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História Fim dos Tempos - Sariette - Capítulo 10


Escrita por: RobsGomes

Notas do Autor


Ola bb, como estão?

Preparados?

Boa leitura,
e
Espero que gostem!!

Capítulo 10 - Capítulo X


Fanfic / Fanfiction Fim dos Tempos - Sariette - Capítulo 10 - Capítulo X

 

 

 

O sol estava quente pela estrada. Uma extensa estrada deserta e silenciosa. Não haviam conversas pelo caminho. Tudo estava em completo silêncio desde o resgate de Clara.

O que mais preocupavam os colegas era o que fazer e o como cuidar de uma criança em meio a um cenário como aquele.

Juliette observava as centenas de árvores passarem rapidamente por seus olhos. O vento refrescava sua pele e soprava seus longos fios de cabelo. A morena sentia algo queimar sobre ela e, ao olhar para o lado, viu o olhar reprovador de Arthur alternar sobre ela, sobre Sarah e sobre a criança em seu colo. Era notório o incomodo dele. A paraibana tentava ignorar o olhar insistente mas estava difícil, a incomodava.

Ao lado da paraibana, estava Sarah perdida em seus pensamentos. Seu olhar vagava pelo chão da caminhonete  enquanto ela brincava com a lâmina da faca.

Rodolfo assistia a estrada que ficava para trás, sentado na lateral da caminhonete. Camila e Pocah agora estavam em pé apoiados na cabine e observando a estrada enquanto o vento beijava seus corpos.

 

...

:- EI THAÍS, ESTACIONA!! - Camilla gritou para que a motorista pudesse escutar.

Todos os seus colegas ficaram alertas para a ação da mulher. Seu olhar estava focado ao lado esquerdo da estrada.

:- O que foi Cami? - Thaís pergunta ao descer da caminhonete e olhar a mulher que pulava da carroceria.

:- Olha! - ela aponta para o outro lado da estrada.

Um extenso terreno, provavelmente vários hectares. Um vasto campo com algumas árvores salpicada e no fundo um grande lago com algumas canoas amarradas ao pier. Havia uma construção no meio e no letreiro era possível ler "Casa da Caça e Pesca". Todos os seus colegas olhavam tentando entender o que ela queria com aquilo.

:- A pelo amor de Deus. - a mulher expressa impaciente - Vocês nunca viram filmes e séries de Zumbis?

:- Eu ainda não estou entendendo. - Thaís olha confusa para a amiga.

:- Pra que você fez a gente parar aqui no meio da estrada Camilla? - Sarah questiona olhando atenta para a mulher.

:- Gente, pensa! - aponta para a construção. - É uma casa de Caça, ou seja, tem armas. Não só armas como também outras coisas para sobreviver até chegar na Base Naval. Sabe-se lá o que tem na estrada pela frente.

:- Eu não vejo necessidade em armas. - Fiuk diz observando a mulher e o olhar impaciente da negra sobre ele foi imediato.

:- Claro que você não vê necessidade Fiuk, todas as vezes que alguém se arriscou para matar um desses monstros podres, não foi você. - a mulher se altera - Você fica aí fumando, não ajuda, não faz nada e ainda quer dar palpites?

:- Calma aí Camilla. - ele diz com sua voz rouca e levantando as mãos em rendição. - Mas você está baseando nossa sobrevivência em filmes e séries de televisão. Isso aqui agora é a vida real. - A mulher queria responder mas se limitou a revirar os olhos e ignorar, não queria perder mais tempo ali.

:- Precisamos de mais armas. - ela diz voltando a atenção para os outros colegas. - Ou acham que vamos nos proteger sempre usando essas facas?

:- Ela tem razão. - Sarah afirma pulando da carroceria. - Não dá pra se defender dessas coisas só com isso. - ela segura a faca em sua cintura. - Vocês viram que quando eles vem em bandos fica impossível fazer algo.

:- Tá, mas o Marcos orientou sobre as armas de fogo. - Caio atraiu a atenção dos colegas enquanto saia da cabine do carro. - O barulho pode ajudar mais andarilhos a nos localizar.

