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História Fifty Shades Of Jeon - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


OIOIOIOI


Não morri🤡 desculpem a demora, minha vida tá uma desordem
Isso de dormir 8 horas por dia, cuidar da saúde mental, se alimentar bem, beber água pra cacete, conversar com os amigos e fazer um pouco da att em apenas 24 me deixa que nem o Fiuk

Em falar nisso vcs tão assistindo o bbb? Tão torcendo pra quem? Me contem


Sem mais enrolação, boa leitura 🎀🎉

Capítulo 6 - Capítulo 6


Fanfic / Fanfiction Fifty Shades Of Jeon - Capítulo 6 - Capítulo 6

         ᴊᴇᴏɴ ᴀʙʀɪᴜ ᴀ ᴘᴏʀᴛᴀ ᴅᴏ ᴘᴀssᴀɢᴇɪʀᴏ do seu Audi SUV preto, e eu subi. É um carro legal. Ele não mencionou a explosão de paixão que aconteceu no elevador. Deveríamos falar sobre que porra que aconteceu naquele elevador ou fazer a Kátia Sonsa?
Olho, Jungkook está como de costume: correto, educado e um pouco distante e muito confuso.


Ele liga o motor e abandona sua vaga no estacionamento. Liga o leitor de MP3. O interior do carro foi preenchido pela mais doce e mais mágica música que duas mulheres cantavam.
Uau... todos os meus sentidos estão em desordem, por isso estou duplamente afetado. Enviou arrepios deliciosos a minha coluna vertebral.
— O que estamos ouvindo?
— É o Dueto das Flores de Delibes, da ópera Lakmé. Você gostou?
— Jungkook, isso é incrível.
— É, não é?
Ele sorriu enquanto olhava para mim. E por um momento aparentou sua idade, jovem, despreocupado e bonito até perder o sentido da palavra. É esta a chave para chegar a ele? A música? Sento e ouço as vozes angélicas, sussurrantes e sedutoras.
— Pode voltar a tocá-la?
— Claro.
Jeon apertou um botão, e a música voltou a me acariciar.
Invadiu meus sentidos de forma lenta, suave e doce.
— Você gosta de música clássica? — Perguntei tentando descobrir algo de suas preferências pessoais que não sejam estranhas.
— Meu gosto é eclético, Jimin. De Thomas Talis a Kings of Leon. Depende do meu humor. E o seu?
— O meu também. Embora não conheça o Thomas Talis.

Se voltou em minha direção, olhou um instante e voltou a fixar os olhos na estrada.
— Algum dia te mostrarei algo dele. É um compositor britânico do século XVI. Música coral eclesiástica da época dos Tudor. — Ele sorriu — Parece muito esotérico, eu sei, mas é mágico, Park.

Pressionou um botão e começou a soar os Kings of Leon. Este eu conheço. "Sex on Fire." Muito oportuno. Repentinamente, o som de um celular interrompeu a música. Jungkook apertou um botão do volante.
— Jeon. — Respondeu bruscamente.
— Sr. Jeon, sou Kim. Tenho a informação que pediu.
Uma voz áspera e imaterial chegou através dos alto-falantes.
— Bom. Mande por e-mail. Algo mais?
— Nada mais, senhor.
Apertou o botão, a chamada encerrou e voltou a tocar a música. Nem adeus, nem obrigado, nem o mínimo de agradecimento. Estou tão feliz que eu nunca seriamente considerei trabalhar para ele.

Estremeço sozinho só de pensar. É muito controlador e frio com seus empregados. O telefone voltou a interromper a música.
— Jeon.
— Mandei por e-mail uma informação confidencial, Sr. Jeon.
Era uma voz de mulher.
— Bom. Isso é tudo.
— Tenha um bom dia, senhor.

Jungkook desligou ao pressionar um botão do volante. Logo que a música recomeçou, o telefone voltou a tocar. Nisto consistia sua vida, em constantes telefonemas irritantes? Que merda, e eu achava a minha entediante.
— Jeon. — Disse já sem tanta paciência.
— Olá, Jun. Transou com alguém?
— Olá, Hoseok... Estou no viva voz e não estou sozinho no carro.

Jungkook suspirou.

— Quem está contigo?

Ele balança a cabeça.
— Park Jimin.
— Olá, Minie!
— Olá, Hoseok.
— Me falaram muito de você. — Hoseok murmurou com voz rouca.

