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História Filter - Capítulo 2


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Notas do Autor


Olá, pessoal <3
Fazia tanto tempo que eu não escrevia algo tão explícito hahahaha
Ficou grandinho, mas espero que gostem

Capítulo 2 - El Lenguaje del Alma


Fanfic / Fanfiction Filter - Capítulo 2 - El Lenguaje del Alma

— Por favor, leve o drink para aquela senhorita de vermelho bem ali.

O copo de cristal repleto de mamajuana foi erguido, junto a um bilhete dobrado, e entregue ao garçom bastante simpático. O estrangeiro apontava para a mulher sentada em uma das cadeiras distribuídas em volta do bar estilo trezentos e sessenta graus. A bela dançarina de vermelho que mexia distraidamente em seu celular. Os cabelos, agora soltos, combinavam com a imagem atraente e Jimin estava adorando a visão daquele ângulo privilegiado. Os detalhes das costas nuas pela fenda da peça eram um tanto impossíveis de não serem observados, a pele parecia tão brilhante, refletindo as luzes coloridas do ambiente em que estavam.

Park tinha escolhido a bebida após obter dicas exclusivas com o sommelier. O drink típico era famoso entre os turistas pelas propriedades afrodisíacas e tinha como ingredientes principais o mel, o rum, algumas especiarias, plantas locais e um ótimo vinho. Ele achou a ideia perfeita para que pudesse retribuir o bom papo que teve com ela antes que acabassem indo em direções opostas.

O garçom dominicano assentiu, levando com elegância o pedido especial do hóspede coreano. Jimin refletia sobre a própria atitude, querendo saber o quanto antes qual seria o desenrolar daquela pequena história. Guardava em si um sentimento incrivelmente comum, não que fosse algo ruim, pelo contrário. Era o ideal. O farfalhar do vento nas copas dos coqueiros, a linha do mar ao longo do horizonte mesclada com o céu noturno, a bebida agridoce na ponta da língua, a imagem dos longos cabelos castanhos de Olivia que moldavam os contornos do corpo. Era tudo divino.

Ele viu quando o funcionário do hotel tocou o ombro feminino, olhando de relance para Jimin antes de entregar a bebida e o bilhete. Apesar de parecer ter sido surpreendida, a mulher aceitou o que era oferecido e girou o corpo, que ainda descansava no banco rotatório, para o lado. A dominicana trocou olhares com o coreano, sorrindo de forma doce e desfazendo as dobras do guardanapo branco. Park resolveu arriscar, afinal. Tinha feito aquela viagem para que pudesse deixar qualquer máscara trancada em um armário bem fundo, com muitas portas que não gostaria de abrir por um longo tempo. Queria ser apenas um homem comum. Um homem que pode apreciar relações momentâneas do tipo que dessem a ele uma sensação diferente dentro do peito, que dessem a frenesi de descobrir algo novo por pelo menos um instante.

O último gole do uísque desceu com um gosto a mais captado pelo paladar de Jimin e, da outra ponta do salão, Olivia ergueu a sua singela recompensa ainda sentada próxima ao bar, brindando em silêncio. Ela teve êxito em decifrar a mensagem escrita com cuidado no pequeno pedaço de papel. Não evitou alargar a boca pintada por um batom de cor neutra em um novo sorriso de satisfação. O hóspede não era tão inexperiente assim, afinal.

Park levantou-se de seu lugar, guardou o celular no bolso e rumou para dentro da imponente construção muito bem iluminada. A arquitetura harmônica tinha toques modernos e ao mesmo tempo a simplicidade necessária para dar a sensação de local paradisíaco e relaxante. Perfeito para qualquer viajante procurando descanso ou uma fuga do dia-a-dia caótico.

Ele não olhou para trás para confirmar se o convite havia sido aceito ou não, mas não estava apreensivo. Jimin era pura leveza, não tinha motivos para preocupar-se com outra coisa que não fosse decidir qual lugar visitaria no dia seguinte. Quem sabe, aproveitaria o sol da próxima manhã para dar um mergulho no mar ou, talvez, realizar um passeio exploratório em uma das belíssimas cavernas da ilha.

O caminho desde o saguão do hotel até o corredor do sétimo andar foi curto. Park adentrou em seu confortável quarto após utilizar o cartão magnético na trava eletrônica e largou os óculos junto ao objeto na mesa de refeições. Retirou os sapatos para que andasse livremente pelo cômodo e pensou que estourar um champanhe era uma ideia esplêndida. O frigobar tinha um estoque variado de bebidas a pedido dele e um bom espumante tornou-se ainda mais necessário quando o barulho de batidas na porta soou de forma simplória.

Não precisava de mais detalhes para saber quem era e isso significava que a mensagem escrita em coreano não tinha sido um problema para Olivia. A decisão de mandar um bilhete foi motivada pela intrigante dúvida sobre os traços orientais da dançarina, apesar dos detalhes mestiços e únicos. Park queria saber até que ponto as raízes de ambos tinham similaridades e acertou em cheio a ver a bela dominicana em sua porta.

