História Fifty Shades of grey JIKOOK! - Capítulo 7


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bdsm, Jikook, Kookmin, Sadomasoquismo, Vhope
Visualizações 54
Palavras 6.769
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


eu voltei. Me desculpe a demora, como eu postei no capítulo “ AVISO” (que já exclui) eu decidi dar um tempo na fanfic. Porém, para recompensar vocês eu trouxe um capítulo de quase 7000 palavras! Então aproveitem.
Comente e favorite, por favor.

Capítulo 7 - Seven


 

                                 /NÃO REVISADO/ 

 

Gente eu vou postar um capítulo com as fotos de todos os personagens, certo? Para vocês terem uma ideia. 

 

 

—Tudo parte do seu plano de alimentar o mundo?-provoco.

— Mais ou menos -reconhece ele, e seus lábios se contraem num breve sorriso.

    Ele olha a seleção de braçadeiras que temos no estoque. Que diabo ele vai fazer com isso? Não consigo de jeito nenhum imaginá-lo como um praticante de bricolagem. Seus dedos passeiam por vários pacotes expostos e, por alguma razão inexplicável, preciso desviar o olhar. Ele se abaixa e escolhe um pacote.

— Estas vão servir- diz ele com aquele sorriso muito misterioso, e eu enrubesço. 

— Mais alguma coisa? 

— Eu gostaria de fita adesiva. 

Fita adesiva?

— Está fazendo uma reforma?- as palavra saem antes que eu possa delê-las. Com certeza ele contrata operários ou tem gente para ajudá-lo na decoração. 

— Não, não estou reformando- diz ele depressa, depois dá um sorriso forçado, e tenho a estranha sensação de que está rindo de mim. 

Será que eu sou tão engraçado? Tenho uma cara engraçada? 

— Por aqui -murmuro, embaraçado - As fitas adesivas ficam no corredor de decoração. 

  Olho para trás enquanto ele me segue. 

— Trabalha aqui há muito tempo?- A voz dele é grave, e ele está me olhando, olhos cinzentos muito concentrados. Enrubesço mais ainda. Por que diabo ele me causa esse efeito? Sinto como se tivesse quatorze anos. - canhestro, como sempre deslocado. Olhe pera frente, Park!

— Quatro anos - murmuro quando chegamos ao nosso objetivo. Para me distrair, abaixo-me e escolho duas larguras de fitas adesivas para pintura que temos em estoque.

 — Vou levar essa – Jeon diz em voz baixa apontando para a fita mais larga, que passo para ele. 

  Nossos dedos se encostam muito brevemente, e a corrente se manifesta de novo, percorrendo todo meu corpo como se eu tivesse encostado num fio desencapado. Reprimo um grito involuntário, bem lá no fundo de mim, num lugar escuro e inexplorado. Desesperado, tateio em volta procurando me equilibrar. 

— Mais alguma coisa? – Minha voz é rouca e arfante. Os olhos dele se arregalam ligeiramente.

— Um pedaço de corda, eu acho. – A voz dele espelha a minha, rouca. 

— Por aqui. – Abaixo a cabeça para esconder meu rubor recorrente e sigo para o corredor. 

— De que tipo procura? Temos cordas de fios naturais e sintéticos... barbantes... cabos... – Emudeço diante da expressão dele, de seus olhos ficando sombrios. Caramba. 

— Vou levar quatro metros e meio de corda de fios naturais, por favor.

   Rapidamente, com os dedos trêmulos, meço quatro metros e meio com a régua fixa, consciente de que seu olhar quente e cinzento está sobre mim. Não uso encará-lo. Nossa, será que eu poderia me sentir inibido? Pegando o estilete no bolso traseiro da minha calça, corto a corda e a enrolo antes de amarrá-la com um nó corrediço. Por algum milagre, consigo não amputar um dedo com o estilete. 

— Você foi escoteira? – pergunta, os lábios esculturais e sensuais repuxados num sorriso. Não olhe para a boca dele! 

— Atividades organizaras em grupo não são minha praia, Sr. Jeon. 

Ele ergue uma sobrancelha 

— Qual é a sua praia, Jimin? – pergunta ele, de novo com aquela voz suave e o sorriso misterioso. Olho para ele incapaz de me expressar. Estou em placas tectônicas móveis. Gente ficar calmo, Jimin. Implora  de joelhos meu inconsciente torturado. 

— Livros. – murmuro, mas, no íntimo, meu inconsciente está gritando: você! Você é a minha praia! Faço-o se calar instantaneamente, aflito com as aspirações exageradas que a minha psique esta tendo. 

— Que tipo de livros – Ele inclina a cabeça.

Por que está tão interessado? 

— Ah, você sabe. O normal. Os clássicos. Literatura inglesa, principalmente. 

   Ele esfrega o queixo com seus esguios polegar e indicador ao contemplar minha resposta. Ou talvez só esteja muito entediado e esteja tentando disfarçar isso. 

— Precisa de mais alguma coisa? – Tenho que me livrar desse assunto; seus dedos naquele rosto são muito sedutores.

— Não sei. O que mais você me recomendaria? 

 O que eu recomendaria? Eu nem sei o que você está fazendo. 

— Para um praticante de bricolagem? 

 Ele balança a cabeça, os olhos cheios de malícia. Enrubesço, e meu olhar desvia espontaneamente para sua calça justa. 

— Macacões – respondo, e sei que já perdi o controle do que sai da minha boca. 

  Ele ergue uma sobrancelha, achando graça de novo.

— Você não vai querer estragar sua roupa. – Faço um gesto vago na direção da sua calça. 

— Eu sempre poderia tirá-las. – Ele dá um sorriso afetado.

— Hum. 

Sinto meu rosto ficar novamente vermelho. Devo estar da cor do Manifesto Comunista. Pare de falar. Pare de falar agora. 

