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História Festas - Capítulo 11


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Notas do Autor


E voltei aqui com mais um capítulo aproveitando que não tem aula essa semana e é isso. Espero que vocês gostem desse capítulo, eu particularmente achei legal de se escrever, já que conta o ponto de vista do Sasuke e é sempre bom saber o que outro personagem pensa além do Naruto.
Tenham uma boa leitura.

Capítulo 11 - Erros


— Seu namorado ligou. — Itachi disse assim que adentrei em casa apressado. Ele estava no sofá da sala com o notebook no colo, Shisui quase dormia em seu ombro enquanto algo passava na televisão.  

Não respondi, apenas fechei a porta e subi apressado as escadas sem me importar com as roupas e sapatos molhando o chão. Ouvi Itachi suspirando me observando subir. Não queria conversar com ninguém por enquanto, eu precisava de um tempo para pensar sobre o que acabara de acontecer. Entrei no meu quarto apressado, a última coisa que eu queria naquele momento era meus pais me interrogarem sobre meu encontro fracassado, logo me bateu a ideia de que hora ou outra eu teria que sair do quarto para tomar um banho, mas eu resolveria aquilo mais tarde.  

Retirei os sapatos e a jaqueta molhada os colocando no canto do quarto. Um ronronar familiar chamou minha atenção, minha gata estava se enroscando em minhas pernas pedindo atenção. Fazia um tempo que Kitty não aparecia em casa, ela não era muito simpática então dificilmente pedia atenção carinhosa. Peguei ela no colo acariciando seus pelos a ouvindo ronronar manhosamente. 

Me lembrei de Naruto e seu jeito manhoso quando queria atenção. Um sorriso brotou em meus lábios que logo se desfez ao lembrar da nossa situação atualmente. Me sentei na cadeira da minha escrivaninha com Kitty em meu colo, peguei meu celular no bolso da calça o desbloqueando. Abri as mensagens de Naruto cogitando mandar algo ou ligar, mas eu são sabia o que de fato diria a ele e pelo jeito de suas palavras, ele não queria me ver tão cedo. Abri sua foto de perfil sentindo meu peito se aquecer com aquela visão, me lembro de quando tirou essa foto, estávamos no McDonald quando tirei uma foto de Naruto no momento exato em que estava sorrindo de uma forma graciosa, não me lembro ao certo do que disse de tão engraçado, mas valeu a foto.  

Suspirei tentando voltar para a realidade. Se Naruto queria um tempo, eu daria isso a ele não importa se isso me agrada ou não, o importante era o que ele queria e eu respeitaria isso.  

Recebi uma notificação de uma mensagem de Suigetsu: 

“Hey” 

“Tá tudo bem?” 

Era impressionante como parecia que meus amigos farejavam meus problemas à distância. 

“Nem tanto.”  

Pensei em falar sobre qualquer coisa ou simplesmente não o responder, mas decidi tentar ser compreensível.  

“E seu encontro?”  

Pensei um pouco, não tinha como eu esconder isso para sempre, além de que parte de mim queria falar com alguém sobre isso.  

“Nada bem.” 

“Aconteceu alguns imprevistos.”    

“Quer falar sobre isso?” 

Fiquei um pouco apreensivo, não sei se estava pronto para julgamentos naquele momento, e a ideia de contar um acontecimento daqueles de imediato para um amigo me parecia muito drama adolescente. No fim, acabei contando o que havia acontecido após Suigetsu me deixar na frente da lanchonete, contei inclusive que tive que pedir um taxi para voltar para casa no meio da chuva.  

Eu não havia me atrasado por algo idiota. Fui na inscrição para a prova que eu e Suigetsu faríamos para a universidade, acabamos que não fomos os únicos que decidimos fazer as inscrições no último dia do prazo, além de que descobrimos que tínhamos que responder algumas perguntas e fazer um pequeno simulado da prova. Tudo isso já havia me atrasado o suficiente e no caminho de volta, eu não contava que Suigetsu fosse um péssimo motorista e esquecesse de colocar água no carburador e percebesse apena quando viu a fumaça, em sua legitima defesa, seu irmão usara o carro noite passada. Eu estava quase pedindo um taxi e indo embora sem ele mesmo, mas Suigetsu pediu ajuda e para completar meu celular estava totalmente morto naquele momento por falta de bateria e meu amigo não tinha mais internet para eu mandar uma simples mensagem.  

