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História Física, festas, beijos e eu e você - Capítulo 1


Escrita por: e kaishinhos


Notas do Autor


oii!! mais uma fific dos meus meninos, dessa vez algo mais levinho pra vocês relaxarem a cabeça :]

espero que gostem!

Capítulo 1 - Capítulo Único: Nós dois


— O Bakugou? Ele é bonito pra porra — Todoroki disse para Momo entre alguns soluços e risos. 

A música eletrônica de fundo o fazia querer dançar, mas sequer dispunha do controle de seu corpo. A bebida já tinha feito efeito, a energia colorida e agitada da festa contagiava cada parte de Shouto, o álcool em seu sistema o deixava mais sincero, mais falante, mais sorridente. Rir. Só conseguia rir e virar os copos de caipirinha pra dentro. Estava no mundo da lua. 

— Meu deus, Shouto. — Riu a mulher ao seu lado, levemente preocupada com o amigo alterado.

Momo não bebia, então acabava servindo como babá das calouradas, já era de praxe que ela ficasse cuidando de Jirou ou Kaminari. O que a surpreendia ali era Todoroki — que nunca foi de beber, muito menos de ir a festas com tanta gente —, que entornava despreocupado e ria abertamente, contando tudo pra quem quisesse ouvir. 

— O quê? — Riu ainda mais, dando outra golada no líquido do copo de plástico cor de rosa — Eu gosto da forma como os olhos dele faíscam — arrotou. — Perdão! — Riu alto, escorando-se mais no sofá em que se encontravam. 

— Sem mais bebidas pra você, senhor Todoroki. Só água daqui pra frente. — Com um movimento rápido, roubou o copo da mão dele. 

Shouto deu um sorrisinho de canto e fixou os olhos na pista de dança. Sua cabeça girava um pouco, as luzes, apesar de convidativas, só o faziam ficar mais tonto. Sentia uma dormência estranha na boca, uma consequência de ter ingerido uma quantidade incomum — pro corpo dele — de álcool. Contudo, mesmo estando no mundo da lua, mesmo que estivesse dividido entre ir para a pista de dança e dormir no sofá, mesmo que Momo estivesse chamando seu nome, ele o viu. 

De primeira, pensou ser uma pegadinha da sua mente, o álcool criando alucinações. Mas não. Tinha plena certeza que era ele. Bakugou Katsuki. O cabelo espetado, a carranca para todos que ousavam ficar na sua frente, o olhar ameaçador. Só podia ser ele. Saindo, com uma pressa que Shouto julgou exagerada, do local. 

O que tinha acontecido a ele? 

(...) 

Porra. Cu. Cu. Porra. Buceta. 

Katsuki enfiou as mãos no bolso sentindo um certo ódio de si mesmo. Precisava sair daquele aglomerado de gente. 

Odiava festas, principalmente, calouradas. Odiava o pessoal de biotecnologia com toda essa vibe alto astral, odiava os calouros de engenharia — qual? Bem, todas —, odiava gritos, fumaça, luzes muito piscantes, na verdade, odiava pessoas no geral. Queria se socar até morrer, ou melhor, socar alguém até a morte. 

Não iria fazer a sonsa se perguntando por que estava ali. Sabia muito bem, e odiava isso também. Sero e Kaminari conseguiram convencê-lo a ir com uma simples frase.

“Soubemos que o Todoroki vai estar lá.”

Todoroki Shouto. Terceiro semestre de engenharia ambiental. Monitor de geometria analítica, assim como Bakugou — exceto que Katsuki estava no terceiro semestre de física. Ele era também o grande crush do loiro explosivo, que negava a todo custo, mas a universidade inteira sabia desse abismo que Katsuki sentia por Shouto. 

Os dois não costumavam trabalhar juntos, muito pelo contrário, havia uma competição — totalmente unilateral, obviamente que da parte de Katsuki — para saber quem ensinava melhor e/ou era o monitor mais requisitado. O resultado era coletado com base nas notas dos alunos monitorados e na popularidade de cada um.

