História Fire And Blood - Ascension - Capítulo 2


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones)
Personagens Arianne Martell, Arya Stark, Cersei Lannister, Daenerys Targaryen, Doran Martell, Euron Greyjoy, Jaime Lannister, Jon Snow, Jorah Mormont, Melisandre, Robb Stark, Sansa Stark, Stannis Baratheon, Tyrion Lannister, Victarion Greyjoy
Tags A Song Of Ice And Fire, Daenerys Targaryen, Dorne, Dragões, Game Of Thrones, Jon Snow, Lannister, Mãe Dos Dragões, Meereen, Targaryen, Trono De Ferro, Valíria, Westeros, Zumbis
Visualizações 29
Palavras 8.294
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá pessoa, bem vindo de volta. Cá está um novo capítulo em mais um fim de semana como disse que tentaria.

Antes de prosseguir, um aviso importante. Mesmo a história se passando meio ano depois dos eventos da Dança, a maior parte do capítulo se passará no passado, embora partes de sua narrativa também se passem no presente. Confuso? Não. Fará sentido à medida que você for lendo. No mais, boa leitura e nos vemos nas Notas Finais.

Capítulo 2 - A Rainha Regente


Fanfic / Fanfiction Fire And Blood - Ascension - Capítulo 2 - A Rainha Regente

“Nunca gostei de você, Cersei, mas era minha irmã, e nunca lhe fiz nenhum mal. Você acabou com isso”. As palavras ecoavam em sua cabeça como o ressoar de sinos, enquanto ela observava o mundo frio lá fora pela janela de seus aposentos na Fortaleza de Maegor. “Vou feri-la por causa disto. Ainda não sei como, mas dê-me tempo. Chegará um dia em que você vai se achar a salvo e feliz, e de repente a alegria vai se transformar em cinzas na sua boca, e saberá que a divida está paga”. Ela se lembrava de cada uma delas, tão vivas quanto no dia em que foram proferidas.

As lembranças da ameaça que o irmão lhe fizera às vésperas da Batalha da Água Negra, quando prendeu uma de suas putas em retaliação por ele ter tomado Tommen como seu refém, voltavam para lhe assombrar, mesmo depois de todo esse tempo como os fantasmas de Harren, o Negro, e sua família assombravam Harrenhal. Primeiro Joffrey, depois seu pai, o atentado contra Myrcella em Dorne e então, o tio. Finalmente está cumprido o que prometeu, não é?

- De que outra maneira seria se não isso? Murmurou em voz baixa consigo mesma. A morte dele seis luas atrás era prova suficiente.

Naquela noite, quatro dias após ter feito sua Caminhada da Expiação e retornado a segurança da Fortaleza Vermelha para aguardar seu julgamento, um corvo branco tinha chegado da Cidadela anunciando o fim do verão e início do inverno, mas não foi à única coisa que veio com ele. O inverno enfim tinha chegado, como os malditos Stark sempre gostavam de lembrar, mas foi a Casa Lannister quem sentiu primeiro o peso dessas palavras.

Seu tio tinha sido encontrado sem vida junto com o Grande Meistre Pycelle no viveiro dos corvos, com um dardo de besta enterrado até a metade entre suas costelas e vários golpes de facas desferidos por todo seu corpo. O velho meistre teve sua garganta aberta e sua cabeça escalpelada, enquanto o corvo do inverno que voava de um lado para o outro se apoiando na mesa, cadeiras, prateleiras e janela do cômodo, era a única testemunha viva do ocorrido.

Ainda nos primeiros momentos da hora do lobo daquela noite em que tinha ceado com ele e Tommen mais cedo, lembrava-se de ter sido acordada às pressas por uma das noviças da Fé que estava ao seu serviço e dormia com ela enquanto as outras duas e a Septã ficavam em outro quarto próximo.

- Desculpe pela hora, Vossa Graça. Swyft falava respirando fundo e pausadamente, enquanto as palavras lhe faltavam. – Mas temo que as notícias não sejam boas.

Apesar do clima frio, o homem suava e estava pálido como se tivesse acabado de ver um Outro. Sua pequena barba branca e sua careca nunca tinham combinado tanto com ele como naquela ocasião em especial.

Naquele momento tinha pensado em Tommen, depois em Myrcella, então em Jaime e por fim nos Pardais, antes de perguntar do que se tratava.

- Fale de uma vez. Sua voz denunciava aflição e impaciência.

- O senhor seu tio e meu sogro, Sor Kevan, ele... E-Ele foi encontrado morto no viveiro dos corvos junto com Pycelle, Vossa Graça.

Foi como ter levado um soco no estômago ou todo o chão abaixo de seus pés tivesse sumido. A noviça que estava atrás dela não reagiu muito diferente a noticia.

Tyrion! Inevitavelmente lhe veio à cabeça quando ele terminou de falar e suas suspeitas se confirmaram ao testemunhar momentos mais tarde o corpo do tio, abatido de forma semelhante a qual o pai tinha sido, a não ser pelo fato de não estar nu em uma latrina e com uma puta na cama.

- Eu disse a ele que precisava de guardas também quando Pycelle solicitou alguns, Vossa Graça, porque também compartilhava da insegurança do Grande Meistre, afinal ele não era o único que Tyrell gostaria de substituir pelos seus, com certeza ele não se importaria de ver seu tio Garth em meu lugar como Mestre da Moeda, já que anteriormente isso tinha sido acordado com Lorde Tywin. Mas nunca imaginaria que ele pudesse atentar contra Sor Kevan.

Ela lembrava-se de como o Mestre da Moeda tinha falado de forma sugestiva de que talvez a nova Mão do Rei tivesse algum dedo nisso. Não lhe faltavam motivos para desconfiar dos Tyrell, principalmente depois daquela moeda de câmbio que datava do antigo reinado Gardner ter sido achada nos aposentos de um sub carcereiro qualquer, chamado Rugen, na noite em que Tyrion fugira e matara o pai. Mas ao menos nisso tinha certeza de que eram inocentes. Ou não! Podem estar trabalhando juntos até onde se sabe. Quem sabe?

- Não foi ele, meu senhor. Tinha respondido em negação. O homem que tremia como vara, ficou confuso ao ouvi-la.

- Vossa Graça? Perdão, mas não entendo. Então...

- A nova Mão pode ser muitas coisas, Sor Harys, mas idiota o bastante... Não, não foi ele. Falou interrompendo-o enquanto também tentava se convencer disso. – Dê-me um momento enquanto me visto melhor.

Quando voltou a abrir a porta, tinha trocado as vestes de dormir e o pesado lençol que envolvia seu corpo, por um grosso e simples vestido de cor cinza claro como uma matrona qualquer de meia idade usava, abotoado até o pescoço, sob uma capa verde com capuz, a mesma que usara mais cedo na ceia com ele e Tommen para esconder sua cabeça quase careca.

- Espere por mim aqui ou no outro quarto junto da Septã e das outras noviças, tinha falado para garota da Fé. – Vamos, apontou a direção para que Harys Swyft e Sor Robert que guardava seus aposentos do lado de fora, acompanhassem-na.

