História Filosofía - Capítulo 4


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Categorias Stray Kids
Personagens Bang Chan, Han Ji-sung, Hwang Hyun-jin, Kim Seung-min, Kim Woo-jin, Lee Felix, Lee Min-ho, Seo Chang-bin, Yang Jeong-in
Tags Changlix, Chanlix, Filosofia, Hyunlix, Stray Kids
Visualizações 29
Palavras 3.441
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


changbin
"o ser humano é bom por natureza. mas a sociedade o corrompe."

Capítulo 4 - Rousseau


Fanfic / Fanfiction Filosofía - Capítulo 4 - Rousseau

[8 anos atrás]
 

Sempre ficava a admirar Changbin de longe, sem entender o porquê. Era o tipo de garoto que exibia os melhores acessórios junto ao uniforme, exalava os melhores perfumes, e fazia tudo o que o dinheiro pudesse permitir. Por muitas vezes o mesmo dinheiro era usado como permissão para ser arrogante e insensível, mas de alguma forma tudo era diferente quando Changbin estava perto de Felix.
 

Ser inteligente o fez ganhar uma bolsa de estudos para uma das melhores escolas de Seul, e de brinde Seo Changbin veio como seu colega de classe. Uma pena ele também vir acompanhado de amigos tão idiotas.
 

Por vezes, Binnie fazia os trabalhos junto com o inteligentíssimo Felix usando como desculpa apenas o cérebro do mais novo, quando na verdade, só ele sabia o quanto queria apreciar de pertinho as sardas de seu rosto e sentir-se bom e adorável por mais uma vez.
 

— Pensei que quisesse fazer o trabalho de filosofia, Binnie. — Felix comenta após um longo tempo de silêncio enquanto transcrevia algumas palavras da tela do computador para a folha de papel, notando o quanto Changbin não parava de olhá-lo sem fazer outra coisa.
 

— Você pensou mesmo que era só isso?
 

A biblioteca da escola quase sempre ficava vazia naquele horário, permitindo que ambos ouvissem bem baixinho alguma música do celular. Ouviam toda a discografia do Coldplay naquela hora, e Felix amava Coldplay. Antes disso, a mãe de Changbin também amava o grupo. Ela sempre colocava alguma música tranquila para acalmá-lo ao ponto de fazê-lo dormir, ou alguma vibrante para qualquer outra coisa que os faziam felizes. Depois que sua mãe morreu, Changbin jurou que jamais ouviria alguma música deles novamente... mas Felix caiu de paraquedas em sua vida. E agora ouvia Yellow apreciando toda a beleza delicada que só ele tinha.
 

— Não é isso o que diz aos seus amigos? — Felix tinha uma fúria controlada, de forma que dissesse friamente — "Vou fazer o trabalho com o nerd, preciso passar nessa matéria." — imitou a voz dele.
 

Changbin riu.
 

— Não tem graça.
 

— Você sabe que não é isso. Se eu quisesse só passar de série era só pagar alguém para fazer meus trabalhos.
 

— Eu sei que não é isso. — e largou a caneta sobre a folha bruscamente para olhar Changbin — Eu tô cansado de você fazer chacota de mim para os seus amigos e depois me comer pelos cantos da escola... e estou cansado de permitir que você faça isso comigo.
 

Changbin assumiu um rosto mais sério ao analisar a situação.
 

— Isso é um assunto delicado...
 

— O que? Não pode namorar o bolsista?
 

— O problema não sou eu. Eu poderia berrar pelo mundo que amo você, mas... — e não encontrou palavras certas para continuar.
 

— Mas você liga muito para o que seus amigos e família vão pensar... liga tanto que não se importa em zombar de mim e de outras pessoas quando está junto com eles e longe de mim.
 

Felix começou a arrumar as suas coisas dentro da mochila de maneira rápida. Changbin segurou seu braço para impedi-lo de ir.
 

Olhou fixamente para o mais novo e todo o seu rosto, acariciou os cabelos castanhos e depois o rostinho sardento, fazendo também com que Felix ficasse um pouco mais calmo.
 

— Me desculpa. — era difícil ouvir a palavra sair pela boca de Changbin, ainda mais de modo sincero — Eu também não entendo por que sou tão rude, e idiota, e arrogante, e... enfim. Eu só sei que me sinto bem por não me sentir assim quando estou com você. Faz tanto tempo que nem me lembrava mais de como era não ser assim, e como disse, só sou quando estou longe de você. — e deu uma pausa — Tenho medo de que não seja meu para sempre, mas sei que tu sempre terá essa parte minha... eu sempre serei teu, Lee.
 

