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História Fios do Destino - Capítulo 40


Escrita por: Saori76

Capítulo 40 - Cuidados


A resistência de Ivan fora capaz de impressionar os mais fortes veteranos do pequeno exército de Oskar. Embora, fosse desconhecido todo o desenrolar dos fatos, só a proeza de um jovem na casa dos vinte e poucos anos ter conseguido matar um dos maiores guerreiros de um povo conhecido por suas artes márcias fora o bastante para que boa parte deles cedesse certo respeito a esse que ainda chegou a propriedade andando/mancando, embora estivesse muito abatido e em choque, tudo isso já era uma proeza para poucos.

O general mandara chamar a médica local e ordena a Tiara a compra de medicamentos e outros itens urgentes. Ivan foi posto no quarto particular do general; um privilégio que nem o mais leal e bravos dos soldados tivera. Isso gerou novas fofocas, mas essas eram ofuscadas pela curiosidade acerca da proeza que mantivera o jovem vivo.

Esse por sua vez, desde da saída do palácio, mergulhara num bolha de silêncio e assim permanecia. Oskar o deixara sozinho, para correr com compras, ordens a serem dadas e organizações a serem feitas. A médica recebera ordem para ir direto tratar de Ivan enquanto as moças da cozinha preparavam às pressas um assado.

Oskar que ficara a cuidar de outros assuntos fora surpreendido quando a médica o aborda diretamente:

— Ele se recusa a me deixar tratar suas feridas.

Oskar está indignado e retruca:

— Ele mal anda, creio que pode controla-lo, doutora.

A medica fecha sua maleta.

— Não vou cuidar alguém que recusa meus tratamentos. Me chame de novo se ele piorar muito ou mudar de ideia. — Sem respeito algum, a doutora vai embora.

Oskar suspira.

— Quer que eu chame outro médico? — pergunta dos empregados da casa.

— Eu cuido disso.

O marchar foi direto para o aposento. Ivan se encontrava sentado no chão com a cabeça baixa. Todo sujo e com os cabelos desgrenhados, pouco lembrava o jovem de beleza exótica de antes.

Oskar fecha a porta atrás dele ao entrar.

— Pensa que agora pode recusar tratamento médico? — Uma provocação assim geralmente era o bastante para causar algum efeito antes, agora só o silêncio. — Me responda.

E nada novamente.

O general sem muita paciência se agacha diante dele e lhe agarra o rosto sem muita força. O toque pode parecer bruto, mas é sútil.

— Olha para mim. — O pedido soou como nada além de um sussurro gentil, preocupado.

Ivan finalmente ergue o rosto, os olhos vermelhos e lágrimas que lavam parte da sujeira e do sangue ficam a mostra, calando Oskar. Em mais de um ano desde que o conhecera é a primeira vez que vê o tão inquebrável e inabalado Ivan tão frágil, quebradiço como porcelana.

— Eu sou ruim? — A pergunta vazia e sem sentido faz sentido a Oskar. A situação é clara, o olhar deixa óbvio.

Por mais encrencas, e problemas que Ivan se colocava sem perceber, nunca havia ele vivenciado o tipo de situação em que fugir não o bastante. Se tornar o predador pode ser uma carga muito pesada e querendo ou não, ainda que fossem tempos violentos, Ivan crescera numa bolha em que derramamento de sangue embora comum, ele mesmo pudera sempre manter as mãos limpas, até agora. O general se perde, sem saber o que dizer. Em sua criação a violência medida era comum quando necessário, portanto como todo e qualquer guerreiro, ele simplesmente não pensava nisso. Ideias de certo ou errado são ofuscadas quando o dever como soldado, ou sobrevivência estão afrente.

— Se levante.

— Não, não quero!

— Teimosia não funciona comigo. — Oskar declara pouco antes de pegar o outro e colocar na cama a força, sempre mantendo o cuidado, no entanto de não machuca-lo mais.
 

Com esse sentado, faz o impensável para alguém em sua posição social ao se ajoelhar perante Ivan, lhe retirar as botas com muito cuidado e examinar ele mesmo os danos. Apalpando a área, constata leigamente.

