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História Flame Of Paris - Capítulo 1


Escrita por: e krishoflowers


Notas do Autor


Hey clã! Voltei voltei, fazia tempo que eu não conseguia escrever nada, literalmente nada, e com o novo tema do projeto eu me empolguei, ainda não voltei a escrever como antes, mas essa história é de coração.

É uma honra estar participando do quinto ciclo.

Espero que gostem e muito obrigado a @milation_ que betou de forma maravilhoso a nossa pequena chama de Paris, e eu agradeço por cada dica! Tô voltando a escrever aos poucos e isso é importante demais. Muito obrigado por essa capa lindíssima @suhoney, ela tá sensacional, cada detalhe é perfeito.

Glossário no final, clã.

Capítulo 1 - Capítulo Único.


O clima úmido e quente da cidade começava a mexer com a cabeça do fotógrafo sulista; o rapaz chegou à estranha cidade há pouquíssimos dias, porém, não via a hora de zarpar de volta para o frio de sua terra.

O fotógrafo veio à Manaus em busca de um certo bailarino que está disposto a ajudá-lo com seu novo projeto. Em sua última viagem, o homem aprendeu de fato a graciosidade dos movimentos de um dançarino quando congelados por uma fotografia e agora seu desejo por ser ele a registrar tal graciosidade cresceu.

Sua ideia era trazer os movimentos do balé clássico e juntá-los à sua própria arte.

Apressado, ele caminha em zigue-zague pelas ruas movimentadas, uma pequena veia salta em sua testa ao notar que já está atrasado. De relance, vê um ônibus vindo. Agoniado, faz sinal de parada.

Aos poucos, Kris tenta controlar sua respiração. Animado, o rapaz se vê perdido observando a cidade. O centro carrega uma beleza sem igual, mas o descaso com o local é visível.

Click.

Sorrindo de canto, o moreno vê a foto que sai de uma de suas câmeras. A fotografia revela um prédio rosinha claro um tanto acabado.

— Deve ter sido um lindo prédio um dia... — dá um suspiro tristonho.

— Ah, sim! Ali era uma farmácia e era, sim, uma estrutura muito linda — a voz suave de uma senhora despertou-o, e por algum motivo sorriu para ela.

— A senhora é sortuda demais, é um lugar belíssimo… Opa, é aqui que eu desço. Um bom dia para a senhora!

O rapaz se curva levemente, saindo sorridente do ônibus. As ruas nessa parte da cidade já não estavam tão movimentadas e a magnitude do teatro reluz ainda mais aos olhos do visitante. Por algum motivo a curta conversa com a senhora deixou-o deveras animado.

Pela cidade ser um tanto quanto pequena, de certa forma o fotógrafo achava que o teatro seria bem simples, um mero erro de qualquer pessoa ao visitar Manaus. Antes de chegar, Kris havia subestimando a cidade, mas quanto mais tempo ficava mais gostava do lugar.

Encantado, o visitante começa a olhar a arquitetura do teatro, que lembra-lhe, por algum motivo, um castelo que sonhara quando criança.

— O senhor é Kris Wu?

Uma mulher de madeixas escuras e longas aparece com uma prancheta em mãos. Kris supõe que ela trabalhe para o teatro ou fosse assistente — ou algo assim — do jovem bailarino. Receoso e ansioso, ele balança a cabeça positivamente.

— Aqui é muito belo, apenas muito quente.

— És de Santa Catarina, não? O senhor Kim gosta de estar a par das pessoas com quem vai trabalhar.

— Não imaginei que ele fosse se interessar de fato em mim, não achei nem que fosse aceitar minha proposta...

— Ele é apenas ocupado.

O diálogo encerra-se aí, vez ou outra mexe em sua câmera ou nos fios que estão um tanto longos. A mulher guia-o até escadas que parecem não ter mais fim, e no final de um bonito corredor, ela indica uma sala de onde ressoa uma música clássica que o ele não é capaz de identificar.

Seu estômago começa a revirar e uma leve tontura o atinge. Sair correndo parece uma boa ideia agora. Não sabia como agir na frente do homem que desde a primeira foto que viu chamou sua atenção. 

Não... Não, não posso desistir agora.

Com a respiração ofegante, o fotógrafo toca na maçaneta. A cabeça de Kris vira em busca da mulher que lhe guiou, mas ela já não está mais ali.

Está sozinho, então.

Sem ter mais o que adiar, abre a porta e ao fazer tal ato, o ar sumiu de seus pulmões.