Ventava frio enquanto a neve caia forte quando eles saíram de Maegor, passando por Sor Meryn Trent que guardava a entrada junto de outro soldado Lannister, tentando se aquecer em um dos braseiros ao lado da grande e pesada porta de carvalho e ferro negro. Antes de terem cruzado a ponte levadiça sob o fosso seco cheio espigões, ela ordenara ao soldado que mandasse soar os sinos do castelo. Mais uma vez nada de bom vinha deles.

Quando chegou ao viveiro na companhia do Mestre da Moeda e do silencioso Cavaleiro da Guarda Real, Tyrell e Tarly já se encontravam presentes discutindo sobre as possibilidades de quem poderia ter sido o responsável, enquanto um grande corvo branco se apoiava em cima da mesa, e crocitou alçando voo de lá até a janela quando eles entraram.

- Os irmãos Kettleblack estão devidamente presos, assim como Osney está detido com a Fé, lembrou-se de Randyll Tarly ter falado a Mace Tyrell. – Isso descarta as chances de ter sido algum deles.

O homem era magro, ela tinha observado. Quase careca em um avançado estado de calvície, com uma pequena barba grisalha e possuidor de um gênio forte e personalidade intolerante e dura, mas tão esperto e capaz na mesma medida, não deixara de notar. Usava um colete de couro fervido em tonalidade amarronzada sobre uma pesada jaqueta vermelha e uma capa de lã verde presa por um broche de prata no formato de um caçador andante, o símbolo de sua casa, enquanto o cinturão da espada pendia em sua cintura com a mesma, a espada de aço valiriano da Casa Tarly, chamada Veneno de Coração.

Sempre vestido e pronto para batalha ou algum ataque inimigo, mesmo que recém-saído da cama, como se sempre estivesse esperando por isso, pensou enquanto o avaliava.

- A serva magricela que Pycelle dispunha e o servo pessoal do senhor regente, fazem companhia a esses aí nas celas de Maegor, Mace Tyrell tinha respondido ao outro como se ela não estivesse ali. – Os dois serão interrogados adequadamente pela manhã, irei me assegurar disso.

O Senhor de Jardim de Cima não parecia ter a mesma preocupação com algum possível perigo como Tarly demonstrava, tão pouco a mesma postura de um comandante ou homem de batalha, mesmo na companhia dos três soldados que cada um tinha trago. Trajava apenas uma capa amarela abotoada por um broche no formato de rosa, e vestes nas cores de sua casa.

Era gordo, apesar de aparentar já ter sido forte em sua juventude, mas ainda era bonito aos olhos com os característicos cabelos castanhos encaracolados dos Tyrell e sua barba salpicada de branco no formato de folha, mas era entediante e claramente sem experiência política ou militar, embora gostasse de usar a Batalha de Vaufreixo como evidência de seu “brilhantismo” estratégico. Todos sabiam que o real motivo da vitória fora graças à Tarly, liderando a vanguarda do exército da Campina e infligindo a única derrota ao felizmente e há muito morto senhor seu marido, durante sua rebelião contra os Targaryen, mesmo que Mace Tyrell tivesse levado os créditos por isso. Que algum deus nos salve se dependermos da competência desse aí, pensou com desdém.

- Que não foi os Kettleblack ou os servos de Pycelle e de Sor Kevan, isso já está mais do que claro. Sor Harys Swyft de algum modo havia encontrado coragem para falar acusadoramente ao Senhor de Jardim de Cima.

Todos dirigiram olhares surpresos ao homem, ela principalmente.

- Então quem foi meu senhor? Tarly tinha lhe perguntado de volta. – Um de nós? É isso que está sugerindo, a julgar pelo seu tom de insinuação?

- Primeiro acusam minha filha absurdamente com mentiras imundas, Lorde Mace tinha respondido encarando-a como se só naquele momento tivesse notado sua presença, aquilo a inflamou internamente. - Agora o senhor me acusa abertamente e sem pudor algum de ter assassinado o regente do rei? Dessa vez, dirigiu-se a Swyft.

- Não estou acusando ninguém, meu senhor. O Mestre da Moeda retrucou. – Mas há de concordar que mais cedo, durante nossa reunião do Pequeno Conselho no Grande Salão, o senhor não fez questão de esconder seu descontentamento com o Grande Meistre. Agora ele está aí, morto e meu sogro ao seu lado. Talvez o senhor Mão tenha achado por bem ser o regente de nosso pequeno rei também.

- Será que enlouqueceu de vez, Swyft? Eu exijo que retire essas acusações contra mim, seu covarde incompetente. Mace Tyrell gritara apontado o dedo para o Mestre da Moeda e avançando contra ele ao passo que o outro recuou tentando ficar atrás de Sor Robert.

- Agora eu sou o covarde incompetente meu senhor? Swyft retrucara. – Bom, não foi sob meu comando que Ponta Tempestade se manteve contra dois cercos.

Aquilo tinha sido o suficiente para fazer o Senhor de Jardim de Cima e Protetor do Sul, se encher como um peixe balão das Ilhas do Verão.

- O Senhor já está passando dos limites, Tarly tinha respondido, mesmo ela suspeitando de que ele também concordasse em segredo com Sor Harys quanto à incompetência da Mão sobre Ponta Tempestade. – Que provas têm para nos acusar assim?

Lembrava-se de observar em silêncio os três trocarem acusações enquanto ela sabia perfeitamente quem era o responsável ou pelo menos parecia evidente quem tinha sido, antes de finalmente se fazer ser ouvida.

- Não foi ele Sor Harys, já lhe disse isso anteriormente. Aquilo tinha servido para enfurecer ainda mais o Senhor da Campina, dada as acusações contra ele.

- Então chegamos a isso, não é Swyft? O corvo crocitou mais uma vez e voo para uma das prateleiras. - Já correu para acusar-me a Rainha Mãe, Tyrell tinha bufado ao que o outro apenas desviou o olhar envergonhado para onde ela estava.

- Muito menos os dois servos, Lorde Mace, continuara dizendo. - Pode mandar soltá-los.

- E como pode estar certa quanto a isso, Vossa Graça? Tarly perguntou em tom duvidoso.

- Porque foi exatamente assim que Tyrion matou nosso pai da última vez, falou se agachando próximo ao corpo sem vida do tio, com os olhos brilhando e tocando a sua face. - Apareceu das paredes e sumiu em seguida. Eu disse a Jaime que ele ainda estava aqui, escondendo-se de um lugar para o outro como um rato, mesmo assim, ele não me deu ouvidos. Eis aqui o resultado. Foi o que ele me prometeu, que faria toda minha felicidade se transformar em cinzas. Tinha dito por fim, ficando de pé ainda ao lado do corpo e voltando a encarar os outros presentes.

Eles ficaram se olhando confusos depois do que ela falou.

- O Duende? Acha mesmo que ele pode ter matado os dois? Digo, Pycelle era visivelmente frágil, mas Sor Kevan era forte o suficiente para se defender do sobrinho anão. Mace Tyrell lhe questionou ainda incerto.