:- Podemos entrar e ver o que pode ser útil pra gente e armas que não sejam de fogo mas que sejam mais úteis do que as facas. - Rodolfo sugere.

:- Eu acho que podemos pegar alguma arma de fogo sim. - Arthur entra na conversa - Em momentos como aqueles de ataque em bando, a arma pode ajudar. - Os colegas concordaram.

:- Certo. Então vamos entrar, procurar e pegar o que for necessário. - Juliette orienta de dentro da carroceria - Vamos dividir o grupo, não precisa ir todos até lá.

:- Você com suas ideias idiotas, como sempre. - Arthur interrompe a mulher de forma grosseira.

:- E você sugere o que então? - a mulher rebate. - Deixar a caminhonete sozinha aqui no meio da estrada? Desprotegida? Que ótima ideia. - a ironia transbordava de sua boca - Daí você aproveita e caminha daqui até São Paulo quando sair de lá e não achar a caminhonete. Vai ser até bom pra você trabalhar alguns músculos já que o cérebro está longe de ser desenvolvido.

:- Olha aqui Juliette...

:- Não começa Arthur. - Camilla interrompe o homem - Já estamos perdendo tempo aqui e a Juliette tem razão. Não tem necessidade de todos entrarem lá e muito menos de deixar o carro aqui sozinho com todas as nossas coisas.

Arthur bufa, porém Camilla era a única mulher naquele grupo quem ele não desafiava. Ainda contrariado ele concordou encarando a mulher. Juliette observava a cena em descrença.

:- Babaca. - a paraibana diz e o homem escuta apertando sua mão em punho. Ação essa que não passou despercebida por ela.

O grupo separava quem ficaria na caminhonete e quem iria até a "Casa de Caça". Fiuk, Vitória, Thaís e Gilberto se prontificaram a ficar no automóvel. Gilberto se ofereceu para cuidar de Clara enquanto as amigas iam até construção.

 

...

Gilberto e Vitória brincavam com Clara na carroceria enquanto os olhinhos da pequena ficavam fixos e atentos nas duas mulheres que agora atravessavam a estrada junto ao grupo de seus colegas.

A loja estava fechada. Todas as janelas e a porta principal estavam trancadas. Um vidro quebrado era tudo que tinham para terem acesso ao lugar. Pocah olhou pelo buraco do vidro observando o local que parecia quieto e sem movimentações. Arthur e Rodolfo forçaram a porta tentando entrar. Sem sucesso.

Mais uma vez.

Nada.

Outra, e nada.

Na quarta tentativa foi possível ver as dobradiças se despregando da parede e a porta cair para dentro do estabelecimento.  O local era espaçoso, tinha vários acessórios de caça pendurados em exposição. Uma prateleira com diversos tipos de iscas para peixes. Outra prateleira com linhas e anzóis. Nas outras, encontraram vários utensílios para sobreviverem na mata.

Cada um pegou o que considerava importante. João achou uma bússola que guardou para ajudar para guiar o caminho. Pocah e Sarah acharam três facões. Camilla pegou duas foices que encontrou penduradas na parede lateral.

Caio encontrou um machado e Rodolfo achou um porrete. O grupo continuou a olhar a loja e recolheram o que acharam interessante. Reservatórios de água, lanternas, casacos entre outros objetos.

Juliette caminhava por entre as prateleiras observando os objetos até chegar ao fundo da loja. Na parede tinha pendurado alguns arcos. Dentre eles um arco específico chamou a atenção da mulher. O arco com aro trabalhado com aço e linha firme. Ao lado dele, um suporte com dezenas de flechas estava pendurado. Julliette puxou um flecha analisando o objeto, o metal cintilava e refletia seu rosto. Seus dedos passaram pela lâmina da ponta afiada sentindo o corte do metal.

:- Não me diga que você sabe usar essa coisa. - Sarah se aproxima por trás da mulher fazendo-a se assustar.

A mão da loira pousa sobre a curva de seu quadril lhe arrepiando. As lembranças do beijo inundaram sua mente e um suspiro baixo saiu de sua boca.

:- Talvez... - A morena responde enquanto um leve sorriso surgiu em seus lábios, por mais que a loira não pudesse ver, mas a loira sentia. Juliette aguardou a flecha de volta no suporte.

