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História Fim da Época - Capítulo 4


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Capítulo 4 - Capítulo III


Fanfic / Fanfiction Fim da Época - Capítulo 4 - Capítulo III

MATSUURA AWARI - LOCALIZAÇÃO DESCONHECIDA

Eu vejo bem e posso analisar com precisão cada passo dado pela mulher de meia idade à minha frente. Ela continua a andar de um lado para o outro falando sem parar, me mandando levantar da cama, mas a única coisa que sou capaz de fazer é continuar estagnada no mesmo lugar, sem entender o que está acontecendo diante dos meus olhos.

Percebo aos poucos que a paciência dentro do enorme quarto em que estou está indo embora, e engulo com vontade a saliva que se juntou em minha garganta.

— Quem é a senhora? — pergunto sentindo minha voz chiar. — O que é isso? Onde eu estou?

Aos poucos vou me levantando da cama alta, sentindo o tapete abaixo dos meus pés descalços. A mulher velha coloca as mãos na cintura, bufando alto. O mosqueteiro irritante me atrapalha quando tento me afastar da cama e ir para o cantinho do cômodo, acabo tropeçando entre tantos panos e batendo os joelhos no chão.

— Veja só isso! Mas que conversa é essa? — a mulher de roupas marrons se aproximou me pegando pelo braço, sem que eu tenha tempo para reagir. — Sabe que sua mãe não gosta que fique se machucando por aí. Moças de pele marcada não são atraentes. E pare já de brincadeiras, venha tomar logo o seu banho para que desjejue com seus pais.

— M-mas, por favor, senhora... eu... — olho fixamente para os olhos dela, sentindo que ela quase entendeu que eu não sei o que estou fazendo aqui, mas a mudança em sua expressão me mostra que nada do que eu diga vai me ajudar.

Eu cedo, me deixando levar pelo puxar das mãos dela, que me tira do quarto enorme me levando até uma porta alta, marrom e pesada. Olho ao redor com meu braço ainda preso pelos dedos longos femininos, analisando bem o lugar.

É tudo muito, muito antigo. A maioria das coisas são feitas de porcelana, o cheiro é bom, há flores por muitos cantos e no meio... uma grande e bela banheira feita, muito provavelmente, de cerâmica. Quero analisar melhor tudo aquilo, mas não consigo continuar quando os panos que estou vestindo começam a se afrouxar, prestes a cair no chão.

A mulher começa a tirar minha roupa e eu arregalo os olhos extremamente assustada. Não entendo nada do que está acontecendo e minha única opção é tentar me afastar mais uma vez, quase de supetão.

— O que está fazendo? Por favor... eu...

— Você precisa de seu banho. Mas o que estás havendo com a senhorita hoje?

Eu tento falar, mas minha voz vacila diante de todos os movimentos bruscos realizados pela mulher. Sinto minha cabeça girar e uma leve tontura me atinge, fazendo com que eu logo me acalme, sem ligar para o fato dos panos que antes cobriam meu corpo, já não estarem mais comigo.

— Venha, a água está na temperatura ideal para o banho. — ela volta a me segurar pelo braço, mas parece ter deixado de lado a força que antes usara para tentar fazer com que eu me movesse.

Eu finalmente aceito me aconchegar dentro da enorme banheira de cerâmica, sentindo a água morna me cobrir como uma coberta extremamente confortável. Tento esconder meus seios não fartos da mulher, me afundando um pouco mais na água quando percebo que a mesma se encontra de costas.

Cada canto do lugar me parece cada vez mais interessante quando levo em conta que nada do que se encontra em minha frente é conhecido por meus olhos. A senhora volta a olhar para mim e eu abro a boca em surpresa, engolindo seco.

— Por favor... onde é que eu estou? — pergunto baixo, tentando olhar nos olhos da moça apressada.

— Por que insisti em me fazer esta pergunta? — me responde sem esboçar expressão alguma. — Levante os braços.

Continuo parada em silêncio, analisando as mãos cheias de sabão que eram direcionadas à mim.

— Por que insiste em não responder? — retruco ainda baixo, e sinto meus braços serem levantados.

Ela não me responde nada, passando a esponja esbranquiçada pelo meu tronco, enquanto sinto meu rosto esquentar devido à vergonha de estar tão exposta a alguém que nunca vi em minha vida.

— Continuará usando esta água de cheiro? — ela pergunta, me mostrando um frasco de vidro com um líquido esverdeado o preenchendo. — Disse a sua mãe ontem que não queria mais.

Engulo seco e sinto meu coração pesar ao ouvir a palavra "mãe" ser dita tão firmemente pela mulher impaciente. Eu preciso saber o que está acontecendo, começo a me sentir desesperada, tentando controlar a imensa vontade de surtar para finalmente saber onde estou.

Minha mãe está morta! Essa é a única verdade que eu conheço!

— Por favor! — seguro a mão envelhecida que se preparava para jogar o líquido verde na água da banheira. — Me diga onde estou.

— Ora, Lady Awari! Eu não tenho tempo para suas brincadeiras matinais. — ela despeja com a testa franzida. — Tenho muitos afazeres hoje, não podemos demorar com este banho!

— Eu não estou... não estou brincando. Por favor, eu não me lembro de nada.

A senhora permanece parada me olhando com a feição ainda mais séria, talvez testando a veracidade das minhas palavras. Com um pouco de mais calma, despeja lentamente o líquido na água do banho, e respira cansada, guardando o vidro.

