História Férias dos sonhos - Capítulo 17


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Categorias A Feia Mais Bela
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Palavras 5.418
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa tarde 😘

Capítulo 17 - Tudo começa com uma escolha.


Fanfic / Fanfiction Férias dos sonhos - Capítulo 17 - Tudo começa com uma escolha.

 

                        Márcia pov

 

Estava confusa. Tinha ouvido Fernando gritando com raiva lá embaixo. O que será que estava acontecendo?

Fiz um esforço para levantar da cama. Minha cabeça latejava e as paredes tinham ângulos estranhos. Quando cheguei ao corredor, senti minha vista escurecer, agarrei-me à parede e lutei para me manter de pé. Mas aí a gritaria lá embaixo já tinha cessado.
- Márcia! - Ouvi a voz de Eduardo e logo após senti as mãos dele na minha cintura. Então, me soltei da parede e caí em seus braços. Minha cabeça implorava para que eu me deitasse. 
- O que está fazendo? Por que não ficou na cama?
Eu não respondi. Em poucos segundos, senti um braço dele passar por baixo dos meus joelhos e o outro em volta dos meus ombros; ele me ergueu em seu colo. Em um instante incrivelmente curto, eu estava de volta à cama macia e minha visão retornou ao normal.
- Desculpe, só queria ver o que estava acontecendo. - Eu expliquei, e ele ficou sério. - Qual o problema?
- Nenhum. Não se preocupe. – Eduardo me tranqüilizou. Logo percebi que estava segurando um copo de água em uma mão e me oferecia uma cápsula verde e azul na outra. 
- Você precisa tomar isso.
Eu assenti e ergui um pouco a cabeça para tomar o remédio. Estava bastante cansada, embora estivesse deitada o tempo todo.
Quando dei por mim de novo, havia dormido. Abri os olhos e percebi que me sentia bem melhor. Estava com calor, o que indicava que a febre tinha passado.
- Ei, você acordou. - Era a Carol me trazendo mais um remédio. Desta vez era um comprimido branco.
- Como está se sentindo? - Ela perguntou, enquanto eu engolia o comprimido.
- Bem melhor. - Respondi. 
Naquele momento, ouvi um grito que parecia de tortura. A voz era da Letícia , mesmo distorcida pela dor que ela parecia estar sentindo. 
- O que foi isso?! – Perguntei, sobressaltada.
- Hm... bem... é a Lety . - Ela se enrolou um pouco para explicar. Outro grito se fez ouvir.
- Ela precisa de ajuda? Carol , o que está acontecendo? - Eu estava desesperada.
- Eduardo me pediu pra ficar quieta até que você acordasse, para que eles possam explicar pra gente o que vai acontecer agora. - Ela disse, e eu fiquei ainda mais confusa.
Então, a porta se abriu, e enquanto Omar e Eduardo entravam, pude ouvir mais claramente os gritos da Letícia . Mas rapidamente a porta foi fechada novamente e os gritos foram abafados.
- Eduardo, o que está acontecendo? A Letícia está bem? - Fui perguntando.
- Márcia , a Letícia foi mordida. - Ele me revelou e eu tentei absorver o significado daquilo. Ela não foi morta, porque eu podia ouvi-la gritando que nem uma condenada.
- E... O que isso quer dizer? - Perguntei. Eduardo ponderou por um momento, antes de responder.
