História Finalmente juntas: Saga de Euskadi - Capítulo 5


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Categorias Sakura Card Captors
Personagens Personagens Originais, Sakura Kinomoto, Shaoran Li, Tomoyo Daidouji
Tags Donostia, Espanha, Euskadi, Real Sociedad, Sakura, Sakutomo, San Sebastian, Tomoyo
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Palavras 1.879
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Saga
Avisos: Adultério, Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Anaia, anaia!


Capítulo 5

Anaia, anaia! 


San Sebastián, Espanha

7 de setembro de 2015


I


— Haur… Tza… Indegi… — disse Sakura.

— Haurtzaindegi! — disse Chitatsu, batendo as palminhas e sorrindo.

— Ha… Ur.. Tza… In… degi!

— Haurtzaindegi! — disse Chitatsu, mais rápido que a mãe.

— Nossa que palavra difícil, hein? 

Os dois sorriam. Sakura ficava mais feliz ainda por dentro vendo o silencioso filho Chitatsu sorrindo. Aquilo a aliviava ainda mais. Estavam dentro do carro, a caminho da pré-escola. “Haurtzaindegi” era como se dizia “Jardim de infância” em euskera. A médica estava aprendendo aos poucos a língua daquele país com Gotzone e repassava o que aprendia para o filho, assim os dois aprendiam juntos e ela aprendia cada vez mais, explicou a Interventora para Sakura.  

Sakura viu as letras distorcidas e infantis da porta da pré escola onde colocaria o filho e estacionou o carro no meio fio perto da calçada. Havia vários outros veículos de pais que traziam seus filhos para a escola. Ela abriu a porta do carro e tirou o menino de lá. Quando pegou a mochila do rapaz, a cardcaptor percebeu uma coisa estranha. 

— Toma aqui… Filho… Pera aí, o que é isso aqui? 

Sakura abriu o zíper da mochila e viu Kero dentro dela, sorrindo na maior cara de pau.

— O que você tá fazendo, menino? Tá levando o Kero pra escola, é?

— Mamãe… Tô com um pouco de medo… 

— Não dá pra enganar sua mãe não, pirralho! — disse Kero.

— Você trouxe o Kero-chan pra escola porque tava com medo? — Sakura bateu a mão na testa, não acreditando no que o filho, sempre bem educado, tinha feito.

— Sakura, pega leve! 

— Eu deixa que eu falo, Kero-kun… — disse o rapaz. Chitatsu falava tão pouco que era raro ver o filho tomando a iniciativa para falar. Sakura ficou em silêncio apenas escutando e Kero fez a mesma coisa. — Eu pedi pro Kero vir comigo…  

Sakura se ajoelhou ternamente na calçada, ficando com quase a mesma altura do filho. Ela sorria e fazia a cara mais derretida de todas, mas sem perder a compostura de mãe.

— Meu filho. Por que você fez isso?

— Medo… Tava com medo… Não conheço ninguém… Tô sem minha tia Meiling… 

— Filho, escuta a mamãe, tá? Eu sei que você tá com medo, mas você vai arranjar muitos amiguinhos novos aqui que nem o papai e a mamãe arrumaram um dia, tá? 

— Que nem a Chiharu, a Rika e a Naoko?

— Foram elas mesmas que eu arrumei! A gente tem contato até hoje! 

— Eu quero encontrar bons amigos também… — disse, Chitatsu olhando para o chão e segurando a alça da mochila. 

— Se você precisar de ajuda, chama a professora, tá?

— Irakasle! (Professor) — disse Chitatsu, sorrindo e batendo palmas.

— Isso, Irakasle deitu! (chama a professora). Chama ele ou ela, tá? 

— Irakasle deitu! — repetiu Chitatsu. Ele ainda estava parado na calçada, olhando para mãe e para Kero com aqueles olhos verdes iguais aos de Sakura e escuros como os olhos da sua amiga Tomoyo. Às vezes, pensava na amiga querida vendo aqueles olhos. A jovem médica estava tão encantada com o filho que não sabia como se despedir dele. Foi então que Kero se manifestou, dentro da palma da mão de Sakura:

— Chi, vai lá contar quantos blocos a calçada tem daqui até o portão da escola, tá? — disse Kero.

