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História Filhinho de Papai - Capítulo 5


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Notas do Autor


olaaaa pessoal <3

como vocês estão? Eu espero que esteja tudo bem por aí, com toda essa confusão de vírus e etc. E, não, gente, isso não é uma miragem! Eu não demorei mais de um mês pra atualizar :').

Realmente espero que vocês gostem desse capítulo, ele tem coisas importantes, prestem atenção nos detalhes. E perdoem os erros djejdjdjdj, até as notas finais!

Boa leitura~

Capítulo 5 - Perguntas


Yoongi olhou para si mesmo; a jaqueta de couro se apertava ao seu corpo, junto com a blusa branca de botão. Ele estava bonito, realmente bonito e isso ia além do seu papo narcisista. E ele não entendia porque estava tão bonito assim. Taehyung tinha deixado claro, antes deles saírem de casa, que estavam indo a uma lanchonete, no bairro daquela oficina caindo aos pedaços. Então, se você perguntar a Yoongi porque ele tinha deixado Taehyung arrumar ele com roupas tão bonitas e apertadas como aquelas, ele provavelmente ficaria com a boca mexendo durante uma hora antes de conseguir responder de maneira coerente. 

— Eu disse um lugar aceitável — Yoongi sibilou para o amigo, depois que eles entraram no estabelecimento, se sentando em uma mesa para quatro. Era pior do que Yoongi imaginava, ele já podia sentir a sua pele pinicando. Respirou fundo quando reparou na mancha de óleo na mesa e o ventilador bateu no seu rosto. Sinceramente, nem mesmo um ar-condicionado? 

— Aceitável é relativo, é aceitável para mim.

Taehyung estava imperturbável, com um sorriso no rosto e os ombros relaxados. Yoongi desejou tirar toda aquela paz com um soco na cara, talvez dois, o sentimento de querer fazer algo gentil pelo melhor amigo já estava longe. Agora, ele apenas se arrependia de estar ali. 

— Sua definição de aceitável é totalmente digna de questionamento, você está praticamente namorando o Jeongguk. — Fez uma pausa no seu discurso, pegando um pouco de guardanapo para limpar a superfície da mesa antes de apoiar os braços. — O que pode ser considerado insanidade. 

— E você quer dar pro amigo dele, então não fica muito atrás. 

Taehyung nem mesmo virou para olhá-lo enquanto falava, a acusação na ponta da sua língua. 

— Tae! — Um Jeon Jeongguk descabelado e suado grita da entrada, provavelmente ele tinha saído direto do trabalho. 

Yoongi se compadeceu com o homem mais novo, não deve ser fácil trabalhar o dia todo naquele lugar quente, ter que aguentar Jimin e ainda precisar ir naquela reunião esquisita no final da noite. Ele tinha que gostar muito de Taehyung para estar ali. 

— O quê? "Tae"? — Yoongi perguntou com som de escárnio enquanto observava Jeongguk se aproximar, felizmente, sozinho. Talvez se ele tivesse um pouco de sorte Jimin possa estar morto na oficina. — Então, o relacionamento já está no nível de você deixar ele te chamar sem honoríficos? Algumas pessoas diriam que é desrespeitoso. 

— Você se surpreenderia com as coisas desrespeitosas que eu deixo ele me chamar no cama — Taehyung respondeu em tom de sussurro, se levantando do lado de Yoongi para cumprimentar Jeongguk com um beijo e se sentar ao lado do mais novo, deixando Yoongi do outro lado da mesa sozinho, que observava o casal com estacas nos olhos. 

Ótimo, agora a tocha olímpica perdia para ele. 

— Então, vocês me trouxeram aqui pra segurar vela? 

— Na verdade não, Yoongi hyung. — Foi Jeongguk quem respondeu, colocando um dos braços nos ombros de Taehyung. — Jimin hyung está estacionando. 

— Ótimo. Vai ser tipo um encontro duplo! — Taehyung, a pequena cobra venenosa, parecia ser o único satisfeito com a situação. E Jeongguk, claro, mas Jeongguk não conta, porque com a forma que ele encarava o seu melhor amigo, Yoongi tinha certeza que ele faria qualquer coisa para vê-lo sorrir. 

Como um timbre perfeito, Jimin entrou pela porta, o vento batendo dramaticamente nos seus cabelos loiros e afastando a franja dos olhos do mecânico. Diferente de como Jimin estava da última vez que Yoongi o viu, agora ele usava uma camisa preta, blusa de flanela vermelha aberta, revelando um peito duro e musculoso por debaixo do tecido. 

