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História Find You - Capítulo 46


Escrita por:


Capítulo 46 - Travel Buddies.


P.O.V. Sadie Karter

- Se você buzinar mais uma vez, eu juro por Deus, ela vai matar você. - Digo, checando o Instagram. - Ou vai xingando você daqui até São Francisco.

Justin ri e buzina mais um vez, rapidamente.

- Justin! - Reclamo, tirando a mão dele do volante. - São mais de duas da manhã! Os pais dela estão em casa, e ela tem vizinhos, sabia?

Ele dá de ombros e continua sorrindo.

- Nem dá nada.

- Falando em pais dela, o que você disse pra sua mãe? - Ryan pergunta, no banco de trás. Eu me viro e encontro ele usando a minha máscara de dormir, usando um dos travesseiros para se apoiar na porta, logo atrás de Justin.

- Hm. Disse que ia dormir na casa do Justin de novo, e que iríamos passar o dia fora, resolvendo algumas coisas dele. - Falo, e acrescento a próxima parte rapidamente. - E que iria procurar emprego também.

Ryan não diz nada, mas mesmo que ele tivesse a intenção, seria interrompido. Melissa se apoia na minha janela, parecendo furiosa.

- Eu trabalhei ontem, sabia Bieber? Um turno de 8 horas na recepção daquele hospital que você sabe que é uma loucura!

- Entra logo aí, vai. Você tem a viagem toda para dormir. - Ele diz, e tem um sorriso mimado no rosto. Melissa resmunga um "folgado" e entra no carro, logo atrás de mim.

- Vocês estão prontas, crianças? - Justin pergunta. - O GPS está dando quase seis horas de viagem.

- Achei que seriam mais. - Comento.

- Tem uma segunda opção de trajeto. - Justin comenta, mexendo no GPS do celular. - São 6 horas e meia por ser mais longo, mas não tem pedágio.

- Faz diferença pra você? - Pergunto.

- Não. Vamos no mais curto mesmo. Só vamos... - Ele para a frase ali para manobrar o carro e tirar do meio fio. - Passar no Mc Donald's antes e comprar café.

- Acho que tem um próximo aqui que fica aberto 24 horas. - Indico, apontando para uma rua. - Mas se você sentir sono, a qualquer momento, pode dizer e...

- Sério? - Ele freia o carro com tudo e deixa no meio da rua, então leva a mão direita para o cinto de segurança. - Então, alguém se habilita?

Reviro os olhos e acabo sorrindo, e Justin ri.

- Pra quem vai passar a madrugada na estrada, você está bem animadinho. - Melissa diz, ajustando o vidro dela.

- É uma delícia poder dirigir de novo. Algo dentro de mim... Eu não sei. Algo dentro de mim já sabia que algo dentro de mim sabia dirigir. Mas eu não sabia que era tão prazeroso assim.

- Eles foram chatos com o processo de tirar a carteira de novo? - Perguntei, encostada no banco. A luz da lua dava a ele um tom gélido, quase pálido, mas ele continuava lindo como sempre.

- Não, disseram que era uma exceção. Mas eu precisei levar uma documentação do hospital, passar por uma aula de revisão e então uma aula prática com supervisão para meio que verem o que eu sabia e o que eu não sabia. E eu me saí bem. Fiz mais algumas aulas meio que para certificarem algumas coisas e terem horas pautadas, algo do tipo. Mas foi tudo certo.

- Que ótimo. - Sorrio para ele, que sorri para mim de volta.

- Você está com sono? - Ele pergunta, e na mesma hora um bocejo escapa. - Okay, você está.

- Você tem problema com coisa de pessoa do lado dormir? Tipo, tem gente que tem. - Pergunto, mexendo mais uma vez no celular. Nada de novo.

- Como assim? - Ele questiona. Eu consigo ver o Mc Donald's ao longe, e percebo que ele vai precisar fazer um retorno.

- Tem gente que quando tá dirigindo, precisa que a pessoa no banco do passageiro esteja acordada. Se não, ela dorme também, no volante. - Explico, deixando meu celular de lado e me vendo no espelho do quebra-sol.

- Nah. - Justin dá de ombros, fazendo a curva do retorno e voltando para uma avenida principal. - Acho que não tenho muito problema com isso. Quando eu tô com sono, eu só... To com sono. Não fico pescando. Se eu sentir, eu acordo o Ryan e peço pra ele trocar comigo.

- Espero que você não sinta. - Ryan murmura no banco de trás. Ele está meio que sentado no banco, apoiado na janela, mas Melissa tirou os sapatos e jogou as pernas por cima dele, ficando bem mais à vontade.