Jungkook franziu o cenho.
— Não acredite em uma palavra do que Taehyung te contou. Ele é um mentiroso!

Hoseok riu.
— Estou levando Jimin para casa. — Jungkook disse usando meu nome completo. — Quer que te leve?
— Claro.
— Vejo você mais tarde.

Jungkook desligou o telefone e a música voltou a tocar.
Quase chegamos a minha casa. Não demoramos muito.
— Park... — Disse pensativo.
Olhei com uma expressão má, mas ele não se importou.
— O que aconteceu no elevador... não voltará a acontecer. Bom, a menos que seja premeditado. — Ele disse.
Parou o carro em frente a minha casa. Dei conta, de repente, que não me perguntou onde eu morava. Deveria sentir medo? Deveria. Óbvio que deveria.
Mas é claro que ele sabia onde eu moro, pois me enviou os livros. Oque mais esperar de um caçador maluco que tem um rastreador de celular e é proprietário de um helicóptero?


E por que não vai voltar a me beijar? Faço um gesto de desgosto ao pensar nisso. Não o entendo. Honestamente, seu sobrenome deveria ser Enigmático, não Jeon. Ele saiu do carro, andando com facilidade, suas pernas longas deram a volta com graça ao redor do carro para o meu lado a fim de abrir a porta. Sempre é um perfeito cavalheiro, exceto, possivelmente, em estranhos e preciosos momentos em elevadores.
— Gostei do que aconteceu no elevador. — Murmurei ao sair do carro.

Não estou seguro se ouvi um ofegar afogado, mas escolhi fazer caso omisso e subi os degraus da entrada.
Tae e Hoseok estavam sentados à mesa. Os livros de quatorze mil dólares não estavam ali, felizmente. Tenho planos para eles. Tae mostrou um sorriso ridículo e pouco habitual, e sua juba despenteada lhe dava um ar muito sexy. Jeon me seguiu até a sala de estar, e embora Tae sorrisse com uma expressão de ter passado uma grande noite, o olhou com desconfiança.
— Até que enfim voltou Lontrinha
Levantou-se para me abraçar e no momento que me separou um pouco, me olhou de cima a baixo. Franziu o cenho e se voltou para Jungkook.
— Bom dia, Jeon! — Disse-lhe em tom ligeiramente hostil.
— Bom dia senhor Kim. — Respondeu em seu endurecido tom formal.
— Taehyung. O nome dele é Taehyung, Jungkook, — Hoseok resmungou.
— Taehyung
— Vou ver ele novamente esta noite.

Tae aplaudiu e pulou em mim como um menino pequeno. Não pode reprimir seu entusiasmo e sua alegria, e eu não pude evitar me alegrar. Kim Taehyung era muito contagiante. Era ótimo ver Tae feliz.
— Esta noite ele vai me levar a Seul.
— Seul?
— Seul.
— E possivelmente ali... vocês vão finalmente se pegar?
— Assim espero.
— Então você gosta dele, não é?
— Sim.
— Você gosta o suficiente para...?
— Sim... pelo menos eu acho que sim.

Ergueu as sobrancelhas.

— Uau. Por fim Park Jimin se apaixona por um homem, e é Jeon Jungkook, o bonito e sexy multimilionário.
— Claro, claro, é apenas pelo dinheiro.
Sorri afetadamente até que ao final tivemos ambos, um ataque de riso.
— Essa blusa é nova? — Perguntou-me.
Deixei que ele soubesse todos os detalhes desinteressantes sobre a minha noite.
— Ele já te beijou? —Perguntou enquanto preparava um café.
— Uma vez.
— Uma vez! Aí meu Deus! — Exclamou e eu assenti bastante envergonhado — Ele é muito, hum, reservado.
— Ele é estranho! Isso sim.
— Não acredito que a palavra seja "estranho" Tae
— Temos que nos assegurar de que esta noite esteja inesquecível. — Disse muito decidido.
Oh não... Já vejo que vai ser um tempo perdido, humilhante e doloroso.
— Tenho que estar no trabalho em uma hora.
— Podemos trabalhar nesse tempo. Vamos.

