História Filho da Perdição - Capítulo 25


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Anticristo, Apocalipse, Arcanjos, Demonios, Diabo, Drama, Fantasia, Gay, Horror, Lucifer, Romance, Terror
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Palavras 2.134
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Lemon, LGBT, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 25 - A forma de um ser celestial (PARTE 2)


Theo

Ouvi seu ganido de dor e até mesmo o grito de fúria rasgar sua garganta. Eu estava tão assustado que comecei a piscar, sem saber direito o que tinha acontecido. Agarrei o pescoço de Christian na mesma hora em que ele caiu, os olhos semiabertos.

— Chris — sussurrei, acariciando seus cabelos. — O que você fez?

— Você está ferido? — perguntou com a voz fraca.

— Não, estou bem.

— Que bom, meu pequeno — Passou a mão pelo meu peito e o segurei antes que caísse de vez, mas ele era muito pesado. Ele não podia deitar no chão porque corria o risco dos cacos entrarem ainda mais em sua pele. Eu precisava levá-lo para casa e cuidar dele, mas não tinha ideia de como iria fazer isso.

Miguel não estava mais perto de nós e alguns demônios ainda nos rodeavam, ainda mais depois que ele machucou Christian. Todos tinham a obrigação de protegê-lo.

Quando olhei para ele, vi suas tão majestosas asas douradas saindo de suas costas e ele voou entre os lustres fitando diretamente a fileira de demônios que nos protegia. Assim que ele abriu os braços e uma luz branca começou a sair de seus olhos foi que entrei em pânico.

O chão começou a tremer violentamente, o espaço quase todo incendiado, os lustres restantes estourando com um estrondo ensurdecedor e cacos se espatifando no chão levando consigo toda a iluminação. A única luz existente era da pele de Miguel que começou a brilhar assim como os olhos. Logo a luz começou a ficar tão intensa que era difícil encarar por muito tempo.

— Feche os olhos, anjinho — sussurrei em seu ouvido.

— O que tá havendo? — Christian estava quase desmaiado. Puxei alguns cacos que estavam cravados em uma parte da sua nuca e ele gemeu, quase chorando.

— Miguel vai assumir a sua verdadeira forma. O hotel vai desabar e os demônios não vão resistir — Um vento forte borrou minha visão devida à poeira que a queda de boa parte do hotel provocou.

A situação só piorou quando Gabriel voou ao lado de Miguel, brilhando também, mas não tanto quanto o irmão. Suas asas também eram douradas, porém eram um pouco menores. O tamanho delas mudava de acordo com os poderes e a escala.

Miguel mesmo sendo da terceira escala era o mais poderoso de todos, até mesmo do que os serafins porque foi o primeiro ser criado por Deus e isso era uma vantagem e tanto, os outros nada mais foram do que cópias menos perfeitas dele.

— Como vamos sair daqui, Theo? — Com uma tosse seca, notei que sua respiração começou a enfraquecer. Sabia que ele não iria morrer, mas ainda assim estava muito preocupado com ele.  

— Vou dar um jeito, anjinho. Só não olhe — Ver a verdadeira forma de um ser celestial é demais para qualquer tipo de alma que não carregue o mesmo sangue. Apenas outro ser celestial poderia suportar algo do tipo sem que a pele derretesse e a alma queimasse, se esfarelando como pó.

Em poucos minutos, a luz ficou ainda mais intensa e brilhante, era como tentar ver o sol de perto correndo o risco de queimar as retinas. Os demônios entraram em pânico, os olhos começaram a derreter assim como a pele. Consegui vê-los lutando para encontrar a saída, mas Miguel estava bloqueando a passagem ao lado de Gabriel.

Eles se contorciam em agonia, puxavam tiras de pele do próprio rosto enquanto berrava. Era como ver uma vela se derretendo. A pele humana praticamente descolava do corpo, deixando-a em carne viva.

Abracei Christian e comecei a chorar baixinho quando as paredes finalmente cederam e pedaços gigantes de concreto começaram a cair sobre todos, soterrando-os. Era uma questão de tempo até que eu e meu anjinho fossemos os próximos.

— Theodoro — Uma voz feminina sussurrou ao meu lado. Virei o rosto para fitá-la e reconheci de imediato Paula Tramontini agachada ao meu lado. — Esse é o anticristo?

— Sim, Lucy — sussurrei, soltando o ar com alivio.