- Acredito que um homem ou metade de um, armado de uma besta e uma faca, escondido na escuridão, pode ser capaz de muitas coisas meu senhor. Ela tinha respondido começando a perder a paciência com o homem. – Alguém mais sabe? Por que Qyburn não está aqui?

- Achamos por bem informar só a Sua Graça e ao acusador Mestre da Moeda, já que era seu sogro, ao menos por hora. Lorde Mace tinha respondido, encarando Harys Swyft ainda com expressão raivosa, o que só deixou o outro ainda mais desconcertado. – O Servo contou que apesar de Sor Kevan ter saído para cear com Vossa Graça durante a hora da coruja, ele se recolhia cedo e sempre o esperava para lavar seus pés com água quente antes de deixa-lo a sós, Tyrell continuou dizendo. – Devido a hora do lobo ter chegado e o senhor Regente ainda não ter retornado, ele foi até a Fortaleza de Maegor, mas Sor Meryn não o admitiu, embora tenha dito que Sor Kevan recebeu um recado do Grande Meistre para que o encontrasse aqui. Ele conta que quando chegou, perguntou à serva de Pycelle se Sor Kevan ainda se encontrava ao que ela confirmou, mas quando ele entrou nos aposentos do meistre, encontrou os dois exatamente assim, terminou de dizer apontando para o tio e o velho Grande Meistre.

- Então foi ao senhor a quem ele julgou necessário saber primeiro? Dessa vez ela tinha perguntado deixando transparecer uma expressão de raiva.

- Não, Vossa Graça. Harys Swyft finalmente falou depois de muito em silêncio. – Como Sor Meryn não o permitiu adentrar em Maegor, ele me informou primeiro e logo em seguida me dirigi à senhora, continuou dizendo. – Quando chegamos o senhor Mão e Lorde Tarly já se encontravam.

- Mandei prender os dois assim que ele me contou também, até então eram igualmente suspeitos, principalmente a serva, já que era a única no viveiro além deles dois, mesmo que estivesse em outro cômodo. Depois notifiquei Lorde Randyll e viemos direto para cá.

- Já ordenei buscas nas masmorras e passagens da Fortaleza Vermelha e por cada beco, sarjeta e puteiro da cidade, disse Randyll Tarly.

- Sim, é o certo a ser feito. Tyrell tinha concordado. - Os guardas de Aegon II também fizeram o mesmo quando os assassinos do Príncipe Jaehaerys, Queijo e Sangue, o mataram depois de invadirem os aposentos da Rainha Alicent na Torre da Mão e fazê-la de refém junto com a Rainha Helaena e seus filhos.

- Jaime também fez o mesmo quando Tyrion matou a última Mão, embora não tenha tido nenhum resultado satisfatório em suas buscas, no entanto. Tinha falado.

- Dessa vez teremos, Tarly tinha respondido com confiança. – Voltaremos a enfatizar a recompensa pela captura de um anão sem nariz e uma grande cicatriz transpassando seu rosto da esquerda para a direita.

- Se me permite a pergunta, temos motivos para nos preocupar também, visto que o ressentimento de seu irmão é contra a senhora? Mace Tyrell tinha perguntado.

Aquela ousadia fez sua ira aumentar ainda mais, mas conseguiu transparecer calma, ainda que com muito esforço.

- Além de ter testemunhado contra ele no julgamento pela morte de Joffrey e sua filha ser esposa do atual rei que ele sequestrara e ameaçara certa vez? Não, não consigo imaginar motivo aparente para isso, respondera sugestivamente em tom irônico.

Foi o suficiente para preocupar o homem e fazê-lo assumir uma postura mais séria com a situação.

- Direi a Qyburn para limpar e preparar os corpos de meu tio e do Grande Meistre para a cerimonia fúnebre e o velório, e também para que prenda esse fantasma branco aí na janela ou o mandar de volta com um corvo convencional até a Cidadela, informando o ocorrido e solicitando um novo Grande Meistre, e outro à Casterly Rock informando a senhora Dorna, sua esposa e seus outros filhos. Lancel também será devidamente informado no Septo de Baelor. Até lá, Qyburn ficará encarregado com as devidas funções de Pycelle.

Lembrou-se daquilo não ter deixado Mace Tyrell contente com o fato dela supostamente está voltando a ficar a frente das coisas, enquanto o Senhor de Monte Chifre, mesmo em silêncio parecia concordar com seu suserano.

- Pensa em voltar a assumir a regência do rei? Mace Tyrell tinha lhe perguntado em tom que deixava transparecer que não concordaria com aquilo, não facilmente pelo menos.

- Já estou fazendo isso, meu senhor. Respondeu de volta, deixando que ele e Tarly remoessem aquilo.

- Creio que o Conselho é quem irá discutir isso de forma adequada quando resolvermos essa situação de Sor Kevan, Vossa Graça. Ele retrucou desafiadoramente.

- O Conselho não tem nada o que discutir, essa decisão não cabe há ele e nem ao Senhor, seu gordo pomposo, se ouviu falando, mesmo que não o tivesse. – O Rei é meu filho e até atingir a maior idade, eu serei sua regente, principalmente agora com a morte de meu tio.

Mace Tyrell pareceu não ter dado ouvidos e continuou falando.

- Podemos fazer o mesmo que foi feito após a Dança dos Dragões e formar um conselho de regentes para cuidar do reino e da educação do Rei até que ele tenha idade para isso, seu irmão mesmo pode assumir a regência do sobrinho.

- Meu irmão até onde sei, está vagueando sem rumo pelas Terras Fluviais na companhia dessa tal Brienne de Tarth desde que conseguiu tomar Correrrio e passa-lo a Emmon Frey e minha tia, Genna Lannister. Desde então, nunca mais tivemos notícias suas de acordo com meu tio, respondeu com uma voz mais séria. – Além disso, Jaime nunca levou nada a serio que não fosse o seu amor pela cavalaria e seu serviço com a guarda, jamais confiaria meu filho e o reino aos seus cuidados, e muito menos aos seus.

- Concordo com Lorde Mace, Tarly declarara. – Depois que Vossa Graça for julgada, poderia se mudar para Casterly Rock e deixar os assuntos do reino nas mãos de pessoas mais competentes, se me permite dizer. Pode até fazer a sua própria corte lá.

“Nas mãos de pessoas mais competentes”, quem é você para me dizer isso? Seu ódio era tanto que sua mão coçava para estapeá-los com toda força que pudesse reunir. Esse tipo de reação já era esperada depois dos problemas que ela tinha causado, era compreensível por um lado, o que não significava que iria permitir ser posta de lado rudemente.

Depois que sua fracassada tentativa de se livrar da pequena rainha resultou em graves consequências para ela e fez o tio assumir as rédeas da situação, aceitara que seu poder e influência tinham chegado ao fim, mas isso fora antes. Agora ele estava morto, infelizmente, mas o caminho estava livre mais uma vez para tomá-lo, não será Mace Tyrell e Randyll Tarly que irão me impedir disso.