A música fica ainda mais intensa. O bailarino dá giros e saltos pela sala enquanto, ao fundo, o rapaz de fios cor de cobre toca um piano digital. Um vislumbre vem à sua mente e o nome do passo que está sendo executado surge.

"Assemblé".

E, por fim, com os olhos cravados em si, Junmyeon realiza uma pirueta em quarta posição, puxando um arabesque no fim.

Sem conseguir se segurar, o moreno começa a bater palmas animadamente; um sorriso emocionado nasce em seus lábios quando o outro, ofegante, agradece com um pequeno sorriso.

— Já estava pensando que não viria mais, senhor Wu.

O timbre suave e rouquinho entrou por seus ouvidos como néctar dos deuses, um leve eufemismo de sua parte, mas o garoto é, de fato, encantador.

— Não perderia essa oportunidade por nada! É um prazer lhe conhecer, meu querido. Tua técnica não é a mais perfeita, mas há uma emoção que poucos realmente transmitem.

— Vou tomar isso como um elogio... — o bailarino procura sua garrafa de água, bebendo quase tudo num gole só. — Técnica nunca é perfeita, o que vale é o sentimento que o bailarino põe nos passos.

Devagar, o amazonense se aproxima estendendo a mão. Desnorteado, Kris a aperta, sem jeito, a singela presença do bailarino faz com que seu coração bata mais rápido. Queria logo registrar cada movimento dele, eternizando-os mundo afora.

— Suas ideias são boas. Você teria que ser rápido, eu imagino... participei apenas duas vezes de ensaios assim, mas acho que não vou me sair tão mal.

 

(...)

 

Uma semana se passou com os dois artistas preparando as coisas para o ensaio fotográfico. O bailarino teria uma apresentação dali a duas semanas e não sabia bem controlar sua ansiedade; o fotógrafo por algum motivo também animou-se com a tal apresentação.

— É minha primeira vez como solista e, nossa... eu nem sei como agir, sabe?

Em poucos dias ambos já haviam criado uma intimidade como se fossem amigos de anos e anos.

Caminhando para o canto da sala, o bailarino começa a se alongar. Relaxando os ombros e esticando bem os pés descalços, seus dedos estalam enquanto ele gira os pés que estão em primeira posição. Seu tronco aos poucos vai descendo até os dedos da mão tocarem o tornozelo. Kris já havia lhe dado as referências dos movimentos e precisava estar com o corpo bem preparado para os saltos que daria.

— Pronto, Jun?

Um sorriso inocente nasce nos lábios do moreno ao ouvir o apelido sair docemente e com sotaque arrastado da boca do fotógrafo. Um último retoque é dado em sua maquiagem. Arrastando o corpo com um sorriso no rosto, o jovem começa a se preparar para o primeiro salto.

Apenas um Grand Jeté, algo simples, mas que em uma fotografia se torna a mais bela arte.

O primeiro click é dado pelo fotógrafo um pouco antes de o bailarino tocar o chão.

The Palace Garden toca ao fundo, dando leveza a tudo que ele fazia.

No estúdio, a mesma mulher que lhe recepcionou dias antes solta frases motivadoras ao irmão. Kris descobriu que os dois são irmãos dois dias atrás e sentiu-se tapado por não perceber — os traços asiáticos são quase inexistentes nela, mas o brilho no olhar é o mesmo.

Depois de quase quinze fotos, o amazonense dá um último passo chamado Cambré.

Seu corpo, depois de ter que repetir fotos, manter poses e ficar na ponta dos pés, pedia por, ao menos, um copo d'água.

— Chega por hoje, Kris. ‘Tô cansando, já.

— Tem tido muito treino, ‘né? Pode ir, vou editar essas e tirar outras depois.

Dois bailarinos também participaram da sessão de fotos e um voltaria em minutos para terminar sua sessão enquanto Jun treinava para seu solo.

Flames of Paris chegaria com a garra de um brasileiro nos palcos do teatro Amazonas; o único brasileiro dentre tantos europeus. Junmyeon carrega o fogo nos olhos para essa apresentação.

Após a saída do bailarino, Kris finaliza as fotos com o outro bailarino da companhia, rindo das caretas que o anterior faz vez ou outra para tornar tudo mais divertido.

Uma leve atração começa a borbulhar no corpo do mais velho junto à razão gritante em sua mente. Ele logo irá embora e o jovem bailarino é do mundo.