— Vou levar uns macacões. Deus me livre de estragar qualquer roupa – Diz ele, secamente. 

Tento descartar a imagem inoportuna dele sem jeans. 

— Precisa de mais alguma coisa? – Dou um grunhido  ao lhe entregar os macacões azuis. 

 Ele ignora minha pergunta. 

  — Como está o artigo? 

 Ele finalmente me faz uma pergunta normal, sem insinuações e fora da confusa conversa sem pé nem cabeças... uma pergunta à qual posso responder. Agarro-a com unhas e dentes como se fosse uma tábua de salvação, e escolho a honestidade. 

— Não o estou redigindo, TaeHyung é que está. Sr. Kim o moço com quem divido a casa, ele é redator. Está muito feliz com ele. É o editor do jornal, e ficou arrasado por não ter podido fazer a entrevista pessoalmente. – Sinto como se tivesse subindo para respirar. Finalmente, uma conversa normal. — A única preocupação dele é que não tem nenhuma fotografia sua. 

— Que tipo de fotografia ele quer? 

 Tudo bem. Eu não contava com essa resposta. Balanço a cabeça, porque simplesmente não sei. 

— Bem, eu estou por aí. Amanhã, talvez...

— Estaria disposto a fazer uma sessão de fotos? 

  Minha voz está de novo estridente. Tae ficará no sétimo céu se eu conseguir isso. E você poderia vê-lo de novo amanhã, aquele lugar escuro na base do meu cérebro murmura sedutoramente para mim. Descarto a ideia. Que bobagem, é ridículo...

— Tae vai ficar encantado, se a gente conseguir encontrar um fotógrafo. 

 Estou tão satisfeito que abro um largo sorriso para ele. Ele entreabre os lábios, como se estivesse sugando o ar com força para os pulmões, e pisca. Por uma fração de segundo, ele parece de alguma forma perdido, e a terra se desloca ligeiramente em seu eixo, as placas tectônicas deslizando para uma posição nova. 

— Fale comigo amanhã. – Enfiando a mão no bolso traseiro, ele saca a carteira. — Meu cartão. O número do meu celular está aí. Você vai precisar lugar antes das dez da manhã.

 — Tudo bem. Sorrio para ele. Tae vai ficar elétrico. 

— Jimin! 

Namjoon surgiu na outra ponta do corredor. Ele é o irmão caçula do Sr. Clayton. Eu tinha ouvido dizer que ele tinha chegado da América, mas não esperava vê-lo hoje. 

— Hum... com licença um instante, Sr. Jeon.

Jeon franze a testa quando me afasto dele. 

Namjoon sempre foi um amigão, e nesse momento estranho que estou tendo com o fico, poderoso, excepcionalmente atraente e maníaco por controle Sr. Jeon, é ótimo falar com alguém normal. Nam me dá um abraço apertado e me pega de surpresa. 

— Oi Jimin, é muito bom ver você! – derrete-se. 

— Olá, Nam, como vai? Veio para o aniversário do seu irmão?

— É. Você está ótimo, Jimin, ótimo mesmo. — ele sorri enquanto me examina, tomando distância. Então ele me solta, mas matemática um braço possessivo pendurado em meu ombro. Fico trocando de pé, encabulado. É bom ver Namjoon, mas ele sempre foi muito exagerado. 

   Quando olho para Jeon Jungkook, ele está nos observando feito um falcão, olhos entreabertos e especulativos, a boca contraída formando uma linha rígida, impassível. Do cliente estranhamente atencioso, ele se transformou em outra pessoa – alguém frio e distante. 

— Nam, estou com um cliente. Uma pessoa que você precisa conhecer – digo, tentando desarmar o antagonismo presente na expressão de Jeon. Arrasto Namjoon para conhecê-lo, e eles se avaliam mutuamente. A atmosfera de repente está glacial. 

— Ah, Nam, este é o Jeon Jungkook. Sr. Jeon, este é Kim Namjoon. O irmão dele é proprietário da loja. 

E, por alguma razão irracional, sinto que devo explicar melhor. 

— Conheço Namjoon desde que conheceu a trabalhar aqui, embora a gente não se veja muito. Ele voltou do USA, onde estuda administração de empresa. – Estou balbuciando... pare já! 

—  Sr. Kim – Jeon estende a mã, o olhar inescrutável. 

— Sr. Jeon. – Nam retribui o comprimento. — Espera aí, não é o Jeon Jungkook? Da Jeon Enterprises Holdings? – Nam passa da ao assombro numa fração de segundo. Jeon lhe dá um sorriso educado, do qual seus olhos não participam. 

— Nossa! Há alguma coisa que eu possa lhe trazer? 

— Jimin já me atendeu, Sr. Kim. Foi muito atencioso. – A expressão dele é impassível, mas as palavras... é como se ele estivesse dizendo uma coisa totalmente diferente. É desconcertante.

— Legal – responde Namjoon. – Depois a gente se fala, Jimin. 

— Claro, Nam. – Vejo-o desaparecer no estoque. – Mais alguma coisa, Sr. Jeon? 

— Só isso. 

Seu tom é entrecortado é frio. Droga... será que eu o ofendi? Respirando fundo, viro as costas e me encaminho para o caixa. Qual o problema dele? 

  Registro a corda, os macacões, a fita adesiva e a braçadeiras.

—  50,000 ( 43,00 Dólares), por favor. – Olho para Jeon, e queria não ter olhado. Ele está me observando com muita atenção. É enervante.

— Que uma sacola? – pergunto ao pegar seu cartão de crédito.

–– Por favor, Jimin. – sua língua acaricia meu nome, e meu coração mais uma vez dispara. Mal posso respirar. Apressadamente, coloco suas comprar em uma sacola plástica. 

— Você me telefona se quiser que eu pose para as fotos? — Ele está sendo profissional de novo. Faço que sim, mais uma vez sem fala, e devolvo seu cartão de crédito.