- Ela está se transformando. - Ele respondeu.
- Em... vampira? - Perguntei, que nem uma idiota.
- Não... Márcia , ela está se transformando na Lady Gaga. - Carol disse, sarcasticamente.
- Mas... quem fez uma coisa dessas? - Eu perguntei. Não conseguia assimilar aquilo. Era a Lety ! Ela mal era capaz de matar uma mosca, imagina ser uma vampira!
- Aldo fez. - Ele explicou. - Foi necessário, Ma , ela foi atropelada e estava prestes a morrer. Esse era o único jeito de salvá-la.
- Ele tem razão, Ma . Eu estava lá, foi horrível! Eu mesma pedi pra que fizessem isso. - Carol me disse. Eu arregalei os olhos pra ela.
- Você, Carol ? Achei que odiasse vampiros.
- Bem, mudei de idéia. - Ela piscou para o Omar, e ele lançou um sorriso lindo para ela. - De qualquer forma, você preferiria que ela morresse?
- Claro que não! Estou feliz por ela estar bem. - Como que para me contradizer, outro grito alto ecoou. - Er... ela não parece bem.
- A transformação provoca muita dor, mas ela vai ficar bem. - Eduardo explicou.
- Ótimo, esperei a Márcia acordar como vocês pediram. Agora, posso ver a Lety ? - Carol perguntou ao Eduardo e Omar.
- Ah, eu também quero vê-la. - Pedi.
Omar e Eduardo se entreolharam.
- Ok, escutem. Não poderão vê-la. - Omar disse.
- Temos que esperar a transformação concluir? - Perguntei.
- Na verdade, não vão poder vê-la por... algum tempo. - Eduardo disse. Eu e Carol estávamos confusas. - Olhem, a Letícia em breve se tornará o que chamamos de vampira recém-criada. Isso significa que ela não terá muito auto-controle. Pensem nisso, vocês, humanas cheias de sangue apetitoso perto da Letícia , a vampira descontrolada.
- Quer dizer que... Se chegarmos perto, ela vai nos machucar? - Carol questionou, apavorada.
- Sim, portanto vão ter que manter distância até que ela desenvolva auto-controle. - Omar impôs. Isso ainda era difícil de acreditar. Eu corria perigo nas mãos da Lety ? Da Lety ? Sério?
- E quanto tempo isso vai levar? - Perguntei.
- Cada caso é um caso, mas... Alguns anos devem bastar. - Eduardo respondeu.
- Anos?! - Carol gritou, e eu engasguei com a própria saliva.
- Vamos ter que ficar sem ver a Lety por anos? - Perguntei, entre as tosses.
- Bem, no mínimo um ano. O primeiro ano é sempre o mais difícil, principalmente quando nós nos privamos do sangue humano. Isso exige muito mais controle para ficar perto de humanos.
- Isso é absurdo! Não podem esperar que fiquemos um ano inteiro sem ver nossa melhor amiga! - Protestei. Desde que fomos morar juntas, não ficamos nem um dia inteiro sem ver a outra.
- Tem mais uma coisa que precisam saber sobre recém-criados. Eles são mais fortes que um vampiro mais velho. Letícia será mais forte até mesmo que o Omar. - Eduardo explicou.
Eu tomei fôlego. Caramba, a Lety ia ficar mesmo medonha. Será que, com tudo isso, ela continuaria sendo nossa amiga de sempre?
- Mas não precisam se preocupar muito com isso. - Disse Omar. - Vocês ainda poderão se falar por telefone, ou por webcam...
- Que legal, ganhamos uma amiga virtual. - Carol comentou, com sarcasmo.

