História Fixação - Capítulo 7


Escrita por:

Postado
Categorias The Beatles
Personagens John Lennon, Paul McCartney, Personagens Originais
Tags Ação, Drama, Mclennon, Romance, The Beatles, Tortura
Visualizações 19
Palavras 4.376
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olaaar, delícius meus! Como cês estãããum? Espero que tudo péin. \o/
Demorei? Demorei pacacete. Primeiro por irresponsabilidade, pq comecei a escrever dia 5 (sim, escrevi horrores, taí +4mil palavras -kralhi), e tive meio mundo de empecilho, inclusive meu aniversário ontem kkkk
Poréééém, como vcs devem saber, eu demoro mas não esqueço das minhas crias.
Boremos aprender mais coisitas? Boremos.
Boa leitura, meus pratinhos de yakisoba <3

Capítulo 7 - Virtual Ultrarreal


Fanfic / Fanfiction Fixação - Capítulo 7 - Virtual Ultrarreal

Bianca Mivys não foi uma aposta alta, mas foi uma das poucas que chegaram longe na pirâmide da NYCZ por seu magnífico esforço. Tornou-se brilhantemente uma das favoritas de seu mestre.

Fez sua devida capacitação no LarNova e conseguiu passar em quase todas as etapas do treinamento do seu mestre, exceto a última, que consistia em um exaustivo combate corpo a corpo com ele. Ali Bianca teria que levá-lo ao chão e possuía três tentativas para fazê-lo, entretanto, ela que foi ao chão todas as vezes. Não se abateu e considerou mais do que justa a própria derrota.

Pela sua sagacidade, destreza e determinação Bianca conseguiu um dos importantes postos na NYCZ: ser o olho que tudo vê e o corpo que tudo faz. Aquela que mantinha tudo sob controle da maneira que deveria ser. Uma agente secreta que faria inveja a qualquer serviço de espionagem.

Com sua liberdade de ir e vir, ela tinha certos privilégios, como: entrar e sair de qualquer sala da empresa, agir da melhor e/ou mais incisiva maneira que lhe achasse efetiva e conveniente no momento, e claro, vestir e usar qualquer coisa que lhe apetecesse.

E foi com seu vestido suede amassado bege de alças finíssimas e estampa florida, e um par de lustrosos coturnos que ela entrou na suíte do aprendiz. Seus cabelos loiros, quase brancos, estavam graciosamente soltos por trás dos ombros; seus olhos quase transparentes contrastavam com a boca vermelha pequena. Estava atualizada de tudo o que iria dizer e entregar, só não esperava encontrar o rapaz pelado no meio do quarto se secando com uma toalha branca. Ele não reagiu, ficando apenas indiferente com a chegada daquela mulher albina que ele bem conheceu no V8.

-Se preferir –Começou ela com um ar sublimemente inabalável. –Eu posso esperar lá fora para que você se vista.

-Não há problema, senhorita Bianca. –Secou o braço esquerdo. –O que deseja?

-Vim para passar alguns breves detalhes. –Caminhou até ele com uma pequena bolsa redonda. –Acredito que ainda temos uns minutinhos antes de você voltar para o mestre.

-A senhorita é uma das minhas superioras. Se diz que ainda temos tempo, então ainda temos tempo. –Bianca levantou o queixo em curiosidade.

-Você é disciplinado demais, senhor McCartney. –Arqueou as sobrancelhas com ar divertimento. –Mas isso deve ser os nanochips... Com as instruções que irei lhe passar vai poder se livrar um pouco disso tudo e agir de maneira menos “robótica.”

McCartney compreendeu tudo e ficou em silêncio enquanto seguia enxugando os braços e pernas. Dos seus cabelos negros escorriam gotículas d’água, deixando algumas mechas graciosamente grudadas em sua testa. Não se deu o trabalho de secá-lo, e apenas enrolou a tolha em volta da cintura. Foi então que sentiu os dedos delicados da jovem lhe tocarem o maxilar.

-A sua beleza me espanta, rapaz. –Disse ao analisá-lo melhor.

-Obrigado, senhorita Bianca. Aprecio o elogio.

-Pelos seus traços delicados e harmoniosos eu arrisco que deva se parecer com a sua mãe. Correto?

-Sim, era o que todos diziam.

