História Filho da Perdição - Capítulo 28


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Anticristo, Apocalipse, Arcanjos, Demonios, Diabo, Drama, Fantasia, Gay, Horror, Lucifer, Romance, Terror
Visualizações 14
Palavras 2.424
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Lemon, LGBT, Magia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 28 - Rompendo o laço mais importante de sua vida


Christian 

‘‘Veja as chamas dentro de meus olhos


Elas queimam tanto, eu quero sentir o seu amor


Calma, querido, talvez eu seja um mentiroso


Mas esta noite, eu quero me apaixonar


E fazer você confiar em mim. ’’


                                                                                   – I’m a mess (Ed Sheeran)


Despertou com o brilho do sol escapando através das cortinas brancas, iluminando todo o ambiente. Piscou umas três vezes antes de voltar a si, as remelas atrapalhavam sua visão.

Ficou grato por não ter tido nenhum pesadelo, foi sem sombra de dúvidas a noite mais tranquila que já teve. Não houve sonhos, mas em compensação também não foi sufocado pelas imagens nebulosas vindo à tona.  

Os braços dormentes ainda estavam ao redor de Theo, que dormia como um anjinho. A respiração do pequeno era controlada, embora fosse um pouco pesada demais para o seu gosto. O coração batia calmamente como já havia previsto, já que o coração dele só parava de pular em sua presença quando dormia.

Olhou para baixo enquanto o soltava lentamente e notou que havia ejaculado sem querer dentro de Theo durante a noite. Limpou o excesso com as mãos passando-as com delicadeza pela bunda nua dele.

— Bom dia — Theo sussurrou, movendo-se e gemeu quando sentiu que Christian ainda estava dentro dele. — Posso me virar? — Sua voz ainda sonolenta trazia um tom brincalhão consigo.

— Pode — disse Christian finalmente saindo de dentro dele e lutando para limpar sua bunda. — Dormiu bem?

— Muito — Theo espreguiçou-se e logo depois se virou para fitá-lo, aninhando-se nos braços dele.

‘‘Essa é a hora’’, Lorenzo manifestou-se, fazendo Christian querer atacá-lo e acabar com ele. No entanto, não tinha ideia de como faria isso, já que Lorenzo vivia apenas em sua mente. Era quase como pensar em estapear a si mesmo.

‘‘Me dê mais um tempo. Um dia’’, Christian tentou barganhar sabendo que seria inútil. Lorenzo era tão impassível quanto ele próprio, ainda mais com relação a Theo.

‘‘Já dei tempo o suficiente. Olhe para ele’’, Christian obedeceu com receio, fitando aquela imensidão esverdeada, a adoração e paixão emanando daqueles olhos que pareciam maiores. Nunca havia o visto tão feliz. ‘‘Quer seguir os mesmos passos do homem que você mais odeia? Quer se tornar o monstro que mais abomina no mundo? Sabe o que vai acontecer se aceitar ficar com Theo, não é? Ficará velho e acabado com um rapaz em seu encalço trocando suas fraldas. É isso que você quer? Foque-se na terapia, crie laços mais fortes com Caim, ele pode te salvar. Podemos ser normais, Christian. ’’

‘‘Eu queria tanto ficar com ele para sempre’’, lamentou sabendo que seria em vão.

Acariciou o rosto de Theo como se fosse a última vez que o faria. Algo parecia entalado em sua garganta, tanto que por um segundo mal conseguiu respirar.

O gosto metálico em sua boca também não ajudava em nada. Sentia-se perdido, queria seguir o próprio caminho, mas não conseguia se livrar das palavras afiadas de Lorenzo.

‘‘O problema é que você não vive para sempre. Theo nunca irá nos entender, temos necessidades maiores. Acha mesmo que ele vai entender as coisas que você fez? Devo lembrá-lo sobre o incêndio? Gostou daquilo, não gostou? Ver as chamas fazendo a pele deles borbulhar? Lembra da sensação? Theo nunca entenderia, te acharia um monstro porque é o que você é. Um monstro desalmado que só machuca os outros, tudo o que você toca desmorona. Me admira que ainda tenha o Theo, você não o merece e sabe muito bem disso. Deve deixá-lo ir e ficar com alguém a altura. Você merece ficar sozinho e infeliz, mas possui um poder incrível em mãos. Ainda há salvação para você, mas Theo não é a resposta. Caim é. Não seja tolo, Christian. Não quer que eu te relembre de tudo, certo?’’

‘‘Não’’, Foi só o que respondeu temeroso e mal notou que havia começado a chorar. Despertou de seu devaneio apenas quando viu o rosto de Theo próximo ao seu limpando suas lágrimas com seus dedos pequenos.

— Tá tudo bem, anjinho? — Theo inclinou-se para mais perto parecendo preocupado.

— Não, não está — Seu tom de voz era duro, porém firme. Algo começava a desmoronar dentro dele. A imagem do homem detestável surgia como uma espécie de lampejo que começava a cegá-lo. — Tenho que te contar uma coisa.