— Ótimo, vamos logo porque não temos muito tempo.

Vinquei a testa porque não tinha ideia do que ele podia fazer, mas antes que eu pudesse falar qualquer coisa ou ser atingido pelo fogo que ainda se espalhava ou concreto, Lúcifer tocou meu rosto e o de Christian e quando dei por mim, estava são em salvo no conforto da Ilha Thris sentado no sofá do apartamento de Christian.

— O que aconteceu? — perguntei, mal acreditando que havia me livrado daquele caos.

— Eu salvei você, foi isso que aconteceu, maninho — Mesmo com a voz feminina e delicada de Paula, era possível ver a acidez no tom de Lucy.

Ele começou a mexer nos porta-retratos que estavam na mesinha de centro de Christian enquanto eu o colocava de bruços no sofá.

— Esse corpo é um porre! Essa Paula é gorda demais, tem pele até onde não devia — reclamou e depois um sorriso tomou conta de sua expressão. — Esse é você e o moleque? — quis saber, erguendo a moldura dourada para que eu visse.

— Sim — dei de ombros com indiferença. Era uma foto minha e do Christian na praia da nossa ilha. Foi tirada pela Lorena, o único demônio que Christian parecia gostar de verdade e que estava livre para fazer piadinhas com ele sem que meu menino tivesse vontade de arrancar a cabeça dela, embora seu temperamento ainda não fosse um dos melhores. — Como conseguiu nos teletransportar? Nenhum anjo pode fazer isso, nem mesmo Miguel.

— Esqueceu que eu tenho o melhor poder de todos? — gabou-se, repousando a moldura no lugar onde estava. — O único que pode se teletransportar é...

— Nathanel Death — falei interrompendo-o. A morte era o único que podia além de se teletransportar estar em vários lugares ao mesmo tempo. — Não me diga que absorveu os poderes dele.

— Digo sim — Um sorriso digno de um Christian macabro tomou conta dos lábios delicados de Paula. — Só ainda não dominei essa arte de estar em vários lugares ao mesmo tempo. Agora por exemplo, estou no hotel que continua desabando e aqui falando com você.

— Seu corpo não será destruído? — desesperei-me, quase me espetando com um dos cacos enterrados nas costas de Christian.

— Miguel está tomando conta dele, ele gosta dessa garota. É hilário — Lúcifer revirou os olhos. — É como vê-lo se apaixonando por Lilith de novo, mas essa garota tem mais garra, entende? Não o deixa dominá-la e é muito respondona, o que deixa Miguel louquinho porque ele adora dar ordens e fica revoltado quando não o obedecem.

— Como sabe disso? Achei que estivesse adormecido.

— E eu estava — Com leves tapas, ele começou a tirar os cachos da vista como se aquele cabelo longo o incomodasse. Era engraçado porque ele passou tanto tempo no corpo de um homem que seria difícil se adequar ao corpo feminino ainda mais nos dias atuais. — Quer dizer, eu estava acordado, mas não podia tomar o controle do corpo ou da mente dela, era como se eu nem existisse para falar a verdade, só ficava observando como o Miguel reagia a ela.

— Entendo — Minha atenção estava voltada ao Christian ainda desacordado. A cabeça repousada em meu colo e meus dedos entrelaçando em seus cabelos pálidos, cuja raiz negra estava bem mais aparente, quase dois dedos. — Ele vai ficar bem?

— Sim — Lucy o analisou por um tempo, levando a mão direita ao queixo como se estivesse pensativo. — É só retirar os cacos, dar um pouco de sangue demoníaco que o corpo dele entrará em processo de cura. Com esses cacos não terá como ele se curar sozinho. Deixe-o descansando quando terminar — soou como uma ordem e aquilo me irritava um pouco.

Saí do Paraíso por causa daquelas ordens chatas e maçantes. Meus dentes trincavam só de pensar em seguir mais e mais ordens.

No entanto, apenas mordi minha língua de leve a assenti, deixando meu orgulho e minhas vontades de lado e me concentrar no plano, em nossa busca pelo livre arbítrio.

Sabia que no futuro todos os seres da hierarquia iriam nos agradecer por oferecer um mundo sem limites, onde podíamos fazer o que quiséssemos sem ter um chefe ou alguém nos dizendo o que fazer. Controlaríamos nossas próprias vontades.

— Tá bom — murmurei, me rendendo.