O sorriso que surgiu nos lábios masculinos era vívido e não demorou nada até que ele cedesse espaço para que ela entrasse. Teve novamente a visão das costas descobertas, mas logo estabeleceram contato visual que resultou em um novo momento de tensão e sondagem. Apesar disso, Olivia não parecia intimidada de estar ali, sozinha no quarto de um homem adulto e, é claro, não existia motivos para tal. Havia sido convidada por Jimin através daquele pequeno guardanapo para tomarem uma bebida com mais privacidade. Ela ponderou o que o convite significava, porém, chegou à conclusão de que gostaria de conhecer o estrangeiro mais a fundo.

Para Olivia, o desconhecido era especialmente intrigante e lindo. Uma incógnita de sorrisos atraentes adornados de sinceridade, com habilidades na dança dignas de apreço e, principalmente, olhos amendoados capazes de refletirem as estrelas.

— Se quiser ficar mais à vontade, pode usá-las.

Jimin abaixou-se para pegar o par de chinelos que estava logo ao lado. Olivia ainda tinha os saltos nos pés e ele acreditava que ela iria se sentir melhor para caminhar.

Um perfeito cavalheiro.

— Não quero ser um incômodo.

— Você não é. Sente-se ali, por favor. Irei ajudá-la.

A mulher ajustou o corpo pequeno na cadeira indicada por ele e não evitou observá-lo com minuciosidade quando o coreano se abaixou aos pés dela. Jimin tinha olhos que exprimiam bondade, ela percebeu de primeira quando dançaram juntos mais cedo, só que agora parecia estar vendo fogos de artifício. Explodindo e brilhando em meio à escuridão do céu noturno.

— Eu vou tirá-las, tudo bem? – Ela concordou com um manear de cabeça simples e Jimin tocou o tornozelo feminino com calma para abrir o fecho do sapato.

O toque era cuidadoso e gentil, mas fez com que a mais baixa ficasse inquieta. As mãos pareciam causar algo estranho ao entrarem em contato com a pele dela, Jimin também conseguia captar os pelos arrepiados em seu sensorial. Apesar dos dedos pequenos, a impressão que deixava era quente e gostosa, como se instalasse sem permissão alguma um desejo desconhecido. Um impulso latente e impensado de retribuir o toque, de checar a temperatura de Park para saber se ele também seria afetado por ela.

— Gostei dos sapatos. São bonitos e ficaram ótimos em você, mas acho que esses são mais confortáveis.

A voz melodiosa pareceu ter tirado Olivia de algum tipo de transe. A dançarina sacudiu a cabeça, demorando alguns segundos para entender que ele falava do par que tinha acabado de retirar dos pés dela, adicionando os de um material macio em seguida. Um sorriso agradável alargou-se nos lábios femininos. Nenhum homem que ela conhecia havia elogiado um detalhe tão trivial daquela forma. Bem, não que fosse um apreço direto, mas a mulher poderia concluir que o estrangeiro era no mínimo atencioso.

— Obrigada. – A dominicana acompanhou com os olhos os movimentos dele, levantando-se e caminhando até uma grande porta dupla que dividia o ambiente. — Nenhum homem elogiou os meus sapatos de trabalho. Nunca.

— Tenho quase certeza de que eles não sabem nada sobre mulheres. – Risadas em uníssono ecoaram no amplo quarto de hotel muito bem decorado como se fosse para alguém da realeza.

— E você sabe, Jimin?

Park teve o ímpeto de virar-se para encará-la. Não esperava por aquela pergunta, mas Olivia parecia pura curiosidade e aquela expressão um tanto ansiosa fazia com que diversos pensamentos brotassem na mente do coreano. A semente da dúvida que ele gostaria de regar até que florescesse em verdade e, principalmente, desse o fruto que demasiadamente queria naquele momento. Jimin não desistiria até que desvendasse o alvo bem em frente, esbanjando charme só por observá-lo com um sorriso nos lábios avermelhados.

— Posso até não saber tanta coisa assim, mas sou bom observador.

Olivia perdeu-se em risadas quando recebeu uma piscada de Jimin antes dele avisar que voltaria em alguns instantes porque trocaria a camisa que havia sujado com o molho do chicharrones de pollo, prato de frango frito que fez questão de experimentar na recepção daquela noite. Retornou após uma breve análise do que estava acontecendo, trajando preto, e indo na direção da, outrora esquecida, garrafa de espumante que havia colocado em um balde com gelo.

Ele tinha uma bela mulher à espera e não tardou em agregar duas taças àquela conversa inesperada. A luxuosa garrafa de Perrier-Jouët seria uma pitada de entusiasmo para os interesses do casal que, dessa vez, brindou da forma correta. O tintilar dos cristais foi sutil e possibilitou que Olivia percebesse o quanto o homem bebia de forma elegante. A áurea ao redor de Jimin parecia puxá-la para perto, como se chamasse-a para desvendá-lo por inteiro. Era atraente, cativante, fazia com que ela quisesse observá-lo sem pausas até que memorizasse cada detalhe.

— Então, você conseguiu ler o bilhete. – Referindo-se ao guardanapo entregue a ela minutos antes.

A frase veio em forma de afirmação pois estava claro que Olivia havia conseguido desvendar a caligrafia do estrangeiro. Jimin tinha gostado da dançarina de primeira, como nunca antes havia sentido em seus quase trinta anos, e a ideia de utilizar sua língua nativa para contatá-la partiu do pressentimento de que tudo estava interligado de uma maneira ridiculamente armada pelo destino.

— Também falo a sua língua. – Esclareceu. Dessa vez, abandonando o inglês. — Meu pai é coreano e a minha mãe dominicana.

