História Fire and Blood - Capítulo 2


Escrita por:

Postado
Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones), The 100
Personagens Anya, Arya Stark, Bellamy Blake, Brandon "Bran" Stark, Brienne de Tarth, Clarke Griffin, Daenerys Targaryen, Echo, John Murphy, Jon Snow, Lexa, Lincoln, Octavia Blake, Raven Reyes, Samwell Tarly, Yara Greyjoy
Tags Bastardos, Clexa, Daenerys Viva, Daensa, Daensa (menor), Drogon, Lexa Targaryen, Linctavia, Missandei Viva, Rhaegal, Sand, Seamechanic, Storm, Tempestades De Areia, Viserion
Visualizações 17
Palavras 6.493
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Ficção, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Saga, Survival, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Então, gostaria de avisar que durante a história, provavelmente alguns nomes vão se repetir em personagens diferentes, porque nos livros de GoT isso é muito comum, então resolvi trazer isso pra cá

Além disso, Murphyre é basicamente o Murphy de The100, só modifiquei o nome para que fizesse sentido dentro da história

Capítulo 2 - O cantar do dragão


Viserion estava calmamente deitado desajeitado sobre os muros caídos do Fosso do Dragão, enquanto seu irmão Drogon voava a algumas várias milhas dali, fielmente rondando a Fortaleza onde sua mãe ainda estava. O dragão menor observou o irmão rasgar o céu rápido, parando encima de uma das torres e forçando seu focinho para dentro das aberturas da torre lateral de vigia, provavelmente Daenerys estava ali conversando com ele, como fazia com grande frequência sempre que tinha grandes problemas em mãos

Um som baixo de algo se chocando contra o chão chamou a atenção de Viserion, assim, imediatamente o réptil virou seu pescoço em direção ao barulho, vendo dentro do Fosso, Aleksandrya caída de costas no chão, solitária em meio a sujeira, com seu rosto coberto por algum livro aberto e seus braços espalhados pelo chão. Sem tardar, o dragão desceu dos muros, planando cuidadosamente no Fosso e então, caminhou a passos tão cuidadosos quanto, indo até poder alcançar a humana caída. Com a ponta de seu nariz, Viserion pressionou-se levemente contra o tronco de Lexa, cutucando-a algumas vezes, logo escutando a jovem rir sob seu focinho, pondo as mãos em suas escamas afim de o afastar

Lexa riu um pouco mais, afastou o livro de seu rosto e então levou as mãos a barriga, Viserion sempre fazia isso quando ela parava para descansar, ele começava a lhe cutucar, perturbando seu descanso como seus irmãos caçulas também costumavam fazer. Na maioria das vezes, Lexa conseguia ignorar o irmão dourado, pelo menos até que ele resmungasse e então, rugisse contra seu rosto, mas essa não foi uma das vezes, dessa vez as cócegas feitas pelo focinho de Viserion foram mais que suficientes para interromper seu momento de descanso

- Estou acordada. Estou acordada- Lexa murmurou para o irmão

Com sua fala, dessa vez o dragão começou a cutucar a lateral dela, indicando que a mesma deveria se levantar. Sabendo que seu irmão não desistiria, Aleksandrya se viu tendo que se erguer do chão, independente de seu cansaço. Lexa estava realmente cansada, havia treinado por um longo tempo e depois, desatou a ler um dos livros que haviam pego da biblioteca real, sendo honesta, a Targaryen pouco sabia quanto tempo ficou ali do Dragonpit, sua única noção era o cansaço que sentia e a posição do sol no belo céu azulado

Já de pé, com um par de espadas presas a suas costas e o livro de baixo de seu braço, Lexa acariciou com a mão livre as escamas do irmão, escutando o mesmo murmurar baixo, enquanto inclinava levemente sua cabeça para o lado, soando melancólico de uma forma que doía o peito da jovem

- Eu sei meu irmão- Sorriu fraco, debruçando-se sobre a cabeça do réptil- Mas logo mais Rhaegal voltará e estaremos todos juntos mais uma vez- Viserion gemeu

No fundo, Aleksandrya bem entendia os sentimentos do irmão dragão, Viserion e Rhaegal com enorme frequência brigavam e por vezes, se agrediam em pleno ar, mas bastava um deles estar longe por um longo tempo que começam as lamúrias, e isso Lexa bem entendia, ela e Madi as vezes se viam discutindo, elas não costumavam entrar em consenso e isso levava a constantes alfinetadas entre si, mas no fundo, elas se amavam terrivelmente e só um tolo seria ignorando ou ousado suficiente para negar isso

- Por que eu não me vejo surpreso em encontrar a princesa aqui?- A voz rouca e um tanto cínica soou a vários passos de distância

Se desencostando de Viserion e virando-se mais lenta do que o normal, Lexa sorriu fracamente de lado, vendo um tanto longe, caminhando em sua direção a passos curtos, o considerado homem mais sábio de todos os reinos, Tyrion Lennister, o Mão da Rainha. O anão vinha com sua armadura, não era uma armadura completa já que não se fazia necessário, assim como dificultava a locomoção do mesmo, mas, nas ombreiras da armadura, tinha belas forjado duas belas cabeças douradas de leões rugindo, mostrando com clareza a que casa Tyrion pertencia, mas de longe, o que mais chamava atenção nele, era o broche em forma de mão que carregava na altura do peito; a única coisa nele que mostrava a que casa ele servia era sua curta capa, a qual o interior era vermelha e o exterior negro

