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História Fire - Capítulo 21


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Notas do Autor


Oi oi pessoal, estou de volta (Vocês já devem ter lido isso umas quinze vezes já), mas antes que me matem pela falta de atualização... 🙃 FIRE JÁ ESTÁ TODINHA CONCLUÍDA, no caso, os cinco últimos capítulos já foram escritos (ah ok, o último não foi, mas ele é rápido), isso significa que vou poder postar um capítulo por dia (ou tudo de uma vez se alguém pedir, sério, sou coração mole, no primeiro "posta logo tudo" eu vou e faço 😅😅). Esse foi um dos motivos da minha demora, porque esse capítulo aqui já estava pronto a umas semanas sabe
Enfim, COMO VOCÊS ESTÃO NESSE PERÍODO DE QUARENTENA? Eu estou tentando não pensar nisso, por isso agora assisto um monte de séries, animes e leio bastante para ocupar a mesmo. Vocês estão bem? Se cuidem e sigam todas as regras, ok?
Enfim, chega de enrolação e BOA LEITURA!!!! ❤

Capítulo 21 - Sobre deixar (Felix)


Capítulo 21 - Sobre deixar (Felix)

Tudo bem, Lee Felix. Isso é só um treinamento, você só precisa tentar não apanhar muito.

Você consegue, já fez isso outras… Cem vezes?

Ataquei quase no mesmo instante que Kim Woojin soprou o apito vermelho, indicando que minha luta estava se iniciando. Meu primo foi bem mais rápido do que pensei ao se defender, segurando meu punho direito antes que eu conseguisse atingi-lo no pescoço, em busca de dificultar sua respiração.

Bufei de dor, quando meu braço foi girado de modo que a palma de minha mão direita se encontrasse praticamente no meio de minha costas.

— Você ainda está lento. — Bang Chan, vulgo meu primo que tornava-se estranhamente sádico quando estava lutando, sussurrou. Eu podia até estar de costas para ele, porém conseguia saber o olhar de desaprovação que o mais velho se direcionava a mim. — Agilidade, Felix.

Tudo bem, não era como se eu realmente achasse que iria acertar Chan logo de primeira. Mesmo com semanas treinando todos os tipos de lutas que meus hyungs conseguiam me ensinar, ainda não estava no mesmo nível que eles.

Mas estou quase lá.

Sem hesitar, girei o braço que estava livre da torção, acertando em cheio, com toda a força que tinha no momento, o nariz de meu primo. Deve ter doido o bastante, considerando que Chan recuou um passo, soltando meu braço. Do outro lado da sala, sentado em cima da mesa escolar, Woojin me encarou surpreso, também assustado com meu movimento repentino.

Sorri, já contando vitória, preparando-me para realizar um dos chutes giratórios que Changbin havia me ensinado, talvez fosse de taekwondo.

No entanto, diferente de meus planos que consistiam basicamente em Chan caído no chão, meu pé passou direto pelo rosto de meu primo, atravessando sua bochechas chocar-se com nada, como se ele sequer estivesse ali.

Certo, Bang Chan e seu poder estranho.

Suspirei, vendo meu hyung se materializar em minha frente novamente.

— Hã? — Engasguei, inflando as bochechas. — Isso não é considerado trapaça?

Meu primo riu, relaxando o corpo.

— E você queria que eu ficasse parado enquanto você me dava um chute no meio da cara?

O encarei, como se fosse óbvio.

— Sim. — Exclamei, me virando para Woojin. — Hyung, ele é um trapaceiro.

Meu hyung somente revirou os olhos, já acostumado com minhas birras infantis com meu primo, e soprou novamente o apito. Era como se falasse "Fim de luta, rapazes".

Estávamos em uma das salas abandonadas do prédio principal de Juno, lugar que havia se tornado praticamente o QG principal do grupo de defesa contra a Legião, era onde treinávamos escondidos quando era necessário. Meus hyungs passavam horas por lá, prova disso eram as inúmeras estratégias jogadas pelo local, todos os planos possíveis que eles e os outros mais velhos se esforçaram para criar, cada movimento minimamente calculado para que ninguém se machuque no final.

As coisas haviam ficado ainda mais agitadas desde minha última visão. Mais pessoas estavam no plano agora, os treinamos se tornavam mais longos e duros, e tínhamos passado tantas vezes o plano principal que eu poderia realiza-lo de olhos fechados. Apesar disso, ninguém se acalmava.

