História Filha de Eva - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Tags Adão, Anjos, Demonios, Eva, Flora, Lillith, Lucifer, Magia, Romance, Sexo
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Palavras 2.059
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Boa leitura

Capítulo 3 - Adotada


Fanfic / Fanfiction Filha de Eva - Capítulo 3 - Adotada

Assim que ele estacionou na frente da casa da minha mãe eu saltei do carro pulando as possas de água que se formava na terra e corri para a entrada. Aquela velha casa rural parecia mais agoniante do que nunca. Havia uma varanda que se estendia por toda a extensão da casa, as paredes eram revestidas de madeira com uma pintura cor de creme já começando a descascar, as janelas eram de madeira e não era tão velha porque a menos de um ano Evangeline havia trocado todas elas, ela tinha samambaias que cuidava mais do que do próprio cabelo, junto com uma cadeira de balanço apoiada na parede.

Revirei minha bolsa atrás da chave e depois de entrar em desespero por não achá-la meus dedos alcançaram o frio do metal pra acompanhar o frio que minha alma sentia.

-Flora? –Moises chamou. –Quer mesmo ficar aqui?

-Tem alguma coisa acontecendo. –Abri a porta e entrei na sala escura. –Eu tenho que descobrir o que é. –Disse ascendendo a luz.

E tudo estava ali na minha frente do jeito que sempre foi. As persianas em um tom vinho cobriam as janelas, o sofá bege estava no centro, com uma mesinha em sua frente com uma bíblia e os óculos dela, o assoalho era de madeira já gasta pelo tempo mais uma boa camada de cera o deixava mais brilhante, tinha quadros pendurados nas paredes de paisagens e no centro uma de nós duas em uma apresentação da maternal.

Uma lágrima fria nasceu nos meus olhos deixando minha visão turva, fechei os olhos com força e puxei o ar quando senti a lágrima descer pela lateral do meu nariz e morrer nos meus lábios.

-Ficarei aqui com você. –Ele disse pegando a lateral do meu rosto quando passou para minha frente.

Suas mãos quentes levantaram meu rosto e eu me vi obrigada a abrir os olhos e o encarar, e lá estava aquele par de olhos que tiravam minha percepção do que acontecia a volta. Foi então que seu dedinho se estendeu até onde a lágrima havia passado e a secou gentilmente. Senti o ar se perder nos meus pulmões e brevemente senti um conforto por estar ali.

-Flora. –Ouvi a voz da Ágata chamando quando ela entrou na casa, e como se despertássemos de um transe nós afastamos agilmente e ambos pareceram desconfortáveis com a situação.

“Merda” Pensei comigo mesma.

-Atrapalhei algo? –Ela perguntou com um sorriso malicioso.

-É... Não... –Moises falou se bagunçando com as palavras.

-Vamos tirar essas roupas molhadas. –Falei subindo a escada íngreme para ir aos quartos.

Minhas pernas pareciam que arrastava por aquele corredor escuro com uma bola de ferro porque o quarto nunca chegava.  Abri a porta do quarto que antes era meu e continuava tudo no mesmo lugar como eu já esperava.

O papel de parede tinha flores, minha penteadeira branca com minhas velhas maquiagens estava perto da janela, minha cama com o edredom preto centrava no quarto. Fui até a penteadeira e a ponta dos meus dedos tocaram a madeira limpa.

“-Acho que ficou lindo esse corte”. - Evangeline dizia enquanto estava em pé atrás de mim com as mãos no meu cabelo.

-Eu to parecendo uma abobora mãe. –Retruquei.

-Ele vai amar minha querida.

-Amar? Olha pra mim. – Esbravejei. –Vou ser motivo de piada.

-Eu falei que se você mesma corta-se seus cabelos não seria boa coisa. –Ela gargalhou. –Vou te ensinar um truque meu pequeno pedacinho de anjo. “

Eu sabia que aquelas lembranças me machucavam, mais eu amava ainda amo lembrar-se do rosto dela, e vou me amaldiçoar se algum dia esquecer-se da menor ruga possível que ela levava na pele, se eu esquecer o formato do seu sorriso ou do brilho dos teus olhos.

Fui até meu guarda roupa e peguei uma calça de moletom e uma blusa branca justa e enfiei tudo no corpo.

-Pode pegar o que quiser. –Falei para Ágata quando ela entrou e eu prendia meu cabelo em um coque alto e logo em seguida coloquei o calor no bolso da calça.

