História Filho da Perdição - Capítulo 26


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Anticristo, Apocalipse, Arcanjos, Demonios, Diabo, Drama, Fantasia, Gay, Horror, Lucifer, Romance, Terror
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Palavras 2.308
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Lemon, LGBT, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 26 - O local que sempre me pertenceu


Theo

‘‘Lembrar é fácil para quem tem memória. Esquecer é difícil para quem tem coração.’’


                                                                                              – William Shakespeare


Com a ajuda de Caim, consegui levar Christian para seu quarto. Ele já estava no apartamento, conseguiu passar pela barreira e nos deixou para trás como se não fossemos importantes. Eu estava furioso com ele, tanto que nem sequer trocamos mais do que duas palavras e todas saíram secas.

— Como ele está? — perguntou, apoiando-se no batente da porta enquanto cruzava os braços.

— Apenas saia — Era clara a fúria em meu tom de voz e comecei a acariciar os cabelos de Christian a fim de me acalmar um pouco.

— Sei que está com raiva, mas é que o Miguel...

— Essa droga de plano foi ideia sua, então o mínimo que você podia fazer era ter nos ajudado a concretizá-lo.

— Que bem faria a nós se eu tivesse ficado lá quando Miguel assumiu sua verdadeira forma? Queria que eu fosse soterrado?

— Pelo menos Miguel estaria amaldiçoado agora — grunhi, tendo um pouco de dificuldade ao tirar o paletó e a camisa branca de Christian. Os cacos ainda estavam cravados em suas costas e torci para que ele ficasse bem logo. — Traga uma bolsa de sangue demoníaco. Está dentro da geladeira.

— Não é melhor dar sangue fresco para ele? — protestou, fazendo meu sangue quase ferver de tanto ódio.

— Faça o que eu pedi, por favor — falei, trincando os dentes.

Ele foi segundos depois sem falar mais nada e levantou os braços como se desistisse de dialogar comigo, como se soubesse que não daria em nada e estava mais do que certo. A única coisa que me importava era o bem estar do meu anjinho.

Arrastei a cadeira vermelha acolchoada que ficava num canto ao lado de uma escrivaninha perto da cama e tateei embaixo dela a fim de encontrar a maleta de primeiros socorros. Antes de abri-la pousei-a na mesinha de cabeceira e pesquei uma pinça cirúrgica.

Joguei a camisa e o paletó dele no chão, pois ambos estavam meio ensanguentados e com diversos furos. Com a pinça, fui puxando cada um dos cacos e fiquei aliviado e angustiado ao mesmo tempo ao ver que Christian gania de dor em resposta. Era bom porque eu sabia que ele estava vivo e que ficaria bem, mas era muito torturante vê-lo sentindo qualquer tipo de dor.

— Fica calmo, anjinho — sussurrei, encontrando seus olhos vermelhos que emanavam sofrimento. — A gente já está em casa e vou cuidar de você, tá bom?

Ele assentiu, fechando as mãos num punho enquanto eu puxava mais um pedaço de vidro como se fosse um band-aid. Dizem que quando puxa de forma brusca a dor passa mais rápido, no entanto, eu não sabia se isso era verdade ou apenas um mito.

Caim irrompeu pela porta com umas duas bolsas de sangue em mãos no exato instante em que Christian começou a berrar. Era possível ver lágrimas escorrendo pelas maçãs de seu rosto, porém tentei não olhar para elas para não acabar me desconcentrando do trabalho.

Peguei as bolsas de suas mãos sem nem olhar para Caim e mandei-o se retirar.

— Não vou sair até que ele fique bem.

— Você nem pensou nele quando o hotel começou a desabar, então não vejo como se importaria agora. Saia daqui, é o melhor que você pode fazer.

Bufando, Caim sacudiu a cabeça se mostrando impassível, mas no final das contas acabou nos deixando a sós, fechando a porta ao sair.

Cada caco retirado era seguido de um berro ensurdecedor e eu sempre acabava parando para acariciar os cabelos dele ou até mesmo secar uma de suas lágrimas.

— Isso deve ser uma bela de uma vingança para você — disse com os lábios trêmulos. A respiração estava ofegante demais para o meu gosto. — Deve estar com muita raiva por eu ter te magoado.

— E estou, mas nem por isso quer dizer que estou gostando de vê-lo sofrer. Faço isso apenas por ser necessário para que seu corpo cicatrize. Se não tivesse entrado na frente, eu estaria no seu lugar. Ainda não entendo a razão para ter feito isso.

— Como não entende? — Sua testa suada vincou. — Sua pele não cicatriza tão fácil quanto a minha e mesmo se fosse o caso eu ainda assim entraria na frente. Não quero que se machuque.