— Liga para ele — Suigetsu dizia enquanto mexia em algo com o capô aberto. Eu entendia de carros tanto quanto ele que parecia não saber o que estava fazendo. — Não sabe o número dele?  

— Não. — Suspirei inquieto. Eu não queria fazer Naruto esperar, e olhando o céu agora, eu percebi que estaria mais atrasado do que nunca.  

Suigetsu me olhou incrédulo como se não pudesse acreditar em minhas palavras.  

— Como assim não sabe o número dele? Ele é seu namorado!  

— Só porquê ele é meu namorado, não significa que eu tenha decorado o número de telefone dele.  

— Na verdade, significa sim. Vai que aconteça algo assim e você precise ligar. — Ele tinha razão, mas eu não estava a tanto tempo assim com Naruto para decorar o telefone do mesmo.  

Depois de um tempo, Suigetsu me levou à lanchonete e aconteceu tudo aquilo. Não me admira que ele tenha se assustado com minha repentina aparição, já que a menos de uma hora atrás havia me deixado em meu encontro.   

“Você ainda não falou com ele?” 

“Tipo, mandou alguma mensagem para pedir desculpas ou se explicar?” 

Suigetsu perguntou assim que terminei de contar sobre o ocorrido. 

“Não é como se ele quisesse falar comigo agora, ele está bem chateado que precisa de um espaço.” 

Houve um momento de reflexão na parte do meu amigo que parecia precisar de um tempo para raciocinar minhas ações.  

“Eu concordo, mas acho bom falar com ele o quanto antes, ele precisa de alguma explicação.” 

Parei um pouco para pensar naquilo. Eu não podia deixar Naruto esperando, mas também não podia simplesmente o abordar do nada sem saber se ele estaria pronto para falar comigo novamente. Suigetsu percebeu que fiquei pensativo e sem o responder, então me mandou outra mensagem: 

“Vou deixar você em paz um pouco” 

“Amanhã estou indo aí para conversarmos melhor, tudo bem?” 

Desliguei o celular e respirei fundo. Fiquei parado com medo de me mexer e acordar Kitty, isso a deixava irritada, mas eu não podia deixar de tomar banho.  

Seguiria o que Suigetsu dissera, tentaria falar com Naruto o quanto antes, o daria um espaço e tentaria uma conversa mais tarde.  

Fiquei mais um tempo ali, até que decidi me levantar e como consequência acordar minha gata manhosa e irritada.  

 

                        . . .  

 

Domingo.  

Eu não estava pronto para o domingo. Havia planejado mentalmente meu domingo na presença de Naruto e nada do meu domingo sairia como planejado. primeiro fator do qual eu não contava: minha família me perguntando sobre o que havia acontecido. Aparentemente Naruto tinha ligado na minha casa ontem à noite ainda na lanchonete e eu poderia ter passado meu domingo muito bem sem mais esse peso na consciência. Minha mãe ficou preocupada por Naruto ter ficado preocupado. Expliquei para ela brevemente o que aconteceu, que havia me atrasado e que Naruto ficaria um bom tempo sem vir em casa.  

Minha mãe não gostou da notícia. Ficou me olhando a conversa inteira durante o café da manhã como se eu tivesse feito a pior escolha da minha vida, o que de fato foi mesmo.  

— Vocês terminaram? — Ela perguntou por fim, custando para acreditar em minhas palavras.   

— Não foi bem isso. — Falei, até porque não estávamos realmente namorando, mesmo esse sendo meu próximo passo do qual eu tentaria dar na noite do nosso encontro. 

— Você deveria falar com ele. — Ela me disse com uma carranca zangada por eu ter magoado o melhor genro que ela já teve.  

Aí é que está, todo mundo dizia para eu falar com o Naruto, mas ninguém me dava um conselho descente. Eu sabia que tinha que conversar com o Uzumaki, e o que mais? Era só isso que eu estava ouvindo ultimamente.    

