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História Fire And Blood - Ascension - Capítulo 7


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Notas do Autor


Olá pessoa. Não se esqueçam de ler as notas finais, elas são importantes e trazem informações a parte sobre a história e acontecimentos fora dela que inspiraram alguns pontos na narrativa. Boa leitura!

Capítulo 7 - Daenerys


Fanfic / Fanfiction Fire And Blood - Ascension - Capítulo 7 - Daenerys

Azzak enchia sua taça com um refinado vinho branco de Lys, enquanto Dhazzar tentou fazer o mesmo na de Giuseppe Conti, mas ele recusou com um aceno.

- Vinho não pequeno, água. Disse no idioma comum ao invés do valiriano bastardo ou da língua ghiscari que os meereenses falavam. De qualquer forma o garoto não teve problemas para compreender e se adiantou em servir o que lhe era pedido. Seus copeiros e pajens eram todos de nascimento nobre e aprendiam desde o berço não só a difícil língua da Antiga Ghis com variações do alto valiriano, como também eram instruídos no idioma comum. - Certa vez um de nossos irmãos de ordem visitou sua Muralha em Westeros, bebeu além da conta com o senhor daqueles homens de negro e acabou fazendo um negócio um tanto... Improvável. O que veio depois disso não foi nenhum pouco agradável para ambas às partes, dessa vez dirigiu-se a ela com um sorriso.

A revelação pouco significou para Dany, no entanto, mas ela devolveu a cortesia mesmo assim.

O bravosiano tinha chegado noite passada com quatro embarcações próprias, acompanhando os navios meereenses que tinham levado seus emissários a Braavos para tratarem com o novo Senhor do Mar, Tormo Fregar, e outros importantes senhores de comércio de lá.

Com o fim da escravidão na Baía dos Escravos, Dany julgou importante buscar tais relações, embora soubesse que poderia haver certa resistência quanto a isso, mediante o passado recente de Meereen como cidade escravagista e a sua própria figura de Rainha Dragão com três deles.

Vivera tempo suficiente em Braavos durante sua infância para saber das histórias entre a filha bastarda da Antiga Valiria e seus Senhores de Dragão. Felizmente houve apenas negócios para alívio comum das partes.

Além de Pentos, a cidade do Titã também era avessa à escravidão e tinha se tornado há muito, a mais importante e poderosa das nove Cidades Livres. Muito disso se devia a influência de seu Banco de Ferro, embora ele fosse uma instituição basicamente viva, que pertencia e respondia a si mesmo.

- Ah, aí está ela! Anunciou com um sorriso largo quando Dhazzar lhe encheu a taça, bebendo longamente dela.

Era um homem de temperamento calmo e ponderado, Dany podia ver. Sua voz era marcante ao mesmo tempo em que também era suave, altura mediana, face lisa de pelos e o nariz como um o bico de uma ave costeira. Ostentava uma leve insinuação de calvície em seus cabelos de cenoura que a lembrava um pouco os de Sor Holly Pato do Campo, embora os dele recebessem mais atenção do que os do cavaleiro exilado.

As vestimentas eram típicas de sua cidade, toda em grosso e brilhante linho de verde lodo, com uma gola de dupla camada sobreposta que mais parecia uma saia de bobo. Uma pequena bolsa de moedas estava presa à cintura, assim como uma corda dourada, atada em volta dupla com as pontas pendendo até próximo dos calcanhares. Dany também julgou que ele não tivesse mais do que cinquenta dias de seu nome.

- Ajuda a manter o juízo em conversas importantes, voltou a dizer agarrando um figo rechonchudo da bandeja disposta na mesa.

Raios de sol da tarde invadiam a sala privativa do conselho onde tratavam, através dos trabalhados painéis de madeira e vidro leitoso.

- É uma honra receber um emissário do Banco de Ferro, nobre Giuseppe, falou no idioma bravosi, antes de descer um trago do vinho.

Ele notou isso.

Ao invés de um enrolado e dificultoso tokar que normalmente usaria em audiência, vestia uma leve e arejada confecção esvoaçante de samito verde com uma faixa de pano de ouro na cintura, mas ainda trazia sua coroa pesando na cabeça.

Apesar de privada, aquela ainda era uma audiência e como tal, deveria presidi-la como a rainha que era.

- Me fale mais sobre essa tal dívida, sim.

Quando enviou seus emissários a Braavos, Dany não procurara propriamente o Banco de Ferro, mas Giuseppe Conti viera a ela em seu nome mesmo assim, “por nossa conta e risco”, tinha dito, e isso significava o óbvio.

“O Banco de Ferro obterá o que lhe é devido”, era esse o dito que o prescindia e o fazia bem.