- Fica quieto, Butsy. - Justin reclama. Ele entra no drive-thru da loja de fast food 24 horas. - Okay, vamos lá. O que vão querer?

- Uma pergunta. - Melissa tira a máscara dela e inclina o corpo para frente, para poder falar melhor conosco. - Essa parada aqui é só pra um café ou é tipo... Um lanchinho da madrugada?

Justin e eu nos entreolhamos. Qual é, todos ali nos conhecemos e sabemos que gostamos de comer. É óbvio que não é só um café.

- É um lanchinho da madrugada. - Justin e eu fizemos em uníssono, e Melissa sorri.

- Ótimo. Ryan, o que você vai querer? - Ela cutuca o loiro, que resmunga alguma coisa.

- Nuggets, batata, e um refrigerante. - Ele diz, e Justin repassa para a atendente.

- Okay, eu quero um smoothie de banana com morango e um McGriddles de ovo, bacon e queijo. 

- Um lanchinho. - Eu murmuro.

- E você? O que vai querer? - Justin pergunta para mim, depois de repassar o pedido de Melissa.

- Um café gelado. E aqueles cookies com gotas de chocolate. - Digo, e vejo Justin pedir o mesmo para ele, acrescentando torta de maçã.

- Acrescenta cookies pra mim também! - Melissa pede, se encostando no banco.

Justin finaliza o pedindo e então acelera o carro levemente, olhando para trás por um momento, para Mel.

- Depois que eu sou o folgado.

- Aqui se faz, aqui se paga, Bieber. - Ela diz, sorrindo.

- Literalmente. - Comento.

Justin recolhe os pedidos e eu vou ajeitando todos os saquinhos pelo carro, entregando as comidas de seus respectivos donos.

- Ryan, se você não acordar, vou comer suas batatas. - Comento, abrindo o pacote dele.

Ele tira a máscara de dormir e faz uma cara feia para mim por um momento.

- Estamos vendo quem é a real folgada aqui.

- Para de reclamar. - Digo, pegando mais batatas e sorrindo para ele, antes de virar para frente.

Seguimos o caminho comendo e conversando, até eu começar a juntar todo o lixo que havíamos feito e colocando tudo em saquinhos aos meus pés. Nesse momento, Ryan já havia pegado no sono mais uma vez, e Melissa havia decidido ir dormir também. Era apenas Justin e eu. 

Ele dirigia, relaxado e não parecia com sono. 

- Não sei nem como... Vou te agradecer. Quer dizer, eu já agradeci várias vezes. - Eu digo, enquanto me esforço para me abaixar e soltar os cadarços do meu tênis, ficando apenas de meias. - Mas nunca será o suficiente. 

Justin divide sua atenção entre eu e a estrada, sinalizando que está prestando atenção no que eu digo. 

- Você pode cozinhar para mim. - Ele diz, dando um sorriso lindo e iluminado.

- Estou falando sério. - Digo, tentando assumir a pose mais séria possível. - O que você está fazendo... Não é qualquer um que faria.

- E quem disse que eu sou qualquer um?! - Ele pergunta, como se estivesse indignado. 

Balanço a cabeça, sorrindo. 

- Você não é, nunca foi. - Digo, com um tom de voz terno. - E nunca vai ser. 

Justin sorri, colocando a mão sobre a minha perna esquerda, tendo facilidade em manter o volante já que é canhoto. Minha mão vai automaticamente para a sua, e ficamos daquele jeito por um bom tempo.

- Você quer dormir? - Ele questiona, o tem de voz baixinho, mantendo o olhar na estrada. - Está com sono? Tudo bem se quiser descansar.

Checo o horário - vai dar quatro horas da manhã.

- Vou dormir. Quando for 5, você me acorda, e aí trocamos, ok? - Digo, e ele entrelaça os dedos nos meus, dando um beijo na minha mão.

- Okay.

Eu abaixo o banco um pouquinho, para ficar mais confortável, me ajeito com uma jaqueta minha sobre meu corpo, para manter a temperatura. Eu viro para o meu lado direito, mas observo a paisagem por muito tempo antes de conseguir pegar no sono.

Quando eu acordo, já são quase seis horas. O meu primeiro pensamento tem algo a ver sobre como assistir o nascer do sol na estrada é uma das coisas mais lindas. O sol está levemente manchado de laranja, e o ar que entra levemente pelas janelas é frio.

À minha esquerda, quem dirige não é Justin, é Ryan. Ele sorri para mim, ao ver que estou acordada.