Tenho que convencer Tae de que quero fazê-lo. Por alguma estranha razão, ele não confiava em Jungkook, possivelmente porque fosse tão tenso e formal. Avisei que não saberia dizer como, mas prometi que lhe enviaria uma mensagem assim que chegasse a Seul. Não falei nada sobre o helicóptero para que ele não enlouquecesse.
Também havia a questão sobre Taemin. Havia três mensagens e sete chamadas perdidas suas no meu celular. Também ligou para casa, duas vezes. Tae tem sido muito vago a respeito de onde eu estou. Ele vai saber que Tae me encobre. Ele sempre era muito franco. Mas decidi deixar ele sofrer um pouco. Ainda estou zangado com ele.


Jeon comentou algo sobre uns papéis, e não sei se estava de brincadeira ou se ia ter que assinar algo. E para o cúmulo das desgraças, estou muito nervoso. Estou preparado por fim? Minha deusa interior me observava golpeando impaciente o chão com um pé. Faz anos que está preparada, e está preparada, para algo com alguém como Jeon Jungkook, embora ainda não entenda o que vê ele vê em mim... o pacato Park Jimin... Não fazia o menor sentido.


Era pontual, é obvio, e quando saí do trabalho, ele já me esperava, apoiado na parte de trás do carro. Abriu a porta para mim e sorriu cordialmente.
— Boa tarde, senhor Park. — Disse.
— Sr. Jeon
Inclinei a cabeça educadamente e entrei no assento traseiro do carro. Wonho estava sentado ao volante.
— Olá — Disse
— Boa tarde, Sr. Park — Respondeu-me em tom educado e profissional.
Jungkook entrou pela outra porta e brandamente me apertou a mão. Um calafrio percorreu todo meu corpo.
— Como foi o trabalho? — Perguntou
— Interminável. — Respondi com voz rouca, muito baixa.
— Sim, o meu também, pareceu muito longo.
—O que tem feito? — Consegui perguntar.
— Andei com Hoseok.
Seu polegar acariciava meus dedos por trás. Meu coração deixou de bater e minha respiração se acelerou. Como é possível que me afete tanto? Oque esse desgraçado tem?

Apenas tocou uma pequena parte de meu corpo, e meus hormônios dispararam. O heliporto estava perto, assim, antes que me desse conta, já havíamos chegado. Perguntei onde estaria o lendário helicóptero.
Estamos em uma zona da cidade repleta de edifícios, e até eu sei que os helicópteros necessitam espaço para decolar e aterrissar. Wonho estacionou, saiu e abriu minha porta. Em um momento, Jungkook estava ao meu lado e pegou minha mão novamente.


— Preparado? — Perguntou
Assenti. Queria lhe dizer: "Para tudo", mas estava muito nervoso para articular qualquer palavra.
— Wonho
Fez um gesto para o chofer, entramos no edifício e nos dirigimos para os elevadores. Um elevador! Isso de elevadores nunca acabam bem. A lembrança do beijo daquela manhã voltou a me obcecar. Não pensei em nada mais por todo o dia.
Jungkook me olhou com um ligeiro sorriso nos lábios bonitos. Ah! Ele também estava pensando no mesmo.
— São apenas três andares. — disse-me com olhos divertidos.
Tenho certeza que o filho da puta tem telepatia. É horripilante.
Pretendi manter o rosto impassível quando entramos no elevador. As portas se fecharam e aí está a estranha atração elétrica, crepitando entre nós, apoderando-se de mim. Fechei os olhos em uma vã intenção de dissipá-la. Ele apertou minha mão com força, e cinco segundos depois as portas se abriram no terraço do edifício. E lá estava, um helicóptero branco com as palavras ᴊᴇᴏɴ ᴇɴᴛᴇʀᴘʀɪsᴇs ʜᴏʟᴅɪɴɢs, ɪɴᴄ. em cor azul e o logotipo da empresa de outro lado. Certamente isto que é esfregar na cara das pessoas oque é dinheiro.
Ele me levou a um pequeno escritório onde um velho estava sentado atrás da mesa.
— Aqui está seu plano de vôo, Sr. Jeon. Revisamos tudo. Está preparado, lhe esperando, senhor. Pode decolar quando quiser.
— Obrigado, Joe. — Respondeu Jungkook com um sorriso quente.
Ora, alguém que merecia que Jungkook o tratasse com o mínimo de educação. Possivelmente não trabalhava para ele. Observei o ancião assombrado.
— Vamos. — Disse-me Jeon.
E nos dirigimos ao helicóptero. De perto era muito maior do que pensava. Suponho que seria um modelo pequeno, para duas pessoas, mas contava com, no mínimo, sete assentos. Jungkook abriu a porta e me indicou um assento na frente.