- Sugiro que escolha com cuidado suas palavras Lorde Tarly, se me permite dizer. Ainda era lúcida a lembrança da reação que ele esboçou ao ouvir aquela modesta ameaça. – Meu lugar é ao lado de meu filho, podem lhe dar com isso da forma que quiserem, não ligo e nem está aberto a discursões. O que realmente me importa é saber se posso contar com a ajuda dos dois para livrar o reino de Tommen da ameaça de Stannis Baratheon que pretende enfeitar as muralhas da Fortaleza Vermelha com nossas cabeças. Posso? Perguntara impondo-se firmemente.

- Sim, os dois tinham respondido quase que ao mesmo tempo e de muita má vontade, principalmente Mace Tyrell.

Embora estivesse triste pela morte do tio, teve que agir rápido para conseguir arrancar aquela vitória de Tyrell, não duvidava de que ele mesmo passasse a agir como regente de Tommen também e usara Jaime apenas para disfarçar a intenção momentaneamente, e por isso sentia suficientemente feliz.

- A propósito, quem disse mesmo que Sor Meryn falou que veio entregar esse recado a Sor Kevan? Sor Harys perguntara a Mace Tyrell.

- Não disse. Ele respondera carrancudo. – Mas de acordo com o servo, Trent disse que foi um garoto de não mais do que oito ou nove anos, todo em peles como se fosse um filhote de urso, provavelmente um dos muitos órfãos que são usados como garotos de recado.

- Aproveite e o inclua em sua busca também, Lorde Tarly. Ela dissera olhando para o homem. – Todos os garotos órfãos entre essa idade são igualmente suspeitos, precisamos saber quem lhes ordenou esse recado.

Tiveram tanto resultado com isso quanto as buscas por Tyrion. Além de não voltarem a ver o órfão, mesmo com Sor Meryn Trant ajudando no reconhecimento, tão pouco souberam quem foi o mandante, todos afirmavam não saber do que estavam falando.

- Seria bom que deixassem pelo menos um guarda de cada, até que guardas Lannister venham pegar os corpos e levarem-nos a Qyburn, ela falou se preparando para deixar o recinto.

- Será feito como Vossa Graça diz, Tyrell respondeu com pouca vontade. – Já que estamos de acordo com sua volta a regência do rei menino, gostaria de fazer algumas exigências, se me permite a ousadia.

Não, não permito. Sabia que ele se utilizaria disso para conseguir arrancar alguma coisa dela, só não esperava que fosse tão rápido. Que seja, então.

- Quero que minha filha, a rainha, tenha voz e seja um dos membros do Conselho.

Eu sou a rainha, idiota. Aquilo não a tinha agradado nenhum pouco. Sempre se esforçou para diminuir qualquer influencia ou voz dos Tyrell e os seus no Conselho, principalmente de Margaery, mas com o rumo que as coisas tinham tomado, não ousaria negar isso. Pelo menos não por enquanto.

- E que ela passe a residir na Fortaleza de Maegor, como convém aos membros da família real, continuara falando.

Esse não é tão absurdo, pode ser feito. Desde o casamento com Tommen, Margaery continuava residindo na Arcada das Donzelas junto com seu séquito, o senhor seu pai e outros Lordes e Ladys da Campina que tinham permanecido na corte depois da cerimônia de casamento, na verdade bem antes disso, desde que tinham vencido Stannis na Água Negra e o casamento com Joffrey posteriormente, tal como o julgamento por seu assassinato.

- Quero também que os gêmeos Redwyne, Sor Horas e Sor Hobber, sejam libertos, Sor Kevan havia prometido isso durante nossa reunião. São tão inocentes dessas sandices, tanto quanto minha filha e suas primas e servirá como um ato de boa fé a Lorde Paxter, tinha dito.

Sua filha não é mais tão inocente assim meu caro e gordo senhor, não depois que Septã Moelle atestou que ela não era mais uma donzela. Mesmo assim, também não ousaria negar isso também, depois que o bastardo de Derivamarca tinha fugido com sua frota, precisaria de Paxter Redwyne, mesmo que a contra gosto.

- Sim, Tarly assentira. – O Príncipe exilado das Ilhas do Verão, Jalabhar Xho, e os outros acusados de serem amantes da rainha, Sor Tallad, Hugh Clifton, Mark Mullendore, Bayard Norcross e Lambert Turnberry, poderão ser libertos depois do julgamento. Não seria bom deixa-los livres, antes e durante o canto dos pardais, isso pode corroborar com as acusações, dissera por fim.

Posso fazer isso também. Se a Fé absolver a pequena rainha, eles serão soltos de qualquer jeito mesmo. - Será feito como o senhor Mão solicita, enfatizou de forma a deixar claro que eram pedidos e não exigências.

Ele assentira em uma concordância muda e de pouca vontade.

- Com a morte de Sor Kevan, provavelmente o julgamento será adiado por alguns dias em função dos ritos fúnebres, Randyll Tarly falara.

- Isso pode ser verdade, Tyrell declarara. – Melhor que seja então. Ao menos teremos mais tempo a fim de nos prepararmos para essa farsa de pantomineiros que os pardais chamam de julgamento. Eu preferia que o rei declarasse a inocência de minha filha e acabasse com isso.

Declarar a inocência da putinha de sorriso fácil, mas não a minha, não é? Pensou com desprezo encarando-o depois de ouvir tal sugestão. Ela também gostaria que Tommen fizesse o mesmo por ela, mas com a proporção que as coisas tinham tomado, não arriscaria trazer complicações para o governo dele causadas pela Fé, ela tinha Sor Robert afinal, não importava quem seria o campeão dos pardais, o resultado só podia ser um. Se fosse Joff por outro lado, teríamos sangue sem duvida, e problemas maiores na mesma proporção.

- Por falar em julgamento, Tarly dissera se dirigindo a ela, - era de meu conhecimento que Sor Kevan pretendia mandar os irmãos de Osney para a Muralha se eles admitissem o crime de fornicação com Vossa Graça ou os daria a Sor Robert para tentar a sorte.

Aquilo a pegara completamente de surpresa. – Sim, ele me dissera quando ceamos mais cedo.

- Como Mestre das Leis, cuidarei disso amanhã durante os primeiros momentos da hora do rouxinol, Tarly continuara dizendo. – Com certeza ele sabia que Osmund e Osfryd testemunhariam a favor de Osney, reforçando as acusações contra Vossa Graça e a Rainha Margaery.

- Tais homens nunca deveriam ter sido erguidos tão alto, Mace Tyrell tinha bufado em resposta.

Não tinha como discordar daquilo. – Que seja feito então. Falou antes de deixa-los, acompanhada de Sor Robert Forte e Sor Harys logo atrás.

- Creio que depois dessas acusações, irei precisar mais do que nunca de guardas, Vossa Graça, se a senhora concordar. Swyft tinha lhe dito de forma cautelosa e hesitante, depois de terem deixado o viveiro enquanto ela fazia seu caminho de volta a Fortaleza de Maegor e os sinos do castelo tocavam anunciando a tragédia daquela noite.