— Não parece estar quebrado. Mas o osso ainda está levemente fora do lugar. — Oskar dedilha a área e pressiona com extrema força a área já inchada e roxa. Um som de osso e um grito de dor de Ivan retomam alguma reação dele. Esse processo é repetido em todo o corpo do jovem e outra pressão é aplicada no ombro.

Outro grito de dor e Oskar diz:

— Parece que um pedaço do osso se partiu. Você precisa ser tratado.

— Faça você mesmo.

— Não tenho conhecimento o bastante.

Por mais que parecesse, o conhecimento de Oskar sobre medicina era básico, algo aprendido pela necessidade e prática. Sequer era o tipo de coisa que usava casualmente, na verdade, isso acontecia com certa frequência exatamente por causa desse à sua frente.

Oskar se decidiu, Ivan claramente não sabia o que era melhor para ele nesse momento, então, ele faria o que era melhor. Se virando, Oskar vai até a porta, a qual abre e chama algum subordinado, qualquer um que estivesse passando. Um homem simples se aproxima. No final das contas, ele era o mestre daquela casa e pessoas, sempre haveria alguém para atender seus pedidos.

— Chame a médica, e eu não quero ouvir novas recusas, deixe isso claro.

O pobre homem nem teve tempo de responder, pois logo a porta foi fechada a sua cara. Quando o general retorna a mesma posição de antes, esperava alguma reclamação, ou provocação. Era comum de Ivan esse tipo de comportamento, afinal. Não ter isso, era particularmente estranho. Se não fosse mais estranho ainda, sentir falta disso. 

Uma pequena guerra de silêncio se instalou, Oskar não falava e Ivan voltou a se prender em seu mundo de dor, e traumas, num estado profundo de choque. No entanto, ainda que quieto, e um pouco distante, Oskar fez o que podia fazer; ficou ao lado dele.

Quando a médica retornou, quase uma hora mais tarde, Oskar permaneceu ao lado do mais novo, advertindo sobre a necessidade de tratamento. Mais do que isso, até segurou a mão do jovem quando fora preciso realocar alguns ossos deslocados no ombro, visto que a ação dele ajudara antes, mas não fora o bastante. Além lhe dar apoio quando o ferimento no ombro precisou ser costurado e Ivan se recusou a ser sedado. Todos os machucados foram tratados, e o pé imobilizado, uma faixa foi amarrada no ombro, para conter os movimentos da clavícula.

Levou algum tempo, com o tratamento completo, Ivan parecia um pouco mais apresentável, embora ainda precisasse de um banho com urgência. Quando terminou, a médica apenas lançou um olhar sugestivo ao general. Oskar entende, coloca uma mão no outro do outro, e deixa o recinto por algum segundos.

Do lado de fora, a médica aborda o que Oskar já sabia.

— Os ferimentos deles não são tão sérios, as fraturas sararão em dois meses ou três, já a mente desse jovem, é algo que deve ser de alguma atenção.

Oskar não diz nada, deixando que apenas um muito leve movimento de cabeça seja sua resposta. A médica se retira, o pagamento dela já estava garantido como sempre, e nada mais precisava ser discutido no momento. Ainda do corredor, Oskar pede para que uma tina seja trazida para seu quarto, assim como ervas e novas talas e panos. Vários empregados precisam se mobilizar para atender rapidamente o pedido do general. Todos que entraram no quarto para deixar os pedidos ignoraram completamente o deplorável estado do jovem sentado na cama. Quaisquer que fossem os pensamentos, ninguém diria nada de toda forma.

Tudo estava pronto, e Oskar estava sozinho de novo com o jovem ferido sobre a cama. Sem uma única palavra, Oskar vai até o mais novo. Ele se abaixa perante ele, lhe pegando pelos joelhos e posteriormente, segurando as costas. Ivan pareceu surpreso, mas não fez nada. Ele o colocou de pé perto da tina, usando do próprio corpo para servir de apoio, visto que o pé muito ferido dificultava o ato de ficar ereto.

As roupas já estavam praticamente aos trapos, sendo fácil as retirar. Todas as faixas e curativos também foram retiradas cuidadosamente. A água quente soltava alguma fumaça, deixando claro a sua temperatura. O general ainda teve o cuidado de mergulhar os dedos nessa, para se certificar de que estava bom o bastante. O mesmo movimento de antes é feito, Oskar pega o outro nos braços e delicadamente coloca na banheira. Ivan dobra os joelhos, se encolhendo um pouco dentro.

