História Fifty Shades Of Grey (Kaisoo vers.) - Capítulo 55


Escrita por:

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Categorias EXO, Lu Han
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Lu Han, Xiumin
Tags Baekyeol, Chanbaek, Chenmin, Hunhan, Kaido, Kaisoo, Xiuchen
Visualizações 371
Palavras 7.185
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Hentai, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi amores, um cap maior pra recompensar o dia de hj 🎉🎂❤️

Capítulo 55 - Cinquenta e quatro


POV. Minseok

 

Dias antes da ligação do Jongdae...

 

- Mas o que aconteceu aqui? – perguntei vendo o local completamente destruído a minha frente. A cidade pequena transformada em entulhos e destroços.

 

- Suas armas senhor Kim. Algum terrorista teve acesso ao arsenal de guerra e fez isso em nome de algum grupo maior. – o homem vestido com o uniforme do exército do país disse ao meu lado me fazendo olhar aterrorizado a cena a minha frente.

 

Eu tinha conhecimento de que produzia armas de destruição em massa, eu não era tapado. Eu usava tecnologia para ajudar países a se defender de ameaças, nunca pensei que veria minhas armas traficadas sendo utilizadas para fins tão... Terríveis. Era um ramo difícil de se conviver, era estranho saber que eu praticamente produzia algo para matar alguém, mas é um mal necessário. Todo país necessita se defender de algum jeito e se armas são o que precisam para isso, não existe mal em produzi-las. Minha empresa é uma indústria bélica privada concentrada em pesquisa e criação de tecnologias bélicas de alto poder de fogo. Não me orgulho do meu trabalho, mas não desgosto dele.

 

As armas matam, mas nas mãos certas defendem. 

 

Jongdae sempre foi meio contra o ramo da minha empresa. Sua moral exagerada o fazia enxergar apenas o lado ruim da coisa, mas eu não o culpava. Todos me viam como o terrorista o cara mal que cria coisas para matar, mas em uma guerra eu seria visto como um herói, pois não se luta uma guerra sem armas.

 

Eu não ligava para a opinião de ninguém que não a de meu marido e de alguns parentes. Mesmo assim não me prolongava em discussões. Eles eram livres acreditavam no que lhe viessem a mente e eu não tinha nada com isso. Era uma profissão como outra qualquer e nenhum deles poderia querer mandar na minha vida.

 

- Eu não libero venda de armas para pessoas físicas. Ninguém na minha empresa libera na verdade. Todos os pedidos passam por mim antes de serem entregues ou produzidos, não existe a menor possibilidade de esses armamentos terem sido entregues por mim. – eu disse analisando os destroços da cidade. Eu não conseguia ver a necessidade em fazer mal a alguém como essas pessoas fizeram, não existia no mundo justificativa que tornasse isso menos horrendo. Ele massacrou uma cidade inteira com pessoas inocentes e isso não é algo que possa ser perdoado ou esquecido.

 

- Desconfiamos que não. Isso nunca aconteceu antes, mas existe a possibilidade de desvio de carga. – ele disse enquanto eu caminhava pelos destroços sentindo meu coração doer.

 

Saber que naquelas ruínas tinham famílias, pessoas inocentes com a vida pela frente me fazia odiar meu trabalho. Me fazia pensar em Jongdae. E se não fosse aqui? Fosse em Seul? Se fosse a minha casa, o meu marido, o que eu faria? Essas questões estavam cada dia mais presentes na minha mente eu sentia que não era isso que eu queria mais fazer.

 

- A carga é rastreada, eu saberia se ela fosse desviada. Alguém cometeu um erro e eu quero saber quem foi. – eu disse olhando os olhos verdes do homem a minha frente – Isso. – apontei para o cenário a nossa volta – Tem uma explicação e um causador eu quero os dois .– eu disse e o homem assentiu.

 

- Buscaremos suas respostas senhor, mas pediria que o senhor fornecesse mais munições aos homens do exército, estamos sem nenhuma praticamente. – assenti olhando para meu assistente pessoal que parecia apavorado com o cenário. Ele sim poderia ter sido atingido por um míssil e eu nem ligaria.

 

- Dongsu mande um recado para o setor de distribuição e peça para que mande munições para cá. – olhei para ele que assentiu. Meu sócio, Minho que estava esse tempo todo em silêncio me olhou com um sorriso reconfortante. Nos conhecemos na faculdade e resolvemos abrir essa empresa por que achávamos a ideia divertida, toda aquela sensação de ser Tony Stark. Realmente era um ramo lucrativo e tínhamos muito dinheiro, mas sentíamos falta do orgulho de ser produtor de armas. Eu sentia falta de ser reconhecido por algo bom.

 

- Os senhores irão para o hotel agora? – Dongsu, o animal do meu assistente pessoal perguntou e respirei fundo para não manda-lo para o inferno.

 

- Vamos ficar mais um pouco. Eu quero ver como ficou isso aqui. – eu disse sem ânimo. Saber que teria um dia difícil e não voltaria para casa e Jongdae estaria lá me esperando era simplesmente torturante.

 

- Tomem cuidado, não existe sobreviventes, mas pode haver alguém do grupo terrorista aqui. – o comandante do exército disse designando dois de seus soldados para ficar na nossa cola. Olhei para Minho dando um suspiro cansando.

 

- Como vai  o Jinki? – perguntei pelo seu marido enquanto começávamos a caminhas pelos destroços do local.

 

- Como sempre, quase morreu ao saber que eu viria para o oriente médio. – ele disse piscando os olhos castanhos rápido demais. – E o Jongdae?