                    Letícia Pov

- Por favor! Acaba com isso, eu imploro! - Eu pedia, desesperada, pela milésima vez. Fernando apenas acariciava o meu cabelo, mas eu não sentia o carinho, eu só sentia dor. Dor e mais dor.
- Faz parte da transformação, Lety . Paciência. - Aldo disse.
Eu não me importava com qual era o propósito daquilo, não me importava com nada disso, só me importava com a dor e tudo que eu queria era morrer e acabar com isso. Agora!
- Por favor! Não agüento mais nem um segundo!
- Agüenta sim, meu amor. - A voz de Fernando me disse com doçura, mas as palavras dele nada significavam para mim.
É amor quando uma pessoa te deixa agonizando de dor? Ele me enganou, eu caí nessa e agora estava pagando com minha vida. Devia estar triste por saber que ele não me ama, que ele só queria me machucar; mas nessa situação não tinha lugar pra sentir dor por coração partido, só tinha a dor da queimação. Fernando só estava ali, me assistindo queimar. Talvez essa seja a diversão dos vampiros.
Enquanto pensava nisso tudo, não parei de gritar por um segundo sequer. Será que eles eram assim tão desalmados? Eles não sabiam como era ser queimado vivo? E se eu estava queimando pelo que parecia uma eternidade, então por que eu não morria? Quanta dor eu ainda teria que suportar antes de finalmente chegar ao inferno? Ou será que esse era o inferno? Fernando, esse demônio com rosto de anjo parado ao meu lado... Ele não parecia estar se divertindo com a minha dor, parecia estar sofrendo. Mas isso não era possível! Se ele estivesse sofrendo, faria alguma coisa pra me ajudar - ao invés de ficar parado observando. Ele teria compaixão e me mataria.
- Parece que está acabando... - A voz de Aldo disse.
Estava acabando? Eu ia finalmente morrer? Mal podia esperar.
Com um alívio imenso, senti a dor se esvair lentamente do meu coração. Então, descobri que finalmente podia me mover.
Eu podia me mover? Por quê? Eu não morri?
- Você não morreu, amor. Você renasceu. - Fernando explicou, e eu o fitei sem entender.
- O que quer dizer? - Perguntei confusa. A minha voz não parecia mais familiar.
- Você é uma vampira, Lety . Acredita em mim? - Ele pegou a minha mão e eu me surpreendi com o toque dele. Era macio e morno, pela primeira vez desde sempre.
Minha garganta ardia e meus olhos enxergavam tão nitidamente; minha voz estava tão diferente...
- Acho... que sim. - Respondi, tentando absorver aquilo.
Eu era vampira? Por quê? Como?
- Eu sinto muito, Lety . - Fernando se desculpou com a voz sofrida, e depois me abraçou. Eu continuei parada, sem reação. - Por favor, não me odeie por ter feito isso.
Agora que a dor tinha passado, não conseguia ficar com raiva dele. Afinal, eu o amava e se ele me transformou em vampira, deve ser porque ele quer ficar comigo para sempre. Tudo bem que eu queria que ao menos tivéssemos conversado sobre o assunto antes de ele tomar a liberdade de me transformar, mas agora não tinha nada que pudéssemos fazer. Tinha como voltar atrás?
- Não tem como voltar. - Ele respondeu minha pergunta pensada. - E você não se lembra porque tive que fazer isso? Não se lembra do acidente? Não havia tempo pra conversar sobre o assunto, Lety .
Eu o encarei confusa.
Acidente?
- Você pegou meu carro... Foi até La Push... Lembra disso?
- Seu carro... - Eu me lembrava do lindo Volvo prata brilhante. - Sim, eu queria ir à La Push, e falar com o Otávio.
- Sim! - Ele exclamou, parecendo animado por eu estar lembrando. - E o que aconteceu? Você lembra disso?
Eu tremi ao me lembrar.
- Se eu repassar o que aconteceu na minha mente, você pode ver?
- Sim, posso assistir a história como se fosse um filme. - Ele sorriu e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha esquerda.
- Certo. Então, vou te mostrar o que aconteceu.