-Ótima combinação genética... –Deu um pequeno sorriso. –Um encanto em meio a tanta devastação. –Confessou quase em silêncio. McCartney olhava para ela inocentemente atento, esperando suas instruções. –Mas, voltemos ao que importa... –Entregou a bolsa redonda ao aprendiz. –Isso é seu. Nela você encontrará comprimidos especiais para inibição parcial ou total de seus nanochips. Aviso que é dosagem diária única. Para a inibição parcial, toma-se apenas um; para inibição total, tomam-se dois; se tomar três você morre, cuidado. Temos aí seringas, agulhas e ampolas para aplicações intravenosas da solução REC, algo que será muito útil caso tenha ferimentos profundos; e um livreto contendo informações sobre as salas coloridas do prédio, cada uma tem sua função e o mestre gosta de seguir tudo religiosamente. Caso passe no último estágio, terá acesso às salas secretas. Informo também que todo mês fazemos relatórios sobre nossas atividades, você escolhe o dia e entrega tudo para mim. Se houver alguma dúvida, procure pelo meu número no sistema e eu prontamente lhe encontrarei.

-Terei acesso às salas secretas assim que passar no último estágio...  –Pensou em voz alta franzindo o cenho.

-Correto...

-A senhorita tem acesso a essas salas?

-Todas elas.

-Então quer dizer que a senhorita passou no último estágio?

-Uma batalha extenuante que não me rendeu frutos, infelizmente. Mas sinto a sua curiosidade. Digo-lhe apenas que somos bem recompensados quando chegamos longe, senhor McCartney. Chego até a acreditar que o senhor venha a ser meu chefe caso não passe. Não vejo cargo melhor para aquele que derrubou dois gigantes no V8. –Sorriu orgulhosa.

-Espero não decepcionar o mestre.

-Todos estamos torcendo por você, senhor McCartney. Mais do que nunca precisamos de um redentor.

-Obrigado novamente, senhorita Bianca.

-Com tudo repassado, retiro-me. Apronte-se e dirija-se à sala da presidência. –Girou os calcanhares. –Ah, mais uma coisa! –Voltou-se rapidamente para ele. –Use isto. –Tirou do bolsinho do vestido um pequeno frasco verde, entregando-o. –Creio que este perfume combinará com você.

-Agradecido. Usarei com toda certeza.

-Até a próxima, senhor McCartney. Caso não mais lhe veja até seu derradeiro desafio, deixo aqui o meu boa sorte.

Bianca se retirou do quarto com um sorriso otimista. O jovem aprendiz tratou de guardar o frasco em cima do criado-mudo e a bolsa redonda em cima da cama. Foi-se arrumar para os próximos compromissos com o seu mestre e decidiu utilizar daquelas coisas somente antes de sair para o almoço, momento no qual iriam se encontrar com os atuais políticos da capital da Linha Quatro.

 

♦♦♦

 

Durante quatro horas McCartney teve aulas complexas com Lennon na sala da presidência, com direito a painéis interativos e demonstrações virtuais das mais variadas dinâmicas. Foi apresentado a outros muitos nomes e termos do ramo dos negócios dos quais não havia tomado conhecimento no LarNova, mas que com a devida atenção aprendeu como determinadas coisas funcionavam, até mesmo as de maneira ilegal.

Lennon contou sobre como o mundo estava sendo controlado, e era questão de tempo até o planeta se desfazer em poeira se tudo continuasse no presente ritmo. A indústria Morino, espalhada por todos os Continentes e com sede em Zerbiek, era encarregada de toda a produção e transporte de alimentos para todos os recantos do globo. Basicamente tudo era constituído de substâncias químicas diversas, causando uma série de problemas de saúde a toda a população: do mais pobre ao mais rico. Os que usufruíam de fortunas eram submetidos a tratamentos no complexo sistema de saúde comandado por Kleg, um cérebro humano armazenado numa avançada estrutura robótica. Os mais pobres ficariam a mercê da sorte, uma vez que o poder dos governos de todos os continentes estava sendo minado cada dia mais pela influência das duas empresas.

Desde a fundação da NYCZ com planejamento de Stuart Sutcliffe, Lennon abraçou o intento com todas as forças fornecendo o capital necessário para dar vida à tão utópica reparação que o mundo parecia apenas sonhar. Os novíssimos artigos e serviços de segurança foram a máscara perfeita para dar prosseguimento aquele ambicioso projeto, sendo úteis não apenas como fachada, mas também campo de criação e treino de novas armas.