Juliette se afasta e a loira a observa. A morena puxa o arco de aço e o suporte de flechas colocando os dois em suas costas.

Atrás do balcão estava Arthur olhava as diversas armas estampadas na parede. Várias cores e tamanhos do metal reluziam a luz que entrava pelos vidros da janela. O homem olhou o balcão vendo uma pistola sobre a madeira. O loiro subiu o olhar encarando ao redor se certificando que ninguém o observava. Mais uma vez encarou o balcão e pegou a pistola. Abriu o fecho de balas e estava carrega, apenas uma bala tinha sido usada. O homem fechou o fecho e travou a arma. Em seguida, em um movimento rápido, escondeu a pistola em sua cintura tampando com o pano de sua camisa. Por fim olhou mais uma vez os colegas distribuídos pelo lugar, focou seu olhar sobre Sarah e Julitte que riam enquanto conversavam distraídas no fundo da loja.

:- E aí? - A voz de Caio invade o espaço traindo sua atenção - Tem algo interessante?

Caio e Rodolfo entravam no balcão olhando a parede carregada de armamento.

:- Bom, temos muitas opções. - o loiro sorri fraco encarando a parede. Seu corpo se vira e pressiona a mão sobre a cintura disfarçando o volume que a arma fazia por baixo da camisa.

:- Prontos? - Sarah se aproxima do balcão.

:- Só vamos escolher algumas aqui - Rodolfo aponta para a parede.

Sarah assentiu e analisou Arthur. O homem estava calado e quieto. Depois do ocorrido com Juliette, a mulher evitava encarar o loiro. A raiva explodia dentro de si sempre que se lembrava das cenas. Porém analisou o comportamento do homem mais uma vez, algo estava estranho. Arthur se incomodou com o olhar da mulher sobre si, pegou uma espingarda e pendurou a alça de couro em seu pescoço, pegou duas caixas de munição e guardou nos bolsos de sua jaqueta. Por fim saiu da loja sem olhar para nenhum dos colegas. O olhar de Sarah o acompanhou por todo o caminho até a porta. Algo estava muito estranho.  A mulher olhou uma última vez para os Bastiões que ainda escolhiam as armas e caminhou para fora se juntando ao restante do grupo.

Caio e Rodolfo finalmente saíram da loja com três armas diferentes e munições. João observava o terreno e avistou algo no lago, pareciam pessoas dentro do barco amarrado ao pier de madeira.

:- Gente, o que é aquilo lá? - o homem aponta.

:- Parecem pessoas. - Pocah diz apertando os olhos tentando enxergar. - Vamos lá.

:- Não - Arthur segura o braço da mulher.

:- Podem estar precisando de ajuda. - Camilla adverte.

:- E desde quando somos uma equipe de resgate? - homem questiona soltando o braço de Pocah. - Será que já não basta terem arriscado a vida de todos nós tentando salvar aquela pentelha.

:- Qual é o seu problema Arthur? - Sarah questiona tomando a frente do homem.

:- O meu problema é você! - ele a encara e se aproxima. A mulher não recua. - O meu problema começou desde que você  decidiu abrir essa sua boca  naquela última manhã dentro do Programa. - ele continuava a crescer para cima da loira que mantinha uma postura prepotente e irredutível. - Eu só queria chegar até aquela Base Naval o mais cedo possível sem morrer. Mas agora temos que ser babás daquela garota catarrenta.

Juliette sentiu a raiva subir dentro de si. Não entendia qual o problema dele com ela, com Sarah e agora com Clara. Mas era nítido seu rancor com as três.  Seus colegas não estavam muito atrás. Queriam entender o comportamento do colegas desde o dia que o loiro deixou Juliette para ser atacada por um andarilho.

:- Escuta aqui Arthur, ninguém está pedindo pra você cuidar de nenhuma criança aqui. - Sarah direcionou as palavras ao homem a sua frente. Seu olhar raivoso sobre ele o despia, nem se quer piscava. - Eu não cometeria esse erro, você claramente não conseguiria cuidar nem de você, quem dirá de uma criança. - ela cuspia as palavras - Mas se está tão incomodado, por que não segue sozinho? Hum? - ela o desfia com seu olhar tomado pela escuridão da raiva. - A estrada está livre e não tem ninguém para impedir você. Vá. - a loira aponta para a estrada a alguns metros deles. O homem avança na direção da loira mas Camilla intervém.

