuroko se manteve em silêncio, como se estivesse remoendo aquelas palavras de Daiki com mais frequência. Por mais que eu estava na mesma situação, eu sentia ainda menos vontade de tentar resolver minhas diferenças com o Kuroko, principalmente pelo fato de sentir que ele ainda estava relutante em pedir desculpas.

Michi foi se deitar no quarto do Aomine em torno de umas 3h30, arrumou uma cama para nós na sala e preparou os sofás para que cada um pudesse dormir em um.

Aomine estava completamente bebado deitou no colchão e começou a roncar sem muito esforço. Eu sabia que se não fosse pelo álcool, ele não conseguiria dormir nem tão cedo. Kuroko se dirigiu para o sofá mais distante do colchão, como se demonstrasse que não estava para conversa, o que me fez dar de ombros, já que eu quem não iria começar a conversar nada.

Quando me levantei para tomar uma copo da água antes de dormir, Kuroko apareceu do nada por de trás do balcão me fazendo quase dar um grito de susto, sempre tive medo de espíritos e estar em uma casa que tinha cinzas de alguém estava me deixando perturbado, eu devia ter bebido saquê. 

- Desculpa - disse ele me avaliando de cima abaixo - não queria te assustar.

- Tudo bem - enchi mais um copo de água e comecei a beber rápido, para que aquele pensamento de espíritos sumisse da minha cabeça - me pegou desprevenido.

- Kagami - começou ele - não sei se é o melhor momento agora.. 

- Talvez não seja mesmo - cortei ele bruscamente - Não há necessidade de ser agora e aqui. 

- Eu sei - disse ele se sentando na cadeira do balcão como se insistisse que fosse agora e aqui - mas ver o que aconteceu com o pai do Daiki só me faz ter certeza de que certas coisas não têm necessidade de ficarem só na imaginação.

- Tudo bem então - disse sentando em uma cadeira próxima ele levemente irritado - se você quer, então vamos conversar.

- Primeiramente - começou ele me encarando com aquele grandes e olhos azuis - me perdoa. 

- Perdoar? - questionei um pouco descrente pela falta de descrição do porque - perdoar é uma palavra muito forte no fim das contas.

- É mesmo - ele respirou fundo como se continuasse avaliando a minha reação - mas me perdoa por não ter sido honesto com você como eu não fui com Daiki, e principalmente como eu não fui comigo. Eu trouxe os dois para a minha própria frustração de não entender o que estava acontecendo comigo... eu nunca quis magoa-los ou afastar os dois da maneira que fiz, fui egoista em achar que eu tinha que me sentir bem primeiro antes de ajudá-los com o mesmo problema. Eu deveria estar mais preocupado com vocês.

- Tudo bem - respondi ainda me sentindo incomodado - estou ficando saturado desse assunto. Todos erramos, não precisa pedir perdão.

- Mas o perdão não é por isso - ele levantou a mão e coçou a nuca como se estivesse escolhendo as próximas palavras - Eu peço perdão se eu fiz você se sentir trocado e injustiçado. De verdade? Eu realmente estava começando a acreditar que a culpa de eu ter ficado confuso e deixado o Aomine frágil foi porque você, de alguma forma, já estava planejando isso. E eu queria arrumar defeitos para você, para que eu pudesse ajudar o Daiki do lado dele sem me sentir culpado, porque na minha cabeça eu comecei a colocar defeitos e porquês para suas atitudes. Você é um cara muito bom... eu nunca deveria comparar vocês... eu nunca deveria achar que eu que podia escolher.. eu nunca pude escolher, não é assim que funciona, vocês não são objetos.. 

- Mas eu queria separar você e o Daiki - assumi ainda mantendo um leve desconforto - Eu realmente queria que você percebesse que eu era a melhor opção. Não deveria, porque você é meu amigo, mas gostar de você era maior.

Kuroko ergueu as sobrancelhas como se estivesse de fato surpreso com a minha confissão, ele não esperava que ele estaria pedindo perdão por ter pensado a verdade sobre o que aconteceu. Eu ainda me sentia incomodado com aquilo tudo.