Yoongi amaldiçoou baixinho antes de virar o olhar, com medo de ser pego observando demais, bebendo tudo o que a imagem de Jimin pudesse lhe oferecer. Não precisou encarar Taehyung para saber que o amigo estava com um sorriso maléfico nos lábios, feliz demais em observar a sua ruína. Yoongi precisava urgentemente trocar de melhor amigo. 

E então Jimin se sentou ao seu lado, um suspiro alto saindo de seus lábios grossos e Yoongi sentiu tudo ao seu redor parar. O noticiário que passava na televisão era apenas um zumbido, o barulho das outras pessoas conversando ocupavam um lugar distante na sua mente agora. Seu corpo parecia ter se tornado de aço, afundado na cadeira desconfortável, cada músculo e nervo do seu ser totalmente consciente da presença de Jimin ao seu lado. 

Yoongi queria correr dali, queria correr do moinho de sentimentos que começou a se formar no seu estômago. Ele tinha tantas perguntas sem respostas, tantas perguntas que ele não tinha coragem de fazer. A sua mente racional continuava a gritar e dizer que ele não podia se sentir atraído por um homem que não sentia nada por ele e que, principalmente, o odiava sem motivos. Mas a sua bunda carente continuava a dizer que quanto mais bruto melhor, claro essa era a voz que Yoongi mais estava ouvindo. 

— Você não tem nenhum outro amigo não, garoto? — Yoongi perguntou a Jeongguk, quebrando o silêncio que se instalou por sabe-se lá quanto tempo, ele estava inerte demais para perceber. 

Respirou fundo e apertou os lábios em uma linha fina, fingindo que a coxa de Jimin colada na sua não estava incomodando, fazendo tudo dentro dele tremer; fingindo que o calor que vinha do corpo de Jimin não lhe chamava, como se fosse um convite silencioso para que eles se fundissem e, principalmente, fingindo que o perfume forte de Jimin não tinha lhe atingido de uma vez, fazendo com que ele desejasse se banhar no cheiro. 

— Na verdade, não, hyung. 

-— Bem, Yoongi não está em posição de julgamento, ele também não tem ninguém além de mim. 

— Isso não é verdade, Taehyung! 

Ele queria gritar "Eu tenho o Hoseok!", mas ainda não sabia se era um bom momento para revelar a sua fonte de dinheiro. Tae, entretanto, manteve os olhos no pequeno cardápio do local, nem mesmo parecendo prestar atenção nos protestos de Yoongi. Foi quando uma risada baixa soou ao seu lado, atraindo a sua atenção.

Jimin estava com um sorriso pequeno, os dedos gordinhos brincando com um palito de dente. Era injusto como ele parecia bonito sem fazer nada. 

— Do que você está rindo? — Yoongi decidiu perguntar, quando percebeu que nenhum diálogo iria se iniciar no que dependesse de Taehyung ou Jeongguk. Péssimos anfitriões. 

— De você.

— Está me chamando de palhaço? 

— Você não vai querer que eu responda, Yoongi.

— É "hyung" ou "Yoongi-ssi" para você. E vá se foder. 

Francamente, Yoongi não estava ligando para o olhar dos outros dois na mesa, parecendo entretidos com a pequena discussão. Todo o seu corpo estava focado em brigar com Jimin, porque era como seu passatempo favorito. Eles faziam isso tão facilmente, fluindo como um rio, que Yoongi se perguntava diversas vezes se eles iriam transar brigando também. 

Não, nada de sexo, Yoongi. — lembrou para si mesmo, tentando manter a postura. 

— Dá pra ver que seus hábitos mal educados não mudaram nada desde nosso último encontro. 

Jimin finalmente olhou para ele, olhos escuros e com algumas olheiras, mas ainda assim bonito. Ele parecia como um anjo cruel, disposto a jogar toda a verdade na cara de quem se aproximasse e com uma parede dura demais de se atravessar. Yoongi se sentiu esquentar com aquele olhar, Jimin ainda o encarava fixamente e, de repente, a jaqueta de couro parecia uma péssima ideia, ele podia sentir as suas costas suando. Era como uma pequena batalha, nenhum dos dois queria desviar os olhos primeiro.

— Ok, primeiro, viemos aqui para comer hambúrguer e não para comermos uns aos outros com os olhos — Taehyung interviu, mas não surtiu efeito nem em Yoongi e nem em Jimin. — Segundo, vocês se viram essa semana? 