- Eu lhe disse que não foi a Mão, apesar de sua necessidade insaciável por posição crescente. Ela respondeu irritada.

- B-Bom, sinto muito por...

– O senhor não tinha nada que fazer aquelas acusações, só serviu para piorar ainda as coisas. Não o deixou terminar de falar. – Minha relação com a atual Mão é mais do que delicada, devo lembrar-lhe disso meu senhor?

- N-Não, Vossa Graça. É só que...

- Não quero nem pensar na possibilidade de ter Mace Tyrell como regente de Tommen, falou mais uma vez interrompendo-o. - Felizmente consegui evitar isso ou algo parecido.

- Isso não seria bom, sem dúvida Vossa Graça.

– Então espero poder contar com seu o apoio mais à frente quando o Conselho estiver oficialmente completo, me deve isso, tinha esbravejado. - Não pense que esqueci que o senhor me abandonou quando fiquei presa e se aproveitou para recorrer a meu tio.

- P-peço perdão se a ofendi, Vossa Graça.

- Mandarei os guardas, agora vá antes que mude ideia, mas antes avise a Qyburn sobre o ocorrido, já que quer os guardas, então faça por merecer.

Com o assassinado repentino do tio e do Grande Meistre Pycelle, o medo e a insegurança foram consideravelmente sentidos dentro da Fortaleza Vermelha nos dias que se seguiram.

Mace Tyrell tratou logo de reforçar a sua guarda pessoal e na ala da Arcada das Donzelas, assim como a da pequena rainha na Fortaleza de Maegor, onde a única entrada e saída era a ponte levadiça sobre o fosso seco de espigões.

Cersei também não hesitou em fazer o mesmo para Tommen. Ela tinha ordenado que dois guardas Lannister se pusessem na porta do lado de dentro do quarto do rei e que um Manto Branco fizesse o mesmo ao pé de sua cama, enquanto outro cavaleiro da Guarda Real montava vigia no lado de fora, acompanhado por outro guarda Lannister.

Como a cerimonia fúnebre do tio tinha ocorrido inteiramente no Septo de Baelor, ela não compareceu para prestar suas últimas reverências, embora tivesse permitido que Tommen fizesse isso acompanhado somente de sua Mão já que assim como ela, sua pequena rainha não tinha permissão de adentrar ao septo até o dia do julgamento, escoltado por uma guarnição suficientemente intimidadora de guardas Lannister e Tyrell. Lembrava-se do grande esforço que foi para se prestar a isso, em dias passados, nunca teria permitido. Mas os tempos eram outros e a situação exigia isso.

- Em vida ele foi o mais devoto e homem de confiança de meu pai, também será em morte quando repousar ao seu lado na Galeria dos Heróis em Casterly Rock. Tinha dito antes de o corpo ir para o Septo de Baelor, escoltado por Lancel na companhia de alguns Filhos do Guerreiro e soldados da Casa Lannister. Tinha sido ali seu último adeus.

Desde que fora cativa da Fé e teve que se submeter à humilhação pública, ela adquirira certo receio de sair à vista de todos e principalmente de voltar ao lugar onde fora mantida por dias. O medo de que pudesse voltar para uma das celas mediante novas acusações que o Pardal tivesse encontrado ou inventado, era suficiente para isso.

Mesmo assim forçou-se a voltar uma última vez para seu julgamento, depois que os ritos fúnebres foram concluídos e o corpo do tio seguiu para Casterly Rock, escoltado por Sor Meryn Trent liderando homens da Campina no geral, trinta guardas Tyrell e vinte lanceiros Tarly, uma cortesia que a Mão não se incomodou em prestar quando ela o solicitou, já que Jaime ainda estava com a maior parte das forças Lannister nas Terras Fluviais e os guardas que tinha ao seu dispor, preferiu manter na Fortaleza Vermelha ao redor de si e de Tommen.

Quando o dia do julgamento enfim chegou e pode ocorrer sem nenhuma interrupção repentina, ela foi tomada por uma crise emocional, mesmo contando com uma guarda Lannister que a acompanhou durante todo o julgamento e Meistre Ballabar tendo preparado uma infusão concentrada de ervas para que se mantivesse calma, ainda sim, suas mãos trêmulas que mantinha sob as longas mangas do simples vestido de cor azul claro abotoado até o pescoço, denunciavam seu desconforto em estar ali.

O constante badalar dos sinos provenientes das sete torres de cristal que rodeavam a grande abóboda de mármore do septo irritava-a profundamente, eles sempre a recordavam de memórias ruins como no dia em que casara com Robert Baratheon ou anunciaram a morte de Joffrey, de seu pai e do tio, salvo talvez no dia em que tocaram na morte de Robert. Além das centenas de plebeus e mendigos que tinham lotado desde os jardins e a praça de mármores brancos que ostentava a estatua de Baelor, o Abençoado, que ficavam em volta do septo até às dependências internas, gritando ofensas contra ela em sua passagem, na medida em que exaltavam a pequena rainha. Talvez esperassem assistir ao pior com seus olhares de reprovação e julgamento. Felizmente nenhum deles teve essa satisfação.

As várias portas externas que levavam ao interior do septo eram usadas de diferentes maneiras. Os septões usavam as Portas do Pai, as septãs as Portas da Mãe, as Irmãs Silenciosas as Portas do Estranho e os Filhos do Guerreiro e os Pobres Irmãos as Portas do Guerreiro. Cada uma dessas portas dispunha de um púlpito de mármore levantado de onde algum septão podia se dirigir às multidões, lembrava-se bem disso quando seguiu seu caminho pela Porta da Mãe acompanhada de Sor Robert Forte, sua guarda Lannister e das noviças e Septã que tinham estado ao seu serviço, enquanto Margaery e suas primas seguiram acompanhadas por soldados da Campina pela Porta da Donzela, o que ela interpretou como uma clara sugestão a sua inocência, apesar de não ser mais uma donzela.

O Salão das Lâmpadas ou Salão de Entrada como era geralmente conhecido, ficava logo depois das portas externas. Por ele, tinha seguido sob globos suspensos de vitrais coloridos até grandes portas duplas que davam acesso ao septo propriamente, lembrava-se bem daquele caminho, pois o fizera no dia de sua Caminhada da Expiação.

O septo tinha sete grandes e largos corredores que se encontravam abaixo da cúpula revertida internamente de cristal, ouro e vidro. Seus pisos eram feitos de mármore e suas grandes janelas de cristais de chumbo coloridos e os sete altares que se espalhavam por entre as estatuas dos Sete que se erguiam pelo salão, estavam cheios de velas. Cada um deles servia para diferentes cerimônias, dependendo do proposito. No dia em que casara com Robert, o fizera entre as estatuas do Pai e da Mãe, assim como também foi no dia do casamento de Joffrey e Margaery, momentos antes de Tyrion mata-lo e dar inicio a sua empreitada contra mim.

