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História Ferline - Interativa - Capítulo 27


Escrita por: e Mula-san


Notas do Autor


Senhoras e senhores, desculpem-nos a demora. Em compensação o capítulo é grande para finalmente encerrar esse arco e acontece de tudo nesse capítulo...

Boa leitura!

Capítulo 27 - Estágio Terciário: Inferno


Fanfic / Fanfiction Ferline - Interativa - Capítulo 27 - Estágio Terciário: Inferno

≈ Cain ≈


Chegou a hora em que eu empurrei com tanta força, que a porta da cela se abriu. Engano. Ali atrás estava Marcus com a chave, acompanhado por Wahala e Mackenzie.


— A segurança daqui não é lá muito boa — comentou Marcus me entregando uma espada.


— Estão todos bem? — perguntei. — Estamos em perigo, O Sacerdote é…


— Já sabemos, é do mal — resumiu Wahala. — Os outros foram embosca-lo.


— Naomi, temos que achá-la — lembrei.


— Vamos então — concordou Mackenzie.


— Você vem? — indaguei olhando para O Padre.


— Vou sair, na hora certa — Foi sua resposta.


Eu e meus colegas corremos por todo o corredor escuro de pedras com celas na parede, olhando entre as frestas e gritando o nome de Naomi, mas nenhum sinal. Até que Mackenzie parou e apertou seu ouvido com a mão.


— Gwin está me mandando uma mensagem — ele disse. — Eles acharam a Naomi. Temos que ir pra trás da igreja, agora!


Saímos da prisão, passando por alguns guardas nocauteados, correndo. Lá fora o sol começava a cair. Pedestres que nos viam se escondiam ou jogavam pedras, no entanto pararam, quando o sino no alto da igreja tocou três vezes, todos correram para suas casas, era um toque de recolher.

Quando chegamos na igreja, logo na escadaria, já havia alguém nos observando. Abel, nos fitou, de um degrau que o deixava acima de nós, criando sua espada mágica declarou:


— Vocês não passarão!


Na hora, Marcus usou seu teleporte nas sombras para ir para atrás dele, mas o garoto se virou no exato momento em que meu amigo chegava e o segurou pelo pescoço e lançou com muita força pra dentro da igreja, uma força que nenhuma criança de 8 anos deveria ter.


— Não se preocupem, ele não está morto, pois não devo matar nenhum desconhecido, podem ser úteis — disse Abel. — Ele só não vai acordar tão cedo.


Wahala tentou algo parecido com o que Marcus fez, mas na hora de aparecer atrás do inimigo, fez um novo teleporte para a frente e deu um soco na cara da criança. Abel resmungou e tentou revidar, mas Wahala se teleportou de novo. No entanto, meu colega ficou preso nas sombras quando o pequeno apontou a mão para ele, aquela aura escura estranha voltou a correr sobre ele mais forte, Wahala foi sufocado pela própria sombra e desmaiou.

Mackenzie me mandou tapar os ouvidos e deu um grito estridente, disparando uma rajada sônica na direção do adversário. Abel resmungou e seus olhos azuis se tornaram mais vermelhos que os meus, escuros como sangue. Atirou sua espada de luz em direção ao ruivo e no ar ela se tornou uma lâmina de escuridão, viajando muito rápido até acertar e perfurar a canela de Mack, que, por sua vez, gritou de dor e tombou no chão, sem conseguir se levantar.


— Agora é tua vez, Cain, entre na luta — ele declarou, estendeu a mão e sua espada voltou até ele. — A ti eu trarei a morte.


Arranquei minha camisa de preso e empunhei a espada, decidido.


— Certo, então… vamos ao campo.



≈ Miralit ≈


Mandei o trio que já estava por aqui resgatar Cain e Naomi, enquanto eu e os outros marinheiros vamos agora enfrentar O Sacerdote.

Vasculhamos toda a igreja, até ouvirmos um barulho vindo detrás dela. Meus homens ficaram nos lados e apenas eu fui encarar O Sacerdote lá atrás, enquanto os jovens tentavam o cercar de longe, sem serem vistos.

Ele estava de costas, com os olhos no pôr do sol, do mesmo jeito que nós há 1 dia atrás.


— Bela vista — me pronunciei.


— Almirante… — Ele nem se virou para mim. — Achaste que eu não fosse dar falta de nada na minha sala? 