— Tá! — Chitatsu apontou o dedinho para as pedras da calçada e começou a contar, marchando com os pezinhos a cada vez que ele somava um bloco na cabeça. 

— Tá vendo? Um dia você aprende, Sakura! Eu te ensino! — disse Kero, zuando com a cara da mestra. Sakura olhou para ele com uma cara de “ah, é mesmo, espertalhão?”.

Chitatsu era inteligente demais pra entender que a mãe estava partindo e ele estava começando um novo ciclo. Ele já tinha vindo na escola antes, apesar de não ter falado nada com ninguém.  

— Meu Deus! Como eu fui ter um filho esquisito desses! — disse Sakura, com o rosto vermelho e os olhos nas nuvens, da mesma forma que olhava Yukito no passado. Era seu momento “hanyan”, agora com o filho iniciando uma nova etapa na vida.

— Puxou a Tomoyo… — respondeu Kero.

— Como assim! 

— Ela tava presente quando ele nasceu, não tava? 

— Eu sempre contei tudo pra ela!

— Por isso! Quando uma mulher grávida pensa em abóbora a gravidez toda, o menino nasce com cara de abóbora! Agora, como você tava o tempo todo besta no zap zap, falando com a Tomoyo… O Chi nasceu esquisito que nem ela! 

— Não fala assim dele, Kero-chan! Eu também tava conversando com o meu pai, meu irmão e minhas amigas! — disse Sakura, apertando o guardião nas mãos. 

— Ei… Seu dinossauro! Olha lá ele dando tchau! — disse Kero, sufocado. Ele mordeu o dedo de Sakura, mas ela não ligou. Ficou olhando os olhos fechados e sorridentes dele em seu modo "hanyan". Ele era a cara dela, até mesmo sorrindo. 

Chitatsu voltou a contar os blocos de pedra da calçada até a escola quando, de repente, dois meninos correram na direção dele, de braços abertos. O filhote de Sakura abriu os olhos e também correu na direção dos meninos.

— Anaia! Anaia! — disseram os rapazinhos. Eles tinham cabelos castanhos bagunçados e olhos azuis. 

— Ah, não acredito! — disse Sakura.

— Não brinca… — continuou Kero, sentindo a mesma surpresa que sua mestra.

— Inãki, Iñigo! Presta atenção! — gritou Gotzone. Ela também descia do carro e levava os filhos para a escola. Os dois pareciam que levaram um choque ao ouvir a mãe. Tremeram e começaram a falar outra coisa:

— Laguna (amigo)! Laguna! — Os dois alcançaram Chitatsu e deram um abração nele como se conhecessem havia anos.

— Anaia? — disse Sakura, chegando perto dos três meninos com a cara mais desconfiada do mundo. Os dois rapazes de Gotzone trataram de resolver o mal entendido. 

— Anaia, Anaia! — disseram os dois, sorrindo e apontando um para o outro. Os rapazes eram mesmo parecidos e quase não dava pra diferenciá-los a primeira vista. Depois, apontaram para Chitatsu e disseram num grito só:

— Laguna! — Iñaki e Iñigo abraçaram com força Chitatsu. O medo que ele sentia da pré escola parecia que desapareceu com um abraço e os sorrisos de todo mundo.

— Panpina (boneco)! — disse Iñigo, apontando para Kero.

— Panpina! — repetiu Iñaki. Iñigo começou a achar tanta graça de Kero que deu um tapa com as costas da mão na barriga de Chitatsu e saiu rolando de rir no chão. Iñaki continuou a rir, um pouco mais contido e Chitatsu se segurava para não rir. 

— Kero-chan… — dizia o filho de Sakura, segurando as bochechas.

— Esse pirralho tá tirando uma com a minha cara! — disse Kero, irritado por ver Iñigo rolar de rir no chão até doer a barriga. Gotzone correu e pegou o filho pela orelha.

— Tá se sujando todo, mutila (menino)! — A loira levantou o rapaz do chão e ficou batendo nas costas dele, tirando a poeira. 

— Gotzone… Você aqui? — disse Sakura, sem acreditar.