Em sua infância, costumava ouvir bastante em Braavos, tanto quanto por outras Cidades Livres que tinham mendigado e por fim, na mansão do Magíster Illyrio. Cada uma dessas vezes se sentia grata por Viserys não ter sido tolo ao ponto de tentar um empréstimo com eles, considerando o fato de na época, não serem mais do que pedintes desabrigados e a esmo.

Agora, no entanto, alguém por trás do menino que ocupava o trono de seu pai, devia estar sendo negligente o suficiente para ignorar essa notável reputação, caso contrário não estaria tendo tal conversa.

Sou um dos muitos jeitos de conseguir o que lhes é devido, não? Pensou ela. Embora com certeza, o mais seguro deles.

A crescente influência de seu governo em Meereen, dada às relações políticas e de comércio com outras importantes cidades de Essos, tal como os arranjos de sua partida para Westeros, deviam ter denunciado suas intenções e chamado à atenção deles.

Só espero que essas intenções ainda não tenham encontrado o caminho de casa. Uma esperança vã, ela desconfiava.

De qualquer forma, tinha plantado essa semente ainda em Qarth contra os avisos de Sor Jorah, quando era uma “hóspede” na mansão de Xaro Xhoan Daxos, ao receber de Quhuru Mo, o ilhéu do verão e capitão do Vento de Canela, a notícia da morte do Usurpador e dito ao homem para procurá-la de novo em Westeros quando já estivesse sobre seu trono. Além disso, marinheiros gostavam de falar muito, e nenhum deles era levado a serio em suas histórias.

Que os traidores saibam que o dragão não esqueceu.

Sabia que teria de tratar a respeito da dívida do Trono de Ferro se quisesse ascender a ele, mas esperava fazer isso em Westeros e não em Meereen, ainda com um mundo de distância de seu reino. Mas, já que a oportunidade se fizera presente, então trataria de aproveitá-la bem.

- Vejo que Vossa Graça tem bastante domínio em nosso idioma, ele respondeu na mesma língua.

E de fato tinha, apesar do minúsculo sotaque. Mas desde que tinham deixado Braavos após a morte de Sor Willem Darry, raramente ela ou Viserys o tinham usado. Além do Alto Valiriano, bravosi e o idioma comum, Dany também dominava as línguas de Lys, Tyrosh, Pentos, o dothraki e já estava bastante encaminhada no ghiscari antigo, Missandei a ajudava com ele e muitas vezes ela gostava de praticá-lo com suas crianças ou durante as audiências também.

- Passei parte de minha infância em Braavos, disse. - Aprendi sua língua e sua história. Podemos tratar nela se quiser.

- Como Vossa Graça preferir, concordou em bravosi. - O que gostaria de saber, minha rainha?

- Tudo o que há para saber, respondeu. - Essa dívida, é mesmo tão grande como se ouve falar?

- Consideravelmente, Majestade. Tão impressionante como seus dragões, se me permite colocar dessa forma. Embora ela não se deva unicamente a nós, desceu outro gole e mais uma mordida do figo.

Ouvir aquilo trouxe um sorriso involuntário e nervoso ao rosto de Dany.

Como um membro do pequeno conselho e Capitão de sua Guarda Real na época em que servira ao Usurpador, Sor Barristan tinha comentado com ela, certa vez e por alto, as somas negativas que ele adquirira ao longo de seu governo e como o reino se afundava em função disso.

- Teria se afundado ainda mais rápido se não fosse os esforços de Jon Arryn como sua Mão, Vossa Graça.

Mas como Mestre da Moeda e Mão do Rei do rapaz Joffrey por um tempo, fora o anão Lannister quem lhe dera mais detalhes disso.

- Baratheon era um bêbado idiota e burro, ah isso com certeza e acima de tudo, de outro modo teria percebido os três bastardos que criou como sendo seus filhos. E extravagante também, dissera. - Mas de certa forma, eu simpatizava com o homem, principalmente por ele tornar a vida de minha adorada irmã, um verdadeiro inferno, um dos sete, pelo menos, ou todos eles. Deuses, eu poderia chupar o pau dele por isso, com todo o respeito Majestade. Seu apetite insaciável por ouro e prata nunca tinha o destino que se esperava de alguém na posição de um governante com tamanho poder e responsabilidade como ele. O dinheiro sempre ia para torneios, vinhos, putas e generosos favores que nunca eram cobrados. Como um Lannister de Casterly Rock, eu não posso culpá-lo, não de todo modo. Também tive meus dias de depravação e, sobretudo, adorava esfregar o nome e o ouro de minha família na cara de outros senhores, embora eu não costumasse ser generoso com nenhum deles e das poucas vezes que isso acontecia, sabia cobrar adequadamente bem, uma tarefa que aprendi com o senhor meu pai.   