— Que surpresa! Quer dizer que eu estava gastando minhas escassas habilidades de inglês com uma coreana? – A gargalhada de Jimin era divertida e contagiante, fazendo com que Olivia engolisse a bebida mais rápido. Ela quis rir daquele som gostoso, mas talvez não fosse o momento perfeito para isso.

— Claro que não. – Respondeu-o, cobrindo a boca e tossindo de um jeito cômico. Os olhos de Jimin praticamente sumiram em um sorriso ao vê-la corar por quase ter se engasgado com o champanhe e ele foi à procura de um lenço. — Seu sotaque é um charme. Valeu a pena para mim.

— Se te agradou, fico feliz. 

O lenço foi achado entre as malas do Park e recebido com apreço por Olivia. Ela passou o pano pelos lábios, sentindo brevemente um aroma floral, cheiro que concluiu ser do homem que estava de pé, sorrindo torto e com os olhos totalmente cravados nela.

A dançarina não se sentia desconfortável como se o olhar dele fosse do tipo indevido, mas de alguma forma era feroz. Deixava uma sensação de algo quente percorrendo o corpo, como se ambos estivessem em uma sauna e de repente os poros tinham que expulsar líquido. Uma súbita vontade de abanar a ela mesma teve que ser contida e Olivia viu-se apertando a taça com um pouco mais de força.

Respirou fundo, puxando o máximo de oxigênio que conseguiu para os pulmões. Acalmou os nervos, deixou as pálpebras cobrirem os orbes amendoados e sorveu da bebida com apreço, dessa vez, bem devagar e com cuidado. O champanhe que começava a circular pela corrente sanguínea faria o trabalho de amortecer os sentidos e relaxá-la para que continuasse ali, fingindo estar impassível como se a presença de Jimin não estivesse afetando parte alguma da mente da mulher.

— Obrigada. E você? O que faz na República Dominicana?

Ela ajeitou-se melhor na cadeira de madeira com estofado estampado, cruzando as pernas e arrumando a barra do vestido de modo automático. Os sapatos que Jimin havia emprestado ficaram um pouco maiores do que o necessário, mas Park gostou de ver o objeto que era dele nos pés femininos. Também teve, é claro, que segurar qualquer comentário sobre como as pernas esguias tinham músculos delineados que chamariam a atenção de qualquer homem. Apesar de saber que mais algumas taças o fariam elogiá-la sem pudores.

Tinha a convidado por algum motivo que ele nem mesmo sabia, mas que adoraria descobrir. Entender a motivação, o instinto em querê-la por perto, em partilhar uma bebida e conversar sobre qualquer coisa desde que pudesse admirá-la em meio a um quarto de hotel no país a mais de treze mil quilômetros do dele. Era ilogicamente excitante pensar no fato de que estava tão longe de casa, no entanto, completamente à vontade.

— Férias. Soube que era um bom lugar para descansar.

— E conseguiu?

Na realidade, Jimin não tinha conseguido pregar os olhos desde que aterrissou no novo país e nem sequer visitou algum ponto turístico ou pisou na areia da praia que ficava a poucos metros do hotel, mas sentia-se revigorado por dentro. Respirar novos ares, viver, mesmo que somente algumas horas, como se sua vida fosse aquela, de uma pessoa comum. Os momentos em que não precisava pensar demais, em que comia algo delicioso baseado na vontade de experimentar cardápios diferentes ou quando apreciava uma bebida sob a luz da lua eram indescritíveis.

A vontade colossal de aproximar-se não foi contida. Os pés moveram-se até ela sem que precisasse raciocinar sobre a ação. Park estava lidando com todos os cenários de forma sentimental. Vinha comportando-se assim desde que pôs os pés em La Romana e não pretendia guardar qualquer arrependimento.

— Sim, mas acho que não poderei descansar tanto assim essa noite.

O tom de voz deixava evidente os muitos sentidos que aquela frase poderia ter, além dos outros que caberiam à interpretação pessoal de Olivia. Ela tinha captado e imaginado todo o panorama em sua mente. Era uma mulher adulta, afinal, e já não carregava consigo qualquer barreira de inocência. Viu-se com ele em meio a lençóis de seda.

A única coisa capaz de tirar a atenção do que saía pelos lábios de Park naquele instante era o balançar aleatório dos dedos masculinos nos fios de cabelos castanhos. Percebeu ser uma mania que o homem carregava, porém, mesmo sendo um movimento involuntário fez com que a dançarina mordesse os próprios lábios em expectativa. Tinha convicção de que queria algo de Jimin, mas não sabia exatamente o que desejava. Ou, talvez, só não quisesse admitir ainda.

— Por que não?

As taças foram preenchidas pelo champanhe borbulhante novamente e Jimin aproveitou a oportunidade para aproximar-se ainda mais da dominicana, saboreando do gosto um tanto amargo de sua bebida. Ele esticou o braço e ofereceu uma das mãos em um novo convite que logo foi aceito por ela. 

Parecia que Olivia estava disposta a aceitar todos os chamados, independente do que fosse, ao menos naquela noite. O feitiço não havia sido jogado somente nele, claro que não, a dançarina foi pega pelo encantamento e não seria liberta até que visse Park sem qualquer armadura. Jimin seria despido e contemplado em sua essência.