:- Okay, chega. - Camilla se enfia no meio dos dois os afastando. - Vamos até o barco ver o que tem lá e voltar rápido para a caminhonete, já estamos aproximando do escurecer.

 

...

O grupo caminhava por entre a mata em direção ao lago. Caio batia o facão arrancando o mato alto enquanto o grupo o seguia. Caio parou por alguns segundo para se hidratar fazendo todos do grupo pararem.

:- Quer que eu continue Bastião? - Rodolfo pergunta para Caio e o homem apenas concorda enquanto dá mais uma golada em sua água.

Arthur observava as pessoas armadas do grupo e sorria. Seu olhar e sorriso era debochado. Não poderia ser real que teria que sobreviver ao fim do mundo com aquelas pessoas claramente despreparadas. A verdade é que ninguém está preparando para isso. Ninguém estará preparado para o fim dos tempos. Ninguém.

:- Isso só pode ser piada. - ele fala em um tom baixo, mas seus colegas escutam.

:- O que foi irmão? - Rodolfo questiona intrigado.

:- Nós aqui no meio do mato, podendo ser atacados a qualquer momento e com pessoas que claramente não sabem nem se quer segurar um facão direito. - ele encara Pocah que segurava a arma de forma errada. - Olha só a Juliette, não sei o que está fazendo carregando esse arma. - aponta para arco pendurado nas costas da mulher. - Tanta coisa para pegar na loja e ela pega algo que ela nem se quer sabe como usar. Só pode ser piada.

Foi só o tempo do homem fechar a boca para a morena agir. Em um movimento rápido ela posicionou o arco com a flecha apontados para o homen. Seu olhar era sério. Sua respiração estava pesada. O olhar cínico nos olhos do loiro a irritava profundamente.

:- Juliette, abaixa isso. - Camilla pediu. Mas a morena não a escutou. Ela não escutava nada no momento. Apenas sentia.

[Foto da capa]

A mão direita sobre sua bochecha direcionava a flecha. A respiração pesada. E foi então que o sorriso foi o seu limite. Aquele sorriso irônico nos lábios do loiro. Aquele sorriso fez com que ela disparasse a flecha.

O metal cortou o ar de forma linear na direção do homem. O trajeto foi certeiro e calculado. A ponta afiada passou rasteira a cabeça do homem acertando em cheio o troco da árvore atrás do loiro. O sorriso havia sumido. O homem engoliu em seco e soltou o ar que tinha prendido por alguns segundos.

Um filete de sangue escorreu escorreu da pele da orelha do homem. A lâmina afiada na ponta da flecha havia cortado sua derme. Arthur leva a mão até o local constatando o sangue. Seu olhar subiu para a morena. Seus colegas observavam a cena boquiabertos, até mesmo Sarah estava impressionada com o que acabará de assistir.

:- Ops... Eu errei. - a ironia pulsava das falas que saiam de Juliette. - Eu tinha mirado no olho. - A morena encerra e se aproxima de Arthur puxando a flecha do tronco da árvore a guardando de volta no suporte.

:- Sua desgra...

:- Ou, chega! - Camilla intervém novamente. - Você tava na dúvida se ela sabia usar a arma não é? - a mulher pergunta retóricamente. - Tá aí sua resposta. Vamos logo.

O grupo seguiu até o lago encontrando três canoas de pesca amarradas ao pier de madeira. Um dos barcos tinham dois corpos. Dois homens. Pelo cheiro podre que exalava  foi possível constatar que estavam mortos. Mas não foram comidos, não tinham sido devorados. Tinham apenas um furo certeiro em suas tetas.

Os olhos estavam abertos. Uma poça de sangue escuro formada no fundo do barco. O grupo se aproximou mais vendo uma mordida no braço de um deles. Ele tinha sido mordido por um andarilho. Por medo do que poderiam se tornar, se mataram. Preferiam o suicídio a se tornaram corpos carniceiros podres e ambulantes.