Com um pano limpo, Oskar retira boa parte do sangue que percorre o corpo dele, lavando os cabelos e o rosto dele com todo o afinco e cuidado que poderia ter. O jeito delicado com que tocava no corpo ferido do outro sequer lembrança as mãos de um homem que enfrentara guerras e batalhas de todos os tipos. De fato, Ivan ficaria impressionado se soubesse quão significativo era o que ele fazia. Mas, ele não sabia, e claro, Oskar não se importaria em dizer de todo modo.

A água já estava suja, meio tingida de marrom e meio tingida de carmim quando Oskar joga mais água limpa nos cabelos já não tão macios de Ivan. Toda a sujeira, resquícios de sangue, e até mesmo alguns pequenos galhos foram tirados dos fios lisos, e mecha por mecha, todo o cabelo foi desembaraçado com os dedos. Todo o cuidado obtido ali era mais do que impressionante, a dedicação era genuína, tão forte quanto o sentimento que o fazia ter essas ações.

— Por que está cuidando de mim? — Ivan indaga depois do seu longo período de silêncio. A voz soava quebrada, como alguém se que sente indigno.

Oskar coloca a mão direita sobre o rosto do outro, lhe cobrindo os olhos enquanto joga água na cabeça.

— Faço o que eu quero, quando eu quero.

— Eu matei um homem, Oskar. — Relembra Ivan, o peso do seu pequeno era imenso para seus ombros, difícil de suportar. No fim, todos estavam certos quando lhe alertaram sobre não ter conhecimento do mundo lá fora. A ingenuidade que resguardava era um tesouro e agora, estava perdida para sempre.

— Você sobreviveu. — Ele o corrigiu. Não importa o que Ivan pensasse de si mesmo agora, de que lado, Oskar ficaria ao lado dele era óbvio.

— Por que ele veio atrás de mim?

A razão era precisa, para tanto, não houve resposta. Muito menos queria ele uma, somente o sentimento que persistia tristemente em seu coração.

Oskar termina de lavar os cabelos de Ivan. Um Ivan limpo é retirado da banheira e posto na cama. O corpo limpo revela tão feios são os hematomas e os inchaços, os cortes, mas nada que fosse fatal. Nada que o tempo não curasse, ao menos, as externas.

O general ainda teve o cuidado de secar o corpo quase imóvel do outro, e vesti-lo, além de aplicar pomadas e refazer todos os curativos feitos anteriormente. Quando terminara é que Ivan lhe olha. Eles se olham por um longo tempo, um paradoxo de emoções estão ali. Oskar está distante e um tanto frio, a culpa de tudo o que aconteceu e do que ainda está por vir acaba com boa parte da força dele. Ivan está derrotado, tendo que lidar com um peso que o consumia, era difícil para ambos.

A conversa necessária, o abraço necessário, não veio. Um leve chamado do lado de fora, moveu Oskar como um raio. A porta foi aberta e duas jovens mulheres vieram com fartos pratos de comida, o destaque desses pratos era um belo faisão assado e muito bem temperado.

— Podem deixar por ali, obrigado.

As moças timidamente puseram todos os braços no local indicando, soltando um leve sorriso na direção de Ivan antes de se retiraram. Outros empregados apareceram, e recolheram a tina com a água suja, os panos.

Quando sozinhos de novo, Oskar vai até perto da cama, com uma faca qualquer corta o faisão em pedaços menores e sem ossos, dispõe de um pouco de pão e suco fresco de amora. Tudo é posto na frente dele.

O outro fingiu estar sem fome, a comida quase chegou a esfriar, visto que ele não estava disposto a tocar nesta, o estômago foi traiçoeiro e ele acabou comendo a comida morna. Só aquilo acabou nem sendo o bastante, Ivan estava tão faminto que devorou quase todo o banquete que lhe foi servido.

Estando bem alimentado e banhado, praticamente desmaiou na cama. Oskar ainda permaneceu ao lado dele, velando seu sono. Sem resistir, estica a mão e toca os cabelos do outro.

Um suspiro triste lhe escapa.