— Porque eu adoraria dançar com você novamente.

O corpo de Olivia foi erguido para que estivesse frente a frente com o dele e a mão do estrangeiro encaixou-se com maestria na cintura feminina, por cima do vestido vermelho chamativo e atraente como chamas em plena combustão. Cada dedo que tocou de forma desejosa a curva bonita da mulher. Não foi necessário que ela verbalizasse qualquer resposta pois estava estampada nos olhos amendoados. Também não precisaram de música alguma, parecia tão natural os movimentos que faziam no mesmo ritmo. A dança que executavam transmitia com perfeição a linguagem tanto da alma de Jimin quanto da alma de Olivia.

Do lado de fora, o vento trazia consigo as nuvens carregadas de uma chuva de verão, tornando o clima massivo e abafado assim como a atmosfera entre o casal de quase desconhecidos. A densidade de olhares e toques, antes, sutis que foram ficando pesados e inquisidores, que queriam tatear e descobrir mesmo por cima dos panos.

Park adorou os dedos finos e delicados que se firmaram nos ombros, tão logo subindo de forma vagarosa pelo pescoço para buscarem pelos cabelos de sua nuca. A Kang era uma mulher perspicaz e respondia à altura as ações do outro.

— Preciso confessar uma coisa.

— O que?

A distância entre ambos era praticamente inexistente e Olivia podia contemplar de perto as pequenas pintas de nascença no rosto, agora um tanto sério, de Jimin. Levou os dedos até a face bonita, deslizando o polegar com lentidão. Era terno até chegar nos lábios masculinos entreabertos, circundando-os. Até Park subir com a mão pelas costas, parando na fenda do vestido. Até um carinho ser deixado na pele dela e um suspiro quebrar o silêncio.

Mechas de cabelos foram parar atrás da orelha adornada por um brinco reluzente e os dedos da outra mão do coreano se apossaram da lateral do pescoço. Ele sentia o pulsar do coração dela bem ali, na palma. Queria senti-lo acelerar ainda mais, bater desenfreado acompanhado de gemidos audíveis.

— Eu quero beijar a sua boca. Muito.

Olivia teve que lidar com a sensação calorosa que se apossou do baixo ventre sem permissão ao processar a fala do outro. Cada membro preso ao corpo esguio parecia ter endurecido, rígido, ansiando por um mísero toque que pudesse apagar a quentura ou fazê-la se alastrar de vez até que ela queimasse por inteira.

O próximo passo foi prender os cabelos macios da nuca dela entre os dedos, descendo e subindo, alisando e enrolando. Jimin encarava os lábios pequenos, fazendo uma leve pressão na pele feminina. Ele queria conduzir, cortar a tensão que os aplacava sem piedade, afundar-se nela em todos os sentidos imagináveis e inimagináveis.

— Não sei se percebeu, mas eu também quero isso.

— Desde quando?

Ele estava tão perto. Já não era mais possível voltar atrás. Desejava tocar a lua resplandecente.

— Desde que passei por aquela porta ou quem sabe ... desde a nossa dança lá embaixo.

Dessa vez, Jimin e Olivia não estavam cara a cara. A falta dos saltos fez com que as bocas estivessem distantes e ela precisou se erguer nas pontas dos pés, rodeando o pescoço dele com ambos os braços. A mulher desejava descobrir com os próprios lábios a textura do outro e foi o que ele deu à bela dançarina.

Primeiro, tocou-lhe o queixo com suavidade, deixando um beijo estalado e tenro. Os dedos repletos de anéis voltaram para a cintura feminina, puxando-a de encontro ao corpo dele e pressionando o quadril para criar um atrito enlouquecedor. Depois, mordeu parte do maxilar e da bochecha direita, fincando os dentes e espalhando saliva em uma tortura pré-apocalíptica. A pressão gerou certa dor imoralmente atrativa que foi recebida e apreciada por ela. Era excitante. Os olhos da Kang se mantinham fechados, temia enlouquecer se visse a expressão descarada de Jimin.

O ápice veio com o beijo. Uma mistura de champanhe com desejos inquietantes de tocarem um ao outro. Park não hesitou, não economizou na gasolina que jogou sob as chamas do corpo feminino, ele foi implacável. Encaixou as bocas como se tivessem praticado, mordeu o inferior escutando um arfar sôfrego e deixou uma das mãos escorregar até a bunda. Por cima do vestido. Apertando a carne. Ele afastou as pernas desnudas com as dele de um jeito inflexível, tomou o lugar entre elas com uma das coxas assim como a língua tomava espaço entre os lábios avermelhados. Jimin queria deixar claro que, naquela dança, seria ele a comandar os passos.

Aquilo estava sendo uma completa loucura, desmedida e impensada. Estava possesso e irracional, seguindo desejos que não tinham base alguma na coerência e que faziam aflorar na dominicana os mesmos sentimentos escorregadios. Tão lúbrico quanto a agilidade dos dedos que adentravam por debaixo do tecido, delineando as curvas das coxas que Park tanto gostou.

— Eu quero te colocar sentada ... em cima de mim. – A frase soou um pouco desconexa e necessitada, mas foi de total compreensão para Olivia. Tinham partido o contato dos lábios, respirando de forma apressada. Ela somente sorriu, maneando a cabeça em concordância ao encontrar os olhos dele. Deixaria Jimin guiá-la.