Como Margaery escolhera um julgamento pela Fé, não demorou muito para o Alto Septão e seus outros Sete Juízes atestassem a inocência da pequena rainha e de suas primas diante de todos, frente ao altar entre as estatuas da Donzela e do Guerreiro, por faltas de provas suficientemente fortes e depois de desconsiderarem o depoimento de Sor Osney e principalmente do Bardo Azul, que tinha se tornado visivelmente louco após várias sessões de tortura e insistia em repetir que até Sor Loras tinha sido um dos amantes de Margaery, o que além de absurdo e impossível, visto que o Cavaleiro das Flores na época se encontrava entre a vida e a morte em Pedra do Dragão depois do assalto a antiga Fortaleza dos Targaryen, além de Septã Moelle ter atestado a pureza das primas, embora não a dela.

 - O quer que Vossa Graça tenha feito mediante as imprudências da juventude antes de casar-se com o Rei Joffrey e depois com o Rei Tommen, não cabe aqui, pois foram erros que antecederam seu compromisso com eles, foi o que o Alto Septão declarara em resposta a Septã Moelle. Conveniente e compreensível de mais, tinha pensado observando com os olhos cerrados.

Isso e a possível inspiração que o exército que Mace Tyrell e Randyll Tarly posicionou as portas do Septo de Baelor e ao longo da Colina de Visenya possa ter causado, mesmo que os Filhos do Guerreiro liderados por Sor Theodan Wells, chamado também de Sor Theodan, o Fiel, e os Pobres Irmãos, que mais pareciam um exército de mendigos armados com armas de segunda e aço cego, também estivessem a postos de forma ameaçadora.

Finalmente tinha chegado a sua vez de se provar diante de Deuses e homens, ao passo em que não poderia está mais nervosa e aflita, embora sua expressão transparecesse calma e submissão com o que estaria por vir.

- Vossa Graça, Cersei da Casa Lannister, regente e mãe de nosso inocente e pequeno rei. O murmurinho que lotava o septo deu lugar ao silêncio quando ele se dirigiu a ela. - Está pronta para ser julgada e professar sua culpa ou inocência perante os Sete por meio de um julgamento por combate como foi de sua escolha?

O homem era baixo e magro, com uma face fortemente alinhada e olhar duro. Não trajava vestes finas e ricas, tão pouco a coroa de cristal que seus antecessores usavam em cerimonias formais. Ao invés disso, vestia apenas uma túnica simples de lã branca que chegava à altura dos joelhos. O tom de sua voz denunciava a vontade férrea e devoção cega do homem com a Fé.

Septã Aglantine e suas noviças estavam a sua volta, enquanto ela se prostrara de joelhos frente ao altar do Guerreiro logo atrás do Alto Septão. – Estou! Respondera firme convictamente. Não era louca de ter respondido de maneira diferente.

Com um aceno mudo, ele convocara Septã Unella de entre os Mais Devotos, o Conselho do mais alto clero na classificação da Fé dos Sete do qual ela e Septã Moelle eram membras. Eles eram facilmente reconhecidos e distintos em suas vestimentas de tecido prata e suas coroas de cristais.

Quando ela se aproximou em seu habitual rosto carrancudo, trazia nas mãos calosas das quais se recordava bem, um pergaminho que deveria ser o mesmo do qual ela registrara sua confissão no dia em que decidira confessar sua culpa, ou parte dela, quase sorriu por tal pensamento, mas a preocupação se fizera maior.

- Antes que o julgamento por combate se inicie de fato no Salão das Lâmpadas, pois não derramaremos e nem macularemos esse ambiente sagrado com sangue pecaminoso, todos os seus pecados confessos, tais como as acusações que pesam contra Vossa Graça, serão devidamente listados aos olhos dos deuses e na testemunha de cada homem e mulher aqui presente, ele tinha continuado falando.

- Sim, Sua Alta Santidade. Ela concordara servilmente. O desgraçado já me considera morta, pensou avaliando suas palavras.

- Cersei da Casa Lannister, Rainha Mãe e Regente do Rei Tommen I, Septã Unella começara a lê-lo em voz alta. – É acusada de fornicação com Sor Osney Kettleblack, Sor Osmund Kettleblack, Osfryd Kettleblack e Sor Lancel Lannister. Nega isso?

De frente ao altar e ao Alto Septão não conseguia ver Lancel, mas sabia que ele estava ali, em alguma parte observando tudo. Vai me pagar caro por isso, JURO. – Não, não nego!

- É acusada por Sor Osney Kettleblack de tê-lo ordenado a dar falso testemunho contra Sua Graça, a Rainha Margaery e suas primas também, ela continuou, - sobre histórias de fornicação, adultério e alta traição e de ter sufocado até a morte o predecessor de Sua Alta Santidade, novamente sob suas ordens. Nega isso?

Suas lembranças também a recordava de não ter visto as reações que sucederam nos rostos de Lorde Mace, de sua filha e das primas dela, mas se recordava da clara visão de Osney acorrentado ao lado do Bardo Azul, na companhia de dois Filhos do Guerreiro no canto esquerdo mais ao fundo do altar do qual estava em frente, encarando-a em meio aos machucados lhe imposto em busca da verdade, parecia desnorteado, mas suficientemente lúcido para ter lhe dirigido um sorriso provocativo.

- Sim! Veemente, respondeu olhando fixamente ao Alto Septão. – Margaery se tornou uma segunda filha desde que Myrcella foi para Dorne, jamais a insultaria de forma tão baixa, continuou mentindo da melhor maneira que pode para fazer parecer verdade. – O Alto Septão anterior era uma marionete de Tyrion, o assassino de meu primogênito, mas eu seria incapaz de tocar ou forjar a morte de um homem santo, que eu queime nos sete infernos se houver verdade nisso. Que os deuses me perdoe por ter tamanha blasfema, é claro que há verdade nisso, muita verdade nisso.

- MENTIROSA, foi o que Osney Kettleblack gritara avançando em sua direção antes de cair devido as corrente que prendiam seus pés e mãos e de ser contido pelos Filhos do Guerreiro que o guardava.

A multidão no interior voltou a fazer barulho com a reação dele.

- Silêncio, SILÊCIO. O Pardal Chefe gritou antes de todos se calarem mais uma vez.

A Septã continuou sua oração. - É acusada por Sor Lancel de conspirar para a morte do Rei Robert, Primeiro de seu nome e senhor seu esposo, para que ele e seu outro primo e também escudeiro do rei na época, Tyrek Lannister, o embriagassem. Nega isso?

Maldito! Deve estar se deliciando agora, não é? – Sim, nego.

Os olhares da septã de do pardal eram vazios diante de suas negações tão vazias quanto.

- A bebedeira de Robert nunca foi segredo para ninguém, de Norte à Dorne todos sabiam disso, tinha continuado. – Assim como é do conhecimento de todos que um javali o rasgou de um lado a outro e o tirou de mim e de seus filhos, enquanto estava alheia a tudo na Fortaleza Vermelha. Não, não tenho se quer um dedo nisso.