— Ótimo. Até amanhã, talvez. – Ele se vira para ir embora, e depois para. — Ah... e Jimin, ainda bem que o Sr. Kim não pôde fazer a entrevista. – Sorri, depois sai da loja a passos largos com uma determinação renovada, pendurando a sacola plástica no ombro, deixando-me como uma massa trêmula de hormônios masculinos em fúria 

Antes de voltar ao planeta Terra, passo vários minutos contemplando a porta por onde ele acabou de sair. 

Tudo bem – gosto dele. Pronto. Confessei a mim mesmo. Não posso mais fugir dos meus sentimentos. Nunca me senti assim antes. Acho-o atraente , muito atraente. Mas isso não tem futuro, eu sei, e suspiro com um sentimento de pena entre doce e amargo. Foi só uma coincidência a vinda dele aqui. Mas mesmo assim, posso admirá-lo de longe, com certeza. Não tem mal nenhum. E se eu encontrar um fotógrafo, posso admirá-lo bastante amanhã. Mordi o lábio antevendo isso e me pego rindo como um colegial. Preciso telefonar para Tae e organizar a sessão de fotos. 

Tae está em êxtase.

— Mas o que ele está fazendo na Clayton's? – Sua curiosidade escapa pelo telefone. Estou enfurnado no estoque, tentando manter minha voz num tom normal.

— Ele estava pela área.

— Isso é uma coincidência enorme, Jimin. Você não acha que elevou aí para ver você? 

  Meu coração palpita com essa perspectiva, mas a alegria que dura pouco.

A triste e decepcionante realidade é que ele estava aqui a trabalho. 

— Ele estava visitando o departamento de agricultura. Está financiando uma pesquisa – murmuro. 

— Ah, sim. Ele doou dois milhões e meio de dólares ao departamento. 

Uau.

— Como você sabe disso? 

— Jimin, eu sou jornalista, e escrevi um perfil do cara. É meu trabalho saber disso. 

— Tudo bem, senhor jornalista, não arranque os cabelos. Então, você quer as fotos? 

— Claro que quero. A questão é quem vai fazê-las, e onde? 

— Podíamos perguntar onde ele prefere. Disse que estará hospedado na região.

— Você pode entrar em contato com ele? 

— Tenho o número o celular dele.

Tae suprime um grito. 

— O solteiro mais rico, mais esquivo, mais enigmático do nosso estado simplesmente deu a você o número do celular dele? 

— Hum... deu. 

— Jimin! Ele gosta de você. Não tenho a menor dúvida. – Seu tom é enfático. 

— Tae, ele só estava tentando parecer simpático.

 No momento em que faço a afirmação, porém, sei que ela não é verdadeira. Jeon Jungkook não faz o tipo simpático. Educado,talvez. É uma vozinha murmura dentro de mim: talvez Tae tenha razão. Meu coro cabeludo se arrepia com a ideia de que, talvez, apenas talvez, quem sabe, ele goste de mim. Administração, ele disse que tinha achado bom o fato de Tae não ter feito a entrevista. Abraço-me numa alegria silenciosa, balançando para um lado e para o outro, considerando a possibilidade de ele talvez gostar de mim. TaeHyung me traz de volta ao presente. 

— Não sei quem vamos chamar para fazer as fotos. Levo, nosso fotógrafo de sempre, não pode. Está passando o fim de semana em Idaho Falls. E vai ficar furioso por ter perdido a oportunidade de fotografar um dos principais empresários da Coreia do sul.

— Hum... que tal Yoongi?

— Grande ideia! Peça a ele, ele faz qualquer coisa por você. Depois ligue para Jeon e descubra onde ele prefere nos encontrar.

É irritante como Tae faz pouco de Yoongi.

— Acho que você devia lugar para ele.

— Para quem? Para Yoongi? – zomba Tae.

— Não, para o Jeon.

— Jimin, é você que tem relação com ele. 

—o que? – dou um chiado,subindo o tom de voz. — Eu mal conheço o cara. 

— Pelo menos já esteve com ele. – diz ela com amargura. – E parece que ele quer conhecê-lo melhor. Ligue para ele, Jimin – diz, decidida, e desliga. 

     Ele é muito autoritário às vezes. Olho de cara feia e mostro a língua para o celular.

 Estou deixando um recado para Yoongi quando Namjoon entra no estoque procurando por lixas. 

— Estamos meio ocupados aqui, Jimin. – diz ele sem aspereza: 

— Eu sei, desculpe – murmuro, dando meia volta para sair. 

— Então, de onde você conhece o Jeon Jungkook? 

A voz despreocupada de Nam não me convence. 

— Tive que entrevistá-lo para o jornal da faculdade. Tae não estava passando bem. 

  Dou de ombros, tentando soar descontraído, e acabo não me saindo melhor que ele. 

— Jeon Jungkook na Clayton's. Imagine só. – Nam bufa, achando graça. Balança a cabeça, como se quisesse clarear as ideias. — enfim, quer sair para beber ou fazer alguma coisa hoje à noite?

 Sempre que está por aqui, Nam me convida para sair, e eu sempre digo não. É um ritual. Nunca considerei uma boa ideia sair com o irmão do patrão e, além do mais, Namjoon é uma graça com seu jeito de garoto comum, mas não é ninguém príncipe encantado, por mais que a gente tente imaginar. Jeon é?, pergunta o meu inconsciente, a sobrancelha metaforicamente arqueada. Faço-o falar a boca. 

— Você não tem um jantar de família ou algo assim com seu irmão? 

— É amanhã. 

— Talvez outra hora, Nam. Preciso estudar hoje à noite. As provas finais são na semana que vem.

— Jimin, um dia desses você vai aceitar. – Ele Sorri enquanto corro para loja. 