Em dois dias, o evento literário iria acontecer.

Em dois dias, nós saberíamos se Juro iria sobreviver ou não.

— Você está melhorando. —  Woojin falou, saltando da mesa. 

— Não iluda ele, meu bem. — Meu primo retrucou. — Felix ainda precisa melhorar.

Revirei os olhos, sorrindo para Woojin.

— Isso é inveja. — Dei de ombros. — Só porque falaram que o meu chute é melhor que o dele.

Bang Chan somente bufou, pouco se importando em continuar a discussão, em vez disso, foi até a mochila que largou em uma canto da sala, pegando a garrafinha de água que deixou guardada por lá. 

Aproveitei o momento de distração de meu primo e fui até Woojin hyung, com os olhos quase suplicantes.

— Hyung, você conseguiu aquilo que te pedi? — Sussurrei baixinho, como se pedisse algo proibido.

— Sério, Felix, por quê parece que você está comprando drogas? — Chan gargalhou, se materializando ao meu lado.

— Eu a encontrei, Chan foi até ela. — O hyung mais velho explicou, me entregando um envelope de cor lavanda. Com as mãos trêmulas, peguei. — Não precisa falar tão baixo, você não está fazendo nada de errado.

Eu sabia que não, porém, não conseguia deixar de pensar que estava entrando em um assunto que não devia, interferindo algo que ia muito além do íntimo de Chanbin.

Mas eu sou o namorado dele, certo? E só quero o bem dele. Talvez eu possa me intrometer, só um pouquinho.

— Changbin precisa disso, nós sabemos melhor que ninguém. — Woojin continuou, como se soubesse exatamente o que eu estava pensando.

Ele devia saber mesmo. Telepatas e o dom de ler os pensamentos, algum dia eu iria precisar me acostumar. 

Agradeci mais uma vez meus hyungs, guardando a carta no bolso do meu moletom, correndo para fora sala. A sala em que estávamos treinando era em um andar abandonado, então demorou alguns andares para que eu conseguisse ver algum aluno.

Era engraçado a forma em que eu estava todo bagunçado e ninguém parecia se importar. Estar sujo, machucado e com as roupas amassadas em Juno era tão normal quanto respirar, Changbin por exemplo tinha uma coleção de blusas queimadas.

Conversei com algumas pessoas no caminho, algumas faziam parte do plano contra a Legião e pareciam tão nervosas quanto eu, outras sequer eram da minha sala e sequer faziam ideia sobre o que aconteceria em dois dias, apenas balbuciavam sobre o quão estavam animadas para o dia do evento literário. 

Sorri, sabendo que o evento literário não iria ocorrer do modo em que eles pensavam.

Quando cheguei em meu quarto, Seo Changbin já estava ali, sentado em minha cama, enquanto reclamava alguma coisa de Seungmin.

— Felix, você pode por favor fazer seu namorado calar a boca? — Meu companheiro de quarto disparou, assim que me viu. 

— Amor, somente estou comprovando minha teoria de que Seungmin é passivo-agressivo. — Changbin beijou minha bochecha quando sentei-me ao seu lado. — Como foi hoje?

— Eu quase venci Chan. — Falei, orgulhoso demais. — Se ele tivesse ficado parado, eu com certeza iria vencer.

Ouvi Kim Seungmin rir, guardando algumas coisas na mochila vermelha.

— Eu passei o dia inteiro tentando convencer minha mãe a não aparecer aqui no dia do evento literário, acho que finalmente consegui.

Confirmei, sorrindo aliviado, depois de acompanhar durante dias aquele embate entre os Seo's.

Eu queria muito conhecer a mãe de Changbin, mas não no dia em que atacariam Juno. Se eu pudesse, iria mandar todas as pessoas embora antes do dia. As crianças menores, as serventes que sempre cuidavam dos alunos, até mesmo a bibliotecária mal humorada que revirava os olhos toda a vez em que eu aparecia por lá. 

— Você vai mesmo me deixar sozinho no quarto hoje, Seung? — Resmunguei, voltando o olhar ao meu amigo, fazendo bico nos lábios.

— Hum… Sim? — Deu de ombros. — Você está muito dramático, Felix, parece até Hyunjin.