- Bom dia, flor do dia. - Ryan tem os olhos azuis extremamente brilhantes naquela manhã, como se tivesse acabado de aplicar colírio.

- Bom dia, Ry. - Olho para Justin, dormindo onde Ryan estava, há algumas horas. Ao me ver olhando para Drew, Ryan se manifesta.

- Ele não quis te acordar.

- Eu nem vi vocês trocarem.

- Paramos em um posto, abastecemos. Tomamos um café e aí voltamos para a estrada. Vocês duas dormiam que nem uma pedra. - Ryan comenta. As bochechas coradas sobem e descem enquanto ele fala, cheinhas, como se ele estivesse sorrindo a todo momento.

- O combinado era que eu assumiria quando ele ficasse com sono. - Digo, fazendo um coque no cabelo.

- Você vai ter um dia cheio pela frente, Sad. - Ryan checa o caminho no GPS enquanto dirige. - O que menos precisa é estar indisposta.

- Eu sei. - Digo, suspirando.

- Estou seriamente começando a considerar a possibilidade de checar os pulsos da Mel. - Ryan diz, e percebemos ele checando algo no retrovisor.

- O que? Por que?

- Ela não acordou em nenhum momento. E foi dormir depois de mim.

- Ela é só recepcionista, mas não deve ser nada fácil trabalhar no Cedars. Eu via um pouco quando ia lá, por causa de Justin e da Rosie. Tem dias que os telefones não param de tocar e elas precisam atender pessoas e dar informações e ligar para quartos e procurar médicos. - Digo, e Ryan balança a cabeça levemente, me ouvindo.

- Isso sem falar que é um dos maiores hospitais de Los Angeles. Vários famosos vão para lá.

- Exatamente. - Olho para ele por um segundo, e suspiro. - Ryan, preciso de um emprego.

Ele tira a atenção da estrada por um segundo, e dirige totalmente para mim.

- Está me pedindo um ou...

- Não! Estou só... Desabafando. Preciso da droga de um emprego.

- O que você tem em mente? - Ele pergunta.

- Eu não estou em condições para ficar escolhendo nada, na verdade. Eu preciso de qualquer coisa. Preciso pagar as contas, sustentar a minha mãe. - Passo as mãos pelo rosto, tentando me livrar um pouco do estresse que parece já querer me consumir, naquele início de dia. - Vamos voltar para Los Angeles e eu vou agarrar a primeira oportunidade possível.

- A Mel não consegue ver se tem alguma coisa no hospital para você?

- Ela pode até tentar, mas não tem uma rotatividade muito grande de funcionários lá. O emprego é bom, o salário é bom, o lugar é bom. As vagas são preenchidas rapidamente. Mas ela disse que ia ficar de olho.

- Sad, sabe que se precisar de dinheiro, você pode falar comigo ou com o Justin e...

- Não. Eu nunca faria isso. - Digo, interrompendo-o.

- Porque não? Somos amigos, não somos? Todos nós. Estamos aqui para te ajudar. É por isso que nesse exato momento estamos indo para São Francisco.

Paro um pouco, pensando na situação inteira.

- Eu não sei o que faria sem vocês. - Confesso, num fôlego só.

- Nem eu. - Ele olha para mim e pisca. - Quer tomar café?

Ryan aponta para uma casa, situada no alto de uma colina logo ao lado da rodovia. O acabamento é todo feito de madeira; há sofás numa espécie de varanda e parece relativamente vazio. Há árvores em volta, e todo um ar caseiro no lugar. Estamos em Julho, então é verão, mas com o frio da manhã e o ar fresco provocado pela quantidade de árvores por ali, está levemente frio ali na rodovia. 

Ryan guia o carro por um acesso de cascalho e o coloca em uma vaga. Nós soltamos os cintos e olhamos para trás, vendo Justin e Mel dormirem. 

- Nós acordamos eles? - Pergunto. 

- Nah. - Ele nega, olhando para os dois. - Melissa trabalhou, e Justin dirigiu pelas últimas horas; ele não estava nem um pouco acostumado com isso. Vamos deixar eles descansarem e aí trazemos café para eles. 

Eu concordo e coloco minha jaqueta, saindo do carro. Tomo cuidado para não bater a porta muito forte e então Ryan e eu caminhamos pelo cascalho. Ele está todo de preto, o que o destaca na paisagem. Ao olhar diretamente nos olhos dele, percebo que estão acinzentados naquela manhã.