Momo dizia que essa competição era bobagem, Kirishima achava másculo, já Camie via as crônicas de Bakugou como uma forma de descontrair a tensão usual da faculdade. Todos do círculo de amigos deles dois tinham um posicionamento. Exceto Shouto. Na verdade, o bicolor sequer notava que existia uma competição. Como sempre. 

Na sacada do apartamento, Bakugou passou a mão pelo rosto. Estava suando frio. Nervoso. Sentimentos disfarçados por uma competição, que até ele mesmo achava boba. O problema na situação não se encontrava no crush suprimido de Katsuki por Shouto, e sim no que ele havia acabado de ouvir na sala. 

“O Bakugou? Ele é bonito pra porra.”

Essa frase saiu dos lábios de Todoroki. Todoroki Shouto tinha dito que ele era bonito, não só “bonito”, mas “bonito pra porra”. E, ainda por cima, mencionou o faiscar dos seus olhos. O que poderia ser mais boiola do que isso? 

Jogou-se numa poltrona vazia ali perto. A brisa que batia na sacada, apesar de ter um cheiro horrível de nicotina, o ajudou a relaxar. Não é todo dia que o cara que você gosta te elogia daquela forma. Era novo. 

Fechou os olhos e bufou. Estressado, ansioso, confuso, sentia-se assim desde o momento em que pisou naquela festa. Desde o minuto que viu seus amigos, desde o segundo que ouviu seu nome sair da boca dele. 

— Bakubro? Tá tudo bem? — alguém se sentou ao seu lado. 

Era Kirishima. Bufou mais uma vez.

— Tá tudo ótimo, agora vaza. — resmungou.

— Bro? Que que eu fiz pra tu me tratar assim? — fez manha — É por que eu faço engenharia civil? É isso? 

— É porque você tá bêbado e eu não quero ser babá de ninguém não. Vai procurar a Momo ou, sei lá, o Deku, foda-se. 

— Bro, tu parece tristinho. — cutucou o loiro, que ainda mantinha os olhos fechados. — Diz pr’eu o que que rolou.

— Não.

— Bakugooooooou... — cutucou com mais força. 

— Puta que pariu, você bêbado parece o Kaminari sóbrio. — brigou abrindo os olhos empurrando-o de leve. — Eu tô bem caralho. 

Kirishima cerrou os olhos. Sabia que seu parceiro não curtia festas, sabia também que ele só estava lá pelo Todoroki. O crush de Bakugou não passava despercebido por ninguém, ainda mais para seu melhor amigo.

— Foi o Shouto? — sussurrou — Ele disse algo que te deixou bolado? Ele ficou com o Sero? O Sero tinha me dito que num ia mexer com o Shouto, 'porquê de tu. — levou a mão até o queixo, pensativo. 

— Foi o meio-a-meio, mas não foi 'porquê do Sero. — falou em meio a um suspiro involuntário. 

— Iiiih, tá me cheirando a B.O. — se arrumou na poltrona — Desembuche, bora. 

— Vai tomar no rabo. 

— Tá bom, vô ali trazer o Kaminari pra- 

— Não. Ele não! — gritou — Eu falo, porra.

Eijirou se aproximou. 

— O Todoroki disse pra Momo que eu sou bonito pra porra.

— Mas...? 

— Não tem “mas”, caralho. — brigou — Tá achando o quê? Que sempre vai ter “mas”? 

— Não, pô, é que tu tá aqui todo borocoxô. — mostrou a língua — Tu tinha era que tá feliz, bro. 

Bakugou soltou mais uns resmungos mandando Kirishima sair dali. A positividade dele não ia ajudar em nada naquele momento. Ninguém podia ajudar. A confusão e euforia em seu peito não podiam ser explicadas. O elogio não parecia nada demais, mas, para a pobre cabeça de Katsuki, foi tudo demais. 

Quem sabe ele tinha uma chance? 

(...)