[ . . . ]

Eu já devia ter roído umas três unhas quando Seo Changbin finalmente saiu do banheiro, secando os cabelos escuros com uma toalha. Ele não tinha realmente demorado tanto no banho, porém para mim pareceu uma eternidade.

— Você está bem? — Indagou, indo até mim, preocupado. — Não precisa se preocupar, vai dar tudo certo, eu vou te proteger.

Fiz um bico, sentindo meu peito esquentar com aquela confissão, apesar daquela não ser a questão que preocupava-me no momento.

— Eu também vou te proteger. — Falei. — Eu vou proteger todos vocês, afinal foi eu que os coloquei nessa confusão.

Changbin não disse nada, somente deitou ao meu lado na cama, ignorando totalmente a existência da cama vazia de Seungmin logo ao lado. Não me importei, pois queria ficar perto dele também, principalmente porque aquela era uma noite fria e seu corpo proporcionava um calor reconfortante.

Era a hora.

— Binnie, eu fiz algo. — Murmurei, puxando o envelope lavanda de meu colo. — É para você.

Changbin pareceu não entender a gravidade da situação, considerando o olhar confuso que me lançou. Na verdade, do jeito que eu o conhecia, podia afirmar que ele estava entre reclamar do apelido que odiava ou fazer alguma piada para apaziguar a situação tensa.

— Você fez uma carta para mim? — Indagou, pensativo. — Eu tenho quase certeza que não estamos fazendo aniversário de namoro nem nada assim. Eu estou contando os dias.

Franzi o cenho, negando.

Pelas minhas contas, em sete dias iriamos completar mais um mês juntos, no entanto, aquele não era o momento certo falar isso.

— Eu não escrevi essa carta para você, mas eu poderia. — Mordi o lábio inferior, entregando o envelope lavanda para meu namorado, que pareceu ainda mais pensativo. — Park Danhee escreveu.

O choque de Changbin foi instantâneo, tão forte que por um instante, me arrependi de tudo que tinha feito.

Seo Changbin prendeu a respiração, o corpo paralisando por causa das minhas palavras, seus olhos se arregalaram com o susto, como se tivesse acabado de ouvir o nome de um fantasma, até mesmo o ar do quarto pareceu mais denso. O que fazia sentido, Park Danhee era o fantasma do passado do garoto que controla o fogo, um fantasma intocável que voltava todas as noites para atormentar meu namorado.

Mas estava na hora de deixar esse fantasma para trás. Estava na hora de Binnie seguir em frente.

— Eu pedi para que Woojin a encontrasse, mas acho que foi Chan que foi até ela. Poder se materializar em qualquer lugar tem suas vantagens. — Balbuciei. — Woojin hyung me entregou hoje no treinamento. Eu não li, acredite, eu queria muito ler, porém isso é algo só seu.

Changbin abriu o envelope com as mãos trêmulas, e mais ansioso ainda, começou a ler o papel.

A carta não devia ser tão grande, talvez só ocupasse metade de uma página. Eu o observei ler cada palavra, analisando todos os mínimos detalhes, seus olhos lá estavam vermelhos quando finalmente chegou na última linha.

Vê-lo daquele jeito fazia com que meu estômago embrulhasse, e meu arrependimento subisse ainda mais.

E se Park Danhee tivesse escrito algo ruim? E se Changbin somente morasse com aquela carta? E se agora ele ficasse se remoendo ainda mais, sem poder se perdoar? Eu seria o culpado de deixar uma das pessoas que mais amava em um péssimo estado.

Eu…

— Binnie? — Murmurei depois do que pareceu um século. Vi ele dobrar delicadamente o papel, colocando-a novamente no envelope lavanda. — Binnie?

As primeiras lágrimas começaram a descer assim que repeti seu nome. Eu só havia visto Changbin desabar uma vez, quando quase descontrolou e contou-me sobre seu passado, no dia em que nos beijamos pela primeira vez.

— Binnie?

— Ela está bem. — Cochichou. Dava para sentir o alívio em sua voz. — Ela me perdoou.

Quase suspirei de alívio. 

Não falei nada, não porque não tinha algo para falar, e sim porque naquele momento, era o meu dever escutar, assim como o garoto que controla o fogo fez comigo em minha primeira semana em Juno.

Naquele dia, eu que devia ser o ombro amigo de Changbin.