Sarah ouviu barulhos vindo de dentro da mata da lateral do lago. Ela informou aos colegas e decidiram que era hora de sair dali.

O grupo voltou para a caminhonete e assim voltaram para a estrada. O carro seguia pelo asfalto. Clara brincava com Gilberto e Pocah na carroceria enquanto Camila, Juliette e Sarah observavam sorrindo as vezes com a esperteza da pequena. Arthur foi colocado no banco traseiro da cabine para evitar mais conflitos com Sarah e Juliette.

Mais alguns longos minutos na estrada e então o carro parou. Chegaram finalmente a divisa do estado, porém uma longa e extensa fila de carros os impedia de seguir o caminho. Não teriam como passar de carro por ali. Estava tudo bloqueado. Centenas de carros enfileirados e abandonados pelo asfalto.

Eles desceram do carro. Observavam a situação. Não tinham como seguir de carro por ali, era impossível. Caio levou a mão até a cabeça em sinal de preocupação. "O que fariam agora?" Era o que rondava a cabeça de todos.

:- Por que a gente parou tia Sarah? - Clara pergunta de pé na carroceria observando a loira andar de um lado para o outro no asfalto.

:- Não tem como passar agora minha querida, há muitos carros. - ela explica de forma simples enquanto tenta pensar em algo. - João? - chama o homem a sua frente e ele a encara no mesmo instante. - Tem algum caminho alternativo ou trilha aí no mapa? - o homem observa o papel que tinha em mãos procurando algo.

:- Tem. Mas teríamos que atravessar alguns quilômetros de mata fechada até a outra estrada. - ele volta a encarar a loira.

Aquela não era a melhor opção. Mata fechada seria arriscado de mais de se atravessar com andarilhos por aí. Tinha que ter outra opção.

:- Há outra opção? - a loira observa seu olhar serio sobre o papel.

:- Qualquer opção teremos que atravessar a mata. A mais próxima é essa que falei. - ele volta a olhar a loira. - Está à 100 km a oeste.

Sarah deixa seus ombros caírem derrotados. Não teriam opção.

:- Sarah - Juliette atrai sua atenção - Cadê a Clara?

Sarah olha para a carroceria da caminhonete tendo a visão do espaço vazio. Nenhum sinal da menina. A loira encarou a morena a sua frente, seu olhar tinha preocupação. Juliette entendeu o recado. No segundo seguinte iniciaram suas buscas pela garota. Elas gritavam o nome da menina sem sucesso. João, Gilberto e Camilla ajudavam buscando nos arredores dos carros. Até o grito agudo da pequena cortar os ares.

Sarah e Julitte corriam por entre os carros na direção do grito. Seus colegas foram logo atrás apressados cortando os automóveis parados pelo caminho.

:- Clara, cadê você? - Juliette grita.

Sem respostas.

:- Clara! - Sarah chama mas não há nenhuma resposta.

Passos arrastados foram escutados. Sarah gelou. Não era possível. A mulher se escondeu atrás de uma van e puxou Juliette fazendo sinal para que fique em silêncio. A morena a olha assustada e obedece. As mulheres se inclinam de forma cautelosa e conseguem ver dois andarilhos passando por entre os carros. Mas ainda nenhum sinal da menina.

Sarah preparou seu facão. Ela precisava continuar a procurar por Clara e para isso, teria que matar aqueles corpos podres. Um dos andarilhos se aproximou e Sarah não pensou duas vezes antes de sair de trás da van e golpear o pescoço o monstro. A cabeça rolou pelo asfalto enquanto no corpo caiu quieto próximo aos seus pés. O outro andarilho se aproximou e mais um crânio foi perfurado. O que ela não contava é que teriam mais carniceiros por ali.

Outro andarilho se aproximou agarrando seu braço, a mulher se assustou deixando seu facão cair. Ele iria morde-la. Seu corpo podre ansiava por isso. A mulher lutava tentando se soltar e recuperar sua arma, várias tentativas em vão. Já era possível sentir o bafo de morte que emanava de sua boca. E então parou.

O rosnado parou. As mãos de pele cinza a soltaram. O corpo caiu atrás da loira.