[FLASHBACK]
Eu dirigia o carro de Fernando com extrema facilidade, mas me sentindo bastante culpada por ter pego o carro emprestado sem pedir a permissão dele. Eu não costumava fazer esse tipo de coisa, mas eu tinha que falar com Otávio em particular, e os vampiros não podiam saber disso.
"Vire a esquerda, depois siga reto" - A voz no GPS indicou. Eu fiz o que ela mandou.
Quando estava seguindo reto na estrada e o GPS mostrava que eu já estava chegando à La Push, uma coisa apareceu bem na minha frente do nada. Eu freei o mais rápido que meus reflexos permitiram, mas a figura na minha frente caiu no chão. Não senti o impacto de uma batida, mas fiquei morrendo de medo de ter atingido alguém. Destravei a porta e o cinto de segurança e saí correndo do carro o mais rápido que pude.
Eu me apoiei no capô quando vi uma garota branca linda estirada no asfalto.
- Ah, meu Deus! Você está bem? - Eu me abaixei e toquei de leve o braço dela. No momento que meus dedos encostaram em sua pele, a mão dela se moveu a uma velocidade incrível e segurou meu braço. Eu gritei.
- Eu sabia... é o cheio certo. - Ela sussurrou e sorriu. Depois se levantou em uma posição meio sentada e me encarou dos pés a cabeça. Eu tremi quando vi os olhos dela. Eram de um tom vermelho vivo.
- V-v-você n-não é humana. - Eu gaguejei e tentei me soltar da mão dela, mas ela era forte demais.
- Não sou. E você também não é lá grande coisa. Pergunto-me o que o Fernando viu em você. - Ela falou, com deboche. Então, esqueci que ela era algo sobrenatural e franzi a testa para ela. Não gostei do jeito que ela falou o nome dele, como se estivesse acariciando a palavra.
- Você conhece o Fernando? - Perguntei com indignação.
- Ah, sim, conheço o Fernando. O conheci ontem à noite, um cavalheiro. Divertimo-nos muito, ele até me levou para jantar. - Ela sorriu, convencidamente. Senti uma pontada no peito com as palavras dela.
- Não acredito em você. - Eu disse secamente, e tentei mais uma vez me soltar dela. - E me larga, sua louca!
- Insultando uma vampira que já não tem muitos motivos pra gostar de você? Não é muito inteligente. Acho que se alguém aqui é louca, é você. - Ela disse, e por algum motivo, senti um tom de ameaça nas palavras dela.
- Nada do que fizer contra mim vai fazer o Fernando gostar de você. - Eu argumentei com a voz fraca, porque percebi que ela estava interessada nele e talvez por isso tenha vindo atrás de mim.
- É, talvez. Mas não quero o Fernando, ele me insultou profundamente. Agora, por culpa dele, estou com a auto-estima baixa. Matar você vai ajudar a me fazer sentir melhor. - Ela me lançou um sorriso sinistro.
Eu levei a sério as palavras dela, e agora estava realmente com medo. Dei dois passos cambaleantes para trás quando ela finalmente soltou meu braço.
- Por favor... Não. - Eu pedi em um sussurro, sabendo que não ia adiantar se ela realmente quisesse me machucar.
- Pode implorar à vontade. - Ela avançou para mim e eu tentei me afastar de novo. Eu devia tentar correr? Devia tentar entrar no carro e me mandar dali?
Então, ouvi um carro se aproximando e pensei em pedir ajuda. Isso ajudaria em algo ou só mataria outro inocente?
Mas quando o carro se aproximou o suficiente, senti a mão da vampira me empurrar com força no meio da rua. A dor do impacto foi tão forte que desmaiei na hora.

[/FLASHBACK]

- Yasmín. - Fernando rosnou o nome dela quando  as lembranças terminaram.