— Você sabe, ter o Z é incrível, mas temos sempre que nos controlar, seguindo regras para não machucar ninguém. — Fungou. — Até mesmo pessoas como Jeongin não podem usar todo o poder, nem mesmo a cura pode extrapolar o limite. 

As lágrimas continuaram a descer, enquanto Changbin continuava a falar. Entrelacei seus dedos aos meus, tentando fazer com que suas mãos quentes tremessem um pouco menos.

Eu nunca desejei tanto ter uma visão, poder falar que tudo iria ficar bem.

— Quando tudo aquilo aconteceu… Quando eu me descontrolei e Danhee se machucou, a família dela procurou ajuda com os Yang, porque eles são os melhores com cura, era a única esperança que Danhee tinha. — Changbin continuou. — As queimaduras eram tão fortes e fundas que a pele de Danhee se deformou, para piorar, seus órgãos estavam começando a parar de funcionar por causa da alta temperatura em que foram expostos. Ela estava a um ponto de morrer, enquanto meu pai subornava o diretor Kim para que eu não fosse expulso. — Riu, de modo amargo. — Os Yang's realmente se esforçaram com ela, praticamente fizeram um milagre.

— Então ela está melhor? 

Binnie confirmou com um aceno de cabeça.

Ergui minhas mãos até seu rosto e sequei as lágrimas que insistiam em cair.

— Sim… Ela contou que depois que o Z parou de dar efeito, seus pais a levaram para algum país da América do Sul, lá estavam realizando um tratamento contra queimaduras, pelo que entendi usavam pele de peixe para reconstruir o tecido humano. Ela melhorou muito com isso. — Fechou os olhos. — Ela disse que me perdoou… Ela me perdoou. — Repetiu, como se ainda não acreditasse. — Ela me perdoou, Felix.

— Eu sei, Binnie. — Disse. — Agora falta você se perdoar.

Changbin encarou-me estranho, curvando a cabeça para o lado, sem entender.

— Todo mundo erra, Binnie, e você ficou por anos se culpando, se excluindo, torturando a si mesmo. Está na hora de isso acabar. — Continuei. — Naquela noite nós fizemos diversos planos para um futuro, de ficar ficar junto, procurar a minha mãe e adotar um cachorrinho… Mas como podemos fazer isso se você ainda se pune? 

Eu vi quando Changbin engoliu o seco, pensativo, só então notando a situação que colocou a si próprio.

Eu devia ter feito aquilo a muito tempo, procurado Park Danhee desde que notei Changbin quase se descontrolado por um erro que cometeu quando era criança. O nosso curto término foi o que me motivou a pedir ajuda, pois finalmente tinha entendido que caso não fizesse alguma coisa, Changbin iria continuar afastando as pessoas simplesmente porque achava que iria machuca-las, e nisso, ele era o único que saia ferido.

— O evento literário é em dois dias, eu não quero que você enfrente essa luta se sentindo culpado. — Toquei em seu rosto, deslizando meus dedos pelas bochechas quentes do garoto que controla o fogo. — Pode chorar, hoje eu vou ser seu ombro amigo.

[ . . . ]

Do outro lado do palco, Han Jisung nos encarou, confiante. Acenei de volta, observando Seungmin olhar sério para o amigo, sem esboçar um sorriso sequer.

"Consigo sentir sua a ansiedade daqui, Minnie" a voz de Jeongin surgiu em meus ouvidos, fazendo-me pular discretamente em meu lugar, ainda não acostumado totalmente com a escuta que Chan hyung nos obrigou a usar.

O auditório estava lotado, isso eu sabia sem nem ao menos precisar espionar pela enorme cortina vermelha que separava os bastidores das cadeiras. Da onde estava, conseguia ouvir as vozes animadas, os cochichos impacientes, as famílias orgulhosas das pessoas que apresentariam-se a seguir. Era quase impossível imaginar que entre todas aquelas pessoas que aparentavam ser tão felizes, havia um grupo que queria iniciar um massacre.

"Vocês sabem que todos conseguem ouvir nessa frequência, certo?" alguém continuou, rindo. Pela voz, eu poderia supor que se tratava do garoto em que chamávamos de Haechan.

"Parem de conversar e sigam o plano"

Segundo o relógio em meu pulso, o horário marcava 8:20. Vinte e cinco minutos antes da Legião atacar, dez minutos antes que o nosso plano iniciasse de verdade.