 

- Surtou também, mas você conhece a peça. Ele odeia isso, mas sabe que é o que eu gosto de fazer e o que eu sei fazer, não iria se opor. –ele deu um suspiro cansado.

 

- Me pergunto como alguém consegue fazer isso. – ele disse com a voz distante, mas o ignorei vendo um movimento estranho embaixo de alguns destroços. Apertei os olhos tentando ver melhor, mas a poeira no vento não me permitia uma visão mais precisa do lugar.

 

- Ei vocês dois. – me virei para os soldados atrás de mim e eles franziram a testa.

 

- Sim senhor?

 

- Não houve sobreviventes mesmo? Vasculharam toda a área? – perguntei apresando o passo na direção em que vi algo se mover. Eu não estava louco eu tinha certeza disso, não estava vendo coisas. Me aproximei e vi Minho olhar na mesma direção que eu.

 

- Eu vi algo se mover ali. – ele disse olhando na mesma direção que eu e os soldados atrás de nós também olharam.

 

- Ontem após o ataque vasculhamos todos os locais com possíveis vitimas. Fizemos a retirada dos corpos, deve ser algum animal. – um deles disse e me aproximei do local sentindo meu coração disparar ao consegui focar a imagem mais perfeitamente. Não era loucura da minha cabeça, muito menos um animal. Era uma criança.

 

Eu vi o rosto pequeno entre as vigas e os restos do que um dia pode ter sido uma casa. Os olhos castanhos chorosos e o rosto sujo de fuligem e poeira. Me aproximei parando na frente de onde o que agora dava para reconhecer como um menino estava. Os soldados gritaram alguma coisa chamando a atenção do resto das pessoas a nossa volta e apenas encarei a criança me sentindo sem fala ao ver o sofrimento em seus olhos.

 

Os olhos castanhos e apertadinho como os de Jongdae. As bochechas gordinhas, a pele clara e os cabelos castanhos lisos me fizeram o assemelhar ao meu marido imediatamente. Vi ele erguer a mão entre as vigas como se me pedisse ajuda. Vi a mão gordinha e não consegui me segurar antes de erguer a mão e segurar a sua mão que estava gelada e suja. Eu o vi chorar e pensava em alguma maneira de ajuda-lo. Ouvi Minho gritar por ajuda e os soldados também se moverem, mas eu não conseguia desviar os olhos do garoto a minha frente. Apertei sua mão tentando lhe passar confiança.

 

- Vai ficar tudo bem. – eu não sabia se ele entenderia o que eu dizia, naquela área do oriente médio duas línguas eram vigente, o inglês e o árabe eu não sabia o que ele falava. Eu sentia o desespero que o coitado deveria está passando. Preso ali por mais de vinte horas, provavelmente sem ninguém ali com ele e com provavelmente toda a família morta. Me senti ser puxado e olhei para trás sem soltar a mão do garoto.

 

- MinSeok se afaste vamos retirar o garoto dali. – eu olhei para os olhos castanhos de Minho e senti a mão do menino apertar mais a minha como se ele compreendesse que eu teria que me afastar.

 

- MinSeok, por favor, se afaste, vão retira-lo dai você não vai ajudar ai. – ele disse e me senti amargurado em ter que me afastar. Soltei a mão dele o ouvindo chorar mais desesperadamente. Minho me puxou pelo braço para longe do garoto me olhando preocupado. – Você está bem? – ele perguntou e meus olhos voltaram para o garoto. Eu não conseguia vê-lo mais, apenas ouvia a voz dele em gritos esporádicos e vi os soldados se moverem ali.

 

Eu queria aquele garoto bem e ali comigo. Eu sentia que queria ele por perto. Talvez a semelhança com Jongdae ou por saber que a culpa dele está onde estava era minha. Respirei fundo tentando encontrar um ângulo em que conseguisse vê-lo. Vi o comandante se abaixar pegando algo no chão e quando ele se virou antes que eu conseguisse segurar minhas pernas se moveram na sua direção. O garoto com as roupas sujas e rasgadas no seu colo, o corpo pequeno e redondinho me fizeram suspirar aliviado por vê-lo bem. Ele chorava silenciosamente e quando parei diante dele seus braços se estenderam na minha direção o peguei vendo o comandante olhar a cena meio confuso.

 

Pouco me importei com o que acontecia a minha volta. Com as pessoas falando com a emergência chegando ou com as pessoas falando comigo. Eu apenas sentia a presença do pequeno ser acolhido em meus braços. Eu sentia a necessidade de protege-lo, de cuidar dele, de ama-lo. De devolver para ele a vida que lhe foi tirada.

 

Não me importe se teria que lutar contra muita coisa para tê-lo como meu filho, apenas o adotei no momento como tal.

 

[...]

 

- Eu sei Minho eu sei. – disse pela milésima vez o ouvindo dizer o quão aquilo era loucura, que eu tinha que consultar o Jongdae antes de tomar essa decisão, que eu teria que enfrentar um longo processo, que o garoto poderia ter algum problema, que isso e que aquilo. Eu estava pouco me fudendo para isso, era estranho, mas eu sentia que aquele garotinho era importante para mim. E se Dae o conhecer também sentiria isso. Nós sonhávamos com um filho, claro que planejávamos como qualquer outro casal ir a um orfanato e escolher um filho, mas nunca fomos convencionais, e ao que parece nosso filho havia me escolhido como pai e o escolheria também. Jongdae poderia não entender, eu poderia está sendo completamente egoísta, isso poderia dar errado e eu me ferrar todo meu casamento, mas eu não conseguia me imagina abandonado aquele garoto outra vez. Por minha culpa ele estava sozinho. Além de que eu não estava decidindo nada por Jongdae ou sem ele. Eu iria consulta-lo, eu iria querer que ele aceitasse o garoto também.