Todoroki levou a mão até o rosto completamente envergonhado. Preferia não lembrar da noite passada, mas estava tudo na sua cabeça, em repeat. As risadas exageradas, os múltiplos palavrões, os elogios a Bakugou ditos para Momo. 

Suspirou. Passou o fim de semana inteiro com isso na cabeça, não sabia ao certo como encararia seus amigos depois daquilo. Em tese, ele não tinha feito nada demais, contudo, pensando pelo lado de que era Todoroki Shouto, o cara mais parado da universidade, o episódio fora, no mínimo, chocante para todos presente. 

Escorou-se na cadeira da sala dos monitores olhando seus novos horários. Distraindo-se completamente em meio as pilhas de papel que precisava dar conta. Entrou tão de cabeça no trabalho, que sequer notou Momo e Bakugou adentrarem o cômodo. 

— Shouto? — chamou Momo pela terceira vez. 

— Hum? — o meio-a-meio ergueu os olhos.

— Eu perguntei se você precisa de ajuda em alguma coisa. — apontou para os papéis — G.A. não é minha matéria favorita, mas se precisar eu dou conta. — sorriu gentil. 

Momo era monitora de alguma matéria de cálculo, costumava ser muito requisitada nos fins de semestre, tanto pelo desespero do povo, quanto pela sua capacidade de ensino. Sua paciência e gentileza eram espantadoras. 

— Oh, — Todoroki analisou as folhas ao seu redor — Não, obrigado. Não tem muita coisa aqui, eu dou conta.

Shouto arrumou a postura na cadeira, notando, só agora, Bakugou Katsuki no canto da sala procurando por alguma coisa. Sua primeira reação foi arregalar os olhos recordando das coisas que dissera sobre ele, a segunda, esconder a cara nos papéis mais uma vez. 

— Ei, bicolor de merda, cê pegou meu livro de álgebra? — perguntou, de forma nada gentil, o loiro.

— Que? — respondeu Shouto, confuso. Olhou a mesa na qual trabalhava para notar um grosso volume de Álgebra II em suas mãos — Oh, perdão. Peguei sim. — levantou o livro.

Bakugou grunhiu. Todoroki tinha essa mania péssima de sair pegando os livros que visse pela frente, desde que estivessem na mesa da sala, sem checar de quem era. 

— Porra, — puxou da mão dele com um certa violência — pensei que tinha perdido essa merda, que ódio. 

— Desculpe.

— Tá. — saiu da sala apressado. 

Momo olhou para a porta com um sorriso de canto nos lábios. Bakugou não tratava ninguém de forma tão “branda”, se pegassem um livro dele teriam um surto completo com direito a gritos até o próximo semestre. Entretanto, com Shouto, ele sempre fazia a egípcia, xingamentos mais suaves. Tava na cara que Katsuki era apaixonado por Shouto. Só o dito cujo — Todoroki — que não percebia. 

— Eu fiz algo de errado? — perguntou o monitor de G.A. com a testa franzida. 

— Nah, quando é você ele não liga. — Momo soltou — Na verdade, eu acho que você deveria chamar ele pra sair.

— Por quê?

— Por- 

— Ué, não era você que achava ele lindo “pra porra”? — interrompeu Camie, entrando na sala com um caderno em mãos.

— Momo! — Shouto exclamou, ao supor que sua amiga tinha contado para Camie.

— Ei, não olhe pra mim! Você saiu dizendo isso pra festa toda na sexta. 

Devagar, Shouto se afundou na cadeira querendo morrer. 

— Enfim, eu ainda acho que você deveria chamar ele pra tomar um café. — Momo se levantou — Como minha aluna chegou, eu vou me retirar. 

A monitora saiu da sala deixando um Todoroki com uma grande dúvida rondando por sua cabeça. Chamar Bakugou para sair, ou não? Eis a questão. 

(...)

— Vamos, você precisa concordar comigo que Álgebra Linear é um saco as vezes. — Shouto soltou — É legal? Sim, porém sinto falta de Biologia Sanitária. 