— Então podemos pular a parte onde eu te acuso e ir direto pra parte onde você vai preso? — concluí. Ele riu.


— Não queres nem escutar a história toda? — Eu puxei um revólver da cintura e apontei para ele, porém ele virou um pouco o corpo, revelando Naomi atrás dele, caída no chão, aparentemente desmaiada, em cima de um círculo estranho feito de sangue. — Não tenha pressa, ou ela sofrerá. A magia de natureza é rara, um ser com predisposição a ela pode ser útil em meus experimentos.


— O que você quer pra liberar ela?


— Hm? Isso é inegociável — ele respondeu. — Mas eu apreciaria se tu ficasses quieto e me ouvisse. Creio que já tenha entendido que eu gostaria de alcançar a imortalidade, porque minha vida é perfeita, eu tenho poder, todos me obedecem, por que eu iria querer passar uma eternidade no céu adorando alguém, enquanto na Terra eu sou adorado? Além do mais, já fiz coisas ruins o suficiente para saber que quando eu morrer, estou condenado ao lugar ruim. Tenho estudado maneiras de me tornar eterno há muito tempo, não tive muito resultado no entanto. Já considerei feitiços de ressurreição, cheguei até bem perto, tu ficarias impressionado com quantos ratos já revivi, porém faltava algo para funcionar com humanos. Eu estive para desistir há uns anos, até que um homem ouviu sobre mim com os mercadores que me vendiam recursos, ele se interessou pelo meu trabalho e passou a pagar pelos suprimentos para que eu descobrisse uma fórmula e lhe desse também…


— Que homem era esse?


— Me disse que seu nome era Lucius, mas se auto-intitula Rei dos Piratas — continuou. — Após ter feito tantas abordagens, tive que recorrer a ajudas mais sombrias e mais antigas do que nós, fui atrás de magias negras ancestrais e encontrei uma forma diferente de não morrer, na verdade, meu corpo morreria, mas manteria minha alma em um receptáculo…


— Abel… você vai possuir o corpo dele — entendi.


— Já estou possuindo — ele confirmou. — A cada dia mais da minha alma vai se transferindo para ele, deve demorar algum tempo, mas um dia meu corpo irá esvaziar-se e o garoto tomará meu lugar de Sacerdote, por isso eu o dou tanto prestígio, o povo já o ama.


— Que bonito, abuso infantil… seu deus se agrada disso?


— Certamente não, é por isso eu eu fui para o outro lado… para realizar tudo que quero e ter pleno poder — Uma aura de trevas percorreu seu corpo, os olhos se tornaram completamente negros e sua voz se engrossou —, me associei aos demônios.


— E por que me conta tudo isso?


— Porque vou te dar uma chance de ir embora com alguns dos seus e me deixar em paz. Só quero ficar com alguns marinheiros…


— E se eu me recusar? 


Nesta hora uma flecha veio por trás dele, mirando sua nuca, O Sacerdote a segurou sem ver e atirou de volta, com a força de um arco na mão, para Elizabeth, que acabou tendo o esconderijo revelado atrás de uma grama alta mais distante de nós.


— Então vou pegar os que eu quero… — respondeu ele. — E matarei os outros.


Akira saiu detrás de um arbusto com as mãos em chamas e correu pra dar um soco no Sacerdote. O inimigo esperou parado e quando o de fogo se aproximava, fez um giro para frente saindo da reta e deu um tapa na mão do garoto, que o fez cair e rolar em cambalhota pra outro lado. Nesse instante um rajada de ar jogou o corpo de Naomi para cima, era Harumi usando sua magia de vento a distância, outra rajada jogou a menina para perto de Elizabeth, que começou a tentar curar qualquer coisa que Naomi tivesse.

Todos os marinheiros saíram de onde estavam para cercar O Sacerdote.


— Preciso vos derrotar rapidamente, então… me empreste seu poder… 


Sua voz pareceu ficar duplicada, a aura negra ganhou tons de vermelho, seu rosto passou a ter linhas craqueladas e seu capuz caiu com os chifres pequenos que brotaram em sua cabeça. Ele arrancou a batina, ficando apenas com uma calça preta de pano sem camisa, mostrando as linhas de rachadura pelo resto de seu dorso, impressionantemente musculoso pra alguém daquela idade.

Fez um movimento com a mão e atirou uma bola de fogo contra mim, me abaixei e corri com as costas dobradas para frente até ele.