- Porque você é literalmente o único que minha mãe manda chamar quando sumo- Lexa respondeu sem problemas, o que fez o homem rir

- Ela sabe que sou capaz de a encontrar- Ele comentou ainda se aproximando

- Não o único- Lexa murmurou, vendo o anão erguer as sobrancelhas, mas nada comentou

- Vejo que está lendo mais uma de minhas recomendações- Tyrion falou olhando o livro que a mais nova segurava firmemente- Ele é muito útil para quem luta guerras- Lexa olhou o livro momentaneamente

- Ou para quem quer evita-las- Completou

Tyrion ergueu seus olhos para a garota com um claro olhar curioso, suas mãos se desvencilhando de suas costas e flexionando-se levemente. Foi alguns poucos momentos, apenas observando a jovem Targaryen, essa que parecia mais entretida no irmão que ainda permanecia deitado próximo dela, resmungando enquanto encarecidamente pedia pelas carícias da humana. Para o Lannister, a primogênita Targaryen sempre conseguia se mostrar cada vez mais intrigante, sempre dizendo ou fazendo coisas que prendiam a atenção dele, desde coisas bobas e pequenas, até grandes escolhas

- A princesa sabe que um escudeiro é para lhe acompanhar e servir, certo?- O anão questionou olhando ao redor, naquele enorme campo solitário

- E com certeza é por isso que o senhor deve o ter trago- Lexa forçou um sorriso em resposta- Jon me acompanha na maior parte do tempo, mas preciso de meu tempo em solidão- Tyrion não questionou- Também não posso suportar sua presença por muito tempo

- Claro- O anão riu levemente- Irei fingir que não tem um carinho especial pelo rapaz- Lexa revirou dramaticamente seus olhos

- Ele pode não ser tão incompetente assim- O outro assentiu ironicamente- Mas agora me diga, Lord Tyrion, o que te fez me procurar além da provável ordem de busca da rainha?

- Dessa vez não vim a mando de sua mãe- Lexa arqueou uma de suas sobrancelhas, ficando mais curiosa com os motivos do homem- Vamos a cidade, a Rua do Aço mais especificamente, fazer encomandas a algum bom ferreiro- A jovem franziu o cenho levemente

- Para quê isso?- Ela questionou não entendendo- O Ferreiro Real não pode fazer o que querem?- Tyrion negou levemente- Sendo assim, entendo que é uma grande encomenda, mas ainda não vejo motivos para tanto- O Mão da Rainha suspirou fraco

As vezes era perturbador que Aleksandrya pudesse ser tão inteligente, a ponto de subentender coisas com tão pouco informação, havia momentos que o Lannister tinha que se precaver para não dizer algo impróprio na frente da jovem, ou poderia ele mesmo ser a causa de mais uma desavença familiar, quem sabe não fosse o estopim de uma sangrenta guerra?! Tyrion bem sabia que essa era uma qualidade infernal que ambas as filhas Targaryen tinham, era uma das poucas coisas em comum entre Maddard e Aleksandrya, e isso era muito bom para elas, fazia delas moças perspicazes e dificilmente ludibriadas, mas para o Concelho, esse traço era um maldição que dificultava o andamento de seus ofícios, afinal, ambas estavam sempre palpitando cada pauta, isso quando não descobriam o que não deveriam e criavam um revolta

- É apenas os últimos preparativos para Torneio de Sul a Norte- Ele explicou, mas pouco convenceu a mais nova, não que ela fosse insistir no assunto, se fosse necessário, descobriria por si só- Por isso vim a sua busca, sei que gosta de ir a cidade- A garota assentiu

- A comitiva vai apenas a Rua do Aço?- Lexa questionou baixo

- A princípio sim, vamos a Rua do Aço, mas após isso, não vejo problemas em irmos a outros pontos de Porto Real- Maneou levemente a cabeça- Então, a princesa deseja vir conosco?

Um sorriso de alargou no rosto do anão, aquela pergunta era pura diplomacia, ele conhecia aquela criança desde o berço, sabia ele que Lexa sempre arrumou qualquer desculpa para sair da Fortaleza Vermelha e de preferência, ir a cidade, qualquer parte da cidade, até mesmo as mais pobres Aleksandrya costumava visitar. Essas fugas mais que frequentes pareciam fazer bem a menina, tanto que com o passar do tempo, Daenerys e Jon desistiram de tentar impedir a menina de ir, apenas exigindo a ela que fosse acompanhada -o que era desobedecido de forma habitual-. Maddard particularmente odiava isso na irmã, não o fato dela ficar saindo, ou porque Lexa costumeiramente ia a Baía das Pulgas como exemplo, não, Madi odiava o perigo a qual sua irmã se expunha com enorme frequência, sempre fazendo a mais nova ficar com seu coração inconsolável cheio de preocupação em seu peito

- Acredito que já saiba minha resposta, Lord Tyrion- O homem não deixou de confirmar

