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História Ferris Wheels - Roda Gigante (Taehyung Fanfic) - Capítulo 15


Escrita por:


Notas do Autor


Mais um capítulo fresquinho pra vocês meus amores e amoras.

Boa leitura 😘

Capítulo 15 - Ordem


Fanfic / Fanfiction Ferris Wheels - Roda Gigante (Taehyung Fanfic) - Capítulo 15 - Ordem

Lara tinha um enorme fascínio no mundo dos sonhos. Isso começou quando ainda era pequena. O único refúgio onde ela conseguia fugir daquele inferno que vivia todos os dias, era quando dormia. Lara se deitava, por vezes cheia de dores e marcas, mas ela não se importava com a dor de suas feridas tocando o tecido do lençol, ela só queria sonhar.

Quando tinha por volta de 5 anos, todas as noite sonhava ser uma bela dama, daquelas do século retrasado, que vestiam espartilho e enormes vestidos. Ela morava em uma casa enorme, e sempre um rapaz ia a visitar, ele a fazia rir, e cuidava de Lara. Ele parecia ser mais velho, - apesar de no sonho ela já ser uma adulta - era alto, e se vestia muito bem. Era um sonho bem vívido, Lara acordava e podia se lembrar de cada detalhe. Uma das coisas que Lara mais gostava nos sonhos, era quando ele falava sobre as estrelas no céu, apontando cada uma que conhecia. Um dia, ainda em seus sonhos com o moço, avistaram no céu uma estrela pequena, mas que brilhava bem mais que as outras companheiras.

- Aquela estrela se parece com você, pequena, mas tem um brilho próprio e mais intenso que as outras. Que tal darmos um nome pra ela? Podemos chamar de Clara, que tal?

Clara era o nome que ele a chamava em seus sonhos, talvez para uma criança, Lara e Clara soavam igual.

Com o tempo ela deixou de sonhar com o rapaz, o que a frustrava. A única coisa que a deixava feliz, se foi. Mas Lara nunca esquecera aquele rapaz, apesar de não poder ver seu rosto, pois no sonho parecia borrado, mas não precisava, ele a fazia sentir feliz e segura.

Com mais idade, Lara passou a estudar escondido sobre os sonhos. Descobriu que eles podem ser manipulados se você treinar a sua mente. Ela passava o dia fazendo exercícios para isso, podemos falar sobre eles em outro momento.

Um dia, Lara finalmente conseguiu ter consciência em um sonho, ela sabia que estava sonhando e que tinha conseguido. Mas ainda não sabia como controlar com o que sonhar, é quando ela se viu sendo - um garoto? - Não parecia estar em qualquer lugar que já estivera na vida, era frio, e a vista era tão clara. - Neve! - É quando um garoto mais velho se aproxima de Lara.

- Irmão, vamos! A mamãe tá chamando.

O menino a agarrou pela mão, e os dois foram até um casebre de madeira, velho, e caindo aos pedaços. Lá ela encontrou uma moça jovem, mas muito bonita, ela estava com um vestido velho, furado, mas muito limpo.

- Vem queridos, o almoço está pronto!

Ela parecia tremer de frio, como podia naquele casebre, onde haviam buracos, neve lá fora, alguém estar só com um vestido?

Ela coloca dois pratos sobre a mesa, um para Lara e outro para o garoto ao lado. Lara percebe que a moça não se serve, apenas senta numa poltrona velha ao lado. Ela parece cansada, mas sorri.

- Mamãe, você não vai comer? - Perguntava o garoto mais velho.

- Não querido, não estou com fome.

O garoto parece ficar triste com a resposta da mãe. Ele encara as panelas vazias na pia, mas logo volta o olhar para Lara.

- Vamos irmão, come!

Lara come, o pouco que estava em seu prato.

- Engraçado, eu consigo sentir o sabor da comida, mas não é nada que eu ja tenha comido - de repente Lara olha para o prato, vazio. O garoto a sua frente percebe, dando seu prato para Lara.

- Toma, pode comer, também estou sem fome. - Diz enquanto empurra o prato em direção de Lara.

Todos esses sonhos eram frequentes a Lara, mas com o tempo, foram desaparecendo, mas se mantendo vivos, tão fundo em seu subconsciente, que se quer pensava neles mais.

~◇~

Após adormecer, Lara se vê novamente, no mesmo campo verde, céu azul, Sol brilhante. Ao olhar para suas mãos, vê sangue, e o rouxinol permanecia ali, imóvel. Lara não entende muitas coisas, mas o significado desse sonho era o que mais a deixava intrigada. De certa forma ela sentira afeição pelo canto do rouxinol que a acompanhou por tantas noites. Com notas desafinadas, e sem muita habilidade, ela cantarola a melodia que o mesmo sempre fazia ao vê-la. Quando ela sente algo se movendo em suas mãos. Ela olha, surpresa. O rouxinol, ainda, estava vivo, mas mal conseguia se mover.

