História First Time - Capítulo 17


Escrita por:

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Lu Han, Xiumin
Visualizações 44
Palavras 3.444
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLÁ!!!!!
Assim, eu sei que estou terrivelmente atrasada com a atualização de First Time, porém peço que entendam; todos temos problemas pessoais, certo? Então o meu deu as caras e parece não querer largar do meu pé tão cedo.
Peço desculpas e compreensão :') ♡♡♡

Agora, finalmente, o motivo de eu estar aqui e com um sorrisão lindo no rosto: FIRST TIME GANHOU CAPA NOVA DE PRESENTE!!!! \o/
E a pessoa responsável por isso é a linda, a maravilhosa, a incrível da @Urano_ ♡♡♡
De verdade, ela já foi a responsável por pela última capa de First Time e, agora, ela mesma fez essa.
Eu tô muito feliz, muito contente e completamente agradecida e apaixonada.
XiuHan, você é incrível, muito obrigada por dar tanto amor à First time ♡

Então gente, esse capítulo é menor, menos impactante, mas é importante como todos os outros, aliás: que saudades eu estava desse povo de First Time.
Bora ler? ♡

Ps: perdão prováveis erros :') ♡♡♡

Capítulo 17 - Impasse inusitado


Fanfic / Fanfiction First Time - Capítulo 17 - Impasse inusitado

— O que estamos fazendo aqui?

Pulei mediante ao sussurro soprado na base de minha orelha, enquanto me virava e dava de cara com um Minseok sorridente agachado ao meu lado; parecendo achar graça do quão assustado eu aparentava estar.

Shiiii!!! — sibilei tapando sua boca e quase o fazendo perder o equilíbrio e cair de bunda sobre a relva.

Não esperei mais perguntas de Minseok, até porque minha mão amordaçando-o me garantia que estava tudo sobre controle; pelo menos por enquanto.

Forcei-me a olhar para o mesmo ponto que analisava antes, camuflado pela robusta árvore há uns bons metros da entrada do portão do colégio. O Kim, ao meu lado, não ofereceu resistência quanto à minha mordaça, apenas se limitou a ficar o mais imóvel o possível e observar em silêncio o mesmo lugar que antes uma pessoa se mantinha em pé parecendo não ter pretensão de se afastar tão cedo.

— Acho que ele já foi. — falei mais para mim mesmo do que para o garoto ao meu lado; um suspiro de alívio acompanhando o findar da frase.

Sobre minha mão, senti os lábios de Minseok se moverem; balbuciando algo ininteligível.

Oh! Me desculpe por isso, Min. — me apressei a dizer, enquanto retirava a mão de sua boca e via-o sorrir em minha direção.

— Estava se escondendo de quem? — ainda agachado, parecendo confortável o suficiente para não mudar de posição, Minseok ficou ali a me encarar de perto; analisando-me com curiosidade e um sorriso de canto que dizia muito.

Pigarreei, aproveitando o tempo para pensar em uma resposta rápida.

— Do professor de Filosofia. Não entreguei um trabalho antigo e ele sempre me aborda quando consegue. — menti descarado, sabendo que não havia ficado nem vermelho no ato. Depois de tanto tempo escondendo meu amor platônico pelo irmão do meu melhor amigo, eu poderia me considerar um mentiroso nato e com talento para a coisa.

Minseok, com seus olhos expressivos e brilhantes, aceitou a resposta com um assentir fraco de cabeça, mas eu soube que só o fez por educação; o Kim parecia muito observador para aceitar uma resposta fajuta daquelas.

Levantei-me de meu esconderijo, estalando as juntas ao passo que Minseok me imitava. Aquela posição que estávamos não era, nem de longe, a mais confortável. Mas não me importei com aquele fato ao ver Kim Junmyeon parado em frente aos portões do colégio a analisar a multidão com tranquilidade; parecendo relaxado demais para alguém que já estava prestes a arredar o pé daquele lugar.