Felix se derretia facilmente quando ele dizia essas coisas, já que não era sempre. Por que ele parece tanto querer mudar e não consegue?
 

— Já tentou simplesmente não fazer essa coisas se também o machuca tanto? — Felix já estava visivelmente mais calmo.
 

E Changbin visivelmente triste.
 

— Eu queria tanto que fosse fácil. Mas você está cercado de coisas e pessoas boas, talvez por isso você seja tão... você. — Changbin disse com uma certa admiração — Acho que assim fica um pouco mais fácil de entender.
 

E um silêncio tomou a biblioteca enquanto Changbin acariciava as mãos de Felix fitando-as como houvesse um turbilhão de pensamentos em sua mente.
 

— Só sei que eu preciso de você, Felix, preciso muito... — disse quase que em um sussurro.
 

Felix dá um suspiro, e segundos depois, sela os lábios nos de Changbin como quem diz "vai ficar tudo bem".

 

[Agora]
 

Felix já estava tanto tempo naquela cama que podia dizer que estava criando raízes.
 

Chan o visitava sempre que tinha tempo, e esse tempo incluía todo o que não o mantivesse preso às suas atividades como professor, portanto, mesmo que seu dia fosse tomado pelas aulas e sobrasse apenas uma hora para descansar, ele iria visitá-lo mesmo assim.
 

Ambos se adaptavam às suas rotinas. Felix estava triste e estressado na maior parte do tempo devido a nova vida que levava e o exagero de cuidados que agora o cercava, quanto a Chan, também estava triste, porém de uma forma de diferente. Por vezes acreditava que aquela era uma realidade alternativa, e que aquilo não estava acontecendo, que não perdia Felix a cada dia que passava. Sua tristeza era um misto de arrependimento, poderia ter feito e fazer muito mais por seu amado.
 

Estavam agora sozinhos no quarto, ambos sentados na cama enquanto Chan alimentava Felix com um mingau ralo e pálido. As piores horas, sem duvidas, eram as das refeições.
 

— Eu posso comer sozinho. — Felix resmungou após mais uma colherada, engolindo à força a gororoba.
 

— Eu sei que não vai. — Chan respondeu pacientemente enquanto enchia mais uma colher — Por isso estou te dando. Além do mais, é divertido ver você reclamar da comida igual um bebezinho. — e sorriu um sorriso pequeno ao zombar.
 

Felix fez uma careta brava e cruzou os braços, aceitando mais uma colher.
 

— Oh, o que eu não faria por um pernil. — desejou imensamente com os olhos fechados — Crocante e com uma camada fina de gordura, besuntado com azeite e ervas finas... tão saboroso que desmancharia na minha boca.
 

Chan riu ao achar graça.
 

— Imagine-o agora, Felix. Aí vai o pernil. — e conduziu mais uma colher cheia para a boca de Felix.
 

Ele a engoliu relutantemente, e quando abriu os olhos viu Chan sorrir.
 

Bang tinha parecido envelhecer 5 anos nos últimos dias. Ele andava tão cansado e abatido que era difícil encontrar um sorriso em seu rosto. Felix se lembrou do que ele era antes de seu aniversario: carismático, alegre e romântico. Se tinha algo que Felix desejaria mais do que uma travessa de pernil só para ele, era ver aquele versão de Chan mais uma vez antes de morrer.
 

Acompanhou os sorrisos de seu amado e no mesmo momento ouviram batidas na porta. Era uma das enfermeiras.
 

— Com licença, o senhor Lee tem visitas.
 

Atrás da mulher surgiu um rosto muito familiar a Felix, ainda que mais maduro. Reconheceria Seo Changbin em qualquer época da vida dele.
 

Seu coração disparou com tamanha surpresa. Quem diria que eu veria Binnie mais uma vez. Por sorte, nenhum monitor cardíaco estava conectado nele.
 

Chan não tinha certeza de quem era ainda que o rosto não lhe parecesse estranho. Chan e Felix tinham compartilhado seus relacionamentos anteriores certa vez, mas a lembrança não se passou pela cabeça do mais velho.
 

— Sairei em um minuto. — disse enfim.
 

A porta se fechou novamente.
 

— Quem era? — Chan não escondeu a curiosidade.
 

— Um velho amigo. — deixou a informação vaga, mas contaria depois a Chan.
 

Faltou umas poucas colheradas para que a tigela esvaziasse. Felix saiu no auxilio de uma muleta já que as pernas pareciam fracas para sustentar o próprio peso a maior parte do tempo, mesmo que não fosse tanto.
 