*Despertador toca*

O dia amanhece, Lara e Taehyung, apesar da curta noite de sono que tiveram, despertam cedo. Lara o leva em alguns lugares, museus do centro de São Paulo, mais especificamente. As horas passam, os dois ficam cada vez mais afeiçoados um com o outro, realmente parecem se conhecer a vida toda. Com o cair da noite, quando voltavam ao apartamento, o celular de Lara toca.

- Alô? *pausa* Meu Deus, verdade... Eu já estou indo, me desculpa, pode confirmar a aula de hoje. *pausa* Claro, meu pé já está novo em folha. Tchau tchau.

Taehyung não entende uma palavra do que Lara acaba de dizer.

- Era a coordenadora do estúdio onde eu trabalho, me perguntando se eu daria aula hoje. Me esqueci completamente.

Um sorriso enorme, que podiam ser contados todos os dentes de Taehyung se abre.

- Verdadeeeee, que horas?

- Às 19.

Uma animação enorme toma conta de Taehyung, ele queria muito poder conhecer um estúdio de dança em outro país, ainda mais onde Lara era a professora.

~◇~

A fachada do prédio é enorme, mas parece ter  6 andares, apenas. Arquitetura baseada na Roma antiga,  pilastras enormes, uma escadaria e um portão dourado comportando o tamanho da fachada. Taehyung que está de boné e máscara preta, acompanha Lara, ansioso. Os dois sobem de elevador até o último andar.

- Chegamos. Você pode esperar aqui? Vou no vestiário me trocar, é rapidinho.

- Claro!

No corredor, Taehyung pode ver por uma grande janela de vidro, algo que parece uma sala, ele se aproxima, analisando.

- Uau! - sua boca se abre em admiração.

A sala é toda espelhada, cada canto dela, um enorme espaço vazio, e barras de ferro, na cor dourada dispostas pelos cantos das paredes. Ele caminhava pelo corredor, observando a sala, quando sente um toque em seu ombro.

- Já vai começar, vamos entrar? - Dizia Lara, que agora está com uma roupa mais confortável, moletom e tênis.

Aos poucos os alunos vão chegando, Taehyung que está no canto da sala percebe um burburinho aumentar a cada aluno que chega e o observa. Haviam crianças e adolescentes, entre 11 e 15 anos. Poucos eram meninos.
Lara sente um certo nervosismo ao perceber seus alunos observando Taehyung.

- Bom gente, boa noite. Antes de começarmos eu queria apresentar alguém pra vocês. - O burburinho aumenta. -Esse é Hant Lee, ele veio fazer um intercâmbio aqui e veio nos conhecer.

Taehyung se levanta. E acena com as mãos.

- Ele não fala português, então digam "Hello" pra ele.

- Hello Hant. - Disseram em coro.

- Ele vai assistir nossa aula hoje.

A aula se inicia, alongamentos, exercícios, nada de mais. Lara só dá ordens, não se movimenta muito, era necessário apenas um comando e seus alunos colocavam em prática o que a professora dizia. Não era bem o que Taehyung esperava, mas era divertido ver como Lara impunha respeito, não parecia a mesma garota frágil que estava chorando em seus braços ontem.

- Posso fazer? - Se aproxima Taehyung.

- Claro!

- Viu, eu disse que ninguém ia me reconhecer, acho que vou tirar a máscara.

Antes que Lara pudesse dizer algo, Taehyung já estava no meio dos alunos, com o rosto a mostra. Mas para sua surpresa, ninguém o reconhece. Ele observava o movimento dos outros, repetindo em seguida. Lara passeia por entre os alunos, corrigindo os movimentos e posturas, quando em um alongamento, ela se aproxima de Taehyung e toca seu abdômen e costas.

- Postura Hant, postura!

O toque de Lara fora inocente e completamente profissional, mas Taehyung pôde sentir um pequeno choque eletrizar seu corpo, do abdômen, se espalhando por todo ele. Pela primeira vez, desde ver Lara quase sem roupa, ele fica um pouco sem graça, apenas abaixando a cabeça, ficando surpreso com a própria reação. Ele não costumava ser intimidado por nenhuma garota assim, pelo contrário, ele quem sempre as intimidava com falas diretas, sem rodeios, como já percebemos ele fazer com a própria.

Ela segue para outra aluna ao lado, também corrigindo a postura dela. Taehyung se incomoda por não perceber nenhum pouco de segundas intenções no toque de Lara em seu corpo, mas segue a aula.