— Eu sei, ele precisa de um tempo para pensar, vou respeitar isso. — Falei enquanto bebia mais um pouco do café. Meu pai havia ido trabalhar logo pela manhã, então éramos só eu e mamãe tomando café, já que Itachi e Shisui não haviam levantado ainda.  

— Você não vai mesmo me contar o que aconteceu?  

— Já contei o mais importante, o resto não é tão relevante assim. — Falei disfarçando minha vergonha. Eu estava sim envergonhado de tudo que fiz para o Naruto noite passada e não precisava que minha mãe soubesse de todos esses detalhes. 

Ela abaixou os olhos negros para a própria xícara de café se conformando com a minha resposta. 

— Tudo bem, eu entendo. Mas quando quiser falar com alguém, pode falar comigo.  

Assenti com a cabeça e fiz como ela: olhar para a xícara de café como se a própria fosse a coisa mais interessante do mundo.  

— Tudo bem, obrigado.  

Ficamos um tempo em silêncio até que ela resolveu falar.  

— Izuna vem em casa na terça. — Ela comentou colocando mais café em sua xícara. — Ele vem para conversarmos sobre o casamento. 

Me lembrei do casamento de Izuna e o noivo, Tobirama, e me lembrei de que possivelmente a família de Tobirama iria, e isso significava... 

— Eu gostaria que você fosse, — Minha mãe continuou. — mas não quero que fique um clima estranho, entende? — Sim, eu entendia. — Se você e o Naruto não querem voltar, tudo bem, a escolha é sua, mas quero ao menos que vocês fiquem bem um com o outro no dia do casamento, tudo bem?  

Isso mudava totalmente meus ideais. A família de Tobirama incluía obviamente o Naruto e por enquanto eu não estava bem com isso. Se eu não me engane, o casamento seria a poucos dias, e eu também esperava que eu e o Uzumaki estivéssemos bem um com o outro.  

Não respondi de imediato. Era como se fosse um prazo e isso dificultava minha situação. Não tive que responder, pois ouvi passos descendo as escadas. Shisui e Itachi finalmente levantaram.  

— Bom dia, tia Mikoto! — Shisui exclamou alegremente para quem havia acabado de acordar. — Bom dia, Sasuke! 

— Bom dia, meninos. — Minha mãe disse tão animada quanto. — Vocês dormiram bem?  

Os dois assentiram. Shisui foi buscar mais xícaras no armário para tomar café e Itachi se sentou ao lado de mamãe a abraçando de lado como quem queria atenção — exatamente como Kitty fazia. Minha mãe retribuiu o abraço carinhosamente mexendo nos cabelos soltos do meu irmão.  

— O que houve com você ontem à noite, Sasuke? — Itachi perguntou assim que saiu do transe que mamãe havia o colocado.    

— Nada demais. — Dei de ombros e minha mãe me olhou com reprovação. Itachi suspirou conformado me lançando um olhar que poderia dizer “conversaremos depois”.  

Shisui se juntou à mesa animado para o café da manhã não notando o clima que havia se instalado. O café da manhã seguiu normalmente sem tocarmos no asunto.  

 

                     . . .  

 

Depois do almoço, me tranquei em meu quarto com o intuito de ocupar minha cabeça com estudos ou outras coisas produtivas e me remoer emocionalmente não era uma delas. Como nada daquele domingo estava nos meus planos, eu realmente me surpreendi quando Itachi apareceu na minha porta com um comunicado: 

  — Seus amigos chegaram.  

Eu não estava esperando ninguém e nem queria ver ninguém. Mas tive que descer pois a ideia de ter Naruto na porta da minha casa me deixava ansioso.  

Mas não era Naruto.  

Vi meus amigos sentados no sofá conversando com Shisui sobre algum jogo novo. Suigetsu, Juugo, Karin. E olhando melhor, podia se ver Kimimaro ao lado do ruivo quieto como sempre.   

— O que fazem aqui? — Perguntei chamando a atenção dos mesmos e de Shisui. 

— Suigetsu nos contou sobre o que aconteceu. — Karin se pronunciou me fazendo ficar receoso. A última coisa que eu queria era a prima do cara que eu gostava me dando sermão.  