- Bom - disse ele me encarando com um olhar ainda mais intenso - Mesmo assim, eu não deveria ter atribuído culpa a você, já que eu estava confuso muito antes de você voltar dos Estados Unidos.. eu ficava feliz em falar com você no telefone.. o que mais me incomoda é saber que o Aomine percebia. Quando descobrimos que você era gay, Daiki ficou irritado por eu falar que ele podia pegar outras pessoas... e ele ficou me questionando se minha atitude tinha mudado porque eu havia descoberto que você de fato era gay.. e eu jurei que não, que isso jamais afetaria nossa relação.. mas estava afetando, porque... eu queria... - Kuroko fechou os olhos como se tentasse levar a culpa para bem longe, abriu-os lentamente me olhando com os olhos agora lacrimejados e finalizou - Eu sabia que quando você voltasse eu iria querer saber se nós dois daríamos certo.. eu sentia que você poderia me ajudar e... ver que todos os anseios do Aomine não eram neurose, tinham fundamento, me fizeram desejar que a culpa não fosse minha... então como uma “ultima jogada” eu tentei dividir uma culpa de que eu já estava interessado em você desde o dia que a gente se viu antes de você ir embora... eu estava triste e com saudades de você.. e o Aomine surgiu no exato momento em que eu comecei a me questionar sobre isso.. eu me apaixonei por ele, eu sempre senti coisas especiais por ele.. mas naquele momento eu sentia que era você quem deveria ter me ajudado a me descobrir.

Eram muitas informações novas, fiquei olhando o Kuroko passar uma das mãos nos olhos para que não virassem lágrimas de verdade. Eu nunca soube que era isso que tinha acontecido. Eu conseguia entender o porque ele se aproximou ainda mais do Aomine depois dos acontecimentos do hospital, era culpa. Culpa por ter ficado comigo mesmo depois de ter falado pro Aomine que não ficaria, culpa por estar gostando de mim enquanto gostava do Aomine, culpa por saber que a crise de ansiedade do Aomine voltou porque ele não podia ser sincero e principalmente, ele sentia culpa porque no dia que o Aomine foi para o hospital ele havia dito meu nome.

Ele era apaixonado pelo Aomine, principalmente depois da melhora dele, principalmente depois que o Aomine cumpriu o que prometeu, o que fez ele se sentir ainda pior por manter sentimentos por mim. Então como uma defesa, ele começou a fazer pouco caso de mim, arrumando desculpas do porque ele não deveria gostar de mim também, arrumando desculpas para me manter só como amigo. Eram sentimentos conflitantes, porque você tem dois melhores amigos, você é apaixonado pelos dois, só que um prejudicava a própria saúde por conta disso e o outro sempre se demonstrava forte. 

- Me perdoa por não ter sido sincero - ele agora olhava de canto para sala vendo o Aomine no colchão e com uma lágrima escapando dos seus olhos - Eu nunca quis machucar ele, nunca quis machucar você.. mas eu não entendo como é possível gostar de duas pessoas sem que ninguém saia machucado. É possível gostar de duas pessoas diferentes de maneira igual? 

- Não sei - eu respondi engolindo o seco - Não sei como funciona isso na mente do Daiki, mas parece funcionar.

- Você me perdoa? - ele olhou para mim sem mais conter a sua culpa e tristeza, lágrimas escorria dos dois olhos e ele não tentava disfarça-las; eu levantei a minha mão e comecei a limpa-las com o dedo, fazendo com que ele fechasse os olhos e apreciasse aquele toque na sua face.

- Sinto saudades de você, Tetsuya - respondi com a mais sinceridade que consegui - mas eu não sei se esse tipo de relacionamento que o Daiki tanto quer, seja possível.

- Eu concordo com você - ele colocou a sua mão sobre a minha, fazendo com que se sentisse estremecido agora fosse eu - Eu não sei como funciona, mas eu também não sei como é possível eu gostar de você e dele.. e vocês dois se gostarem.. parece que tem muita coisa que a gente não entende.. eu quero poder me manter amigo de vocês.. quero ficar perto de vocês e ver vocês crescendo cada vez mais juntos. Admiro a relação madura de vocês e não quero atrapalhar.. Quero que vocês consigam e eu quero ajudar como posso. Eu não quero me tornar o ponto de insegurança e medo de vocês, não mais. 