Naquele momento de adrenalina e vergonha pura, não pensei nem o quão patético pareci para as pessoas que por ali passavam ao me embrenhar atrás de uma das frondosas árvores de frente à construção e ali, agachado e quieto como nunca antes, ficar de vigia até o momento que o Kim mais velho deixasse o local; finalmente liberando minha entrada.

— Você parece bem apavorado com o professor de Filosofia. — comentou Minseok sorrindo fraco, o tom irônico deixando óbvio que não filtrara minhas desculpas.

Limitei-me a assentir e andar ao seu lado. Para alguém que eu mal conhecia, mas que já nutria um carinho, Minseok estava me saindo um belo de um inquiridor.

— E você? O que estava fazendo atrás da árvore? — questionei com a sobrancelha levantada, não porque desconfiasse de algo, mas apenas para brincar com o menor. Porém me vi com uma informação em mãos quando o Kim corou e engoliu em seco, desviando os olhos para os próprios pés e evitando contato visual — Espera aí! Você não estava lá por minha causa! — afirmei abismado, brecando meus passos e me pondo em frente ao garoto, apenas para atrapalhá-lo de fugir de minha acusação inusitada.

— Talvez eu estivesse evitando alguém, assim como você estava. — disse dando de ombros, um gesto muito banal considerando o quão nervoso parecia.

Atônito, não pude deixar de tornar a piscar mecanicamente; enquanto tentava clarear as ideias.

— Como sabia que eu...? — comecei, apenas para ser interrompido pelo mais baixo em seguida:

— Acho que ficou bem óbvio o quão apavorado você ficou para se esconder do irmão do Jongin quando o viu na entrada. — confessou, sorrindo de forma conspiratória em minha direção.

— Você viu isso, então... — falei coçando a nuca em evidente desconforto. Agora que o momento de fuga já havia cessado, parecia bem provável não só Minseok ter me visto bancar o idiota, mas todos que por ali passavam.

— Vi sim. Não entendi o porquê evitar um dos Kim, mas, considerando o quão ruim anda sua relação com Jongin, meio que faz sentido, certo? — perguntou incerto, parecendo montar as peças de um quebra cabeça estranho e chegar naquela resolução de forma trôpega; sem muita convicção da mesma.

— Certo. — salientei rápido, não dando abertura para que Minseok pensasse muito no assunto e chegasse à base de toda aquela soma maluca — Mas espera...você disse que estava evitando alguém. Quem era?

Minseok tornou a sorrir, mas agora seu sorriso era murcho; não havia mais a vivacidade de outrora.

— Alguém que me confunde. — esclareceu analisando os cadarços de seus tênis surrados; tristeza e confusão pincelando as linhas de expressão de seu rosto.

Assenti esporadicamente; não queria entrar em um assunto que o Kim não desejasse falar sobre de forma espontânea.

— De qualquer forma...somos bem covardes, concorda? — falei soando cômico, enquanto arrancava um sorriso do menor.

— Os piores da manada. — esclareceu risonho.

Antes que pudéssemos voltar a andar, entretanto, fomos descobertos por um Baekhyun que surgira do nada, fazendo com que tanto eu quanto Minseok sobressaltássemos em susto, enquanto ele sorria por ter-nos pego desprevenidos.

— Vocês deveriam ter visto suas caras! — disse contente, ao passo que levava o braço até os ombros do Min e ali depositava-o de forma despudorada, ignorando o fato de que as bochechas de Minseok tornaram a se metamorfoseassem em dois tomates escarlates.

— Você não é engraçado. — falei para cortar a falta de palavras de Minseok, enquanto Baekhyun sorria em minha direção e piscava.

— A gente tenta o melhor; às vezes a plateia é muito exigente. — explicou tranquilo, a indireta sendo aceita e acolhida por mim sem maiores problemas.