 

Depois que retiraram o garoto e ele foi para o meu colo e ele só saiu quando os médicos pediram para leva-lo para um check-up. Ele relutou em me soltar, mas depois de alguma insistência ele foi relutante. Estávamos no hospital nesse momento na recepção esperando que alguém me desse notícias dele.

 

- Não parece que sabe. – ele exclamou me olhando cansado – MinSeok ele é do oriente médio como vai levar esse garoto para Seul ? E o Jongdae? MinSeok , eu sei que você ficou mexido com isso tudo, mas por Deus, isso é loucura. – ele disse apenas suspirei.

 

- Eu entro na justiça, peço a guarda provisória dele. Ele não tem família, todos estão mortos. Ele iria para um orfanato ser adotado, só estou me disponibilizando a adotar. Pode custar um pouco, mas eu tenho coisa que facilita muito a minha vida: dinheiro. Eu pago o que quiserem faço o que quiserem. Eu quero ele. E quanto ao Jo, nós já planejávamos adotar um filho, Liam adora criança eu sei que ele vai ama-lo e eu só vou adota-lo em definitivo com a aceitação do Dae. Minho, eu posso demorar um ano para conseguir a guarda definitiva dele, mas ele vai ser meu filho. Eu o escolhi como meu filho e espero que o meu marido  também o aceite. – ele me olhou com certa compreensão e logo depois sorriu meio confuso.

 

- Eu sei como é. Quando eu e Jinki adotamos o  Sook foi um susto. Quando eu vi aquele ser pequeno me olhando com um carinho descomunal eu me apaixonei. Foi mágico. Ele me escolheu como pai. – ele disse com um brilho sonhador nos olhos. Eu sorri para ele.

 

- Eu sinto que quero ficar com ele. Ele me lembra o Jongdae sabia? Os olhos castanhos, o rosto angelical e gordinho. Eu não o vi sorrir, mas aposto que deve ter o mesmo jeitinho meigo que o Jongdae. – eu disse vendo-o  rir.

 

- Pelo menos vai ser parecido com um de vocês. – ele disse me deixei sonhar que aquilo aconteceria mesmo. – E se o seu marido não quiser? – Minho quebrou minha fantasia. – Ou o garoto não gostar dele? MinSeok é uma responsabilidade muito grande você tomar essa decisão sozinho. – eu suspirei jogando a cabeça para trás.

 

- Eu sei, mas se o Jongdae não quiser eu vou aceitar, é tudo provisório eu posso negar o processo a qualquer momento, além de que sem o Jongdae nada seria em definitivo você sabe. Eu não decido, ele vai decidir. Vai ser o que ele quiser. Eu quero tentar. Eu... não sei o que senti quando vi aquele garoto, mas... eu vou viver com qualquer que seja a resposta do Dae. – eu disse sabendo que colocaria a vontade dele acima da minha.

 

- O garoto pode se sentir rejeitado. – ele disse e assenti.

 

- Eu sei, vou fazer de tudo para que não seja. – eu disse vendo ele sorrir tentando me dar apoio.

 

[...]

 

Havia se passado uma semana, eu havia entrado com o processo de adoção provisória do Kenzo. Ele havia me dito seu nome no hospital e mais algumas coisas. Ele era a criatura mais fofa que eu conhecia, apesar de que eu não convivia muito com crianças. Além de fofo era esfomeado. Ele se sentia a vontade comigo e isso fez com que o juiz permitisse ele ficar no hotel comigo enquanto o processo corria para ele ter permissão de entrada na Coréia do Sul. Por ele ter menos de cinco anos, não ter nenhum parente vivo que tenha requisitado sua guarda e eu ter entrado na justiça pedindo sua guarda provisória eu sabia que esse processo não demoraria muito e eu poderia leva-lo para conhecer Jongdae e talvez receber a aceitação do mesmo.

 

Os exames dele não denunciou nenhum tipo de doença, mas que o tempo que ele passou no meio da poeira o deixou com alergia. Ele no começo era quieto, mas agora que pegou intimidade comigo parece que ele foi ligado no duzentos e vinte. Eu a cada dia ficava mais apaixonado com ele. E torcia para que meu marido o aceitasse como eu aceitei.

 

- Kenzo desce dai. – eu disse o vendo subir no sofá que havia no meu quarto pulando, ele assistia desenho na Tv enquanto eu trabalhava. Ele olhou para mim e riu pulando ainda mais alto. Coloquei o notebook ao meu lado me levantando com um sorriso nos lábios. – Você não me escuta não é? – eu disse o segurando pela cintura o pegando no colo, ele me abraçou pelo pescoço jogando a cabeça para trás.

 

- Eu escuto Tio Min, mas só assim você me dá atenção. – ele disse com o rosto vermelho e com um bico nos lábios. Eu ri caminhando para a cama me sentando com ele na cama.

 

- Eu passo praticamente o dia inteiro atrás de você. – eu o coloquei ao meu lado fechando o notebook. Ele me olhou tombando a cabeça para o lado. Era mentira, mas ele nem deveria saber disso.

