História Fire on Fire - Capítulo 24


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Categorias La Casa de Papel
Personagens Professor, Raquel Murillo
Tags El Professor, Inspetora, La Casa De Papel, Professor, Raquel Murillo, Sérgio Marquina, Serquel
Visualizações 93
Palavras 2.191
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


VOLTEI! Finalmente o semestre na faculdade acabou e eu estou livre para dar continuidade a essa fic que é meu xodó.
Tudo está se encaminhando para a reta final e agora só dois capítulos - fora esse - nos separam de conhecer o fim da história desse casal tão querido. Não esperem nada menos do que muito amor, muita fofura, quentinho no coração e muito clichê amorzinho pq é disso que a gente gosta.

O capítulo Decisiones é sentimento puro, então aproveitem e não deixem de comentar! <3

Capítulo 24 - Decisiones


"Baby, the best part of me is you, oh
Lately, everything's making sense, too
Baby, I'm so in love with you..."

Best Part Of Me - Ed Sheeran

 

SERGIO

Os dias que se seguiram à chegada de Paula e Marivi foram de adaptação. Com o passar do tempo tudo foi se encaixando, e muito mais rápido do que esperávamos. Aos poucos fui me acostumando aos lapsos de memória de Marivi, a ter que contar uma mesma história repetidas vezes ou a ter que lembrá-la de onde estávamos e porque. Suzie, a cuidadora que agora morava conosco, fazia um trabalho excepcional e todo seu empenho estava sendo essencial para a evolução do quadro, o que me deixava bastante aliviado em saber que havia escolhido a profissional correta. Além disso, o convívio fez com que tudo se tornasse mais fácil: em poucos dias já estávamos tão habituados que tudo parecia natural, como se sempre tivéssemos vivido daquela forma, o que me ajudou a perceber que nenhum dos sintomas era verdadeiramente um obstáculo em nossas vidas. O Alzheimer era algo com que precisaríamos lidar e só nos restava lutar contra ele com as armas que tínhamos. Felizmente estava sendo mais fácil do que havíamos imaginado.

Me sentia cada dia mais apaixonado por Raquel. Conforme a gravidez avançava ela ficava ainda mais bonita, parecendo ainda mais plena e feliz. Conhecer ainda mais de perto seu lado mãe, ver a forma com que ela tratava a mãe e a filha enchia meu coração de uma felicidade tão grande quanto jamais senti em toda minha vida. Era louco pensar no quanto tudo mudou de dois anos para cá, e analisando o passado quase não conseguia acreditar que um dia tive uma vida diferente da que tenho hoje. É claro, eu tinha plena consciência de que foram as minhas escolhas do passado que me trouxeram até Raquel e a esta realidade, mas olhando para trás, não conseguia mais enxergar um mundo onde Raquel e Paula não existissem, onde eu não estivesse me tornando pai de duas meninas lindas dia após dia... Ter Raquel mudou minha vida da água para o vinho, eu diria, e nada do que eu fizesse seria o suficiente para retribuir à altura tudo o que ela me proporcionou nestes dois anos. Eu já não tinha dúvidas de que ela era a melhor parte de toda a minha história. 

Além de tudo, Paula estava sendo absolutamente incrível. Era uma menina doce, carinhosa, e inteligente, capaz de compreender muito mais do que imaginávamos que seria. Entendia sempre que Raquel estava indisposta e não podia sair da cama para brincar ou para levá-la ao mar. Tinha um senso de responsabilidade incomum para sua idade, e nesses momentos sempre se colocava à disposição para ajudar no que conseguisse. Obediente, respeitava a mim da mesma forma que respeitava à mãe e à avó. Calma e tranquila, quase nunca discutia, teimava ou fazia birra. Poucas coisas eram capazes de amedrontá-la, e por isso concluí que era valente assim como Raquel. Carente de atenção, estava constantemente às nossas voltas, pedindo colo, nos abraçando e nos beijando. Havia me permitido entrar em sua vida de tal forma que naturalmente ocupei um espaço há muito tempo vazio, e eu não podia estar mais feliz por isso. Certa noite, enquanto colocava-a para dormir, Paula me surpreendeu.

- Tio Sergio, posso te fazer uma pergunta? - Ela perguntou enquanto eu a cobria com o lençol fino. 

- Claro que pode, Paula. O que quiser perguntar. - Respondi, ajeitando os óculos com o indicador e o polegar enquanto me ajoelhava no chão ao lado de sua cama.

- Você agora é meu pai? - Perguntou sem hesitar, seus grandes olhos azuis me encarando fixamente. A pergunta me atingiu como um soco no estômago, e por um momento não soube o que responder.