- Como você está? - Ele pergunta, num tom de voz suave. Uma ruguinha aparece no meio de sua testa, logo acima das sobrancelhas, mostrando sua preocupação. 

- Estou bem. Levemente cansada, acho que foi o jeito que eu dormi. - Digo, respirando fundo Eu realmente me sinto cansada, como se cada movimento meu exigisse muito mais energia que o normal. - Preciso de um café...

- Acho que todos nós precisamos.  - Ele comenta, e nós subimos uma leve rampa, que dá acesso ào lugar. Ao chegar lá em cima, consigo reparar melhor no lugar. A grande casa fica em cima de uma leve colina, não muito alto, talvez coisas de três ou quatro metros. A trilha de cascalho circunda toda a colina, que é a parte mais alta dali, como se alguém tivesse construído a colina apenas para deixar a casa em uma altitude maior. Os carros ficam estacionados na trilha, em volta do lugar. 

A casa tem o acabamento escuro, mas parece aquelas casas que nós vemos em desenhos animados, com os troncos das árvores no que seriam as paredes. Olhando pelas janelas , consigo ver que o lugar está relativamente vazio, com alguns idosos e pessoas mais velhas tomando café da manhã. 

Ryan abre a porta para mim, e agradeço, adentrando no lugar. Tem um cheirinho de pão no ar, e um grande balcão, com bandejas de comidas dispostas para os clientes se servirem. Toca uma música calminha, que mistura uma espécie de pop e country e preenche o ar, junto com o cheiro da comida. Grandes luminárias pendem do teto, e as garçonetes usam uniformes vermelhos. 

Ryan e eu escolhemos uma mesa não muito longe da porta, de um ponto onde dá para ver o carro, e nos sentamos, sendo muito bem atendidos por uma funcionária logo em seguida. 

- Bom dia. Bem-vindos ao Winny's Time. Primeira vez no restaurante? - Ela pergunta, oferecendo o cardápio para nós dois. O pin no uniforme indica que o nome dela é Willow. Um cabelo castanho claro está preso em um coque frouxo, mas no lugar, e a franjinha desce pela testa. Ela é linda, essa é a verdade, e está a todos os sorrisos para Ryan, com os olhinhos azuis presos nos dele. 

- Ahn, sim... Primeira vez. - Ele diz, e sorri para Willow. Eu dou uma olhada no cardápio, nem um pouco interessada em ficar de vela. Por um momento, os pãezinhos de milho são o foco da minha atenção. 

- A maioria dos clientes são. Eles vão e nunca mais voltam. - Ela diz, e abre um grande sorriso para ele. Ryan parece não saber o que responder, sorrindo timidamente e se virando para mim logo em seguida. 

- Sad. O que vai querer? - Ele pergunta, também mudando seu foco para o cardápio.

- Hum... Um cappuccino. Esses pãezinhos de milho. E um suco de laranja. E bacon. 

Ryan troca o cappuccino por café puro, e os pãezinhos por torradas. Mas também pede o suco e bacon. Ele pede também mais duas porções para viagem. Quando a garçonete sai, os olhos dele estão vidrados em mim. 

- Ela estava flertando contigo. - Digo, comprimindo os lábios, tentando não sorrir. - Foi tão constrangedor, meu Deus... Eu não ficava de vela desde o que, primeiro ano do ensino médio? Bi-za-rro. 

- Está com ciúmes, Karter? - Ryan pergunta, e eu reviro os olhos, sorrindo. Brinco com o saleiro. O ato me faz lembrar de alguns dias atrás, quando contei a Justin sobre meu pai. Naquele dia, nós também conversamos sobre nós dois, e as coisas pareciam resolvidas. 

- O quê? Por que eu estaria com ciúmes? - Pergunto, mas meio que estou rindo. 

- Eu não sei... - Ele diz, e um sorriso toma conta dos seus lábios. - Sei lá. Achei que o 4 de Julho havia sido inesquecível para algumas pessoas. 

- Nossa! Você queria muito dizer isso! - Digo, e dou risada. Ryan me acompanha, e eu percebo como nós dois estamos de bobeira. 

- Eu queria mesmo, não to nem aí... - Ele dá de ombros e cruza os braços, olhando pela janela.

- Eu não estou com ciúmes, Butler. Eu não tenho motivos para ter ciúmes. - Digo, constatando as coisas. O tom de voz é sério, mas nós dois sabemso que estamos apenas brincando um com o outro. 

- Ah é. Você não tem porque ter ciúmes. Você tem o Justin. - Ele fala querendo me provocar, e eu apenas dou mais risada. Ele joga um pacotinho de sal em mim, que me esquivo antes de respondê-lo. 