— E viemos aqui te chamar para sair. — Suigetsu completou como se fosse uma ótima ideia consolar um amigo que levou um fora. 

— Obrigado, mas eu não sei se quero.  

— Mas já preparamos tudo. — Disse Suigetsu. — Compramos algumas coisas e vamos no parque jogar Pokémon! Vai, Sasuke, vai ser legal.  

Olhei para cada um deles que mantinham suas expressões esperançosas, inclusive Shisui. Suspirei derrotado. 

 

Foi assim que eu me encontrava naquele momento na praça de Konoha em um piquenique. Sentada ao meu lado, estava Karin que bebia um copo de suco e acariciava os cabelos platinados de Suigetsu que se encontrava deitado em seu colo com o celular na mão; Juugo deitava a cabeça na de Kikimaru que lia um livro de poesia francesa — ou alguma coisa assim — enquanto tive que ouvir atentamente Karin discursando sobre minha irresponsabilidade em um relacionamento. Nãojulgava meus amigos de estarem tão atonitos naquele assunto, mas era entediante ouvir Karin dizer tudo que eu já sabia.  

  — Karin, não cabe a mim decidir essas coisas. — Comecei depois de um tempo apenas em silêncio. — Ele quem pediu um tempo, não acho que tenho o direito de aborda-lo como você quer que eu faça.  

A ruiva cerrou os punhos parando de acariciar os cabelos de Suigetsu, cheguei a cogitar que ela ia puxar os fios platinados de tão nervosa que aparentava estar, felizmente, Suigetsu não percebeu isso.  

— Eu não acredito nisso. — Disse apenas cruzando os braços. A parada brusca fez Suigetsu levantar seus olhos da tela para Karin.  

— Compreensível. — Ele disse concordando comigo. — Não é como se Sasuke tivesse muita escolha. Ele levou um fora, é normal que se sinta perdido.  

Franzi o cenho não gostando de algo que ele disse, mas fiquei bem por alguém ter concordado comigo.  

— Não acredito que está do lado dele. — Karin falou irritada fazendo Suigetsu dar de ombros, ele era corajoso o suficiente para confronta-la daquela forma. Meu amigo deveria estar tão acostumado com a ruiva irritada que nem se importava mais, pois com aquela proximidade dos dois, Karin poderia em um movimento só fazer o platinado engolir o próprio celular. 

— Estamos aqui para distrair ele, e não para dar conselhos, não? — O Hozuki falou em um sorriso de canto olhando diretamente para os olhos castanhos avermelhados da ruiva que se encontrava com um olhar que dizia tudo. Realmente achei que ela o faria engolir o próprio celular ou se beijariam com tanta tensão talvez sexual no local. Os olhares estavam começando a me deixar sem jeito, até que alguém resolveu falar.  

— Isso está bem ridículo. — Kimimaro começou chamando a atenção de todos e fechou o livro que lia. — Sasuke, você gosta mesmo desse cara?  

Assenti. Obvio que eu gostava de Naruto, ele era perfeito de todas as formas. Uma das coisas das quais me arrependo é de ter acabado com a nossa amizade anos atrás, talvez as coisas tivessem sido melhores. Eu não teria perdido a vida dele inteira e talvez ele não tivesse que lidar com o começo de uma ansiedade no passado. Talvez tivéssemos nos acertado após nosso beijo na festa de Ino. Tudo teria sido tão diferente que minha vida teria se tornado uma utopia maravilhosa da qual eu queria ter vivido. Claro que eu gostava de Naruto, já fazia um bom tempo que me conformei disso, antes de Kimimaro me fazer aquela pergunta, antes de ter beijado o Uzumaki na festa de Kankuro e antes mesmo de termos dado nosso primeiro beijo. Era indescritível a forma que eu o admirava e que o queria ao meu lado, tanto é que de ontem para hoje eu já me sentia com um enorme buraco no peito, apenas de citar ou ouvir o nome de Naruto Uzumaki eu já me sentia acolhido como nunca havia ficado antes. Eu poderia dizer com todas as letras que amava Naruto Uzumaki. 