Entrelaçaram os dedos como se fossem almas cúmplices de uma outra vida e ela seguiu os passos do homem logo à frente. Jimin sentou-se em uma das cadeiras disponíveis no quarto, espaçando as pernas e deixando pequenas batidas ritmadas na própria coxa em um ato que tinha o objetivo de desestruturar a dançarina. Estava chamando-a para que realizasse o desejo aprisionado que havia confessado anteriormente.

Ele encarou a mais baixa de um novo ângulo, deixando transparecer um sorriso de lado ao senti-la se encaixar com cautela. O vestido subiu mostrando mais pele e as mãos dele logo forneceram apoio, segurando a cintura pequena como se tivesse o costume ao fazê-lo. Os cabelos caíram como cascatas, moldando o rosto feminino e a expressão que caracterizava a face esplendorosa da dominicana era de puro deleite.

Park sentia-se tão atraído e hipnotizado, como se contemplasse as estrelas brilhantes em um dia quente de verão. A atmosfera sedutora e casual instigava o hóspede a não pensar em nada além da mulher que encarava. Os olhos bonitos que pareciam transmitir um sentimento estranhamente aconchegante e ao mesmo tempo agressivo. 

A brisa suave que adentrava pela janela entreaberta não era suficiente para aplacar a temperatura dos corpos envoltos naquela bolha de tensão sexual que precisava de alívio. Esse que logo veio em um novo beijo iniciado com um selar molhado e pegajoso. O barulho dos lábios se encontrando cortou a bolha como uma lâmina bem afiada faria e Olivia não conteve um gemido ao se remexer no colo de Jimin. A roupa que ele vestia atritava com a pele exposta, mas a Kang aguentaria um pouco mais antes de tirá-la com as próprias mãos.

A troca de calor através dos toques urgentes, os suspiros de prazer e os beijos apressados compunham o cenário que ela havia imaginado minutos antes. Mas, agora, a realidade palpável dava a certeza que precisava para não se conter. Era como estar em uma montanha-russa. O medo inicial da sensação desconhecida que é cair de um precipício, mesmo amparada por itens de segurança. No entanto, uma vez que você embarca na viagem, o que resta é libertar-se e aproveitar da loucura desmedida que é despencar. Jimin estaria lá para segurá-la, afinal.

A forma como teve os cabelos puxados, que estavam presos entre os dedos do homem, fez com que ela segurasse um gemido e intensificasse os lábios contra os dele. As mãos buscaram a barra da blusa preta e Jimin suspendeu os braços por um instante para que o tecido deslizasse até ser arremessado em algum canto do quarto pela dançarina. A pele tinha um tom natural, levemente bronzeado, e os músculos tensionados do abdômen receberam uma carícia. Olivia desceu com a mão de encontro ao zíper da bermuda, afoita por tocá-lo com mais liberdade. Sentiu o coreano contrair-se ao tanger os contornos do pênis excitado ainda coberto.

Park enrijeceu ainda mais ao ter os movimentos dos dedos femininos naquela parte tão sensível do corpo. Queria livrar-se das roupas para apreciar o carinho sem empecilhos. Sentia o líquido pegajoso começando a grudar nas vestes e o pulsar latente entre as pernas que clamava por atenção. A boca aproveitava do pescoço macio da mulher, distribuindo leves sucções na pele perfumada. Olivia tinha um cheiro e um gosto único. Incendiava a língua. Deixava Jimin louco para chupar cada pedaço.

— Olivia, eu ... isso. Continua.

Tudo que estava acontecendo naquele quarto de hotel em um país distante não tinha sido planejado, mas Jimin decidiu fazer a viagem de férias justamente para que pudesse vivenciar a experiência da casualidade com uma mulher que havia achado encantadora. Olivia tinha um charme que ele não conseguia colocar em palavras. Era doce, cuidadoso e ao mesmo tempo sensual e provocante. A voz que suspirava por ter os lábios masculinos rastejando pela curvatura dos ombros estava deixando o coreano completamente duro.

As alças do vestido caíram em sequência, uma tirada pela boca e a outra pela mão quente de Park. O fecho lateral foi notado com rapidez após uma tateada aqui e ali, logo deslizando para baixo.

— Posso tirar? – Questionou, grudando os lábios aos dela em um beijo ligeiro. Tudo o que pretendia dizer, queria que fosse olhando-a nos olhos. — O vestido é bonito, mas no momento estou odiando essa barreira entre a minha boca e a sua pele. Quero sentir mais de você.

O sorriso que ele mantinha ao pedir permissão com aquela voz baixa e explicitamente descarada para tirar o vestido era insano. Uma espécie de expressão voluptuosa e olhos de pura devoção. Park irradiava devassidão, calor, desejo. Queria contemplar a nudez por completo, beijá-la, tocá-la, escutá-la gemer e clamar por prazer.

Olivia não respondeu, mas escapou dos braços masculinos e se pôs de pé. Park ergueu uma das sobrancelhas e os lábios curvaram-se em um sorriso, ansiando pelo que viria a seguir.