 

- Quando vou conhecer o tio Jongdae? – ele perguntou e sorri de lado. Desde que eu disse que Jongdae era apaixonado com crianças e passaria o dia brincando com ele enquanto eu trabalhava ele estava muito interessado no meu marido. Eu não havia contado para ele, queria fazer uma surpresa, confesso que tenho medo da reação dele, ele pode amar, mas também pode odiar e se ele o fizesse eu sabia que abriria mão do garoto. Kenzo parecia apaixonado com a ideia de alguém brincando com ele o dia inteiro, além de apaixonado com a ideia de família. Esse conceito parecia estranho para ele.

 

- Em alguns dias. Amanhã eu vou ao juiz tentar novamente a liberação da sua guarda provisória, ok? Ai vamos para casa conhecer o Tio Dae. – eu disse vendo ele deitar na cama ao meu lado fitando o teto. Ele tinha três anos e faltava pouco para completar quatro, mas era esperto e falava como ninguém, era um garoto atento e carinhoso além de demonstrar certa carência.

 

- Será que ele vai gostar de mim? – ele perguntou mexendo as mãos ao lado do corpo. Me deitei ao seu lado estralando um beijo na sua bochecha.

 

- Ele vai te adorar. – eu disse sem muita convicção e bocejei. Essa rotina de ficar atrás do advogado, do presidente do país, de idiotas que embarcam coisas sem minha autorização, do Kenzo e de mil e três coisas eu estava morto. Nem para Jongdae eu estava ligando, apenas mandava mensagem três vezes ao dia. Além do medo dele me matar por está levando para casa algo que ele não poderia ver como um tipo de... sei lá, algo que não levasse em consideração a opinião dele.

 

- Então ele vai brincar comigo? – os olhos castanhos brilharam e acabei rindo bagunçando seus cabelos. Ouvi meu celular tocar e estranhei. Era difícil ter sinal aqui por isso quase esqueci qual o toque do meu celular. Peguei lendo ‘Amor’ no visor. Sorri inconscientemente, a saudades dele apertava a cada dia mais. Eu precisava daquele homem.

 

- Sim ele vai, agora fique quietinho que vou conversar com ele ok? – ele assentiu se concentrando em pegar algum de seus brinquedos recém-adquiridos sobre o criado mundo. Meu quarto de hotel parecia mais uma escolinha infantil nesses dias. Brinquedos e coisas infantis em todos os cantos. Respirei fundo antes de atender ao telefone. Ele poderia me odiar, mas na melhor das hipóteses eu estava tentando criar nossa família.

 

[...]

 

- Mas por que ele não me atende? – eu disse para Kenzo que me olhava confuso sentado na cama pronto para sairmos. Depois de alguns dias, quatro audiências, dois advogados, um intervenção do juizado de família da APEC  eu finalmente consegui a guarda provisória de Kenzo. Eles ainda mandariam o oficial de justiça verificar se eu realmente tinha marido e condições de cuidar de uma criança, se o ambiente na minha casa era saudável e mais uma palhaçada, além do mais importante, a assinatura e a concordância de Jongdae. E nesse meio tempo eu tentava falar com ele que desde a nossa última conversa não me atendia nem por reza brava, na verdade o celular vivia desligado ou fora da área de cobertura. – Merda, o que será que eu fiz? –me perguntei ouvindo a porta do quarto de hotel ser aberta e  Dongsu entrar por ela irritado. Eu o ignorei pensando que talvez Jongdae já tenha descoberto e talvez já esteja me odiando.

 

- Senhor Kim seu voo sai em uma hora, o aeroporto fica há quarenta minutos daqui, será que poderíamos ir? – ele falou com o tom de voz irritado e revirei os olhos para ele. Kenzo fez uma careta para ele, nem o garoto gostava dele.

 

- O avião é de quem? O piloto é de quem? Manda esperar! Eu quero falar com o Jongdae. – eu disse irritado e ele bufou. Digitei o numero de Dae novamente.

 

- Não é porque as coisas são suas e você paga o piloto que você tem o direito de fazer isso. Por isso vamos logo. – ele disse em tom de ordem e o olhei erguendo a sobrancelha.

 

- Bem então vamos fazer o seguinte. – eu disse perdendo a paciência com ele – Já que as coisas são minhas e eu não tenho esse direito, quem tem esse direito? Você? Meu querido, você acaba se demitir. – eu disse dando um sorriso de lado vendo ele arregalar os olhos.

 

- Senhor Kim, você não pode fazer isso. Eu não fiz nada! – eu girei os olhos me voltando para Kenzo que balançava as perninhas sobre a cama fitando a cena a sua frente sem interesse. Me aproximei estendendo os braços para ele que jogou o corpo na minha direção.

 

- Na verdade fez sim. Isso é para você aprender a não intervir na vida de um superior. Você era meu subordinado, não tem que me dar ordens. Agora vamos, em menos de três horas eu vou falar com o Jongdae pessoalmente .– eu disse passando por um Dongsu embasbacado. Ele não sabia com quem estava brincando.

 

- Tio Min.  – ouvi Kenzo dizer enquanto entravamos no carro, olhei para ele que me fitava com os olhos castanhos marejados.

 

- Sim? – ele puxou a barra do meu cachecol constrangido.

 

- Eu nunca mais vou ver papai e mamãe? – ele perguntou e senti meu coração apertar de pena. Ele não parecia ter entendido ainda que os pais não estavam mais entre nós. E eu não saberia explicar isso para ele.