- Não, cariño. Quero dizer... seu pai continua sendo o Alberto, sempre será ele. Mas eu sou seu padrasto, que é quase a mesma coisa...

- Isso eu sei! - Ela me interrompeu rindo e por um momento me senti um idiota. Não pude evitar rir junto. Paula estava tão crescida, tão mais esperta, em pouco tempo deixaria de ser criança para se tornar uma pré-adolescente e eu já podia ver todos os sinais.

- Acontece que meu pai Alberto não está aqui. Ele não joga comigo como você, não me coloca na cama como você, não faz meu leite com chocolate de manhã como você, não me ajuda na lição como você, não convence a mamãe a me deixar assistir TV até mais tarde como você... Então, quero dizer que você é como se fosse meu pai, entendeu? Será que um dia eu vou poder chamar você de pai? - Ela enfatizou o "como se fosse" em um tom de voz óbvio enquanto fazia aspas com as mãos e mais uma vez me senti um idiota, mas ainda assim, era incrível ver o quanto Paula havia crescido e mudado nesses quase dois anos em que ficamos longe.

- Querida, se você se sente confortável em me chamar de pai, é claro que você pode. Só quero que você sempre se lembre que além de mim, você também tem seu pai de sangue lá em Madrid, tudo bem? O lugar dele sempre será dele. Você não pode esquecê-lo por minha causa. - Respondi tentando conter a emoção, tocando sua bochecha com o dorso da mão.

- Tio Sergio, o Alberto nunca fez nada dessas coisas legais que você faz por mim. Ele nunca cuidou de mim e nem da mamãe, acho que ele nunca quis ser meu pai de verdade. Mas tudo bem. Você vai ser meu pai de número 2, eu não vou esquecê-lo. Eu prometo. - Ela respondeu enquanto entrelaçava seus dedinhos finos entre os meus tão maiores que os dela.

- Então está combinado. Pai de número 2. Agora é hora da filha de número 1 dormir, sim? Boa noite, querida. - Respondi deixando-lhe um beijo demorado na testa e um afago nos cabelos.

- Boa noite, pai. - Ela respondeu enquanto fechava os olhos. Desliguei o abajur e sem conter as lágrimas, deixei seu quarto fechando a porta devagar. 

Eu jamais conseguiria descrever o que senti quando a ouvi me chamar de pai pela primeira vez: um misto de felicidade e susto. Alegria e medo, talvez. A verdade é que nunca em toda minha vida imaginei ser chamado de tal forma e ainda era estranho ouvir a palavra "pai" direcionada a mim, mas talvez por Paula ser realmente uma menina tão especial, eu estava muito mais extasiado do que assustado. É fato que eu não tinha pretensão nenhuma de tomar o lugar de Alberto na vida de Paula, mas ainda assim, essa súbita vontade de me reconhecer te tal forma me dava a certeza de que eu estava fazendo um bom trabalho enquanto padrasto, o que me aliviava a consciência. Esse momento precioso com Paula me trouxe algumas certezas e me fez tomar algumas decisões importantes, decisões estas que nunca antes imaginei precisar tomar. Me esforçando para deixar de lado tantos pensamentos, corri para o quarto ansioso na intenção de contar tudo a Raquel.

***

PAULA

Acho que nunca em toda a vida havia sido tão feliz como estava em Palawan. Estava amando me divertir na praia, estava adorando a casa nova, meu novo quarto, a nova professora e a ideia de ter uma irmã. Mamãe também estava muito feliz, eu sabia. Ela até sorria sozinha pela casa, coisa que nunca a vi fazer antes. A vovó estava menos esquecida e agora quase sempre lembrava meu nome e minha idade. Às vezes ela perguntava sobre a tia Laura, mas a mamãe dava um jeito de mudar de assunto rapidinho - e tudo bem, porque eu aposto que ninguém queria saber da chata da minha tia.

O tio Sergio era um pouco estranho, mas eu estava adorando ele também. Todas as manhãs ele colocava meia colher a mais de chocolate no meu copo de leite, quando a mamãe não estava olhando. Era um segredo nosso. E também sempre convencia a mamãe a me deixar assistir TV até mais tarde nos finais de semana. Às vezes ele falava algumas coisas que eu não entendia muito bem, mas talvez fossem assuntos de adultos como a vovó gostava de chamar, e eu não me importava.