Foi devidamente treinado por Stuart e pôde usar de todo seu conhecimento técnico prévio para a formação de novos integrantes, montando seu pequeno notável exército de mentes. Este, que se empenharia dia após dia em criar inovadoras tecnologias, atingindo assim o máximo em evolução humana, pois sabia que do outro lado da cidade um inimigo também crescia vertiginosamente.

Criou o LarNova e deixou a cargo de seus primeiros pupilos, os de grande destaque. Dotados de saberes científicos diversos, conseguiram sintetizar muitas substâncias em laboratório, elevando a resistência e recuperação corpórea do organismo humano resultando em seu maior projeto -o Composto 99- ativando nanochips em diversas áreas cerebrais, também servindo para controle e disciplinarização do indivíduo. Ademais, descobriram como desintoxicar a terra e a água em pequenas amostras, o que seria um golpe mortal na vigente indústria alimentícia caso fosse feito em larga escala. E era nisso que seguiam empenhados: se um caísse, os outros cairiam junto, como um maldito efeito dominó.

Tudo veio a correr muito bem com o recrutamento básico necessário nos meses iniciais do ambicioso projeto. Conseguiu aproximadamente duzentos discípulos nos primeiros cinco meses de vigência da NYCZ, e se seguisse nesse ritmo, dentro de seis anos teria naquele prédio o necessário para dominar mil vezes o mesmo planeta, só esperando o momento certo para começar.

Entretanto, aconteceu o que menos se esperava.

Lennon havia se deparado com Stuart Sutcliffe morto em sua suíte. Seu mentor e secreto amante encontrava-se desfalecido com um semblante sereno de olhos abertos. Ao redor de seu corpo podiam se observar seringas vazias e ampolas contendo matéria desconhecida; em suas mãos havia comprimidos de diversos tipos, no chão estava uma carta.

Em pouco tempo tudo perdeu o sentido para mim. A dor lá fora parece infinita, assim como o sofrimento de minha alma. Não consegui ver a luz de um futuro aqui, mesmo com os nossos planos. É aterrador. Infelizmente tudo que imaginei durante muito tempo foi a nossa derrocada, fazendo com que você apenas sofresse junto a mim. E eu não quero te arrastar pra isso. Eu não poderia te dar tamanho fardo e acabar fazendo com que você se transformasse ou se perdesse em algo tão lamentável quanto eu. Minha dor interior é insuportável e fiz tudo o que estava ao meu alcance para tentar ficar mais um dia com você. Johnny, nunca se esqueça de que eu sempre te amei e irei te amar até depois dessa angustiante existência.

Meu amado, que o doce sabor da vivacidade continue pulsando em seu sangue.

Uma cena medonha e uma morte inaceitável. Lennon desnorteado passou a gerir a empresa com mãos de ferro desde então. A raiva veio a consumi-lo momento após momento a ponto de fazê-lo flertar com a loucura diariamente. Ele havia se transformado na mais temida realidade de seus inimigos e também de seus aprendizes. Não queria apenas um exército, mas máquinas mortíferas a fim de abater e expurgar todas as dores do mundo: estivessem elas no topo do Everest ou escondidas pelos buracos da cidade. Reduziria todas a nada, uma por uma, sem misericórdia.

 McCartney não veio a saber destes detalhes, mas estava se sentindo pronto para atacar qualquer um daqueles que tentassem interromper os propósitos de seu mestre.

 

♦♦♦

           

Assim que terminaram sua pequena reunião na sala da presidência subiram para suas respectivas suítes. Lennon para pegar uma maleta e McCartney para tomar um dos comprimidos inibidores.

O aprendiz aproveitou para usar um pouco do perfume que Bianca havia lhe dado e assim que voltou a se encontrar com seu mestre no corredor, recebeu um comentário animado:

-Bianca deixou o maldito perfume verde com você. –Disse ajeitando o punho da camisa branca por baixo do terno. –Não tem jeito...

-Há algum problema, senhor? Posso devolvê-lo.

-Não, não, problema algum. Esse perfume é só um sinal que ela me dá.

-Sinal para quê, senhor?