— Cadê os alunos do segundo e terceiro ano? — Alguém gritou, possivelmente uma das professoras nervosas com a desordem que estava os bastidores.

Aquilo fazia parte do plano. O caixote de madeira em que eu e Seungmin estávamos sentados calmamente esperando a hora certa também. A enfermaria improvisada que, naquele momento, estava sendo montada no dormitório feminino também.

— Os do segundo eu não sei, mas os do terceiro ano estão andando por Juno. — Jeon Wonwoo respondeu. — Eles vão voltar antes da apresentação das turmas do segundo ano chegarem ao fim.

— Confia demais nessas crianças, Wonwoo. — A mulher respondeu, impaciente. — É irresponsável igual eles.

Como se uma luz surgisse em minha mente, lembrei-me quem era ela. Não sabia seu nome, mas sabia que era ela a responsável pelo evento literário, apresentando todos aqueles que iriam apresentar. Na planilha que carregava em mãos, estava o planejamento de tudo que iria acontecer no dia.

Talvez nem tudo.

Meu coração falhou uma batida.

Oito minutos.

— O próximo da lista do primeiro ano é… — Vi a mulher resmungar, lendo o papel. — Kyla Massie?

Por favor, que dê tudo certo.

Saltei do caixote rapidamente, ato que foi repetido por Seungmin. Antes mesmo que Kyla levantasse as mãos, para que a organizadora pudesse encontrá-la entre a multidão de alunos do primeiro ano e parte do segundo, já estávamos tirando uma das máscaras pesadas da caixa, entregando para a garota de bochechas adoráveis ao lado se Siyeon.

Do outro lado do palco, eu sabia que Jisung estava fazendo a mesma coisa. Distribuía as máscaras em silêncio entre as pessoas que sabiam que em alguns minutos, aquele auditório seria tomado por um gás sonífero. 

“Começamos agora?”

"Não. Vamos esperar a penúltima estrofe para soltar o gás, assim dá tempo o suficiente para espalhar no auditório antes do discurso”.

"Certo"

Entreguei uma das últimas máscaras para Siyeon, e trocamos um olhar sério antes que ela descesse pelas escadas laterais do palco. Escondendo-se entre os aparelhos de som. Caso algo desse errado no discurso de Kyla e alguém da Legião estivesse armado, seria a telecinese de Siyeon a responsável por criar um campo de força e proteger o palco.

Eu desejava que tudo ocorresse conforme o plano.

— O que você vai fazer? — A organizadora indagou, a encarando a máscara de modo confuso. — Por que você está segurando isso? É assustador.

Não era uma máscara comum, hospitalar ou aquelas que usávamos quando estávamos doentes ou coisa parecida. Aquela que Kyla segurava em mãos era muito mais elaborada, com dois filtros de ar em cada lado, perfeita para o que estávamos planejando em fazer. 

— Recitar um poema. — Ela sorriu, quase cínica. — Isso é parte da performance. Você vai gostar.

Sete minutos.

Peguei uma máscara e entreguei a última que sobrava para Kim Seungmin nos afastamos do palco, ficando sentados ao lado das longas cortinas avermelhadas, local perfeito para observar a reação do público. Meu amigo pouco se importou quando segurei sua mão, tentando diminuir meu nervosismo, estava concentrado demais encarando o diretor Kim sentado em uma das primeiras fileiras.

— Ele não vai conseguir ouvir os pensamentos dela? — Indaguei, curioso e preocupado.

— Não, Felix. — O Kim respondeu de volta, baixinho. — Sabe por que meu pai nunca sai do escritório? Porque ele não é tão forte quanto Woojin hyung, meu pai não consegue em ficar em lugares cheios por causa de todos os pensamentos ao redor. Ainda estamos seguros, ele deve estar surtando de dor enxaqueca agora.

“Estamos nos lugares” a voz de Changbin invadiu meus ouvidos, quase sorri de alívio, em saber que ele estava bem. 

Eu sabia onde todos do meu grupo estavam. Seungmin, Jisung e eu ficamos responsáveis pela distribuição das máscaras no auditório; Hyunjin estava do lado de fora, impedindo que alguém entrasse no local; Changbin e Minho se dirigiam ao refeitório, iriam proteger os alunos de lá caso Woojin não conseguisse usar sua melhor jogada e inimigos da Legião passassem pela entrada principal -só o irmão e Chan sabiam o que aquilo significava; Woojin devia estar na sala de controle junto a Chan hyung. Jeongin estava por perto, junto dos outros alunos do primeiro ano, preparado para agir caso alguém se machucasse.