- Acredito que sim, princesa Aleksandrya- Ele olhou momentaneamente para Viserion, esse que bufou um tanto dramático- Terei que tomar o tempo de sua irmã, príncipe dos céus- Brincou, fazendo Lexa sorrir de lado

- Vá na frente, me despedirei de meu irmão

Respeitando o pedido da mais nova, Tyrion se virou e começou a se retirar, caminhando com robustez para o lado de fora, sorrindo fraco enquanto escutava a voz de Lexa ficar cada vez mais baixa junto aos ronronares de Viserion. Alcançando a parte de fora do Fosso do Dragão, Tyrion analisou momentaneamente a comitiva Targaryen, havia poucos cavaleiros, poucos cavalos e nenhuma carruagem, Aleksandrya não tinha o costume de andar nas caixas sobre rodas como outras princesas, príncipes, Ladys e Lordes faziam, enquanto a pequena quantidade de cavaleiros era apenas pelo motivos de que Tyrion não via necessidade de muitos homens acompanhando-os pelas ruas

- Jon- O anão chamou

Rapidamente, em meio aos cavaleiros, surgiu uma jovem rapaz de cabelos levemente cumpridos, usando um tabardo até o meio das coxas, costurado inteiramente de couro na cor negra, tendo o dragão vermelho de três cabeças costurado no meio de seu peito, que apesar de ainda ser o símbolo Targaryen, ele era desenhado de forma diferente, o dragão estava de lado com seus pescoços esticados, diferente do dragão circular que Aleksandrya carregava, tudo isso costurado em tecidos e couro muito mais nobres do que um jovem escudeiro poderia pagar para usar. O rapaz também usava uma calça grossa em um tom cinza escuro; negras botas nos pés; um cinto de couro tão escuro quanto o resto de sua roupa, onde se tinha pendurada uma espada menor que a de um cavaleiro, mas maior que de um aprendiz; e para finalizar, posta sobre os ombros dele, havia uma capa vermelha feito sangue, feita cuidadosamente de tecidos exportados de além do Mar Estreito. Quem olhasse de longe, talvez até pensasse que o rapaz era um príncipe, um Targaryen das canções românticas, com suas roupas escuras, o dragão costurado, uma espada brilhante e seus cabelos macios e claros ao vento, pouco parecendo o simples e banal escudeiro que ele era, escudeiro da princesa que, essa sim, mais se parecia com os tais príncipes das canções

Jon da casa Murphyre, por fim se pois a frente de Tyrion, enquanto arqueava as sobrancelhas particularmente grosseiras, fazendo as cicatrizes que ele tinha no lado esquerdo do rosto se enrugar

- O tempo não foi gentil com suas feridas- Tyrion não deixou de comentar

O rapaz apenas riu, lançando um de seus olhares maliciosos, enquanto erguia a mão por instinto, afim de sentir as cicatrizes feitas em seu rosto. As cicatrizes não eram tão profundas quanto a que o próprio Tyrion tinha, mas ainda se destacavam na pele clara do rapaz; eram cerca de cinco cortes, dois acima da sobrancelha esquerda que corria na vertical até quase o meio de sua testa, os outros três começavam na maçã de sua bochecha e iam verticalmente até o maxilar dele, todas parecendo talhamentos em um tom rosado que brilhava sob a luz do sol, diferindo bem da cor pálida de sua pele

- As putas adoram homens com marcas de batalhas- O rapaz murmurou

- Claro- Tyrion debochou levemente- Mas agora prepare a égua negra e pegue seu escudo, fique pronto para quando a princesa vir!

E foi exatamente isso que Jon fez, ele foi rapidamente até a égua negra feito a noite e crina cinzenta brilhante, garantiu que a cela estava presa corretamente; apertando-a firmemente para garantir que não houvesse incidentes, deu uma cenoura a bela Passo Firme, e só então, pegou seu escudo preso a um dos cavalos e prendeu-o a seu braço esquerdo. Não demorou muito e eles escutaram o rugido de Viserion, poucos momentos antes da fera voar aos céus e ir de encontro ao irmão maior ainda preso a uma das torres da Fortaleza Vermelha; e em um momento perfeito e quase ensaiado, Aleksandrya também saiu em toda sua glória do Fosso, ostentando beleza e juventude

- Quem foi o desassisado que deu uma espada para esse mentecapto?- Lexa questionou apontando a mão em direção a Jon

Quando a princesa chegou perto do rapaz, ela logo ergueu a mão e a passou pelos cabelos muito bem arrumados dele, esfregando sem qualquer sentido, apenas afim de bagunçar os fios claros, de tom loiro quase escurecido do mesmo. Em seguida, com uma risada maldosa, a outra mão da princesa escorregou pela cintura dele, até que por fim roubou a espada de seu cinto sem qualquer dificuldade, escutando o escudeiro bufar, em óbvio descontente com a brincadeira, tentando pateticamente recuperar a arma das mãos de sua suserana

- Eu fico com isso- Lexa girou a espada para longe do rapaz- Vai que você se corta com ela- Negou e repentinamente trocou a espada de mãos, girando-a novamente- Não me perdoaria seu meu querido Jon se ferisse- Ele bufou e então, respirou fundo cedendo

- Princesa Aleksandrya- Ele curvou a cabeça levemente, mas sua voz veio cheia de deboche