-Você não vai querer saber. –Sorriu enigmático dando-lhe um olhar profundo. –Agora vamos almoçar! Pronto, senhor McCartney?

-Sim, mestre. –Moveu a cabeça positivamente.

-Hora de comer canapés e cumprimentar os escorpiões.

           

O almoço com as personalidades públicas seria realizado no antigo Teatro de Homm, um local absurdamente luxuoso, que acomodava não só políticos como também celebridades e alguns tantos bilionários que passavam ou viajavam pelo Segundo continente.

Lennon transmitiu todas as instruções ao seu aprendiz: aperto de mão, sorriso amistoso e assuntos sobre economia global. Formalidades essas que McCartney não obedeceu completamente. Seu sorriso era contido, em uma expressão que mais parecia ser de grande incômodo. O mestre não o repreendeu, apenas agradeceu internamente a verdade que era estampada em seu rosto a cada momento.

Ficaram próximos o tempo todo, dos breves cumprimentos até o glamouroso encontro à mesa. Lado a lado, atentos estudiosos. McCartney teve lapsos de fraternidade durante a refeição e por alguns minutos manteve conversas agradáveis com seus vizinhos carrancudos.

Passaram umas boas horas tentando entreter a maior parcela daquelas pessoas. Alguns já haviam sido comprados pelos agentes de Morino, e Lennon não pretendia perder tempo com o que restava da bandeja dourada. Jogou a maleta em cima da mesa e a abriu rapidamente. Jogou maços de dinheiro para o alto, anunciando uma celebração até então inexistente: “Aproveitem a festa, senhores! Há muito mais de onde veio.”

Esbanjaram-se com mais bebida e comida; conversas despretensiosas e confissões interessantes. Um exagero épico que veio a adormecer suas próprias línguas gordas. Uma parceria estava fechada e o presidente da NYCZ não poderia estar mais satisfeito.

Mestre e aprendiz não se deram nem ao trabalho de se despedirem da escória. Deixaram todos bem à vontade aproveitando seus momentos como se fossem os últimos e se retiraram sem serem notados. Mais uma parte do serviço estava feita.

Voltaram para o carro blindado de onde vieram e trocaram algumas breves palavras.

-Se eu soubesse que você teria tanta desenvoltura em tirar palavras da boca daqueles centenários eu teria poupado meus milhões...

-Devo confessar que tomei uma medicação específica, senhor.

-Os comprimidos... Bem desconfiei. Foi uma mudança bem drástica. Aleatória, mas drástica. –Passou a língua entre os lábios e tamborilou os dedos sobre a coxa, observando o aprendiz por instantes. –Anuncio que seu treinamento terminará em três dias, senhor McCartney. Deixo-lhe ciente desde já.

-Sim, mestre.

-Está ansioso?

-Curioso e otimista, senhor.

-Ah ótimo, ótimo... Bom saber. –Ajeitou a gravata. –Sem tensões para o desafio. Pressões são prejudiciais para o raciocínio. –Sorriu aparentando tranquilidade. –Deixarei que tire esse tempo para descanso, entendido?

-Perfeitamente, senhor. O que achar melhor.

           

Seguiram o restante do percurso em silêncio, escutando apenas as respirações um do outro e volta e meia cruzando olhares. Muitas perguntas passaram pela cabeça de Lennon, mas não se atreveu a quebrar o silêncio do ambiente. Deixou que a imaginação preenchesse as lacunas das suas dúvidas.

Chegando ao gigantesco prédio da NYCZ dirigiram-se para a cobertura. Separaram-se com um ‘boa noite’ e foram para seus respectivos quartos. Os relógios avisavam que o jantar seria servido em alguns minutos.

McCartney tomou banho e trocou de roupa. Estava com um pijama azul de listras brancas e fazia um breve aquecimento com os braços. Sem demora recebeu seu jantar e sentou-se à mesa como um lorde, apreciando sua refeição pacientemente. Em seguida se dirigiu para a cama a fim de ler sobre as salas coloridas que eram descritas no livreto que havia recebido de Bianca mais cedo.

 

♦♦♦

 

Depois de ter se atualizado de todas as informações, decidiu continuar com o difícil combate do nível que havia pausado mais cedo. Colocou os óculos V8 e foi prontamente levado para a tela inicial do jogo.

Olá, Paul! Gostaria de continuar a batalha?