— Se sente. E não toque em nada. — Ordenou e subiu por trás de mim.
Fechou a porta. Fiquei feliz por que toda a zona ao redor estava iluminada, porque do contrário, nada se veria na cabine. Me acomodei no assento que me indicou e ele se inclinou para mim para atar o cinto de segurança. É um cinto de quatro pontos com todas as tiras se conectando a um fecho central. Apertou tanto as duas tiras superiores, que eu não podia me mover.
Ele estava tão próximo a mim, muito concentrado no que fazia. Se pudesse me inclinar um pouco para frente, afundaria o nariz em seu cabelo. Cheirava a limpo, fresco, divino, mas eu estava firmemente atado ao assento e não podia me mover. Levantou o olhar para mim e sorriu, como se lhe divertisse essa brincadeira que apenas ele entendesse. Seus olhos brilharam. 


Estava tentadoramente perto. Contive a respiração enquanto me aperta uma das tiras superiores.
— Está seguro Jimin. Não pode escapar. — Sussurrou-me. — Respire Anjo. — Acrescentou em tom doce.
Ele se proximou, acariciou meu rosto, correndo os dedos longos até meu queixo, que pegou entre o polegar e o indicador. Inclinou para frente e me deu um rápido e casto beijo. Fiquei impactado.
— Eu gosto deste cinto. — Sussurrou-me.
Como?
Ele se acomodou ao meu lado, atou-se ao seu assento e em seguida começou um processo de verificar medidores, virar interruptores e apertar botões do enorme gama de marcadores, luzes e botões na minha frente. Pequenas esferas piscaram luzinhas, e todo o painel de comando estava iluminado.
— Ponha os fones de ouvido — Disse apontando uns fones na minha frente.
Coloquei-os e o motor começou a girar. Era ensurdecedor. Ele também colocou os fones e seguiu movendo as alavancas.
— Estou fazendo todas as comprovações prévias ao vôo.
Ouvi a imaterial voz de Jungkook pelos fones. Se virou para mim e sorriu.
— Sabe o que faz? — Perguntei.
Voltou para mim e sorriu.
— Fui piloto por quatro anos, Jimin. Está a salvo comigo. — Disse sorrindo de orelha a orelha. — Bom, ao menos enquanto estivermos voando. — Acrescentou com uma piscadela.
Piscando... Jeon!
— Pronto?
Concordei com os olhos muito abertos.   

O helicóptero se elevou pelos ares lentamente. A cidade desapareceu enquanto adentrávamos ao espaço aéreo, embora meu estômago ficasse ancorado no chão. 

Uau! As luzes se reduziram até converterem-se em uma ligeira piscada a nossos pés. É como olhar para o exterior de um aquário. Uma vez no alto, a verdade é que não se vê nada. Está tudo muito escuro. Nem sequer a lua iluminava um pouco nosso trajeto. Como poderia ver por onde vamos?
— Inquietante, não é? — Jungkook disse pelos fones.
— Como sabe que vai na direção correta?
— Aqui. — Respondeu assinalando com seu comprido dedo um indicador com uma bússola eletrônica. — É um Eurocopter EC135. Um dos mais seguros. Está equipado para voar a noite. — Olhou e sorriu, — Em meu edifício há um heliporto. Dirigimos para lá.
Óbvio que em seu edifício havia um heliporto. Senti-me totalmente por fora. As luzes do painel de controle lhe iluminavam ligeiramente o rosto. Estava muito concentrado e não deixava de controlar os diversos mostradores situados em frente a ele. Observo seus traços com todos os detalhes. Tem um perfil muito bonito, o nariz reto e a mandíbula quadrada.
Eu gostaria de deslizar a língua por sua mandíbula. Na verdade eu gostaria de deslizar minha língua por Jeon Jungkook inteiro.
— Quando voa de noite, não vê nada. Tem que confiar nos aparelhos. — Disse interrompendo minha fantasia erótica.
— Quanto durará o vôo? — Consegui dizer, quase sem fôlego.
Não estava pensando em sexo, de jeito nenhum...
— Menos de uma hora... Temos o vento a favor.
Menos de uma hora para Seul... Nada mal.
Claro, estávamos voando.
Eu tenho menos de uma hora antes da grande revelação. Sinto todos os músculos da barriga contraídos. Reproduzemem meu estômago. O que me terá preparado?
— Você está bem, Jimin?
— Estou.
Respondi com a máxima certeza porque os nervos me oprimiam.