- Mais respeito garoto!- Um guarda alertou, segurando os cabelos da nuca do mais novo

Jon Murphyre se levantou forçadamente pela força do cavaleiro em seu cabelo, o deixando injuriado, tomado de indignação; sua feição dura em direção ao nada e os punhos discretamente fechados por entre as dobras de sua capa. O guarda em momento nenhum fez menção de soltar seus cabelos, honestamente o maldito parecia divertir-se com a situação, ostentando um sorriso orgulhoso em seus lábios, mostrando os dentes tortos e amarelados para quem quisesse ver, seu olhar tão superior que irritava cada vez mais o escudeiro, o homem sequer parecia ter feito o juramento de cavaleiros, tamanha era sua arrogância com o jovem menor e desprotegido

- Solte-o!- Lexa ordenou enquanto punha a espada presa a cela de Passo Firme

O guarda assim fez imediatamente, caminhando a passos firmes para junto dos outros guardas, abaixando sua viseira para que ficasse igual aos demais homens de armaduras. Aleksandrya quase desatenta a situação, se virou e chamou seu escudeiro para se aproximar, e obedientemente ele fez, dando passos largos para alcançar a princesa o quanto antes

- Preciso que vá em terra pela direita- Instruiu, vendo o escudeiro assentir- Então vamos partir!- Ordenou a todos

Encima dos cabelos iam apenas Aleksandrya e outros três cavaleiros, e mesmo estes, iam porque tinham que carregar em suas mãos o estandarte da casa Targaryen e ostenta-lo nas alturas. Os demais iam por terra, incluindo o Mão da Rainha que caminhava pleno a esquerda da princesa

- Parece irritada com algo, Vossa Alteza- Tyrion comentou baixo

Realmente, quem olhasse Lexa naquele momento, veria como suas feições estavam mais sérias que o comum, fugindo da costumeira face estóica, suas sobrancelhas claras estavam franzidas, os lábios comprimidos e os olhos focados firmemente no que estivesse a sua frente. Lexa parecia irritada com algo, ou no mínimo, concentrada em alguma situação desagradável, ninguém poderia dizer qual, a garota era alguém difícil de se ler

- Não se preocupe- A princesa pediu- Apenas muita coisa aqui dentro- Murmurou

Tyrion resolveu abandonar o assunto, não insistiria em algo que Aleksandrya não desejava falar, aprendera a muito que se Lexa desejasse dividir seus pensamentos com alguém, ela o faria, caso contrário, a insistência podia levá-la a um lado sombrio e o insistente por sua vez estaria pondo em cheque sua relação com a jovem. Lexa não suportava se sentir coagida, se sentir forçada a algo, sua liberdade era algo que ela valorizava mais que todo ouro do cofre real, e quererem arrancar seus pensamentos e sentimentos a força, dava a ela justamente a sensação de que estavam lhe pressionando, que sua liberdade seria logo arrancada de si

Depois de uma caminhada um tanto longa, considerando que tiveram que descer uma colina e atravessar duas ruas, seguindo pela Rua das Irmãs, depois a Praça Central e depois pelo Caminho Enlameado. Durante a passagem pelo Caminho Enlameado, todos da comitiva Targaryen se surpreenderam ao perceber como ela estava pouco movimentada, principalmente a essa hora do dia, mas mesmo com poucas pessoas, de vez em quando, Tyrion e Lexa acenavam para alguns cidadãos e comerciantes que também acenavam

Apenas quando finalmente eles alcançaram a parte mais baixa da Rua do Aço foi quando Tyrion e Jon Murphyre finalmente viram Lexa sorrir, sorrir de verdade enquanto acenava para os plebeus que tentavam chamar sua atenção. Aleksandrya puxou as rédeas de sua égua, fazendo-a trotar ainda mais lentamente, para que assim pudesse ter mais tempo de atenção com aquele povo, poder escutar o que eles tinham para lhe dizer, ignorando o bufar e os baixos grunhidos de sua guarda, sabendo que o excesso de pessoas a seu redor apenas dava mais trabalho para aqueles homens que juraram manter a sua segurança

- Princesa, precisamos ir!- Tyrion alertou, com um olhar que pedia para ela não se opor

- Tudo bem

Com alguns mais acenos e pedidos de desculpa, Aleksandrya por fim resolveu instigar Passo Firme a voltar a caminhar pela rua, sorrindo para o povo que ainda a seguia fielmente. Lexa gastou um pouco de seu tempo observando as diversas ferrarias e forjas dali, escutando frequentemente o barulho de ferro fervente em água fria, de bigornas e ferro se batendo, um som quase perturbador pela grande quantidade de forjas ali. A princesa também se via observando os ferreiros, sujos e cheios de roupas protetoras, grunhindo e batendo o martelo em suas mãos, criando instrumentos para a arte da guerra, e foi durante uma dessas vigias sobre os ferreiros, que Aleksandrya viu algo que a estarreceu imediatamente, fazendo-a puxar as rédeas de seu cavalo tão repentinamente e forte, que Passo Firme levantou suas patas dianteiras, ficando de pé, relinchando assustada pela reação de sua dona