-PYX, continuar Nível Master.

McCartney foi automaticamente transportado para a sala branca. O avatar de seu mestre estava sentado no mesmo lugar com um sorriso debochado no rosto.

-Belo pijama...

-Obrigado, senhor. Acredito que com ele terei mais liberdade de movimento. –Aproximou-se dele a passos curtos.

-Se você diz... –Sem desviar o olhar do aprendiz, levantou-se do chão em um solavanco, ficando em posição de combate. –Pronto, jovenzinho?

-Quando quiser, senhor.

Lennon começou com uma sequencia de chutes com seu pé direito, tentando acertar o joelho, o peito e a cabeça de McCartney, mas o aprendiz conseguiu se esquivar de todas as pancadas com perfeita agilidade. Sua resposta veio também em sequencia, mas de socos, procurando acertar em cheio a cabeça do mestre.

Como se premeditasse os movimentos do aprendiz, Lennon escapou sem dificuldade de todos os golpes. Posteriormente jogou o corpo para trás sendo aparado pelas mãos, conseguindo assim lançar as pernas para frente, inevitavelmente acertando o queixo do moreno.

Sacolejando a cabeça num leve atordoamento, o aprendiz voltou a ficar em posição de combate. O mestre se aprumou sem muitos problemas, esbanjando sempre o mesmo sorriso.

-Você tem três tentativas para me levar ao chão, rapaz. Apenas três. Precisa dar o melhor de si para pelo menos não passar essa vergonha que estou vendo.

-Sim, senhor. –Com as narinas dilatadas respirou fundo com certa agressividade. Estava pensando em mais alguma estratégia.

Avançou contra o mestre a fim de acertar-lhe algum dos joelhos com uma pesada, mas tudo o que conseguiu foi vê-lo girando subtilmente rente às suas costas, vindo a atingir-lhe em cheio uma cotovelada na orelha. McCartney cambaleou para o lado, caindo de joelhos e mãos no chão.

-Mais determinação, número 6! –Disse animado os olhos de serpente.

Uma nova sacudida na cabeça e o aprendiz voltou a ficar de pé. Olhou para Lennon com uma concentração assustadora e respirou fundo mais uma vez. Lançou os braços para os lados e esticou os dedos. Arrumou a coluna e então fechou os olhos. Pareceu meditar por um momento.

-Pode vir, senhor. –Lentamente tomou a posição de combate.

-Ah, eu gosto dessa técnica. Muito sábio, senhor McCartney.

O mestre fez seus movimentos. Caminhou próximo ao aprendiz na ponta dos pés, imperceptível como um ninja. O moreno procurou aguçar os outros sentidos na tentativa de ser mais efetivo com seus golpes. Tinha certeza que todo seu treinamento não havia sido em vão, e precisava provar todo seu potencial.

De repente um arrepio na nuca. Ele velozmente agachou uma só perna e jogou o punho fechado para cima com força descomunal. Sentiu que havia acertado o antebraço de Lennon e quase comemorou a façanha. Seguiu de os olhos fechados e ouviu um gemido de dor dentro de uma risada.

-Finalmente um golpe, hum? Esplêndido, diga-se de passagem!

McCartney prosseguiu em silêncio em sua posição de combate. Movia-se em círculo no mesmo lugar e estava confiando plenamente em seus sentidos.

De joelhos levemente dobrados ele não percebia mais nenhuma presença ali. Questionou a técnica do adversário mas tudo era vago demais, afinal, não reconhecia sua posição. Foi então que em segundos ele sentiu um sopro em sua orelha esquerda.

Moveu a cabeça para o outro lado e jogou o cotovelo para trás, só não esperava que o mestre subisse em seu joelho e tomasse impulso para abraçar as coxas ao redor do seu pescoço, acertando-lhe o topo da cabeça com um soco.

Ambos foram ao chão, mas Lennon deu uma simples cambalhota voltando a ficar de pé. O aprendiz rolava em dor com as mãos na cabeça.

-Mais uma tentativa?

Com dificuldade McCartney tentava se reerguer. Não era de desistir tão fácil, muito menos em um jogo. Insistiu pela vida desde sempre, levando golpes que faziam qualquer gigante esmorecer. Sua garra e persistência não seriam diferentes naquela competição contra um titã.