— Caralho, tu é, literalmente, o herege de exatas.

— Não é isso, é que biologia é divertido quase sempre, matemática e física têm alguns baixos muito baixos. 

Aquele era o terceiro encontro de Todoroki e Bakugou. Havia se passado três semanas após o incentivo de Momo. Incentivo que rendeu em três rolês aleatórios com Katsuki, o "bonito pra porra."

— Sério mesmo que você prefere as matérias de biologia? — Bakugou perguntou totalmente revoltado — Porra, cê tá num curso de exatas, que caralhos tu quer cursando engenharia, então? 

— Eu nunca disse que preferia as matérias de biologia. — respondeu Shouto tranquilamente — Apenas mencionei que elas são divertidas, senhor “eu sou de exatas e nada além disso”. — fez aspas com os dedos deixando escapar um sorriso de canto. 

Depois que começou a conversar mais com Bakugou, Shouto andava com alguns sorriso frouxos na boca. Um “a” que o loiro falava se tornava motivo para o aspirante a engenheiro ambiental rir. 

— Tch... — resmungou tomando um bom gole de sua bebida.

Todoroki encarou Bakugou por um tempo, ainda mantendo seu sorriso no rosto. Era engraçado como, apesar de estarem no mesmo círculo de amizade, serem monitores da mesma matéria e até terem algumas aulas em comum, nunca tinham desfrutado de um tempo juntos, apenas meros "ois" na sala de monitoria, ou olhares em rolês com os amigos. De todo o grupão, com toda certeza, costumavam ser os mais distantes um do outro.

Nessa brincadeira de saírem, acabaram descobrindo que havia mais coisas em comum entre eles do que só aulas e amigos.  Os dois gostavam de ser reservados, quase nunca compareciam em festas — a menos que houvesse um motivo muito bom —, preferiam estudar sozinhos, embora adorassem usar o ensino como uma forma de estudo, o gosto musical deles combinava em muitos aspectos — muito porque eram bem ecléticos, tornando tudo mais fácil. 

Shouto percebeu que Katsuki, por mais estranho que isso soasse, era alguém fácil de conversar. Não havia rodeios, ele ia direto ao ponto, ainda que com uma chuva de palavrões — alguns que o bicolor nem conhecia. Quem os visse de fora acharia uma combinação mal feita, um ariano instável conversando violentamente com um capricorniano tranquilo que concordava com a cabeça poupando palavras. De todo modo, funcionavam, isso bastava. 

— Da próxima vez você me leva em um lugar mais chique. — brincou Bakugou após pagar a conta. 

O primeiro encontro foi na cafeteria da universidade, Todoroki pagou — Katsuki impôs essa condição para aceitar sair com ele. Não foi um encontro romântico, estavam ali para se conhecer um pouco mais, além do que Kirishima e Deku chegaram no meio para “atrapalhar” tudo. Da segunda vez, estavam almoçando enquanto conversavam sobre termos complexos de física, quando Camie e Inasa interromperam com a gritaria usual e piadinhas sobre eles estarem “de rolinho”, palavras do Inasa.

Aquela tarde, tomando um chá, tinha sido o primeiro encontro sem interrupções. Múltiplos assuntos — além de física e matemática, mas sem fugir do tópico mais recorrente de suas vidas — surgiam um atrás do outro, pareciam como velhos conhecidos. Falando sobre música, gostos, pets — Katsuki descobriu que Todoroki tinha uma gatinha chama Mitsui —, família, festas. Tudo que puderam em uma tarde.

— Oh, você quer ir a um lugar chique? — Todoroki questionou genuinamente inclinado a levá-lo a tal local — Eu estava pensando em convidá-lo para a calourada da Escola de Belas Artes, meio decepcionante, né? 

Shouto riu da expressão que Bakugou fez. O rosto do loiro ficou todo franzido como quem estivesse confuso, porém com raiva. 