Ela iniciou um remexer lento, tocando o próprio pescoço antes de descer para os seios e começar a puxar a peça de roupa para baixo. O vestido deslizou, caindo no chão, e a dominicana fez menção em ir até Jimin, mas ele foi mais rápido. Teve a visão dos seios medianos descobertos, livres de um sutiã apertado que não existia, e da calcinha lisa cobrindo o sexo. Sentia-se incandescente, tomado por tesão. Caminhou como um felino sedento por sua presa e envolveu a cintura fina. Deu pequenos passos para a frente, encarando a mulher sem dizer uma palavra, e, quando estava perto o suficiente da cama, girou os corpos. O quadril afundou no colchão macio e Park a trouxe novamente para o colo. 

A boca envolveu o seio esquerdo enquanto a destra circundava o outro. A sensação da língua no mamilo rígido e sensível era completamente extasiante. Jimin alternava entre sugar e morder deixando Olivia fora de orbita. A saliva fazia com que a língua deslizasse sem barreiras, chupando até que a pele ficasse avermelhada. Outro gemido veio, um som arrastado e sôfrego, e as mãos buscaram pelos cabelos dele.

A chuva torrencial molhava tudo que conseguia do lado de fora. Pingos grossos caíam na sacada e as cortinas balançavam sem rumo, seguindo o vento que acompanhava a tempestade, mas o casal estava preso em seu próprio mundo secreto. A Kang envolveu o rosto masculino, trazendo para cima para que pudesse saciar a vontade dos lábios. O corpo, inquieto, movia-se contra Jimin, rebolando de forma vagarosa. Ela se sentia molhada, necessitada, precisando de alívio. Esse que só viria quando ele fosse dela por inteiro.

Os olhos fechados não conseguiam discernir os movimentos dele, por isso, os dedos macios que puxaram a calcinha para o lado à fim de serem fonte de abrandamento para a excitação da dominicana deixaram-na completamente surpresa. O toque era quente e ainda superficial. O indicador e o médio esfregavam o sexo lubrificado, indo de encontro ao clitóris que precisava de atenção. O carinho era lento e contínuo. Aprazível ao ponto de que o nome de Jimin fosse proferido pela mulher em sequências inconstantes.

— Olivia.

Os beijos desceram para o pescoço. Os dentes rasparam a pele antes da boca se fechar em uma mordida de pouca pressão. Ela apreciava os resquícios do cheiro de colônia masculina, deixando que os lábios tocassem cada mísero canto de Park Jimin. O maxilar definido, a ponta da orelha que carregava um brinco prateado, o pomo de Adão protuberante, a extensão da garganta que terminava nas clavículas. Pequenos selares demorados que, ao final, explodiam em fogos de artifício na derme eriçada.

O quadril continuava indo e voltando, as mãos apoiadas nos ombros do coreano assim como os joelhos contra o lençol afável da enorme cama. Ter os dígitos brincando próximos à entrada distensa era despudoradamente fascinante. Não conteve o furor de abrir as pernas para, então, senti-los entrar com facilidade.

Hmm ...

— Te masturbar enquanto você rebola tão gostoso desse jeito está me deixando completamente louco. Estou usando todo o meu autocontrole para ir devagar.

A risada anasalada de Olivia saiu entrecortada, em meio a dizeres indecifráveis. O torso expandia e comprimia, buscando a troca de oxigênio enquanto Jimin aumentava a velocidade dos dedos ao penetrá-la. A lubrificação escorria para as coxas e a sensação tornava-se cada vez mais prazerosa, construindo caminho no ventre quente para que um orgasmo viesse.

Dios mio ... Jimin, eu preciso gozar. – O espanhol escapou sem qualquer planejamento e ela não teve outra opção a não ser apoiar a testa no peito dele. Fechou os olhos com força, mordendo os próprios lábios para que um gemido alto demais  não ecoasse no quarto.

Ser fluente em três línguas diferentes poderia ser uma bênção ou uma maldição, mas no caso atual, era somente um toque charmoso na visão de Jimin. Não sabia muito sobre a vida da mulher que observava com bastante atenção, mas estava agindo de acordo com os sentimentos que criou em poucas trocas de olhares. Mesmo que fosse casual, mesmo que nunca mais fosse vê-la depois disso, estava curtindo compartilhar as sensações em uma noite chuvosa de verão.

— Você vai, linda. Eu garanto.

O timbre de Park parecia o de um conquistador nato, mas ele daria o que ela quisesse. Seria qualquer um aquela noite. Qualquer personagem que Olivia desejasse que Jimin fosse. Garantiria a plena satisfação de sua dama de rojo.

No entanto, o que o estrangeiro não fazia ideia era que a dançarina tinha interesse apenas no homem de sorriso amplo, tez úmida, olhos vidrados e mãos que a puxavam pelas coxas para que deitasse por cima dele. O exato Park Jimin do segundo em que voltou a colar os lábios, que ajeitou a cabeça no travesseiro mais próximo, abrindo a boca feminina com a língua até fazê-la perder o ar. Aquele de quem a Kang desobstruiu os botões desnecessários para livrá-lo da bermuda, rindo ao vê-lo mexer as pernas de forma desajeitada para se desenvencilhar da peça, para, em seguida, marcar a carne da bunda dela com toques vigorosos. 

Um cara sem qualquer filtro diante da desconhecida que almejou ao pisar naquela recepção de hotel.

Jimin queria que ela sentasse com mais força sob o pênis endurecido. Puxava o quadril curvilíneo de encontro ao dele próprio e a visão que tinha de baixo, da mulher com seios livres e excitados que jogava a cabeça para trás com uma expressão dolorosa na face corada, era surreal. Um nível de sensualidade que ele não se recordava de ter visto em ninguém.