Aquilo finalmente chamou a atenção de Yoongi que desviou os olhos de imediato, olhando para Taehyung com a boca aberta, incapaz de responder. Sabia que se o seu amigo descobrisse do pequeno encontro imprevisível dos dois, nunca iria deixá-lo em paz, dizendo o quanto o destino queria unir eles. 

Yoongi não achava que o destino tinha nada a ver com a sua vontade de transar.

Era sinistro pensar em como semanas longe de Jimin estavam indo pro lixo com apenas dois encontros. 

— Nunca comeria ele — Jimin começou a falar, um dos braços na mesa e o outro no colo. Yoongi começou a concordar com a cabeça e estava prestes a dizer "nem eu comeria ele", quando Jimin continuou: — É uma questão de higiene pessoal. 

— O que disse, mecânico? — Yoongi rosnou. Totalmente ofendido. 

— E respondendo sua pergunta, Tae, o seu amigo estava na lanchonete da senhora Choi, a gente acabou se esbarrando. 

Taehyung se virou para ele, meio chocado, como quem pergunta com um olhar se era verdade. Mas Yoongi não queria responder. Ele precisava da permissão de alguém para ir em algum lugar? Bem, foda-se se era barato, o Cappuccino era divino. 

A cabeça dele estava zumbindo, o estômago caindo sem parar, fazendo com que ele se sentisse meio grogue. As palavras de Jimin chicoteando o seu cérebro sem parar, apagando qualquer sensação de calor que ele podia estar sentindo antes. Agora ele apenas sentia frio, queria se enrolar na sua cama e afundar nos lençóis. 

Diferente de outras vezes em que ele se sentiu egocêntrico por não ter sua beleza reconhecida, agora ele se sentia frustrado, porque Jimin estava ofendendo quem ele era, não como ele se parecia. O que era muito pior. Ele não tinha culpa de Jimin ter despertado o lado sujo dele, que diz ofensas e é mal. Na maioria das vezes Yoongi é realmente uma pessoa doce. Quer dizer, ele não ajuda idosas a atravessar a rua, mas ele não joga o lixo no chão, não usa sacolas de plástico e faz doação para a caridade o que já deveria contar para alguma coisa. 

Então ele estava seriamente frustrado, por não ter tido a chance de mostrar quem era antes de ser julgado só pela sua classe social. É exatamente isso o que você faz com quem é pobre, seu idiota. — a sua consciência gritou, fazendo com que um arrepio percorrer pelo seu corpo. 

— Vamos apenas pedir logo, eu não quero ficar fora até tarde. — Ele finalmente pegou o cardápio, analisando as suas opções e esperando não pegar uma infecção estomacal pela quantidade de gordura que iria ingerir. 

Acabou, é claro, que Yoongi se divertiu mais do que esperava. Não por conta de Jimin, longe disso. Na verdade ele estava em um desafio consigo mesmo de esquecer que o mecânico existia e que ele estava sentado ao seu lado na mesa. Ele se divertiu porque Taehyung e Jeongguk eram um casal engraçado, sempre provocando de maneira saudável um ao outro e incluindo Yoongi na conversa, o que fez Yoongi entender porque Taehyung estava caindo de amores tão facilmente por Jeongguk, o garoto era realmente doce e educado. O sentimento de inveja que Yoongi havia sentido mais cedo do seu melhor amigo agora tinha se transformado em culpa, ele ficaria o resto da vida infeliz se isso significasse que Taehyung estava bem e feliz com Jeongguk. Ele até poderia aturar Jimin em cada reunião que eles tivessem.

E, falando no diabo, Jimin pareceu ter entendido que Yoongi estava ignorando ele, porque não tentou se meter na conversa mais, nem fazer perguntas ou provocações. Ele apenas ficou quieto, facilitando a tarefa de Yoongi em ignorá-lo pelo resto da noite. 

Mas, como o mesmo velho roteiro, a paz de espírito de Yoongi não durou muito, porque Jimin logo aproveitou o momento em que Taehyung foi no banheiro e Jeongguk foi pagar a conta para se virar para si. Yoongi sentiu o ar deixar os seus pulmões novamente, sem saber exatamente o que fazer. Ele não podia fugir, de jeito nenhum, Jimin estava sentado na ponta, tampando a sua saída para a liberdade. Droga, ele estava preso, como um cordeiro encurralado. 