— Puta merda, esse povo não estuda, não? Toda semana é uma calourada diferente — revoltou-se — Cálculo C não vai se estudar sozinha, cê bem sabe. Muito menos física três.

— Perdão, eu não queria-

— Tá se desculpando por que, porra? É claro que eu vou. — deu um riso alto — Momo que lute pra me ensinar cálculo C depois.

Todoroki sorriu. Jamais entenderia como funcionava a cabeça de Bakugou. Mas isso era bom, gostava de pessoas que não conseguia ler com facilidade. 

Gostava de Bakugou.

 

 (...)

A voz de Mariah Carey podia ser ouvida a duas quadras da festa. O som alto fazia os jovens arranharem suas gargantas ao cantar junto, ao tentar, minimamente, se comunicar com os outros. Barulho, folia, pessoas exaustas mentalmente jogando os problemas para cima e encontrando um pouco de diversão. 

— WHY YOU SO OBSESSED WITH ME? — gritou Camie — BOY, I WANNA KNOW — apontou para Todoroki que ria da cena escandalosa — LYIN’ THAT YOU’RE SEXIN’ ME...

Shouto riu mais alto, se recostando no sofá. Camie estava eufórica, adorava todas as festas da Escola de Belas Artes, mesmo preferindo as do ICS, a estudante de moda curtia a vibe das calouradas da EBA. Pessoas se conectando, aquilo, definitivamente, era a coisa dela. 

— Com toda certeza eu estaria mentindo se dissesse que estou transando com a Camie. — Shouto comentou para o loiro emburrado ao seu lado, que logo mudou a expressão ao ser notado pelo crush. — Eu sou totalmente gay. 

Bakugou riu alto. Não conseguiu ouvir direito o que Todoroki tinha dito, porém entendeu perfeitamente a última frase. Shouto era gay. Não que isso fosse novidade, nenhum de seus amigos eram héteros. Bakugou, por sinal, 100% pansexual e orgulhoso. 

— Quer ir lá 'pra fora? — perguntou para Shouto, próximo ao seu ouvido — Tá barulhento 'pra porra aqui. 

Todoroki assentiu com a cabeça e, com um único puxão, foi levado até a varanda da república. No fundo, sabia que se o loiro sugerisse que pulassem uma ponte juntos, ele iria.

— Ainda tá alto pra porra, mas, pelo menos, não tem a Camie bêbada. — Bakugou deu um sorrisinho agradecendo à Lua por estar tão brilhante, porque assim podia observar todos os pequenos detalhes de Todoroki.

— Pobre Camie. — Shouto se encostou na parede, analisando o Katsuki dos pés a cabeça. Ele era bonito pra porra mesmo — Você acha que foi uma boa ideia deixar ela com a Mina? 

— Não, mas foda-se. — resmungou — Iida ou Inasa devem 'tá por algum lugar da festa sendo uns chatos do caralho, eles cuidam dela. 

— Espero que o Iida sim, porque o Inasa, definitivamente, está fora de cogitação. — apontou para o gigante que descia até o chão sem camisa. 

— Puta merda, eu preciso gravar isso. — Bakugou puxou o celular do bolso já se posicionando para gravar, quando sentiu uma mão em seu ombro. Choque. — Que foi, porra? 

— Acredito que a Jirou esteja fazendo isso por você. — mostrou. 

— Ah. — mesmo vendo Jirou gravar o vídeo, o loiro decidiu tirar algumas fotos. Material para chantagem. 

Bakugou aproximou-se de Shouto. Ficaram se encarando por um tempo sem saber o que fazer. Todo mundo se divertia de alguma forma, procurando fugir do ambiente “sala de aula”, queria ter alguns minutos de liberdade — e cachaça —, os dois não ousariam falar sobre faculdade nessa cenário, certo? Errado. Queriam falar sobre alguma coisa — mais especificamente, sobre eles, o que eles tinham —, porém o tópico mais seguro sempre era faculdade. 