                               Carolina Pov

- Ela já acordou. - Ouvi a voz de Omar nos meus sonhos.
- Ãnh? - Perguntei com um resmungo, querendo saber do que ele estava falando.
- Carol , oi? Você tá me ouvindo? - Ele perguntou e senti alguma coisa pousar no meu rosto. Movi a mão para tirá-la dali, estava atrapalhando o meu sonho. - Carol , acorda!
De repente, abri meus olhos e me vi em um lugar totalmente diferente de onde eu estava antes. Eu estava no meu quarto na casa dos Mendiolas. Então, todo o meu sonho de ter comprado o shopping todo só pra mim não foi real? Droga, de novo!
- Omar! Que susto! - Eu reclamei, esfregando os olhos com as mãos.
- Desculpe, só te acordei porque você pediu pra te avisar quando a transformação da Letícia terminasse... e terminou. Ela é uma vampira completa, agora. - Ele deu um meio sorriso ao dizer isso, sem saber se era uma boa notícia ou não.
- Ah, quero falar com ela! - Eu saí pulando da cama.
- Espera um pouco. - Ele me segurou na cama. - Fernando vai levá-la pra caçar, e você também devia tomar o café-da-manhã. Estou te esperando lá embaixo. - Ele sorriu abertamente pra mim e saiu pela porta.
Eu me aprontei para descer, tentando não pensar muito no que a Lety estava tendo pro café-da-manhã... Um bicho bem feroz, feio, grande e malvado? Ou um coelhinho fofinho? Não, não pense nisso, Carol !
Após o café-da-manhã com a Márcia , fiquei entediada e acabei na sala, assistindo Two and a Half Men na TV. Omar se sentou ao meu lado e nós dois ficamos assistindo, apenas rompendo o silêncio para rir de alguma piada feita no seriado.
Eduardo tinha saído com a Márcia para exibir todas as habilidades vampíricas dele. E eu ainda não tinha conversado com Omar sobre nada, embora ele deva ter percebido que eu meio que o perdoei por ser o que ele é - já que eu estava falando com ele de novo e tudo mais. Mesmo assim, eu sentia que ele estava esperando que eu tocasse no assunto, que eu dissesse que está tudo bem entre nós. Estava tudo bem entre nós? Por que não? Eu não estava mais com medo, talvez um pouco insegura pelo que aconteceu com a Lety e pelo que pode acontecer comigo se eu continuar com essa história, mas agora eu confiava nele e sabia que ele jamais deixaria alguma coisa ruim me acontecer. Ok, é claro que o sapato Prada que eu ganhei também ajudou bastante, mas não vamos falar de futilidades...
Porém, quando tomei a decisão de falar tudo isso para ele, percebi que não sabia como dizer. Seria algo tipo: "Tudo bem você ser um vampiro, eu te amo mesmo assim"? Isso não ficava bem de se dizer do nada, e eu não sabia como começar o assunto. Então, decidi que não precisava dizer nada, apenas deitei minha cabeça sobre o ombro dele e o abracei o mais forte que podia. Ele retribuiu o abraço sem questionar nada. Eu levantei a cabeça e olhei fundo nos olhos dourados dele, esperando que ele pudesse ver ali dentro dos meus olhos tudo que eu não conseguia dizer, e em seguida, encostei suavemente meus lábios nos dele. Mas no momento em que me preparava para aprofundar aquele beijo, meu celular começou a tocar.
Eu o soltei e procurei meu celular nos bolsos desajeitadamente, depois chequei o identificador de chamadas.
- Lety! - Eu disse, com a voz estridente demais.