Acredito que ele sorriu, mas é difícil ter certeza na escuridão. Jungkook acionou outro botão.
Ele trocava informação com o controle de tráfego aéreo. Me soou tudo muito profissional.
— Olhe. Aquilo ali é Seul.
— Você faz isso? Impressionar assim às pessoas? "Venha dar uma volta em meu helicóptero"? — Perguntei realmente interessado.
— Nunca trouxe ninguém ao helicóptero, Jimin. Também isto é uma novidade pra mim. — Respondeu em tom tranquilo, embora sério.
Ora, não esperava esta resposta. Definitivamente não.
— Está impressionado Anjo?
— Me sinto sobressaltado, Jungkook.
Ele sorriu.
— Sobressaltado?
Por um instante demonstrou ter sua idade.
Assenti.
— Você faz tudo... tão bem.
— Obrigado, Sr. Park — Disse sorrindo.
Durante um momento atravessamos a escura noite em silêncio. O ponto de luz de Seul ficava cada vez maior.
— Está claro que você se diverte. — Murmurei.
— O que?
— Voar. — Respondi
— Exige controle e concentração... como não iria me encantar? Embora o que mais gosto é planejar.
— Planejar?
— Sim. Vôo sem motor, para que me entenda. Planadores e helicópteros. Piloto as duas coisas.
— Ah! Entendi, eu acho.
Passatempos caros. Lembrei que me disse isso na entrevista.

— Charlie Tango, adiante, por favor, câmbio.
A voz imaterial do controle de tráfego aéreo interrompeu minhas fantasias. Jeon respondia em um tom seguro de si mesmo.
Seul estava cada vez mais perto. Agora estamos nos subúrbios.
Uau! Isso era absolutamente impressionante.
— É lindo, não acha? — Perguntou Jungkook em um murmúrio.
Assenti entusiasmado. Parecia de outro mundo, irreal, e sinto como se estivesse em um gigante estúdio de cinema, possivelmente no filme favorito de Taemin, Blade Runner.

A lembrança de Taemin tentando me beijar me incomodava bastante. Começo a me sentir um pouco cruel por não ter respondido a suas chamadas. Mas tenho certeza que ele pode esperar até a manhã.
— Chegaremos em alguns minutos. — Jeon murmurou.
E de repente senti meus ouvidos zumbirem, o coração disparar e a adrenalina percorrer meu corpo. Ele recomeçou a falar com o controle de tráfego aéreo, mas já não o escutava. Acreditava que iria desmaiar. Meu destino estava em suas mãos.
Voamos entre edifícios, e em frente a nós vi um arranha céu com um heliporto no terraço. A palavra “Escala” estava pintada em branco no topo do edifício. Estava cada vez mais perto, ia aumentando... como minha ansiedade. 

Agarrei-me à borda de meu assento cada vez com mais força. Eu posso fazer isso, eu posso fazer isso, repetia como um mantra enquanto nos aproximávamos do arranha céu.
O helicóptero reduziu a velocidade e ficou suspenso no ar. Jeon aterrissou na pista do terraço do edifício. Tinha um nó no estômago. Não saberia dizer se eram nervos pelo que iria acontecer, ou alívio por termos chegado vivos, ou medo que a coisa não acontecesse bem.
Desligou o motor, e o movimento e o ruído do rotor diminuiu até que, só o que se ouvia era o som da minha respiração entrecortada. Jungkook retirou os fones e se inclinou para tirar os meus.
— Chegamos. — Disse-me em voz baixa.
Seu olhar era intenso, a metade na escuridão e a outra metade iluminada pelas luzes brancas de aterrissagem. Uma metáfora muito adequada para Jungkook: o cavalheiro escuro e o cavalheiro branco. Parecia tenso. Cerrou a mandíbula e entrecerrou os olhos. Abriu seu cinto de segurança e se inclinou para abrir o meu. Seu rosto estava a centímetros do
meu.
— Não tem que fazer nada que não queira fazer. Você sabe, não é?

Seu tom era muito sério, inclusive angustiado, e seus olhos, ardentes. Me pegou de surpresa.
— Nunca faria nada que não quisesse fazer, Jungkook.
E enquanto lhe dizia, sentia que não estava de todo convencido, porque nestes momentos certamente faria algo pelo homem que estava sentado ao meu lado. Mas minhas palavras tiveram o efeito desejado e Jungkook se acalmou.