Depois de uns minutos de silêncio observando as luzes coloridas, ouvindo Lady Gaga cantar Poker Face, além dos gritos estridentes de Monoma implorando por Britney, uma conversa fervorosa sobre cônicas se iniciou.

Os dois eram nerds 'pra porra. 

— O professor Aizawa é um ótimo ensinando cônicas, mas, puta merda, Cálculo C com ele é barra pesada. — disse Bakugou.

— Eu acho que dou conta. — Todoroki comentou — Você sabe que pode pedir ajuda, 'né? Se não quer incomodar Momo, eu costumo estar disponível quase sempre, principalmente para você. 

Principalmente para você. 

Katsuki sabia que aquilo não significava nada demais. Todoroki era gentil e, as vezes, não parecia perceber como suas palavras afetariam os outros. Não era um flerte. Todavia, Bakugou queria muito que fosse. 

— Olá, pombinhos. — Sero chegou com Kaminari a tiracolo — Como vai o namoro baseado em matemática e essas bobagens de exatas? 

— Nós não somos namorados.

— Ninguém namora aqui, porra. 

Precisaria ser muito desatento para não notar o rubor em ambas faces. 

— Então num tem motivo pra ficar vermelho, oras. — zombou Kaminari.

— Vai se foder, Pikachu. — Bakugou fez que ia na direção de Denki, como quem quisesse bater nele, mas foi devidamente impedido por Todoroki, que segurou sua mão. 

Sim, mão. O estômago de Bakugou começou a revirar. Não tinha bebido muito, contudo, após aquele toque, percebeu que havia tanta coisa que ele adoraria dizer para Shouto. Sentimentos confusos confinados no peito que só tinham aumentado com essa aproximação repentina. Por alguma razão, Todoroki se sentia da mesma forma.

— Tá, tá, 'vamo deixar o casal sozinho, Sero. —  abandonaram o local rindo que nem bobos (bêbados). 

Katsuki olhou para Shouto. Shouto olhou para Katsuki. Sóbrios demais para dizer o que realmente queriam dizer, sóbrios demais para comentarem sobre o choque que sentiram quando as mãos se tocaram, sóbrios demais para qualquer coisa. 

Exceto que estamos falando de Bakugou.

— Caralho, Todoroki. — disse meio puto, observando a confusão na face do meio ruivo — Será que 'cê pode fazer o favor de beijar minha boca, porra? 

— Oh, eu- — Shouto foi pego de surpresa. Sim, tinha se imaginado beijando Katsuki algumas várias vezes, só não pensou que isso fosse acontecer tão cedo. 

— Tô querendo um beijo teu há uma cara, então se tu quiser me beijar também, eu tô dentro.

Todoroki se viu sem palavras. Não havia notado que a recíproca era verdadeira, levou pouco tempo para a ficha cair completamente. E que bom que ela caiu rápido, porque, quando Shouto beijou Bakugou, ambos experienciaram uma enorme sensação de certeza.

Tudo parecia tão certo naquele momento. 

(...)

A faculdade ficava cada vez mais complicada e exigindo muito dos dois. Bakugou se mudou para o apartamento de Todoroki, Shouto ofereceu alugar um dos quartos para o loiro que já colapsava sobre chegar atrasado nas aulas de física por morar longe — e como isso o prejudicava pra caramba. Agora o relacionamento tinha passado de grandes amigos para colegas de quarto, trazendo com isso alguns episódios consideravelmente românticos. 

— Shouto. — um Bakugou sonolento chamou pelo nome do roommate, passando a mão, com certa violência, no outro lado da cama a sua procura. 

Todoroki passou a noite com ele. Algo que Katsuki nunca mais contaria para alguém: ele morria de medo de dormir sozinho. Toda a vida dividiu o quarto com seu irmão adotivo, mais conhecido por nós como Deku — que tinha se mudado recentemente para casa do namorado, ou melhor amigo de Bakugou: Kirishima, abandonando nosso protagonista para dormir na cama da mãe. 

— Ai. — Shouto murmurou com a voz rouca de sono.