- Isso não explica as dívidas, ela tinha rebatido esperando mais. - Só a futilidade em comum.

- Não? Achei que já tivesse claro o suficiente, Vossa Graça. Quanto mais Robert se esbaldava, e acredite, ele se superava uma vez após a outra, novos empréstimos eram tomados de diferentes credores. Do meu pai, dos Tyrell, da Fé, do Banco de Ferro e até dos Cartéis Mercantis de Tyrosh. Quando deixei o cargo fugindo como perjúrio, regicida e assassino de parentes, a coroa devia somente ao meu pai, três milhões de dragões de ouro, tinha continuado. - Mesmo depois da morte dele, os gastos continuaram e o ponto alto disso, fora o casamento real do meu repulsivo e infinitas vezes maldito sobrinho. “Um marco” na história de Westeros que daria as boas-vindas ao terceiro século da conquista de Aegon e celebraria a união entre Lannister e Tyrell e os Baratheon também, pura conveniência para encobrir a bastardia dos “filhos” de Robert, além-claro, da esmagadora e humilhante derrota de Stannis na Água Negra e protões da cidade. Um evento magnífico de diferentes formas e sentidos, principalmente por ter marcado não só o novo século como Lorde Tywin dizia, mas também a morte de Joffrey. Claro que não tínhamos moedas sequer para reconstruir a zona ribeirinha e o porto que foram arruinados durante a batalha contra Stannis, mas a puta regente da minha irmã achou por bem que a coroa assumisse metade da boda de seu miserável bastardo. Setenta e sete pratos, mil convidados, um urso dançarino, malabaristas, sete cantores, uma enorme torta recheada com pombas esperando para alçar voo...

Aquilo tinha sido o bastante para saber mais ou menos o que a aguardava se conseguisse recuperar os Sete Reinos.

- Meu pai gastara todo o ouro da coroa durante seu reinado ao ponto desses governantes que vieram depois dele, se afundarem em dívidas e empréstimos? Tornou a perguntar ao banqueiro, então foi sua vez de mordiscar um figo.

- Não exatamente Vossa Graça, ele respondeu. - O Rei Aerys pode ter sido muitas coisas em vida, mas dele não temos nenhuma reclamação quanto a dívidas ou a falta de pagamento delas e até onde se sabe, Sua Graça deixou os cofres cheios quando morreu, minha rainha. Há até quem diga que o povo vivia muito melhor no reinado de seu pai, em condições mais dignas do que tem vivido desde que os Targaryen foram depostos do trono e pelo que se tem visto e relatado de Westeros por muitos de nossos irmãos de ordem que visitaram seu reino uma milhar de vezes, eu inclusive, devo dizer que me sinto inclinado a concordar com tais afirmações, Majestade.

Dany considerou aquilo por um momento.

Grandes dívidas significavam grandes problemas no reino sem um formidável tesouro por trás, começando com os altos impostos sobre mercadorias de diferentes seguimentos para tentar manter os cofres minimamente cheios.

O abuso desses impostos podia ser uma lâmina de dois gumes, onde por um lado podia lhe servir bem durante seu desembarque e conquista, gerando insatisfação no povo e nos senhores bem nascidos com o atual rei e sua mãe regente, ainda mais nos difíceis tempos de inverno que certamente estariam enfrentando, mas por outro representava ao seu futuro governo um grande esforço para normalizar as coisas e sem garantias de sucesso se não soubesse como conduzi-las.

Precisarei de um bom Mestre da Moeda para estar afrente disso, pensou com a taça rodopiando na mão. Talvez o anão possa ser uma escolha certa, uma vez tendo servido como tal, mas precisarei considerar outras opções também. Sor Jorah diz que cada cadeira no pequeno conselho será uma boa maneira de fortalecer minha causa por meio dos senhores certos os ocupando.

- Quanto o Trono de Ferro deve ao seu banco, nobre Giuseppe? Ergueu a taça meio vazia para que Azzak voltasse a enchê-la.

Seus dois copeiros estavam de prontidão, um em cada lado, segurando suas jarras com as respectivas bebidas que eram servidas em uma mão, sempre atentos às exigências de que lhes eram esperadas, apesar de Dany e o banqueiro estarem tratando em bravosi.

- Dois milhões e trezentos mil dragões de ouro, Vossa Graça, ele respondeu.