— O quê?

— Vou me casar — A frase soou tão sem vida quanto ele estava por dentro. Podia sentir seu coração debatendo-se em seu peito, lutando contra sua vontade de congelá-lo ou ao menos ignorar sua existência. — Com Caim.

Theo piscou e vincou a testa como se não tivesse entendido direito ou se recusasse a assimilar aquilo.

— Como assim casar? — De repente, a expressão feliz e realizada de Theo se desmanchou conforme suas palavras surtiam um certo efeito sobre ele. — Mas a gente tá junto. Eu pensei que eu significasse algo para você, que nós iríamos ficar...

— Não vamos — interrompeu-o como se não suportasse ouvir o resto. Lorenzo gargalhava alto dentro dele, o som doentio da risada dele parecia arranhar seus ouvidos, embora viessem de dentro de sua mente pra lá de perturbada. — Preciso me casar com ele porque ele se tornará minha noiva. É difícil explicar, mas já está tudo decidido.

— Decidiu isso quando? — A expressão derrotada dele se transformou numa carranca de raiva e amargura. — Antes da gente fazer amor? Com certeza deve ter sido ótimo me usar dessa forma, achar que sou uma espécie de brinquedo seu — Afastou-se dele como se seu toque o ferisse e Christian ficou desolado com seu afastamento.

— Não é bem assim, meu pequeno — Começou a chorar, deixando que lágrimas frenéticas borrassem a imagem do rosto magoado e irritado de Theo. — Casamento é só um pedaço de papel.

— Não para mim — Theo encolheu-se, puxando os lençóis a fim de esconder seu corpo como se não quisesse que Christian o visse.

Era como se tirasse o direito dele de vê-lo totalmente despido, o que de alguma forma causou uma espécie de aperto tão doloroso em Christian, que foi obrigado a pousar a mão no peito a fim de se aliviar e ainda assim não funcionou.

— Casamento é algo abençoado, a unção de duas almas com a benção do meu pai. É algo belo, Christian. Não menospreze uma cerimônia tão linda como se fosse um simples pedido de namoro. Achei de verdade que um dia a gente ia se casar — Cruzou os braços, afastando-se ainda mais de Christian, quase caindo da cama. — Pelo visto, me enganei mais uma vez.

— Theo — murmurou, chegando mais perto dele e o tomando nos braços apesar dos protestos e socos que ele dava a fim de se afastar dele. Gritava e esperneava como se Christian portasse uma doença contagiosa. — Eu não queria fazer isso, mas é a única forma de te libertar dessa dor horrível que estou causando em você.

— Do que está falando? — Lágrimas de sangue escorriam pelos olhos verdes e Christian o pegou pelo queixo, forçando a encará-lo.

— Estou apaixonado por você, Theo — admitiu, fazendo-o finalmente parar de se contorcer em seus braços. — E é por isso que não posso ser um monstro com você.

 Passou o polegar no queixo dele, tendo total consciência de que quando o fizesse esquecer seria a última vez que veria aquele olhar de admiração e paixão que tanto o aquecia.  

— Minha definição de felicidade plena seria estar para sempre ao seu lado. Eu me torno uma outra pessoa, um pouco melhor do que eu costumava ser. Quando olho para você, eu enxergo esperança, como se tivesse salvação para mim, mas não posso negar algo claro como o fato de que eu não mereço nada disso. Fiz coisas horríveis ao longo da minha vida, coisas que me assombram até hoje. Abomino a homossexualidade com todas as minhas forças e sei que se de fato houver uma cura eu irei encontrar e também sei que isso irá te machucar muito. Não sirvo para você simplesmente porque não te mereço e não falo isso da boca para fora. Você é bom demais para mim e eu não tenho nada para oferecer a você além de dor, sofrimento e angústia.

— Christian — A voz torturada de Theo beirava a um sofrimento tão profundo que o presidente sentiu como se várias navalhas o perfurassem ao mesmo tempo.

— Você me ensinou como é sentir, me deu carinho e afeto quando eu estava perdido. Não ache que sou ingrato e egoísta porque não é bem assim. Serei eternamente grato por tudo o que você fez por mim, meu pequeno. Tenho certeza de que ninguém no mundo jamais olhou para mim da forma como você me olha, é como se eu fosse importante para alguém, como se eu não fosse o lixo que passei a minha vida inteira achando que eu era.

 Fechou os olhos por alguns segundos e fungou bem alto enquanto discursava as palavras que pareciam sair de sua alma. Era como se tudo estivesse entalado por tanto tempo que saiam atropelando umas as outras.

Era a sensação mais dolorosa do mundo e tornava tudo ainda pior quando somado com a cara de enterro que Theo ainda estava fazendo quando Christian abriu os olhos a fim de falar aquilo tudo olhando para ele como deveria ser.