Já com todas as fotos terminadas, o bailarino passa o resto de seus dias em sua cidade natal treinando para o solo que apresentará em breve. A rotina de apresentações já é comum para ele, mas dançar na cidade em que nasceu é outro nível.

Jun finalmente seria a estrela de sua própria constelação, a chama de Paris dentre várias explosões.

A noite da apresentação começou a bater na porta do bailarino. Poucas horas e o palco seria só dele, por alguns instantes.

Nos últimos dias, nos quais ficou ocupado com as coisas da apresentação, o homem não conseguiu ver o fotógrafo de belo sorriso; a calorosa presença dele fez-lhe tão bem que até mesmo cogitou ficar mais um pouco no Brasil, mais especialmente em Santa Catarina, e conhecer um pouco o outro.

Mas como nem tudo é um mar de rosas isso não seria possível e logo teria que retornar à Londres junto da companhia.

 

(...)

 

Murmúrios aos poucos começam a encher o teatro. Com calma, o fotógrafo adentra o recinto; a luz amarelada  transmite-lhe uma leve sensação de paz com uma mistura de ansiedade para ver o novo amigo brilhar naquele palco.

O terno que comprou molda bem seu corpo, mas a gravata... Kris começa a se sentir preso com aquele negócio em seu pescoço, entretanto, sabe que deve estar apresentável diante de tantos ali; querendo ou não, teria a oportunidade de conseguir.

As cortinas se fecham, o primeiro ato se inicia. Os bailarinos flutuam pelo palco com expressões que captam o olhar do público. Os figurinos de Chamas de Paris reluzem como estrelas pelo palco. Kris ainda não consegue avistar seu novo bailarino favorito.

Os atos fazia-o rir e tremer em ansiedade.

As luzes se apagam, a música para. Todos ficam em silêncio.

Uma luz de tom rosado surge e uma forte música ressoa e Kim Junmyeon surge no palco, fazendo com que seu corpo e a canção fossem um só; as piruetas belíssimas prendem o olhar abobado do público já que os saltos são explosivos e de longe lembrava-lhe a grandíssima Osipova.

O sorriso que não larga o rosto do bailarino arranca suspiros e aplausos de pé do público ao finalizar sua variação.

O amazonense sai do palco rindo e sorrindo. Deram-lhe um buquê de flores e Kris sabe que esse era só o grandioso início de Kim no mundo do ballet.

— Não tenho palavras... Você... Você simplesmente fez do palco, da música e até das luzes, suas! Foi tudo tão belo que acho que não tenho palavras para expressar tudo o que senti.

Uma gargalhada gostosa escapa dos lábios do bailarino, que joga os fios para trás, abaixando-se para reverenciar Kris — um gesto de agradecimento no ballet.

— Foi um prazer conhecê-lo, caro fotógrafo.

O bailarino vira-lhe as costas, juntando-se à companhia, e Kris lentamente sai do teatro com um sorriso no rosto; talvez sua atenção tenha sido captada por aquele belo garoto. Nesta noite a rua se encontra fria, pelo menos num sentido que não se compara com o calor dos outros dias.

Ao chegar ao hotel onde está hospedado, a primeira coisa que vê é uma carta com a caligrafia arrastada:

 

Olá, caro fotógrafo!

Acho que perdi a manha de paquerar as pessoas, o balé toma boa parte do meu tempo que nem tenho dado espaço para mim, sabe? Eu adorei te conhecer e queria passar mais tempo aqui para, quem sabe, tomar um sorvete.

Não sei, de fato quando voltarei ao Brasil, mas espero manter contato contigo, meu caro.

Ass: Jun.

 

O sorriso rasga o rosto moreno, que ri alto, jogando-se na cama; talvez sua leve atração tivesse um bom resultado, afinal.

Cedo do dia seguinte, o amazonense parte com um sorriso triste, mas o coração tranquilo. Sabia que dali em diante mil coisas poderiam acontecer.


Notas Finais


Chegamos ao fim, acabou por ficar uma estória curta, mas eu gostei até e vocês?


Natalia Osipova: Bailarina principal do Royal Ballet, uma de suas melhores apresentações é em Dom Quixote. Mas isso é minha opinião.

Jeté - Lançado, atirado. Salto de um perna para outra.

Cambré - Inclinado, curvado.

Assemblé - Salto em que as pernas se juntam no ar antes de passarem para a quinta posição.

The Palace Garden: https://youtu.be/DRqxWcmHLug

Flame of Paris: https://youtu.be/Ky4EmGdVB_E


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