- Eu tenho o Justin e a amizade dele, bocó. - Eu falo, jogando o pacotinho de volta. 

- É essa a mentira que vocês contam um para o outro? - Ele pergunta, fazendo cara de deboche. - Qual é, Sadie. Eu ouvi vocês dois conversando de madrugada. Justin não é qualquer pessoa pra você, e eu entendo. Mas não sei se quero competir com meu melhor amigo. 

- Não há competição nenhuma. - Digo, balançando a cabeça, sentindo meu sorriso sumir. Não queria ter aquela conversa naquele momento, mas são os sentimentos dele, e eu...

- Você o ama. Isso é óbvio para todo mundo. E talvez, ele também te ame da mesma forma...

- Por que eu tenho que ter essa conversa com todo mundo? Sério, já está ficando chato... 

- Por que todo mundo vê!

- Por quê ninguém vê também que Justin vai ficar com outra pessoa? Qual é...

- Outra pessoa? - Ryan pergunta, mas sua expressão mostra que ele está meio que fazendo pouco caso, como se não acreditasse muito em mim. - Sad, sinceramente...

- Justin ainda não reencontrou todo mundo depois do acidente. - Eu falo, o interrompendo. Eu tenho o olhar baixo, como se estivesse tentando cutucar uma ferida. Talvez fosse e Justin não se lembrasse, mas meio que todo mundo sabia. - Ainda falta algumas pessoas.

- Ele não vai reencontrar todo mundo, você sabe... - Ryan diz, se acomodando na cadeira. - Dois anos, algumas pessoas estão em momentos diferentes na vida e...

- Justin estava em um momento diferente na vida há dois anos, Ry. E agora? Ele não está fazendo nada. Vai me dizer que acha que a pessoa certa da vida dele está em um momento diferente ainda?

Ryan me observa por um momento. Ele gira o potinho com palitos entre os dedos, pela mesa e fica pensativo por um momento, como se estivesse tentando decifrar minhas palavras. 

Eu respiro fundo.

- Okay. Eu o amo. Eu realmente o amo. Mas isso nunca funcionaria, por que no final do dia, eu sou apenas a belieber. Você vê isso?

Ele fica quieto, e faz um bico.

- Amo Justin, amo as demonstrações, os gestos, o carinho. Mas eu sei que não sou eu. Então, talvez eu só esteja... - A frase para por ali, e eu busco as próximas palavras, mas toda vez que abro a boca, elas parecem escapar antes que eu seja capaz de dizê-las.

- Você está? - Ele pergunta, olhando para mim.

Eu fecho a boca e respiro fundo antes de continuar. Eu preciso dizer o que ele precisa ouvir, eu preciso dizer a verdade.

- Não quero que você sinta que estou dividida entre vocês dois. Eu não estou. São situações diferentes. Não há uma competição ou um ranking ou pontos para quem consegue ser mais carinhoso no dia. Não há nada disso. - Eu digo, e ele me olha atentamente, sério, decifrando cada palavra. - Mas eu sou a belieber, entende? no final dessa história, eu ainda vou ser a belieber. E eu esperei ele por tanto tempo... Eu só estou aproveitando, sabe? Não estou te colocando em segundo lugar, te fazendo de segunda opção. Porque eu sei que eu sou uma. Eu sei que quando ele encontrar a Baldwin, ela vai tomar o lugar de antes.

Ryan me olha confuso por um momento, mas a expressão dele então muda, como se ele estivesse entendendo tudo. Mas ele não diz nada, então eu continuo.

- Há dois anos, ele estava com ela. E eu sei que estava, você pode até tentar dizer "puff, não. ele eram só melhores amigos" mas nós dois saberemos que você estará mentindo. - Ryan abaixa o olhar, e me deixa falando. - Há dois anos, ela era a melhor amiga, ela era a namorada, ela era o amor da vida dele. Okay, eu sei que não sou o amor da vida dele. Mas vocês ficam agindo como se fossem, e você diz e a Mel diz e Justin diz e todo mundo fala na internet. Mas Justin ainda está aprendendo, ele é muito influenciável. Não quero que ele seja influenciado por nada disso porque não é verdade.

Eu busco a mão dele sobre a mesa, e o meu gesto faz com que ele olhe diretamente para o meu rosto.

- Não fique achando que estou te fazendo de segunda opção ou algo do tipo. Eu não estou. Eu só... Estou aproveitando o meu tempo. Eu e ele... Ainda somos só amigos, e vamos continuar assim.