Sarah se virou tentando entender o que aconteceu. Ao olhar o andarilho, vou o metal brilhante da flecha cintilar com o sol. A ponta havia entrado pelo olho e atravessado o encéfalo saindo pela outra extreminade do crânio.

Sarah olhou para trás e avistou Juliette em posição de ataque. Seus braços arqueados, o arco já tinha outra flecha preparada, apenas esperando qualquer sinal de movimento do andarilho estirado no chão. O sorriso nos lábios da loira foi inevitável.

Elas voltaram a correr a procura de Clara. Não tinha mais nenhum sinal da garota. Mais nenhum grito. Nenhum choro. Nada.

As duas mulheres se separaram, cada uma para um lado da pista. Vários andarilhos surgiram pelo caminho. A busca estava começando a ficar difícil. Pocah, Camilla, João, Gilberto e Rodolfo também buscavam pela menina. Em vão.

Juliette continuo a andar pelos carros. Quatro andarilhos foi o que ela precisou matar enquanto andava afastada do grupo. Mais rosnados, mais passos arrastados, mais grunidos. A mulher fica na ponta dos pés para ver sobre um dos carros e observa um grande grupo de andarilhos vindo em sua direção.

:- Meu Deus Clara, onde você está? - A morena sussurra.

Ela caminha abaixada ao lado de um EcoSport preto. Algo agarra sua perna a assustando. Seu corpo gela. O grito ficou preso em sua garganta. Se gritasse, seria um banquete para aquele grupo de andarilhos que se aproximavam.

A mulher olhou para baixo e encontrou uma mão pequenina de pele alva que saia de debaixo do automóvel. Juliette se abaixou e encontrou Clara deitada de baixo do carro preto. Seu olhar era assustado. Sua respiração estava acelerada e em sua pele tinha alguns arranhões causados pelo atrito com o chão grosso do asfalto. Juliette se sentia aliviada em ver que a menor estava bem.

Os barulhos ficaram mais altos. Eles estavam se aproximando. Juliette imitou a pequena e se enfiou debaixo do outro carro ao lado. A mulher também estava assustada. Seu corpo tremia. Sua respiração acelerada. Clara focou seus olhos nos da morena. Eles estavam vermelhos, marejados, ela queria chorar.

Juliette deu um leve sorriso tentando acalma-la. O dedo indicador da mulher pressionou seus próprios lábios pedindo silenciosamente que a criança ficasse quieta. Clara entendeu e assentiu. Levou a mãozinha até a boca pressionando para que não soltasse nenhum barulho. Juliette observou a cena da pequena deitada de baixo do carro, prendendo seu choro e sua respiração e apenas conseguia orar a todos os anjos que as protegessem naquele momento.

Os pés arrastados passavam pelos carros. Os rosnados raivosos e famintos eram altos e claros. Juliette sentia o medo tomar seu corpo e mantinha seu olhar preso em Clara. Seu medo era a criança fazer qualquer barulho que fosse e eles a achassem. 

Eram muitos.

Minutos depois os rosnados ficaram distantes. Juliette saiu cautelosa de debaixo do carro vendo o grupo de andarilhos mais a frente. Ela se abaixou ao lado do carro preto e fez sinal para que a criança saísse. Ela ajudou a menina a ficar de pé e se certificou que estava tudo bem com ela. Nenhuma mordida. Clara abraçou Juliette que retribuiu de forma apertada.

:- Você é uma garotinha muito esperta. - sorriu para a menor que retribuiu. - Mas nunca mais faça isso de novo. Não saia de perto de nós sozinha, entendeu? - o semblante da mulher agora era sério e preocupado. A pequena assentiu.

Juliette abraçou a menor novamente. Um leve brisa soprou sobre elas. Os fios de cabelo de Juliette caíram sobre o rosto da menor fazendo cócegas em seu nariz. Ela tentou segurar. Tentou o máximo que pôde, mas não consegui.

Um espirro.

Eles ouviram. Eles as viram. Eles voltaram.