— Queria tanto não ter que fazer isso — lamentou, sacudindo a cabeça como se não suportasse a si mesmo. —, mas é melhor assim. É melhor que apenas um de nós sofra. Se eu tenho a chance de apagar esse seu sofrimento, por que não o fazê-lo? Seria egoísmo de minha parte deixá-lo sofrer tanto por alguém tão miserável quanto eu, alguém tão perdido e danificado por dentro.

— Do que está falando, anjinho? — Theo soluçava de forma tão desesperada que o anticristo se culpou internamente e resolveu apressar as coisas, não queria que seu pequeno derramasse mais nenhuma lágrima por ele. — O que você vai fazer?

— Quero que me diga quando foi que se apaixonou por mim — pediu lutando contra as lágrimas que se tornaram constantes. — Em qual momento esse sentimento aflorou.

— Qu-qu-quando você chorou em meus braços nove anos atrás — arfou Theo sem medo, embora tenha gaguejado demais durante a fala. Ela saiu trôpega e um pouco falha, mas Christian entendeu perfeitamente. — Parecia um anjo. Havia tanta fragilidade naquele ato, o modo como me abraçava. Fui seu suporte durante aquele momento e quando notei que meu coração estava quase pulando pela boca e minhas mãos ficaram úmidas foi que vi que eu tinha me apaixonado por você. Foi tão rápido e custei a entender a magnitude desse sentimento, mas nada me faria mais feliz do que passar a vida inteira ao seu lado, mesmo que envelheça. Você não é perfeito e está muito longe de ser, mas são essas imperfeições que te fazem extraordinário e único. Por baixo de toda essa máscara rancorosa há o verdadeiro Christian, aquele que só pude conhecer nuances. Então não serão as rugas ou seus cabelos brancos que farão com que meu sentimento diminua porque sei que quando eu olhar para você verei apenas o meu Christian. Não me apaixonei pelo seu corpo, me apaixonei pela sua alma.

— Theo... — Ele mal conseguia respirar diante de tais palavras. Como queria continuar ali ao lado dele fingindo que não se odiava, que poderia dar uma chance a aquele relacionamento.

Porém, sabia que Lorenzo jamais o deixaria em paz e era impossível fugir de algo que estava impregnado em sua cabeça, trazendo à tona seus piores pesadelos quando bem entendia.

Prometeu a si mesmo que guardaria cada uma daquelas palavras em seu coração estraçalhado. Seria uma espécie de afago a si mesmo, o último resquício da paixão que Theo sentia por ele antes de drená-la e espremê-la como se não fosse nada. Agarrou aquilo com unhas e dentes e absorveu principalmente a última frase e quase não sentiu tanto nojo do destino que teriam caso cedesse.

— Eu queria envelhecer com você — disse, afastando a sua imagem na cadeira de balanço com um Theo jovem ao seu lado. Era seu pior pesadelo. — Queria construir uma família, ter filhos. Uma vida normal, entende? Só que isso nunca vai acontecer porque você não pode viver tudo isso comigo, estará preso no tempo para sempre e de que iria adiantar se eu cedesse sabendo que eu iria morrer um dia e tal coisa poderia te destruir? Estou cansado de te machucar. Parece que essa a única coisa que consigo fazer! Estou com a cabeça no lugar e terei o bom senso de te libertar dessas correntes pesadas que te prendem a mim. Não haverá mais cobrança, sentimento contido, minha existência será insignificante para você.

— Do que está falando? — grasnou novamente, limpando o próprio rosto com as mãos.

Aquela era a hora, o momento perfeito de desfazer o estrago de nove longos anos. Era a hora de libertá-lo.

Fincou seu olhar no dele e deixou que o poder tomasse conta de cada célula de seu corpo. Ainda se sentia fraco e debilitado por dentro, algo se contorcia e se debatia em seu peito e soube que era seu coração protestando contra o que estava prestes a fazer.

— Theodoro — murmurou, mal conseguiu deixar a voz firme e pela expressão submissa de Theo, soube que estava funcionando e resolveu continuar antes que voltasse atrás. — Eu não chorei em seus braços naquela noite, apenas continuei te ofendendo e derrubei um prato de sopa em você, o que te deixou muito irritado. A noite passada não aconteceu e nunca tivemos qualquer envolvimento. Você me vê apenas como o anticristo nojento que Lúcifer pediu para você cuidar.

Uma lágrima escorreu pelo rosto de Theo e teve certeza de que seria a última.

— Eu sou um fardo para você, não tolera nem mesmo a minha presença — Doía tanto falar aquilo, que Christian acabou se atrapalhando um pouco para raciocinar e deu um tempo para respirar, ainda o hipnotizando. — Você não precisa mais se preocupar comigo, nunca sentiu nada por mim além de desprezo — Podia ver algo dentro de Theo mudar diante de seus olhos. O brilho que surgia sempre que o encarava de repente se apagou e aquilo o destruiu, embora ainda estivesse focado na hipnose. — Você finalmente está livre, Theo.

E foi assim que rompeu o laço mais importante de sua vida e palavras não descrevem o quão devastado ficou. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...