— Mas você não se importa comigo, disse para eu te esquecer. Você me magoou de tantas formas que nem há como descrever — Agora foi a minha vez de quase chorar. Dava para sentir uma lágrima sangrenta querendo escorrer. — Meu coração ficou despedaçado, achei que não se importava com a minha segurança.

— É claro que me importo, darling — Ele pareceu surpreso com minhas palavras e quase pulei de susto quando ele cobriu uma de minhas mãos com a sua. — Não importa o que eu diga. Eu sou um idiota e tenho consciência disso e é exatamente por isso que decidi que o melhor seria se ficássemos afastados um do outro.

Retirei com rapidez os outros dois cacos restantes, arrancando alguns berros dele e absorvendo suas palavras como se elas me acalentassem ao menos um pouco.

— Prontinho — sussurrei, deixando a pinça repleta de sangue de lado e oferecendo uma das bolsas para ele, que mal conseguiu erguer o braço para pegá-la do tanto que estava debilitado. Haviam muitos cortes profundos demais em suas costas, nos ombros e até mesmo em uma das nádegas.

Suas presas ficaram à mostra e junto delas veias azuladas surgiram abaixo de seus olhos e percorreram até o meio das bochechas.

Ele perfurou a bolsa com apenas uma dentada e conseguiu levantar a cabeça conforme a espremia contra os lábios como se estivesse recuperando suas forças com aquele mero ato. Ele sugava de olhos fechados, o peito subia e descia.

Nem fazia qualquer tipo de pausa para recuperar o fôlego. Só descartou a bolsa quando ela ficou vazia e pegou a outra antes que eu sequer oferecesse a ele.

Consegui ver cada um de seus ferimentos cicatrizarem com uma velocidade sobre-humana e não pude deixar de ficar fascinado com aquilo.

Logo ele deu de ombros como se quisesse fazer com que os ossos voltassem para o lugar e piscou para mim assim que acabou de sugar todo o sangue.

Passou a língua pelos lábios manchados a fim de não deixar qualquer gota escapar e me ofereceu um sorriso quando as presas enfim se foram.

— Obrigado — Devolveu a bolsa vazia para mim e a dobrei, colocando ao lado da maleta.

— É melhor eu deixar você descansando agora — murmurei, arrastando a cadeira para poder me levantar, mas antes que eu pudesse concretizar o ato, Christian me pegou pelo pulso com aquela mesma força assustadora. Porém, a julgar pelo modo carinhoso como me fitava, dava para notar que não tinha a menor consciência de que estava me machucando. — Chris — reclamei, tentando puxar meu pulso de volta. — Me solte, está me machucando.

De olhos arregalados ele obedeceu, sentando-se na cama e se encolhendo como se estivesse arrependido.

— Desculpe — disse com a voz falhando devido aos gritos que soltou minutos atrás. — Só não vá embora, passe a noite comigo.

— Christian — Não era uma boa ideia, ainda mais com tudo o que aconteceu entre a gente. — É melhor eu voltar para o meu andar.

— Por favor, meu pequeno — implorou com a voz manhosa que fez algo dentro de mim derreter. Era injusta a facilidade com a qual ele conseguia me convencer a fazer as coisas. — Sei que está zangado comigo, mas eu preciso de você. Nada me deixa mais tranquilo do que ter você do meu lado, só assim conseguirei descansar.

— Tá bom — Voltei a me sentar na cadeira acolchoada, cruzando as pernas com indiferença.

— Não vai passar a noite ai sentado, não é? — Levantou uma sobrancelha e me puxou pelo pulso, dessa vez maneirando um pouco sua força, tomando todo o cuidado do mundo para não me machucar.

Cedi com um pouco de hesitação e comecei a sentir meu coração bater eufórico quando me vi aconchegado no calor de seu peito nu. Tudo piorou quando senti seu braço direito ao meu redor e seus lábios molhados em minha bochecha.

— Como conseguimos sair daquele hotel? — perguntou, com o nariz gelado roçando em meu rosto.

— Lúcifer nos tirou de lá — A voz mal saiu do tanto que eu estava nervoso por estar tão próximo dele, ainda mais depois de tudo o que aconteceu. Nunca fiquei tão grudado nele quando estava seminu, apenas quando dei banho nele quando estava bêbado, o que não contava para muita coisa.

— Como? — Pegou meu queixo de forma delicada e virou para que meu rosto ficasse direcionado a ele. Nossas respirações se misturaram a cada arfada que dávamos.