— Certo, menina. — me olha com a sobrancelha esquerda levantada. — Você está em Eustakia, Reino do Norte Asiático, no ano de 1860.

Junto minhas sobrancelhas em incerteza. Eustakia? 1860?

— 1860?! — arregalo os olhos e me ergo de uma vez.

— Que bom que levantou, venha se vestir.

MIN YOONGI - LOCALIZAÇÃO DESCONHECIDA

Continuo olhando para cima intrigado, tentando absorver as palavras do homem montado à cavalo. O sol ainda pesa no topo de minha cabeça enquanto tento entender o que está acontecendo.

— Espera aí... do que é que você está falando, cara?! — me levantou de uma vez, vendo o homem descer do cavalo de crina bem cuidada. — Onde é que eu tô?

— Vossa Alteza... eu acho que desconheço os termos que saem de sua boca agora. — ele semicerra um dos olhos e se aproxima de mim, com um olhar cuidadoso.

Dou dois passos para trás e bato levemente as costas no tronco da árvore onde acordei encostado.

— Onde eu estou?

— O senhor está onde sempre está quando quer ficar sozinho. No topo do Vale do Pomo. — ele explica, ainda me olhando intrigado, com incerteza. — Eu admiro toda sua coragem para subir toda essa elevação de terra.

Ele olha para os lados, analisando a altura em que nós estamos. Trata-se realmente de um lugar alto.

— Topo do Vale do Pomo? — franzo a testa. — Mas o que eu estou fazendo aqui?

— Passaste a noite inteira fora. As Majestades estavam extremamente preocupadas. Vossa Alteza não se lembra?

— Majestades? De que Majestades está falando, afinal? — pergunto me irritando gradativamente.

— Majestades... o Rei, seu pai, e a Rainha, sua mãe.

Solto alguns risos com a boca entreaberta, olhando ao redor enquanto nego com a cabeça.

— É uma pegadinha, não é? Eu sei, já podem parar com isso. — reviro os olhos.

— Pegadinha? O que significa "pegadinha"? — o homem me olha cada vez mais confuso, me vendo cruzar os braços mais uma vez.

— Sim. Brincadeira idiota. — respondo impaciente. — Só pode ser coisa do Jimin! Eu tenho certeza.

— Jimin? — ele pergunta com entonação diferente. — Digo... — coça a garganta. — O Príncipe Jimin, seu irmão?

— Jimin, meu irmão? — ele assente em afirmação. — O Jimin não é meu irmão, é irmão da minha noiva. Jimin é meu cunhado!

O homem me analisa com os olhos arregalados e se aproxima novamente, tentando enxergar cada pequeno detalhe de meu rosto.

— Vossa Alteza não está se sentindo bem? — pergunta com cautela. — Acho que tomou muito sol pelo tempo em que está aqui.

— Quando vão acabar com a palhaçada, huh?

— Palhaçada?

— Não sabe o que é palhaçada? — me estresso, passando pelo homem e voltando a olhar ao redor, tentando enxergar algo significativo.

— Vossa Alteza, vamos voltar. Seus pais exigem sua presença, o senhor claramente não está se sentindo bem.

— Voltar pra onde? — bufo debochado, olhando as vestes do homem alto a minha frente. — Tudo bem, eu vou entrar na brincadeira, para não deixar vocês tristes e sem graça.

— Brincadeira?

Fico de frente para o homem e solto um riso, passando a mão pelo meu cabelo.

— Qual o seu nome, Vossa Alteza? — pergunto sarcástico. Eu quero que a brincadeira de mal gosto acabe logo.

— Por que... por que está me chamando assim? — ele torce o nariz.

— Ah, não é assim que vocês se chamam? A brincadeira não funciona assim?

— Vossa Alteza é o senhor, meu príncipe. — ele curva levemente a cabeça. — Percebo que o sol realmente não lhe fizeste bem. — suspira. — Meu nome é Park Chanyeol, sou o guarda real responsável pela sua segurança.

Fico parado por mais algum tempo terminando de absorver as palavras bem colocadas do homem alto. De birra, balanço os ombros incomodado com as vestes pesadas que me cobrem. Quem me vestiu com isso tudo, afinal?

Me analiso com calma, observando as botas de couro forte em meus pés, as mesmas cobrindo a altura das minhas canelas. A calça da mesma cor escura e algo parecido com um sobretudo azul marinho por cima de tudo.

— Tô começando a ficar estressado. — estalo dois dos meus dedos, tentando aliviar a tensão em meu corpo. Olho para o além de novo, tentando me lembrar de já ter estado aqui antes, mas nada vem à minha mente. — Que lugar é este afinal?

— Estamos em Eustakia, o maior reino do norte da Ásia. E o senhor é o nosso príncipe.

Travo meu maxilar sentindo todos os meus músculos contraindo. Confesso passar a me assustar com as falas do homem, enquanto ainda busco por sinais de pessoas conhecidas, para que me digam que tudo não passa de uma falsa cena para me deixar irritado. Quero apenas esperar que isso aconteça antes de tirar conclusões precipitadas, mas não tenho outra saída além de voltar a abrir minha boca, quase sem voz.

— Em... em que ano nós... estamos? — questiono, com a voz falha, em dúvida sobre perguntar ou não.

— 1860, Vossa Alteza.



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