 

- Kenzo, lembra o que eu te contei no hospital? Que seu papai e sua mamãe estavam no céu? – ele assentiu e sorri para ele acariciando os seus cabelos. – Você não vai vê-los, mas eles sempre estão te vendo. Eles estarão lá no céu te observando. – eu disse e ele deitou a cabeça no meu peito triste.

 

- Então eles me deixaram? – perguntou com a voz infantil embargada e suspirei beijando sua testa.

 

- Não eles foram tirados de você, mas agora você terá a mim e ao Jongdae se ele quiser. – eu disse e ele ergueu o olhar para mim.

 

- Vocês serão tipo meu papai? – ele perguntou curioso e acabei rindo.

 

- Isso tipo seu papai, mas deixa isso para mais tarde tudo bem? Teremos uma longa viagem pela frente e uma longa conversa com o Tio Dae. – eu disse observando a paisagem passando a nossa volta. Ele voltou a encostar a cabeça no meu peito suspirando.

 

- Será que Tio Dae vai gosta de mim? – ele perguntou sonolento e apenas respirei fundo.

 

- Eu não sei meu bem, mas eu espero que sim. – eu disse sentindo uma sensação ruim dentro de mim. Era a sensação que talvez eu tenha feito algo muito errado.

 

Talvez ele não fique tão feliz assim.

 

[...]

 

POV. Jongdae 

 

- “Jongdae eu não sei por que você não me atende, mas eu queria te dizer que estou morrendo de saudades e meu voo chega ai na sexta de manhã. Eu queria que você fosse me buscar no aeroporto, mas se não der tudo bem. Você poderia me atender antes disso, eu preciso ouvir sua voz. Eu sei que quando chegar eu terei muitas explicações para dar e talvez você não goste muito da sua surpresa, mas... eu quero que saiba que eu estava pensando em nós. Eu te amo não se esqueça disso. Estou voltando e espero que esteja tudo bem.” – ouvi o bip de final da gravação e revirei os olhos sentindo minhas lágrimas rolarem. Desgraçado mentiroso.

 

Havia passado alguns dias desde que consegui falar com ele, não sabia exatamente o que fazer com o que ouvi ou com o que estava sentindo, eu apenas sentia um buraco aberto no meu peito como se ele tivesse sacado uma de suas armas e me dado um tiro. Eu não sabia como, mas só de imaginar que ele estava com outro eu me sentia perdido.

 

Todo mundo me disse que não era para ser precipitado. Sehun me disse que ele não estaria fazendo algo assim e para o Oh dar opinião na minha vida à coisa estava feia. Jongin me disse que poderia ter outra explicação, que MinSeok não iria fazer isso comigo, que ele era completamente apaixonado por mim e nunca me trocaria ou me trairia por falta de sexo, mas eu não sabia de mais nada. Eu não sabia o que pensar, o que fazer e muito menos como agir.

 

Eu poderia está errado, mas aquilo havia deixado tudo tão confuso. Eu não queria acreditar que ele estava me traindo, mas não havia outra explicação.

 

- Jongdae? – ouvi a voz de Luhan e apenas puxei a coberta para cima do meu rosto me cobrindo por completo. Eu nem havia ido trabalhar hoje. Afinal é sexta-feira, a sexta em que ele iria chegar. – Kim Jongdae saia já dessa cama. – ele gritou e apenas suspirei cansado.

 

- Não, estou bem aqui. – minha voz saiu embargada e Lu riu.

 

- A drama queen da relação é o MinSeok, vamos levanta dai e vamos busca-lo no aeroporto. – revirei os olhos jogando a coberta para o lado.

 

- Não o Kenzo deve está lá, ele cuida do MinSeok. – eu disse com desprezo e Luhan suspirou sem paciência puxando a coberta de cima de mim.

 

- Levanta dai e para de drama. Você nem sabe quem é Kenzo, mas sabe com quem se casou. O MinSeok jamais te trairia. Depois de quase onze anos juntos você deveria confiar mais nele. Por Deus ele poderia está falando com um funcionário que estava, sei lá o ajudando em alguma coisa no quarto, ou com alguém do hotel. Poderia ser qualquer um  e você não vai saber quem era se continuar ai ouvindo a mesma mensagem chorando e pensando no quão mal marido o MinSeok é. – ele disse me puxando pelo braço e revirei os olhos. Luhan estava parcialmente certo, mas queria ver se essa racionalidade todo existiria se fosse o Sehun na conversa.

 

- Eu vou apenas por que você está me arrastando. – eu disse levantando da cama e ele sorriu satisfeita.

 

- Ótimo, vamos logo. O Jongin me deu o dia de folga apenas para acompanhar você. – ele disse e o observei se olhando no espelho. Seu rosto parecia mais saudável e mais redondo, talvez porque nos últimos dias ele anda enchendo a cara na comida. Mas ele estava saudável e bonito.

 

- Você está bonito.  – eu disse antes de entrar no banheiro e Luhan me olhou confusa.

 

- Terceira pessoa que me diz isso hoje. Será que é meu cabelo? – ele disse distraída e apenas entrei no banheiro me preparando para enfrentar Kim MinSeok frente a frente.

 

[...]

 

Olhei as pessoas desembarcando ali e suspirei derrotado. Meu coração insistia em bater mais acelerado apenas em pensar em ver aquele maldito moreno. Eu sentia meu corpo vibrar em antecipação só de imaginar os braços dele a minha volta, ou seus lábios colados aos meus. Gemi frustrado vendo Luhan me observar com o canto dos olhos.

 

- O que é? – perguntei mal humorado vendo ele rir.