Não ouvi a organizadora apresentar Kyla, quando notei, a menina de bochechas adoráveis já estava no centro do palco, em frente a um microfone. A máscara ainda estava em suas mãos, pois somente seria usada no meio da performance.

Cinco minutos.

Eles costuraram tua boca com o silêncio. — Kyla começou, e como se fosse mágica, o auditório se calou, prestando atenção na menina de cabelos claros e roupas verdes sozinha. — E trespassaram teu corpo com uma corrente. Eles te arrastaram em um carro e te encheram de gases, eles cobriram teus gritos com chacotas.

Ao meu lado, vi Seungmin prender a respiração, nervoso. Eu compartilhada do mesmo estado de espírito que meu amigo.

Um vento gelado soprava lá fora, e os gemidos tinham a cadência dos passos dos sentinelas no pátio. — Silêncio. Nós conseguimos sentir a dor daquelas palavras. —  Nele, os sentimentos não tinham eco. Nele, as baionetas eram de aço. Nele, os sentimentos e as baionetas se calaram.

Três minutos.

Um sentimento totalmente diferente de existir se descobre ali, naquela sala. Um sentimento diferente de morrer se morre ali, naquela vala.

Com aquele verso, os primeiros cochichos de confusão se iniciaram e somente aumentaram quando Kyla Massie colocou a máscara. Todos fora de cena repetiram o ato.

Estamos começando a soltar o gás”

“Estamos usando todas as entradas de ar possíveis, então demora menos de um minuto para se espalhar por todo o auditório”

“Nos testes o efeito surgiu rápido”

Eles queimaram nossa carne com fios e ligaram nosso destino à mesma eletricidade. — A voz saiu quase robóticas pelos filtros, a deixando com uma aparência quase assustadora. — Igualmente vimos nossos rostos invertidos e minha mãe testemunhou quando pouco se importaram em levar teu corpo envolto em um tapete.

Dois minutos.

Então houve o percurso sem volta, houve a chuva que não molhou, a noite que não era escura, o tempo que não era tempo, o amor que não era mais amor, a coisa que não era mais coisa nenhuma.

O auditório tornou-se quase fantasmagórico quando uma fumaça branca a cobriu. As pessoas mais próximas dos dutos de ar começaram a bocejar. Ainda assim, podia apostar que achavam que somente tratava-se de gelo seco.

Com o silêncio, as pessoas acharam que a apresentação de Kyla Massie estava chegando ao fim. Ainda no centro do palco, Kyla se curvou em respeito a todos que a ouviram.

— Obrigada por estarem aqui. — Disse, mais calma. — Primeiramente, eu gostaria de agradecer a Seo Changbin oppa do terceiro ano, foi ele que escreveu o poema, porque estava claro que eu não iria conseguir, algumas pessoas tem esse dom de transformar sentimentos em palavras. Depois, sou grata aos meus pais por me criarem muito bem e me proporcionarem uma vida cheia de felicidades, eu só queria poder voltar para aqueles momentos de alegrias. — Um minuto. — Para a Legião, que assassinou cruelmente meu pai e transformou toda minha vida, eu só queria dizer algo… Nós não vamos perdoá-los.

Um enorme barulho invadiu o local, assustando todos que estavam no auditório, isso me incluía. O auditório tremia, como se tomasse vida própria, como se fosse desabar a qualquer momento.

Arregalei os olhos, sem saber se saia correndo ou continuava sentado junto a Seungmin. Aquilo não estava nos planos, pelo menos não naqueles que revisei centenas de vezes com meus hyungs.

— O que é isso? — Fora Jisung quem exclamou, aparecendo em nosso lado.

— É a jogada de mestre de meu hyung. — Seungmin respondeu, calmamente. — Olhe para cima.

Fiz o que foi mandado, reprimindo um grito que ficou preso em minha garganta quando percebi o teto de vidro, antes tão bonito, agora sendo coberto por uma camada de… Aço?

— Que merda é essa? — Soltei, abismado.