- Posso falar que ele falava a mesma coisa da Hailey? - Ryan pergunta, um sorriso surgindo em seu rosto.

- Não, se não eu vou te chutar por debaixo da mesa. - Eu digo, tentando fazer a voz mais suave e parecer o mais doce possível.

Eu reviro os olhos, mas nós dois temos sorrisos nos rostos.

Willow volta com nossos pedidos e fala mais alguma coisa e dá mais sorrisos para Ryan. Ela está apoiada na mesa, de frente para Ryan, o que a deixa de costas para mim. Eu me apoio em um dos cotovelos e faço cara tédio, revirando os olhos para ela. Ryan desvia os olhos para mim por um segundo, e dá meio sorriso.

A garçonete sai, e ele olha para mim.

- Não precisa ficar com ciúmes, sad girl.

- Não estou com ciúmes. Eu estou de vela. - Falo, não olhando para ele. Estou levemente concentrada em partir os pãezinhos ao meio, com as mãos mesmo, e observar uma fumacinha subir.

- Quem estava de vela era ela, Sad. - Ele diz, tirando os olhos de seu prato por um segundo, para olhar para mim.

- Não sei do que você estar falando. - Dou de ombros, brincando. Eu faço um movimento com a mão, como se aquele assunto não fosse tão importante assim, mas ele sabe que estou brincando. Tanto sabe, que ele está lá, com aquele sorriso lindo, de novo.

- Sei que você pediu para eu ter paciência... - Ele começa, pigarreando, como se fosse falar algo muito importante e sério. - Mas se eu te beijar no caminho entre a porta da saída e o carro, você vai saber do que estou falando?

Eu acabo rindo, totalmente de nervoso. Uma mão vai parar na frente dos olhos, como se eu mal pudesse olhá-lo naquele momento. Eu tenho certeza que estou completamente vermelha.

- Ughhh, Ryan... - Digo, ainda tapando parte do meu rosto. - O que você quer que eu te diga?

- Nada. - Eu ouço a voz dele, seguida pela risada. - Mas é legal te deixar sem jeito assim...

Reviro os olhos, tentando conter o sorriso no rosto. 

- Vamos terminar de comer e voltar para o carro. - Indico, tentando mudar de assunto. - Temos duas crianças para alimentar e um longo caminho para seguir.

- Crianças? - Ryan olha para mim. Ele sabe que eu estou falando de uma forma conotativa, mas ainda sim ele mantém a pose de incrédulo. - Está dizendo que os dois seres humanos dentro daquele carro são crianças? 

- Vamos fingir que sim. - Aponto, dividindo minha atenção entre ele e meu café da manhã. Ryan faz o mesmo. 

- Um é o maior popstar do planeta e a outra é uma funcionário do Cedars-Sinai. Eles dois não têm nada de crianças. 

- Se eles fossem crianças, seríamos presos por deixarmos eles dois dentro do carro. - Falo, olhando pela janela.

- Nah. Eu nunca deixaria prenderem o Justin de novo. Ele já passou tempo demais na cadeia. Mesmo que ele... Não se lembre disso. 

- Nós lembramos. - Comento. 

- Sim, acho que isso vale. 

Ficamos em silêncio por um momento, e eu acabo me perguntando o que está por vir. O que e está a algumas horas e quilômetros de distância. Um pai biológico legal? Um pai meio merda? Um pai que foi incrível para Benjamin mas que pode ser meio merda para mim?

A verdade é que sentia falta de quando as coisas eram mais simples. Há três meses, eu já tinha Justin, mas eu também tinha Rosie, e eu tinha Antony em um sistema de apoio que eu sabia que estaria lá qua do eu precisasse.

E agora, eu sei, ainda tenho um sistema de apoio, são meus amigos mais a minha mãe. Mas eu não me sentia tão confortável indo até outra cidade para encontrar meu pai biológico. Eu sentia que estava fazendo aquilo por mim? Sentia. Mas sentia muito mais que estava fazendo pela minha mãe. Se Mark fosse mesmo meu pai, e Benjamin fosse mesmo meu irmão, eu queria saber qual era a desculpa que ele iria dar para minha mãe. Ela merecia isso. Ela merecia respostas. Eu acreditava que, se ele não fosse, ela nem deveria ser incomodada com o ocorrido. Mas se ele fosse, ele deveria dizer algo a ela. Você não abandona uma namorada grávida e está tudo bem. Está tudo, menos bem.

- No que está pensando? - Ryan questiona, empurrando seu prato vazio para longe.