Por muito pouco, Lexa não caiu de sua égua, seu treinamento encima do equino e sua força sobre as rédeas lhe manteve sobre Passo Firme, até que a égua se colocasse mais uma vez sobre as quatro patas e deixasse sua guerreira relaxar outra vez

- Sua Alteza, o que aconteceu?- Jon questionou confuso, procurando algo que possa ter assustado a corajosa égua ou a princesa

Aleksandrya olhou na mesma direção da cena que lhe espantou. Lexa havia visto, empoleirado no arco de entrada de uma ferraria, um corvo extremamente negro, tanto que mal podia de ver sua profundidade, pouco maior do que os corvos que costuma ver, acompanhado de outros três corvos de tamanho corriqueiro, mas os olhos deles, ao contrário de suas penugens, eram totalmente brancos, tão ou mais brancos que os fios de cabelo Targaryen, da mesma forma que os olhos dos animais que Aleksandrya entrava ficavam. Mas agora, olhando uma outra vez para lá, não havia mais corvo algum, com ou sem olhos brancos, havia apenas uma entrada de cor vermelha e ferro batido

- Nada- Lexa sussurrou

Ainda confusa pelo que viu e aparentemente não existiu de verdade, Lexa insistiu em analisar todo o local, encontrando dentro da forja, não só um alto e forte ferreiro, como também viu atrás dele uma garota, essa era pelo menos uma cabeça menor que o ferreiro, deveria ter sua idade, a pele dela não era branca como a da maioria dos residentes das Terras da Coroa, sequer parecia o corado dos aprendizes a guerreiros, que passavam tantas horas a fio sob o sol, sua pele tinha uma bela cor natural, diferente da sua, mas também muito diferente das dos demais. A garota olhava de volta para ela intensamente, diretamente para seu rosto, especificamente para seus olhos, não era da mesma forma que os demais cidadãos olhavam, a jovem tinha um olhar penetrante, sério e firme. Foi tão espantoso olhar a garota como foi olhar para os corvos inexistente, quando os olhos delas se encontraram foi como sentir um o sangue esfriar em suas veias, uma arrepio incomum correu toda a sua colunas, até alcançar sua nuca, e quando ali chegou, todo o resto de seu corpo se arrepiou também, de tal forma que Lexa chegou a tremer levemente sobre sua égua enegrecida, e algo dentro de si, dizia que o mesmo aconteceu com a garota

- Então vamos seguir até as partes altas!- Tyrion proferiu, trazendo a princesa de volta a realidade

Foram algumas piscadelas até que Aleksandrya entendeu sobre o que o Mão da Rainha falava, levando mais algumas piscadelas até perceber que não se passou tanto tempo desde que assustou Passo Firme, e então, outra poucas piscadelas até que seguisse o caminho a qual havia predestinado ir. Durante todo o caminho, era perceptível o quão perdida estava em sua própria mente, ela não conseguia deixar de pensar naquela garota, em como ela se sentiu, daquela forma de familiaridade anormal, além de ter ficado bastando focada naqueles corvos que viu, se é que ela realmente os viu

Sentindo sua égua subir a colina, a jovem se questionou mais de uma vez se realmente viu aqueles corvos no arco de entrada, se perguntou se realmente era possível eles terem olhos tão brancos como aqueles e mais de um em uma única vez. Aleksandrya se viu perguntando-se se havia então outras pessoas como ela, pessoas que viam através de feras e bestas, que entravam em suas peles como se fosse parte delas. As questões ficavam no ar sem resposta, afinal Aleksandrya pouco tinha certeza se realmente viu aquelas aves místicas, talvez tenha sido uma visagem como alguns religiosos afirmam ter, ou podia apenas não ter acontecido, ela não tinha certeza de nada, e sem a certeza de sua veracidade, ela não podia se perguntar se havia mais alguém no mundo como ela, que tinha os mesmos feitos, ou quem sabe fosse maior que isso

Com o cenho franzido e a boca seca, sentindo seu peito afundar, Lexa voltou a pergunta que tinha desde a infância: Eu realmente posso entrar na cabeça de todos aqueles animais?

As mãos dela se apertaram envolta do corou das rédeas, sua respiração se prendendo dentro de seus pulmões até doerem pela pressão. Novamente, Lexa não tinha certeza disso, ela não sabia se o que tinha eram apenas sonhos muito reais, se eram alucinações de uma mente perturbada, ou se ela apenas era diferente e podia fazer realmente aquilo, mas... Todos sempre lhe negavam isso, todos sempre a diziam que era impossível, que não podia fazer tais práticas, então, talvez ela realmente não tinha uma cabeça extremamente fértil, vazia de pensamentos válidos, e assim, imaginava fazer coisas impossíveis e agora, via corvos estranhos em lugares públicos e tinha a audácia de questionou a existência de pessoas que podiam fazer isso "assim como ela"

"Para de parvoice Aleksandrya! Você não pode ser louca como seu avô!" A garota se bronqueou mentalmente

- Aqui!- Tyrion ergueu a mão para que a comitiva parasse- Deseja entrar comigo, Vossa Alteza?- Lexa suspirou baixo, olhando o anão com os baixos e vazios

- Agradeço, mas pode resolver tais assuntos sozinho- Tyrion concordou logo, e Lexa, mesmo tão avoada, pode perceber que o homem se viu aliviado diante sua decisão- Ficarei aqui, mas se precisar de mim, não tarde em me chamar- Mais uma vez o anão concordou

