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História Filhos da Lua - Capítulo 9


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Capítulo 9 - Intrusa.


Fanfic / Fanfiction Filhos da Lua - Capítulo 9 - Intrusa.

"Aos poucos que recebem, muito se é comprado".

Acordo em minha cama, olho ao redor e encontro minha mãe cochilando em uma cadeira de balanço ao lado da minha cômoda, não havia mais ninguém no quarto, somente eu e ela.

Eu estava zonza e minha cabeça parecia chumbo sobre meu pescoço,minha visão está fraca por conta da pouca luz. Já havia escurecido? Mas como? Me levanto cambaleando da cama e puxo as cortinas, o tempo nublado e o ar frio estavam ali,junto com o mundo cinza e sem cor.

Sem alegria.

As nuvens estavam escuras e carregadas, o cheiro de terra molhada me fez ficar ainda mais zonza. Volto a olhar para o quarto, minha mãe continuava dormindo em um sono pesado, fui até a porta e tentei abri-la mas estava trancada.

Demora alguns segundos para eu perceber que eu estava presa,fui até a penteadeira e procurei a chave,mas nada de encontrá-la. Balanço a cabeça, aquilo só podia ser um pesadelo, me belisco várias e várias vezes.

"Eles querem te afastar de nós" ,murmura uma voz nas minhas costas, uma voz medonha e grossa, que me lembrava a voz do cara que matei.

Os pelos da minha nuca arrepiam e um nó se forma em minha garganta.

Me viro e vejo um lobisomem ali, ao contrário dos outros esse é mais feio, não está transformado por completo e está de pé em minha frente.

Olho para ele e sinto o medo percorrer cada célula do meu corpo, me viro para minha mãe que continua dormindo. Trinco os dentes diante do lobo que abre a boca e mostra seus dentes afiados para mim, vou até a cabeceira da cama e arranco um abajur da parede e aponto para ele. Ele me olha de cima a baixo e corre em minha direção,e então Adam surge pela janela, como um anjo justiceiro e se transforma em seu lobo negro, arrega-lo os olhos.

Adam avança sobre ele, e a luta começa. Grito o nome de Adam diversas vezes, arranhões e mordidas são distribuidas de ambos os lados o que me deixava aflita, solto um grito agudo quando vejo Adam ser arremessado contra a parede.

- Adam!!!!

Uma pata com dedos e unhas longas e afiadas tampam a minha boca e a única visão que tenho é do lobo enfiando as garras no coração de Adam.

Acordo do pesadelo gritando e chorando, Adam corre e vem até mim, eu não sabia aonde estava, olho para ele assutada, ele me abraça e beija a minha testa.

- Está tudo bem, foi só um pesadelo. - ele suspira e me aperta mais contra ele. - Foi só um pesadelo.

Me aninho em seu abraço e não sei por quanto tempo fico ali, a imagem das garras sendo enfiadas nele faz meu corpo tremer. Aquele pesadelo havia sido muito real, eu estava nervosa por estar com medo.

Você é Katherine Haven, e você não tem medo de nada.

Falo essa frase em minha mente e respiro fundo, Adam ainda está me abraçando. Abro os olhos e observo o local, era um quarto,mas com certeza não era o meu.

- Que quarto é esse? - olho para a enorme cama de metal preta, e para os cobertores azuis escuros que me tampam.

- É o meu quarto. - diz Adam e me solta de seu abraço.

- E por que diabos eu estou aqui?

Ele ri e passa as mãos sobre o cabelo.

- Achei que ficaria mais confortável na minha cama.

A cena da noite passada volta a minha cabeça e por um momento sinto meu estômago cheio de borboletas.

Olho para ele e encontro seu olhar.

- E como está o lobo? - pergunto,minha voz sai seca e rouca.

- Que lobo,Katherine? - pergunta Adam com um olhar preocupado.

- Eu vi...- parei de falar quando percebi que havia sido uma visão.

Só eu havia visto...

- Viu o que?

- Nada. - falo e suspiro. - Acho que eu estou um pouco cansada.

Meu corpo estava ótimo, somente minha mente se encontrava confusa.

- Kate,pode me contar. - ele diz. - Não irei te julgar.

- N-não é nada. - falo e começo a levantar da cama.

Dou um sorriso rápido que não chega até os olhos, ele fala que eu posso contar a ele,mas ele não me conta que agora ele é o Alfa.

Isso ele não me conta.

Mas ele não desistiria de arrancar a verdade de mim, ele iria querer saber o que estava me atormentando então disse a primeira coisa que me veio a mente.

- Como eu sei se tive um imprinting? - pergunto.

Seu rosto fica pálido como papel, vejo ele se mexer inquieto. 

