História Fissure - Capítulo 1


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Categorias La Casa de Papel
Personagens Professor, Raquel Murillo
Tags Álvaro Morte, El Professor, Epicentro, Itziar Ituno, La Casa De Papel, Palawan, Professor, Raquel Murillo, Raquelmurillo, Sérgio Marquina, Serquel
Visualizações 88
Palavras 1.463
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi filhotes de epicentro!
Acho que na semana passada, compartilhei com vocês no twitter um dos plots que tenho guardado há tempos, e me surpreendi com a resposta que obtive. Agradeço de coração cada fav, cada comentário me incentivando a pôr a ideia em prática. Esta fanfic é diferente de tudo que já escrevi e eu espero sinceramente, de todo o coração, que vocês gostem. Muito obrigada pelo apoio!
Preparem-se, há uma Duquesa e um Vigarista muito ansiosos em conhecê-los.
Besitos besitos!

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Fissure - Capítulo 1 - Prólogo

"E depois de tudo, pude perceber que nenhum adeus dói mais do que 

aquele de quem vai embora, mas continua dentro da gente."
@oficial1967
-

 

Vila Alba de Tormes, Espanha

1472

 

Diferentemente das costumeiras noites de final de semana em que conseguia ouvir ao longe o vilarejo se reunir para dançar e cantar ao redor da fogueira, naquela madrugada ele não ouvira nem mesmo os animais moverem-se pelas árvores ao redor.

Sua velha casa de madeira não rangeu a cada passo que ele dava, como geralmente fazia, assim como o vento que dançava pelas folhas não emitira um único assobio.  

Era como se o mundo inteiro tivesse escolhido ficar em silêncio para que não o distraísse do que acontecia ali.

Apoiado ao batente da porta, ele cruzou os braços e suspirou. A luz azulada da lua adentrava as janelas do pequeno casebre e banhava a figura que ele tanto aprendera a amar. Observava-a calado, admirando cada pequeno detalhe que lhe roubara o coração meses atrás. 

Analisou o vestido de pano branco e liso, com uma mancha de café na altura do estômago e um furo no quadril pela má costura. Tão diferente do vestido lilás com bordados em pérola que usava quando se conheceram. Lembrava-se perfeitamente de irritá-la ao dizer que a vestimenta deveria pesar mais que cinco quilos de arroz e que a saia do vestido era grande o suficiente para esconder sete ladrões.

O rosto furioso chamando-o de insolente e de como a achara irritantemente encantadora, era uma de suas memórias favoritas, perdendo apenas para a vez em que a vira dançar ao redor do fogo, de braços abertos e sorriso luminoso, cantarolando a música da revolução com seu povo. O exato momento em que se descobrira perdida e irrevogavelmente apaixonado por ela.

Tantas coisas haviam acontecido desde o dia em que seus caminhos se cruzaram. Ele havia se tornado outra pessoa. Alguém que aprendera a esvaziar os pensamentos, viver o momento sem planejar o instante seguinte.

"Você também mudou, Lisboa." 

Ele pensou, sorrindo tristemente ao vê-la ali, com os pés descalços no chão de madeira, tão simples e leve quanto seu coração após amá-la. Os cabelos castanho-dourado vez ou outra balançavam no ritmo da brisa, levando o perfume cítrico até suas narinas. Se fechasse os olhos e inspirasse profundamente, quase podia sentir o gosto da pele rosada, suando contra a sua na noite em que fizeram amor.

Mas interromper aquela imagem não era uma opção. 

Preferia ficar de pálpebras bem abertas, guardando na memória todos os traços daquela mulher. Queria decorar as linhas de expressão, o sorriso fino quando estava tímida e também aquele espontâneo, tão largo que deixava a mostra todos os seus dentes, quando a alegria se espalhava por sua alma.  

Queria conseguir imaginar a constelação de pintinhas espalhadas pelo corpo e o sol intenso que via brilhar em seus olhos quando ela estava feliz.

“Se pudesse fugir para qualquer lugar do mundo, para onde gostaria de ir, Raquel?”

“Lisboa. A cidade onde o sol brilha tão forte que a escuridão da noite parece nunca chegar. E você, Marquina? Onde gostaria de passar o resto de seus dias?”

“O lugar onde o sol brilha mais intenso parece uma boa opção.”

Sergio sentiu os olhos se umedecerem com a saudade que desde já lhe rasgava a alma. E antes que o choro começasse, respirou fundo, ajeitando os óculos no nariz enquanto ouvia-se dizer:

— Está pronta para partir, Duquesa?

 As palavras lhe cortaram a garganta como espinhos. Seu desejo de viver para sempre ali, preso no silêncio de observá-la, fora calado pela única coisa da qual ele jamais conseguiria fugir: a realidade de quem eles eram e de que não se pertenciam.

Embora soubesse, sem ao menos tentar negar, que o coração batendo freneticamente em seu peito já não era mais seu.

O maior ladrão da Espanha havia perdido o que nem sabia ter para quem jamais imaginou amar.

Com a cabeça escorada na janela de madeira e os olhos ainda fixos na lua, Raquel sentiu um peso no coração. A reação involuntária de seu corpo ao ouvir a voz baixa do homem, desde o primeiro instante, sempre fora de um estranho estremecimento. Uma sensação quente que começava na parte baixa de seu ventre e subia até a nuca.