— Jimin?

Eles não poderiam contemplar naquele momento, porém, a lua minguante, que outrora estava sob as cabeças de ambos, continuava no céu. Um pouco encoberta pelas nuvens de tempestade, mas, ainda sim, imponente e bela como uma bendição para dois desconhecidos de terras distantes.

— Diga, minha linda.

— Eu quero tocá-lo também. Aqui. Devagar. Como você fez comigo.

Olivia não precisava de permissão para que terminasse de despi-lo, no entanto, assim como Jimin, queria verbalizar o que faria com ele. As palavras tinham o poder de instigarem a mente a imaginar como seria ter os dedos rodeando a glande sensível, deslizando por toda fáscia ereta. Talvez, depois, ter a boca dela.

Não foi necessário que ela dissesse mais nada. Park segurou a destra da dominicana levando os dedos finos para dentro da roupa que restava. A sensação era gostosa. Nova apesar de antiga. Se é que isso fazia sentido. Não que precisasse fazer. Ele só queria os orbes curiosos e amendoados vidrados nos dele enquanto Olivia dedilhava os músculos firmes do abdômen, descendo pelo trajeto do umbigo, das cavidades laterais que marcavam o corpo esbelto até os pelos curtos no início da virilha.

— Faça. Faça o que quiser. Eu fiquei excitado só de te olhar de longe, dançando. E, porra, não sabe o quanto eu quero dar um fim nessa maldita calcinha e te chupar logo.

— Você é louco, Park Jimin.

— No momento, estou louco por você.

Olivia sentiu as bochechas esquentarem ao escutá-lo dizer tudo aquilo tão perto. Por mais que não fosse um sentimento vergonhoso, era um ataque direto e certeiro e, enquanto ela tentava se concentrar nas carícias que fazia, Jimin esbanjava um sorriso ladino e convencido. Bingo. Um a zero.

— Então, considere um empate entre nós.

O toque dos lábios molhados fez com que o coreano ficasse calado. A saliva misturada ao líquido seminal viscoso facilitava os movimentos da língua, tracejando o membro fálico antes de engoli-lo. A sensação que Jimin ansiou em pensamentos profanos era incomparável agora que havia se tornado real. Uma mulher com a qual tinha uma conexão irreal, que enchia-no de tesão e de vontades profundas de tê-la para si.

Os olhos faziam questão de estarem cravados nos dele como se perguntassem à Park o que ele faria com ela depois daquilo. Depois de chupá-lo com tanto afinco como Jimin queria. Poder ser o personagem principal daquele ato era realmente enlouquecedor. Park Jimin estava certo e débil. Chegando no limite que o fez interrompê-la. Também queria gozar, mas não antes dela. Não antes da bela dama de vermelho.

Olivia jogou a última peça de Park antes de levantar um joelho de cada vez para tirar sua própria calcinha. Moveu-se sob a cama apoiada nos membros inferiores e nas palmas das mãos até estar perto o suficiente para que fosse amparada pelo homem. Ergueu-se o máximo que conseguiu, segurando na cabeceira da luxuosa cama de casal, e voltou a descer o quadril de encontro aos lábios dele.

Jimin firmou os dedos nos contornos das nádegas femininas. Grandes, macias e redondas. A língua sorveu a lubrificação do sexo inchado, parando no clitóris hirto e molhado. Ia devagar, lambendo e chupando até senti-la escorrer mais e pedir, entre gemidos e lamúrias, para que a fizesse gozar. O movimento que ela fazia era pequeno, subindo milimetricamente para então descer, mexendo o quadril em círculos contínuos.

A dominicana não havia conhecido tantos homens assim, porém, tinha a plena certeza de que Jimin não seria esquecido. As lembranças seriam tão abrasivas que ficariam marcadas como os toques que recebeu, e ainda receberia, por toda extensão da pele arrepiada e suada. As gotas desciam entre o vale dos seios, traçando pontos de um caminho sem rumo e nem fim, assim como os dedos de Park percorrendo o próprio pênis enquanto chupava a mulher acima dele. 

Olivia deu fim ao prazer individual, curvando-se rapidamente para deixar um estalar longo nos lábios que tinham o gosto dela. Sabia que não aguentaria mais. Estava chegando ao ápice daquele passeio de montanha-russa.

Viu Park mover-se entre os travesseiros em busca da gaveta do criado-mudo e a embalagem de um preservativo surgir. Esperou, contemplando os detalhes dos antebraços de veias saltadas, dos mamilos expostos, da barriga com a coloração dos arranhões que começava a aparecer, dos cabelos desalinhados e completamente sensuais, da boca vermelha e dilatada. Ele era lindo.

Só voltou para a realidade ao ser chamada por aquela voz enrouquecida. Achava ter recebido o nome mais incrível do mundo ao escutá-lo ser proferido melodicamente pelos lábios de Jimin.

Ela tomou o lugar que antes era dele, deitando por cima dos lençóis embrenhados. Park teve o cuidado para não deixar todo o peso sob Olivia, colando o máximo possível das peles antes de tomá-la em um beijo doce e necessitado. Foi envolvido pelas pernas torneadas que circundaram a cintura, grudando os sexos que não conseguiam mais esperar, até senti-la se impulsionar para cima, pedindo para que ele fizesse o movimento contrário.