Encontrou com Changbin nos jardins do hospital sentado em um banco de concreto. Ele estava elegante em seu terno preto, gravata vermelha e fones sem fio nos ouvidos, havia se tornado o executivo que sempre imaginou que seria.
 

Felix vestia roupas confortáveis em tons de branco, seu cabelo tinha voltado à naturalidade após um corte para tirar a maior parte dos fios tingidos de loiro, sobrando alguns nas pontas. Felix detestava a ideia de ter que ficar careca ou perto disso e parecer ainda mais doente, então Chan tentou conciliar isso quando o cortou.
 

Changbin parecia tão vivo com sua pele corada em contraste com os cabelos negros. Felix lembrou do quanto ele gostava de suas sardas. As vezes se achava tão pálido que pensava que algumas tinham sumido.
 

Quando disseram a Changbin que Lee Felix estava doente não o imaginou daquele jeito. Agora entendia que o câncer já estava em estado terminal. Desejou imensamente que tivessem lhe dito, e teria se preparado melhor para encontrá-lo, tão fraco que até tremia para se sentar. Imaginou se aquela doença o tinha feito perder toda a essência alegre e bondosa que Felix tinha quando ainda era seu.
 

— Seu namorado é esquerdista? — Changbin perguntou tentando espairecer a tristeza da mente.
 

Felix tentava processar a pergunta que mais parecia uma pegadinha.
 

— Ele é professor de história.
 

— Ah, tá explicado. Consigo sentir o cheiro do proletário de longe. — zombou.
 

— Ah, é? E como é o meu cheiro, Changbin?
 

— O seu é diferente. Cheira àqueles perfumes de rosas que vem em cestas básicas.
 

Felix riu.
 

— Eu gosto desse cheiro. — ele responde.
 

— Eu também gosto. — Changbin disse com um sorriso ao fitar o chão.
 

Um silencio surgiu entre os dois, e ele mais serviu para relembrar o passado.
 

Sem dúvidas, Changbin fora a primeira paixão arrebatadora de Felix. Ele gostava da beleza singular e máscula do mais velho, mas Felix não seria supérfluo o suficiente para amá-lo apenas por sua aparência. Changbin nutria um amor puro e intrínseco por ele, ele sabia, colocaria as mãos no fogo por aquilo.
 

E teve as mãos chamuscadas devido a coisas que Changbin jamais conseguiria se libertar: a soberba, a avareza e o egoísmo. Essas foram as únicas coisas que o fizeram imperfeito aos olhos de Felix, ainda que soubesse que no mundo não haveria ninguém perfeito. Acontece que os defeitos de Changbin eram impossíveis de conviver, de modo que o fez enxergar um ser humano desprezível.
 

— Como você está? — Changbin perguntou tentando esconder a preocupação na voz.
 

Felix olhou para o próprio corpo e sorriu ironicamente.
 

— Acho melhor começarmos com você. Pelo que me lembro estava se encaminhando à diretoria da empresa do seu pai, não?
 

— É. O velho decidiu se aposentar e viver no campo enquanto eu me fodo naquele escritório. Mas não é tão ruim quando os lucros dão as caras na conta bancária no fim do mês.
 

Changbin ter se tornado diretor foi o ápice, a gota d'água para que o relacionamento de três anos chegasse ao fim. Changbin se sentia como se ninguém no universo estivesse acima dele, nem mesmo Deus, ou já que nenhum dos dois acreditavam na entidade, nem o amor que Changbin sentia por Felix era maior que sua prepotência.
 

— Oh, os lucros. Você sempre achou consolo no dinheiro, não é mesmo?
 

— Ótimo consolo, aliás. Dá para pagar Spotify com dinheiro e escolher quantas músicas tristes eu quiser quando eu não me sentir bem. E comprar comida. E uma Ferrari.
 

Spotify e comida também são luxos que eu posso ter para me consolar... por sorte não sei dirigir para comprar uma Ferrari.
 

Changbin riu.
 

Mais uma vez o silêncio tomou a conversa enquanto um analisava o rosto do outro. Felix percebeu um resquício de tristeza nas feições de Changbin.
 

— Quando você descobriu que estava doente? — Changbin perguntou.
 

— Há uns 9 meses.
 

Changbin calculou o tempo, e se lembrou do quanto andou mais estressado e insuportável do que nunca. Muitas pessoas de sua empresa foram demitidas devido o surto de estresse, e seu ciclo de amizades e aliados também diminuiu pelo mesmo motivo. Era um descontrole que o homem jamais havia presenciado, e parecia impossível de tomar as rédeas da situação.
 