 

 

                                          ��

 

— Mas eu fotografo paisagens, Jimin, não pessoas – reclama Yoongi. 

— Suga, por favor? – imploro. Ando de um lsdo para o outro na sala do nosso apartamento, agarrado ao celular, observando pela janela a luz do dia que vai morrendo.

— Dá aqui esse telefone.

Tae toma o aparelho de mim, jogando o sedoso cabelo louro. 

— Escute aqui, Min Yoongi, se quiser que o nosso jornal faça a cobertura da inauguração da sua exposição, você vai ter que tirar essas fotos para a gente amanhã. – Tae pode ser assombrosamente severa. – Ótimo. Jimin vai ligar dizendo o local e a hora da sessão. Vemos você amanhã. 

  Ele desliga o meu celular. 

— Pronto. Tudo que precisamos fazer agora é decidir o local e o horário. Ligue para ele. – Ela me estende o telefone. Meu estômago revira. — Ligue para Jeon, agora!

 O olho de cara feia e tiro o cartão do bolso. Respiro fundo, acalmando-me e, com os dedos trêmulos, teclo o número. 

Ele atende no segundo toque. Seu tom é seco, calmo e frio. 

— Jeon.

— Hum... Sr. Jeon? É Park Jimin.

Não reconheço minha voz, estou muito nervoso. Há uma breve pausa. Estou tremendo por dentro. 

— Sr. Park. Que bom falar com você. 

O tom de voz dele mudou. Está surpreso, eu acho, e parece muito... caloroso - sedutor até. Minha respiração fica entalada, e enrubesço. De repente, tomo consciência de que Kim TaeHyung está me olhando boquiaberto, e corro para a cozinha para evitar sua indesejada avaliação. 

— Hum... nós gostaríamos de combinar a sessão de fotos para artigo – respire, Jimin, respire. Encho um pouco os pulmões, a respiração entrecortada — amanhã, se possível. Onde seria conveniente para o senhor? 

 Quase consigo ouvir seu sorriso enigmático pelo telefone. 

— Estou hospedado no Heathman. Pode ser amanhã às nove e meia da manhã? 

— Tudo bem, nos vemos lá. – Meu tom é completamente efusivo e ofegante. Pareço uma criança, não um homem adulto que pode votar e beber legalmente. 

— Estou ansioso para isso, Sr. Park. 

Visualizo o brilho malicioso em seus olhos. Como ele pode fazer uma promessa tão tentadora com apenas seis palavrinhas? Desligo. Tae está na cozinha e me encara com um olhar de total e absoluta consternação. 

— Park Jimin. Você gosta dele! Nunca vi nem ouvi você tão... tão encantado com alguém antes. Está até vermelho.

— Ah, Tae, você sabe que eu vivo corando. E um risco ocupacional comigo. Não seja ridícula. – digo secamente. 

 Ele pisca para mim, surpreso. É muito raro eu dar um chilique, e por um momento acabo cedendo. 

— Só acho esse homem... intimidador, só isso. 

— Heathman, é claro – Murmura Tae. — Vou ligar para o gerente e negociar um espaço para a sessão de fotos.

— Vou fazer o jantar. Depois, preciso estudar.

Não consigo disfarçar minha irritação quando abro um dos armários para preparar a refeição. 

 

 

                                         ��

 

Tenho uma noite agitada, revirando-me na cama,

Sonhando com olhos cinzentos, macacões, pernas compridas, dedos longos e lugares sinistros e inexplorados. Acordo duas vezes, o coração acelerado. Ah, eu vou estar com uma cara ótima amanhã se dormir tão pouco, repreendo a mim mesmo. Soco o travesseiro e tento sossegar. 

 O Heathman fica próximo de minha casa. O impressionante prédio de pedra marrom foi concluído bem a tempo para a quebra da bolsa de valores no fim dos anos 1920. Yoongi, Jonghyun e eu vamos no meu fusca, e Tae está na Mercedes dela, já que não cabelos todos no meu carro. Jonghyun é amigo de Yoongi e também seu assistente, e veio para ajudar co a iluminação. Tae conseguiu que o Heathman cedesse um quarto na parte da manhã em troca de mencionar o hotel nos créditos do artigo. Quando ele informa na recepção que estamos aqui para fotografar Jeon Jungkook, CEO, imediatamente nos dão um upgrade para uma suíte melhor. Uma suíte padrão, entanto, pois aparentemente o Sr. Jeon já está ocupando a maior do prédio. Um executivo de marketing exageradamente solícito nos leva até o local. – Ele é incrivelmente jovem e, por alguma razão, está muito nervoso. Desconfio que a beleza e jeito autoritário de Tae o desarmem, porque ela faz o que quer com ele. Os quartos são elegantes, sóbrios e equipados com móveis de luxo.

 São nove horas horas. Temos meia hora para nos preparar. Tae está todo animado. 

— Yoongi, acho que vamos fotografar na frente daquela parede, concorda? – Ele não espera pela resposta. — Jonghyun, tire as cadeiras. Jimin, você poderia pedir à camareira para trazer uns refrigerantes? E avise a Jeon onde estamos.

Sim mestre. Ele é muito autoritário. Revirei os olhos, mas faço o que ele manda. 

Meia hora depois, Jeon Jungkook aparece na nossa suíte. 

Cacete! Ele está usando uma camisa branca aberta no colarinho e calça de flanela cinza e cintura baixa. Seu cabelo bagunçado ainda está molhado do banho. Fico com a boca seca só de olhá-lo... ele é absurdamente gostoso. Jeon entra na suíte acompanhado por um homem de trinta e poucos anos, com a cabeça raspada e a barba por fazer, de terno escuro e gravata, que fica quieto parado no canto. Seus olhos cor de avelã nos observam impassíveis. 

— Sr. Park, tornamos a nos encontrar.