— Isso aqui não é um espetáculo, que eu saiba. — a quarta voz surgiu do nada, enquanto nós três buscávamos seu dono e nos deparávamos com Luhan saindo sabe-se Deus de onde; o sorriso singelo no rosto parecendo escorrer veneno de forma sutil, enquanto seus olhos brilhavam de modo estranho na direção do Byun.

— Tem certeza? Acho que sirvo bem para o papel de palhaço. — se era para soar como uma ofensa, Baekhyun teve o poder de transformar sua própria frase em um elogio estranho; o qual, inusitadamente, fez Minseok soltar uma gargalhada pequena, apenas para tapar a boca em seguida e erguer os olhos arregalados em nossa direção; como se pedisse desculpas por aquilo.

Luhan, ao meu lado, trocou o peso do corpo para o pé esquerdo; nitidamente desconfortável por uma situação que, até então, era-me uma incógnita completa. Baekhyun, por outro lado, sorriu na direção de Minseok de forma afável; de uma forma tão bonita que me xinguei mentalmente por ter estado tanto tempo infiltrado em meus próprios problemas que não percebi o óbvio: Baekhyun gostava de Minseok. E não um gostar normal, mas um gostar de forma romântica, bela e que poderia ser invejada facilmente por quem percebesse, de tão nítido e palpável que o era.

Meus olhos correram do rosto do Byun para o de Minseok e como um “click” entendi de quem Minseok se escondera mais cedo. Minha boca se escancarou minimamente, só para que, no segundo seguinte, fosse minha vez de passar pela mesma situação desconcertante que o Min enfrentava:

— Olá, Yixing!

Se antes eu era uma bola de perplexidade, agora me tornara parente de um tomate próximo, filho de pais gelatina e desejando ser adotado por um coveiro para poder cavar um buraco aqui e agora.

Kim Junmyeon, com seu sorriso fácil, olhos brilhantes, cabelo arrumado e roupas despojadas de um estudante universitário comum, parecia reluzir mais do que o normal naquela manhã de sol forte, muito embora eu não culpasse a esfera de luz por aquele fato.

— Tu-tudo b-bem? — balbuciei de forma ridícula, enquanto a única coisa que ressonava em minha mente era o fato de que Kim Junmyeon passara uma tarde inteira com minha avó pesquisando sobre coito entre homens e, no fim do dia, recebera a missão de comprar um lubrificante e embrulhá-lo para presente. Se havia um show de variedades no céu, com toda certeza a audiência estava a toda naquele momento.

De soslaio vi Minseok estreitar os olhos mediante minha gagueira; se havia um modo daquele dia ser pior era o fato de que meu segredo mais bem guardado estava na mira de um observador talentoso e que já passara por uma situação semelhante para não ver os sinais claros.

— Faz tanto tempo que não vejo você! Aliás...eu estava precisando mesmo conversar sobre... — com toda certeza Kim Junmyeon tinha muita coisa para conversar comigo, principalmente sobre o tópico mais vergonhoso o possível que minha avó fizera questão de ressaltar consigo, porém, fosse o que fosse, eu não era corajoso — e nem burro o suficiente — para ficar ali para desvendar.

O sinal! Preciso entregar um trabalho, Junmyeon! Nos falamos depois? — joguei a pergunta como despedida e desembestei portão adentro, enquanto, graças aos céus, o sinal se precipitava cinco minutos e soava como minha música de salvação.

Há alguns metros de distância, pude ouvir as palavras de um Junmyeon soarem claras até a mim, como uma promessa que nossa conversa não havia acabado:

— Pode deixar! Eu te encontro qualquer dia desses!

[...]

Ele parecia desconfortável, mas também não se afastava o suficiente para impor regras claras que delimitavam as coisas entre os dois. Não que realmente houvesse algo, mas depois da noite passada...aquilo não era normal. Só um cego não veria o óbvio: Byun Baekhyun estava investindo pesado em Kim Minseok. E, por algum motivo, aquilo me incomodava.