— Não quis te ofender, você sabe. Com o lance da higiene. 

Bem, foda-se. Yoongi não estava disposto a aceitar aquelas desculpas tão facilmente dessa vez. Não por soberba, mas por amor próprio. 

— Isso é um pedido de desculpas? — Yoongi encontrou a própria voz, depois de analisar a situação e concluir que responder era a melhor saída. Jimin confirmou com a cabeça e tinha algo diferente nos olhos dele, algo que Yoongi quis perguntar livremente o que era. Jimin era simples na forma de se vestir e no estilo de vida, mas ele parecia ter muitos mistérios ao seu redor e um peso nas costas. Talvez fosse isso o que mantivesse Yoongi tão interessado. — Você não pode ofender as pessoas constantemente e depois ficar pedindo desculpas, isso é falso. Não está me pedindo desculpas porque se sente arrependido e sim porque está com a consciência pesada. 

Ficou satisfeito pela sua voz não ter falhado. A confiança voltando para o seu corpo quando Jimin lhe deu um olhar surpreso, aquela era uma nova expressão para Yoongi e ele tentava decorar todas com afinco. 

— Eu… — Aquela era a primeira vez que Yoongi via Jimin perder a fala, seria até engraçado se o olhar de Jimin não fosse tão perdido. Ele estava arrependido. — Eu realmente sinto muito, eu só não consigo controlar minha boca às vezes. 

Yoongi respirou fundo, apertando as mãos para reunir coragem. Ele se sentia prestes a quebrar uma superfície calma e soltar o caos.

— Por que você me trata tão mal, Jimin? 

O silêncio não era a resposta que Yoongi esperava, mas foi o que ele recebeu, pelo menos por dois minutos inteiros, até mesmo cogitou perguntar novamente, com medo de ter proferido baixo demais. Mas Jimin tinha escutado, de qualquer forma, ele parecia apenas… um quadro em branco, expressão neutra e olhos quase frios, ele olhou para Yoongi como se não o enxergasse, como se não fosse ele ali, mas outra pessoa.

— Esqueça isso, Yoongi hyung, diga a Jeongguk que estou no carro. Boa noite. 

Aquela foi a primeira vez que Jimin o chamou assim, com verdadeira calma, sem soberba na voz e Yoongi temeu que fosse a última. Jimin saiu logo depois, ele não tinha sido rude, apenas direto. E Yoongi ficou lá, sem entender nada, sem entender como parecia que a cada passo que eles davam para mais perto, era como se regredissem dez vezes mais.  

Taehyung e Jeongguk voltaram pouco tempo depois e Yoongi transmitiu o recado ao mais novo entre eles que parecia momentaneamente confuso.

— Pensei que a noite estivesse sendo boa. — Jeongguk suspirou, mãos passando pelo cabelo preto e bagunçando ele ainda mais. 

— Eu também — Yoongi respondeu, como se fosse um segredo, como se toda a elite da Coreia do Sul fosse xingá-lo ao ouvirem ele dizer que se divertir em um lugar barato era bom. — Ei, Jeongguk, posso te perguntar uma coisa? 

— Vá em frente, hyung.

— Não pedindo ele em casamento, está de bom tamanho. — Taehyung soltou, o tom de brincadeira em sua voz, parecendo realmente satisfeito com a interação entre Jeongguk e Yoongi.

— Relacionamentos eu deixo para bobocas como vocês, obrigado. — Revirou os olhos, logo voltando a sua atenção para o homem de sorriso de coelho. — Por que o Jimin me odeia tanto? 

Se perguntar a Jimin não tinha funcionado, Yoongi precisava tentar com o seu plano B, Jeongguk.

— Oh, não esperava isso. — Ele se sentou ereto e até mesmo Taehyung parecia interessado no rumo da conversa agora. — Você se importa com ele, hyung? É por isso que está perguntando? 

— A única coisa que me importa, por enquanto, é o pênis dele, então eu espero que seja limpinho. Estou perguntando porque não gosto que as pessoas me xinguem só pela minha conta bancária. 

— Você xingou ele por ser pobre — Taehyung apontou, acusadoramente. 

— Não vem ao caso, Tae. Desde o primeiro dia ele me trata assim.

Jeongguk estava olhando para longe, claramente não gostando de ter sido colocado no meio de seja lá o que eles estavam tendo. Yoongi quase se sentiu mal, se não estivesse tão curioso.