 Jeon estende a mão, e eu a aperto, piscando sem parar. Nossa... ele é realmente... Quando encosto na mão dele, tomo consciência daquela corrente deliciosa percorrendo meu corpo, arrebatando-me, fazendo-me corar, e estou certa de que minha respiração irregular deve ser audível. 

— Sr. Jeon, essa é e Kim TaeHyung – murmuro, fazendo um gesto com a mão na direção de Tae, que se adianta, olhando bem nos olhos dele. 

— o Tenaz Sr.Kim,  como vai? – Ele abre um sorrisinho, parecendo genuinamente divertido — creio que deve estar se sentindo melhor. Jimin disse que esteve indisposta na semana passada.

— Estou bem, obrigado, Sr. Jeon.

Tae aperta a mão dele firmemente sem pestanejar. Lembro-me de que ele estudou nas melhores escolas particulares da cidade. Sua família tem dinheiro, e ele cresceu confiante e segura de seu lugar no mundo. Não aceita desaforo. Sempre fico impressionado. 

— Obrigado por arranjar tempo para fazer estas fotos. 

 Ele lhe dá um sorriso educado e profissional. 

— É um prazer – respondo ele, voltando o olhar para mim, e eu torno a corar. Droga.

— Este é o Min Yoongi, nosso fotógrafo –digo, forçando um sorriso para Yoongi que retribui afetuosamente. Seus olhos esfriam quando ele olha de mim para Jeon. 

— Sr. Jeon – diz, acenando com a cabeça 

— Sr. Min.

A expressão de Jeon também muda ao avaliar Yoongi. 

— Onde o senhor quer que fique? – pergunta Jeon.

Seu tom é vagamente ameaçador, mas Tae não vai deixar Yoongi comandar o show. 

— Sr. Jeon, se puder se sentar aqui, por favor. Cuidado com os cabos de iluminação. E depois faremos algumas fotos em pé, também. – Ele o guia para a cadeira encostando na parede. 

  Jonghyun acende as luzes, cegando Jeon momentaneamente, e murmura um pedido de desculpas. Jonghyun e eu recuamos e observamos Yoongi iniciar os cliques. Ele faz varias fotos com a câmera na mão, pedindo a Jeon para virar para um lado, depois para o outro, para mexer o braço depois tornar a abaixá-lo. Depois, com o tripé, Yoongi faz ainda mais fotos, e Jeon posa sentado, com paciência naturalidade por uns vinte minutos. Meu desejo se realizou: posso ficar parada admirando Jeon de perto. Por duas vezes, nossos olhos se encontraram, e tenho que me desgrudar de seu olhar cinzento.

— Chega de posar sentado. – Taehyung se intromete de novo. – pode se levantar, Sr. Jeon? 

 Ele se levanta e Jonghyun corre para retirar a cadeira. A Nikon de Yoongi recomeça a clicar.

— Acho que já temos o suficiente – Anuncia Yoongi cinco minutos depois. 

— Ótimo. – diz Tae. — obrigado mais uma vez, Sr. Jeon. – Ele aperta a mão dele, e Yoongi faz o mesmo.

— Estou ansioso para ler o artigo, Sr. Kim – murmura Jeon, e se vira para mim, que estou parado à porta. –— você me acompanha, Sr. Park? – pergunta.

— Claro. – digo, completamente desconcertado.

Olho aflito para Tae, que encolhe os ombros. Vejo Yoongi franzindo a testa atrás dela.

— Um bom dia para vocês – diz Jeon ao abrir a porta, chegando para o lado para me deixar passar primeiro. 

Que inferno... o que é isso? O que ele quer? Paro no corredor do hotel, inquieto e nervoso enquanto Jeon sai da suíte acompanhado pelo Sr. Cabeça raspada naquele terno elegante. 

— Ligo para você. – murmura ele para o cabeça raspada. Então o cabeça chegue pelo corredor, e Jeon volta seu olhar cinzento e  ardente para mim. Droga... será que fiz alguma coisa errada? 

— Estava me perguntando se você tomaria um café comigo agora de manhã.

Meu coração quase sai pela minha boca. Um encontro? Jeon Jungkook está me convidando para sair. Ele está perguntando se você quer tomar um café. Vai ver ele acha que você não acordou,

choraminga o meu inconsciente, novamente com desdém. Engulo em seco, tentando controlar o nervosismo.

— Tenho que levar todo mundo para casa – murmuro num tom de desculpa, torcendo as mãos e os dedos na frente do corpo. 

— Taylor – chama ele, fazendo com que eu dê um pulo 

— Eles moram na universidade? – pergunta Jeon, a voz suave e inquisitiva.

 Concordo com a cabeça, desnorteado demais para falar. 

— Taylor pode levá-los. Ele é meu motorista. Estamos com um 4x4 grande, então vai dar para levar o equipamento também. 

— Sr. Jeon? – pergunta Taylor quando nos alcança, a expressão neutra. 

— Por favor, pode levar o fotógrafo, o assistente dele e o Sr. Kim em casa? 

— Claro, senhor. – responde Taylor.

— Pronto. Agora você pode vir tomar um café comigo? – Jeon sorri como se fosse um assunto liquidado.

 Franzo a testa.

— Hum... Sr. Jeon, hã, isso realmente... olhe, Taylor não precisa levá-los em casa – Olho rapidamente para Taylor, que continua estoicamente impassível. — Troco de carro com o Tae, se me der um minutinho.

Grey abre um glorioso sorriso, desarmado e espontâneo, mostrando todos os dentes. Aí meu deus... Ele abre a porta da suíte para que eu entre. Contorno-o depressa para entrar de novo no quarto, e encontro Tae envolvido numa discussão com Yoongi. 

— Jimin, eu acho que ele realmente gosta de você – diz ele sem qualquer preâmbulo. Yoongi me fuzila com um olhar de desaprovação. — Mas eu não confio nele. – acrescenta ele.