Estava começando a creditar meu desconforto pelo fato de — mesmo que pouco — conhecer uma parte de Minseok que a maioria não conhecia; uma parte que ficara presa em uma roda gigante e um beijo trocado sem maiores repercussões em um parque mal iluminado. Eu não era apaixonado por Minseok; longe disso! Não sabia, nem mesmo, como havia tido coragem de beijar um homem, quanto mais pensar em possuir sentimentos pelo mesmo. Tudo que eu sentia por aquele garoto de olhos bondosos e instigantes, era, de fato, um carinho fraternal.

Minseok era indefeso e ingênuo; seria ludibriado fácil por qualquer um que se aproximasse. E, por mais que eu creditasse um pouco de confiança à amizade de Baekhyun com o menor, ainda assim não conseguia fazê-lo por completo; não de forma sólida e, por esse motivo, me sentia quase que na obrigação de perscrutar os dois. De ter certeza que aquele garoto não teria, novamente, seu coração pisoteado e sofreria com isso. Por que no fim era isso: eu apenas sentia um instinto de proteção quanto ao Kim. E só.

Mas os olhares afiados que Baekhyun me lançava quando pegava-me encarando Minseok diziam outra coisa; diziam que ele achava — de forma inusitada — que eu me interessava pelo menor. Que estava quase que em uma disputa ferrenha consigo. E não era isso. Nunca seria isso e, muito embora eu devesse, não queria explicar esse fato para o Byun. Porque, independente do que se passava comigo, ele não tinha nada haver com a situação.

— Você parece prestes a matar um, por quê? — Chanyeol puxou a cadeira até o meu lado e sentou-se; aproveitando do intervalo de dez minutos concedido pela professora rabugenta e sem vontade de lecionar.

— Porque eu quero. — falei simplório, meus olhos grudados na cena à frente; onde a um braço de distância Baekhyun deitava sua cabeça no ombro de um Minseok retesiado em sua própria cadeira; como se não soubesse como agir mediante o gesto do outro.

Chanyeol seguiu a direção dos meus olhos e tornou-se sério também, parecendo montar as peças devagar; de forma lenta.

— Eu não entendo...é uma raiva direcionada com qual justificativa? — sussurrou, temendo sermos ouvidos pela proximidade dos outros dois.

— Super proteção. — afirmei, os punhos se fechando com força quando Baekhyun não se satisfizera com o ombro do menor como travesseiro e passara os braços pela cintura do mesmo; como um urso coala pendurado em uma árvore. A diferença é que ele não era fofo e a cena não era bonita.

Esperei uma contra argumentação de Chanyeol; algo óbvio vindo dele, mas me forcei a encará-lo quando o silêncio perdurou por sua parte.

O Park, com o cenho franzido e o maxilar trincado de forma estranha, encarava o casal à nossa frente com convicção; parecendo concentrado demais para ouvir ruídos externos.

Cutuquei seu braço e não tive resposta, passando a bater com o ombro em si e, finalmente, trazendo Chanyeol a Terra novamente.

— O que foi? — perguntei preocupado com o quão pesado seu semblante se tornara.

— Eu não sei...meu estômago está revirado...acho que é indigestão. — falou confuso, a mão passeando pela barriga em círculos, muito embora o mais alto parecesse não ter certeza se a dor localizava-se ali.

— Deve ser seu café da manhã. Há quanto tempo anda passando naquela lojinha e se empanturrando de coisas? Sério: não é saudável! — o adverti, repreendendo-o ao mesmo tempo por estar gastando tempo e dinheiro nas últimas semanas na lojinha de conveniências que o Byun trabalhava. De certa forma, Chanyeol parecia cada vez mais vidrado em fugir da comida da senhora Park — o que era recomendável, levando em consideração as tentativas frustradas da mulher — e, de forma estranha, de sua própria casa.

Ao meu lado, o moreno assentiu devagar, como se chegasse à mesma conclusão à medida que seu estômago doía.