Lexa não estava disposta a se prender aqueles pensamentos outra vez, então assim que Tyrion se retirou, a princesa desceu de Passo Firme, batendo levemente no pescoço da égua e esfregando a mão na crina cinzenta dela. Por fim, a jovem afastou-se da comitiva Targaryen, deixando claro que apenas seu escudeiro deveria a seguir, e foi assim que Lexa passou a distrair sua frustrada mente com o povo, apertando suas mãos, sorrindo para as crianças que de repente a cercaram e conversando com cada uma das pessoas que desejavam lhe dizer alguma coisa, escutando tudo que tinham a dizer, isso incluindo coisas políticas que se faziam necessárias, como denúncias de obras que não foram finalizadas ainda e estavam atrapalhando a rota de vendas deles

- Vossa Alteza- Um homem se aproximou timidamente

- Sim?- Lexa ergueu o olhar das crianças com quem conversa

Olhando agora a seu redor, abandonando a distração infantil e as vozes altas a seu redor, Lexa percebeu o quanto andou junto ao seu povo, tanto que sua caminhada desceu quase toda Rua do Aço, a comitiva de sua casa podia ser vista ao longe, quase no topo da colina, enquanto lá estava ela, praticamente na base da rua dos ferreiros, atendendo a seu povo. Aleksandrya olhou para Murphyre e o viu sorrir levemente para ela, assim, ela não tardou em lhe dar um largo sorriso, Lexa conhecia seu escudeiro e velho amigo, sabia que o mesmo não gostava quando estava no centro de um grande aglomerado de pessoas, talvez fosse consequência do cerco que sofreram a pouco mais de um ano na batalha em Dorne, quando eles sentiram a morte sobre eles, enquanto seus corpos eram pressionados uns contra os outros até que o ar parecia não entrar em seus pulmões, e o sangue que os banhavam encrostava em suas peles, todos sem qualquer espaço para fazer qualquer movimento

Quando enfim a princesa voltou seu olhar para o homem que a pouco lhe chamou, viu em suas mãos uma flauta longa, do tipo que andarilhos de toda Westeros tocava, ela era feita de ossos e ferro, parecia nova, pelo polimento brilhante e a falta de vestígios de tempo. Lexa franziu seu cenho levemente, principalmente assim que o viu estender o instrumento para ela, com um sorriso tímido e os olhos brilhantes. Entendendo que era para ela pegar o instrumento musical, hesitante a princesa pegou, sentindo em sua mão destra o peso dele, antes de pegar em ambas as suas mãos e começar a sentir em seus dedos cada detalhe, sentindo os orifícios de sopro, a ondulações muito bem feitas, o polimento levemente áspero e os talhamento muito bem feitos. Aleksandrya impressionou-se com o quão bem feito aquele instrumento fora feito, os únicos lugares em que viu uma flauta ser tão bem forjada, foi nas ruas nobres dornesas -aquele povo parecia ser artista por sua própria natureza-, e em alguma cidade do outro lado do mar, em uma das importações vieram instrumentos de sopro e algumas harpas,  um mais belo que o outro, mas ninguém soube responder de que cidade específica vieram tais instrumentos

- Ela é muito bela e bem desenhada, senhor- Lexa elogiou sorrindo de lado

- Se a Vossa Alteza não se incomodasse, eu pediria humildemente para que tocasse uma música para nós- As sobrancelhas tons mais escuros que os cabelos de Lexa se ergueram, não imaginava que receberia tal pedido- Corre por toda parte que Vossa Alteza toca músicas tão belas que poderia fazer selvagens chorar, os animais se curvar e encantar até o mais amargurado coração- Aleksandrya riu, o povo tendia a exagerar fortemente feitos nobres

- Não toco tão bem, meu caro senhor- Lexa disse docemente- Mas se deseja me ouvir, não tardarei em o fazer- Olhou o instrumento por um momento- Confesso que sou mais familiarizada com a harpa, porém também posso tocar flauta- O senhor de cabelos esbranquiçados tomou uma lufada de ar

- Não seja por isso, posso agora mesmo conseguir uma harpa para Vossa Alteza- Ele falou logo, um tanto assustado se Lexa reparasse bem em seus trejeitos

- Não é necessário- O acalmou, desviando o olhar para as crianças ao seu redor, que lhe olhavam em espectativa- Pequenos, terei que os deixar, mas podem ficar e serem os mais próximos a escutar as músicas- Os fedelhos sujos se animaram diante a proposta, todos assentindo diversas vezes e comentando uns com os outros o quanto seria incrível

A princesa olhou o instrumento em suas mãos com atenção, traçou cada parte dele com cuidado, estudando-o, além de estar escolhendo em sua cabeça que música tocaria. Por fim, a Targaryen levou o instrumento a boca, posicionando o orifício lateral contra seu lábios, posicionou os dedos e aguardou alguns momentos, até que o povo se colocou em silêncio, todos animados para escutarem sua princesa regente tocar para eles. Quando os sons começaram a sair da flauta, parecia que todo o povo havia prendido a respiração, que os ferreiros abandonaram seus martelos e que os cavalos deixaram de trotar, tamanho silêncio se fazia diante a música que Aleksandrya tocava