Levanto a mão na esperança de que ele pare de falar. Por um milagre, Tae parou.

— Tae, se você levar o Wanda, posso pegar o seu carro? 

— Por quê?

— Jeon Jungkook me convidou para tomar um café com ele.

O queixo dele cai. Tae sem palavras! Saboreio o momento. Ele me agarra pelo braço e me arrasta para o quarto contíguo à sala da suíte.

— Jimin, tem algo estranho nele. – a voz de Tae tem um tom de advertência. — Ele é deslumbrante, concordo, mas acho que é perigoso, especialmente para alguém como você. 

— Como assim alguém como eu? – pergunto, ofendido.

— Uma pessoa inocente como você, Jimin. Você sabe o que eu quero dizer – diz ele irritado.

Enrubesço.

— Tae, é só um café. Minhas provas começam essa semana e preciso estudar, portanto não vou demorar.

Ele contrai os lábios, como se considerasse meu pedido. Finalmente, pego as chaves do carro no bolso e as entrega a mim. Entrego-lhe as minhas.

— Até mais tarde. Não demore, senão mando uma equipe de busca e resgate.

— Obrigado. – Abraço-o 

Saio da suíte e encontro Jungkook esperando, encostado na parede, parecendo um modelo posando para uma revista de moda sofisticada.

— Tudo bem, vamos tomar um café. – murmuro, vermelha como um camarão.

Ele sorri.

— Vá na frente, Sr. Park.

Ele se endireita, estende a mão para que eu vá na frente. Vou andando pelo corredor, as pernas bambas, um frio na barriga, e o coração disparado quase saindo pela boca. Vou tomar cafe com Jeon Jungkook... e odeio café. 

 Andamos juntos pelo largo corredor do hotel até o elevador. O que eu devo dizer a ele? Meu cérebro está subitamente paralisado de tanta apreensão. Sobre o que vamos conversar? O que diabos eu tenho em comum com ele? Sua voz suave e quente me desperta de meu devaneio.

— Há quanto tempo conhece Kim TaeHyung?

Ah, uma pergunta fácil para começar.

— Desdo do primeiro ano. Ele é um bom amigo.

— Hum. – responde ele, evasivo.

No que está pensando? 

No hall dos elevadores, ele aperta o botão, e a campainha toca quase imediatamente. As portas se abrem, revelando um jovem casal abraçado apaixonado. Surpresos e envergonhados, eles se separam de imediato, olhando com uma expressão culpada para todos os lados, menos para nós. Jeon e eu entramos no elevador.

Preciso me esforçar para conter o riso, então fixo os olhos no chão, sentindo minhas bochechas ficarem rosadas. Quando lho disfarçadamente para Jeon, ele tem vestígios de um sorriso nos lábios, mas quase não da para ver. O jovem casal não diz nada, e vamos até o térreo num silêncio constrangedor. Nem ao menos tem aquela música ambiente suave para nos distrair.

As portas se abrem e, para minha surpresa, Jeon pega minha mão, apertando-a com seus dedos longos e frios. Sinto a corrente me percorrer, e minha pulsação, que já estava rápida, dispara. Enquanto ele me conduz para fora do elevador, dá para ouvir a risadinhas contidas do casal interrompendo atrás de nós. Jeon sorri.

— O que será que os elevadores têm? – murmura ele.

Atravessamos o vasto saguão movimentado do hotel em direção à entrada, mas Jeon evita a porta giratória, e me pergunto se é porque ele teria que soltar minha mão.

Lá fora, é um domingo ameno de maio. O sol brilha e há pouco tráfego. Jeon vira à esquerda e caminha até a esquina, onde esperamos o sinal abrir. Ele continua a segurar minha mão. Estou na rua e Jeon Jungkook está segurando minha mão. Ninguém jamais segurou minha mão. Estou tonto e toda formigando. Tento conter o ridículo sorriso que ameaça cortar meu rosto em dois. Tente ficar calmo, Jimin, implora meu inconsciente. O homenzinho verde aparece, e lá vamos nós de novo. 

Andamos quatro quarteirões antes de chegar Seul Coffe House, onde Jeon solta minha mão para abrir a porta e eu poder entrar. 

— Por que não escolhe uma mesa enquanto pego as bebidas? O que você vai querer? – pergunta ele, mais cortês do que nunca. 

— Vou querer... hã... um chá preto, com saquinho à parte. 

Ele ergue a sobrancelha.

— Nada de café? 

— Não gosto de café.

Ele sorri.

— Tudo bem, chá com saquinho à parte. Doce? 

 Por um momento, fico aturdido, achando que é uma palavra carinhosa, mas felizmente meu inconsciente se manifesta com os lábios contraídos. Não, burro, você quer seu chá adoçado? 

— Não, obrigado. – balanço a cabeça, e ele se encaminha para o balcão. Discretamente, olho para ele enquanto está na fila aguardando ser atendido. Eu poderia passar o dia inteiro olhando para ele... é alto, tem ombros largos, é esguio, e o jeito que aquelas calças caem nos seu quadril... Aí meu Deus. Uma ou duas vezes, ele passa aqueles longos dedos graciosos pelo cabelo agora seco, mais ainda revolto. Hum... eu gostaria de fazer isso. A ideia me vem à cabeça espontaneamente, e fico com o rosto em chamas. Mordo o lábio e torno a olhar para minhas mãos, não gostando do rumo que meus pensamentos rebeldes estão tomando.