Três milhões aos Lannister, dois milhões e trezentos mil ao Banco de Ferro e ainda temos os Tyrell, a Fé, os cartéis de Tyrosh e isso tudo não chega nem perto da fortuna de umas das Pirâmides menos abastadas da outrora Yunkai ou até mesmo de Meereen, na verdade, é menos do que uma miséria para seus senhores e para mim também.

Com o saque e a destruição das cidades escravagistas, seus cofres tinham-se abarrotado além da conta em ouro, prata, pedras e gemas dos mais variados tipos e tantos outros espólios de alto valor, além de ter sobrado muito e ainda mais para satisfazer os Homens de Ferro a seu serviço, suas companhias de mercenários e seu Khalasar também, então com certeza, ouro para se vê livre desse impressionante número não seria problema. Ainda mais com a disposição do futuro Senhor Lannister em perdoar de bom grado a parte que lhe é devido.

- E o que exatamente a sua instituição espera de mim em toda essa questão? Dany deixou que ele proferisse, mesmo sabendo exatamente qual era.

- O Trono de Ferro tem se excedido em gastos e pouco feito para honra-los, Vossa Graça. Muitas luas antes, seu Lorde Tesoureiro, Sor Harys Swyft, veio até nós em uma tentativa de renegociar os débitos da coroa, respondeu.

- E vocês...

- Nos recusamos, é claro, continuou dizendo. - Os termos eram todos absurdos e envolviam um período de tempo inseguro. A má reputação da atual coroa de Westeros corre por Essos, Majestade. Sua necessidade desesperada de ouro continua, à medida que nenhum outro credor se arrisca em estender novos empréstimos e tampouco assumir sua dívida conosco. Banqueiros de Myr, Arcontes de Tyrosh, Príncipes Mercadores ou os Magísteres de Pentos, ninguém. Quando os pagamentos nos foram cessados, executamos todos os débitos que muitos outros senhores westerosis nos deviam para tentar forçar a boa vontade do Rei Tommen e sua mãe, mas isso se mostrou infrutífero. Imagino que Vossa Graça deva conhecer nosso dito.

- Intimamente, ela garantiu.

- Reis fazem o que são preciso para conquistar ou manter seus reinos, nós fazemos o mesmo para termos o retorno de nossos investimentos, secou o último gole de água e pôs a taça de lado. - Podemos oferecer a Vossa Graça toda a ajuda necessária para ter seu reino de volta, se a senhora concordar que a dívida se tornará sua a partir do momento em que retomá-lo.

- Estou de acordo, assentiu de imediato.

A resposta foi tão repentina que o banqueiro demorou em assimilar o que ouvira, então seus olhos reluziram com tamanha avidez que por um momento, Dany pensou estar diante do próprio sol.

- Mas antes gostaria de saber se o Banco de Ferro estaria disposto a considerar os meus termos em função disso.

- Sempre estamos dispostos a negociações e termos favoráveis, Vossa Graça. Somos bravosi e nosso povo sabe conduzir tal arte como ninguém.

Vejamos então.

- Eu posso pagar a dívida de uma única vez, com certa generosidade do Banco em diminuí-la do atual valor em que se encontra para os dois milhões. Claro que isso quando eu já estiver em Westeros e com meu trono assegurado, até o fim do ano creio que já deva ter acontecido. Se não, um pouco mais ou pouco menos, não importa. Até lá, se os Lannister acharem por bem fazer algum pagamento, melhor ainda, o valor diminui para mim e vocês conseguem parte do seu ouro ainda mais rápida. Também gostaria de contar com o apoio de sua instituição nas atividades comerciais de Meereen e também como um lugar de depósito para que as nobres famílias possam confiar suas moedas a sua responsabilidade. Além disso, quero a garantia de que vocês não procurarão e nem oferecerão suporte a nenhum outro aspirante ao trono. O que acha?

O emissário ouviu atentamente. Cruzou as pernas, entrelaçou os dedos, meditou e ponderou o que lhe foi proposto e então respondeu:

- Podemos considerar essa diminuição, já que Vossa Graça nos garante tal comprometimento. Também podemos estudar os melhores ramos de comércio alternativo que sua cidade vem trabalhando agora que se tornou livre do comércio de escravos. Oferecer o repasse de algumas dívidas com Príncipes, Arcontes, Magísteres e bancos menores, intermediar alguns negócios e aconselhá-los em algumas áreas de investimento. Além disso, será um prazer ter seus importantes bem nascidos confiando seu ouro ao Banco de Ferro, mas infelizmente não podemos garantir a recusa de suporte há outros pretendentes, minha rainha... Não mais, pelo menos.

- Não mais? Explique, Dany exigiu saber repousando a própria taça e se alinhando melhor ao recosto da cadeira.