— Sim, — Um sorriso brotou em meus lábios involuntariamente ao me lembrar do loiro. — eu gosto muito dele.  

Todos me olharam em silêncio por um momento.  

— E ele sabe disso? — Kimimaro perguntou me olhando, apenas esperando uma resposta.  

Neguei. Talvez eu nunca tivesse dito. Kimimaro suspirou melancólico. Nunca havíamos trocado muitas palavras, o namorado de Juugo era tão quieto quanto ele e dificilmente conversávamos, mas posso dizer que o Kaguya havia me ajudado com suas poucas palavras e continuou:  

— Você deveria dizer a ele, caso o contrário, ele nunca saberá. 

E foi com essas palavras e com Suigetsu levantando bruscamente do colo de Karin anunciando um Mewtow na área.  

 

                       . . .  

 

Segunda-feira.   

Uma segunda-feira bem normal para falar a verdade levando em conta que fiquei a maior parte das aulas sem assistir nenhuma delas. Essa era a vantagem e a desvantagem de estar de recuperação em artes e ter se dado bem nas outras matérias, a professora Rin conseguiu me tirar das aulas para ajudar o grupo nos preparativos finais do baile de inverno já que eu não precisava de mais nota nas outras matérias. Resultado: nada de Naruto. Não consegui nem ao menos chegar perto do loiro para pelo menos trocarmos um cumprimento rapidamente. Nada. Não consegui nem encontrá-lo nas aulas extras, já que o loiro estaria no campo de futebol e eu no ginásio, um pouco afastado do campo — algo que não entendo até hoje.  

Eu definitivamente odiava estar de recuperação em artes. Todos dizem que a professora Rin era a professora mais tranquila e a melhor professora de toda a escola, eu digo que essas pessoas não a conhecem muito bem, porque ela não estava pegando leve com ninguém do grupo. Eu já estava cansado de mexer com tanta decoração e cheguei à conclusão que não gostava nem um pouco daquilo, diferente das pessoas que estavam ajudando por puro voluntarismo, inclusive os amigos de Naruto. Pelo jeito, Sakura e Sai já estavam sabendo de tudo, pois nenhum dos dois olhava para minha cara e se dependesse deles, teriam me ignorado com facilidade o dia inteiro, mas infelizmente Sakura tinha que falar comigo para me dar instruções e Sai tinha que me ajudar com muitas coisas. Foi um dia bem complicado.  

Ao término do horário, fui rapidamente para o campo esperando encontrar o Uzumaki, eu precisava falar com ele, mas não o encontrei de vista, então tive que perguntar para alguém. Fiquei meio apreensível de me aproximar, talvez todos já soubessem do ocorrido e e matariam se chegasse perguntando sobre o loiro. Naruto tinha um esquadrão de proteção bem amplo.  

Me aproximei da pessoa mais próxima. Kiba Inuzuka que eu já havia visto várias vezes no petshop quando ia comprar ração para Kitty. 

— Hey, — O chamei fazendo-o se virar para mim confuso. — onde está o Naruto?  

Kiba franziu o cenho cruzando o braço. Não parecia nada feliz em me ver. 

— Já foi embora. — Ele respondeu. Claro que já tinha ido embora. — por que quer saber?  

— Preciso falar com ele.  

Sei que Kiba ficou tentado em me responder da maneira mais grosseira que ele poderia responder alguém, mas foi impedido.  

— Kiba, sinto muito, me atrasei um pouco. — Hinata falava enquanto se aproximava de nós dois. Seu isto ficou vermelho quando me viu e abaixou o olhar sem graça. — Oi, Sasuke.  

Droga. Meus pontos de amizade com Kiba agora eram menos do que antes. O Inuzuka me olhou com repulsa enquanto Hinata entrelaçava seus braços um no outro. 

— Vamos indo, Hina. — Kiba já ia afastando a Hyuuga, mas a mesma interveio.  