 

- Saudades mata em Kim. – ele brincou e revirei os olhos para ele.

 

- Não sei do que você está falando. – falei cruzando os braços olhando o portão de desembarque de voos fretados. Lu riu se apoiando na pilastra atrás dele. Revirei os olhos vendo algumas pessoas com o uniforme da empresa de MinSeok saírem do portão. Senti minhas mãos tremerem e quando o vi sair com Minho ao seu lado eu quase corri na sua direção. O Choi tinha uma criança nos braços que brincava com os óculos dele e MinSeok apenas observava a cena com uma careta de desgosto. Avancei na direção dele a passos pesados e parei diante dele que sorriu radiante ao me ver. Ele continuava o mesmo, mas com um brilho ansioso no olhar.

 

- Jongdae... – o interrompi enfiando um soco na cara dele. Vi-o tontear e cair sentado no chão. Eu sorri me sentindo aliviado. Toda a raiva que eu sentia descontada naquele soco.

 

- Tio Min.  – ouvi um grito infantil vindo do garoto nos braços de Minho e olhei o ser. Arregalei os olhos estranhando. Vi o pequeno passar na minha frente parando na frente de MinSeok que segurava o queixo gemendo dolorido. – Tio Min? – ele chamou colocando as mãozinhas no rosto do meu marido o encarando. Suspirei vendo a cena. Era encantador ver MinSeok com uma criança. O ser de cabelos castanhos lisos se virou na minha direção com um bico nos lábios e o encarei franzindo a testa. Ele me lembrava a mim quando menor, os olhos castanhos o jeito gordinho. Sorri para o garotinho que se voltou para MinSeok que me encarava entre o confuso e o triste.

 

- Mas o que foi que eu fiz? – ele gritou e percebi que as pessoas já estavam reunidas a nossa volta. Luhan se aproximou parando ao meu lado e ele bateu no meu braço.

 

- Eu disse para não agir como um brutamonte idiota. – ele brigou comigo e vi MinSeok se erguer Minho puxou o garoto para longe dele  e continuei fitando o garoto que observava-o com quase devoção. MinSeok olhou para o garoto e sorriu para o mesmo com carinho. Franzi a testa, mas ignorei. Ele era uma criança eu não teria ciúmes de uma criança.

 

- O que eu posso fazer? Ele estava me traindo. – MinSeok arregalou os olhos agora realmente entristecidos. Ele parecia esperar o soco, mas por outro motivo.

 

- Eu não estava traindo você! Eu nunca faria isso. – ele disse exasperado e eu via a sinceridade na sua voz, mas eu tenho meu orgulho.

 

- Ah não, então quem é Kenzo? – eu perguntei e vi-o ficar constrangido.

 

- Podemos falar disso em casa? É complicado. – ele disse dando um suspiro cansado e cruzei os braços indignado.

 

- Ok, mas não ache que eu vou esquecer. – eu disse saindo arrastando Luhan pelo braço em direção ao meu carro virando as costas para um MinSeok um tanto perdido. Entrei batendo a porta e bati no volante com raiva. Ele era um cretino desgraçado, mas um cretino desgraçado que eu estava feliz em ver e queria voltar lá dentro e beijar.

 

- Eu odeio ele! – gritei irritado e Luhan se sentou ao meu lado com o cenho franzido.

 

- Jongdae você notou o garoto? – ele perguntou ignorando meu surto e olhei para Luhan dando de ombros. O que isso importava? Uma criança que se apegou a MinSeok, o que isso mudava?

 

- Deve ser o filho do Minho. Ele é lindo não é? – eu disse sonhador e Luhan bateu na minha testa. O garoto era realmente adorável, não entendi porque apanhei por dizer a verdade.

 

- Sim, me lembra você quando você era menor. Ele não me parece ligado ao Choi Minho. – ele disse e franzi a testa.

 

- Esquece isso, vamos estou louco para socar mais ele. – eu disse acelerando o carro ouvindo Luhan rir.

 

[...]

 

- Vamos Kim MinSeok explicações estou esperando. – já havíamos chegado ao nosso apartamento e eu o vi olhar em volta sorrindo, provavelmente saudades de casa. Bufei e vi Luhan ir em direção a cozinha seu novo cômodo favorito na casa. Me sentei no sofá e Min se sentou na mesa de centro de frente para mim, seus olhos castanhos próximos aos meus. Ele tinha a expressão preocupada e culpada.

 

- Eu fiz uma coisa. – ele disse hesitante e segurou minha mão senti meu corpo imediatamente ficar tenso – Uma coisa que planejamos há anos, mas nunca tomamos coragem de agir. Eu fui egoísta, precipitado, talvez um pouco irresponsável. Eu sei que deveria ter te avisado, mandado te chamar e tudo mais, mas eu não podia perder tempo. – eu franzi a testa mais ainda e ele me olhou serio – Você pode negar ok? O processo ainda está em andamento eu posso cancelar e tudo mais é tudo provisório. A decisão final é sua saiba disso. – ele disse e suspirou. – Sabe o garoto que estava com o Minho? – ele perguntou e assenti, já imaginado o que ele iria dizer. – Eu entrei com o pedido de adoção, ele é o Kenzo.  – ele disse culpado e por um momento tudo fez sentindo. As peças se encaixavam como um quebra cabeça.