Fiquei feliz quando ele disse que eu podia chamar ele de pai, e fiquei ainda mais feliz quando ele me chamou de filha de número 1: eu era a número 1 e Savannah a número 2. É claro que eu sentia muita falta do meu pai de verdade, mas o jeito como o tio Sergio cuidava de mim me ajudava a esquecer um pouco dessa saudade. Eu prometi para ele que não iria esquecer meu pai Alberto, mas confesso que não sei se vou conseguir cumprir. Meu pai Sergio é muuuuuito mais legal do que ele.

***

RAQUEL

Eu já estava acomodada há algumas horas quando Sergio entrou no quarto depois de colocar Paula na cama, como ela gostava. Tinha os olhos vermelhos e marejados, parecia estar chorando ou ter chorado há poucos minutos. Me perguntei o que diabos havia acontecido e antes que eu pudesse lhe dirigir a palavra, ele disparou.

- Corazón, Paula perguntou se pode me chamar de pai. - Disse ele, sentando-se na ponta da cama. Parecia incrédulo.

- Ah, que demais! E você o que disse? - Perguntei, rapidamente me sentando com as pernas cruzadas à minha frente. 

- Eu disse que sim, é claro! Mas eu estou... Estou um pouco chocado. - Sergio respondeu e realmente parecia fora de órbita, em outro universo. 

- Cariño, não se assuste. Paula é uma menina extremamente carinhosa e você sabe o quanto ela é carente de atenção. A ausência constante de Alberto e esse quase um ano longe de mim foram muito difíceis para ela, eu sei. Talvez ela nem leve adiante essa história, talvez ela esqueça e continue te chamando só de "tio Sergio" daquele jeito tão fofo... Se você não se sente à vontade para que ela te chame de pai, converse com ela, sei que ela vai entender...

- Não, Raquel. Não é nada disso. É claro que me sinto à vontade, na verdade estou muito, muito mais do que feliz. Você não sabe o quanto significa para mim ouvir Paula me chamar de pai, saber que estou fazendo um bom trabalho como padrasto a este ponto... É só que... Me parte o coração vê-la assim, sentindo tanta falta da figura paterna. Às vezes acho que a surra que dei em Alberto foi pouco perto do que ele realmente merecia por abandonar uma criança tão doce quanto Paula... Quisera eu realmente ter sido pai dessa menina! - Ele respondeu ainda emocionado, escondendo o rosto entre as mãos. Sergio não costumava expor seus sentimentos desta forma, mas desde a chegada de Paula - e de Savannah - isso estava mudando pouco a pouco. 

- Cariño... Você é pai de Paula. É você quem está comigo todos os dias cuidando, educando, formando, criando. E além de tudo, ela quem escolheu te chamar assim. Paula não precisa de Alberto e eu te garanto, nem mesmo sentirá sua falta com você por perto. Você está sendo um excelente pai para a nossa menina... E eu não poderia estar mais feliz por isso! - O tomei em meus braços e apertei junto ao meu corpo, tentando passar em um abraço tamanho amor e tamanha gratidão pela vida que construímos. Seus braços me envolveram em seguida, e como sempre, me senti segura.

- Eu sei, eu sei disso. Obrigado, corazón... - Foi só o que ele conseguiu dizer antes de esconder o rosto no espaço entre meu ombro e meu pescoço. Pude ouvi-lo soluçar em meio a um choro de emoção e alívio, que fingi não escutar para não constrangê-lo.

Raras vezes havia visto Sergio assim, tão emocionado, tão vulnerável e com seus sentimentos tão escancarados, o que me fazia ter plena certeza de que fiz a escolha certa. Ele estava genuinamente feliz com o reconhecimento de Paula, e com razão. Deixei que chorasse o quanto quisesse e permanecemos ali, abraçados, corpo com corpo, pele com pele, suas lágrimas molhando uma parte da camiseta que eu vestia. Acariciei seus cabelos negros e beijei o alto de sua cabeça algumas vezes, da mesma forma que ele sempre fazia comigo. Tê-lo em meus braços daquela forma me fazia questionar se eu tinha direito de pedir mais alguma coisa ao Universo, e eu realmente acreditava que não. Depois de alguns minutos, nos acomodamos na cama e Sergio se aninhou em meu abraço, parecendo cansado, os olhos inchados pelo choro que insistia em ficar. Normalmente era ele quem me acolhia desta forma, mas hoje, ele parecia quase tão pequeno quanto eu com a cabeça apoiada em meu ombro e os pés quase para fora da cama. Agradeci mentalmente quando contemplei a cena. Assim, sem mudar de posição, adormecemos. Felizes e com a certeza de que nossa vida estava tomando caminhos que nunca planejamos, mas que eram exatamente os que precisavam ser trilhados.



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