— Lúcifer tem o melhor poder de todos — Engoli em seco, evitando olhar para ele e tentando ignorar o rubor gritante em meu rosto. — Ele pode absorver o poder de qualquer ser apenas com um toque, é por isso que todos o enxergam como uma ameaça. Ele absorveu o poder da morte de estar em vários lugares ao mesmo tempo e se teletransportar levando passageiros se quiser.

— Isso explica muita coisa e também quer dizer que conseguimos manifestá-lo — Foi impossível não dar de cara com seu sorriso contagiante e fiquei enfraquecido só de vê-lo. Não conseguia me mexer direito porque seu aperto era tão firme que parecia que ele estava disposto a me manter ali pelo tempo que quisesse. — E aquele lance dos cacos voadores? Miguel tem o poder de telecinese?

— Sim, além de poder controlar os quatro elementos, por isso ele pegou fogo daquele jeito. Cada ser celestial possui um dom, já te falei isso. Lúcifer absorveu a maioria dos poderes, menos os de Miguel. Por algum motivo, ele não conseguia absorver.

— Ele absorveu os seus?

— Sim, há um bom tempo — dei de ombros com indiferença, mas mal me movi devida a firmeza com a qual Christian me segurava. — Quando ele absorve não é como se o meu poder fosse sugado, sabe? Ele apenas faz uma espécie de copia para ele. Lúcifer pode ter quantos poderes quiser e absorver todos, exceto os de Miguel. Talvez ele seja imune por ter sido o primeiro filho ou algo assim.

— Ah, sim — Seu aperto ficou tão firme que senti como se estivesse sendo esmagado. — Você falou sério? — Ele não descansou até encontrar meu olhar.

— Sobre o que? — Franzi a testa confuso.

— Eu te perdi mesmo? Tipo para sempre? — Pelo modo como seus lábios tremiam e os olhos começaram a ficar cheios d’água de novo, deu para ver que estava prestes a chorar novamente e me senti um monstro, mesmo sabendo que eu estava certo por tudo o que falei. Como eu poderia me sentir culpado por estar agindo certo pela primeira vez na vida?

— Não — Fui sincero, embora minha voz tenha sido bem baixinha, quase inaudível. — Eu só estava muito zangado com você e para falar verdade ainda estou.

No momento em que encontrei seu olhar e depois passei a praticamente devorá-lo com os olhos foi que ficou ainda mais impossível respirar.

— O que eu posso fazer para me redimir? Para ter você de volta?

Eu mal entendia o que ele falava, apenas levantei a mão e aproveitei a distância quase mínima entre nós para tocá-lo da forma que jamais pensei que teria coragem de tocar. As marcas grotescas em seu tórax, alguns hematomas irreversíveis ao redor de seu pescoço como se fosse uma espécie de corrente.

Ele não fazia nada além de observar, nem sequer pediu para que eu parasse, o que me deixou confortável o bastante para permitir que minha mão escorregasse até suas coxas tão grossas que marcavam a calça preta.     

Fiquei um bom tempo apenas passando a mão nelas. Meus lábios começaram a ressecar, a respiração a ficar mais pesada no momento em que toquei o interior de suas coxas subindo de forma reta até chegar ao seu membro, o apertando de leve.

Christian arregalou os olhos com o ato e me deu um empurrão quase na mesma hora em que seu membro endureceu, deixando que um gemido escapasse de meus lábios até então paralisados.

— O que você tá fazendo, Theo? — perguntou, mais surpreso do que zangado. — Já disse que não podemos.

Ao invés de chorar ou sair correndo como eu faria, não deixei que seu empurrão me intimidasse porque dava para ver que cada célula de seu corpo me desejava tanto quanto eu. Se nós dois nos queríamos tanto por que ele insistia em me afastar?

— Faça amor comigo, Christian — pedi, agarrando seus braços e os colocando ao redor da minha cintura.

— Theo — Ele virou o rosto como se não suportasse olhar para mim. — Pare com isso, sabe que não posso.

Como ele havia feito minutos atrás, peguei seu rosto e forcei que estivesse direcionado a mim. Colei minha testa na sua.

— Você me perguntou o que poderia fazer para se redimir e é isso que eu quero.

— Isso só vai piorar tudo — Embora hesitasse, não tirou os braços do local onde os coloquei, ainda estavam ao meu redor. — Eu só queria que você me visse como um amigo, seria muito menos doloroso para nós dois.

— É muito difícil eu te ver assim quando você é tão carinhoso comigo ou até quando me beija mesmo que não seja na boca. Tudo o que você faz tem uma reação em mim impossível de controlar — Suspirei bem alto, balançando de leve a cabeça com a testa ainda colada na dele.

Nunca me senti tão bem e tão aquecido quanto naquele momento porque eu finalmente estava no local que sempre me pertenceu: seus braços. 



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