-Eu acho que tenho roupas do Alan por aqui. –Falei ficando na ponta dos pés mexendo nas roupas.

Achei então um moletom imenso preto e uma calça jeans que caberia facilmente duas de mim, coloquei tudo no ombro e já iria descendo quando parei com as mãos na maçaneta.

-Ágata. –Chamei enquanto ainda dava as costas para ela. –Obrigada.

Passei pelo corredor rapidamente e desci as escadas mais rápido do que imaginava.

-Você pode vestir isso. –Falei estendendo as roupas para Moisés que estava num canto da sala olhando para uma porta retrato. –Se quiser ficar, claro.

-Eu quero. –Ele falou depois de alguns segundos me olhando.

Fui até a cozinha abri o armário e peguei a garrafa de uísque que sempre estava ali em um ciclo eterno de esvazia e compra outra. Enchi um copo até o topo e comecei a virar o liquido, e enquanto eu sentia o liquido queimar na minha garganta e fazer meu estômago esquentar, meu corpo se acalmava. Bati com o copo vazio no balcão e enchi outro e fiz a mesma coisa.

-Vai com calma peoa. –Ágata disse chegando à cozinha.

-Não enche. –Brinquei apontando pros copos pra que ela pega-se um.

-Me oferece? –Perguntou Moisés parando do outro lado do balcão.

Enchi o copo tomei um longo gole e estendi o copo a ele, que virou com extrema facilidade.

-Quando vai nos contar o que houve? –Ágata perguntou.

-Minha tia me deu isso. –Falei colocando o cordão sobre o granito do balcão.

-O que é isso? –Moises perguntou abrindo o pingente.

-Não sei, quando eu liguei para ela, tudo que me disse é que eu tenho que descobrir sozinha.

-Pode estar relacionado com a morte da sua mãe? –Ágata perguntou.

-Eu acredito que sim. –Suspirei. –Se ela estava na estrada, a pé é porque provavelmente estava fugindo, ela nunca foi de andar por esses caminhos sempre pegava o carro, e tudo que ela pegou na fuga foi esse colar.

-Não faz sentido. –Ela falou.

-É como se ela quisesse te falar algo. –Moises falou tomando mais um gole da bebida.

-Por isso eu vim pra cá. –Peguei o copo da mão dele e tomei um pouco. –Preciso descobrir que rosto é esse.

-Então vamos vasculhar tudo. –Ágata disse.

-Exato. –Falei determinada.

Ágata já saiu da cozinha e foi na sala e começou abrir as gavetas do móvel e olhar tudo que havia lá dentro.

-Acho que devemos fazer o mesmo. –Moises disse. –E chega de beber por enquanto Flora. –Ele disse colocando a mão no copo o parando enquanto o levava a boca.

-É você está certo.

-Por onde devo começar? –Ele perguntou.

-Eu... –Olhei a minha volta. –Eu realmente não sei, por onde quiser.

Ele então sorriu brevemente e começou a olhar em volta e foi pra mesa de centro da sala, pegou com destreza a bíblia que estava ali e começou a analisa-la.

-Flora. –Ele chamou.

-Sim. –Respondi.

-Olha isso. –Ele falou olhando pra contra capa da bíblia.

Parei ao lado dele que ainda olhava atento aquele livro já amarelado pelo tempo, peguei das mãos dele e senti a aspereza do couro na minha mão, foi então que meus olhos alcançaram um trecho que parecia uma dedicatória.

 ”E chamou Adão o nome de sua mulher Eva; porquanto era a mãe de todos os viventes”. Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos.

Genesis 3,16.

Cuide dela por toda eternidade Evangeline.

Eva”

-O que isso quer dizer? –Ágata perguntou chegando do nosso lado.

-Quem é Eva? –Perguntei.

-Talvez esteja se referindo a figura bíblica. –Moises disse apontando para o nome do livro bíblico.

Procurei então o livro em especifico que estava falando ali, e comecei a ler procurando sentido naquilo.

-Fala de quando Eva e Adão comeram a fruta. –Moises disse.

-Sua mãe conheceu Eva então? –Ágata riu. –Por favor, né gente.

-Talvez seja outra Eva. –Continuei com os olhos fixados nas palavras. –Se usa muitos nomes bíblicos hoje em dia.

-Talvez seja só uma forma de carinho entre amigas, que ambas entenderiam. –Moises disse.

-É faz sentido. –Falei foleando às paginas.