- Antes de procurarmos à senhora, tratamos com Sua Graça, o Rei Stannis Baratheon, em sua guerra no Norte para oferecer-lhe nossa disposição, pouco antes de Sor Harys ter tido conosco. Um de seus cavaleiros de confiança retornou a Braavos com nosso irmão do qual lhe falei antes e um desses homens de negro da Muralha, para reclamar nosso ouro e usá-lo adequadamente aos propósitos de seu rei e dessa dita, Patrulha da Noite. Muito se passou e nós pouco ouvimos sobre o proveito de Sua Graça quanto a isso.

- Então se voltaram para mim, Dany sugeriu e ele assentiu.

Isso foi inesperado, admito.

Guerras eram caras, ela sabia. Até um idiota como Grazdan mo Eraz com aquele ridículo laqueado em chifre de unicórnio sabia, por isso me oferecera à pesada arca de cedro recheada com os cinquenta mil marcos de ouro para não atacar Yunkai. Viserys também saberia, mesmo em sua tolice e ambição cega.

Exércitos precisavam ser comprados e pagos, assim como armamentos, cavalos, forragem, provisões... Principalmente no inverno quando comida se torna mais preciosa do que ouro. Subornos e favores também precisavam ser feitos e para tal, ouro era sempre o caminho.

Tendo isso em conta, Dany esperava barrar a ajuda do Banco de Ferro a outros pretendentes como o esse tal Stannis e assim, preservar ao máximo suas forças de combate do desgaste de ter de enfrentar muitas batalhas contra estes também apoiados pelo Banco, ou ter de travar muitas outras para mantê-lo contra os mesmos, a maneira certa de fazer isso era justamente derrubando essa ponte.

Agora, no entanto...

- Esse Stannis não é nenhum rei, ela disse em tom que não admitia dúvidas. - É só o irmão do Usurpador e mais um aspirante a tal, como o menino bastardo que se senta no trono de meus antepassados também o é. Se isto está feito, então que seja. Fez uma expressão descontente. - Temos um acordo, mesmo assim? Ela o indagou.

- Se for do agrado de Vossa Graça, será do nosso.

Depois de assinadas e seladas, o banqueiro entregou uma cópia a Dany e se encarregou da outra.

- Foi uma enorme satisfação tratar com Vossa Graça, ainda mais em nosso próprio idioma. Isso não é muito comum fora de Braavos, disse com um sorriso amarelo de ponta a ponta, as entradas de sua calvície brilhando em suor.

- A satisfação foi minha, nobre Giuseppe, ela assegurou.

E foi mesmo.

- Talvez uma vintena seja suficiente para você visitar nossas nobres famílias, Dany sugeriu. - Se não, ficarei feliz em tê-lo conosco pelo tempo que precisar.

- Poderá ser Vossa Graça, ele concordou.

- Deixarei uma escolta a sua disposição e pedirei que Marghaz zo Loraq e Reznak mo Reznak o acompanhe nisso, juntamente com a Graça Verde, nossa alta sacerdotisa. Os deuses de Ghis podem tornar o assunto ainda mais suscetível, pensou. É o seu povo, afinal de contas. - Comece pelas famílias de Uhlez, Yherizan e Hazkar, eles poderão estar bastante interessados em seus serviços, sim? E estarão.

Enquanto o orientava sobre isso, Giuseppe Conti comentou com ela sobre a famosa rebelião de escravos em Essos que tinha marcado as últimas sete décadas do Império Valiriano, liderada por um escravo chamado Spartacus.

- Alguns afirmam que tinha origem norvosi e sugerem também que talvez pudesse ter sido um membro dos “Sacerdotes Barbudos”, mas a história nunca mencionou alguma cicatriz em seu peito, algo caraterístico nos membros dessa ordem, disse. - Independente disso, a história concorda que ele foi um desertor de uma tropa auxiliar do exército volantino, então foi capturado em fuga e condenado à escravidão, mas sua força o alçou as arenas de lutas aqui em Meereen depois de ter sido comprado por um mercador de escravos a serviços de um Sábio Mestre da Pirâmide de Quazzar na época.

- Bhatiattos zo Quazzar, Dany completou.

Já tinha ouvido falar da rebelião antes por Mênphis zo Quéops, na época em que tomara Meereen e ascendera como sua rainha.