Lutou e lutou por muito tempo. As horas pareceram minutos e cada ida ao chão serviu de aprendizado. Entretanto, as combinações realizadas eram algo completamente ilimitado, fazendo com que cada um dos golpes de seu mestre fosse irrepetível. Ele parecia ser invencível.

Até que o inimaginável aconteceu.

O aprendiz agonizava mais uma vez no chão branco daquela sala virtual. Havia levado um golpe cheio nas costas que o fez cair de mau jeito, machucando-lhe a costela. Lennon estava parado ao seu lado, observando de cima. Seus pés descalços quase podiam tocar os cabelos do aprendiz.

-Preciso continuar... –Gemeu o aprendiz arrastando a mão pelo chão. Lennon se reservou apenas a assistir a cena.

Enquanto procurava forças para se levantar mais uma vez dali, seus dedos entraram em contato com os pés de seu mestre, resultando em um reflexo inesperado. Ele recuou, dando um passo rápido para trás. Sem entender o que havia acontecido, o aprendiz levantou a cabeça com dificuldade a fim de mirar o avatar. Um ponto de exclamação amarelo havia aparecido ao lado do ruivo bem próximo à sua orelha esquerda.

-O que é isso? –McCartney perguntou confuso.

-Não é nada, continue. –Ficou em posição.

O moreno não se contentou com a resposta e queria saber o porquê daquilo logo após aquele toque aleatório. Com dificuldade ele se sentou no chão.

-PYX, mostrar relatório de erros.

Relatório de erros em exibição. Um código bloqueado. Acesso negado.

-Não mexa em nada, jovenzinho. –Lançou o mestre.

-PYX, desativar o adversário.

Adversário desativado.

McCartney estava curioso com o bloqueio do código. Seria uma limitação do avatar? Seria aquilo que fazia com que o nível máster fosse invencível? Se já desconfiava do jogo, agora tinha certeza que as coisas eram ditadas de uma maneira nada justa.

-PYX, exibir código-fonte do jogo.

Várias telas foram abertas ali mostrando simultaneamente infinitas linhas de código. Algo monstruosamente belo: caracteres diversos que compunham o jogo complexo da NYCZ.

Este é um jogo livre. O código-fonte V8 é aberto, sendo possível sua edição por qualquer funcionário da empresa NYCZ para aprimoramento da sua tecnologia e capacitação profissional.

-PYX, abrir teclado flutuante.

Teclado flutuante em exibição.

Estudou rapidamente o que faria nas telas paralelas e organizou de uma maneira que facilitasse todo o seu trabalho.

-PYX, editar código-fonte. Localizar código bloqueado.

O aprendiz não entendeu porquê havia uma parte bloqueada no código do jogo. Uma vez livre aquilo tudo poderia ser alterado e ele seria automaticamente registrado como co-desenvolvedor.

Código-fonte editável. Código bloqueado localizado. Acesso negado. Contactar desenvolvedores.

Intrigado e decidido ele resolveu se aventurar pela programação a fim de ter acesso ao tão precioso código. Moveu o teclado flutuante para frente e estalou os dedos. Com sorte não seria notado ao terminar o trabalho de desbloqueio daquele conteúdo, pelo menos não automaticamente. Queria saber de uma vez por todas o que aquele material resultaria naquele nível.

Tudo o que aprendeu no LarNova sobre linguagem de programação foi posto em prática em sua totalidade. Entre chaves, parênteses e colchetes, ele escrevia linhas complexas como em um grande livro de símbolos. Seria um trabalho mais do que demorado, até bem mais que a sua batalha com Bianca Mivys.

Fora do jogo seu corpo tinha reflexos do que fazia dentro daquela ultrarrealidade. Seus dedos se mexiam freneticamente, seu olhos pareciam ler sem pausas, e o suor fino já surgia por todo seu rosto.

Passou quase duas horas absorto quando ouviu:

Acesso liberado. Código desbloqueado.

Comemorou internamente e pôs-se prontamente a decifrar o que estava tão bem guardado ali dentro. Pareceu curioso quando leu algo relacionado a memórias e emoções, como se aquele avatar -e certamente todos os outro com os quais lutou- não carregassem nenhum sentimento, apenas o raciocínio para as lutas. Bonito e intrigante, mas ainda queria saber o rumo daquilo e logo salvou tudo e executou o código.

Código salvo e em execução.