Me encarou um instante com cautela e logo, apesar de ser tão alto, se moveu com elegância até a porta do helicóptero e a abriu. Pulou, me esperou e agarrou minha mão para me ajudar a descer à pista. No terraço do edifício havia muito vento e eu estava nervoso com fato de estar em um espaço aberto a uns trinta andares de altura. Jungkook passou o braço pela minha cintura e me puxou firmemente contra ele.
— Vamos. — Gritou por cima do ruído do vento.
Me arrastou até um elevador, digitou um número em um painel, e a porta se abriu. No elevador, completamente revestido de espelhos, fazia calor. Digitou outro código, e as portas se fecharam e o elevador começou a descer.

Em poucos momentos estávamos em um vestíbulo totalmente branco. No meio havia uma mesa redonda de madeira escura com um enorme buquê de flores brancas. As paredes estavam cheias de quadros.
Abriu uma porta dupla, e o branco se prolongou por um amplo corredor que nos levou até a entrada de uma sala palaciana. É o salão principal, de teto muito alto. Qualificá-lo de "enorme" seria pouco. A parede do fundo era de cristal e dava em uma sacada com uma magnífica vista da cidade. Gente rica e foda.
À direita havia um imponente sofá em forma de “U” que permitiam sentar comodamente dez pessoas. Frente a ele, uma lareira ultramoderna de aço inoxidável. O fogo aceso iluminava brandamente. À esquerda, junto à entrada, estava a área da cozinha. Toda branca, com as bancadas de madeira escura e um bar em que podiam sentar seis pessoas.

Junto à área da cozinha, em frente à parede de cristal, havia uma mesa de jantar rodeada de dezesseis cadeiras. E no fundo havia um enorme piano negro e resplandecente.
Claro... certamente também tocava piano. Em todas as paredes havia quadros de todo tipo e tamanho. Em realidade, o apartamento parecia mais uma galeria que uma moradia.
— Quer me dar a sua jaqueta? — Jungkook perguntou.
Nego com a cabeça. Ainda estava com frio da pista do helicóptero.
— Quer tomar uma taça? — Pergunta.
Pisquei. Depois do que se passou ontem? Está de brincadeira com a minha cara ou o que? Por um segundo pensei em lhe pedir uma marguerita, mas não me atrevi.

— Eu tomarei uma taça de vinho branco. Você quer uma?
— Sim, obrigado. — Murmurei.
Me sentia incômodo neste enorme salão. Me proximei da parede de cristal e me dei conta de que a parte inferior do painel se abria a sacada em forma de acordeão. Abaixo se via a cidade iluminada e animada. Volto para a área da cozinha, demorei uns segundos, porque estava muito longe da parede de cristal, onde Jungkook abria um vinho. Retirou sua jaqueta.
— Acha que está bem um Pouily Fumei?
— Não tenho a menor ideia sobre vinhos, Jungkook. Mas estou certo de qual você escolher será perfeito.

Falei em voz baixa e entrecortada. Meu coração batia muito depressa.
Queria sair correndo. Isto era luxo de verdade, de uma riqueza exagerada, tipo Bill Gates.
O que eu estava fazendo aqui? Sabia muito bem o que estava fazendo aqui, falou meu subconsciente. Sim, quero ir para cama com Jeon Jungkook.

— Toma. — Disse ao estender uma taça de vinho.
Até as taças são luxuosas, de cristais grossos e muito modernos.
Tomei um gole. O vinho era ligeiro, fresco e delicioso.
— Você está muito quieto, isso é estranho e nem mesmo está corado. A verdade é que acredito que nunca te vi tão pálido Jimin. — Murmurou. — Está com fome?
Neguei com a cabeça.
— Que casa tão grande.
— Grande?
— Grande.
— É grande. — Admitiu com um olhar divertido.
Tomei outro gole do vinho.
— Sabe tocar? — Perguntei-lhe apontando para o piano.
— Sim.
— Bem?
— Sim.
— Claro que sim, como não. Há algo que não faça bem?
— Sim... umas duas ou três coisas.

Tomou um gole de vinho sem tirar os olhos de cima de mim. Sinto que seu olhar me seguia quando me virei e olhei o imenso salão. Mas não deveria chamar-lhe "salão".
Não é um salão, a não ser uma declaração de princípios.
— Quer se sentar?
Concordei com a cabeça. Agarrou minha mão e me levou ao grande sofá de cor nata. Enquanto me sentava, assaltava a ideia de que pareço Tess Durbeyfield observando a nova casa de Alec d'Urbervile. A ideia me fez sorrir.