— Só um minuto, Kiba. Por favor. — Hinata agora me olhou com seus olhos perolados. Nunca gostei muito de Hinata desde que a mesma começou a namorar com Naruto, mas nunca achei que um dia iríamos realmente conversar como se não tivéssemos nenhuma rivalidade amorosa, afinal, quando Hinata era apenas uma amiga do loiro, eu já não ia muito com a cara dela pelo simples fato de que achava que a Hyuuga atrapalhava a minha amizade. Imaginei a mesma coisa quando vi ela abraçada a Naruto na lanchonete. Meus duas de reflexão fizeram minha cabeça esfriar e repensar no que Hinata Hyuuga era para minha vida. Eu não sentia mais nada por ela a não ser inveja do quão a relação da mesma com o Naruto poderia ter sido perfeita.  

Umedeci meus lábios antes de começar a falar: 

— Hinata, eu te devo desculpas. — Falei vendo a expressão um tanto surpresa da mesma. — Fui muito irracional naquele dia.  

— Está tudo bem, Sasuke. Eu também te devo desculpas, não fiz por mal. Saiba que quero o Naruto apenas como um amigo. Ele gosta muito de você e mesmo se eu quisesse, não posso impedir isso. — A vi mexer nos dedos um pouco nervosa. — Foi por isso que rompemos, eu nunca tive o amor do Naruto e no fundo eu sempre soube disso. — Hinata colocou a mão no peito como se alguma ferida interna estivesse doendo naquele momento. — Mas ele não sabia. Porém, no fundo ele percebia que faltava algo. Algo que eu nunca consegui preencher. — Ela voltou a me olhar agora com um sorriso um pouco triste nos lábios. — Você o faz se sentir completo, Sasuke. Por favor, não jogue isso fora.  

Fiquei um tempo em silêncio tentando raciocinar suas palavras. Não consegui responde-la de imediato. Consegui apenas balançar a cabeça.  

— Eu prometo que não irei. — Falei segurando as mãos da garota que sorriu. — Obrigado. — Me despedi dela e de Kiba e fui embora.  

 

Ao anoitecer, meus pais já se encontravam preparando o jantar para nossa visita que chegaria em breve. Eu e Itachi estávamos na sala assistindo uma série na Netflix. Não estávamos ajudando na cozinha pelo simples fato de: meu pai não gosta do fato de causarmos alguma tragédia em sua cozinha. Da última vez que papai deixou Itachi ajudar no jantar, eles tiveram uma briga que fez Fugaku expulsar o próprio filho do cômodo. Itachi era bem perfeccionista em vários aspectos, e na cozinha não era diferente e isso deixou meu pai louco.  

Franzi as sobrancelhas quando vi Shisui se sentar do meu lado no sofá. Olhei para ele sem entender.  

— Você não tinha ido embora hoje de manhã? — Perguntei fazendo Shisui sorrir sem jeito.  

— Sim, mas voltei faz pouco tempo.  

Mesmo sendo meu primo e namorado do meu irmão mais velho, Shisui andava passando bastante tempo em casa, deve ser porque logo ele teria que partir para o treino militar e queria aproveitar ao máximo o namorado. Eu até entendia, mas meus tios não achavam tudo aquilo um exagero? A verdade era que eu não aguentava mais Shisui dormindo em casa. A gente começa a se enjoar da cara das pessoas por muito tempo vendo-as, e principalmente os sons que ela fazia no quarto ao lado. Devo dizer que não vejo mais Shisui com os mesmos olhos que eu o via antes de começar a namorar meu irmão.  

— Sasuke, querido. — Minha mãe me chamou saindo da cozinha limpando as mãos no avental. — Você poderia ir ao mercado para mim? São só algumas coisas que estão faltando. 

— Tudo bem. — Falei me levantando e pegando a lista da qual minha mãe me estendera.  

— Por favor, antes que Izuna chegue. — Ela disse e comecei a colocar os sapatos. 

 

Ir ao mercado não era uma das minhas melhores programações. Na verdade, eu não gostava muito, principalmente quando alguém me mandava lá para fazer as compras, pois nunca sei ao certo o que levar quando há muitas opções diferentes na prateleira e esse era o meu caso no momento. Minha mãe não havia especificado que tipo de macarrão ela queria que eu pegasse, a lista apenas dizia ‘macarrão’. Fiquei em um dilema de qual pegar, se deveria me arriscar em qualquer um ou ligar perguntando. Ao fundo, ouvi algumas vozes conhecidas entrando no mercado, consegui ouvi-las, pois o mercado não era grande e a corredor que me encontrava era perto dos caixas.  