Realmente flauta não era o instrumento de Lexa, ela tocava muito bem e todos ali presenciavam tal verdade, mas a garota apesar de ter um grande talento, ainda sim não conseguia se conectar com aquele instrumento, ela o tocava, chegava até a dançar durante a música, como chegou a fazer naquele momento, rodopiando e maneando o tronco, apenas para fazer charme e arrancar alguns olhares admirados daqueles que a assistiam, mas a flauta não a fazia se sentir inebriada, ele não satisfazia seu ego, a flauta não era um instrumento tão charmoso quanto a harpa e a lira. Lexa sorriu levemente quando viu que alguns homens começaram a puxar algumas damas para que pudessem dançar diante a animada música que ela começou a tocar, felizmente, as mulheres aceitaram de bom grado e passaram a dançar; as crianças a seus pés riam e dançavam uma espécie de ciranda a seu redor, pulando e rodopiando, ver o povo se divertindo dessa forma lhe alegrava profundamente, além de ser curioso ver suas danças, elas eram muito diferente das que aconteciam nos castelos entre a casta mais nobre, a do povo era mais agitada e contagiosa, havia alegria nos passos e rodopios, Aleksandrya não se importaria de um dia aprender a dançar como eles, mesmo que os Lords e Ladys fossem a repudiar por isso

Olhando novamente Murphyre, ela balançou duramente o quadril, provocando o escudeira que riu negando, mas insistente, Lexa pulou sobre os próprios pés, instigando o mesmo a dançar junto a ela e ao povo, e esse, suspirou e cedeu ao pedido dela, rindo enquanto prendia o escudo as costas e se aproximava da princesa. Em pouco tempo Jon estava jogando charme para as jovens garotas, balançando a cabeça estrategicamente para que seus claros cabelos ficassem ainda mais charmosos do que eram, piscando sedutoramente enquanto sorria de lado, o que fez Lexa quase se desconcentrar da música que tocava, seu escudeiro era um maldito galanteador, ela não se surpreenderia se ele tivesse um ou outro bastardo por aí

Aleksandrya hora ou outra também não resistia a lançar seu charme para aqueles que a assistia, mais especificamente para as belas moças que chamavam sua atenção, mas sendo sempre o mais discreta possível, bem sabia da crença que toda Westeros tinha e de como viam tais atos, claro que ela também sabia que sendo a princesa regente poderia fazer o que bem entendesse, porém ela não gostaria que um escândalo desse se tornasse maior do que precisa, muito menos colocaria a vida de moças inocentes em perigo

- Vossa graça, uma harpa- Alguém se aproximou com o instrumento, fazendo Lexa tirar os lábios de flauta imediatamente, assim como o povo cessou a dança e lhe ovacionou- Se desejar continuar dessa vez com o instrumento de cordas, aqui está!- Estendeu o mesmo

A princesa regente cuidadosamente pegou o instrumento em uma das mãos, sentindo um peso muito maior do que da flauta, já que a harpa era feita inteiramente de ferro, além de sua estrutura se consideravelmente maior. Com um sorriso confiante nos lábios rosados, Aleksandrya girou a flauta na mão e prendeu-a entre seu cinto e sua roupa, olhou para aqueles que a cercava e viu os mesmo ainda a aplaudindo fortemente, sendo honesta, parecia que havia aumentado a quantidade de pessoas ali, se antes havia meia centena, agora parecia que tinha a centena inteira, alguns ousados diriam até que haviam mais que isso ali a assistindo. Havia certo questionamento nos olhos da princesa, ela queria saber se eles ainda queriam a ouvir, e esse questionamento foi recebido por um conjunto de pedidos, todos começando a saldar sua alteza, até mesmo os fedelhos a seus pés pediam que ela continuasse

Dessa forma, Aleksandrya pois a harpa charmosamente contra seu seio esquerdo, curvando levemente o cotovelo para que o instrumento estivesse bem posicionado e em seguida, levou a mão direita até às finas cortas fortemente amarradas, dedilhando sobre cada uma delas apenas para testar o som que elas faziam, sorrindo satisfeita, um sorriso tão belo que facilmente já havia arrebatado metade dos corações da platéia, e alguns poucos suspiros, Aleksandrya nunca precisou de esforço para encantar as pessoas, seu charme e beleza natural já era mais que suficiente para encantar qualquer um que olhasse

Por fim, uma baixa melodia começou a tocar, instigando todos a fazerem o máximo de silêncio possível. A melodia de uma cantiga ressoava aos quatro ventos, as cordas eram tocadas com tanta graça, e o som saía tão doce e belo, céus, talvez os boatos estivessem certos, a música da princesa era tão boa, inebriante, de uma doçura tão grande, e de sentimentos tão intensos, que alguns poderiam jurar a veracidade de todos os boatos. Não era para menos que harpa era seu instrumento preferido de se tocar, e até mesmo de se ouvir, sempre achou o instrumento mais sentimental, um que podia-se tocar a alma daqueles que ouviam, e seu musicista podia entregar todo seu ser em suas músicas; para ela, a harpa se transformava em uma extensão de seu corpo, tão profundamente que ela se viu tendo que fechar os olhos, ao mesmo tempo que passou a ponta de sua língua em seus lábios recados, afim de os umidificar suficiente para o que faria a seguir