- E por último, também é acusado pelo adorador de demônios Stannis Baratheon, de ter mantido relação incestuosa com seu irmão, Sor Jaime e por isso, seus filhos serem todos abominações bastardas. Nega isso?

Aquela última acusação fez todos murmurarem em voz alta mais uma vez, até chegando a proferirem algumas ofensas como “traidora” e “incestuosa”. Lembrava-se de querer ter visto a cara que Mace Tyrell e sua filha fizeram ao ver que seus títulos estavam sendo abertamente ameaçados por aquela acusação.

- Nego isso. Ferozmente. Diante de tudo o que há de mais sagrado, eu nego. Diante de deuses e de homens, nego.

Sentia-se grata por Myrcella ainda está a caminho com a comitiva de Dorne e por Tommen ter ficado na Fortaleza Vermelha, assim não teriam que testemunhar aquilo e nem ter que vê-la em tamanha humilhação se equilibrando entre a vida e a morte.

- Stannis sabe que a única coisa que o impede de ascender ao trono são os filhos do irmão, por isso teve que chegar a tão baixo nível, espalhando essas imundices pelo reino, além de ter começado a adorar um demônio, tinha continuado se defendendo o melhor que pode.

- Obrigado, Septã Unella. Ele falou enquanto a septã enrolava o pergaminho e regressara para junto dos demais membros dos Mais Devotos. - O julgamento dos deuses pode ser justo aos que se humilham diante deles e lhes são concedida a misericórdia da Mãe, como Sua Graça, a Rainha Margaery e suas primas testemunharam há pouco. Mas também pode ser cruel e o Guerreiro pune com severidade aqueles que se consideram além do alcance da justiça em meio a emaranhados de mentiras, dessa vez tinha dito encarando-a nos olhos.

Aquilo tinha enchido seu corpo com um súbito terror.

- Seu campeão, que seja apresentado diante do Guerreiro.

Ouvir aquilo há tinha enchido de uma breve satisfação, finalmente estariam jogando de acordo com as regras que importavam, as da arte de Qyburn.

- Escolho Sor Robert Forte da Guarda Real como Sua Alta Santidade exigiu que fosse, tinha dito. – Ele fizera um voto de silêncio e jurara não falar até que meus inimigos e o mal estivessem expurgados do reino.

Sor Robert se apresentara silenciosamente diante dele e pusera-se sob um joelho para receber algum tipo de benção que o Pardal achava ser necessária.

A Fé tinha nomeado Sor Allan Duck como seu campeão, um lanceiro bastante capaz e habilidoso pelo que pode testemunhar no dia, mesmo assim não significou muito quando Sor Robert Forte o superou.

Depois que os campeões tinham sido devidamente apresentados diante do Guerreiro e recebido à benção do Pardal, todos se dirigiram até o Salão das Lâmpadas pelo mesmo caminho do qual tinham feito para chegar ao septo. Pouco a pouco ele foi tomado pelos que estavam na parte interna, à multidão exterior começara a se agitar mais ainda e por fim, o combate teve inicio.

Foi como ter revivido o duelo entre Oberyn Martell e Sor Gregor no dia do julgamento por combate de Tyrion. Naquela época ela era a acusadora buscando justiça pelos crimes que o irmão cometera e teria conseguido se não fosse por um capricho do destino, e um dedo de Varys também, pelo que sabia. Agora ela era a acusada ao passo em que a Fé buscava justiça por seus crimes, enquanto o medo de que também por um capricho do destino isso não terminasse bem, lhe ocorria infinitas vezes.

Todos observavam atentos enquanto os campeões de cada lado se enfrentavam. Lorde Mace na companhia de sua pequena rainha recém-inocentada com suas primas do lado, Randyll Tarly, Sor Harys Swyft, nobres da cidade e da cidade e das Terras da Coroa, seu primo Lancel que agora via claramente onde estava, em posição com alguns outros Filhos do Guerreiro, Sor Osney acorrentado sob a vigília agora de Pobres Irmãos ao lado do delirante Bardo Azul, todos de olhos atentos pelo pesar da balança que definiria seu destino.

Sor Allan era rápido e preciso com o desferir dos golpes, assim como também era em montar sua defesa. Mas os ataques de Sor Robert eram pesados e fortes, o que forçava o Filho do Guerreiro preferir evita-los ao invés de bloqueá-los.

A luta foi se alongando ao passo em que a agilidade de Sor Allan começava a diminuir, enquanto Sor Robert mantinha o mesmo ritmo. Mesmo assim, isso não diminuía a irritante confiança que os Pardais esbanjavam em suas faces, principalmente o Pardal chefe.

Quando Sor Allan aproveitou uma brecha no flanco esquerdo de Sor Robert e estocou sua lança como uma serpente se atira para abocanhar sua presa, Sor Robert incrivelmente desviou o ataque com seu braço protegido pela armadura, enquanto girou em torno de seu próprio corpo se aproximando perigosamente de Sor Allan, o agarrando no pescoço com as duas mãos.

A investida foi tão rápida, quanto inesperada. Quando Sor Allan percebeu o que tinha acontecido, já era tarde e em seu desespero para tentar se desvencilhar das fortes mãos de Sor Robert, ele deixou sua lança cair, o que sentenciou ainda mais seu destino. Sor Robert o manteve sufocando entre suas mãos por tempo suficiente para pegar sua própria lança e fazê-la abrir caminho por seu pescoço, dando o combate por encerrado.

O burburinho da multidão do lado de fora e dos que se encontravam no Salão das Lâmpadas deu lugar ao silêncio. Testemunhar as diferentes expressões que passaram nos incontáveis rostos de cada uma daquelas pessoas foi como desfrutar de um grande banquete. Seu primo tinha mantido um olhar estático com a cena, a pequena rainha e suas primas só tinham olhado por tempo suficiente para ver o desfecho da luta. Lorde Mace e Randyll Tarly olhavam de modo fixo.

Mas nenhuma expressão tinha sido mais satisfatória do que há do Pardal chefe. Ter visto sua confiança e fé cega murchar quando seu guerreiro fora abatido, foi tão satisfatório quanto no dia em que se deparara com Robert esperando pelo Estranho com as entranhas empurradas para dentro por uma faixa de linho branco encharcada de sangue, tamanho era sua alegria interna.

- Os deuses tomaram sua decisão, ele dissera tentando disfarçar ao máximo a sua voz carregada de frustração. – A Velha iluminou o caminho da justiça e guiou Sor Robert Forte por ele, para que a Rainha Mãe fosse inocentada das acusações que pesavam contra ela. Que fique registrado perante deuses e homens que de hoje em diante, Cersei da Casa Lannister, mãe e regente do Rei Tommen I Baratheon é considerada inocente perante deuses e homens porque assim os deuses decidiram.

Em um falso gesto de boa Fé e humildade depois de o velho ter proferido tais palavras, ela tinha se prostrado de joelhos com a cabeça curvada para agradecer.