— Um centavo pelos seus pensamentos? – Jeon volta e me pega de surpresa. Enrubesço. Eu estava pensando em passar os dedos pelo seu cabelo e me perguntando se seriam macios. Balanço a cabeça. Ele está trazendo uma bandeja, que deixa sobre a mesinha redonda de fórmica. Jeon me entrega uma xícara com um pires, um pequeno bule de chá e um pratinho com um saquinho solitário com o rótulo twinings korean breakfast – o meu preferido. Para ele, há uma xícara de café com o lindo desenho de uma folha na espuma do leite. Como eles fazem isso?, eu me pergunto. Jeon também comparou um muffin de blueberry para ele. Deixando a bandeja de lado, ele se senta à minha frente e cruza as pernas compridas. Parece tão confortável, tão à vontade em seu corpo, que o invejo. Aqui estou eu, toda atrapalho e descoordenado, quase incapaz de dar um passo sem cair de cara no chão.

— Em que está pensando? – pergunta ele.

— Está é o meu chá preferido.

Falo baixo, quase ofegante. Simplesmente não posso acreditar que estou sentada com Jeon Jungkook num café conhecido da cidade. Ele franze a testa. Sabe que estou escondendo alguma coisa. Ponho o saquinho de no bule e quase imediatamente o retiro com a colher. Enquanto coloco o saquinho usado no prato, ele inclina a cabeça e me olha intrigado.

— Gosto do meu chá puro e fraco – murmuro à guisa de explicação.

— Entendo. Ele é seu namorado? 

Que... O quê? 

— Quem?

— O fotógrafo. Min Yoongi.

Dou uma risada, nervoso porém curioso. O que lhe deu essa impressão? 

— Não. Yoongi é um grande amigo meu, só isso. Por que achou que ele fosse meu namorado? 

— Pelo jeito que sorriu para ele e ele sorriu para você. 

Seu olhar prende o meu. É enervante. Quero desviar os olhos mais estou preso. Enfeitiçado.

— Ele é mais como uma pessoa da família. – murmuro. 

Jeon assente com a cabeça, aparentemente satisfeito com a minha resposta, e olha para seu muffin. Seus dedos esguios puxam com destreza o papel, e observo, fascinado.

— Quer um pedaço? – pergunta, e aquele sorriso divertido e misterioso está de volta.

— Não, obrigado.

Franzo a testa e torno a olhar para minhas mãos.

— E o rapaz que conheci ontem na loja? Ele não é seu namorado? 

— Não. Paul é só um amigo. Eu lhe disse ontem. – ah isto está ficando ridículo. — Por quê?

— Você parece nervosa perto de homens.

 Caramba isso é pessoal. Só fico nervoso com você, Jeon.

— Você me intimida.

Fico vermelho, mas mentalmente me dou um tapinha nas costas pela sinceridade, e torno a abaixar os olhos. Ouço a respiração forte dele. 

— Você deve mesmo me achar intimidante. – ele assente — É muito honesto. Por favor, não olhe para baixo. Gosto de ver seu rosto. 

   Ah. Olho para ele, e ele abre um sorriso encorajador, mas irônico. 

— Você é um mistério, Sr. Park.

Misterioso? Eu? 

— Não tenho nada de misterioso.

— Acho você muito contido. – murmura ele.

Sou? Nossa. Como consegui isso? É desconcertante. Eu contido? De jeito nenhum. 

— A não ser quando enrubesce, claro, o que acontece com frequência. Eu só gostaria de saber por qual motivo estaria enrubescendo. 

Ele põe um pedacinho de muffin na boca e começa a mastigá-lo bem devagar, sem tirar os olhos de mim. E, pegando a deixa, enrubesço. Droga! 

— Você sempre faz esse tipo de observação pessoal? 

— Não tinha me dado conta que era tão pessoal. Eu o ofendi? – Ele parece surpreso.

— Não – respondo sinceramente.

— Ótimo. 

— Mas você é muito arrogante.

Ele ergue as sobrancelhas e, se eu não estou enganado, cora ligeiramente também. 

— Estou acostumado a fazer o que eu quero, Jimin – murmura ele. — A respeito de tudo. 

— Não duvido. Por que não me pediu para chamá-lo pelo primeiro nome? 

Fico admirado com a minha ousadia. Por que está conversa ficou tão seria? Isso não está sendo do jeito que eu imaginava. Não posso acreditar que estou me sentindo tão hostil perto dele. É como se ele estivesse tentando me assustar. 

— As únicas pessoas que me chamam pelo primeiro nome são meus familiares e alguns amigos íntimos. Prefiro assim.

Ah. Ele ainda não disse " Pode me chamar de Jungkook". Ele é maníaco por controle, não há outra explicação, e uma parte de mim está pensando que seria melhor se Tae tivesse entrevistado Jeon. Dois maníacos por controle juntos. E, claro, ele é loiro como todos os homens e mulheres do escritório dele. E ele é lindo, meu inconsciente me lembra. Não gosto da ideia de Jungkook e Tae. Dou um gole no meu chá, e Jeon come outro pedacinho de muffin.

— Você é filho único?

Opa... ele continua mudando de rumo.

— Sou.

— Fale de seus pais.

Por que ele quer saber? Isso é muito chato.

— Minha mãe mora em Busan com o novo marido. 

— E seu pai? 

— Morreu quando eu era bebê.

— Sinto muito – murmura ele, é uma aflição transparece fugazmente em seu olhar.

— Não me lembro dele.

— E a sua mãe casou novamente? 

Solto o ar com força.

— Pode-se dizer que sim.

Ele franze a testa para mim.

— Você não está contando muita coisa, não é? – diz ele secamente, esfregando o queixo, como se estivesse se concentrado em seus pensamentos.

— Nem você.

— Você já me entrevistou uma vez, e me lembro de algumas perguntas bem íntimas. – Ele dá um sorriso

Merda. Ele está se lembrando da pergunta de ser gay. Mais uma vez, estou mortificada. Daqui para a frente, sei que vou precisar de terapia intensiva para não me sentir tão envergonhado toda vez que me lembrar desse momento. Começo a tagarelar sobre minha mãe – qualquer coisa para bloquear aquele momento. 