- Ela andou pela escuridão
Seu coração se tornou gelado
Mas seus cabelos queimam
Ela teve seu destino selado

Lexa não tinha o costume de cantar durante suas músicas, apenas vez ou outro, ela tinha mais afeição por recitar suas poesias, as músicas que compunha costumavam ficar escondidas entre suas coisas no armário trancado de seu quarto. Mas vez ou outra ela se via cantando uma ou outra composição, como dessa vez, onde ela cantava uma antiga canção que fez, afim de homenagear as fortes mulheres que tanto admirava no mundo, além de claro, narrar um pouco da relação das duas

- Ela estava sozinha no mundo
Mas o fogo ainda queimava
Seus cabelos são a neve
Ela queria ser amada

Sorriu fraco, pouco antes de lançar um sorriso galanteador a uma moça de cabelos castanhos e um olhar felino, vendo a moça derreter em si, suspirando dramaticamente. Aleksandrya estava tão concentrada em tocar sua música e recitar seu romance, além de claro, galantear moças bonitas, que sequer percebeu quando a comitiva Targaryen desceu a colina e Tyrion se infiltrou no meio do povo, para conseguir ver sua princesa melhor, e entender o que de passava. A Mão da Rainha sorriu ao ver a garotinha que assistiu crescer ali, feliz com o que fazia, arrebatando corações jovens, e encantando almas velhas, e claro, com as palavras bonitas e sorriso charmoso, de vez enquanto o leão dourado conseguiu ver os sorrisos galantes lançados a plateia entre as frases românticas, além de escutar mais vezes que o necessário jovens afoitas suspirando com a princesa e os rapazes comentando seu desejo sórdido por ela

- Ela beijou o fogo
E seus lábios congelaram
Ela beijou o gelo
Mas seus lábios queimaram

Ela beijou o fogo
E seus lábios congelaram
Ela beijou o gelo
Mas seus lábios queimaram

Céus, a desenvoltura que sua voz fez durante o refrão foi tão deliciosa de se ouvir, que alguns plebeus logo se viram sentindo suas mentes embriagadas, Aleksandrya não cantando para eles tornou-se uma lástima tremenda, talvez um grande pecado

- As juras se estenderam na noite
Contando um amor profundo e terno
Cantando a canção de gelo e fogo
De um amor que venceu até o mais frio inverno

Querida, esse amor eles não podem tocar
Eu gostaria de os ver tentar
Porque amor, ela ama de Sul a Norte
Esse é seu paraíso e seu forte

Se existe realmente um paraíso
Ela tem certeza que é seu amor
E ela seria seu sacrifício
Porque perder isso é sua maior dor

Tyrion tinha que admitir, aquela música era uma das mais belas canções de amor que já teve o prazer de ouvir, e ele já ouviu muitas durante seus longos anos de vida, mas essa, tinha palavras tão bem escolhidas, uma narrativa tão bonita e um sentimento tão intenso, que ele compreendia completamente a emoção que se exaltava principalmente das pobres donzelas, como elas se viam caídas de amores, lamuriando a falta de um grande galanteador em suas vidas, sonhando com príncipes heróicos e chorando a falta de uma amor como o cantado, mas ele não podia se dar ao luxo de escutar a canção por muito mais tempo, tão pouco ele podia deixar Aleksandrya mais tempo ali, já estava na hora de voltarem ao castelo, muito provavelmente alguns convidados já haviam chegados e poder se sentir ofendidos com a ausência dele e da princesa

Com isso em mente, evitando ser seduzido pelo som da harpa embebida na doce voz de Lexa, Tyrion se aproximou discretamente da jovem, posicionando-se cuidadosamente atrás dela, perto suficiente para que o som de sua voz não tivesse que aumentar um sequer tom sobre os sons do público para que Aleksandrya o ouvisse

- Temos que ir, princesa- O Mão da Rainha falou

Por um curto tempo, Tyrion pensou que a garota iria o ignorar e continuar seu evento, arrastando o povo consigo, já que ela não deixou de dedilhar sobre o instrumento, mas o homem logo se viu enganado. Aleksandrya cantarolou levemente enquanto os sons da harpa ficavam mais lentos e baixos, até que por fim, ela cessou, finalizando dessa forma a sua apresentação, sendo mais uma vez ovacionada pelo povo. O anão assistiu enquanto sua princesa se despedia do povo com sorriso, entregando não somente a harpa com uma flauta para um homem desconhecido pelo Lennister, acenando diversas vezes para o povo que ainda lhe aplaudia e diziam coisas inaudíveis

Eles amavam-a


Notas Finais


Bem, a ideia para as cicatrizes do Murphy vieram dos ferimentos que ele tem na primeira temporada, eu achei que ficaria muito bem ele ter as marcas na história, além de que realmente, as mulheres gostavam de homens bonitos e com marcar de batalhas

E desculpem-me se demoro tanto para postar novos capítulos, é bem difícil de escrever essa história e seus capítulos são bastante extensos

Agradeço profundamente, de verdade, a todos que favoritaram e comentaram a história, MUITO OBRIGADO MESMO


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...