— Como você deixou isso acontecer? Essa sua ideia foi bem estúpida, Theodoro.

— Era a única forma de te manifestar. Você estava com Miguel e um bando de arcanjos poderosos. Sou apenas um serafim caído com órgãos que falham com apenas uma respirada mais forte. Não tive muita escolha.

— Tá, mas você devia ter protegido o anticristo.

— Não posso protegê-lo de Miguel e sabe muito bem disso. O único que poderia fazer isso era você então eu tinha que te trazer de volta de algum jeito.

— Conseguiu quebrar o terceiro selo?

— Sim, Caim já está liberto — afirmei todo orgulhoso. — Bem que você podia me falar qual é o último selo para que eu possa quebrar para você.

— Nada disso, apenas eu posso quebrá-lo — bufou, sentando-se no braço do sofá e levantando assim que o mesmo rangeu devido ao peso exacerbado da garota. — Droga de obesa! Só faça seu trabalho que farei o meu, certo? Cuide do meu moleque.

— Cuidarei — prometi, ainda acariciando os cabelos do meu anjinho adormecido.

— Tenho que voltar — disse assim que sangue começou a escorrer pelo seu nariz. — Até mesmo o meu poder é limitado, só dura uma hora assim como o seu. Minha sorte é que eu tenho vários, mas mesmo assim é desgastante. Esse poder do Nate é muito esquisito, ainda não consegui dominá-lo. É como uma luz dentro da minha cabeça e tenho flashes de duas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Só não estou tendo agora porque meu corpo está desmaiado.

— Conseguiu o poder de matar com um só toque? Isso seria útil — arfei, podia sentir meus olhos brilhando de esperança. Se ele tocasse Miguel e o destruísse, não haveria um tirano e a hierarquia se juntaria a nós.

— Não, apenas Nate o possui. Tentei absorver, mas nada feito. No máximo o teletransporte e essa coisa de estar em vários lugares ao mesmo tempo, o que me deixa maluquinho. O toque mortal pertence apenas a ele e tudo bem para mim, não estava em meus planos mesmo.

— Qual é o plano então?

— Com a ajuda de Nate consegui colocar a espada de Miguel em um lugar seguro — disse, andando de um lado para o outro com as mãos unidas atrás do corpo. — Tenho que fingir ser essa garota até que você quebre todos os seus selos, então se apresse.

— Os próximos são muito específicos, Lucy — falei, lembrando do que Lucio disse sobre os selos e como exigiam que fossem quebrados em algumas fases da lua ou dias específicos que ainda não havia chegado. — O próximo já liberará um cavaleiro.

— A guerra? — Esperou eu assentir e parou de andar, deixando o maxilar rígido.

Era engraçado vê-lo no corpo de uma menina e ainda com aquela expressão dura e ao mesmo tempo pensativa. Paula era tão cheia de vida, o completo oposto de Lucy. A única coisa que eles tinham em comum eram as brincadeiras e patadas ácidas.

— Então Christian terá que estar preparado para recebê-la.

— Ele estará — garanti, alcançando uma das mãos dele, que estavam geladas como um cadáver. Engoli em seco e senti meus lábios começarem a tremer, assim como todo o meu corpo. — Acho que ele não tá muito bem, Lucy.

— Eu já falei o que você precisa fazer, apenas faça, Theodoro. Ele vai ficar bem, isso só é falta de sangue demoníaco. Tem certeza que está o alimentando direito? Ele parece fraco!

— Tenho certeza absoluta — Tive calafrios quando me lembrei da forma como ele devorou aqueles demônios, porém, Lúcifer ficaria satisfeito com algo assim. — É que o apetite dele aumentou demais.

— Isso é bom — Com os passos miúdos de Paula, ele veio até mim e abaixou de leve a cabeça para alcançar minha testa. Seus cabelos caíram como cortinas na cara do Christian adormecido enquanto ele pressionava os lábios ali de forma fria como o toque da morte. — Se cuide, Theodoro.

— Você também — pisquei conforme ele se afastava e abria aquele sorriso duro.

Um vento forte soprou pela janela aberta que ia do chão ao teto, era uma espécie de varanda na verdade. Quando virei o rosto e vi as cortinas vermelhas acompanhando a ventania, comecei a sentir frio e no momento em que abri a boca para falar com Lucy, notei tardiamente que ele não estava mais lá.

 



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