- Carol ! - Ela também estava com a voz animada. Mas a voz dela estava extremamente diferente.
- Omar me disse que terminou... Você é uma vampira agora, parabéns! - Eu disse, sem saber muito bem o que comentar sobre isso.
- Pois é, eu achava que ia ser meio estranho... mas me sinto ótima. - Eu a imaginei sorrindo do outro lado da linha enquanto dizia isso. - A Ma não está aí?
- Hm, não, ela foi brincar com o Eduardo lá fora... Mas ela também estava louca pra falar com você. - Eu a informei. - E você tem que me contar tudo. Como está sendo? Sua voz está muito diferente.
- Não só minha voz. Você não vai acreditar em como estou gata. - Ela riu, e eu ouvi vagamente a voz do Fernando no fundo dizendo que ela sempre foi. - É uma pena que você não esteja vendo... - A voz dela estava triste agora.
- Como vamos fazer isso, Lety? Um ano sem se ver é tipo... muito tempo. É insano sentir falta de alguém que está morando em um quarto no segundo andar da casa.
- É, Fernando me disse que é perigoso eu ver vocês agora. Mas vamos dar um jeito. - Ela fez uma pausa. - Mas talvez não seja uma boa idéia arriscar. Eu estou tão forte agora que consigo fazer o Fernando dizer "ai". Quer ouvir ele dizendo ai? É tão bonitinho.
- Não, não estou a fim de ouvir vocês fazendo uma sessão de sado-masoquismo, obrigada. - Eu brinquei, e nós duas rimos.
- Fernando está me ensinando a exercitar o meu controle...
- Isso tudo é tensão sexual mesmo? - Eu a interrompi, pasma.
- Não, idiota! - Ela foi delicada como sempre. - O meu controle em relação ao sangue,dhan. E ele disse que se eu me esforçar bastante, vou poder ver vocês mais cedo.
- Então, vamos esperar que seja bem cedo. - Eu sorri com a ideia. – Er... Lety , vocês têm alguma notícia do que aconteceu com a vampira que te "matou"?
- Ainda não. Fernando acha que ela levou o aviso dele a sério e fugiu da cidade. Mas ele disse que vamos ficar atentos pra que ela não machuque mais ninguém. Eu estou louca pra ter uma vingancinha com ela, de igual para igual agora.
- Certo... - Eu disse, meio insegura. O tom vingativo da Lety realmente me assustou. - Vamos esperar que ela tenha ido embora.
- Você quer que ela continue viva depois do que ela fez comigo?! - Ela esbravejou. Eu me encolhi no sofá e Omar colocou as duas mãos nos meus ombros. Ouvi Fernando a acalmando do outro lado da linha.
- Calma, Lety! Eu não quis dizer isso... O que ela fez foi muito errado, mas... não acho que você devia guardar rancor. Afinal, você é uma vampira diva e imortal agora, graças a ela. - Eu tentei atenuar a situação.
- Você acha isso legal? Eu passei por uma dor do caramba pra terminar a transformação, e agora não posso nem ver minhas melhores amigas! - Ela ainda estava alterada, mas mais calma do que antes. - Ah, sem contar que a vadia deu em cima do meu namorado!
- Eu... eu sinto muito. - Sussurrei, sem saber mais o que dizer.
Lety pareceu respirar fundo do outro lado da linha.
- Não, tudo bem. É só que minhas emoções estão meio bagunçadas agora, Fernando disse que é assim mesmo. - Ela riu de leve. - Carol , vou desligar agora. Eu ligo de novo mais tarde, quando a Márcia voltar.
- Tudo bem, tchau.
- Até mais. - Ela se despediu e depois desligou.