Juliette agarrou o punho de Clara e correu com a mais nova por entre os carros. Chegou ao meio da pista e pulou a mureta de concreto chegando a pista contrária. Ela correu. A pequena era praticamente arrastada pela morena. A pequena barreira de concreto deu a elas alguns segundos de vantagem até que eles conseguiram pular e continuar a perseguir seus alvos. Elas corriam em direção a caminhonete. Clara identificou a mulher de longos cabelos longos mais a frenet procurando por algo por entre os carros.

:- Tia Sarah - a pequena gritou atraindo a atenção da loira.

Sarah se sentiu aliviada ao ver Clara e Juliette bem. Porém corriam apressadas. Fugiam. Ao passar o olhar pela estrada viu o bando que as perseguiam a poucos metros de distância. A mulher se desesperou.

:- VAMOS! ANDA! - A loira gritou alertando seus colegas que procuravam por Clara. Ao virem o bando que se aproximava passaram a correr de volta para a caminhonete.

Sarah correu até Juliette e segurou a outra mão de Clara ajudando a pequena a se apressar.

Chegando ao automóvel, não teriam outra opção. O carro não sairia dali, não tinha passagem. Pegaram seus pertences rapidamente e seguiram em direção a mata. Teriam que ir a pé.

O grupo correu por entre a mata. Mas isso não foi o suficiente para despistar os andarilhos. Eles ainda os seguiam.

A corrida na mata fechada era difícil. Os galhos e matos atrapalhavam a visão. Troncos caídos eram obstáculos que os atrasavam. João ia na frente guiando e seguido por Camilla, Rodolfo e Caio.  Sarah, Julitte, Clara, Gilberto e Arthur corriam logo atrás. E na sequência estavam Pocha, Vitória, Thaís e Fiuk.

Eles pularam um pequeno riacho e seguiram correndo. O bando tinha ânsia. Tinha fome. Se apressavam, tropeçavam entre si, se atacavam. Tudo na busca de alcançar o grupo. Eles estavam próximos.

:- Gente, me ajuda aqui! - Fiuk gritou.

O grupo parou e olhou para trás. A alguns metros atrás, estava Fiuk. Seu tênis estava preso a um grande galho caído próxima ao riacho. O bando estava próximo dele. Seu olhar era de desespero.

Thaís, Arthur e Gilberto correram até o colega.

:- Por favor! - o homem gritou quando sentiu seguraram seu braço e a mordida cortar sua pele segundos depois.

Os três colegas pararam no lugar. Não podiam ir mais até o amigo.

:- Não. - Thaís avança na direção do riacho mas Gilberto agarra sua cintura a impedindo. - Ainda dá tempo. Vamos lá! - a mulher grita. Seus olhos lacrimejam. - Não!

O homem gritava enquanto pedaços de sua pele eram arrancados, mastigados e engolidos com ânsia. O grupo de corpos podres o cercaram devorando sua carne e abrindo buracos em seu tronco e membros.

Thaís viu quando um andarilho enfiou a mão em um dos buracos de sua barriga e puxou rasgando a pele.

Fiuk gritou em desespero e agonia.

Esse foi o último grito do homem. O último antes de seus olhos fecharem e seu pescoço ficar mole. Ele havia partido. Ele desfalecia enquanto seus órgãos eram arrancados e degustados por aqueles monstros. Thaís estava paralisada.

Todos assistiam a cena assustados e em choque. Sarah escondia o rosto de Clara contra o seu corpo enquanto sua mão tampava os ouvidos da menor.

:- Amiga. - Gilberto chamou Thaís. - Amiga! Thaís! - a mulher finalmente saiu de seu transe e encarou o homem. - Vamos. Isso não vai segurar eles por muito tempo não.

Ainda em choque Thaís concordou vagamente. Gilberto segurou em seu braço puxando a mulher enquanto voltavam a correr buscando se afastar, ficando o mais distante possível daquele bando.

 

 

 


Notas Finais


E então, como estamos?

Passando para avisar que aqui se encerrou o segundo ciclo da fic. E agora tenho meu merecido descanso kkkk
Como eu tinha avisado do cap anterior, irei hibernar por uns dias. Faltava somente esse cap para isso acontecer. Então um beijo e até daqui alguns dias.

Comentem muito, vai que eu volto antes rsrs
Bjos
Até o próximo cap!
S2


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