- Nada. - Respondo, olhando para dentro do meu copo de suco, quase triste porque está acabando e estava muito, muito bom.

- Você nunca está pensando em... Nada.

Levanto o olhar para ele, levemente confusa com o que ele havia dito.

- Como assim?

- Você está sempre pensando em algo. Sua cabeça está sempre a milhão. Você está pensando em Justin, ou na sua mãe, ou em como precisa de um emprego, ou como você agora tem um irmão.

Demoro para responder. Não quero me aprofundar muito no assunto - as palavras que rodeiam o acontecimento parecem pesadas, quase com um gosto metálico, como sangue.

- Mamãe. Estou pensando em mamãe. - Respondo, apoiando o queixo no punho fechado, com o cotovelo apoiado na mesa.

- O que acha que sua mãe irá fazer? Se ele for mesmo seu pai? - Ryan questiona. Eu observo ele passar o garfo dentro do prato vazio, sujo, fazendo com que a gordura tenha desenhos.

- Sinceramente? Eu não sei. - Dou de ombros, olhando para ele, que não diz nada, apenas me encarava de volta. - O que Diana Karter irá fazer? Um café? Botar ele pra correr a vassouradas? Dizer que ele nunca devia nem ter saído de São Francisco? Que Benjamin nunca deveria ter me procurado? Eu não sei... Eu não sei mais quem a minha mãe é.

Ryan fica em silêncio por um segundo, observando suas pequenas obras de arte no prato sujo.

- Você está com medo? - Ele pergunta, mas a voz sai baixa, como num sussurro.

- Estou. - Respondo, com certeza. É a única certeza que tenho. Ryan e eu nos encaramos. Diferente dos meus momentos com Justin, que envolvem mais afeto, e mãos sobre as mesas ou carinhos feitos com polegares, meu momento com Ryan envolvem olhares. Nós sustentamos o momento com dois pares de olhos azuis. Eu não preciso dizer mais nada. Ele sabe que o nosso café da manhã acabou. Então ele pede a conta.

• • •

- Quando nós vamos comer? - Melissa pergunta, e tenho a sensação de que ela está tentando se espreguiçar sem socar as costelas de Justin, que ainda dorme.

- Bom dia, raio de sol! - Digo, me virando levemente para trás. - Bem vinda a São Francisco. Seu café está pronto. - Eu estendo o saquinho de papel para ela.

Ela olha confusa para o saquinho, mas o pega de minhas mãos.

- Paramos para comer. Vocês dois estavam dormindo, então deixamos vocês no carro e fomos tomar café.

- Que injusto. - Ela murmura, abrindo o saquinho. Eu ofereço o copo de café pra ela, que aceita de bom grado. Em seguida, ela cutuca as costelas de Justin. - Ô, baby, baby. Acorda. Estamos chegando.

Justin murmura algo meio incompreensível e então afunda o rosto no travesseiro, que trouxemos da casa dele.

- Justin, é sério. Eu vou tomar seu café.

- Porque essa viagem está sendo baseada em mulheres dizendo que vão comer a nossa comida? - Ryan questiona, olhando pelo retrovisor.

- Porque sim. - Melissa e eu respondemos em uníssono.

- Ah. - Ryan responde, como se aquilo fosse o suficiente. - Tá bom, então. Quem sou eu pra criticar...

São quase 8:30 da manhã. O tempo em São Francisco está digno do verão - o céu está limpo, azul, com um sol brilhante para acompanhar, mesmo que ainda não esteja tão quente.

Nós passamos da placa "Bem-vindo a São Francisco" há alguns minutos, e Ryan disse que o GPS indica que o endereço enviado por Benjamin está a 20 minutos de distância, então eu achei que era a hora de acordar Justin e Mel. 

Tiro o celular do bolso e mando uma mensagem para Benjamin, avisando que estamos a caminho. O endereço que ele deu é de um hospital, e fico levemente tensa ao imaginar que, provavelmente, encontrarei Mark lá. 

- Você está pronta? - Melissa pergunta, se esgueirando entre os bancos da frente, falando comigo.

- Você deveria estar sentada lá trás, usando o famoso cinto de segurança, conhecido por salvar vidas. - Ryan comenta, sem tirar os olhos da estradas.

- Justin estava usando o cinto de segurança, na virada. E aqui ele está. A memória. - Melissa aponta.

- Ele não está morto, está? - Ryan questiona.

- Ele não se lembra de nada, lembra? - A morena rebate.

- O Justin está aqui. - Ouço Justin dizer, de boca cheia.