O inimigo desferiu um chute alto mirando minha cabeça, mas eu fiz um giro caindo para a esquerda. Syphon se jogou na frente do chute e segurou seu pé, tentando o puxar e jogar para frente, mas imagino que fosse muito pesado então conseguiu apenas fazer O Sacerdote cair. 

O inimigo levantou rapidamente com um salto, mostrando grande elasticidade. Criou um círculo de fogo em volta de si que se expandia para os lados buscando nos atingir. Akira atravessou o círculo sem sofrer dano e acertou um soco na cara rachada do oponente, que perdeu a concentração e desfez as chamas.

Gwineth correu pra perto dele e disparou uma rajada sônica com a boca bem em seu ouvido, O Sacerdote gritou e pareceu ficar tonto, porém antes de cair no chão, se recompôs e virou a mão aberta para agarrar o pescoço da garota. Seus dedos ficaram a milímetros dela, entretanto Ray surgiu atrás do inimigo e o desestabilizou com uma rasteira.


— De onde veio?... — resmungou O Sacerdote, se segurando para não ir ao chão.


Recuperando o equilíbrio, se voltou contra Dakota, o segurando pela barra da camisa, pronto para arremessar o garoto longe, porém o marinheiro segurou o braço do oponente e o furou com sua hidden blade, assim foi solto no susto do inimigo e ainda perfurou sua barriga, o fazendo gritar muito, depois saiu da frente, deixando O Sacerdote exposto e indefeso.

Syphon, com a palma aberta, correu em direção ao vilão, pronto para finalizá-lo com sua magia. Entretanto, O Sacerdote conseguiu se recompor e quando Syphon se aproximou, recebeu um chute forte que o jogou para longe, batendo na parede com as mãos para trás, assim acabou destruindo a parede de trás da igreja.


— Vocês são mesmo irritantes… — reclamou O Sacerdote. — Me dê então…PODER ILIMITADO! 


Seus chifres cresceram bastante dessa vez e sua pele ficou avermelhada, a aura rubro-negra passou a se manifestar como uma cobertura de fogo em sua pele.

Pensando nas nossas chances e na segurança dos marinheiros, o melhor que podemos fazer agora é… fugir.



≈ Cain ≈


— Não vou precisar me segurar contra ti, ninguém vai estar assistindo — avisou Abel.


Ele ficou parado, no topo da escadaria. Senti calafrios só de olhar em seus olhos, havia algo diferente nele agora. Ainda assim tomei coragem e corri, subi os degraus largos com a espada apontada para ele, que nem se moveu até o último segundo, quando puxou de volta sua espada de trevas e bloqueou meu golpe, botou um pé frente ao meu quando eu corria e então tropecei e caí de bruços no chão.

Ele mirou sua lâmina em minhas costas, desviei engatinhando pra frente. A tropeços consegui me erguer e entrar na igreja.

Abel veio até mim caminhando, calmamente. Larguei a espada no chão e peguei com as mãos um dos grandes bancos de madeira que estavam enfileirados. O levantei pra bater na cabeça do meu adversário, porém o pequeno ergueu a mão quando ia ser atingido e fez um sinal de corte com os dedos, liberando uma faixa de chamas negras que partiu o banco ao meio.

Peguei a espada de novo e fui me afastando enquanto ele se aproximava.


Dark dash — ele disse e deu um impulso até mim como se fosse um vulto.


Golpeei com a espada no susto, ele a bloqueou com a mão e socou minha barriga tão forte que eu cuspi sangue.

E bateu de novo e de novo, marcando meu corpo com hematomas. Eu me curvei, mas não caí. Recuperei a espada e tentei cortar seu pé. Ele pisou na minha mão e chutou minha cara, deixando meu olho roxo.


— Não vai ser honrado e ter uma luta de espadas justa comigo? — tentei dizer com a voz falha.


— Eu não sou justo — ele respondeu. — Nós nos veremos no inferno, Cain. A única coisa que posso fazer por ti é atrasar sua ida, mas não vai ser por misericórdia, sim por prazer. Vou te mandar para lá com as minhas próprias mãos.


Então suas mãos foram envoltas pelas chamas negras e agarrou minha cabeça pelos lados do cabelo, virou ela pra cima, e com a palma da outra mão, golpeou minha testa.


— Morra! — gritou e bateu novamente. — Morra!