 

Eu olhei em seus olhos e me levantei soltando sua mão. Eu andei de um lado a outro na sala de estar respirando fundo. Eu não estava bravo pelo menino, eu estava bravo por ele ter feito isso sem mim. Eu sabia que MinSeok era impulsivo, mas não esperava isso dele. Ele saiu do país apenas para isso? Eu não conseguia acreditar que ele tinha tomado essa decisão por mim. Eu estava magoado, indignado e fascinado. Apesar de completamente errado, as vezes as coisas acontecem por acaso, talvez com uma explicação de como ou porque, ele consiga me fazer entender o que aconteceu. Mas por enquanto eu não conseguia entender o motivo dele ter feito uma coisa dessas sem mim.

 

- MinSeok m... – eu disse ofegante me virando para ele que em encarou. – Como?

 

- Eu não queria fazer isso sem você, eu nunca quero fazer nada sem você. E você sabe disso amor. Nós estamos a mais de dez anos juntos e praticamente não vamos ao banheiro sem a opinião do outro. Eu queria que fosse como é para todos os casais, mas foi como aconteceu com a Youngni mãe do Jongin. Eu vi o que ele passou, eu causei isso, ele estava lá sozinho em um cenário nada agradável, passando o inferno. Eu vi você... Eu pensei em você. Nada justifica o que eu fiz. Eu sei, você nunca vai me perdoar, foi uma ideia idiota. Eu vou concertar isso. – ele disse se levantando antes que eu pudesse raciocinar direito. Eu o empurrei o fazendo sentar novamente.

 

- MinSeok, você lembra tudo o que nós planejamos? Você simplesmente passou por cima de tudo isso! – eu exclamei irritado e ele assentiu. Eu via o arrependimento no seu olhar assim como via a magoa ali.

 

- Eu sei, sinto muito.  – ele disse e percebi que ele estava triste muito triste na verdade. E arrependido.

 

- Eu sei que você quer um filho, mas não vamos adotar um garoto que você achou por ai. Eu sinto muito, mas eu não quero. – eu disse e ele assentiu se erguendo e parando na minha frente depositando um selinho em meus lábios.

 

- Eu entendo. Eu vou resolver isso não se preocupe. – ele disse com a voz embargada, mas se controlando bem – Eu senti sua falta. – ele disse me oferecendo um sorriso afetando, o abracei apertado me sentindo reconfortado de está em seus braços, ele me afastou saindo em direção a porta. Ele saiu e olhei para Luhan que fitava a cena sentada na bancada. Seus olhos castanhos estavam perdidos.

 

- Poderia me dizer por que minha vida não é normal? – ele riu e vi seus olhos marejados.

 

- Porque você se casou com Kim Minseok o ser mais não normal do mundo. – ele disse me aproximei a vendo comer uma maça.

 

- Acha que eu fiz o certo? – perguntei e Luhan deu de ombros.

 

- Eu não queria um filho, nem o Sehun, ele simplesmente aconteceu. Talvez se você desse uma chance para o menino, MinSeok não o escolheria do nada, nós dois sabemos que ele não é fã de desconhecidos, ele tem algo de especial que encantou o seu marido, talvez ele te encante também, mas você escolheu. Ele não fez por mal Dae, ele apenas achou que seria. – ele disse e se apoiou em mim para descer do balcão. – Vou para casa, meus pés estão inchados. – Lu disse beijando minha bochecha. – Pense a vida não é um planejamento completo a curvas no caminho. Esse foi um desvio do MinSeok.

 

- O problema não é esse, ele não poderia tomar essa decisão por mim. – eu disse e ele pegou a bolsa indo em direção à porta.

 

- Ele não tomou, ele deixou sua opção de negar e você negou e ele acatou. Ele apenas... se apaixonou pelo garoto é foi impulsivo. MinSeok sempre foi assim, ele teve ter pensado que o garoto é como um carro que ele traz de presente para você. – Luhan disse e piscou um olho para mim – Mas esqueça isso. Agora já foi, o garoto não vai ficar e você não vai precisar nem vê-lo. – ele saiu e me joguei no sofá. Era tanta coisa. Que eu nem sabia por onde começar a pensar.

 

[...]

 

POV. MinSeok 

 

Eu sabia, eu deveria ter imaginado. Eu sou um idiota! Pensei comigo mesmo enquanto dirigia para a casa de Minho. Eu o pedi para levar o Kenzo para conversar com Jongdae e agora ia em direção a uma despedida me sentindo amargurado.

 

A opinião de Jongdae era a que valia afinal éramos um casal eu não poderia ter tomado essa decisão por ele, eu não tomei na verdade eu apenas escolhi, mas se ele não queria eu não iria contra a sua vontade. Mas eu me apeguei ao menino. Ele me encantou. E agora eu teria que abandona-lo. Já tinha ligado para o advogado que me pediu para deixa-lo no orfanato mais próximo a minha casa e eu imaginava como eu iria fazer isso.

 

Respirei fundo descendo do carro na frente da casa do Minho. Vi os filhos dele brincando na grama e ele lá todo babão. Vi Kenzo sentado na escada em frente observando a cena. Senti meus olhos arderem, mas segurei as lágrimas ao vê-lo vir na minha direção correndo.

 

- Oi pequeno. – ele disse enquanto ele se jogava na minha direção me abraçando pelo pescoço. Eu o abracei apertado e respirei fundo. – Vamos, vou te levar em um lugar legal. – eu disse e vi ele me olhar com os olhos castanhos brilhando em curiosidade, eu sentia meu coração afundar. Eu teria que ser frio o suficiente para isso.

 

- Serio? Vamos conhecer o Tio Dae? – ele perguntou ansioso e apenas neguei com a cabeça sentindo as palavras me atingirem, não teria Tio Dae para ele.