Sempre achou que estaria ligado a Felix de algum jeito, a parte bela e adorável de si, na mesma medida em que achava que aquilo era besteira já que tinham terminado há muito tempo. Mas talvez o seu coração soubesse que estava partindo. Partindo, no sentido de que jamais voltaria.
 

— E não tinha outro jeito? — ele perguntou de maneira delicada.
 

— Eu só tinha vinte porcento de cura comparado aos outros oitenta de seguir o tratamento e mesmo assim morrer.
 

Changbin pareceu desnorteado.
 

Só? — ele perguntou como se fosse exagero de Felix — Você nunca foi mesmo bom em matemática. Poderiam não ser apenas vinte. Poderiam ser vinte e um, quem sabe vinte e cinco, um quarto de chance.
 

— E ainda restariam três à espera da minha falha.
 

— Que sejam. Deveria ter se agarrado à sua vida mesmo que fosse um porcento. — ele parecia bravo e triste. Os olhos brilhavam com as lágrimas que segurava.
 

Felix nunca tinha visto Changbin chorar, ou perto disso.
 

— Deveria ter recorrido à mim. — ele continuou — Eu juro que não me importaria se só tivesse pensado em mim depois de todos esses anos apenas por necessitar de ajuda, mesmo que eu pensasse em você todos os dias. Eu não me importaria de ajudar a encontrar um tratamento que elevasse suas chances de cura, por mais caro que fosse. Nem que eu tivesse de levá-lo a qualquer outro país do mundo. E te diria todos os dias que tudo ia ficar bem, que você seria curado, e assim, mesmo que já não seja mais meu, eu continuaria sendo seu de alguma forma. — e uma lágrima escorreu pelo rosto de Changbin — Você sempre teve a melhor parte de mim, sempre terá. Mas e quando você morrer, para onde vai essa parte?
 

Felix deu um triste suspiro.
 

— Não quero que pense que eu quis morrer. Eu amava a minha vida, mas creio que eu seja mais dotado de anuência quanto ao destino de todos nessa vida do que qualquer outra pessoa. Eu sei que tudo o que é bom também está fadado a acabar. Talvez você não tenha pensado tanto nisso quando decidiu me trocar pelo seu prestigio e ascensão social.
 

Uma fisgada pegou o peito de Changbin. Sem duvidas, o fim de seu namoro com Felix era o seu tendão de Aquiles.
 

— Você tem razão, eu não pensei antes disso. Mas pensei depois... o meu maior arrependimento foi ter deixado você ir... e quando vi já era tarde demais. Você já parecia tão feliz com o Chan. — e comprimiu os lábios — Parecia amá-lo como jamais me amou um dia.
 

Felix negou com a cabeça.
 

— Não é verdade. Não quero que lhe reste dúvidas do quanto eu o amei, Binnie, você sabe disso, ou eu nunca teria renunciado coisas que eram parte de mim por você. Eu o amei tanto que o imaginei em meu futuro, envelhecendo comigo, exatamente como deveria fazer. Mas o que diferencia você de Chan é que quando relaciono esses sentimentos a você, eles estão no passado, e agora os vivo com o meu namorado... ainda que eu não tenha mais chances de envelhecer.
 

E quanto a você eles nunca fizeram parte do passado, todos os dias trazendo uma lembrança boa que faria de tudo para revivê-las. Eu o amo, Felix, e nada tirará isso de mim.
 

No mesmo instante assemelhou a sua imagem ao seu pai. Quando sua mãe era viva descobriu que seu pai sabia sorrir, sabia dar beijos, sabia amar. E quando ela partiu tornou-se ranzinza, de modo que eram raras as vezes que o viu sorrir novamente. Changbin sabia que seu pai o amava, mas era um amor diferente, coberto de obrigações e deveres a serem cumpridos para que a "linhagem Seo" se mantivesse forte e íntegra. Ele poderia mandar a linhagem à merda se isso significasse poder passar os últimos dia de vida ao lado de Felix, amando-o como tanto queria. Ele sabia que quando não estivesse entre os vivos, jamais sorriria ou amaria novamente.
 

— Eu ainda te amo... droga, eu o amo muito. — eu juntou as pequeninas mãos de Felix entre as suas, acariciando-as. Mordeu o lábio ao tentar conter as lágrimas que queriam descer com mais força. A ficha de Changbin começava a cair.
 