— O que te parece tão divertido?
Estava sentado ao meu lado, me olhando também sorrindo. Descansava a cabeça sobre a mão direita e o cotovelo estava apoiado na parte de trás do sofá.
— Por que me deu de presente precisamente Tess, de D'Urberville?

Jungkook me olhou fixamente um momento. Acredito que lhe surpreendeu minha pergunta.
— Bom, você me disse que gostava de Thomas Hardy.
— Só por isso?
Até eu sou consciente de que minha voz soava decepcionada. Ele apertou os lábios.
— Me pareceu apropriado. Eu poderia te empurrar para algum ideal impossível, como Angel Clare, ou te corromper completamente, como Alec d'Urbervile. — Murmurou.
Seus olhos brilharam impenetráveis e perigosos.
— Se apenas houver duas possibilidades, escolho a corrupção. — sussurrei enquanto o encarava.
Jungkoom ficou boquiaberto.
— Anjo, deixa de morder o lábio, por favor. Me desconcentra. E você não sabe o que diz.
— Por isso estou aqui.
Franziu o cenho.
— Sim. Um momento

Desapareceu por uma grande porta no outro extremo do salão. Voltou em dois minutos com uns papéis nas mãos.
—Isto é um acordo de confidencialidade. — Encolheu os ombros e pareceu ligeiramente incômodo. — Meu advogado insistiu.

Estendeu os papéis. Fiquei totalmente perplexo.
— Se escolher a segunda opção, a corrupção, terá que assiná-los.
— E se não quiser assinar nada?
— Então fica com os ideais de Angel Clare, bom, ao menos na maior parte do livro.
— O que implica este acordo?
— Implica que não pode contar nada do que aconteça entre nós. Nada a ninguém.

Observei sem dar crédito. Merda. Tem que ser ruim, ruim de verdade, e agora tenho muita curiosidade por saber do que se trata.
— De acordo, assinarei.
Me estendeu uma caneta.
— Nem sequer vai ler?
— Não.

Franziu o cenho.

— Jimin, sempre deveria ler tudo o que assina, ninguém nunca te ensinou isso?
— Jungkook, o que não entende é que em nenhum caso falaria sobre nós com ninguém. Nem sequer com Taehyung. Assim que dá no mesmo se assinar um acordo ou não. Se for tão importante para você ou para seu advogado... que é óbvio que você falou de mim para ele, de acordo. Assinarei.

Observou-me fixamente e assentiu muito sério.

— Boa observação, Park.
Assinei as duas cópias e lhe devolvi uma.
— Quer dizer que com isso você vai fazer amor comigo Jeon?

Maldito seja! Acabei de dizer isso? É sério? Abri ligeiramente a boca, mas em seguida me recompus.
— Não, Jimin, não quer dizer isso. Em primeiro lugar, eu não faço amor. Eu fodo... duro. Em segundo lugar, temos muito mais papelada que arrumar. E em terceiro lugar, ainda não sabe do que se trata. Ainda poderia sair correndo. Vem, quero te mostrar meu quarto de jogos.

Fiquei boquiaberto.
Fodo duro! Minha mãe. Isso soa tão... quente e depravado.
Mas por que vamos ver um quarto de jogos?
— Quer jogar Xbox? — Perguntei-lhe.

Riu.

— Não, Anjo, nem Xbox, nem PlayStation. Venha.
Levantou-se e me estendeu a mão. Deixei que me levasse de volta para o corredor. À direita das portas duplas, de onde viemos havia outra porta que dava a uma escada.
Subimos ao andar de cima e viramos à direita. Retirou uma chave do bolsinho, virou a fechadura de outra porta e respirou fundo.
— Você pode partir em qualquer momento. O helicóptero está preparado para te levar aonde queira. Pode passar a noite aqui e partir amanhã pela manhã. O que disser, para mim, estará bem.
— Abre a maldita porta de uma vez, Jungkook

Abriu a porta e se afastou a um lado para que eu entrasse primeiro.
Voltei a olhá-lo. Queria saber o que havia ali dentro. Parei e entrei.
E senti como se ele tivesse me transportado ao século XVI, à época da Inquisição espanhola.

Puta. Merda.




Notas Finais


👉☻👈
Tô assim


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