— Você é linda. Linda mesmo. Em cada mínimo detalhe.

Os seios rígidos foram espremidos pelo peito largo e, só então, ele veio. Lento, deixando a glande se arrastar por todo o território tórrido e úmido antes de penetrá-la. Calmo, entre suspiros e mordidas. Apertos e lambidas. Controlando, sentindo cada centímetro ser recebido na cavidade lubrificada. Ela gemeu. Uma, duas, três vezes. Apenas o nome dele.

Mantinham os olhos abertos querendo apreciar cada expressão que surgia nos rostos. Algo que estavam compartilhando somente entre os dois, como um segredo que ficaria guardado pela eternidade.

Os dedos repousaram no queixo feminino, selando o local antes voltar a pedir pela boca. O beijo era afoito, acompanhava os movimentos que Jimin fazia contra o corpo pequeno, entrando e saindo com lentidão. A sensação crescente no ventre de Olivia fazia com que ela apertasse os braços de músculos rígidos dele, tentando descontar o ímpeto por um orgasmo que ainda não havia explodido.

— Gostosa também. – Uma risada nasal e unhas femininas fincando nas costas de Jimin. Dor e prazer ao mesmo tempo. — E fodidamente molhada e quente.

[ ... ]

As ondas no oceano calmo iam e vinham com extrema sutileza. As águas cristalinas em tons incríveis de turquesa compunham a paisagem paradisíaca em Cayo Arena. O dia era quente e ensolarado sem qualquer resquício da tempestade da noite anterior.

Sentada de forma despreocupada em uma cadeira fincada na areia da praia, Olivia absorvia a energia da grande estrela central do Sistema Solar. A pele resguardada pelo protetor passado às nove horas brilhava em um tom bronzeado incrivelmente belo.

A brisa suave balançava os poucos fios de cabelos livres do chapéu artesanal de borda arredondada. Tinha o dia de folga e decidiu aproveitar a calmaria de uma praia distante do centro enquanto folheava as páginas de um livro que pretendia terminar em breve.

Morar em um lugar tão exótico, repleto de turistas, mas ao mesmo tempo com rotas de fuga como aquela era a parte preferida da dominicana. A família da dançarina era pequena, por isso, desde muito nova aprendeu a gostar da própria companhia. Momentos simples como saborear um suco de melancia, observando o horizonte infindável trazia uma completa sensação de paz.

— Então, é aqui que você está se escondendo.

A voz, agora, era bastante conhecida e de um timbre agradável. Não precisou se mover, Jimin caminhou com pés descalços pela areia até estar de frente para ela. A calça de cor creme dobrada dois dedos, brincos e anéis característicos além de óculos escuros. Totalmente charmoso.

— Acho que você está enganado. Não tem ninguém se escondendo aqui. – O livro foi deixado de lado. Jimin se aproximou, buscando abrigo no guarda-sol.

— Claro. Escondendo não, mas talvez fugindo? Pelo menos você me deixou um bilhete.

O tom era divertido e um sorriso na boca volumosa denunciava o bom humor do coreano apesar de ter acordado naquela manhã em uma cama sem qualquer rastro da dançarina. Havia somente um bilhete singelo, perto do cartão que dava acesso ao quarto.

Olivia não carregava qualquer arrependimento, mas sabia que aquela relação começou já tendo um ponto final. Jimin estava de férias em um país estrangeiro, logo voltaria para a própria rotina e, então, decidida a facilitar as coisas, foi embora sem uma despedida cara a cara. Contudo, admirá-lo abaixo dos raios de sol com uma linda paisagem ao fundo seria outra memória que nunca poderia esquecer. Parecia uma pintura, planejada em cada detalhe e traçada com muito amor pelas mãos de um Deus generoso.

— Como me encontrou aqui?

— Não foi difícil conseguir informações. Os funcionários daquele hotel são bem gentis.

Mesmo que ele pudesse entender o lado da Kang e da saída estratégica, sentia a necessidade de encarar os orbes amendoados e brilhantes. Saber se estava tudo bem, se tinha feito algo de errado, se ela não queria mais vê-lo. Ainda que não tivessem qualquer relação ou que não devessem explicações um ao outro, Park só estaria satisfeito ao apreciar o sorriso dela.

— Sabe, Olivia. Nós somos meros quase desconhecidos e eu vou embora na próxima semana, mas, mesmo que essa seja uma proposta totalmente maluca e, mesmo que eu leve um fora, você quer almoçar comigo?

A expressão curiosa ficou leve e aprazível em segundos. Jimin não poderia dizer se era por causa do sol ou se ela tinha as bochechas coradas naturalmente, porém, a atenção foi roubada pelos lábios avermelhados e chamativos, para o repuxar em um sorriso doce pelo qual ele ansiou. 

A mão estendida em um convite que logo foi segurada.

Talvez, o tempo mudasse e outra chuva viesse. Talvez, nunca mais o encontrasse em toda a vida. Talvez, no futuro, iria se arrepender de algo. Mas, aquele era o presente que Olivia pretendia preencher somente com felicidade.

— Vamos, Jimin. Acho que a nossa dança ainda não chegou ao fim.




Esse era Park Jimin. Não o cara de Busan. Não a estrela mundial. Apenas Jimin.

Sem filtros.

"Oh, please look at me now."



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