                           Márcia pov

Eduardo e eu estávamos em um dos lugares mais lindos que eu já tinha visto. Estávamos sei lá quantos quilômetros floresta adentro, e tínhamos chegado aqui super rápido, graças ao Edu. O capim era alto, mas havia árvores de copas enormes ao nosso redor pra nos proteger do... tempo nublado? Mas a melhor parte era um lago vasto que se estendia completamente plano e tranqüilo em nossa frente. Mas não era a paisagem que tornava o lugar lindo, e sim o homem que eu tinha ao meu lado.
- Então, qual é o plano? - Eduardo perguntou do nada quando terminou de me beijar pela trecentésima vez só hoje. Ele já parecia bem acostumado com o cheiro do meu sangue.
- Que plano? - Eu questionei com a voz fraca, ainda sob efeito do beijo.
- Sobre a sua vida... Sobre suas amigas, seu país, sua casa, sua família... tudo. - Ele explicou, me olhando seriamente.
- Sei lá, quem se importa com isso? - Eu sorri, mas ele continuava com a mesma expressão.
- Isso é sério, Márcia . - Ele me repreendeu. - Quanto tempo acha que pode ficar aqui sem se preocupar com nada?
- Por quê? Está me expulsando? - Eu brinquei, mas com medo que ele estivesse falando sério.
- Claro que não, pode ficar o tempo que quiser. Só que você está aqui pra passar as férias, o que vai fazer quando esse período acabar? - Ele acariciou o meu cabelo suavemente.
- Bem, ainda não pensei nisso. - Eu respondi, franzindo a testa ao pensar no assunto.
Quando eu estava aqui com o Eduardo, nesse lugar, o Brasil parecia tão distante; como se fosse outro planeta. A faculdade, o Rio de Janeiro, família pareciam coisas completamente estranhas.
- Talvez aqui seja meu lugar. - Eu dei de ombros. Eduardo apenas ficou me encarando. - Mas ainda é cedo pra dizer. E, além do mais, agora que a Lety é vampira, ela deve ficar aqui com o Fernando. E eu e Carol vamos ficar com ela... e com vocês.
- Talvez isso seja o que você acha. Elas podem não concordar com você. - Ele me lembrou.
- Eu as conheço melhor do que você pensa. - Eu beijei a ponta do nariz dele e me afastei, sorrindo. Então, ele puxou o meu queixo para o rosto dele e me beijou. Mais uma vez.
- Eu te amo minha menina. - Ele sussurrou por baixo dos meus lábios.
A próxima coisa que eu sabia é que estávamos os dois deitados sobre a grama. Estava tudo muito bom, até que Eduardo ficou de pé em um daqueles movimentos super rápidos que ele anda fazendo agora.
- O que foi? - Perguntei, frustrada.
- Tem alguém aqui. - Ele não respondeu olhando pra mim. Tinha os olhos fixos na floresta atrás de mim.
- Alguém, tipo...
- Um vampiro. - Ele rosnou ao dizer a palavra, e eu imediatamente levantei e corri pra trás dele.
- O que você vai fazer? - Perguntei com um tom de voz baixo. Em parte por nervosismo e em parte pra não sobressaltar o vampiro que estava por aqui.
- Vamos esperar que ele não incomode. De qualquer forma, é melhor voltarmos pra casa. - Ele pegou minha mão ao dizer isso. - Yasmín! Se for você, não tenho tempo pra brincadeiras! - Ele exclamou para o nada.
Fez-se silêncio por um momento, mas eu tinha a impressão que meus ouvidos perdiam muita coisa. Então, Eduardo me levantou no colo.
- Vamos voltar. - Ele explicou e começou a correr de volta para a mansão. Chegamos lá ainda mais rápido do que chegamos ao ponto onde estávamos antes.
Ele me colocou no chão na varanda da casa e abriu a porta pra mim.
- Omar, Eduardo, Yasmín apareceu. - Eduardo falou como se tivesse alguém na sala.
Mais silêncio. Era irritante, eu sabia que eles estavam conversando, só que cada um de um canto da casa e eu não conseguia ouvir nada.
- Não, estamos bem. Ela fugiu quando eu a desafiei a se mostrar. - Ele respondeu a uma pergunta que não ouvi.
Pausa.
- Claro que não fui atrás dela! Eu estava sozinho com a Márcia , Fernando. - Ele revirou os olhos ao dizer isso. Houve mais um tempo para uma resposta. - Se quiser, pode tentar pegar o rastro. Mas acho que ela já está longe.
Eu percebi que o diálogo tinha acabado quando ele se virou pra mim com um sorriso fraco.
- Omar disse que a Carol quer te ver. Eles estão lá em cima, no quarto dela. - Eduardo me informou.
- Vamos lá. - Eu peguei a mão dele e subimos as escadas até o quarto da Carol .