Mas naquele momento, o que ouviu de sua boca serviu apenas para estremecer seus ossos e fazer a luta que travava contra as lágrimas tornar-se ainda mais difícil.

— Meus homens disseram que a carruagem do Duque de Vicuña se aproxima pelo norte. Estará aqui em poucos minutos.

Sem ousar fita-lo, ela fechou a janela e se afastou, pegando o saco de pano onde levava os presentes que havia ganhado dos camponeses. Tentou afastar da cabeça o rosto daquelas pessoas, tão gentis e amorosas, que haviam a acolhido e escondido sem pedir nada em troca. Repartiram suas roupas e a pouca comida que conseguiam com tanto trabalho. Ofereceram-lhe abraços apertados para que se sentisse segura e um lar que pudesse chamar de seu.

Naquela casinha de madeira, sem eletricidade e ao som impertinente de grilos, ganhara mais do que durante toda a vida crescendo rodeada pelo ouro. 

— Obrigada por me avisar, Professor. — Não havia emoção em sua resposta. E ela conseguiu ouvir a própria voz em sua cabeça parabenizando-a pela bela atuação.

— Raquel... — Seu nome fora pronunciado como uma suplica, quase derrubando todos os muros que havia construído dentro de si. — Ainda há tempo de mudar de ideia.

Ele havia prometido para si mesmo que não imploraria pelo amor da Duquesa outra vez, mas naquele instante, vendo-a tão perto da porta, não conseguia se conter.

Junto às palavras, uma lágrima solitária umedeceu o canto de seu olho. Ela virou o rosto para a janela fechada, observando os fios de luz azul que ainda invadiam o ambiente.

— Não se esqueça, Professor... — Buscando-o com o olhar, sentiu o coração despedaçar-se em tantas partes, que achou impossível um dia conseguir reconstruí-lo. Havia dor nos olhos castanhos daquele homem e ela desejou nunca ter cruzado sua vida. Engolindo o próprio choro, ofereceu-lhe um fino sorriso. — Não importa o quão escuro o mundo esteja, sempre haverá uma fresta de luz. Você me ensinou isso.

“Você é a minha fresta. Minha Lisboa.”

Ele quis dizer, mas as palavras não saíram. Sentiu as mãos tremerem e empurrou os óculos no nariz novamente, enquanto o peito parecia cheio de sentimentos conflituosos que se recusavam a explodir.

— Achei que havia lhe ensinado outras coisas também. — Por fim respondeu. O tom rouco de sua voz denunciava a dor que sentia.

Sem mais se conter, ela permitiu que uma única lágrima escorresse por sua bochecha.

“Você me ensinou tudo. A viver, a amar, a sorrir...”

Ela quis responder, mas as palavras não saíram. Agarrando-se as últimas forças que tinha, Raquel levemente acenou com a cabeça, como se dissesse “adeus” e “obrigada” sem precisar utilizar-se de palavras. Em seguida, se virou e foi embora.

Os pés ainda descalços, apressados, fugiram para longe de tudo aquilo. Segurou a saia de seu vestido com uma mão, enquanto a outra agarrava firmemente o saco com tudo o que ainda se importava dentro.

Correu pelo vilarejo, depois pela floresta, enquanto o choro a dominava por completo. As lágrimas finalmente livres para banhar seu rosto, assim como a luz da lua ainda fazia.

Quando o som da carruagem atingiu seus ouvidos, ela parou, inclinando o corpo para frente e apoiando as mãos nos joelhos, em uma falha tentativa de controlar a respiração que agitava-se em meio ao choro. Não se importou em secar o rosto, limpar os pés sujos de terra ou desamarrotar o vestido.

— Parece mais uma serviçal do que uma duquesa.

 O tom de pena na voz de Àngel cortou o silêncio e a fez contorcer o rosto, só então dando-se conta da presença de seu antigo escudeiro; o homem que considerava um amigo, antes de traí-la ao entregar sua cabeça para o ex-marido. Ignorando a mão que ele estendia para ajuda-la a subir na carruagem, Raquel se recompôs, andando em direção à tudo o quê um dia tentara fugir.

— Ele sabe que você trocou a sua liberdade pela dele?

A Duquesa parou no degrau da carruagem, virando o rosto para o homem. Havia raiva e desprezo em seus olhos castanhos, e ela não precisou de palavras grosseiras para fazê-lo se retrair, desculpando-se em múrmuros pela indulgência.

— Leve-me para ver o Duque. — Declarou ao sentar-se, fazendo questão de sujar o acolchoado do transporte com a imundice que tanto fazia Àngel olha-la em desagrado.

— Claro. Ele está ansioso para vê-la. — Recostando a cabeça contra a janela, ela fitou a lua outra vez. As lágrimas voltaram a escorrer assim que sua voz, tão quebrada quanto o coração, murmurou em resposta:

— Eu aposto que está.

 


Notas Finais


E aí meu povo? Gostaram?
Eu to muito nervosa com essa história, de verdade. Então, por favor, me digam o que acham ok? Compartilhem suas ideias, críticas construtivas, sentimentos, tudo comigo! Aquece meu coração e me faz ter mais vontade ainda de escrever!
E me sigam lá no twitter: @wonderfulmac
Vamos amigar e fanficar juntos!
Besitos besitos!


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