Felix engoliu seco ao sentir seus olhos marejarem. Jamais imaginaria que seu ex-namorado iria sofrer tanto a sua perda, e ficou ainda mais triste por já não corresponder aos seus sentimentos, temendo que aquilo o magoasse.
 

— Binnie. — e tirou uma mão dentre as dele para segurar seu rosto fino — Vai ficar tudo bem. Você vai ficar bem, eu sei disso. Eu sempre quis que fosse feliz mesmo depois que eu saí de sua vida, e eu espero imensamente que encontre a sua felicidade, especialmente a que há dentro de você. Você é gentil, é amoroso, é divertido... mesmo que com um senso de humor esquisito — e sorriu para quebrar toda a tristeza que pairava no ar. — Eu espero que realmente encontre tudo o que eu já vi um dia quando eu partir. Eu ainda acredito que você pode mudar.
 

— É aí que está. Não restará nada de bom no mundo quando você for, muito menos em mim. Eu sei que ainda está vivo, e mesmo quando estava longe de mim eu ainda podia sentir você, porque você está aqui, respirando, vivendo, sendo feliz, mas isso muda quando eu souber que jamais terei a chance de ver Lee Felix novamente.
 

Felix devia pensar em alguma alternativa. A pior parte disso tudo sempre foi lidar com as pessoas ao seu redor, e vê-las machucadas como se tudo fosse de fato escolha de Felix também o machucava profundamente.
 

— Pois então lembre de mim. Feche os olhos, pense em todas as coisas boas que viveu comigo e tente replica-las sempre que puder. Você se lembra de quando colheu girassóis em um parque e as deu para mim, o quanto sorri? — e sorriu da mesma forma que naquele dia — Foi um ato totalmente puro, genuíno e sem interesses. Tente dá-las a alguém, ou até mesmo um desconhecido apenas para arrancar os sorrisos dessa pessoa. Acredite em mim, sei que isso o fará bem. Eu odiaria pensar que seria infeliz o resto de sua vida quando eu descansasse, então preciso que me prometa que fará qualquer coisa para encontrar a sua felicidade.
 

Changbin ponderou, limpou discretamente as lágrimas e concordou, ainda que naquele momento lhe parecesse ridículo.
 

— Tudo bem, eu o farei, Lee.
 

Felix suspirou aliviado, e ficaram ali por alguns minutos compartilhando do silencio. Até que voltou a notar os fones de Changbin.
 

— O que está ouvindo? — Felix perguntou olhando para os mesmos, tentando mudar de assunto.
 

Changbin tirou um dos fones que nada tocavam já que tinha pausado a música quando Felix chegara. Ele sorriu um sorriso triste, e em um toque no celular eles voltaram a tocar. Estendeu um dos fones que havia tomado para que Felix ouvisse a música junto com ele.
 

— Você quer adivinhar? — perguntou antes que o colocasse.

 

The lights go out and I can't be saved
Tides that I tried to swim against
You've put me down upon my knees
Oh, I beg, I beg and please, singing
(As luzes se apagam e eu não posso ser salvo
Ondas contra as quais tentei nadar
Você me colocou de joelhos
Oh, eu imploro, eu imploro e suplico, cantando)

 

Felix sorriu ao ouvir o verso com a melodia cativante, fechando os olhos ao relembrar de bons momentos.
 

Clocks... — respondeu ainda sorrindo.
 

A música se desenrolava enquanto Changbin prestava atenção em cada detalhe de Felix, como se lhe fosse uma dádiva contempla-lo ao som de Coldplay pela última vez, como nos velhos tempos. E ele ainda lhe arrancava suspiros, lhe deixava o coração em euforia.

 

...Gonna come back and take you home
I could not stop that you now know, singing...
Come out upon my seas
Cursed missed opportunities
Am I a part of the cure
Or am I part of the disease? Singing...
(...Vou voltar e te levar para casa
Eu não poderia parar agora que você sabe, cantando..
Apareça sobre meus mares
Malditas oportunidades perdidas
Sou uma parte da cura?
Ou sou parte da doença? Cantando...)

 

Changbin se atreveu deitar a cabeça no ombro de Felix, e este lhe permitiu, deitando a cabeça sobre a sua em resposta enquanto cantavam juntos a letra da música bem baixinho.

 

Home, home, where I wanted to go... — cantaram em uníssono sussurro, desejando imensamente voltar aos seus respectivos lares.


Notas Finais


o próximo capitulo está entre meu top 3 dos mais tristes :'c
será que alguém consegue adivinhar o próximo personagem?


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