- O que isso quer dizer? - perguntei sem entender muito bem o que ele estava sugerindo.

- Que as coisas acontecem por um motivo e esse relacionamento de vocês aconteceu devido ao relacionamento conturbado da gente. Tem coisas que acontecem de maneiras estranhas... no fundo eu acredito que tudo aconteceu para que vocês ficassem juntos.

- Desde quando você acredita em força do destino e cosmos, Tetsuya? Isso é coisa do Midorima - falei 

- Eu passei acreditar desde o momento em que eu percebi que você não só me ajudou a lidar com a minha sexualidade, mas principalmente, você ajudou Aomine a lidar com os medos e receios dele. Você o ajudou a ser esse cara sensacional. E ele tem tanto carinho pelo que você fez, só me faz ter mais certeza de que no fim era pra isso ter acontecido mesmo.

Fiquei pensando nas palavras do Kuroko e tentando lembrar a ordem de todos os acontecimentos. Não me parecia algo cósmico para que eu e o Aomine ficássemos juntos, parecia algo previsível.

- Eu e o Aomine nos aproximamos porque nossas frustrações eram parecidas, mas principalmente porque os nossos gostos também eram. A gente briga e discuti como você bem sabe e nos ajudou a lidar muitas vezes, mas nossa aproximação não foi para tampar buraco e carência, foi porque nós dois começamos a nos respeitar e ter um carinho mútuo - eu olhei para o Daiki na sala quase caindo do colchão, o que me fez dar um sorriso - esse besta aí me conquistou da maneira mais sem querer do mundo. E cada dia que eu passava do lado dele eu percebia o porque você gostava dele e não conseguia se desapegar, ele é realmente uma pessoa melhor do que ele acha que é.

- Ele é mesmo - Kuroko acompanhou meu olhar até o Aomine fazendo com que nossos olhares se encontrassem na volta - Espero que ele entenda.

- Qual a chance? - perguntei - Esse aí nunca vai desistir.

- Não mesmo - ele riu - Vocês dois são muito cabeça dura.

- Acho que por isso que ele quer tanto que você se junte a gente.. pra você ser o ponto de equilíbrio nessa relação.

- Qual a chance de não desmoronar tudo que vocês construíram sozinhos? - ele suspirou - Acho que tem grandes chances de dar errado. 

E de fato tinha mesmo. Eu sabia que o Kuroko tinha um pensamento muito mais parecido com o meu quanto a isso. Nós dois sabíamos que esse era um assunto tabu. E talvez o Aomine tivesse razão, talvez estávamos sendo preconceituosos e não queríamos assumir de que esse tipo de relação era estranha. E assim como o pai do Aomine, estávamos com medo do desconhecido, tampando o sol com a peneira e nos machucando por não querer aceitar.

Pensar que pode dar errado não era uma coisa sem sentido, mas sinceramente, a chance de dar errado entre Kuroko e eu, Kuroko e Aomine e Aomine e eu eram as mesmas chance de dar errado nós três. Quando se entra em um relacionamento, você aceita o risco de pode dar errado, mas você não se apega a ela, você se apega às chances de que pode dar certo.

- E se desse certo? A perguntei - Como vamos saber? 

- Não sei - disse ele levantamento uma das sobrancelhas - Talvez não vamos saber nunca.

- Aí - suspirei fundo - Talvez não devíamos deixar certas coisas na imaginação.

- An? - ele estreitou os olhos como se tivesse tentando ler a minha mente - Do que você está falando?

- Que Eu perdoo você - respondi passando a mão no queixo bem desenhado dele - Que todos erramos uns com os outros e que perdão é uma coisa complicada demais, mas é libertadora quando pronunciada. Você me ajudou hoje com o Aomine. Eu sei que ele precisa de nós dois juntos agora mais do que nunca. Ele estava bêbado quando estava rindo, quando ele acordar e cair a ficha dele, ele vai precisar de você.