— Foi mal... — Katsuki virou-se. Gostava de ver o “maldito meio-a-meio” acordar, o cabelo bagunçado misturando as duas cores, a voz múltiplos tons mais grave, o rosto inchado e olhos pequenos. Bonito. Todoroki era todo bonito. 

— Olá... — disse.

— E aí? — o loiro perguntou.

— Dormiu bem? — Todoroki se enfiou nas cobertas puxando o corpo de Bakugou para mais perto do dele.

— Não, você ronca pra um caralho. — resmungou, fingindo estar sério e bravo.

— Oh, perdão.

— Tô brincando, porra, — riu alto — meu sono é de pedra, nem se acontecer um carnaval aqui eu acordo. 

— Entendo, eu também não acordo fácil. — se aproximou do cara a sua frente no intuito de lhe roubar um beijo, mas recebeu uma mãozada no rosto.

— Só vou te beijar quando tu escovar os dentes, não sou obrigado! — dito isso, saiu da cama em direção ao banheiro. 

Shouto deixou escapar um sorriso. Bakugou era uma graça. Coçou os olhos e se espreguiçou, feliz por ser sábado. Ergueu o corpo preguiçosamente, bocejando enquanto pensava em qual cereal comer.

— Vai querer o que 'pro café da manhã? — um loiro bonito adentrou o quarto, a diferença era que seu rosto estava todo branco. 

— Você tá usando meu protetor solar? — Todoroki perguntou confuso.

— Usei a água termal também, chique pra caralho tu, hein? — Bakugou debochou. — Bora ver se minha pele fica macia que nem a tua, senhor skincare. 

Shouto abriu a boca para respondê-lo, mas não soube o que dizer. Depois de Bakugou tê-lo visto com uma máscara de argila verde, jamais pararia de chamá-lo daquela forma. Não que ele ligasse, sua pele sedosa era um dos seus orgulhos. 

— Venha aqui. — o meio ruivo chamou — Vou espalhar o protetor certinho pra ti. 

Bakugou se aproximou devagar.

— Anda com isso tenho que fazer o café, é nove horas já. — brigou, como sempre.

Todoroki nada disse, apenas, pacientemente, espalhou o creme no rosto do loiro. Roubando um selinho quando terminou. O que fez a barriga do loiro se revirar. Não sabia o que tinham, mas gostava daquele contato. Sequer tinha oficializado algo, o que deixava o loiro inseguro sobre algumas interações. Só que... Era bom.

— Filho duma puta, — Bakugou empurrou ele na cama — me beijando com essa boca fedida! — jogou uma almofada nele. 

— Minha boca não tá fedida! 

— Puta se tivesse então, viu. — riu maldoso — Vou fazer panquecas. Vai escovar esses dentes logo, porra.

— Tá bom, mamãe.

— Mamãe é o coelho! — mostrou o dedo do meio, enfiando a almofada na cara de Shouto.

Mais uma manhã de sábado como qualquer outra na casa dos Todoroki-Bakugou. E por Bakugou tudo bem não saber o que tinham ao certo, desde que pudesse ficar com Shouto todos os dias da sua vida. Sem inseguranças, afinal, mesmo que não fosse dito, o sentimento, o laço, a ligação ali era mútua. 

Ninguém podia negar isso.


Notas Finais


então? eu não quis terminar Oficializando o namoro deles porque é algo que eu já faço muito nas minhas fics, todos os casais devidamente namorando etc etc, dessa vez decidi dar tempo ao tempo. Eles se gostam e vão resolver se querem um título ou não.

agora aos agradecimentos:
1. kiki, ela e guigui, mais uma vez, por terem lido meus esboços;
2. @kyoani pela capa perfeita (a habilidade né amores) e @Black_Horse pela betagem maravilhosa e dedicada 🥰 muito muito obrigado pela ajuda, Mia e Thay!
3. a todos que colaboraram para que eu chegasse ao fim dessa fic JAJSKS

beijos!
that's it


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