— Agora Juno é uma fortaleza, nada de fora pode atacar. — Seungmin sussurrou de volta. — Meu irmão ativou o Protocolo de Segurança.

Levantei-me, notando que na plateia, o caos havia se espalhado rapidamente. As pessoas começaram a levantar-se para fugir e desabaram no chão, sob o efeito do gás sonífero que com certeza agiu mais rápido que o previsto. Vi o diretor Kim camuflar-se no caos estabelecido, usando a manga da camisa para filtrar o ar. No entanto, o que me preocupou de verdade foram os homens armados se erguendo na multidão, claramente estavam zonzos, porém ainda sim pareciam mais perigosos que todos os alunos mascarados no palco.

— Sigam o plano e saiam daqui. — Jeon Wonwoo gritou, e eu finalmente me despertei do susto. Algumas meninas ergueram-se ao seu lado.— A equipe WEME irá cuidar deles.

— Eu vou ficar e ajudar. — Jisung decretou.

— Independente do que estiver acontecendo, saia daqui em dois minutos, no máximo.

Seungmin puxou-me com uma mão, só então notei Yang Jeongin ao nosso lado. Fomos para o fim dos bastidores, onde outros grupos mascarados já começaram a usar a porta dos fundos, que abria em direção a sala em que guardávamos os equipamentos do teatro. Felizmente, de lá podíamos ir em direção ao corredor, e então não estariamos mais presos no auditório.

8:30. Estamos iniciando agora o plano”

“Toda a escola se fechou, as janelas e portas estão cobertas. Ninguém mais consegue entrar”

“Perfeito.”

“Há uma grande concentração de inimigos no refeitório, já relataram lutas por lá”

Tentei não me preocupar, porque era lá que Changbin e Minho estavam, junto da equipe SVT. Mentalmente, falei que eles eram mais fortes que qualquer em Juno, por isso iam ficar protegidos.

Eles foram rápidos”

Eu posso ir para aí, tenho o poder da cura, devo ser de ajuda. — Jeongin disse afobado na escuta. 

Venha o mais rápido então”

— Tome cuidado, depois vá para a ala médica. — Seungmin falou, sério para o namorado que o beijou nos lábios antes de partir. Meu amigo virou-se para mim. — Você está bem?

— Sim. — Confirmei. — Preciso encontrar Hyunjin e os outros da equipe NCT.

— Eu estou indo para sala de controle ajudar Woojin. — Seungmin travou, antes de partir. — Felix, por favor não se machuque, e cuida de Hyunjin por mim, está bem?

— Ok, Seung.

Crianças, as coisas vão ficar mais difíceis a partir de agora” a voz de Chan hyung surgiu, quando comecei a correr para a entrada do auditório, onde falei que encontraria o garoto com superforça. Eu estava feliz, meu primo estava bem. Aguentem o máximo que conseguirem, logo a cavalaria vai chegar”


Notas Finais


FINALMENTE COMEÇOU A INVASÃO DA LEGIÃO, DEPOIS DE 20 CAPÍTULOS DE ESPERA. Na verdade, eu não sou muito boa em ação, os próximos dois capítulos estão repletos de ação e isso sim me preocupa, mas até que eles ficaram legais (deram um baita trabalho, viu?)
Eu tinha algumas coisas para falar, então bora lá. Quero terminar Fire colocando um ponto final em algumas coisas que estabeleci lá no início, Changbin e Danhee eram uma desses coisas. Changbin era forte, mas tinha machucado alguém e por isso tinha muito medo de machucar outras pessoas, tipo o Felix. Isso era algo que tinha que resolver e TANTAN, aqui está, por isso esse meio é especial para mim.
O poema que a Kyla leu existe mesmo, chama-se CANÇÃO PARA 'PAULO' (À STUART ANGEL), do Alex Polari. Isso deve ser plágio, mas eu tinha que colocar esse poema aqui. A primeira vez que ouvi foi em uma aula de literatura, quando meu professor estava falando as produções literárias da época da ditadura, eu senti minha alma doer quando ele recitou. Por isso está aqui.
E é só.
Espero mesmo que vocês estejam gostado, Fire está com 700 favoritos nunca pensei que chegaria a um número tão grande quanto esse, então sou muito grata a vocês ❤
Não sei mesmo se posto o próximo capítulo amanhã ou hoje mais tarde (???), mas com certeza não demoro mais quatro meses 😅


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