- A revolta perdurou por três anos, Grande Adoração, um exército de quase noventa mil escravos se uniu sob sua liderança contra a opressão dos senhores de dragão de outrora e também do Império Ghiscari. No início, Valiria não se importou de imediato e deixou as coisas a cargo de Volantis, afinal tinha sido do exercito volantino que ele desertara, mas elas logo fugiram do controle e por fim, a cidade franca os suprimiu. Os seis mil sobreviventes dos quase noventa mil, foram todos crucificados ao longo do Caminho do Demônio ao invés de voltarem as correntes. Nossos livros contam ainda que mesmo na cruz, os escravos ostentavam certa alegria. Quando um dos soldados perguntou a um deles o porquê disso, ele respondeu que não havia mestres ou correntes na morte.

- Seus livros contam sobre esse orgulhoso fato a respeito dos escravos? Perguntara surpresa.

Ele assentira.

“Mas sempre fizeram parecer menos que nada. Apenas uma vergonhosa e humilhante derrota no fim”.

Quando a noite veio, pareceu passar em um piscar de olhos e no outro, já era dia.

Sor Jorah trabalhava os órfãos que Sor Barristan deixou ao partir para Westeros quando ela o encontrou no salão de treinos no terceiro piso da Grande Pirâmide, vestida em cota de malha e couro cozido desgastado para seu treino.

Os garotos e rapazes escudeiros que treinavam com ele, incluindo Grazhar e Abhúll, embora eles não fossem nenhum órfão, mas sim mais dois de seus copeiros e membros da Pirâmide de Galare e Hazkar, em sua maioria ainda eram considerados jovens ou verdes para a batalha como a que tinha sido contra os yunkaitas e suas cidades aliadas, tampouco para serem alçados a cavaleiros, com exceção dos três irmãos ghiscari que ajudavam seu urso com os treinos, Zhuko, Iroh e Sokka, se chamavam. 

Depois de Lorraq, Tumco Lho e Ovelha Vermelha terem sido sagrados por seu velho Sor e ido com ele para o poente, os comumente chamados “irmãos”, eram os melhores dentre os vinte e quatro que tinham ficado e mesmo em fase de treinamento, Mormont já os consideravam aptos e maduros o bastante para o grau de cavalaria, embora tenha preferido deixar a tarefa para a “Mão”.

- São seus garotos, dissera. As palavras duras e desgostosas. - Caberá a ele decidir isso quando voltar de Dorne.

Não havia amor entre os dois, mas como irmãos jurados de sua Guarda Real, Dany esperava que houvesse algum respeito, pelo menos. Talvez as memórias das circunstâncias sob as quais ela aceitara um e expulsara o outro ainda pesasse entre eles.

Jorah deixou os irmãos liderando o restante e se juntou a ela.

Dany tinha evoluído consideravelmente nos treinos em armas desde que decidira por assim maneja-las, embora ainda estivesse longe de ser o suficiente. Além disso, Drogon era sua montaria, tal como Balerion tinha sido de Aegon muitas vidas antes, e era no ar, montada nas costas dele que suas batalhas eram travadas e ganhas, ao lado de Viserion e Rhaegal. Mas se alguma vez precisasse cruzar aço, pretendia estar pronta.

Com a espada e o escudo empunhados, ela investiu forte e rápido contra o cavaleiro. Ele a tinha ensinado como pressionar o adversário em batalha. Nas primeiras vezes que tentara fazer isso, se encontrou ofegante pouco depois.

- Se for com muita sede, seus membros logo pesaram e o cansaço deixará seu corpo vulnerável a perder a cabeça, Khaleesi, dissera. - Se for muito lenta nisso, perderá a cabeça mais rápido ainda. Tem de encontrar o equilíbrio entre uma coisa e outra.

Todo esse tempo depois, ela encontrara ou assim julgava.

Os ensinamentos em conjunto entre ele e Sor Barristan mostraram a ela como fazer das armas que usava uma extensão de si, mas fora Daario quem lhe ensinara maneiras menos escrupulosas de se portar em uma luta, algo que seus dois cavaleiros não aprovavam.

No entanto, até eles concordavam relutantes que isso podia ser a diferença entre a vida e a morte em uma batalha. Qualquer que fosse o caso, Dany preferia permanecer entre os vivos, deixando que os caídos e os de fora discutissem o que era certo ou errado, enquanto ela viveria para uma próxima dança.

Quando a noite tornou a vir, Dany se recolhera cedo, exausta pelo cansaço do dia. Irri e Jhiqui dormiriam com Rakharo naquela noite e ela estaria sozinha.

Muito se passara desde a última vez em que tinha dormido com Daario, talvez não mais que cinco vezes depois de Daznak. Com o tempo fora perdendo o interesse e fervor que sentia pelo mercenário, em Westeros haveria coisas mais importantes e uma aliança por casamento poderia ser uma delas. Que Daario Naharis voltasse a se acostumar ao seu lugar de direito, fora de sua cama.

