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História Fiery, The Forbidden Rose - Capítulo 2


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Notas do Autor


um pouco atrasada, mas voltei :) esse capítulo é tão simples quanto o outro, apesar de mais detalhado

a história vai crescer em tamanho com o tempo, por favor, sejam pacientes

hoje conhecemos um pouco do nosso pequeno Jeongguk hehe

e obrigada pessoinha que visualizou e favoritou a história <3

Capítulo 2 - Balbúrdia


                                2ª Parte — Balbúrdia

A fome, a sede, o desejo pela sobrevivência, são mesmo os seus erros sendo cometidos? 

Você é um demônio por fazer exatamente o que todo o resto faz apenas por estar usando métodos diferentes? 

[...]

Seus pés estavam queimando sobre o chão ladrilhado da vila. Jeongguk estava cansado de correr daqueles bandidos, suas pernas pareciam que iam despencar de seu corpo caso continuasse com aquilo, mas o garoto não tinha muita escolha. Era isso ou morrer de fome, e morrer nunca foi um dos seus verbos favoritos.

Parou para descansar em um beco estreito entre uma morada e outra, e felizmente conseguiu despistar dos homens imprestáveis. Jungkook, como gostava de se chamar desde a morte de ambos os seus pais, cresceu boa parte da sua vida órfão e precisava roubar para sobreviver.

Tentava arranjar empregos com fazendeiros, ou outras classes mais baixas, mas nenhum deles queria sequer conversar com o garoto que não possuía um nome de família.

Era um desrespeito apenas falar com ele, o castigado pelos demônios e rejeitado pelos deuses, então ao menos imagine o oferecer um bom serviço.

Vivia sozinho e estava acostumado com aquilo, mesmo que tivesse que comer ratos de vez em quando, não importava, contato que sobrevivesse. Pelo bem da sua falecida mãe.

— Vamos ver o que esses idiotas pegaram dessa vez – sacudiu a sacola feita de palha, e quis pular de alegria ao ver saírem várias e várias moedas prateadas de dentro.

O assalto havia sido bom, diferente dos últimos dias, o que era um tremendo alívio.

Jungkook tinha uma política estranha a respeito dos roubos que fazia. Ele nunca pegava nada dos moradores ou vendedores da vila, mesmo que fosse descartado por eles, ainda não achava certo tirar o que aquelas famílias tanto batalhavam para ganhar.

Mas aquilo era pura hipocrisia, e no fundo ele infelizmente sabia bem disso. Até porque, mesmo que só roubasse diretamente os assaltantes, ele ainda estava roubando o dinheiro de vários comerciários, já que o principal alvo da quadrilha era exatamente a parte rica da vila onde viviam.

Sua situação conseguia ser mais complicada do que parecia.

Mas bem, ele só deu de ombros, decidindo ignorar aquilo por um tempo. Finalmente tinha conseguido moedas o suficiente para poder consumir uma refeição de verdade e seria bem melhor pra ele, focar somente nisso por agora.

Passaria em algum local qualquer e afastado o suficiente da parte mais movimentada da vila,

para comer um frango ensopado e depois visitaria a sua mãe.

Ainda estava no beco, contando as moedas enquanto as guardava dentro do seu bolso em seguida. Jeongguk só usava farrapos que encontrava nas moradas abandonadas, e as vezes ele precisava roubar uma ou duas peças de tecido dos moradores ricos, para que não fosse rastreado pela gangue local.

Digamos que ele seja o criminoso mais procurado da área, e caso o garoto fosse realmente encontrado algum dia, estaria em sérios problemas ou provavelmente morto.

E ele simplesmente não podia morrer. De jeito nenhum.

— 120 moedas! Nossa, nunca consegui tanto antes, no máximo cinco. Se eu não exagerar na comida, consigo fazer durar três meses, ou até mesmo viajar para outra vila com essa quantidade – Jungkook estava mesmo feliz, tanto que nem percebia que agora aumentava seu tom de voz, prejudicando seu esconderijo.

Sorte a dele que ninguém passava por ali naquele horário.

O menino costumava falar sozinho com frequência, já que não possuía mais ninguém com quem conversar.

Quando passou um bom tempo ali apertado no canto fedido, decidiu por fim trocar suas peças de roupa pois ele felizmente ainda tinha alguns panos guardados na sua bolsa, amarrada á cintura. Descartou os antigos, os rasgando com as mãos, e cobriu o rosto com um véu branco qual achou perdido na cidade um tempo atrás. Em seguida, olhou para os seus longos e suados fios de cabelo caídos na altura de seus ombros.

Suspirou.