Com pouca força, dei um tapa no braço que me segurava e me soltei, fiquei de joelhos e de cabeça baixa, arfando. Abel pisou em minha cabeça, me deixando com o nariz grudado no chão.


— Quer que seja pela espada? — ele perguntou esfregando minha cara no chão.


Meu rosto já estava molhado de lágrimas, me sentia próximo da morte. No entanto, só pensava em meus amigos, que não poderia ir sem que eles estivessem salvos, que não poderia deixar essa cidade causar tanto mal aos outros quanto causou a mim. Então eu resisti, por amor a eles. 

Algo dentro de mim me dava forças pra não apagar. Segurei a perna de Abel com as duas mãos e sacudi, tentando tirá-la de cima de mim.


— Patético — ele disse. Apertei meus dedos com a maior força que eu consegui, enfim ele levantou o pé. — Pare, está me incomodando.


— Esse é o objetivo — Minha voz quase não saia, mas eu tentava fazer parecer que sabia o que estava fazendo.


Ele tentou pisar de novo, porém eu não baixei a cabeça, na verdade a levantei, reunindo toda a minha força, e ele tropeçou. Levantei-me tomando a espada na mão. 


— Então é assim. Vou matar-te pela espada — ele declarou trazendo de volta sua lâmina mágica das trevas, mas dessa vez ela cresceu e ele a segurou com as duas mãos.


Assim travamos uma batalha onde ninguém desistia. Por milímetros seus golpes não me atingiam. Eu o bloqueava, via sua guarda aberta e fazia o contra-ataque, porém seus movimentos eram rápidos e ele logo se recuperava. Quando eu ficava exposto, Abel me acertava uma joelhada no abdômen, e de alguma forma eu conseguia me recompor a tempo de não levar um golpe mortal. E isso se seguiu até ele ficar impaciente, soltar a espada e segurar minha mão com muita força.


— Morra! — ele rosnou de raiva e socou minha cara…


Mas dessa vez eu não senti nada. A chama negra de sua mão se apagou, toda a energia estranha que envolvia seu corpo parou. Seu soco teve a força de um soco de uma criança, como deveria. O garoto deu dois passos para trás com os olhos, de volta ao azul, arregalados. Olhou para suas mãos com a boca tremendo.


— O Sacerdote está usando todo o poder?… — indagou-se.


Agora, tendo ele a guarda baixa, avancei em sua direção e o derrubei, novamente em cima do garoto, prendi seu corpo com minhas pernas e pressionei minha espada contra seu pescoço.

Estava pronto para terminar o trabalho, todavia, quando vi os olhos de Abel banhados em lágrimas, como uma criança de verdade, vacilei, mesmo sabendo que ele já tinha me enganado. Ele não reagiu em nenhum momento. Enquanto eu estava indeciso, a parede traseira do templo foi destruída, e os marinheiros vieram correndo por ela.


— Cain! — gritou o almirante. — Para o navio, rápido!


Ele viu Marcus desacordado e o segurou. Vi que Akira vinha carregando Naomi no colo. Da mesma forma eu fiz quando saímos da igreja e vi Wahala desmaiado, o carreguei. Deixamos a criança para trás. Após alguns segundos, O Sacerdote, parecendo a figura do próprio Diabo, apareceu nos seguindo. Elizabeth usou uma magia rápida para aliviar a dor de Mackenzie lá fora, e ele conseguiu correr, mesmo mancando.

Enquanto fugia, ri mentalmente da ironia, desta Abel atacou Caim, e quando Caim teve a chance, não matou Abel.

Cruzamos rapidamente a rua central da cidade, despistando O Sacerdote, nos dividindo em grupos para passar por outros caminhos, até nos encontrarmos no porto.

Conseguimos subir no navio, enquanto Ray dava a partida, assisti O Sacerdote enfurecido resmungar às estrelas da noite que já havia caído:


— Não matou os inimigos, não matou o garoto da profecia… — Sua voz começou duplicada e logo passou a ser uma voz grave e estridente ao mesmo tempo, sem nenhum resquício do antigo homem, como se estivesse totalmente possuído. — Ninguém usa meu poder sem sacrifício, agora queimarei sua cidade inteira! — Ele me viu na beirada do navio e por um momento breve a voz voltou ao normal, então gritou apontando para mim desesperado: — Você! É tudo culpa sua! Você é quem deveria morrer!