— Ele não teve um dia bom naquele dia, hyung, só isso. Acabou descontando em você, que revidou. O que gerou essa bola de neve de xingamentos. — Bem, aquela era uma explicação aceitável, ao menos por enquanto, sim, ajudaria Yoongi a dormir de noite. Mesmo que ele soubesse que o buraco era mais embaixo. — Vocês dois são boas pessoas, deveriam pedir desculpas e começar de novo. 

— Não temos nada, não dá para recomeçar o nada. Estou bem assim.

— Se você está dizendo, Yoongi hyung. Podemos ir? 

E assim se encerrou a noite. Com Yoongi deitado na sua cama, sozinho e sentindo um gosto amargo na boca. Ele se sentia afundar mais ainda naquilo, o desejo de sua vida voltar ao normal queimando em cada canto, mas a atração por Jimin parecia ser mais forte; maior, faminta, devorando tudo e fazendo Yoongi tomar decisões precipitadas e agir como um cara na faculdade. 

Mas ele não estava na faculdade e precisava pensar como um adulto. 


[…]


Terça-feira da outra semana e Yoongi estava sentado em um sofá de veludo, vestindo um terno da Dior, o corte do blazer fazendo maravilhas para a sua estatura e o seu cabelo azul totalmente arrumado. Ele realmente gostava do contraste que a cor vibrante das suas madeixas davam nas vestes caras e formais, era como uma mistura perfeita dos seus dois estados de espírito; o rebelde e o correto. 

Yoongi ainda se surpreendia como sua vida podia ir de um extremo ao outro em apenas duas semanas. Vestido assim e com o copo de whisky na mão, ele não parecia o mesmo cara de 27 anos que comeu um hambúrguer na semana passada, sujando as mãos com molho e ficando muito feliz com isso. Ele era feliz no meio do luxo, mas precisava admitir que era solitário às vezes. 

— Então, o que você fez na semana passada? 

A voz de Hoseok fez Yoongi dar um sobressalto no sofá, quase derramando o líquido no seu colo. Ficou tão perdido em seus pensamentos que tinha esquecido que estava no sofá do escritório do seu Sugar

A pergunta finalmente se alistou no seu cérebro, deixando ele em um mini pânico. Porque, porra, como ele poderia responder a isso sem citar Jimin e todo o desastre da sua cabeça? Não, ele precisava mentir. 

— Eu li, assisti séries. Você sabe, como um deus fazendo coisas mundanas. — O sorriso pequeno que Hoseok lhe deu foi o suficiente para acalmar um pouco o seu corpo. Ao menos alguém apreciava o seu senso de humor. — Ah, e também conheci o novo peguete do Taehyung.

Foi o mais vago possível, buscando usar palavras que não revelassem muito. 

— Taehyung está com alguém? Isso é ótimo. Eu estava me perguntando por quanto tempo mais ele iria ficar solteiro. 

— Ele estava sempre sugando um pau, então acho que a solteirice funcionava bem para ele. 

Nesses momentos Yoongi se lembrava o quão bom era ter um sugar daddy. Além de ser mimado com dinheiro e presentes, ele recebia atenção. No início, se perguntava se Hoseok lhe ouvia apenas por obrigação, mas depois ele percebeu que todas as perguntas do homem eram genuínas. Hoseok estava mesmo interessado na sua vida, o seu bem estar, o que ele comia e se estava dormindo bem. Era reconfortante, talvez toda essa atenção fosse algo que Yoongi precisasse mais do que dinheiro. 

— E funciona para você? 

Oi

Se ajeitou no sofá, sendo pego desprevenido. Não conseguiu nem raciocinar com o olhar que Hoseok estava lhe dando, o homem nem mesmo piscava. Yoongi temeu por sua saúde, não fazia bem para ninguém passar tanto susto assim. 

— Perguntei se ser solteiro funciona pra você. Quer dizer, você é praticamente um puritano agora, certo?  

Pois bem, Hoseok tinha a inocência de que Yoongi tinha deixado a sua virgindade renascer das cinzas, como uma maldita fênix, imaculado. E tudo bem, Yoongi poderia lidar com essas mentiras bobas sobre ele não fazer sexo. O que ele não podia lidar era com essas perguntas que vinham do nada, Yoongi não sabia até onde a bondade de Hoseok iria. 

