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História Fins de tarde e outras sinestesias - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


dedicar essa historinha da tag pra maly com o tema que ela mesma me desafiou porque nada nesse mundo é o suficiente pra expressar o meu carinho e minha vontade de dar o mundo pra esse anjo que está mais velhinha!! e que eu ainda não acredito que é um ano mais velha que eu.

o tema foi memórias de infância e eu quase tive um derrame escrevendo essa fic; boa leitura.

Capítulo 1 - Sobre origamis e alcançar desejos


Fins de tarde costumavam ter sabor de despedidas. Kei acabou adquirindo essa sinestesia porque, nos seus anos de amizade com Yamaguchi, esse sempre era o momento de se separarem, mas, dessa vez, foi em um fim de tarde que Tsuki o encontrou. 

Com o novo ano letivo, eles acabaram ficando em turmas separadas e, com essa última semana, o silêncio de Yamaguchi os distanciava; sorrateira e silenciosamente. Os outros amigos de Tadashi também chegaram a reparar em como o garoto estava meio perdido no tempo e espaço, metido em si um pouco demais, sem muita noção de onde estaria pelas esquinas da galáxia, mas, sempre que perguntavam se havia algo, ele desfazia a conversa com uma estrela própria em seu sorriso e falava que era nada demais, que estava apenas cansado da semana de provas ou que havia acumulado muito dever de casa. 

No fim, desculpas enrolaram-se, estenderam-se, e, quando Kei notou, não havia mais adeus em suas despedidas ou olá em seus bom dias.

Alguns finais de tarde anteriores, Tsukishima pensou em ir até a casa dele; não havia nenhum plano muito mirabolante ou ideias de como gastariam o resto da noite sob as luzes das estrelas terrenas — ou postes e luzes vizinhas, como os adultos chamavam —, mas não era como se dormir nas mesmas quatro paredes fosse motivo de muita cortesia ou espanto para eles. Mas quando Tsukishima reparou, Yamaguchi despedia-se com um um olhar baixo e passos ligeiros: havia esquecido de perguntar e as palavras ficaram perdidas em sua garganta. Com o plano fracassado, Tsuki nem teve tempo de retribuir as palavras. Seguiu para suas próprias quatro paredes.

Foi nessa segunda opção de quatro paredes, porém, que Kei, ainda com certa dificuldade para respirar por conta das palavras entalada, acabou achando um pequenino tsuru no fundo de seu armários — um tsuru tão pequeno que Tsukishima quase chegou a perguntar-se se ele estaria assustado por ser tirado de seu habitat após tanto tempo. Sentiu-se nostálgico, e a nostalgia tinha cheiro pão fresco e café coado na hora.

Não tinha certeza se foi isso o que serviram no dia, mas lembrou-se de uma vez, da época que ainda sonhava em ser arqueólogo ou irmão do maior ace do Japão — qualquer um dos dois lhe parecia uma boa profissão —, que estavam prestes a servir café da tarde; café sendo apenas parte nome da refeição, porque eles eram muito novos e sensíveis para se viciarem na bebida ainda. 

Yamaguchi ainda ficava sem jeito e com poucas palavras em sua casa, pensando duas ou três vezes antes de qualquer palavra ou movimento pelo medo de incomodar, mas parecia ter algo a mais naquele dia especificamente. Tsukishima riu, parecia que a história, de fato, repetia-se. De qualquer forma, apesar de tão ignorante quanto hoje em dia, Tsuki pensava menos na hora de falar, e foi assim que havia conseguido perguntar naquela vez o que estava acontecendo; depois de dois ou três segundos de olhar baixo e bochechas quentes, Tadashi falou meio hesitante:

“Me ensina?” E Tsuki olhou para o pequeno tsuru em sua frente que havia acabado de fazer com um pedaço de guardanapo, uma materialização da impaciência por querer logo a vitamina de frutas que sua mãe preparava.

Foi assim pelos próximos dias, talvez meses; em retrospectiva, era difícil contabilizar o tempo. Deixavam de lanchar no colégio para juntar moedinhas e comprar papéis de origami na banca perto do ponto de ônibus, aí revezavam entre as casas, pediam para a tia ligar para sua mãe e avisar que estavam na casa do outro. Com o processo feito, passariam o resto do dia revirando páginas de revistas tutoriais de origami e tentando peças novas, às vezes praticavam origamis antigos para melhorarem, mas foi realmente o tsuru que se tornou o preferido de Tadashi.

No décimo segundo aniversário de Kei, Yamaguchi botou um pequeno tsuru feito de papel de caderno na mesa dele no final da aula.

“Eu não sabia o que te dar, então é pra você ficar um tsuru mais perto de poder realizar um pedido e desejar o que quiser.”

Voltando para o Tsukishima de 15 aniversários completos, apesar de ainda faltar-lhe 999, acabou não notando quando sua mente desejou ter o mesmo jeito que tinha com o Yamaguchi de anos atrás.

No final de tarde seguinte, Tsukishima não sabia direito por onde andou sua cabeça, mas certamente havia abandonado aquela sala de aula, isso se sequer tivesse entrado com ele naquela manhã. Não se lembrava exatamente de como havia sido o dia ou desde quando estava perdido, mas acabou por agradecer o piloto automático por ter anotado as matérias do dia. Além do mais, dotadas da autonomia, suas mãos haviam preparado um pequeno tsuru com uma folha do seu caderno, provavelmente entediadas com a falta de comandos na hora do almoço.

Levantando-se para sair da sala, Tsuki pegou o pequeno origami com esmero, botando sua mochila nas costas com o outro braço, então apareceu na sala de um Tadashi distraído e com os materiais ainda na mesa. Botou o tsuru em cima de seu caderno antes de anunciar sua chegada e, antes que Yamaguchi processasse direito o que era a peça em cima de seu material, Tsuki enfim respirava após desentalar:

“Eu não sei direito o que tá acontecendo, mas agora você tá um tsuru mais perto de poder realizar um pedido e desejar que tudo melhore”


Notas Finais


deem parabéns atrasado pra @morphoria

e, sim, sou uma beta que tem preguiça de revisar direito as próprias fics


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