Seus globos oculares começaram a se contorcer, todo o corpo dele estava cor de sangue, cheio de cortes e rachaduras que começaram brilhar em brasa. Das suas mãos saíram labaredas de fogo, e ele começou a incendiar a cidade. As casas de madeira ficaram em chamas primeiro, e o fogo foi se alastrando, por todas as ruas. Os gritos do povo começaram a ser audíveis e muitos corriam de suas casas, mas não sabiam para onde ir. A cena me lembrava muito o dia em que eu deveria ter morrido.


— Cain — Miralit chamou — melhor entrar, Elisabeth vai passar nos quartos tentando curar o máximo dos feridos, você deve descansar por enquanto…


— Não — cortei-o, sem tirar os olhos da cidade que se transformava em um inferno. — Eu… eu sinto que deveria ir lá enfrentá-lo. Vocês podem ir sem mim, fico feliz que estejam seguros agora…


— Cain, olha o que você tá falando! — reclamou ele. — Você vai morrer lá, e eu não quero perder mais ninguém dessa tripulação! Ninguém! Você tem algum motivo pra querer salvar essa cidade, não foi aqui que te deixaram pra morrer? Por favor, fique no navio e vamos todos embora, a salvos.


— Se eu ficar e morrer, será como um herói — insisti. — Se eu fugir, estarei sendo tão ruim quanto eles foram para mim.


O navio estava quase partindo quanto eu saltei de volta para o porto, levando apenas minha espada. O Sacerdote já estava no meio da cidade. Travei quando meus olhos fitaram o crepitar das chamas por todo lugar. Tive que esquecer de quem eu mesmo era, renegar meus medos para fazer o que é certo, então atravessei o fogo, correndo até alcançar meu inimigo.


— Chega! — gritei ofegante. — Eu estou aqui… — Ele se virou para mim. — Não sei se tenho algo a ver com alguma profecia, mas… se eu lhe der minha vida, você fica satisfeito? 


— Hahaha, escolheu o caminho do herói — ele riu. — Pois bem, eu tomarei sua alma, e a cidade viverá.


Joguei a espada no chão e me ajoelhei.


— Aqui estou — declarei abaixando a cabeça.


Ele pegou a minha própria espada,  posicionou-a rente ao meu pescoço, então a ergueu. Enquanto ela descia para cortar minha cabeça, o tempo pareceu passar mais devagar. Relembrei minha vida inteira, não tinha muita coisa boa pra lembrar na verdade, mas em especial o tempo que passei no esquadrão Ferline, as pessoas que conheci, a pessoa que amei, e não tive tempo de dizer, e aceitei convicto o destino da morte, sabendo que vou fazendo o certo.

No entanto, quando senti o frio do metal da lâmina me tocar, também ouvi o barulho desse mesmo metal caindo no chão.


— Mas o que?... — O Sacerdote murmurou confuso.


Levantei a cabeça e olhei para trás, Miralit estava ali, ele me seguiu. Apontava suas mãos para o vilão e parecia estar fazendo muita força. Era sua magia de controle do sangue.


— Cain, acaba com isso logo! — exprimiu o almirante.  


O Sacerdote cerrou os dentes, fazendo força, mas sem conseguir mover seus braços. Peguei de volta a espada e enfiei em seu peito. Aos poucos seu corpo foi se rachando mais e mais e sendo consumido pelo fogo até deixar de existir. Liberando um espírito de fogo humanóide com asas e chifres, que sumiu no céu escuro.

Olhei para trás e vi Miralit cair, com o uniforme ensopado de sangue, mas com um sorriso no rosto. Sorri de volta e caí eu mesmo, meus olhos se fecharam e daí… não me lembro de mais nada.





Acordei, vestido, no quarto da pousada em que nos hospedamos quando chegamos na cidade. O vento balançou a cortina e deixou os raios de sol entrarem no ambiente. A primeira coisa que fiz foi olhar pela janela e vi as pessoas parando na rua, olhando de volta para mim e sorrindo, algumas apontavam e diziam "que boas novas, ele está vivo". Saí da janela confuso e me assustei ao ver O Padre sentado num banco perto da cama, agora vestido com suas roupas eclesiásticas tradicionais.


— O que… o que está acontecendo lá fora? — perguntei esfregando os olhos.