— É que virou rotina passar por lá e... — Chanyeol com toda certeza iria se explicar, mas sua fala fora interrompida por um movimento à nossa frente, onde Baekhyun ergueu a cabeça e, sem mais nem menos, estalou um beijo rápido na bochecha de Minseok; tão breve que apenas eu e Chanyeol testemunhamos o fato.

Alguma coisa dentro de mim doeu e me perguntei se não havia comido alguma sobra das porcarias que Chanyeol comprava na lojinha de conveniência. Estava prestes a expor aquela questão ao Park quando ele se ergueu de prontidão e correu para fora da sala com a mão tapando os lábios, tendo tempo apenas de verbalizar uma frase antes de sair feito um furacão por entre as pessoas:

— Acho que vou vomitar!

[...]

Ele havia chegado antes no local combinado; olhava para tela do seu celular, por isso era difícil ler sua expressão daquela distância. Mas, ainda assim, eu imaginava como estava: cenho franzido, olhos curiosos e as covinhas aparentes por estar mordendo o canto dos lábios. Ele sempre ficava assim quando estava nervoso e, incrivelmente, eu sabia que naquele momento esse fato não fugiria à regra.

Respirei fundo e tomei a coragem que necessitava. Havia pensado muito no assunto, em todas as ramificações dele e do quão doloroso isso seria para mim se as consequências fossem, de fato, positivas. Mas não me importei. Joguei a parte ruim para fora da balança e tentei pesar apenas os prós; afinal de conta, os contras não poderiam ser piores do que já estavam.

— Obrigada por vir. — agradeci ao me aproximar, enquanto o rosto de Yixing se erguia em minha direção e ele se apressava em se pôr de pé ao mesmo tempo.

— Eu não entendi a mensagem. E principalmente a urgência dela. — falou direto, o desconforto ainda evidente entre nós dois. E, a parte engraçada, era que eu sabia que seria assim, mas não estava ligando mais. As coisas haviam chegado em um ponto tão crítico que o que acontecesse, fosse o que fosse, parecia não fazer tanta diferença. Não mais.

— Desculpe por isso, mas acho que não posso mais conviver com esse segredo e com a culpa. Não é certo. Não é saudável. — ditei, sabendo que aquilo era a verdade: quanto mais olhasse para Yixing, mais me sentiria em dívida com ele; quanto mais fingisse não saber de nada, mais culpa acrescentaria à bagagem já cheia. Era hora de colocar tudo em pratos limpos, doesse a quem doesse.

— Do que você está falando, Jongin? — perguntou preocupado, a mão se erguendo brevemente em minha direção, apenas para que, tão logo, ele se desse conta do gesto e abaixasse a mesma. E ver aquilo, vê-lo recuando, doeu. Doeu mais do que, de fato, eu conseguiria pôr em palavras. Nada seria como antes; independente do caminho que tomasse.

Assenti para mim mesmo, os lábios fechando com força apenas para depositar ali toda a pressão da revelação; apenas para descontar em algum lugar minha frustração.

— Do fato de você sofrer e não querer falar sobre isso. — as sobrancelhas de Yixing se juntaram em incompreensão, enquanto ele tentava dar sentido às minhas palavras.

— Eu não entendo...

Havia certa oposição dentro de mim quanto a verbalizar aquilo, mas joguei-a para os recônditos de minha mente e coloquei tudo às claras, sem de fato saber se aquilo era certo ou não; se resultaria em algo bom ou ruim.

— Você ama meu irmão, Xing. — simples palavras, mas que atravessaram minha garganta como navalha e fizeram um estrago incalculável em meu coração.

O par de olhos à minha frente se tornou assustado; pego em sua própria realidade que há tanto desejara manter apenas para si e para ninguém mais.

No automático, vi os pés do Zhang recuarem dois passos, como se eu fosse o vilão e acabasse de lhe esbofetear com vontade. E, de certa forma, havia sido exatamente isso: eu havia lhe causado uma dor lancinante, mesmo que não fosse esse o foco de tudo.