                        Letícia Pov

Fernando teve que se esforçar pra me segurar no lugar para que eu não pulasse aquela janela e fosse atrás daquela Yasmín quando Eduardo disse que ela estava por aqui. Agora que eu era vampira, eu perdia o controle das minhas emoções com muita freqüência, e Fernando me dizia que esse era o problema dos recém-criados. Eu não via a hora de poder ser considerada uma vampira madura.
Achava que tudo isso ia ser estranho, mas na verdade eu até que gostava. Podia ouvir o que todo mundo estava fazendo em qualquer canto da casa, até mesmo na estrada lá fora. Claro que com a Carol e o Omar bem aqui no quarto do lado a super-audição podia se tornar uma maldição - mas pelo visto não agora. Márcia tinha chegado e agora todas nós podíamos conversar.
Eu tinha pego o notebook do Fernando e estava sentada na cama dele com o aparelho no colo. Sim, depois da transformação, se Fernando ia ter que ser minha babá 24 horas por dia, achamos melhor eu me mudar pro quarto dele: é maior e mais longe dos quartos das minhas amigas . Eu ri comigo mesma ao pensar que isso parecia um estágio inicial de casamento.
Fernando riu com esse pensamento, para o meu total constrangimento.
Enfim, liguei o notebook e me conectei no usual serviço de mensagens instantâneas. Como combinado, o IM da Carol estava online. Eu abri uma janela de conversa e enviei um convite de conversa por vídeo.
Logo a janela mostrava a imagem de uma Carol e uma Márcia sorridentes.
- Oi, gente! - Eu sorri pra elas também. Era bom poder vê-las depois de três dias de transformação e isolamento total.
- Lety ? - elas disseram ao mesmo tempo, e só aí lembrei que elas ainda não tinham visto como eu fiquei depois da transformação.
- Er... eu mesma.
- Uau, acho que centenas de clínicas de estética lucrariam muito com essa tecnologia exclusiva de vampirização. - Márcia comentou, rindo.
- Pois é, não é eficiente? Mas chega de falar disso, a gente tem que conversar sobre uns assuntos mais sérios. - Eu as lembrei.
- Ah, você também querendo que a gente decida agora o futuro da nação? - Márcia reclamou.
- Não, Ma . A Lety tem razão. Já viu que dia é hoje? Logo o semestre na faculdade vai recomeçar e as nossas passagens de volta já estão compradíssimas, se não se recordam. - Carol lembrou. - E não venham falar comigo de desperdício de dinheiro, eu disse que só queria as passadas de vinda pros USA, vocês encheram o saco falando que a gente tinha que comprar as de volta também.
- O que isso quer dizer, Carol ? Que você já decidiu ficar? - Perguntei.
- Bem, o que você acha? Querida, estou nos Estados Unidos, oi! Por que razão eu iria querer voltar pro Brasil?
- Eu não falei, Edu? - Márcia se dirigiu ao Eduardo que também estava no quarto com o Omar.
- Olha, gente, eu sei que pra mim, a vida acabou. - Eu disse, desviando o olhar para baixo. - Eu não sou mais humana, então... bem, eu morri... Mas vocês...
- Não vem, Lety ! Já disse que não vou a lugar algum. Os impostos aqui são bem mais baratos pra comprar produtos de grife, sabia? - Carol continuou com os motivos fúteis, mas eu sabia que tudo se tratava do Omar.
- E você não morreu, Lety . - Márcia afirmou. - Escutem, por que temos que fazer de tudo isso um drama enorme? Só porque estamos querendo vir morar com vampiros a longo prazo? Podemos muito bem lidar com isso como se fosse uma situação normal. Somos todas aqui donas das nossas próprias vidas, ok? Os meus pais morreram há um tempo, a mãe da Carolina também e ela não vê o pai dela há um tempão, assim como você, Lety . Qual é a dificuldade de ligar pra lá e dizer que conhecemos pessoas especiais e que resolvemos vir morar aqui?
- Vendo por esse lado... - Eu comecei a aceitar o raciocínio da Márcia .
- Eu também acho que ela tem razão. - Carol concordou. - Todas nós deixamos família pra trás pra ir estudar em uma boa faculdade, pra começar. Não acho que tenhamos algo a perder.
- Eu acho. - Fernando se intrometeu na conversa. - Por que fazer isso? Por que se afastar de tudo que vocês sempre conheceram?
- Porque já tínhamos nos afastado há um tempão, Fernando. - Márcia respondeu pela Carol . - Saímos das casas dos nossos pais, mudamos de cidade para estudar na melhor faculdade possível, e então nos conhecemos, ficamos amigas e resolvemos morar juntas pra rachar o preço da casa. Acho que foi aí que começamos a traçar nosso destino.
- Ela tem razão, Fernando. - Eu disse a ele. - Sentimos falta dos nossos pais, mas já aprendemos a ficar longe deles.
- E se formos embora agora, a gente nunca conseguiria ser feliz lá. - Carol acrescentou. - Acho que temos que ficar todos juntos, bem aqui.
- Dois votos. - Márcia chacoalhou os braços no ar, toda animada.
- Três. - Eu disse, cedendo.
- Quatro, cinco e seis, da minha parte e dos meus irmãos. - Fernando disse, provavelmente lendo as opiniões de todos nas nossas mentes. - E tenho certeza de que Aldo e Alice também querem que vocês fiquem.
- Decisão unânime? Nossa, estou me sentindo agora. - Carol se gabou, jogando o cabelo para trás do ombro teatralmente.
- E querem saber o que mais? - Márcia começou. - Acho que quando a Carol disse que temos que ficar todos juntos, ela quis dizer juntos mesmo. E não conversando por computador.
- Ma , isso ainda é muito perigoso... - Eu tentei argumentar. Só de ouvir as batidas dos corações delas me dava água na boca. Eu não ia agüentar sentir o cheiro do sangue.
- Não quis dizer isso. Quero dizer que eu também quero ser uma vampira.
Por cinco segundos inteiros, houve silêncio na casa.


Notas Finais


Boa leitura 😍


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