Não foi um boa abordagem.

- Quer dizer, como eu devo chegar  no meu parceiro? Tipo, eu nem conheço ele, mas...

- Está me dizendo que acha que Edward é o seu parceiro? - sua voz sai seca,seu tom é bruto e arrogante. -

- Por que quer saber? - solto já irritada com seu tom de voz e sua reação.

- Ele não é o seu parceiro. - sua voz sai alta e grossa.

- Eu sei que não seu idiota! - grito mais alto. - Mas eu acho que meu parceiro me viu primeiro e eu gostaria de saber quem é!

- E como eu saberia disso?

- Pelo amor dos Deuses ,Adam. - passo as mãos em meus cabelos e vejo meu corpo tremer.

Era a vez dele assumir o posto de alfa, de dizer que sabia quem era meu parceiro e se ele está ou não no bando.

Mas ele não diz nada,apenas me encara por um tempo antes de desviar o olhar e começar a ir para a porta.

Uma batida na porta me faz olhar para ela, ele a abre e Maya está ali escorada no umbral da porta, ela estava vestida com um robe rosa claro, não faço ideia do que tem por baixo, seus olhos se desviam para mim antes de volta a encara Adam.

- Pensei que a tivesse levado para o quarto dela.

Sinto meu rosto esquentar,mas não de vergonha e sim de raiva. Uma fúria e a sensação de traição imunda meu peito, minha visão fica vermelha e posso sentir o lobo rugir dentro de mim.

"Precisamos de você!Sai já daí!"

- Não seja por isso. - falo,minha voz sai mais afiada que um corte de navalha,seca e sem emoção. - Eu já estava de saída.

Começo a caminhar ainda com a visão vermelha para a porta, Maya engole em seco e se afasta da porta para que eu possa passar.

- Você e eu ainda não terminamos. - fala Adam.

Maya observa com atenção, ela me olha como se eu fosse obrigada a parar e volta para dentro do quarto como um bom ômega faria. Mas pelo contrário, eu me viro e o olho nos olhos.

- Eu já disse tudo o que tinha que lhe dizer,Alfa. - falo a última palavra e sinto um gosto amargo tomar conta da minha boca.

Vou até a porta da frente e entro, me deparo com meu quarto todo revirado, minhas roupas haviam sumido, não todas mais várias delas. Meus livros estavam atirado no chão e tinha um bilhete colado em um deles.

Me encontre no lado oeste( no mesmo lugar que foi hoje cedo )amanhã ao anoitecer, irei lhe contar tudo. sozinha,e me desculpe pela bagunça.

Ass: Lobo Mal.

Olhei para aquela assinatura e senti meu sangue gelar em minhas veias, lembranças do meu sonho surgem em minha cabeça.

"Quem tem medo de lobo mal, lobo mal,lobo mal"...

Engulo em seco e olho para a janela aberta, as cortinas balançam e trazem com ela o cheiro de rosas. Me levanto de vagar e coloco o bilhete no bolso,caminho até a janela e encontro uma rosa vermelha.

Eles tinham conseguido entrar na casa em plena luz do dia. Ao menos que fosse alguém da matilha,mas quem? Quem seria desobediente as regras do Alfa?

Vou até a cama e me sento, olho para meu quarto e sinto um vazio, eu não estava gostando mais dali. Era um local estranho agora, olhar para os outros membros da alcatéia me fazia me sentir ameaçada e apavorada, em alguns momentos eu pensei até em avançar neles.

Suspiro ao lembrar da cena do lobo sendo morto em minha frente,eu senti a dor o medo em seus olhos. Era como se uma parte de mim estivesse ali na minha frente sendo caçada e morta e eu não pudesse fazer nada para impedir.

Eu não conseguia entender, o que estava acontecendo comigo? Não devia ser normal ter tantos pesadelos, e agora que eu finalmente liberei minha loba eu não devia me sentir conectada a Alcatéia? A matilha me olhava e eu me sentia como uma intrusa, nem mesmo o olhar da minha mãe me confortava mais. A única que ainda conseguia me fazer sentir um pouco a vontade ali era Gina e ela tinha sumido.

Precisava de respostas,mas eu não sabia se era uma boa ideia ir a aquele lugar. Ali a noite era perigoso, e a alcatéia iria caçar amanhã, então seria mais difícil ir. Minha mãe não iria tirar os olhos de mim, e Adam pelo jeito iria vir como um touro raivoso para cima de mim e de quem me contou.

Encaro a rosa em minha mão.

Mas se as respostas não fossem sair pela boca dele, então que eu as arrancasse de outra pessoa.

Era justo.

E era necessário.



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