Sakura. Reconheci a voz da Haruno entre as outras que tentei identificar, mas não conseguia me lembrar muito bem. Porém, meu coração falhou uma batida quando ouvi a voz de Naruto junto. Cogitei ir até o grupo e os encontrar “por acaso”, mas meus planos forram interrompidos quando ouvi uma lata cair no chão. Me virei na direção do som encontrando um Naruto paralisado em frente a prateleira com o braço na direção das latas de molho de tomate atrás de mim. Ficamos nos olhando até que senti a lata que caiu no chão alcançar meus pés e a peguei. Sem tirar os olhos do loiro, caminhei em sua direção o estendendo o objeto.  

Naruto pegou a lata da minha mão rapidamente.  

— Obrigado.  

— Te procurei o dia inteiro. — Falei imediatamente para evitar que o mesmo fosse embora.  

— Andei ocupado essa tarde.  

— Imaginei.  

               Silêncio. Nenhum de nós disse mais nada por um tempo.   

— Sasuke, — Ele começou. — Precisamos conversar. Não é o melhor lugar, mas eu preciso dizer isso antes que eu não consiga mais.  

O aguardei.  

— Tudo bem.  

Naruto respirou fundo e começou: 

— Eu pensei bastante a respeito e decidi que preciso ser verdadeiro com você. Isso tudo me deixou tão confuso, acho que estávamos indo muito rápido. Fiquei tão desolado quando Hnata terminou comigo que fiquei com você sem pensar muito, eu acho que não era para ser o momento ideal para isso. Sinto que tomei medidas muito desesperadas para quem tinha acabado de sair de um relacionamento. — Naruto mordeu o lábio nervoso como se estivesse pensando no que falar. — Eu gosto de você, Sasuke, gosto muito de você, mas tenho medo que eu tenha confundido as coisas.  

— O que você quer dizer com isso? — Perguntei desolado por suas palavras que estavam me atingindo de forma brutal.  

Naruto me olhou triste e até mesmo achei que ele estivesse igualmente mal com tudo aquilo.  

— Sasuke, não acho que seja nossa hora. Eu não consigo nem ao menos me decidir sobre meu futuro, está tudo tão confuso e eu preciso de um tempo para pensar em tudo isso. Espero que me entenda, por favor. — Ele dizia com magoa na voz e eu me sentia cada vez menor. Depois de tudo que conclui, que realmente o amava, eu estava definitivamente sendo dispensado agora.  

— Naruto... por favor, me desculpa por tudo. Eu prometo que serei melhor.  

Ele apenas negou com a cabeça.  

— Eu te perdoo, mas não posso continuar com isso, eu preciso ter certeza do que estou fazendo.  

— É uma pena, porque eu tinha certeza de que te amava desde que te conheci. — Naruto se espantou, vi seus olhos azuis começando a marejar, mas ele era forte o suficiente para não fraquejar na minha frente. Ele sempre foi. Minhas palavras o atingiram da mesma forma que as suas me atingiram. Eu sentia que havia aberto um buraco enorme em meu peito. Era angustiante demais ter que lidar com tudo aquilo com Naruto em minha frente me dispensando, enquanto o que eu mais queria era abraçá-lo e dizer o quanto o amava.  

Vi que o mesmo estava se segurando para dizer algo ou até mesmo de fazer algo, mas algo o impedia.  

— Espero que você saiba o que está fazendo. — Falei conseguindo desviar meus olhos dos seus para pegar qualquer macarrão da prateleira e sair de lá.  

Paguei pelas minhas compras e respirei todo o ar que havia faltado de meus pulmões durante nossa conversa.  

Naruto havia me feito perceber que eu talvez o tivesse perdido para sempre. E isso doía mais do que eu imaginava.

 

     

 


Notas Finais


Ainda não revisei o capítulo completamente apenas vi por cima, então espero que não tenham se importado com alguns erros que devo ter deixado passar.
Beijos e nos vemos no próximo capítulo.


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