-PYX, ativar adversário.

Adversário ativado.

O avatar de seu mestre caiu de joelhos no chão com uma expressão de horror. Lentamente levou as mãos à cabeça e agarrou os cabelos acobreados com força, soltando um grito alto dentro da sala fechada.

-NÃO, NÃO, NÃO!!! –Bradou ele em perturbação. –PAI, NÃO!

McCartney olhava de perto a terrível cena, querendo entender aquela inesperada reação.

O mestre se jogou no chão ainda com as mãos na cabeça. Ficou em posição fetal e começou a chorar copiosamente. Rolando de um lado para o outro. Gritando em uma assustadora angústia.

-POR QUE VOCÊ FEZ ISSO PAI!? EU TE ODEIO, EU TE ODEIO POR ISSO!

Antes que o aprendiz pudesse interferir de alguma forma, o avatar parou de repente e sentou-se no chão, olhando para frente, diretamente nos olhos do moreno. Sua expressão no momento era de paz e pureza, sorrindo inocentemente para ele.

-Você quer ser meu amigo? Podemos visitar a minha avó, fazer bolo de chocolate e conhecer o Capitão Fofinho.

Como um humor podia mudar tão rápido assim? McCartney se perguntava como aquilo havia acontecido, mas não chegou a raciocinar o suficiente frente aquilo, pois enquanto observava a repentina transformação, logo outro humor apareceu.

O mestre não carregava mais a doce inocência, mas a própria lascívia no olhar, na mais aterradora personificação da luxúria. Passou a engatinhar devagar até o aprendiz dizendo:

-Ei, por que você não vem aqui? –McCartney se ergueu e passou a dar passos para trás a cada investida. –Eu não mordo... Só se você me pedir.

Aparentavam ser personalidades, mas elas pareciam se conectar. Só estavam num redemoinho de confusões, como um surto, um conflito interno de questões não solucionadas.

-Stuart! –O avatar parou com uma expressão de dor. –Ele não podia ter feito aquilo comigo! Eu o amava. Eu era o suficiente pra ele e ele pra mim. Éramos um só... –De repente uma expressão de raiva ganhou espaço. –Eu vou cortar o cérebro do Kleg e enfiar pedaço por pedaço nas gargantas dos sócios dele. –Depois veio o terror. –PAI, EU VOU TE MATAR, VOCÊ VAI QUEIMAR NO INFERNO! –Novamente a luxúria. –Eu posso te chupar, o que acha? Garanto que vai gostar do que eu vou fazer com você. –A mágoa. –Minha irmã me batia todo dia... Eu era tão pequeno. Por que ela fazia isso? –A tristeza. –Eu sinto falta da minha mãe todos os dias desde... –A apatia. –Eu devia me jogar do topo desse prédio depois de uma orgia. –O entusiasmo. –Nossa próxima festa será semana que vem! Ninguém pode faltar! –A emoção. –Você pode me amar? Eu posso te amar. Podemos comer chocolate e andar de mãos dadas. Seremos felizes como os casais de cinema. –O desejo. –Eu te apresento o céu se você for pra cama comigo. Será como beijar a boca dos anjos! –Confusão. –Por que eu sou assim? Eu não consigo me entender. Por favor, me ajude...

O avatar se deitou no chão com todo cuidado; seus olhos encharcados observavam o aprendiz em uma perturbação silenciosa, trêmulo. O moreno por sua vez olhava-o de volta preocupado; estava receoso de algum novo surto, mas arriscou se aproximar.

Foi até ele a passos macios e se agachou. Viu uma pessoa frágil, totalmente diferente daquele que conheceu nas ruas de Zerbiek e dentro da NYCZ.

-O que você fez, rapazinho?... –Perguntou o mestre abatido.

-Parece que liberei suas emoções todas de uma vez, senhor. –Enxugou-lhe a bochecha com o polegar.

-Tudo em mim dói.

-Deixe-me ajudá-lo, senhor.

-Como?

Pela primeira vez um sorriso pequeno e sincero brotou da boca do aprendiz. Algo em seu âmago havia despertado.

Viu também uma chance de, a partir dali, ajudar verdadeiramente aquele que muito fez por sua vida.

-Apenas confie em mim. Dessa vez vamos nos conhecer de uma forma completamente diferente.


Notas Finais


eita :o


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...