Mezzara e Kezmya ajudaram com seu banho quente, a água escaldante lavou e relaxou seu corpo. Dany se deixou demorar nela. Quando saiu, pôs um roupão azul e caminhou pelo terraço até onde os dragões dormiam.

A noite estava fechada em um céu sem lua, apenas as estrelas brilhavam no infinito. Archotes banhavam o terraço com sua luz laranja e em algum lugar do quinto nível, Moqorro de certo, estaria entoando canções em torno de suas fogueiras noturnas.

“A chama escura”, Quaithe o chamara, recordou-se. Escura como as chamas de Drogon.

Rhaegal e Viserion estavam aninhados, próximo à piscina onde gostava de banhar-se ao dia. Enroscados um no outro, pareciam um colar de esmeraldas foleado a ouro sob a pouca luz dos archotes que ali chegava.

Viserion foi o primeiro a levantar a cabeça para recebê-la com olhos preciosos, Rhaegal logo em seguida. O ar em volta deles era quente e aconchegante como um quarto aquecido por uma lareira.

Drogon também estava com eles em um canto mais afastado e escuro, misturado a noite como parte dela. Quando veio para a luz, o véu de trevas ganhou forma à medida que o dragão negro emergia das sombras. Os olhos um par de fúrias ardente.

- Logo, ela prometeu a eles. - Logo estaremos em casa. Todos nós.

De volta ao quarto, leu sobre o Príncipe Duncan e Jenny de Oldstones e como o chamado Príncipe das Libélulas tinha desistido de seu direito ao trono por ela, inspirando canções que enchiam de amor e tristeza o coração das donzelas e Ladys nos Sete Reinos, como a que chamavam de “Canção de Jenny”.

Verso por verso, a canção foi fazendo Dany se lembrar do que Sor Barristan tinha dito sobre Rhaegar e como a sombra de Summerhall o assombrava ao mesmo tempo em que era o lugar que mais amava estar.

Também dançava com seus fantasmas, irmão? Ou apenas tocava para eles? Perguntou-se pensando em seus próprios. Os que ela tinha perdido e os que mais tinha amado. E os eu que nunca encontrei.

- Ele era seu tio bisavô e preferiu congelar no esquecimento da Muralha para proteger o Rei Aegon V das conspirações da corte, o Arquimeistre Marwin havia lhe dito. - No fim da vida, também desejou poder ter com a senhora para ajudá-la no que estava por vir, mas lhe faltaram forças. Há um acólito na Cidadela a sua espera, com isso e muito mais a dizer sobre Aemon Targaryen e outras coisas... coisas mais obscuras.

Marwin lhe falara muito desde que o aceitara na corte, apesar de não confiar nele ou em Moqorro, não totalmente.

Contara-lhe sobre os Outros e coisas mortas além da Muralha, sobre uma suposta conspiração de meistres contra sua família e os dragões, sobre os próprios dragões e das velas de obsidiana queimando.

Se pudesse acreditar em uma única palavra do que ele tinha dito, esse senhor fora seu último parente vivo e por algum tempo não esteve sozinha no mundo como pensava, apesar de terem-no inteiro entre eles.

- Mas não demorou muito para voltar a ser, não é?

Um profundo arrependimento que não entendia encheu seu coração, então o sono veio sem perceber.


Notas Finais


Essa relação de aliança com Braavos e o Banco de Ferro era algo que eu queria ter trago desde seu primeiro pove, mas como ficaria enormemente grande, deixei para tratar nesse;

Eu costumo nomear os personagens que eu crio ou que já existem na obra original, mas que ainda não foram nomeados de forma clara pelo GRRM, de acordo com nomes típicos daquele lugar ou cidade na vida real, que o inspiraram a criar determinado lugar ou cidade nos livros. Assim sendo, foi o caso com o Giuseppe Conti. Braavos é claramente inspirada em Veneza (pelo menos em grande parte), então eu resolvi dar a ele um nome italiano e que lembrasse um pouco a grafia bravosi, além disso, não quis usar o Tycho Nestoris que já é figura conhecida, tendo aparecido nos poves do Jon e Asha na Dança e em um do Theon nos WoW ou o Noho Dimittis (talvez esse “Dimittis” seja uma variação do russo Dimitri, fica aí a dúvida), presente em um pove da Cersei no Festim, justamente por motivos de variedade, indicando o óbvio de que o Iron Bank disponha de mais de dois representantes, vide a importância e tamanho de sua instituição;