 

- Não, você não vai conhecer o Tio Dae. Ele... Não pode conhecer você. – a expressão ansiosa foi substituída por uma tristonha e levemente decepcionada. Ele sentia a rejeição.

 

- Ele não gostou de mim não é? – ele perguntou e neguei com a cabeça.

 

- Não baby, apenas... Vamos, lá terá mais tias e tios para você. – eu respondi o colocando no carro vendo Minho acenar um tchau para mim. Acenei de volta seguindo para o orfanato do outro lado da cidade, meu advogado estaria lá me esperando para resolver isso.

 

[..]

 

Zitao cuidava da parte legal enquanto eu vi Kenzo andar entre as crianças com certo receio. Eu sentia meu coração bater cada segundo mais acelerado enquanto eu sabia que nunca mais o veria. Foi bom ser pai por alguns dias. Seria perfeito se Jongdae estivesse lá, mas foi bom enquanto durou. Foi divertido me sentir responsável por alguém, imaginar que ele seria o primeiro integrante da família Kim, mas não era bem assim. Jongdae em primeiro lugar e também depois eu resolveria isso.

 

Minha mente gritava egoísta, eu me sentia egoísta, mas ao mesmo tempo eu me sentia impotente. Não queria deixa-lo ali, queria saber que ele ficaria bem. Ele não era um objeto que eu pegava e devolvia. Eu estava tão perdido dentro de mim mesmo que nem sabia o que pensar, o que sentir. Eu apenas queria nunca tê-lo encontrado. Nunca ter planejado e nunca ter pensando que daria certo.

 

- Tio Min. – ele me chamou e vi Zitao acenar com a cabeça em sinal de que deveria me despedir. Fechei os olhos tentando esquecer os últimos dias. Eu deveria apagar esses dias, eu deveria apaga-lo da memória.

 

- Sim baby? – me abaixei a sua altura e ele colocou as mãos sobre minha bochecha molhada de lágrimas . Eu as deixa cair sem pudor. Não tinha por que conte-las afinal.

 

- Você vai me deixar aqui não é? Tio Dae não me quis você também não me quer. – ele afirmou e ofeguei sem conseguir segurar as lágrimas .

 

- Não, ele... Decidiu assim, não posso fazer nada, eu fui precipitado e egoísta, mas você não tem culpa. A culpa foi minha ok? Eu fiz besteira como sempre. Aqui você vai encontrar uma família que vai te amar como sua antiga família ok? – ele assentiu como se entendesse e vi seus olhos brilharem de lágrimas . Fechei os olhos o abraçando. – Foi bom ser seu pai de mentirinha ta? Nunca vou esquecer você, mas eu amo o Jongdae e... Não vou destruir o sonho dele de escolher nosso filho. – eu disse chorando no ombro do pequeno que me apertou contra ele.

 

- Tudo bem. Mamãe dizia que nada no mundo é mais importante que quem nós amamos. Eu vou ficar legal. – ele disse com uma maturidade que eu invejava. Me afastei beijando sua bochecha e limpei meu rosto.

 

- Sim você vai ficar legal sem mim. Aqui é legal, tem muitos coleguinhas para você, eles vão cuidar de você. – ele assentiu o rostinho vermelho pelo choro que ele não continha. Sorri tristonho me erguendo – Fique bem. – eu disse e ele assentiu fazendo os cabelos balançarem. Suspirei me afastando deixando o garoto para trás.

 

Eu teria que esquece-lo.

 

[...]

 

- Oi. – Jongdae disse quando entrei no nosso quarto e sorri para ele.

 

- Oi. – respondi me aproximando dele que me olhava enigmático. Ele estava deitado na cama já pronto para dormir. Eu havia enrolando antes de voltar para casa, apenas para a cara de choro passar, não queria que Jongdae se sentisse culpa ou algo do tipo. Eu iria esquecer, eu era bom nisso. Eu tinha medo que ele ficasse chateado ou algo do tipo, não queira brigar com ele não naquele momento.

 

- Min sobre o men...

 

- Não Jongdae, eu já dei um jeito em tudo ok? Vamos esquecer isso. Quanto tiver que ser estaremos juntos. – eu disse convicto e sorri para ele – Foi um erro, você sabe eu tenho a mania estranha de achar que sei das coisas, mas eu não sei de nada. Vamos ignorar que eu um dia fiz isso. – eu disse parando próximo a ele na cama me sentando ao seu lado. Ele me olhou atentamente colocando a mão no meu rosto. Ele sorriu de lado para mim se arrastando para mais perto beijando meus lábios com suavidades.

 

- Você está bem? – assenti controlando qualquer emoção que pudesse transparecer tristeza ou qualquer outra coisa. O puxei novamente o beijando mais demoradamente. Eu precisava daquele contato. A saudade que eu sentia dele me consumindo aos poucos agora era sanada com a doçura dos seus lábios. Nos afastamos e apoiei minha testa na dele fitando seus olhos castanhos.

 

- Eu estou ótimo, só acho que mereço uma noite belíssima de boas vindas. – disse piscando um olho malicioso para ele que sorriu malicioso para mim.

 

- Então tome seu banho  e vou te receber de acordo. – ele disse com as palavras carregadas de malícia. Sorri para ele me dirigindo ao banheiro.

 

- Volto em alguns minutos. – eu disse e me tranquei no banheiro apoiando na porta.

 

Eu era alguém egoísta e não merecia o marido que tinha, mas a partir daquele dia faria de tudo para merecer.

 



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