- Sempre soube que os deuses não me abandonariam, abençoado seja Qyburn por isso, e que podia confiar minha vida e inocencência em sua mãos, duas vezes abençoado por isso.

Na mesma medida em que ele proclamara a isenção de sua culpa, também tinha ordenado que Sor Theodan Wells levasse Sor Osney e o Bardo Azul para os degraus do septo para que todos pudessem testemunhar o destino de perjúrios e traidores.

- Apesar de misericordiosos e justos em nos mostrar a verdade, os deuses também são severos em sua justiça de expor a farsa e a mentira que levam os homens a cometerem atos hediondos e reprováveis aos seus olhos, tinha dito se dirigindo a multidão a partir do púlpito na porta do Pai. - Sor Osney e Wat, o que chama a si mesmo de Bardo Azul, pelas falsas acusações que direcionaram contra a Rainha Margaery e a Rainha Mãe, que a justiça do Guerreiro pese sobre vocês, enquanto o Estranho vem busca-los.

O cantor estava em um estado de loucura tão avançada por conta de incontáveis sessões de tortura, que se quer entendeu o que estava acontecendo e nem percebeu quando Sor Theodan Wells fez sua cabeça rolar degraus abaixo. Sor Osney por outro lado, embora também meio delirante, ainda teve noção suficiente para acusa-la uma vez mais.

- A Rainha me mandou fazer, ela me mandou fazer depois de me comprar com as pernas abertas. Gritou e gritou antes que sua cabeça também rolasse pelos degraus e a multidão que lotava a praça de mármores brancos e os jardins, gritasse eufórica acusações contra os dois.

Essas pessoas são todas carniceiras. Adoram assistir a desgraça alheia, tinha pensado com o olhar baixo em meio aos gritos de euforia, se recordando do dia em Ned Stark fora decapitado e acusado de traição naqueles mesmos degraus, assim como no dia em que desfilara nua como uma puta do cais, enquanto todos se deliciavam com sua humilhação. De qualquer maneira, melhor que seja qualquer outro individuo alimentando o divertimento deles do que eu.

Oito dias depois do julgamento e de já ter voltado a atuar como regente, Myrcella tinha retornado, acompanhada por Sor Balon Swan e a representante de Dorne para o Pequeno Conselho, Nymeria Sand e sua meia irmã, Tyene Sand, que se dedicaria aos caminhos da Fé. Uma quinzena depois, foi à vez de Jaime ter regressado com o exercito Lannister das Terras Fluviais, convenientemente depois de meu julgamento.

- Lembranças de meio ano atrás, e um pouco além. Murmurou consigo ainda de pé na janela, assistindo a neve cair fraca e a brisa da manhã soprar fria em sua face. Os ventos do inverno, pensou. Como eu odeio!

- É uma bela vista da cidade não é, Vossa Graça? Uma de suas noviças tinha falado, enquanto as outras duas faziam tarefas das quais ela não prestava atenção e nem se importava. – Da para ver um distante vulto das ruínas do Fosso dos Dragões e também o Septo de Baelor no alto da Colina de Visenya.

- Sim, concordou ela sem olhar para a garota. – E tão gelada quanto. Vultos. Logo. Em breve.


Notas Finais


Mais uma vez gostaria de te agradecer por dedicar parte de seu fim de semana e tempo de leitura para acompanhar a história;

Optei por escrever esse capitulo dessa forma porque precisava situar o leitor sobre o que ocorreu pós a morte do Kevan no epilogo da Dança, como a Cersei reassume a regência e como ela se sai em seu julgamento com a Fé;

Como acredito que ela também irá comparecer ao seu julgamento por combate nos livros e consequentemente ter êxito, eu resolvi seguir por esse caminho também por três motivos. O 1º porque nos livros o Tommen ainda é um garoto de nove anos e não um adolescente. Ele não teve qualquer contato com a Fé (o Alto Pardal, no caso) para ser manipulado de forma a abolir o julgamento por combate como foi o caso da serie, o que a fez procurar um meio alternativo de lhe dar com a situação. 2º nos livros a própria Fé exige que o campeão da Cersei seja um membro da Guarda Real, ou seja, apesar de dificultar um pouco para ela, isso demonstra que eles não têm a intenção de abolir tal pratica, até porque eles recorrem à violência para impor sua vontade e subjugar quem eles consideram infratores. 3º porque não importa quem a Fé escolha como campeão, a Cersei dispõe de um morto vivo absurdamente forte e tão habilidoso quanto. Independente do quão hábil seu rival seja, todas as chances de vitória são dela, pois cedo ou tarde ele vai fraquejar e consequentemente perder. Mesmo assim, isso não implicaria no fato dela esquecer e não tentar resolver a longo prazo, o problema da Fé;

Todos os personagens presentes no capítulo existem nos livros, o único criado para a história foi o Campeão da Fé, Sor Allan Duck;

Todas as descrições, aspectos e detalhes a cerca do Septo de Baelor são diretamente dos livros;

A citação inicial sobre o Tyrion é bem parecida com a da série na S02E08, mas na verdade é a do livro, tal qual como está na pagina 503 de “A Fúria Dos Reis” no capítulo do Tyrion;

Nos livros o Tyrion forja o sequestro do Tommen para protegê-lo caso Stannis tome a cidade, mas a Cersei acha que ele pretende matar o Joffrey durante a batalha e governa através do Tommen, então sequestra outra prostituta, Alayaya, achando que era a Shae;

A tentativa de assassinato da Myrcella em Dorne nos livros é diferente de como foi na serie. Enquanto que lá foram a Ellaria e as Serpentes de Areia, nos livros foi o Gerold Dayne, um membro do ramo secundário da Casa Dayne de Alto Ermitério, a sede desse ramo secundário dos Dayne de Tombastela. Depois que o plano da Arianne em coroar a Myrcella fracassou, ele tentou matar a garota para forçar Dorne e o Trono de Ferro entrar em guerra, mas ele não conseguiu mata-la, contudo;

Os Gêmeos Redwyne já se encontravam soltos há muito tempo, desde que o Kevan assumira a regência como é dito no primeiro capítulo da Cersei na Dança (primeiro de dois), enquanto ela ainda é cativa dá Fé. Mas preferi mantê-los preso aqui, para serem usados como umas das exigências do Mace e dar mais liga ao difícil relacionamento dele com a Cersei;

A Galeria dos Heróis no Rochedo existe nos livros, é o lugar onde figuras importantes e de destaque da casa Lannister são sepultados, tipo as Criptas em Winterfell;

Nos livros Pycelle teme que Mace Tyrell possa atentar contra ele, depois dele ter contado sobre o chá da lua que Margaery solicitou, a mando de Cersei. Sor Harys também sente receios, mas não fica claro se é de Mace, embora Sor Kevan tenha sugerido que Mace Tyrell tinha seu próprio candidato ao cargo de Mestre da Moeda, seu tio Garth Tyrell, o Grosso, então eu resolvi aproveitar isso;

No mais, obrigado mais uma vez pelo tempo investido e nos vemos no próximo fim de semana (tentarei na verdade).


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