- Sim, estou pronta. - Respondo a pergunta de Mel, e vejo Ryan tirar os olhos da estrada por um segundo, olhando para mim. Estar pronta não significava estar com medo.

- Ótimo, vamos conhecer seu irmão gato. - Ela diz, voltando para o lugar dela.

- Não dê em cima de Benjamin. - Peço, sem ao menos olhar para trás.

- Eu sou uma mulher solteira. - Ela diz.

- Me prometa.

- Se o seu pai for gato, eu posso dar em cima dele, então?

Viro o corpo um pouco para trás.

- Você tem 18 anos!

- E o seu pai deve ter quanto? 40? 42?

- Não me venha com aquele papo horrível de que idade é só um número. - Peço, revirando os olhos.

- Sabe o que é só um número? - Justin questiona, se intrometendo na conversa, enquanto olha para o fundo do copo de café dele, aparentemente vazio. - 9-1-1.

Melissa joga o travesseiro pra cima de Justin, que reclama.

- Sem bagunça vocês dois, aí atrás. Eu preciso ver o que está atrás do carro. Não estamos mais na rodovia. - Ryan pede.

A última frase dele fisga a minha atenção. É verdade. Não estamos mais na rodovia. E de repente, São Francisco é tão... São Francisco. Não era muito diferente de L.A., exceto pelo lado de que parecia ter parado no tempo. É claro, tinha alguns prédios, mas alguns edifícios não eram tão grandes assim, e pareciam ser de uns 50 anos atrás.

- É que nem nos filmes. - Mel diz, abrindo a janela. - Eu nunca tinha vindo a São Francisco.

- Achei que ficava mais perto. - Comento. É claro, 6 horas de carro não era muito coisa comparado à... Não sei, ir de Los Angeles até Nova York de carro. Mas não havia nada de tão surpreendente entre um ponto e outro.

Olho no GPS, vendo que estaremos no hospital em pouco mais de 5 minutos, e não consigo não ficar nervosa por um momento. A cada metro que andávamos, aquela história toda se tornava mais real. Eu tento me acalmar, pensando na hipótese de que não, aquele cara poderia não ser o meu pai e ter um outro filho perdido por aí, de uma mãe que não seria a minha, mas a minha estratégia falha assim que eu avisto o hospital ao longe.

Justin se inclina para frente e aperta o meu braço, de leve, como se quisesse indicar que está ali. Eu envolvo seus dedos com a minha mão, apertando levemente.

- Okay, se você quiser, podemos dar meia volta e fingir que essa viagem nunca aconteceu e nunca estivemos em São Francisco. - Ryan sugere. 

- Não. Nós viemos até aqui. Vamos até o final. - Digo. 

Poucos minutos depois, nós quatro pulamos do carro, e ficamos alguns segundos observando o hospital. Algo dentro de mim estava com raiva por Mark trabalhar em um hospital daqueles; o meu possível pai trabalhava em um dos hospitais mais... Uau, de São Francisco. E enquanto isso, eu mal sabia como pagar as contas.

O meu celular vibra no bolso da calça, e eu checo, vendo que é uma mensagem de Benjamin. 

Estamos no saguão esperando por você. 

Okay. Vamos esclarecer essa história. 


Notas Finais


Oi gente!

Antes de mais nada, me perdoem pela demora. Foram duas semanas sem atualizar, eu sei, quase uma tortura para vocês que estavam ganhando novos capítulos a cada 3 ou 4 dias.

Eu vim esclarecer umas coisinhas (kk).

Bem, os capítulos de Find You passarão a ser semanais a partir de hoje, então, eu pretendo postar capítulo toda quarta. Caso eu precise atrasar, eu vou deixar uma mensagem no meu mural avisando - para receber as mensagens, me sigam.

Ai, Giovanna, porque vc está fazendo isso?

Bem, a escritora favorita de vcs (kk, me deixem sonhar) é oficialmente uma vestibulanda de Medicina, ou seja, 2020 será o meu ano de focar nos estudos e tentar passar numa faculdade pública (oi, USP). Porém, colocar Find You em um hiatus novamente não é uma opção então eu vou continuar escrevendo num ritmo mais lento, mas sem deixar q vcs fiquem sem fanfic.

Esse segunda quinzena de Janeiro e a primeira quinzena de Fevereiro é um período de adaptação, aonde eu vou estar tentando equilibrar estudos para o vestibular, Etec, fanfic, tarefas de casa e outros deveres, então tenham paciência comigo, okay?

Até semana q vem.

XOXO (PS.: senti falta de vcs nos comentários :((( )


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