Em seu coração, se lembrava com carinho de como Ivan cuidara dele, estando ao seu lado em seu momento mais obscuro. Só que agora, era pior, milhões de vezes pior. Ele amenizava a situação, seus homens comemoravam, mas era sabido por todos. Ivan matara o sub líder da tribo Morus, o antigo ancião estava morto, não haveria apaziguar mais, não haveria mais acordo, só haveria outro banho de sangue.

              (...)

A noite não havia sido nada fácil, os pesadelos o faziam acordar a cada uma hora, gritando. Isso só parou quando em meio ao seus pesadelos, Oskar apareceu e lhe segurou firme em seus braços, o mantendo protegido do que fugia em seus sonhos. Depois disso, Ivan dormiu a noite toda, se sentindo um pouco mais seguro estando nos braços fortes do homem que amava.

Já pela manhã, quando o sol já estava alpino na metade do dia foi que ele acordou. O som da batida de uma porta lhe fez abrir os olhos. A mente ainda estava confusa, sabia que havia voltado, mas ao mesmo tempo, sempre que fechava os olhos, quando os abria de novo, sentia como se fosse acordar novamente naquela floresta, com Nur.

Virando a cabeça para o lado, o coração dele estava quente, esperando encontrar a visão de Oskar perto dele, assim como estava na noite passada. Ao invés disso, encontrou, no entanto, a carranca de Elias, carregando consigo uma bandeja de prata com frutas, e algo para beber. A carranca do outro era grande e o motivo era óbvio. Ele era um tenente que estava trazendo comida para aquele que era seu rival. Era humilhante, mas sendo uma ordem, era preciso obedecer.

Ivan se senta na cama, arrastar o corpo na cama doí, e provavelmente não era nem para ser feito. Depois de tudo, é preciso muito repouso. Ficar sem andar por algum tempo, vai ser torturante, e ao mesmo tempo, pode acabar sendo gratificante, quem sabe. Estar longe de tudo pode fazer bem às vezes, pode fazer dessa vez.

— Onde está Oskar? — pergunta casualmente. Era um tanto decepcionante acordar, e perceber que ele não estava aqui. Talvez, ele estivesse mais dependente dele nesse momento do que gostaria de admitir.

Elias dá a volta na cama, a bandeja é posta sobre a mesa ao lado com uma força desnecessária.

— Ele precisa fazer mais do que estar a sua disposição o tempo todo. — retruca Elias, o desprezo na voz e no olhar era claro.

Ivan abaixa a cabeça, não sabe direito o que dizer. Desde do começo, Elias o detestava, mas agora, era óbvio porque esse desprezo havia aumentado. No fim das contas, talvez, eles não fossem tão discretos como pensavam ser.

— Coma e repouse. — ordena este sem paciência. Elias era parecido com Oskar em certos aspectos de personalidade, mas era certamente muito mais hostil na maioria deles. — Não jogue fora todo o esforço dos outros. — Elias solta friamente, se virando para deixar o recinto.

— Sinto muito por causar problemas. — diz Ivan, o tom quebrado. A razão de dizer isso, nem ele sabe. Não está a pensar direito também. E a culpa lhe pesa tanto que sequer como a medir, a vida pode ser muito terrível às vezes, pensa ele.

Elias o olha por cima do ombro.

Era estranho ver o provocador e às vezes insensível Ivan falando essas coisas. Elias já era acostumado com o jeito desafiador e rebelde. Era extremamente irritante, mas certo que mais irritante do que isso, era vê-lo agir como se alguém lhe tivesse arrancado a alma. Talvez, ele devesse sentir pena, mas só sentiu foi mais raiva. Afinal, a visão de mundo de um guerreiro é certamente diferente da de um cível, e Elias não era diferente.

— Você está vivo, se agradeça por isso e pare de lamentar como um covarde. — Elias deixa o quarto depois de destilar parte de sua raiva e rancor.

Quando fecha a porta, solta um longo suspiro, uma forma de se acalmar. Estar perto de Ivan sempre era difícil, estar perto dele representava uma lembrança constante daquilo que ele nunca teria, e era ainda mais doloroso, alguém que considerava não merecer receber aquilo que era seu desejo mais profundo.

Sim, as emoções humanas podem ser muito complicadas.