— Minha mãe é maravilhosa. É uma romântica incurável. Já está no quarto marido.

Jungkook levanta as sobrancelhas, numa expressão de surpresa.

— Sinto falta dela – continuo. – Ela agora tem o Seungri. Só torço para ele conseguir tomar conta dela e ajudá-la e se reerguer quando seus projetos disparatados não saírem como planejado.

 Sorrio carinhosamente. Não vejo minha mãe há muito tempo. Jungkook está me observando com atenção, dando goles esporádicos no café. Eu realmente não devia olhar para sua boca. Isso me desestabiliza.

— Você se da bem com o seu padrasto? 

— Claro. Fui criada por ele. Ele é o único pai que conheço. 

— E como ele é? 

— Ray? Ele é... fechado. 

— Só isso? – pergunta Jeon, admirado.

Dou de ombros. O que esse cara espera? A história da minha vida? 

— Fechado como o enteado – provoca Jeon.

Esforço-me para não revirar os olhos.

— Ele gosta de futebol, especialmente o futebol europeu, de boliche, de pescar e fabricar móveis. Ele é marceneiro. Ex-militar. – suspiro.

— Você morreu com ele? 

— Morei. Minha mãe conheceu o Marido Número Três quando eu tinha quinze anos. Fiquei com o Ray.

 Ele franze a testa como se não entendessem.

— Você não quis morar com a sua mãe?  – pergunta ele. 

Isso realmente não é da conta dele.

— O Marido Número Três morava em Daegu... e você sabe minha mãe estava recém-casada.

Paro. Minha mãe nunca fala do Marido Número Três, é uma delas se transforma um homem que parte para o mundo dos negócios e o conquista sozinho. O que o levou para esse caminho? Os pais dele devem estar orgulhosos. 

— O que os seus irmãos fazem? 

— Yungyeom é construtor, minha irmã caçula está em Paris, estudando culinárias com um renomado chefe francês. 

A irritação cobre os olhos dele. Ele não quer falar de sua família nem dele mesmo.

— Ouvi dizer que Paris é linda – murmuro.

Por que ele não quer falar da família? Será que é por ser adotado? 

— É linda. Conhece? – pergunta ele, esquecendo da irritação.

— Eu núncia saí da Coreia. 

Voltamos às banalidades. O que ele está escondendo? 

— Gostaria de conhecer? 

— Paris? – emito um chiado. A pergunta me desconcerta. Quem não quer conhecer Paris? – Claro – concordo. – Mas eu gostaria de conhecer mesmo a Inglaterra.

Ele inclina a cabeça, passando o dedo indicador no lábios inferior… aí meu Deus...

— Por quê? 

Dou várias piscadelas rápidas. Concentre-se, Park. 

— É a terra de Shakespeare, Austen, das irmãos Brontë, de Thomas Hardy. Eu gostaria de ver os lugares que inspiraram essas pessoas e escrever tantos livros maravilhosos.

Essa conversa sobre expoentes da literatura me lembra que eu deveria estar estudando. Dou uma olhada no relógio.

— Preciso ir. Tenho que estudar.

— Para suas provas?

— É. Começam na terça-feira.

— Onde está o carro do Sr. Kim? 

— No estacionamento do hotel. 

— Acompanho você até lá.

— Obrigado pelo chá, Sr. Jeon. 

Ele dá aquele sorriso estranho de quem guarda um grande segredo. 

— De nada, Jimin. Foi um prazer. Venha – ordena ele, e estende a mão para mim. 

Seguro sua mão, perplexa, e saio do café atrás dele. 

Voltamos para o hotel, e posso dizer que num silêncio confortável. Ele pelo menos demonstra calma e serenidade de sempre. Quanto a mim, estou tentando desesperadamente avaliar como foi nosso encontro. Sinto como se tivesse sido entrevistado para um emprego, mas não tenho certeza para qual função.

— Você sempre usa Jeans? – pergunta ele do nada.

— Quase sempre. 

Ele assente com a cabeça. Estamos de novo no cruzamento em frente ao hotel. Minha cabeça dá voltar. Que pergunta estranha… E estou ciente de que nosso tempo juntos é limitado. Acabou. Acabou, e eu o desperdicei totalmente, eu sei. Talvez ele tenha alguém.

— Você tem namorada? – pergunto sem pensar. Droga! Eu acabei de dizer isso em voz alta? 

— Não, Jimin. Eu não quero saber de namorar – diz ele baixinho. Ah... o que ele quer dizer com isso? 

E, por um momento, acho que ele vai dar alguma explicação, alguma pista para essa declaração enigmática, mas ele não dá. Tenho que ir embora. Tenho que reorganizar meus pensamentos. Tenho que me afastar dele. Sigo em frente e tropeço, me estatelando no meio da rua.

— Que merda, Jimin! – exclama Jeon.

Ele puxa tão forte que minha mão que caio em cima dele bem na hora em que um ciclista passa a toda contramão, e por um triz não me atropela. 

Tudo acontece muito depressa – arrepende estou caindo, e em seguida ele está me apertando com força junto ao peito. Inspiro seu cheiro limpo e agradável. Ele exala um perfume de roupa recém-lavada e algum gel de caro. É embriagador, e impuro profundamente.

— Você está bem? – murmura levemente preocupado. 

Um de seus braços está em volta de mim, prendendo-me a ele, enquanto os dedos da outra mão percorrem meu rosto, sondando-me e me examinado com delicadeza. Seu polegar roça o meu lábio inferior e sua respiração falha. Ele está me olhando nos olhos, e fixo aquele seu olhar ansioso e ardendo por um momento, ou talvez para sempre… mas minha atenção é atraída para sua linda boca. E pela primeira vez em vinte e um anos quero ser beijado. Quero sentir sua boca na minha.



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