Também tentei de inicio fazer os diálogos entre a Dany e o Giuseppe em italiano, como se fosse o idioma bravosi, mas desisti porque muitas palavras se assemelhavam ao português e eu queria algo totalmente incompreensivo como no foi no capítulo da Arianne, onde eu usei o idioma árabe como sendo o roinar;

A Dany saber o bravosi fluente, o idioma de Pentos, Lys, Tyrosh e o ghiscari não é cânon, mas eu tomei essa liberdade;

No 1º pove da Arya na Dança, muito se fala sobre o Tormo Fregar ser o preferido nas eleições para o novo Senhor do Mar de Braavos, mas o homem gentil sugeriu para ela que haveria outras opções, mas eu decidi por dar preferencia a ele;

Sim, sou muito fã de “Avatar, A Lenda de Aang” (>>>Lenda de Korra), então nomeei os “irmãos” ghiscari com os nomes de personagens do anime/desenho porque a grafia lembra um pouco os nomes ghiscari, unicamente por isso. Ps. Fiz uma leve alteração no nome do Zhuko para se parecer ainda mais com a escrita ghiscari, sendo o original “Zuko” no anime/desenho;

O valor devido ao Banco de Ferro referente à dividida da coroa é um valor que eu estimei, ele não é mencionado nos livros, apenas que a dívida em si é mais de seis milhões de dragões de ouro e desse valor, 3kk são devido somente aos Lannister. Sendo assim, eu imaginei que a segunda maior parcela da dívida fosse referente ao Banco de Ferro, nada mais justo;

Como a construção de todo o plot da luta contra a escravidão que o GRRM fez, de forma a deixar a Daenerys sozinha questionando esse sistema até o momento (5º livro), sem que fosse estabelecido que esse comércio já viesse se mostrando problemático e em colapso antes mesmo dela se levantar contra ele ou ao menos colocando grupos de resistência que já lutassem contra ou mesmo o apoio de Braavos (apesar de a cidade ter suas importantes ressalvas a cerca de senhores de dragão, mesmo que sempre tenha se relacionado bem com a dinastia Targaryen e aparentemente ainda não saber da Dany e seus dragões, a não ser os boatos de marinheiros que o Tycho menciona ao Jon), eu trouxe a rebelião de Spartacus (do latim e como é mais conhecido) como uma referência e importante parâmetro para esse plot dela, servindo como um antecessor a sua luta (e também por no fundo, achar que o velho se inspirou nele, embora o tenha usado erroneamente, em minha opinião);

Outro motivo para eu referenciar a rebelião de Spartacus, é a alcunha de “White Savior” que Dany tem sido acusada, principalmente por conta da serie e a famosa cena nos portões de Yunkai (alcunha essa que o autor já veio a público e desmistificou, além da própria narrativa dos livros fazerem isso por si só) assim sendo, Spartacus como cabeça e líder da luta contra o império romano e seus sistema escravocrata onde se utilizava de diferentes etnias (tal como Dany e a escravidão essosi), era originário da Trácia, regionada ao sudoeste da Europa, também antiga Macedônia, hoje dividida entre a Turquia, Bulgária e Grécia, logo e possivelmente, abrindo margem para um grande indicador de que ele possuísse a pele branca e olhos claros, como a maior parte da população desses países;

A quantidade de anos que durou a rebelião aqui na história é a mesma da que aconteceu nos fatos reais, três anos;

A crucificação dos seis mil escravos sobreviventes à batalha ao longo do Caminho Demônio, foi inspirado na crucificação dos seis mil que sobreviveram a última batalha nos fatos reais ao longo da Via Ápia, de Cápua a Roma (talvez daí tenha saído à cena no 3º livro onde os mestres crucificam as 167 crianças ao longo do caminho de Yunkai até Meereen). Ao invés de levados de volta a Roma e postos a venda como escravos (mesmo que Crasso, um dos responsáveis pelo confronto que derrubou a rebelião, preferisse claramente isso por ser ele também um negociante de escravos), por causa das leis romanas que exigiam a punição dos revoltosos, eles acabaram sofrendo esse desfecho;

Outro ponto que resolvi por manter da história real foi o número do exército revoltoso. Ele diverge entre 40k-90k de acordo com alguns historiadores, mas optei por manter os 90k para endossar ainda mais o levante;

Nos acontecimentos reais, a revolta estourou sete décadas antes de cristo, então fiz desse detalhe como acontecendo setenta anos antes do colapso de Valiria;

A mesma passagem da serie na S03, em que um dos escravos de Astapor pede a Dany para que o deixe morrer quando ela tenta dar de beber a ele na cruz e mais na frente à Missandei explica que não há mestres na cova/morte, resolvi aproveitar por ser um dos melhores pontos de quando a serie ainda valia a pena.


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