Ivan olha para o lado, as frutas estão frescas, mas ele não se atreve a tocar nelas. A mão vai direto para o copo, e ele bebe sem olhar o conteúdo. Fora um desanimador constatar que era apenas água. Por algum motivo mórbido, o desejo no momento era de tomar outro gole daquela bebida forte de Oskar. Isso poderia o fazer se sentir melhor, quem sabe. Ao lado dessa bandeja, sobre o mesmo móvel, se encontrava a adaga de Ivan. Intacta e posta ali para ele a pegar posteriormente.

Ele encara objeto por algum tempo. Troca o copo pelo corpo da adaga. De fato, a capa era repleta de desenhos estranhos e a lâmina continha escritos estranhos que para ele nada mais eram do que símbolos, mas segundo Nur eram letras que formavam o verdadeiro nome de Oskar. A mente ainda se encontrava abalada com os últimos acontecimentos, mas ele certamente não se esquecera das palavras de Nur.

Quanto daquilo era verdadeiro era o que era difícil de dizer. Afinal, havia muito mistérios cercando o general Oskar, o mito do homem sem passado. Tudo isso não passava de uma bobagem, era claro que ele tinha um passado, desconhecido, mas tinha. Não era difícil perceber que havia duas personas no mesmo homem, um era o Lee e a outra era o general Oskar. Esse passado, provavelmente era o mesmo que carregava a verdadeira razão por aquelas cicatrizes nas costas dele, a verdadeira razão de toda a dor e culpa que ele carregava.

Para tudo existe um motivo, Ivan não estava disposto a crer totalmente nas palavras de Nur. Oskar podia ser muitas coisas, mas ele duvidava que um homem que lamentava tão profundamente a morte dos seus podia ser de fato os que os matara, mas ele também estava mais do que interessado em saber o que estava por detrás do mito, o que havia debaixo da máscara do homem que ele amava, preciso descobrir; convenceu a si mesmo negando o fato de que essa era a única forma de escapar de uma dor com que não conseguia lidar.

(...)

Como recompensa por todo o esforço de seus soldados, Oskar organizara uma espécie de presente para todos eles, ordenando que todos além de terem algum descanso, cada um teria um pequeno banquete para suas famílias. Geralmente, nesses momentos, Oskar fazia grandes festas, ou banquetes, mas dessa vez, o humor dele não estava nos melhores para ter que lidar com algum tipo de festa.

Todos os outros concordavam com isso, afinal, também estava cansados depois de buscas incessantes por três dias seguidos. Um descanso, obviamente era bem vindo a todos, e muito necessário, Oskar, no entanto, era o único que se recusava a descansar.

Agora, já no final da noite, depois de passar o dia todo, organizando a recompensa dos seus homens, Oskar ainda não havia dormido, e muito menos comido. Não tinha vontade também, ainda assim, passou na cozinha. Era raro ir para a cozinha, o que causou uma certa surpresa as pessoas no local.

— Senhor.

A governante da cozinha se apresentou de primeira. Tiara que se encontrava num canto, conversando com uma das moças da cozinha, também se apresenta, com apenas um gesto de respeito.

— Deseja algo em especial para comer?

— Não. — replica, a voz exala cansado. — Estou procurando garrafas de Baijiu.

A governanta da cozinha faz uma careta. Oskar detinha de um pequeno acervo de bebidas na casa, e detinha de um menor ainda em seus aposentados. Mas, ultimamente tendo bebido muito, o álcool acabou depressa.

— Sinto muito, mas estamos sem, senhor. — informa ela muito desconsertada. — Posso mandar ir comprar.

— Não há necessidade. Traga-me o que tiver.

— Sim.

Apressadamente a governanta foi buscar as chaves do cômodo em que ficavam todas as bebidas, afinal, isso era algo muito comum por ali, e não havia um espaço mais adequado a não ser um cômodo qualquer. Esse cômodo ficava a acesso dos empregados, visto que Oskar detinha do seu próprio estoque e o que sobrava era utilizado para festas e outros afins. A governanta não se demora a voltar com duas jarras de bebida, e uma taça para Oskar.

— Não deseja que eu prepare algo, senhor? Esse vinho certamente ficará melhor com alguma carne.