Até que eu parei No livro de Timóteo na qual havia um trecho grifado e dizia assim “Adão não foi enganado, mas a mulher foi enganada e caiu em transgressão”.

-Sua mãe era religiosa? –Moises perguntou.

-Quando eu era mais nova sim, mas nos últimos anos ela pareceu se afastar dos dogmas religiosos.

Aqueles trechos bombardeavam minha mente e eu ficava repetindo pra mim mesma, eu já havia usado aquela bíblia milhares de vezes aos domingos quando orávamos juntas, quando eu ia pra catequese mais eu tinha certeza absoluta que nunca havia visto aquelas palavras ou qualquer marcação em trechos.

-Vou olhar no quarto dela. –Falei devolvendo o livro para as mãos de Moises.

Já tinha passado uns dez minutos e eu já tinha revirado todo o guarda roupa, olhado debaixo da cama e não tinha exatamente nada. Peguei meu celular e liguei para minha tia de novo, mas não dava em nada só chamava até cair.

-Merda. – Joguei o celular na cama.

Fui pra pequena escrivaninha que ela tinha no canto e comecei a revirar os livros empoeirados. Então, o ultimo livro da prateleira me chamou a atenção, na capa o nome Angelologia era bem marcante com a figura de um homem de cabelos loiros com grandes assas, comecei a folheá-lo e como uma parte de mim esperava por aquilo achei mais um trecho marcado.

“E as mulheres conceberam e geraram gigantes;”

Li varias vezes aquele trecho que não me dizia nada em especial, li a pagina inteira e continuava um nevoeiro na minha mente, foi então que comecei a assimilar os fotos.

Peguei todos os livros que estavam ali e os coloquei na cama, e foi justamente o que eu pensei todos os livros ou eram releituras da bíblia ou livros sobre demônios, anjos, feitiços e sigilos de proteção.

-Como eu nunca tinha visto isso antes? –Perguntei pra mim mesma.

Voltei minha atenção pra escrivaninha e abri a única gaveta que tinha lá, e só tinha coisas de costura.

-Isso tá muito raso. –Falei percebendo que a gaveta parece mais funda do que dava pra ver, então a tirei fazendo uma barulheira e coloquei em cima da escrivaninha.

Comecei a tirar tudo lá de dentro sentindo o desespero tomando a minha alma, dei uma batida no fundo e o que eu desconfiava era real havia um fundo falso. Logo, peguei uma agulha enfiei no espacinho entre o fundo e a lateral e puxei a madeira. Um cheiro de coisa guardada subiu pelo ar me fazendo espirar algumas vezes.

Lá dentro havia vários envelopes comecei a abrir o primeiro e tinha varias pinturas de mulheres que eu nunca havia visto todas bem diferentes, loiras, ruivas, negras. Mas tinha uma coisa que era igual em todos os olhos castanhos que passavam uma expressão de profundidade.

No próximo envelope só havia uma folha e assim que a tirei e li a primeira linha minha boca secou, era um Termo de Adoção, corri os olhos pela folha amarelada e as informações ali fizeram meu coração martelar.

Nome: Flora Vigo

Idade: um ano

Características: Olhos castanhos, cabelo preto ondulado, pele branca, sardas no rosto, marca de nascença atrás da orelha.

-Adotada? –Perguntei pra mim mesma.

Hoje parecia ser o dia que o destino tirou pra me sacanear. Minha cabeça girou e minha visão falou por alguns segundos, apoiei a minha palma na madeira da escrivaninha e respirei fundo algumas vezes.

-Flora! – Ouvi a voz da Ágata chamando.

-Você tá bem? –Moises perguntou entrando no quarto e correndo até mim.

Não consegui responder, só concordei com a cabeça, ele pegou o papel da minha mão e pareceu olhar incrédulo por alguns segundos.

-Isso é serio? –Ele perguntou.

-Responde quando eu chamar gente. –Ágata brigou quando entrou no cômodo. –Porque essas caras?

-Minha vida foi uma mentira. –Falei quando Moisés estendeu o papel para ela.

-Não é possível. –Ela disse. –Não diga que foi mentira, ela sempre te amou, só escondeu sua origem.

-Eu acho que vou desmaiar gente. –Falei quando senti minhas pernas moles e minha visão ficando turva, a ultima coisa que eu senti antes de perder a consciência foi as mãos fortes do Moises me segurando.


Notas Finais


Gente, os capitulos estão ficando grandes demais?
Comeeeenteeeem
Me contem o que esperam da historia.


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