- Professora, Posso fazer uma pergunta?

- Claro Maria.

- Ele é seu namorado?

Lara que estava ao lado, ajudando outra aluna, vira para a aluna surpresa.

- O que? Não!

- Ele é tão gatinho Ahahaha

Todos riem.

Taehyung que estava alongando as costas, com o quadril alto e as mãos em seus pés, se levanta sem entender o que há. Fazendo em seguida um sinal com as mãos, questionando o que acontece.

- Nada, Hant. Elas apenas contaram uma piada. - Diz Lara rindo de lado, sem graça e corada de vergonha.

Taehyung se dá por convencido, tomando como verdade o que Lara dissera. Os alunos ainda estão rindo e falando.

- Ordem, foco no exercício, por favor.

Um silêncio toma a sala.

- Vamos, posição.

Todos se preparam para alguma coreografia, tomando seus lugares. Taehyung perdido, apenas se afasta para assistir. Ele observa os movimentos, e a cada erro, Lara pára a música, e com paciência corrige o errante. Em 15 minutos, os movimentos estão limpos, e precisos. Ele tinha que admitir que Lara era uma ótima professora, mas gostaria de ver também os movimentos da mesma, que apenas guia o corpo de seus alunos com palavras, e ppoucas ações com seu próprio corpo.

Ao final da aula, os alunos se despedem de Taehyung e de Lara.

- Eai, o que achou?

- Foi bem legal, você é uma boa professora!

Lara parecia imponente, sua postura até mudava ali naquela sala. Taehyung podia ver o brilho nos olhos dela enquanto ensinava.

Antes que saissem da sala, ambos perceberam um homem alto, vestido com uma calça jeans, camisa social preta, de braços cruzados. Lara olha para ele, e toda a postura que estava desaparecera, ela parecia se tornar cada vez menor, se retraindo toda.

- Você pode me esperar aqui?

Taehyung podia perceber a tensão em sua voz, só concordando enquanto Lara se aproximava do homem.
Os dois foram para o corredor, e Lara parecia não olhar nos olhos do homem, que estufava o peito enquanto falava. Taehyung podia assistir tudo pela janela de vidro, vez ou outra disfarçando, olhando para o outro lado da sala.

A sala possuía isolamento acústico, então ele não podia ouvir, mas sabia que pelos gestos, o homem parecia um pouco alterado. Lara com o desenrolar da conversa e o passar do relógio, também parecia se alterar, pouco a pouco. Ela que se tornava vermelha a cada movimento de seus lábios, se afastava mais e mais do homem ali, que tentava se aproximar, apontando o dedo indicador em direção ao rosto de Lara. Em instantes ele se vai, Lara corre em direção contrária do elevador, mas logo retorna, com o rosto vermelho, assim como seus olhos.

- Está tudo bem, Lara?

- Sim, era só o pai de uma possível aluna, nada de mais, ele só queria saber como matricular a filha.

Mesmo com a afirmação de Lara, Taehyung não se convence, mas não diz nada. Afinal, ele não queria se passar por intrometido.

A aura do humor de Lara não era a mesma de horas atrás. Ela parecia tensa, e calada. O caminho todo da volta, parecia estar bem distante dali em seus pensamentos, Taehyung não teve coragem de interrompe-los. 

Dias se passam, Lara continua distante, quieta, mas nem de perto como estava no dia em que surtou. Ela ainda interagiam, conversava, levava Taehyung nas aulas e em vários lugares, mas ele sabia que algo não estava bem, algo de errado acontecia.

Certa noite, Taehyung acordou com um barulho vindo da sala. *4:55*, ele abriu os olhos olhando o relógio, seu sono sumira completamente pelo susto. Ao abrir a porta, o quarto de Lara estava aberto, vazio. Não levou muito tempo para andar pelo apartamento todo em busca de Lara, que não estava ali. O único cômodo não averiguado era o banheiro, que estava com a luz acesa, a porta entreaberta. Ao entrar, viu a porta do armarinho da pia somente encostada, pôde notar um pequeno comprimido no ralo da pia. Ao abrir o armarinho, encontrou um frasco de vidro semi aberto, aquela cena parecia ter sido feita por alguém com pressa, luz acesa, porta aberta, frasco aberto. Não  havia nada escrito no vidro, o rótulo  havia sido arrancado, a única coisa que ele podia ver era o nome do laboratório, que as letras ainda podiam ser lidas em meio ao rasgo.

Ele nunca havia reparado naquele frasco ali. Um aperto como um esmago tomava conta de ser peito, parecia pressentir que algo de ruim poderia estar por vir.

- Onde está você, Lara?



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