— Não sinta que você não disfarçou o suficiente, porque não é isso. A culpa é minha por te conhecer bem demais; por ver o que ninguém conseguia sempre. — esclareci, um sorriso doloroso em meus lábios ressecados, destonando drasticamente dos olhos que começavam a marejarem.

Estava doendo. Muito.

— Você...sabia! — não era uma pergunta, e sim uma acusação clara por parte do Zhang. A diferença era que eu já esperava por isso.

Eu havia escondido o fato de que sabia, durante todo o tempo, que Yixing preferia homens a mulheres; havia fingido que também não detinha a certeza que ele estava apaixonado por Junmyeon, assim como continuava a fingir não entender que eu, no meio do caminho, me apaixonara por aquele que, na verdade, amava meu irmão. E o ciclo não pararia por aí, eu tinha certeza. Afinal de contas, meu pai continuava embrenhado nas mentiras e fingimento, juntando-se a mim em tentar não perceber que seu filho era gay; e que, para o próprio bem dele, ele também encobertaria seus sentimentos e seguiria como se nada houvesse acontecido. Mas havia. E era doloroso.

— Você tem todo o direito de me culpar, de nunca querer olhar mais na minha cara e de me evitar como se eu tivesse algum doença contagiosa irreversível; eu não ligo. — disse dando de ombros, ainda mantendo as lágrimas em meus olhos; orgulhoso demais para soltá-las — Mas me faça um favor e seja verdadeiro consigo; ao menos uma vez faça aquilo que sempre quis.

Se antes Yixing estava confuso, nada conseguiria descrevê-lo como naquele momento.

O silêncio tomou o espaço entre nós dois, mas eu não me importei. Raramente me importaria.

— Conte para Junmyeon. Se declare para ele e não finja mais seus próprios sentimentos. Independente do que acontecer pelo menos você tentou. Você teve coragem o suficiente para fazê-lo.

As palavras pareciam ter o efeito de sangrar algum lugar dentro de mim, mas continuei a ignorar aquele fato; não era hora para me importar com meus sentimentos. Ter mantido segredo de Yixing àquele tempo todo dizia o essencial: eu me calei para evitar minha própria dor; era hora de pensar em alguém que eu realmente me preocupava. Pensar em Yixing.

— Isso é uma ameaça? — foram as únicas palavras do Zhang, raiva se misturando na pergunta; ainda existia rancor em si e eu não o culpava. Nunca o culparia de desconfiar de minhas intenções.

— Não. É um conselho. A decisão é sua...apenas... — parei, fungando alto e evitando que lágrimas traiçoeiras manchassem minha face; maldito orgulho! — Faça o que é melhor para você. Eu já fiz o que tinha de fazer. — confidenciei, olhando-o uma última vez e seguindo meu próprio caminho.

Os passos se tornaram apressados, enquanto as lágrimas finalmente eram liberadas e algo muito ruim se deslocava dentro de meu peito. Sim, eu havia feito minha parte: havia abrido mão de Yixing; havia jogado-o para os braços de outro, ignorando o fato de que, em meu íntimo, eu sabia que seu lugar era em meus próprios braços. Mas aquilo não mais tinha importância, eu finalmente havia feito o certo.

Certo?

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


E aí, gostaram?
Eu espero que sim ♡
Hoje estava respondendo a Bea e a Carol e isso me fez pensar no fim de First Time...; quando comecei a escrever eu tinha um final pronto e, inusitadamente, acho que vou continuar com esse final (insira aqui a risada maligna kkk). Dei o spoiler e saí correndo ;D

Ah! Quase ia esquecendo!
Gente, sempre esqueço de colocar meu user do twitter, caso alguém queira me encontrar por lá: @VChanRhimes se quiserem conversar/reclamar/fazer críticas construtivas ou apenas dizer "Olá". Também estou no curious cat ;D
Beijão gente, até mais ♡♡♡


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...