— Vejo que você escolheu a mesma “haurtzaindegi (pré escola)” que eu, Sakura. Não existem coincidências, não é? Você quem me disse isso… 

Sakura ficou pensativa, olhando para os rapazes, que já começavam a se apresentar um para o outro. Gotzone prosseguiu:

— Eu sei que você tá pensando que seria melhor mudar o Chi de escola…

— Hoe! Você lê pensamentos?

A jogadora fez sim com a cabeça. 

— Toda a minha família é boa nisso… Mas não vamos falar de mim, vamos falar dos meninos. Seu filho tem medo de encarar o mundo que ele não conhece, não é? 

Sakura não respondia nada, apenas olhava para a sua enfermeira assistente com cara de desconfiada.

— Agora eu sei como os prontuários chegam certinho na minha mesa sem nem eu pedir! Eu achando que era eficiência! — desabafou a cardcaptor.

— Não fica assim. Ele é muito valente. Mesmo com medo, ele foi pra cima do portão da escola. Agora ele se acalmou um pouco quando encontrou o Iñaki e o Iñigo. Sabia que o Shorancito é do mesmo jeito?

— Sua… Cretina! 

— Não fica assim! Só tô adiantando o seu lado um pouco. O meu também.

— Sei… Esses meninos são um ano mais velho que o meu, né? Então por que… 

— Sim, Meus filhos tão indo pra pré escola só agora porque meus tios que preferiram assim… Acho que foi melhor pra eles… 

Sakura não estava a fim de sentir simpatias por Gotzone, mas, ver a forma calorosa como os filhos dela trataram seu menino, não a fazia pensar de outra forma. Apesar de Kero não ter gostado muito, Sakura achou graça no que Iñigo havia falado. Tinha vezes que ela também discutia com o guardião daquela forma, com aquela troca de apelidos, e a dentada no dedo dela ainda coçava.

— Ama… Musu, musu (beijo)! — disse Iñigo. 

— Nossa, já tá querendo um beijo de despedida? — disse Gotzone, abaixando-se e dando um beijo na testa de Iñigo e de Iñaki e recebendo um beijo deles em cada lado da bochecha. — Você é muito paquerador! Vai lá e cuidem do Chi, está bem? Iñaki, cuida do seu irmão pra ele não fazer besteira! Você é o mais velho e o mais responsável! — Disse Gotzone, se despedindo dos rapazes. Eles entraram de uma vez pelos portões da escola e puxaram Chitatsu consigo. 

— Aqueles pirralhos se deram bem, não é? — comentou Kero.

— É típico da gente que tem poderes mágicos. Não precisamos ler as mentes uns dos outros pra ver se vamos ou não com a cara de alguém. Basta chegar perto. Isso evita muita briga mais pra frente… — explicou Gotzone.

— Pior que é… — concordou Kero.

— Então, quer dizer que quem tem poderes mágicos já sabe se vai se dar bem ou não um com o outro? Mas eu não conheci o Shoran me dando bem com ele! 

— Mas você se aproximou dele aos poucos, mesmo ele querendo levar as cartas, não foi? — perguntou a loira. 

— Sim, mas… 

— Isso já é tudo, não acha? 

Sakura não soube o que dizer. 

— Você é muito espertalhona! 

— E nossos filhos são potenciais futuros melhores amigos. Do jeito que a coisa começou, é noventa por cento de certeza! — disse Goti, sorrindo. — Não era você que desejava que o Chi fizesse amigos o mais cedo possível?

— Tá bom, tá bom! Vou pra facul, tenho mais que fazer, e você também! 

— Hoje eu não vou, eu tenho treino com a Real. E outra: eu já fiz as matérias de hoje no técnico, não preciso fazer denovo… 

— Puxa vida, eu também quero ser sabichona assim… — disse Sakura, se rendendo à Gotzone.

— Você é tapada, Sakura! Você nunca vai ser sabichona, nem bonitona! — disse Kero. Foi o bastante pra Sakura fechar as mãos em torno do guardião. O pessoal na calçada não entendia e Goti, como sempre, apenas sorria diante daquela confusão toda dos dois.


Continua…            



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