Não se orgulhava de dizer que não conhecia Hoseok tão bem. Ele sabia o básico: idade, sobrenome, parentesco e alguns amigos próximos. Mas nenhuma conversa afundo sobre os seus traumas de infância. No início, Yoongi pensou que talvez fosse mais fácil assim, ajudaria mais se ele não soubesse nada sobre Hoseok, ajudaria ele a não se apaixonar tão rápido quanto o bater de uma asa. Mas agora ele se arrepende de nunca ter perguntado e de não saber muito sobre a pessoa que ele conta sobre o seu dia e um pouco da sua vida — deixando as experiências traumáticas de lado, é claro. 

Se ajeitou no sofá outra vez, colocando o copo de whisky na mesa de centro, com Hoseok ainda olhando para ele. Não era difícil responder aquela pergunta, Yoongi era bom em mentir. 

— Certo. — Sorriu. — Ninguém me tocando além dos meus brinquedinhos. 

Claro, que brinquedinhos poderiam ser estranhos de boate, mas Hoseok não precisava saber disso.

Hoseok zumbiu em concordância, dois dos seus dedos passando preguiçosamente sobre os seus lábios, um hábito que ele tinha quando estava pensando. 

— Eu tenho notado você estranho ultimamente, Yoongi, talvez distante? — Hoseok tinha o timbre baixo, os olhos fixos no chão. — Você me contaria se algo estivesse acontecendo, não é? Me preocupo com você, somos amigos. 

Eles eram amigo, mas um tipo diferente, Yoongi lembrou a si mesmo com um certo pesar. Não podia contar tudo, não como gostaria. Ele precisava encarar os fatos de que se dissesse a verdade, se dissesse que estava atraído por alguém, Hoseok iria querer procurar outro sugar baby, então Yoongi não seria nada além de um conhecido para ele. 

Não, ele não estava disposto a ir tão longe. Queria enterrar a sua curiosidade sobre Jimin, precisava fazer isso. Agora percebia o quão grave a sua situação era, até mesmo Hoseok tinha notado a sua diferença, a forma como ele ficava parado no canto pensando na vida e entrando em conflito consigo mesmo. E, apesar de tudo, Hoseok era um homem inteligente. Ele nunca desconfiou das aventuras de Yoongi antes porque era tudo passageiro, coisa de uma noite e nem o número dos caras Yoongi pegava; dessa vez parecia carregar mais intensidade, parecendo preso na sua pele, fazendo com que Yoongi se lembrasse todos os dias de cabelos loiros e olhos duros. 

Não estava sendo fácil. O seu conflito interno e o seu tesão que não passava. Todo mundo sabia que estresse e vontade de foder não são boas combinações. 

— Eu contaria, você sabe. — Sua voz saiu sólida, como um ouro brilhante, não deixando espaço para desconfiança. Quando ele falava de forma tão convicta assim, quase acreditava na sua própria mentira. — Eu apenas ando meio estressado, acho que as pessoas ficam estressadas as vezes, não é? Tenho certeza que logo vai passar. 

— Me deixe saber se esse estresse se tornar demais e você precisar de uma psicóloga, eu te dou o dinheiro. 

Yoongi não sabia se Hoseok realmente tinha acreditado no que ele disse, mas ele sabia que estava se sentindo culpado. Culpado por mentir para alguém que só fazia bem para ele e por continuar preso nesse triângulo amoroso que só existia em sua cabeça. Talvez um psicólogo não fosse tão ruim assim, isso era algo para ele considerar mais tarde, iria fazer bem dizer isso abertamente para alguém. 

— Eu digo. Obrigado por se preocupar, Hoseok, eu realmente aprecio isso. 

Aquela talvez fosse a primeira frase verdadeira que ele tenha dito desde que entrou na sala, o papel que ele tinha que interpretar e a máscara que ele tinha que usar quase se rachando no meio. A culpa não era de Hoseok se ele estava em conflito, era unicamente dele, certo? Bem, e de Jimin, óbvio.

Olhou para longe, pensando em formas de construir uma barreira em torno de si mesmo, protegendo a sua vida como ela é — ou como costumava ser —, não importando quanta vontade de libertar o tesão que sentia, o interesse, a curiosidade, a vontade de se jogar na aventura ele tenha. Aventura não paga as contas e muito menos as suas roupas de grife, ele precisava começar a se importar com o que realmente valia a pena. 


Notas Finais


É isso, gente, eu espero que tenham gostado, sim? Se quiserem conversar é só me procurarem lá no twitter (meu user é mcbusan) e mandar um oi.

Até a próxima, bebam água, tomem vitamina C, lavem as mãos e fiquem em casa! ♥️


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