O general educadamente pega os itens, e diz baixo:

— Não há necessidade.

Com um leve aceno de respeito as senhoras da cozinha, ele se retira. Tiara que observara tudo sem dizer nada, não conseguiu se conter no lugar. Ela correu atrás do general, e o chamou por trás.

— Senhor, permite-me lhe dizer algo?

Ele só queria ir para seu quarto, mas ainda assim, se fez ouvir.

— Claro.

— O senhor está sem descanso à dias. Não acho que faça bem para sua saúde beber em jejum.

Oskar se vira, e a olha de cima abaixo. Ela abaixa de leve a cabeça, mas mantém a compostura séria. Geralmente, ele não era questionado. Havia muitas poucas pessoas que ousavam lhe dar opiniões sobre suas atitudes dentro daquela casa. Ele não gostava desse tipo de atitude, era inconveniente na maioria das vezes.

— Você tem coragem.

— Me perdoe por ser atrevida, mas me preocupo com sua saúde, senhor.

— Agradeço a preocupação, apesar de sem necessidade. — disse ele. — Já terminou seu treino de hoje?

— Sim.

— Então, vá descansar.

Oskar se retira para sua sala, coloca as jarras em cima desta. Serve no copo até a boca e vira esse na garganta de uma vez só. Repete isso no segundo e no terceiro copo. Quando vai beber o quarto, um empregado lhe bate à porta que já estava aberta.

— Senhor, o conselheiro Arlo está aqui.

Ele vira o copo que enchera a pouco, era o quarto. 

— Estou indo. — Da mesma pega o seu leque, as aparências são importantes, afinal.

O general foi para a entrada da casa, o conselheiro Arlo estava lá, fazendo escândalos acompanhado de dois empregados atrás dele, nenhum desses era o tal Fran que Oskar fez questão de enxotar para fora assim que chegaram.

— Desaprendeu como entrar na casa dos outros?

Senhor Arlo atira seu olhar de ódio na direção do general.

— Quero ver meu filho!

O general se aproxima, estando diante do conselheiro Arlo. Este estava bastante nervoso, agindo de forma agressiva, como se Oskar estivesse mantendo Ivan refém. De alguma forma, era assim provavelmente que ele pensava.

— Ele está descansando. Não está recebendo visitas.

— Não pode me proibir de ver meu filho. — O tom era ameaçador.

Particularmente, o general não estava com ânimo para lidar com os acessos de raiva do conselheiro nesse momento, além do mais, era desnecessário discutir com aquele que era na verdade, seu sogro, ao menos não por hora.

O conselheiro que esperava que o outro reagisse mal, assim, poderia usar uma desculpa para causar problemas, ficou um tanto decepcionado quando Oskar apenas sai do seu caminho.

— Ele está no meu quarto. Fique à vontade.

O conselheiro empina o nariz, indo na direção apontada por Oskar. Os empregados deste permaneceram no lugar, um desses se aproxima, trazendo alguns itens que pertenciam a Ivan. Oskar não deu atenção, e pediu para que os itens fossem pegos por Elias e levados até a sua sala. Certamente precisava de outro copo de bebida.

Ele entra e se serve. Elias trouxera o que fora entregue, eram quase tudo roupas, sendo o único de se destacar duas espadas. Essas foram postas em cima da mesa de Oskar. Uma era a espada de Ivan, e a outra fez o general Oskar pausar seus movimentos.

— Aonde conseguiu isso?

— Estava com tudo o que eles trouxeram.

O olhar mórbido se fixa naquela espada por longos segundos, o copo de bebida é posto no mesmo lugar sem ser mais tocado. A mão direita toca a espada coberta por símbolos, o cabo vermelho com um desenho de dragão era terrivelmente conhecido por ele.

— O senhor está bem? — Elias questiona, visto que notara o comportamento estranho do seu mestre. Oskar olhava aquela espada específica como se fosse algo veneno, um item amaldiçoado, e para ele, era de fato.

— Me deixe.

Elias se retira sem questionar.

Oskar retira a espada de sua bainha. Encara a lâmina brilhante, o reflexo de seus olhos negros refletiam muito mais do que era possível ver exteriormente. A mão que segurava a espada tremia levemente com a força com que segurava algo que pensou que nunca mais veria.



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