— Eu anunciei a todos a profecia de um dos homens que fundou a cidade de Hillich, e que O Sacerdote manteve em segredo por todos esses anos — ele pigarreou e começou a ler um pequeno papel que trazia em mãos: — "Chegará o dia em que a ganância e o amor pelas coisas da terra irão corromper nossas autoridades, nosso líder será um idólatra e irá flertar com as trevas. Quando esse tempo chegar, o Senhor mandará um menino, ele terá olhos vermelhos escarlate, esse será o sinal dos céus. Este menino libertará o povo do líder mau". A profecia se cumpriu…


— Sou eu? — indaguei-o incrédulo.


— Certamente. Agora o povo te ama, eles o querem como novo líder — disse O Padre.


— Me desculpe — Nem pensei duas vezes. — Não posso aceitar.


— Eu imaginei. Só espero que não passe a vida fugindo.


— Quando fui expulso dessa terra, tive que andar pelo mundo sempre fugindo e me escondendo — lembrei. — Mas agora não, eu encontrei o meu lugar, é com a Ferline.


— O que o povo deve fazer então?


— Conte a eles toda a verdade, deixem acreditarem no que quiserem. Talvez não seja eu que vá libertá-los. Talvez eu só vim para mostrar a verdade…


— E a verdade os libertará — completou. — Muito sábio, meu jovem.


— Talvez você possa ser o líder deles, só não faça nenhuma besteira igual o Sacerdote. Guarde dinheiro pra cidade e deixe o povo viver como quiser, talvez faça eleições depois, sei lá… eu nem entendo dessas coisas.


— Se está dizendo, é o que farei — ele concordou. — Também acho que deva decidir o destino de Abel. Ele não parece estar com boa memória, diz não se lembrar de nada que aconteceu desde seus 2 anos de idade. Deve ter sido quando O Sacerdote começou a possuí-lo.


— O Sacerdote fez o que?! 


— É uma longa história… mas parece que agora ele é só uma criança comum.


— Então cuide dele, cuide de verdade, como uma criança comum — decidi. — Nada de prender ele na igreja, nem chamar de demônio.


— Sábia escolha — sorriu O Padre. 


— Obrigado pelas palavras lá na prisão — lembrei. — Padre…


— Adam — ele disse. — Esse é meu nome... Agora vou me retirar.


Ele se levantou e foi até a porta.


— Espera, tem muitas coisas que eu quero saber ainda — avisei.


— Tem alguém aqui que pode te contar — ele abriu a porta e lá estava Naomi. Ela entrou e ele nos deixou sozinhos.


— Aposto que quer saber o que aconteceu, né? — ela disse se sentando ao meu lado na cama.


— Ah, sim. E fico feliz que você esteja bem…


— Eu também…


— Eu dormi por muito tempo?


— Se passaram 4 meses…


— QUE?!


— Brincadeirinha — ela riu. — Foram só algumas horas. Vamos aos fatos…


Ela me contou tudo o que os outros haviam dito pra ela que descobriram sobre O Sacerdote, a luta atrás da igreja, que ela quase foi usada como parte de um ritual, que depois que eu apaguei, Harumi e Haruko usaram suas magias pra ajudar a apagar o fogo. Elisabeth trabalhou bastante para curar todos nós, principalmente eu e o almirante. Syphon já havia voltado pra pegar sua foice logo hoje cedo. Dakota passou a noite revirando todos os arquivos do Sacerdote e descobriu que ele enviava recursos para piratas localizados no Polo Norte, e esse seria nosso próximo destino.


— ...em resumo é isso. Ah, e agora o povo todo te ama — completou ela.


— É, disso eu tô sabendo.


— E… não é só o povo…


Ela pulou nos meus braços, senti algo suave tocando meus lábios e quando abri meus olhos a vi colada em mim, finalmente isso aconteceu. Ela foi andando para trás e eu a acompanhei sem nos soltarmos, quando percebi estávamos em um quarto da pousada. Naomi me empurrou contra a cama e eu caí sem reação.


— Vamos dizer que isso será uma recompensa pelo que fez — ela riu e tirou sua blusa, me deixando perplexo — Não vai ficar com essa cara aí, né?


Ela engatinhou na cama e se deitou por cima de mim. Acho que vai ser uma longa manhã...


Notas Finais


Corta, vamos dar um pouco de privacidade pras crianças rs...

Próxima parada: Polo Norte.

Espero que tenham gostado, comentem o que acharam. Obrigado por lerem.
Até a próxima!


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