- E de você - respondeu ele - fico feliz que não temos mais ressentimentos.

- Eu também - respondi - mas principalmente por poder assumir que aquela noite, não foi um erro, foi graças a ela que eu percebi que o Aomine não era um monstro psicopata que eu achava que ele era.

- Aquela noite não foi um erro - disse ele repetindo a frase - Confesso que o momento em que ela estava acontecendo, eu estava muito confuso por vocês não estarem se matando.

- Eu também fiquei - assumi - Mas foi bom, não da pra negar.

- De fato não - disse ele corando um pouco - foi divertido.

O silêncio da memória daquela noite foi um tanto embaraçosa, nunca pensei que eu relembraria aquele momento com o Kuroko, talvez com o Aomine, mas não com o Kuroko.

- Então - disse ele quebrando o silêncio - O que você sugere? 

- Eu sugiro que a gente tente focar em continuar um ajudando ao outro e ... bom, não vejo o que mais impeça desse relacionamento acontecer além dos nossos receios.

- Também senti saudades, Taiga - ele abriu um sorriso que me fez arrepiar a espinha. Eu adorava quando Kuroko me chamava pelo primeiro nome. Eu adorava o cheiro adocicado dele. Eu adorava seus lábios rosas e seu rosto que sempre ficava vermelho quando estava com vergonha. De como ele se transformava em outra pessoa durante o sexo e principalmente, eu adorava seus grandes olhos azuis que refletiam perfeitamente a pessoa maravilhosa que ele era.

Eu puxei com o pé a cadeira dele para que ele pudesse ficar mais próximo, ele arregalou os olhos e depois de entender o que aconteceu, ele se inclinou para frente, colocando as mãos no meu rosto e me dando um beijo. Daiki tinha razão, Tetsuya tinha um gosto constante de cereja. Sua pele era sempre macia como algodão e seus cabelos azuis davam a ele um ar angelical. Me envolvi em um abraço gentil em volta dele mantendo os nossos lábios colados. 

- Então - disse ele se afastando milímetros dos meus lábios - quer dizer que vamos tentar? 

Eu não respondi, eu queria poder sentir a boca dele de novo. Eu estava morrendo de saudades desse menino. Eu o apertei mais pra frente e comecei a invadi-lo com a minha língua, me lembrando de todas as sensações maravilhosas que ele me proporcionou, me lembrando do porque eu sentia tanta falta dele, do porque eu era perdidamente apaixonado por cada detalhe do corpo dele, do porque eu me senti triste quando ele começou a me ignorar. Eu nunca mais queria soltá-lo. Ele era meu e agora eu entendia a necessidade do Daiki, eu queria o Kuroko de qualquer jeito, mesmo se eu tivesse que aceitar o velho Daiki de novo.  Mas agora era melhor, agora era diferente, porque eu queria os dois. Eu não precisava escolher.

- Vocês são uns safados - veio uma voz um tanto sonolenta da porta da cozinha - Definitivamente perdi meu direito de ter um quarto nessa casa.

Aomine estava com as sobrancelhas enrugadas como se sentisse dor de cabeça, mantinha um sorriso triunfante no rosto, como se já soubesse que isso ia acontecer.

- Deixa um pouco de Tetsu para mim, Taiga - disse ele se aproximando 

- Agora vamos ter que brigar - falei brincando 

Aomine se aproximou de nós dois ainda mais, abriu os braços e nos envolveu em um abraço apertado e cheio de sentimento.

- Vou precisar de vocês, mais do que nunca agora - apertando ainda mais o abraço, Aomine começou a chorar cada vez mais pesado. A ficha de que seu pai havia morrido sem uma desculpa formal e sem uma despedida decente estava atingindo sua mente que estava voltando a ficar sã. 

- Vai ficar tudo bem Daiki - disse Kuroko como um sussurro no ouvido dele - Vamos superar isso juntos!

[....]

 


Notas Finais


Perder o pai dessa forma não deve ser nada fácil, Daiki tem sorte em ter duas pessoas que fariam qualquer coisa por ele.
Espero que tenham gostado.

Beijos Beijos


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