Enquanto corria dos assaltantes, seus fios acabaram escorrendo do lenço que havia usado para os amarrar em um coque, e agora os bandidos sabiam que seu cabelo era grande e encaracolado daquele jeito.

Essa informação o tornava um alvo muito mais fácil de ser rastreado agora, mesmo que escondesse bem o seu rosto, ainda era perigoso não tomar providências sobre o assunto. Teria que cortar, apesar de lamentar muito por isso.

Seu cabelo era a única coisa que gostava em si.

Pegou a faca pendurada em seu tornozelo, e cerrando com força os seus olhos, rapidamente forçou a lâmina contra os fios escuros e suados, devido a corrida que fez. O cabelo ficou na altura de seu queixo e ainda mais encaracolado, se era possível. Bem, ele ainda podia muito bem esperar o dito cujo crescer, só precisava ter paciência.

Ultimamente tudo que ele necessitava mesmo era só ter paciência. Já estava ficando cansado disso porque era exaustivo demais ser a única pessoa ignorada pelo o mundo.

Ser o intruso. O ladrão sem família.

— Pode parar de se lamentar, Jeongguk! Agora que achou dinheiro, você finalmente tem motivos para continuar seguindo. Um dia você chega lá. Vamos!

Levantou, sacudiu o corpo para retirar os fios recém mal cortados e decidiu passar em sua mãe primeiro, antes de ir comer alguma coisa. Ela sempre o animava em situações como essa. O garoto conversava com ela todos os dias, pois o túmulo improvisado de sua progenitora era o seu principal e único refúgio.

Caminhou calmamente em direção ao campo onde a mesma estava enterrada, um jardim lotado de flores raras e vermelhas e que também era inteiramente intocado pelo resto da população. Jungkook agradecia por isso. Aquele lugar era considerado endemoniado pelos cidadãos da vila e só por causa da sua rara coloração escura.

Já Jungkook achava aquilo a maior besteira. Eram tão lindas, que não pensou duas vezes antes de fazer daquele lugar o seu ponto preferido no mundo inteiro, afinal, era onde sua mãe descansava.

Lembrava dos tempos em que cantavam os dois juntos antes de dormir com um sorriso triste no rosto. Mesmo quando ela estava exausta, ou a poucos minutos de sua morte, a mulher nunca deixou de cantar alegremente para o seu filho. O menino a idolatrava, e nossa, como sentia sua falta.

A dor continuava forte e muito presente no seu cotidiano. Ela foi tudo pra ele.

Felizmente, já estava se aproximando de lá

Mas ele ao começar a subir o morro, em direção ao campo florido, acabou escutando alguns sussurros estranhos no meio do percurso, o que o alarmou.

Seriam os ladrões? Jungkook ferveu de raiva no mesmo instante, e se eles estivessem atrás do corpo de sua mãe para uma vingança suja e impiedosa? Ou será que eles teriam descoberto onde era a sua casa, e agora queriam tirar proveito da situação?

Não deixaria aquilo barato. Puxou a faca de seu tornozelo e se camuflou dentre as árvores, se aproximando devagar do campo vermelho, onde os barulhos se tornavam cada vez mais nítidos.

Logo percebeu que não eram zumbidos, e sim, uma cantiga sendo proferida por uma voz fanha e rouca, ainda que bastante agradável. A pessoa usava roupas de um eunuco, que eram muito bem feitas, comparadas a do órfão, e de cor verde, o que causava um contraste bonito ao ambiente cheio de flores avermelhadas. Jungkook deu mais um passo a frente sem perceber, inebriado por aquela cena inusitada.

Bem, não estava sendo exatamente o que o garoto esperava. Acabou pisando em um amontoado de folhas no chão enquanto caminhava cegamente até ele, o que chamou a atenção do outro, que imediatamente assustado, parou de cantar. Ambos agora se encaravam, tentando entender o que faziam ali, parados e completamente imersos nas figuras estranhas que não esperavam encontrar naquele dia.

— Olá, eu acho. Não irei fazer nada com este impecável jardim, então pode abaixar a sua arma – o tom era calmo e gentil, o que era muito estranho.

Ninguém nunca era gentil com ele.

Jungkook não soube o que responder.

Apenas devolveu sua faca ao tornozelo e ficou encarando o eunuco, perdido.

Até porque, era a primeira pessoa que lhe dirigia confortávelmente a palavra e o garoto há muito tinha perdido o dom de se comunicar com outros seres humanos pela falta de prática.

Será que ele devia mesmo o responder?


Notas Finais


se nada der errado, volto com a terceira parte amanhã, às 12:00 horas ;) espero que tenham gostado desse capítulo

taekook está tão próximo de acontecer já hihihi <3

até amanhã!


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